Capítulo 30 - Por que o céu parece vermelho? (parte 1)

~ Joana

Ainda é confuso. Parece ser uma mentira inventada, mas não importa como eu veja, tudo que Wendler falou é verdade. Naquela ocasião, quando o encontrei, pensei em reportá-lo, já que pensei que aquela sombra atrás de mim era parte dos seus poderes, juntamente com o estado de choque que eu fiquei, mas... Felizmente, eu percebi que não era isso a verdade.

Estou em um quarto dentro da Liga, há vários de dormitórios, minha posição é a quarta maior dentro de toda a organização, então tenho um acesso quase irrestrito e alto poder de autoridade, então pude escolher meu quarto.

Aqui, ninguém pode me ver, e as pessoas não sabem o que faço. Quando sai de ''casa" foi... Estranho, saber que aqueles que me abraçavam e diziam que sentiriam saudade, na verdade, não são meus pais de verdade.

A sombra continua comigo, conversamos de vez em quando, e acabo aprendendo mais sobre mim. Com as explicações da sombra, descobri algumas coisas interessantes: uma cicatriz que tenho no meio das costas não veio de um ataque de revolucionários, veio, na verdade, dos maus tratos da ''prisão''.

O escuta que Wendler me deu começa a ruir, aproximo minha mão esquerda para que eu possa ouvir melhor seja lá o que eles queiram dizer.

''J-joana? Você está aí? – uma voz ansiosa fala pelo outro lado da linha, Wendler disse que eu ia falar com alguém importante hoje, mas não faço ideia de quem seja. – Estou sim, quem é? – pergunto um tanto ansiosa. – É o Guilherme... Seu irmão. – uma montanha de dúvidas cai em mim nesse momento, e se ele estiver esperando a irmã dele? Não quero entristecê-lo, mas não sou mais a mesma Joana. Será que ele não vai gostar muito? Percebo que um silêncio se instala e tento retomar rapidamente a conversa. – Ah, oi Gui!! Tudo bem com você? – isso é muito estranho, não sei o que falar. – Tudo ótimo... Eu senti muito a sua falta e... Eu te prometo, não vou deixar que nada mais aconteça com você. – mesmo não me lembrando dele, parece que ele é um bom irmão. É fofo da parte dele. – Wendler me explicou o que houve com você e... Bom, podemos nos conhecer de novo, né? – é, parece que ganhei o melhor irmão que eu poderia desejar. – Claro, por que não tiramos esse tempo agora? – digo animada e escuto um grito de alegria do outro lado da linha.''

*

~ Alexander

Felizmente, Ben ainda é previsível em muita coisa. Óbvio que ele fosse pegar aquelas armas logo depois de ter Toni de volta. Se não fosse pelo líder deles, eu poderia ter pegado aquelas armas desde o fim da última guerra. Enfim, agora que Ben tem aquelas armas, começarei o plano.

Alguém interrompe meus pensamentos e entra no meu escritório, é minha secretária Luana, ela deixa uma xícara de café na mesa e se retira. Skar agiu perfeitamente como pedi, fingiu estar fraco e deixou com que eles pegassem as armas. Para o azar deles, as armas não podem ser carregadas por nós, mas não quer dizer que não possamos implantar algo interessante nelas. O GPS que implantei em cada uma delas está se movimentando, isso nos levará até sua base. Precisamos realizar um ataque rápido e preciso, não posso permitir falhas. Já convoquei os outros generais, para garantir que derrotaremos aqueles desgraçados.

Um holograma de alguém me ligando aparece na minha frente, alguém está ligando, atendi rapidamente e apenas me informam que as tropas já estão preparadas. Abro meu computador e vejo para onde os chips estão sendo levados, pelo rumo que estão a seguir, eles estão indo para as montanhas. Certo, convocarei os melhores heróis para lidarmos com isso tudo. Preciso de alguns outros brinquedinhos, mas vou garantir que os revolucionários se divirtam.

Contarei tudo a Joana, pela primeira vez, ela será útil para usarmos nessa guerra. Guilherme tem poder suficiente para, quando irritado, arrancar uma daquelas montanhas e arremessá-la em nós. Todo cuidado é pouco. Alguém bate na porta novamente, digo que pode entrar e a porta se abre.

– O que estamos esperando? – pergunta Skar, inquieto.

– Ora, nunca pensei que você ficar ansioso. – digo sarcasticamente.

– Sabe que eu poderia sozinho aniquilar todos os revolucionários, não é? – mesmo que ele soe arrogante, ele fala a verdade. Expiro pela diferença gritante de forças entre nós. – Além disso... Quero enfrentá-lo novamente.

– Ah, Wendler. Ele está mais forte, não precisa se segurar dessa vez, ele pode regenerar.

– É, tem razão. Será melhor se for assim.

– Melhor para quem?

– Para mim. – ele sorri.

*

~ Ben

– Ao que tudo aparenta, Skar está mais fraco, mas pode muito bem ser uma armadilha de Alexander para nos fazer pensar isso. Recuperamos todas as armas com êxito. Felizmente, despistá-los quando tentaram nos seguir, deu tudo quase perfeito. – termino de relatar para Flora, que ao me ouvir terminar a frase, relaxa os ombros visivelmente. – No mais, pretendo entregar a foice dele para Wendler e o arco para você, de acordo?

– Por que entregá-la a ele? Pensei que Toni fosse ficar com ela? – ela sequer encara Toni enquanto fala, para evitar por acabar tendo um lapso de raiva.

– Acho que ele seria mais indicado para usá-la, além disso, você sabe que essa foice absorve o sangue do seu dono.

– Certo... Nesse caso, entregue o arco para Alice.

– Você quem manda. – quase titubeio ao falar, já que não esperava que ela deixasse Alice ficar com o arco.

Deixo o escritório de Flora com as armas em mãos. Caminho e direção ao refeitório, por ser horário de almoço, espero que aqueles dois estejam lá, se bem que Wendler, Alice, Guilherme e Elen se tornaram bem próximos nesse tempo. Acho que também acabei me pegando bastante a eles. Perco Toni que deve ter ido fazer besteira, como de costume. Ele podia parar com esse teatro. Entendo os motivos dele, mas até isso tem limites.

O refeitório já parece estar com vida, desde que chegamos, temos trabalhado muito ultimamente pela base. Agora, grande parte dos Erros já pode andar e comer, apenas alguns poucos casos ainda precisam de algum descanso.

Os quatro estão em uma das mesas, eles não me percebem chegando.

– Repita comigo, Elen. ''O Ben é um porre.'' – diz Mia, que tem ficado muito com Alice, e o resto do pessoal.

– O B-ben eh um porri. – Alice tem trabalhado duro para fazer Elen aprender a falar, não sei se a aluna é boa ou a professora, mas estão tendo um ótimo progresso.

– Agora repete: ''A Alice é velha.'' – todos param de gargalhar ao ouvirem minha voz e me encaram, Wendler olha pra mim e seus olhos dizem: ''Foi um prazer te conhecer e lutar ao seu lado meu amigo.''

Arqueio uma das sobrancelhas e o encaro por um tempo, depois percebo que todos da mesa estão dizendo com seus olhares palavras que você diria no funeral de alguém. Quando encaro Alice... Foi bom viver até hoje.

– E... Então, Ben! Que armas são essas aí? – Wendler tenta desesperadamente salvar minha vida, enquanto a face de um demônio digo da Alice olha profundamente para mim.

– Ah, sobre isso, preciso conversar com você e Alice em particular... – os olhos de Wendler dizem: ''Não sei se percebeu, mas eu estou tentando te ajudar, mas você não está cooperando. ''

– Claro. Então, o que estamos esperando? – Alice responde o mais calmo que ela consegue.

Alice se levanta do banco e passa ao redor da mesa, Wendler também se põe de pé, Elen segura a manga de ambos, mas eles dizem que já voltam. Ela fica um pouco triste. Trago-os até a sala de treino, onde Elen ficava aprisionada há algumas semanas.

– Então, o que você quer? – pergunta Alice, ainda contendo sua raiva.

– Tenho que explicar algo sério para vocês dois. Quero que mantenham isso em segredo dos outros.

– Por que manter em segredo? – questiona Wendler.

– Por ora, é melhor, confiem em mim. – ambos se entreolham, mas acabam por assentir. – Obrigado. Já ouviram falar do projeto HOPE? – Ambos se surpreendem ao ouvir o nome, demonstrando até um interesse maior pela conversa.


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