Capítulo Cinquenta

Connor Wessex:

Assim que o sol nasceu no dia seguinte, já estávamos prontos para sair e explorar a cidade. Pedro, sempre atento, me ajudou a entrar no táxi, e logo estávamos navegando pelas ruas ensolaradas, sentindo a brisa leve de um novo dia. A sensação de liberdade era palpável, e eu aproveitei o fato de que podia me afastar um pouco da minha dieta rigorosa de gravidez — apenas por hoje. O sorriso travesso de Pedro quando me viu pegando uma das guloseimas da sacola de lembrancinhas me fez rir.

Enquanto o táxi seguia pelas ruas agitadas, observava a cidade ao nosso redor. A paisagem urbana era vibrante e cheia de vida, mas logo, o tumulto começou a diminuir, revelando uma parte mais calma e deslumbrante da cidade, que Pedro havia escolhido com tanto carinho para nossa lua-de-mel.

Chegamos à marina, e assim que saímos do táxi, a vista do mar azul cintilante me tirou o fôlego. Iates alinhados, cada um mais luxuoso que o outro, mas o barco que Pedro escolheu era diferente. Menor, mais estreito, claramente projetado para velocidade e não para ostentação. Ele saltou para o barco com agilidade, apesar das malas pesadas, e se virou para me ajudar a subir.

Enquanto ele preparava o barco para partir, eu observava em silêncio, aproveitando as guloseimas que havíamos comprado ao longo do dia. O mar azul profundo à nossa frente, as ondas suaves batendo contra o casco do barco, e o céu se tornando gradualmente tingido de laranja e vermelho com o pôr do sol, criavam um cenário de tirar o fôlego.

A certa altura, Pedro parou e veio ao meu lado. Ficamos ali, lado a lado, na praia dourada tingida pelo sol poente. O silêncio entre nós era confortável, apenas o som das ondas quebrando suavemente na areia e o vento trazendo consigo o cheiro salgado do mar.

— É lindo, não é? — Pedro sussurrou, seus olhos fixos no horizonte.

— É perfeito — respondi, sentindo meu coração se aquecer. Não só pelo cenário, mas por estar ao lado dele, compartilhando esse momento. Nosso futuro, nossa família, tudo parecia tão certo.

Com o sol descendo lentamente no horizonte, nós apenas apreciamos o momento. Naquele instante, nada mais importava além de nós dois e da vida que estávamos construindo juntos.

Enquanto estávamos na praia, o som suave das ondas batendo contra a costa e o calor do sol nos envolvia de forma reconfortante. Respirando fundo, eu podia sentir o cheiro salgado do mar misturado com o frescor das palmeiras que se balançavam suavemente ao nosso redor. O ar estava bom, tão limpo e revigorante que por um momento, apenas fechei os olhos, sentindo-me em paz.

— O ar está bom — comentei, respirando profundamente, os olhos ainda fechados. Estávamos vestidos de forma casual, camisas de manga curta, calças de meio comprimento e sapatos de praia, tudo no mesmo estilo, apenas com cores diferentes. Mesmo com toda simplicidade, havia algo especial em estarmos aqui, juntos.

— Essa não é a alta temporada turística — Pedro explicou, sua voz calma e relaxada. — Não há muitos turistas hospedados por aqui agora.

Ele sorriu, e de repente, senti como se realmente estivéssemos apenas nós dois ali, como se o resto do mundo tivesse desaparecido por completo. Era um pequeno pedaço do paraíso, só nosso.

— Temos que ficar aqui pelo menos até sexta-feira — Pedro continuou, com uma animação contagiante. — Sempre vim aqui na infância com minha família, e agora quero te mostrar tudo.

— E para onde vamos? — perguntei, curioso, ainda com um sorriso no rosto.

— Aluguei esse barco para irmos a um lugar muito especial. Ainda quero te mostrar cada canto dessa ilha, e depois do almoço... podemos aproveitar a noite juntos — ele disse, listando tudo com os dedos.

— Aproveitar a noite? — brinquei, rindo. — Nunca pensei que ouviria isso da sua boca.

Pedro riu, ligando o barco enquanto navegávamos para o leste. O rugido do motor preenchia o ar, e eu observei a água azul ao nosso redor, sentindo a leve brisa no rosto. Minha mente vagava, tentando imaginar até onde iríamos, enquanto analisava a geografia básica do local em minha cabeça.

Algum tempo depois, a voz de Pedro se ergueu acima do som do motor.

— Connor, olhe lá! — Ele apontou à frente.

No início, não vi nada, mas logo meus olhos focaram em uma forma triangular irregular se destacando no horizonte. Conforme nos aproximávamos, o contorno ficava mais claro, revelando uma pequena ilha ondulada de palmeiras e uma praia clara, iluminada pelo sol da tarde.

— Onde estamos? — perguntei, impressionado, enquanto Pedro mudava o curso em direção ao extremo norte da ilha.

— Esta é a ilha onde meus pais se casaram — ele respondeu com um sorriso. A velocidade do barco diminuiu, e logo estávamos ancorados ao lado de um pequeno píer de madeira. O motor foi desligado, e o silêncio que se seguiu era profundo. Não havia nada além das ondas suaves batendo no barco e o farfalhar das árvores.

Descemos do barco e caminhamos até a praia, lado a lado, aproveitando o momento tranquilo. As casas da ilha eram pequenas vilas, construídas a uma certa altura do solo, encantadoras e rústicas. Após um delicioso almoço de frutos do mar, nos deitamos na areia, completamente relaxados, os braços um ao redor do outro.

Quando abri os olhos mais tarde, a tarde já havia avançado. Notei Pedro deitado ao meu lado, com um pedaço de toalha semi-seca cobrindo parte do rosto.

— Pedro... Não me diga que foi treinar na nossa lua-de-mel? — brinquei, esfregando os olhos.

— Não, apenas derramei refrigerante em mim — ele respondeu, rindo, enquanto tirava a toalha do rosto.

— Que cena você seria! — comentei, rindo e imaginando a situação.

— Ainda temos muito mais para ver — Pedro sorriu, levantando-se lentamente.

Passamos o restante da manhã explorando o mercado da cidade próxima. Compramos roupas, perfumes e alguns brindes simples, aproveitando cada momento juntos. Conforme o dia passava, a conexão entre nós se aprofundava ainda mais.

Enquanto mordia um pedaço de espetinho de frutas, perguntei:

— Quando seus pais se casaram, foi sua mãe quem escolheu este lugar?

— Na verdade, foi meu pai — Pedro respondeu. — Ele pode ter aquele jeito sério, mas sabe ser bem romântico quando quer.

— Faz sentido — falei, engolindo o último pedaço da fruta. — Então, qual o próximo destino?

Pedro sorriu, pegou minha mão e continuamos nossa aventura romântica, prontos para explorar mais dessa ilha especial e criar mais memórias inesquecíveis juntos.

***********************

Enquanto explorávamos a pequena selva que margeava o pico rochoso da ilha, a natureza ao nosso redor parecia se moldar à nossa aventura. Depois, visitamos os animais na fazenda local, onde o cheiro da terra e o som das folhas sendo balançadas pelo vento nos envolviam. Era uma simplicidade que contrastava com a grandiosidade do nosso amor e do futuro que estávamos construindo.

Ao final do dia, já no quarto, assistimos ao pôr do sol da janela. A luz dourada tingia o ambiente, e o toque suave dos dedos de Pedro alisando meu rosto me fez sorrir. Era como se ele estivesse tentando memorizar cada detalhe, cada linha da minha expressão. Havia um lado dele que ele nunca tinha mostrado para ninguém, um lado tão cheio de cuidado e ternura que me fazia sentir mais amado a cada segundo.

Suas mãos desceram suavemente até minha barriga, e ele colocou o ouvido sobre ela, começando mais uma das suas conversas com nosso bebê. Esse era um dos hábitos que ele desenvolveu assim que minha barriga começou a crescer. Eu, por outro lado, fazia cafuné em seus cabelos, uma troca de carinho que parecia falar mais do que palavras.

Enquanto mordia distraidamente algumas batatinhas, algo me pegou de surpresa. Levantei de repente, correndo para o banheiro com a mão na boca. Me agachei diante da privada e vomitei com violência. A pior fase da gravidez para mim eram os vômitos que vinham sem aviso.

Pedro, como sempre, estava ao meu lado, passando as mãos pelas minhas costas, oferecendo todo o apoio que eu precisava.

— Já posso dizer que a Kara não gostou muito das besteiras que você comeu — ele brincou, e eu me virei para ele, com os olhos em fúria. Ele levantou as mãos, rindo suavemente. — Entendi, entendi, nada de piadinhas. Você está bem?

— Estou — respondi, ofegante. — Só mais um enjôo. Nunca vou me acostumar com isso.

Depois de lavar a boca, Pedro me pegou com delicadeza e me carregou de volta para a cama. Ele me sentou cuidadosamente e me escorou com os braços, me envolvendo em seu calor.

— Ela vai ter um temperamento difícil, tenho certeza — falei com um sorriso cansado. — Nossa pequena menina. Com quem você acha que ela vai se parecer?

Pedro beijou minha testa com carinho.

— Eu vou amar seja quem for que ela se pareça. O importante é que ela mostre quem ela puxou — disse ele, o sorriso nos lábios fazendo meu coração aquecer ainda mais.

— Eu adoro quando você mostra esse lado bobo, todo apaixonado e de pai babão — brinquei, e ele me beliscou entre as sobrancelhas de leve, fazendo com que eu risse.

— O que foi agora? — perguntei, fingindo me sentir injustiçado.

— Seja bom, pelo menos por esses dias. Você está muito cansado e precisa descansar — ele disse, fazendo uma pausa dramática antes de me olhar com intensidade. — Tenho medo de perder o controle esta noite.

Eu ri, tocado pela sinceridade e pela forma como ele estava cuidando de mim.

— Tudo bem, tudo bem! — respondi, entregando-me ao cansaço.

Pedro estava ficando cada vez melhor em flertar, até mesmo com alguém grávido e cansado como eu. Ele sabia exatamente o que dizer para me fazer sentir amado e seguro. E assim, sem fazer mais barulho, fechei os olhos e me aconcheguei nos braços dele, adormecendo em paz, sentindo que o amor que compartilhávamos era a coisa mais poderosa do mundo.

Enquanto me aconchegava nos braços de Pedro, senti o calor de seu corpo e o ritmo constante de sua respiração acalmarem o cansaço que ainda percorria meu corpo. Ele sempre soube exatamente como me envolver, tanto física quanto emocionalmente, fazendo com que eu me sentisse seguro e protegido, mesmo nos momentos mais desafiadores da gravidez. Cada toque dele era uma lembrança de que, não importa o que acontecesse, estávamos nessa jornada juntos.

Pedro, com sua maneira sutil de demonstrar afeto, começou a traçar pequenos círculos em minhas costas com os dedos. Era um gesto simples, mas que carregava tanto significado. Ele não precisava de palavras para me dizer que estava ali para mim, que seu amor era inabalável.

— Eu amo esses momentos — murmurei, a voz abafada contra o peito dele. — Mesmo com todo o cansaço, os enjôos... é aqui que eu quero estar. Com você.

Senti Pedro apertar seu abraço, a resposta silenciosa que só nós dois entendíamos. Ele inclinou a cabeça, beijando o topo da minha cabeça com ternura, e então sussurrou:

— E é aqui que você sempre vai estar. Ao meu lado. Não importa o que aconteça, Connor. Eu vou estar aqui, sempre.

As palavras dele, tão carregadas de emoção e sinceridade, tocaram algo profundo em mim. Virei-me levemente para encará-lo, meus olhos encontrando os dele. O brilho que vi ali era inconfundível: amor puro, daquele tipo que não precisa de explicações ou garantias, apenas existe, como uma força constante.

— Você é o melhor presente que eu poderia ter recebido — sussurrei, passando os dedos pela linha do seu queixo, admirando a suavidade de seus traços. — Nunca pensei que seria tão sortudo em ter alguém como você na minha vida.

Pedro sorriu, aquele sorriso meio torto que fazia meu coração acelerar. Ele inclinou-se levemente, seus lábios encontrando os meus em um beijo suave, mas profundo, o tipo de beijo que falava de promessas e futuros juntos.

Quando nos separamos, ainda mantive meus olhos fechados, sentindo o calor residual do beijo e o peso confortável de sua presença. Estar com Pedro era como estar em casa, em qualquer lugar que estivéssemos.

— E eu sou o homem mais sortudo por ter você — Pedro disse, sua voz suave, mas firme. — Você me deu uma família. Nos deu uma filha. E cada dia com você ao meu lado me faz querer ser o melhor que eu posso ser.

Senti meus olhos se encherem de lágrimas com aquelas palavras. Não era só o que ele dizia, mas como ele dizia. Pedro tinha uma habilidade especial de me fazer sentir amado de uma forma que eu nunca tinha experimentado antes.

— Promete que sempre vamos ser assim? — perguntei, minha voz saindo um pouco trêmula.

Pedro acariciou meu rosto com a ponta dos dedos, enxugando a lágrima que teimava em cair.

— Eu prometo, Connor. Prometo que vamos continuar assim, crescendo juntos, sendo felizes juntos, enfrentando tudo o que vier pela frente. Eu te amo mais do que posso colocar em palavras. E isso nunca vai mudar.

Eu o puxei para mais perto, sentindo o peso da promessa que acabávamos de fazer um ao outro. Naquele momento, éramos mais do que apenas um casal; éramos uma família, prestes a começar uma nova fase de nossas vidas com a chegada de nossa filha. E, juntos, nada parecia impossível.

E, como sempre, adormeci nos braços dele, sentindo que o mundo ao nosso redor era exatamente como deveria ser: perfeito, porque estávamos juntos.

*****************************

Na manhã seguinte, acordei lentamente, ainda nos braços de Pedro, sentindo o calor reconfortante do seu corpo contra o meu. A luz suave do sol entrava pelas janelas do quarto, tingindo tudo com um brilho dourado, e o som suave das ondas batendo na costa completava o cenário perfeito da nossa lua de mel.

Pedro ainda estava dormindo, a respiração calma e ritmada, o rosto relaxado, quase sereno. A tranquilidade daquele momento me fez sorrir. Cada segundo ao lado dele parecia precioso, e o fato de estarmos em nossa lua de mel, longe de tudo, só tornava tudo mais especial.

Com cuidado, me afastei dele, levantando da cama para não acordá-lo. Me aproximei da janela, observando a paisagem lá fora. O mar azul brilhava sob o sol da manhã, e a praia deserta parecia nos chamar. Senti uma onda de felicidade me envolver. Estávamos ali, naquele lugar incrível, prestes a começar uma nova fase de nossas vidas, e nada poderia ser mais perfeito.

Eu estava imerso nesses pensamentos quando senti as mãos de Pedro envolverem minha cintura por trás. Seu toque suave me fez relaxar instantaneamente, e eu me encostei nele, sorrindo.

— Bom dia — ele murmurou, sua voz rouca ainda carregando os vestígios de sono.

— Bom dia — respondi, minha voz suave. — Dormiu bem?

Pedro assentiu, apertando levemente o abraço ao meu redor e encostando o queixo no meu ombro. Ficamos ali, em silêncio, observando o mar por um momento, apenas apreciando a presença um do outro.

— O que acha de aproveitarmos a praia hoje? — perguntei, me virando para encará-lo. — Podemos caminhar pela areia, nadar um pouco... Só nós dois.

Pedro sorriu, aquele sorriso que sempre me fazia sentir como se o mundo inteiro estivesse bem.

— Eu acho perfeito. Esse lugar é tão especial para mim, e agora poder compartilhá-lo com você torna tudo ainda mais incrível.

Algum tempo depois, descemos até a praia. A areia dourada estava morna sob nossos pés, e o som das ondas era quase hipnotizante. Caminhamos lado a lado, as mãos entrelaçadas, conversando sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Era uma sensação de liberdade, de desconexão do mundo lá fora, e era exatamente o que precisávamos.

Em um momento, paramos à beira da água, deixando que as ondas suaves lambessem nossos pés. Pedro me puxou para mais perto, e ali, com o mar como testemunha, ele me beijou com uma doçura que fez meu coração acelerar.

— Eu não consigo imaginar um lugar melhor para estar do que aqui, com você — ele disse, sua voz suave. — Esta lua de mel... é tudo o que eu poderia ter sonhado.

Eu sorri, o coração leve e cheio de amor.

— Eu também não. Cada momento aqui é perfeito, porque estamos juntos.

Passamos o dia aproveitando a simplicidade de estarmos na praia. Nadamos nas águas claras, brincamos com as ondas e rimos juntos de bobagens. Havia algo tão genuíno e puro naquele dia que fez com que todos os problemas do mundo parecessem distantes.

Mais tarde, ao cair da tarde, nos sentamos na areia, assistindo ao pôr do sol. Pedro estava ao meu lado, seu braço ao redor dos meus ombros, e eu me encostei nele, sentindo o calor do seu corpo me envolver.

— Estamos vivendo o nosso sonho, Pedro — murmurei, observando o céu se tingir de tons de laranja e rosa. — É tudo tão perfeito que às vezes parece que estou sonhando.

Pedro sorriu, apertando-me contra ele.

— Não é um sonho, Connor. É real, e vai ficar cada vez melhor. Com a chegada da nossa filha, nossa família estará completa.

Acariciei minha barriga com um sorriso, imaginando o futuro que estávamos prestes a construir. Ali, sentados juntos, com o mar e o pôr do sol como cenário, soube que tudo estava exatamente como deveria estar.

Nossa lua de mel continuava a ser um momento de conexão profunda, de redescoberta e de amor. E, com Pedro ao meu lado, eu sabia que o futuro seria ainda mais brilhante do que poderíamos imaginar.

Enquanto o sol se escondia no horizonte, tingindo o céu com as últimas pinceladas de laranja e rosa, o mar refletia as cores de forma quase mágica. Pedro e eu ficamos ali, na areia morna, aproveitando a serenidade daquele momento. Eu me sentia pleno, como se tudo finalmente estivesse no lugar certo.

Pedro continuava com o braço ao meu redor, me puxando um pouco mais para ele. Eu sentia o ritmo constante de sua respiração, o calor reconfortante que seu corpo transmitia. Fechei os olhos por um momento, deixando a brisa suave do mar acariciar meu rosto. A sensação de paz era quase tangível.

— É engraçado como as coisas mudam, não é? — falei, com um sorriso leve no rosto. — Eu nunca pensei que estaria aqui, casado, esperando uma filha com o homem que amo. Às vezes parece que ainda estou sonhando.

— É, às vezes a vida nos surpreende de formas que não esperamos — Pedro respondeu, sua voz suave, mas cheia de certeza. — Mas acho que as melhores coisas acontecem quando a gente menos espera.

Ele me puxou de volta para um beijo, suave e cheio de carinho. Havia uma profundidade naquele beijo, uma promessa silenciosa de que estávamos juntos, prontos para enfrentar tudo o que viesse. Quando nos separamos, ainda sentia o gosto da doçura nos lábios.

— Acha que está pronta para essa nova fase? — Pedro perguntou, seus olhos me encarando com uma leve curiosidade.

— Ser pai? — respondi, sorrindo. — Acho que nunca estamos completamente prontos, mas sei que estamos no caminho certo. Nós dois. E nossa filha vai ter pais incríveis. Eu sinto isso.

Pedro sorriu, um brilho nos olhos que sempre me deixava confortável. — Vamos aprender juntos. Vai ser desafiador, mas também vai ser a maior aventura das nossas vidas.

O silêncio que se seguiu não era desconfortável. Era o tipo de silêncio que só acontece entre pessoas que se amam profundamente, onde as palavras não são necessárias. Ficamos ali, lado a lado, observando o céu escurecer e as primeiras estrelas surgirem lentamente, como pequenos pontos brilhantes que prometiam um futuro cheio de possibilidades.

A noite estava linda, e o ar fresco da praia trazia uma sensação de renovação. A lua subiu no céu, refletindo sua luz suave nas águas tranquilas do mar. Pedro se deitou na areia, puxando-me para deitar ao seu lado. Ficamos de costas, olhando para o céu estrelado.

— Sabe o que me faz mais feliz? — Pedro perguntou, sua voz baixa, quase um sussurro.

— O que? — respondi, curioso.

— Saber que cada estrela que vemos agora será vista pela nossa filha um dia. E que ela vai crescer sabendo o quanto foi desejada e amada antes mesmo de nascer.

Aquelas palavras me tocaram profundamente. Olhei para o rosto de Pedro, o perfil dele iluminado pela luz da lua, e meu coração se encheu de gratidão por tudo o que estávamos vivendo. Aquele era o homem com quem eu escolhi passar o resto da minha vida, e juntos, estávamos criando algo maior do que nós mesmos: uma família.

Fiz um carinho em sua mão e apertei com leveza, apenas para garantir que ele soubesse que eu compartilhava exatamente os mesmos sentimentos.

— Nossa filha será a criança mais amada do mundo — respondi, a voz embargada pela emoção.

Deitados na areia, sob o céu estrelado, com o som das ondas ao fundo, a lua brilhando sobre nós e o futuro se desenhando diante dos nossos olhos, a lua de mel parecia o ponto de partida perfeito para essa nova fase. E, com Pedro ao meu lado, sabia que estávamos prontos para o que viesse.

A lua de mel foi mais do que um simples descanso. Foi o momento de reafirmarmos quem éramos como casal, de fortalecer nossos laços e preparar o terreno para a chegada de nossa filha. A aventura estava apenas começando, e eu não poderia estar mais feliz com a jornada que estávamos prestes a trilhar juntos.

A noite continuou a envolver-nos com seu manto de estrelas e a brisa suave da praia. Pedro e eu ficamos em silêncio, deitados na areia, como se o tempo tivesse desacelerado, permitindo que aproveitássemos cada segundo. O céu estrelado nos observava, e as ondas quebravam suavemente ao fundo, criando uma trilha sonora perfeita para o momento. Eu não queria que aquela noite terminasse.

Depois de um tempo, senti Pedro se mexer levemente ao meu lado. Ele se virou de lado, me puxando para mais perto, e eu, sem hesitar, deitei minha cabeça em seu peito, ouvindo o batimento constante do seu coração. Era um som que sempre me acalmava, um lembrete de que, não importa o que o futuro trouxesse, ele estaria ao meu lado.

— Connor, sabe o que me faz feliz? — ele perguntou suavemente, seus dedos traçando pequenos círculos em minhas costas.

— O que? — murmurei, aproveitando o calor do seu corpo.

— Que, daqui a alguns meses, estaremos vivendo algo completamente novo. Não só seremos marido e marido, mas pais. E, honestamente, nunca estive tão ansioso por algo na minha vida. — A voz dele carregava uma mistura de entusiasmo e calma, como se estivesse refletindo sobre o que isso significava.

Eu sorri, sentindo uma onda de amor me inundar. A jornada pela frente seria cheia de desafios, mas, como Pedro disse, era uma aventura que estávamos prontos para enfrentar juntos.

— Eu também — sussurrei, levantando a cabeça para olhá-lo. — E a melhor parte é que estamos fazendo isso juntos. Não importa o que aconteça, eu sei que com você ao meu lado, tudo vai ficar bem.

Ele me olhou com tanta ternura que meu coração quase derreteu. Pedro era a pessoa que eu sempre soube que me completava. Ele me fazia sentir amado e seguro de uma maneira que eu nunca pensei ser possível. Beijei-o suavemente, e ele me puxou ainda mais perto, como se quisesse garantir que eu sabia o quanto ele me amava também.

Depois de alguns momentos assim, em silêncio, Pedro se levantou lentamente, me ajudando a levantar também. Era como se, mesmo sem palavras, soubéssemos que aquele era o fim de um capítulo importante em nossas vidas. A lua de mel tinha sido tudo o que precisávamos: um momento de pausa, de conexão, antes de começarmos a nova fase como pais.

— Vamos voltar? — Pedro perguntou, ainda segurando minha mão.

Assenti, sem vontade de me afastar daquele paraíso, mas sabendo que o futuro estava nos esperando. Caminhamos de volta pela praia, nossos passos em sincronia, e enquanto andávamos, cada passo parecia reforçar a certeza de que estávamos exatamente onde deveríamos estar.

Chegando ao hotel, o quarto nos recebeu com o conforto familiar, mas algo era diferente. Agora, não éramos apenas dois recém-casados; éramos uma família prestes a crescer. Pedro me ajudou a me deitar, aconchegando-se ao meu lado, e enquanto eu fechava os olhos, sentia o sorriso nos meus lábios.

Amanhã começaria uma nova etapa. A vida continuaria com seus altos e baixos, mas a certeza que eu tinha era inquebrável: eu tinha Pedro ao meu lado, nosso bebê a caminho, e um amor que não poderia ser mais forte. Adormeci nos braços de Pedro, sentindo o calor de seu corpo, e sonhando com o futuro brilhante que estávamos prestes a construir juntos.

A lua de mel foi um começo perfeito, e o que estava por vir seria ainda mais extraordinário.

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Gostaram?

Até a próxima 😘

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