Capítulo 20 - Heroína

~Joana
 


     Desde que o tio Alex falou sobre eu poder começar entrar em ação, não consigo parar de esperá-lo. Desde nosso último encontro, ele me enviou algumas mensagens pedindo o número da Bia, quem teve um pequeno infarto por: ela achar meu tio extremamente bonito e por ter a chance de poder entrar em ação tão cedo. Depois de avisá-la, ele me disse que segunda-feira ele viria me buscar pra ser testada na base da Liga. Estou à sua espera, mas sinto uma inquietação incrível, e acho que algumas borboletas vão escapar da minha boca em breve, caso isso continue assim.
 
     Ele, enfim, estaciona seu carro do lado de fora da casa. Seu motorista sai do carro e abre a porta pra mim, aceno com a cabeça em agradecimento e ele sorri gentilmente, ao entrar no carro, vejo meu tio em seu casual paletó, que começo a suspeitar ser a única roupa que ele possui. Voo em um abraço nele, e ele retribui.
 
 
 
– Quando chegarmos lá, terão uma roupa que poderá usar no teste. Tenho grandes expectativas em você. – ele diz, ainda meio sem graça pelo abraço, por isso eu acho que ele não ter a filhos, tem altas dificuldades com mulheres.
 
 
 
– Certo, farei o meu melhor. – ao responder, penso em seu comentário. Estou com um jeans cinza, uma blusa azul escrita ‘’olá... Aff" que ganhei de Bia e um tênis, acho que ela me mataria se a roupa rasgasse.
 
 
 
     A viagem é tranquila, ímpar de como estou. Não sei se tenho preparo suficiente, quando aqueles dois invadiram minha casa, não consegui detê-los e eles escaparam com uma facilidade incrível... Respiro e deixo o ar escorrer de minhas narinas lentamente, se eu deixar esse nervosismo me consumir, não farei o máximo que posso fazer.

     A cidade é um lugar enorme, não importa de onde você tenha vindo. Dividida em cinco partes, provavelmente é a maior de todo o continente, os estudantes e trabalhadores comuns moram na parte ‘‘comum’’ da cidade, mas os heróis e sua base, vive em um lugar totalmente distante. Vejo os prédios passando, e, sendo estranho ou não, isso até que é relaxante.

     Agora estamos passando pela ponte, abaixo de nós há um enorme rio, desde que a Liga apareceu no mundo, ela tem ajudado todos nós, desde os rios que estavam todos poluídos, até curas de doenças que, até então, não tinham cura há 500 anos.

     Paramos em frente de uma enorme construção, parece até mesmo que alcança os céus. Sua cor é cinza e há poucos vidros. Então... É aqui em que eu poderei me tornar o que eu sempre quis...

– Nervosa? – Tio Alex não está exatamente preocupado, já que fala com uma voz irônica, mas ajuda pra quebrar o humor.

– Naada, só to pensando em como vai ser fácil, sabe? – acabo entrando na brincadeira.

– Claro. Acredito em você, tenha confiança.

     Tio Alex lidera o caminho, subimos uma montanha de escadas, repasso tudo o que eu aprendi nesse meio tempo, tentando permanecer o mais relaxada que posso. Ele interage com alguns seguranças vestidos que nem o tio, ele entrega um cartão para eles. Com o caminho liberado, entramos na grande construção.

     Vou até um balcão de mármore e falo com uma recepcionista, ela me informa sobre em qual andar eu serei avaliada, voltando para meu tio, vejo que ele está no telefone, não vejo Bia em lugar algum. Droga, agora seria bom ter aquela irritantezinha.

– Então... – tio Alex começa – Bia já fez o exame e, felizmente, ela passou. Parece que havia um tempo limite, por conta disso ela teve que fazer logo. – Eu. Vou. Matar. Aquela. Garota.

– Certo... Vamos indo, então?

– Claro.

     Nos dirigimos para o elevador, selecionamos o décimo andar, ao chegarmos, precisamos andar por alguns corredores e... É de certa forma familiar.

– Tio, o senhor já me trouxe aqui?

– Por quê?

– Ah, é só que eu sinto uma estranha sensação de familiaridade, enquanto andamos por esses corredores. – O sentimento não é tão forte, como se precisasse estar diferente, como se as paredes poderiam ser de outra cor, no lugar de preto, o chão é coberto por um tapete bege, há luminárias em um conjunto de cilindros ao decorrer do corredor, nenhuma porta, apenas um corredor.

– Bom, eu trouxe você aqui uma vez, há anos atrás.

     Andamos um pouco e o tio se vira e pressiona sua mão na parede à direita. Ele se vira pra mim e acena com a cabeça e... Aceno de volta e a parede, enfim, se abre.

     Adentro um salão enorme, é possível ver o lado de fora, sendo tudo aqui, tirando as paredes atrás de mim, feito de vidro; vejo uma figura humanóide, sua pele é vermelha, a postura um pouco corcunda, duas presas afiadas saem de sua boca, tem quatro olhos e uma cauda. Ela está acorrentada.

– Isso é um perseguidor. Um dos monstros que habitam fora da proteção da Liga, se conseguir matá-lo, será condecorada a heroína. – Tio Alex diz isso e sai da sala. – Boa sorte.

     A entrada se fecha, ficando apenas eu e a horrenda criatura frente a frente. Ouço um barulho agudo e longo, a criatura começa a se contorcer, até que suas correntes são quebradas.

     Invoco minha espada e me preparo para a batalha. Vejo que o perseguidor começa a crescer, até que um caroço em particular em seu corpo começa a parecer com ele. Está se clonando. Empunho a espada verticalmente e miro o coração deles, não importa quantos sejam, o objetivo ainda é o mesmo.

     Avanço veemente na direção deles, o que estava à direita também tenta me atacar, ele usa suas garras para cortar meu rosto, abaixo e balanço a espada na diagonal, cortando a cabeça do que fora clonado. Vou imediatamente contra o segundo, no entanto, recuo imediatamente para trás, o mais longe que consigo. Ele se multiplicou muito rápido, agora são dez; além disso, agora seus pescoços são mais grossos e possuem unhas longas e afiadas.

     Estou com medo. Já enfrentei pessoas, mas isso... Além do fato de ter matado aquela primeira criatura... Controle-se. Eles matam pessoas, destroem vidas. Você, deseja proteger os que sofrem por eles. Respiro e os encaro séria.

     Eles se espalham pelo salão, sua velocidade parece ser a mesma que a minha, eles pulam nas paredes e as usam como trampolim, fazendo com que vultos carmesins me cerquem. Concentro-me e consigo ouvir minha respiração, ignorando o barulho terrível que essas coisas fazem.

     Um vem em minha direção, preparo-me para o impacto, mas ouço outro vindo por trás. Desvio pro lado, evitando o primeiro, mas sinto um vindo por cima e não posso lidar com o outro vindo. Bloqueio o ataque que veio por, felizmente as garras não deslizaram pela minha lâmina, aproveito e uso suas garras para cortá-lo ao meio. Consigo, mas um deles corta parte da minha perna, consigo desviar por pouco.

     Recuo e fico em posição defensiva, percebo que agora tem mais.

*
~

Alexander

     Será que a estimei demais? Essas criaturas sempre dão dificuldades até mesmo pros heróis de alto escalão talvez seja muito pra ele. Ainda bem que é possível ver pelos vidros.

     Três perseguidores o atacam por todas as direções, ela santa, fazendo com que eles se cortem um pouco, ela roda no ar e corta a cabeça de dois, um que estava à sua direita se lança contra ela, Joana chuta-o na barriga, ele fica suspenso no ar e ela aproveita a chance e corta-o ao meio.

     Quatro deles seguram-na, ela não consegue se mexer, os outros avançam com tudo em sua direção. Perseguidores são uma raça inteligente, mesmo sendo uma besta irracional. Como sairá dessa e será minha peã, Joana?

     Ela tenta se desvencilhar deles, mas falha. Um está muito perto para alcançá-la, sua garra já está quase no alcance da cabeça dela, ela abaixa a cabeça usando a força de suas costas, levando pro chão os que a seguravam, ela se recupera rapidamente e atravessa o que ia matá-la, ela troca de alvo e mata os três rapidamente. Ela se volta para os que restam e os que acabaram de ser gerados. Joana ergue sua espada com uma das mãos, em desafio a eles.

     Agora é a pior parte. Uma boneca aparece aos pés de Joana, por meio de uma abertura que se abriu no chão e ela é trazida como se por um pequeno elevador; instruções são dadas a ela, de que deve proteger essa boneca, tem o tamanho de uma menina de quatro anos.

     Ela a segura com uma das mãos e encara as criaturas com um olhar determinado. Ao menos, tem coragem. Um deles avança rapidamente, a velocidade deles está maior, ela defende o impacto, é levada um pouco pra trás, desvia do segundo ataque e corta a cabeça do monstro.

     Os outros o cercam, ela desvia com mais precisão do que antes, provavelmente por conta da ‘‘menina’’ que está em suas mãos. Enquanto desvia, ela parece estar dançando, seus passos são leves enquanto desvia de todos, ela rodopia desviando de um dos ataques, quando a criatura passa por ela, o perseguidor aparece sem a cabeça. Está mais rápida.

     Mesmo conseguindo esquivar da maioria dos ataques, ela não sai inteira, alguns cortes e arranhões alcançam-na, tudo por conta do braço que está segurando a criança. Ela aumenta sua velocidade, como se deslizasse pelo chão desvia e ataca, corre, mas o mais interessante são seus olhos, ela não encara ou move suas pupilas, ela simplesmente olha pra frente.

     Uma criatura resta. O original. O salão está cheio de sangue dos monstros. Joana está arfando de cansaço, sangue escorre de sua testa, braços e pernas, mas ainda segura a criança firmemente, como uma mão cuidando de sua filha. O braço que usa para empunhar a espada é o mais danificado, entretanto, ela o empunha e encara a última criatura. Os perseguidores, seus líderes, normalmente acumulam toda a experiência dos clones e pegam a força deles. Em outras palavras, ele é o mais aprimorado de todos eles.

     Joana vem em direção à porta. Ela quer desistir? Ela deixa a boneca encostada na porta e se volta para seu último inimigo. Ela caminha indo na direção dele, calmamente. Seus passos são firmes, como uma rainha, e a sensação que ela exala é a de uma grande guerreira.

     O perseguidor chega até ela em um instante e acerta em cheio um soco em seu estômago, ela cospe um pouco de sangue, mas firma seus pés e não se deixa ser lançada pelo impacto, Joana tenta cortá-lo verticalmente, a lâmina não consegue cortar a carne. Está grossa demais. O  perseguidor a agarra pela cabeça e a joga no chão com veemência, peremptório que sua adversária está morta, ele segue na direção da boneca; porém Joana agarra seu calcanhar, sangue está escorrendo pelo lado direito da sua cabeça, ele se vira pra ela e soca sua cabeça novamente, entretanto, ela continua segurando com força.

     A criatura levanta a perna, Joana fica um pouco suspensa, parece estar quase apagada. Ela levanta sua cabeça e sorri. Joana balança seu corpo pra frente e pra trás, ela chutão queixo da criatura que a solta, ela corre e agarra sua espada, lança-a na direção da barriga da criatura, ela salta em uma voadora vindo por trás, a espada atinge o estômago do monstro, mas não consegue atravessá-la, o chute de Joana alcança a tempo e com o impacto o fura por inteiro. A criatura cai morta no chão. Joana anda cambaleando até a boneca e a segura nas mãos, protegendo. Essa pirralha seria problemática se tivesse escapado com Wendler.

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