Capítulo 22 - Diferente

~Flora

A garota berserker se esconde entre as árvores, antes de sumir por completo, ela encara Wendler, aparentemente ainda confusa pelo que acabara de ocorrer. Para meu desespero, o destruidor continua a avançar. Talvez ele só tenha vindo aqui por coincidência. Droga! Ainda não posso lutar. Os guardas não vão aguentar muito bem.

- Wendler, devido a nossa condição atual, será que você pode nos ajudar? - peço quase em súplica, vendo como estamos debilitados demais agora. E que ainda não tenho certeza se posso confiar neles.

- Claro.

Antes que ele ataque, um pequeno ponto vermelho sobe pelas pernas colossais do monstro, o ponto se imobiliza e, aparentemente, acerta com força no que seria a coxa do destruidor. É a berserker. Ele grita em dor e usa sua mão esquerda para acertá-la, mesmo que o gigante seja rápido, a berserker é mais.

Ela desvia e aparece em seu dedo mindinho, da mão esquerda, ela torce o dedo dele, fazendo com que ele curve em si mesmo. Ela salta para socá-lo no rosto, mas ele estava apenas encenando que estava se contorcendo de dor, nisso ele a chuta com tudo pra cima, o vento do seu chute faz todas as árvores dançarem por um momento.

Com a berserker ainda no ar, o destruidor salta, fazendo uma enorme brisa de ar se formar novamente, ele a agarra e arremessa com tudo no chão, o estrondo é terrível sendo possível ouvir mesmo daqui, que está a algumas centenas de metros.

O monstro está caindo e parece querer cair em cima dela, quando percebo, Wendler não está mais ao meu lado. Subo rápido até o observatório para ver como está indo a luta.

O monstro pousa no chão, fazendo a terra estremecer tanto que pareceu um terremoto. Pego um binóculos para enxergar melhor o que está havendo.

Avisto Wendler com a garota berserker em mãos, ele a deixe em uma montanha, que nesse instante quase o perdi de vista.

O monstro desfere um chute que arrasta o solo, pedras e árvores, Wendler, porém, teleporta e soca o rosto do monstro, ele usa do soco e seu impulso e rotaciona seu corpo, acertando Wendler com uma cotovelada poderosa.

Vejo uma garota de cabelos castanhos passar por mim, ela avança na direção em que Wendler é jogado, ela salta e... Asas? Como? Aparecem asas de suas costas e a garota segura Wendler, ela fala algo com ele, mas Wendler não para e se teleporta novamente, a garota voa rapidamente até o rosto do monstro, ele tenta acertá-la com um soco, o que não adianta, já que ela erra, aproveitando da oportunidade, ela acerta os olhos da criatura, fazendo-a gemer de dor e cambalear um pouco pra trás. Wendler está perto das pernas dele e apenas acerta seu calcanhar, fazendo com que ele caia.

A garota cai em direção à criatura como uma flecha, acertando o crânio do monstro, o impacto faz uma enorme onda de vento que balança as folhas de várias árvores. Os dois conversam alguma coisa e Wendler se afasta indo buscar a garota berserker, a garota que o ajudou parece... Estranha? Depois eu me preocupo com isso, mas agora preciso focar em outras coisas.

Eles são fortes o suficiente pra destruir um destruidor com uma grande facilidade, bom, não me surpreende já que perseguidores são muito mais fortes que isso. Entretanto, não é algo tão simples fazer o que eles fizeram. Os três se aproximam e estranhamente essa garota berserker está calma.

- Pedimos perdão pelos problemas, mas prometo cuidar dela e de quaisquer problemas que vierem. - Wendler diz calmamente. Pedi pra que Mia me desse algumas informações com Bem sobre o tipo de pessoas que nós iríamos ter ao nosso lado, ele descreveu seu líder como alguém estranho. Já que ele parece e não parece se preocupar com os outros ao mesmo tempo, o que é bem estranho. Bem também insistiu em dizer que ele quer pessoas que possam ir até o fim com suas ideias. Até onde posso confiar nele? Esse tipo de liderança é como se fosse ditatorial. Troco meu foco para a pessoa que o acompanha.

- Como se chama?

- A-Alice. - ela se mostra um pouco surpresa pela mudança de tópico dada a seriedade da situação.

- Meu nome é Flora. Wendler, se cumprir o que você disse, não tem problemas se você quiser ficar com ela.

- Obrigado.

Manterei um olho nele enquanto isso, se eu perceber que ele está prejudicando os que estão ao seu redor, terei uma conversa com ele.

*

~

Alice

Já faz duas semanas desde que estamos aqui. Pra falar a verdade, aqui não é tão ruim, diferente das condições atuais desse lugar. Bem já está bem melhor e tem sido bem útil pra ajudar a cuidar de vários dos que estão machucados, aparentemente ele teve algum treinamento médico.

Wendler continua insistindo na garota berserker, acabou que ela acabou gostando mais de mim, já que Wendler tem um olhar sério, sempre. Será que ele já sorriu na vida? Ah, quando ele luta e ta quase morrendo... Guilherme tem ajudado no monitoramento da área, já que sua telepatia é extremamente útil em variadas tarefas, não ficou apenas na ronda e agora está ajudando com problemas quaisquer que envolvam múltiplas tarefas. Tenho ajudado em missões fora do território, existem capas negras que usamos sempre que saímos, aparentemente elas interferem a capacidade de detecção dos satélites, tenho acompanhado os movimentos da cidade que fica aqui perto, aquela em que a garota com a espada nos atacou.

Wendler tem sido mandado constantemente pra fora, por conta do número enorme de baixas que os revolucionários tiveram, eu e Wendler não paramos de sair, algumas vezes vamos acompanhados, mas tem sido extremamente difícil e estressante ir às missões com ele. Ele está obsessivo nas missões, antes, raramente ele se demonstrava grato, não que ele necessite disso, mas ele tem agido como um líder que simplesmente ordena, mas não tem interação com os seus.

Ignorando isso, descobrimos que a coisa tem estado mais movimentada desde a nossa fuga, o número de heróis tem aumentado consideravelmente, nos superando em número de uma maneira assustadora, Flora não aparenta, mas deve estar preocupada sobre como poderemos continuar resistindo. Os revolucionários nunca foram exatamente grandes em número. Sempre atacaram em emboscadas, sendo ataques sempre onerosos para Liga, mas se continuar assim, nem mesmo um simples ataque vamos conseguir ganhar, já que os reforços do inimigo serão grandes demais para lidarmos.

Não percebo, mas solto o ar que estava preso há não sei quanto tempo. Termino de me trocar e colocar esse sobretudo, pelo menos aqui não é tão frio. Flora pediu que eu a encontrasse hoje, provavelmente é para uma missão de patrulha de novo.

Subo as escadas e chego até sua sala, ao abri-la vejo Wendler sentado em uma das duas cadeiras que ficam em frente da mesa de Flora, ele parece estar descansando, o que não é surpreendente, parece que ele voltou tarde ontem, pela madrugada, ser convocado logo pela manhã deve estar o esgotando como o resto da semana. Bom, não é como se estivéssemos diferentes, também não tenho dormido exatamente bem e sinto minha paciência se esvair. Talvez hoje não seja tão ruim.

- Os dois vão ter que seguir a leste daqui. Quero que investiguem um projeto que a Liga está construindo, ainda não descobrimos qual a intenção deles, quero que investiguem.

- Certo. - A voz de Wendler parece cansada.

O caminho é quieto, o que eu acabo agradecendo mentalmente. Não estou com muita paciência pra discutir agora. Fizemos uma pausa por alguns instantes. As planícies sempre são extremamente relaxantes, deitamos na grama, mas lutamos para não sermos dominados pelo sono.

As nuvens andam calmamente, sendo hipnotizante e até um tipo de antiestresse. Wendler pede pra continuarmos e concordo, já que não podemos perder muito tempo. Algo em torno de uma hora depois, avistamos um amontoado de pessoas. Há vários guardas cercando uma região que parece um círculo, alguns homens estão trazendo materiais de construção. Será uma torre? Ou algum tipo de estação? Estamos muito longe da base ou de qualquer coisa, apenas se eles tiverem uma espécie de super binóculo, mas mesmo assim... Isso só seria útil se soubessem da nossa localização.

- Sabe se foi vista ou seguida nos últimos dias? - Wendler pergunta subitamente e, dada sua pergunta, ele está pensando o mesmo que eu.

- Não. E você?

- Também não. Qual o ponto de construírem algo como isso por aqui?

- Não sei. Podemos tentar nos aproximar.

- Certo. Faremos o seguinte: vou colocar o capuz e distraí-los, darei um jeito, enquanto eles estão distraídos, preciso que apague quase todos eles, deixe apenas um acordado, vamos interrogar esse, entendido? - já tava demorando. Mesmo que todos nós tenhamos seguido ele, Wendler age como se nós fossemos servos, que simplesmente seguem ordens. Vou só concordar e resolver esse problema.

Wendler coloca o capuz e começa a andar cambaleando, os guardas o avistam e começam a se aproximar dele, todos estão apontando as armas na direção da cabeça de Wendler. Ele cai de cara no chão, fazendo que eu ria um pouco. Os guardas não fazem nada, mas estão distraídos, um guarda em especial é o que está mais próximo de Wendler.

Locomovo-me rapidamente e nocauteio todos os que estão atrás, apago todos e agarro o último que estava mais próximo com um mata leão. Wendler se levanta e se aproxima.

- O que vocês estão fazendo aqui? - Wendler fica de cabeça baixa para que seu rosto não seja visto.

O guarda permanece em silêncio, sem dizer nada. Wendler faz um sinal com as mãos para que eu bote mais força. Será que ele não podia pedir mais educadamente? Forço mais no estrangulamento, fazendo que o guarda fique na ponta dos pés.

- Pro seu bem, seria melhor você dizer logo o que planeja. - digo pra ele.

- Eu... Não sei... Só estou seguindo ordens. - ele diz aos sorvos, sinto que se eu aumentar a força ele vai desmaiar.

- Alice, segura ele firme. - Wendler parece que vai bater nele...

- Ele disse que não sabe de nada, estou enforcando nele, acho que ele já está falando a verdade.

- Talvez... Mas não temos como saber. - Isso é injusto. Eu pensava que ele era violento apenas com os guardas da redoma, fazendo o que era necessário apenas quando preciso, mas acaba que ele não é exatamente muito bom. Na verdade, ele parece querer simplesmente usar da violência e só querer usar de tortura e dor pra ter o que quer... Desse jeito... Como somos diferentes daqueles que nos mantinham presos. Chega. Solto um ar dos pulmões e apago esse guarda.

Espero a reação de Wendler que está claramente com raiva, seus olhos estão fulminantes, mas não é um rosto com raiva que vai me amedrontar, ou me fazer mudar de ideia sobre minha ação.

- Por que fez isso? - ele pergunta, claramente se contendo pra não ficar tão irritado.

- Fiz o que eu achei necessário, assim como você. Sabe, poderíamos nos disfarçar e pegar a roupa deles, nisso esperar por outros carregamentos, nisso, pegaríamos os transportadores, já que esses que aqui estão só parecem estar amontoando os materiais.

- Mesmo assim, por que não sugeriu antes?

- E adiantaria? Você sempre ignora o que os outros dizem. Na última missão, eu lhe dei três planos diferentes do que fazer, mas você simplesmente ignorou, na penúltima houve o mesmo, na antepenúltima o mesmo. Além disso, você não é grato, não tem compaixão. Me diz Wendler, de verdade, você diz odiar quem fez isso conosco, mas então por que raios vocês são tão parecidos? - ele não responde, mas não sei dizer se ele está se contendo. Não tenho tempo pra isso. - Eu vou procurar algo de útil, ou ver se tem algo muito único no meio dos materiais.

- Faça o que quiser.

Ignoro qualquer coisa que ele diga. Entendo que ele é nosso líder, mas isso não justifica sua falta de empatia com todos, Guilherme pode ter aceitado, mas é porque ele precisava se prender em algo, já que perdeu algo importante, mas eu não sou obrigada a viver como uma serva dele. Não sou como eles.

Abro algumas sacas e apenas vejo granito e areia. Não sei se haverá outro leva de pessoas, encaro o sol, vejo que está perto do entardecer, lutar à noite não é exatamente vantajoso.

- Vou voltar pra base, se quiser vim. - digo, sem esperar uma resposta.

Lidero o caminho, Wendler acaba vindo por trás. Ao chegarmos à base, já deve ser madrugada, vou reportar mais tarde, quando Wendler tiver deixado o quarto da Flora, quando aterrisso na entrada, vejo que ela nos espera, passo por ela e sigo sem uma palavra até meu quarto.

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