Capítulo 32 - Por que o céu parece vermelho? (Parte 3)

~ Mia

Não há problemas enquanto lidero os Erros, o caminho é calmo e tranquilo. Estou atenta ao rádio, tentando identificar qualquer tipo de problema com Flora, ou os outros. Deve ser fácil sair daqui. Espero...

Falo para todos fazerem uma pequena pausa e solto um grito. Meu poder é o som, em algumas coisas, consigo usar algumas variações interessantes, como as habilidades de um, por exemplo, morcego.

Não há nada nos próximos seiscentos metros, porém... Há alguns... Não, há vários soldados. Contato o rádio para saber da situação dos demais e começo a encenar.

– Entendido, Flora, diminuirei o nosso ritmo. Boa sorte pra você. – garanto falar o mais alto que eu posso para que o eco chegue ao fim do túnel.

Agora, falo realmente no rádio. Alice está eliminando os ataques aéreos e cuidando da Elen. Ben e Guilherme estão ocupados com os soldados no geral, os heróis ainda não chegaram, pelo menos. Wendler foi auxiliar Flora. Droga. Se fosse apenas eu, eu poderia liquidar com esses soldados sem preocupações, mas o problema são os outros. Vejo o rosto de muitas crianças assustadas. Espera, não ouvi nada no rádio sobre o Toni... É isso.

– Toni, na linha...? – falo cochichando, não quero chamar muita atenção.

– Hoje realmente é um dia de surpresas, a que devo a honra de ter Mia falando comigo? – esse idiota mulherengo sabe irritar muito bem.

– Preciso que venha até o túnel de fuga, preciso de ajuda para cuidar de todos.

– Entendido. Quanto tempo aguenta?

– Consigo evitar o combate por uns dois minutos, fiz uma pequena pausa, mas não posso levantar suspeitas.

– É suficiente.

Quando guardo o comunicador, o inconfundível de um disparo ressoa pelo túnel, faço um grito muito alto que chega a estremecer o chão e rachar algumas paredes. Vejo poeira aos meus pés. Eu era o alvo...

Vejo ao longe uma mulher empunhando uma pistola grande em uma das mãos, ela usa uma jaqueta negra junto e um conjunto de roupas jeans dos pés a cabeça.

– Todos vocês recuem imediatamente!! – todos se viram para trás como se fossem um só e começam a recuar.

Encaro a oponente que está à minha frente. Não posso fazer o teto desabar sobre a cabeça deles, bloqueia a passagem e pra conseguir atravessar o monte de pedras... Levaria muito tempo. Preciso derrotar todos... Um por um.

Encho meus pulmões e solto o grito mais poderoso que consigo, ela se surpreende e dispara três tiros simultaneamente, desintegro as balas com a potência do grito. A força foi tão grande que fez com que ela fosse lançada para trás. Corro rapidamente até ela e fico em cima dela, desfiro dois socos no rosto dela, fazendo com que ela apague.

Relaxo por um momento, mas escuto vários projéteis sendo disparados de uma vez, levanto e novamente deixo outro grito ensurdecedor escapar. Abalando ainda mais a estrutura do túnel, vejo algumas rachaduras surgindo no teto. Pego a pistola da garota morta. Quando me preparo para levantar, sinto uma mão fria pegar meu braço. Vejo quem é... Essa garota já acordou? Dou um tiro no peito dela, fazendo-a parar. Respiro aliviada, mas percebo que a mão fria continua segurando meu braço...

Ela abre de novo os olhos. E se levanta rapidamente, me empurra com um chute, fazendo eu perder meu equilíbrio, ela se esgueira por trás de mim e prende meus braços e pernas usando seu corpo. Vejo vários soldados com suas grandes armas apontadas na minha direção e estão se aproximando vagarosamente. Suas bocas estão descobertas e vejo sorrisos no rosto de cada um deles. Não é hora de ter medo. Acalme-se, acalme-se. Não posso morrer, os feridos serão acertados facilmente. Não sei se Toni já está chegando e presumo que caso eu grite com potência máxima... Provavelmente, eu farei esses túneis desabarem. Um fino fio de suor escorre pela minha testa, parecendo que carrega toda minha angústia e hesitação... Bom, posso arriscar algo.

Deixo os guardas se aproximarem mais, acho que querem se certificar de que vão me matar com eficácia. Desculpa Flora, mas vou ter que desabar essa saída. Uma metralhadora automática está com a ponta do cano encostado na minha testa. Pelo menos, levanto minha cabeça e encaro o homem que possui a arma. Deve ser o líder deles, já que não tem capacete e percebo que a arma é parte do braço dele.

– Não se preocupe, será uma morte rápida, eu nem irei perceber. – realmente, você nem vai perceber. Quando penso em agir, vejo algumas memórias com Flora, Ben, T e Toni... Será que ele riria vendo isso?

Fecho meus olhos e quando os abro para meu último ataque, sinto uma onda de calor passar por cima da minha cabeça, Toni aparece com chamas saindo da base de seus pés, ele agarra a cabeça do líder inimigo e uma enorme labareda de fogo derrete seu inimigo, ele ergue uma muralha de fogo. Sinto a garota que me segurava tombar para o lado, estando sem cabelos e queimada.

*

~ Flora

Faço uma erva brotar da terra e a uso como um anestésico, retiro a porcaria da lança, rasgo parte do manto e tento impedir o sangramento.

– Você realmente é difícil de pegar, sabia? – uma voz sarcástica emerge por trás, fazendo com que meu coração pare por um segundo.

Escuto algo metálico se contorcendo por trás de mim, nesse tempo, faço outra erva, com cores roxas, emergir do chão e ela libera uma fumaça roxa, escuto Skar tossindo freneticamente e algo pesado caindo ao lado. Levanto sobre apenas uma das minhas pernas, faço uma pequena rosa surgir do chão e como uma das pétalas, que é o antídoto para essa erva roxa.

Agarro os cabelos de Skar e soco-o com toda força na têmpora, ele consegue agarrar minha manga e me arremessa de mal jeito pro lado, faço com que espinhos crescam e almejem seu pescoço, ele coloca uma armadura metálica que parte meus espinhos com o impacto.

Continuo com os espinhos, mas agora visando seus olhos, enquanto ele se distrai tentando proteger sua vista, me aproximo sorrateiramente e faço com que mais raízes se ergam e peguem o calcanhar dele puxando-o para baixo, fazendo-o entrar na terra.

O veneno da erva apenas enfraquece o adversário e faz sua visão ficar turva, mas esse desgraçado ainda tem tanta força. Faço com que as árvores comecem a se mover e a perder sua forma, fazendo uma cúpula com a madeira ao redor dele, faço com que centenas de espinhos apareçam e o prendam.

Pego um galho e o uso de bengala, tentando me mover o mais rápido que eu possa. Entretanto, ouço um estalo vindo por trás e quando vejo... Como raios ele já se livrou da paralisia?

*

~ Wendler

Um mar de guardas interrompe minha passagem. Alguns minutos atrás, Flora me contatou pelo rádio e disse que precisava de ajuda, mas existem muitos soldados interrompendo meu caminho e... Ainda não sei como usar essa foice muito bem. Quando Ben a usou, uma onda negra saiu de seu corte; porém, quando eu tentei reproduzir, nada aconteceu. Ao menos, deu certo com Alice.

Mato ininterruptamente um mar de soldados e tomo cuidado para que o sangue não caia em meus olhos, já que isso seria uma perda de tempo inestimável. Avisto Flora caída ao longe, mas uma muralha desses desgraçados interrompe minha vista.

Ao menos, a lâmina da foice é incrivelmente afiada. Corto todos na minha frente facilmente, cubro minhas costas usando a cauda, consigo eliminar grande parte deles, porém mais e mais estão chegando.

Ouço um grito excruciante não muito longe de mim. Flora.

*

~ Flora

Skar me levanta apenas com uma das mãos pelo pescoço, sinto minha consciência se esvair, sem contar a lança que ele enfiou no meu core... Meu coração palpita como louco, lembro-me de bons momentos, assim como os bons Mia fazendo suas palhaçadas, Toni me irritando, espero que Mia resolva os problemas dela com ele, Alice, Elen, Guilherme, o estressadinho do Wendler... Por que eu estou pensando nisso agora? Como se eu fosse perder para esse arrogantezinho.

Enfio minhas unhas nos olhos de Skar, ele me larga, caio quase cambaleando, mas consigo fazer com que uma raiz afiada e rodeada de espinhos cresça e vise a garganta dele, a armadura ridícula dele bloqueia o ataque; ele aponta para cima e vejo uma enorme espada de ferro, ele abaixa as mãos e ela desce em minha direção. Ah, que droga... Eu queria ter ao menos ter derrotado ele... Teria sido de grande ajuda... Será que eu fui uma boa líder? Mesmo sendo uma substituta, eu trabalhei como louca dia e noite, consegui fazer com que todos ficassem razoavelmente bem... Acho que gostaria de ter passado mais tempo com todos eles...

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