Capítulo 14 - Bebida, Esperma e Lágrimas

PIERRE NARRANDO

A menina se levantou, ainda nua, se vestiu na minha frente e saiu. Eu fiquei estético por mais um tempo, então resolvi me vestir, levantar e sair. Com que cara vou encarar ela, caso a veja na faculdade? Inclusive, ainda bem que hoje não tem aula do Sr.Path. Detestaria perder a aula dele.

Tinha gente caída nos corredores; confete, purpurina e gliter no chão e nas paredes; e umas cuecas em lugares que prefiro nem falar onde. Parece que aquele corredor foi palco de uma gigantesca orgia. Tinha um rapaz dormindo pelado num lado do corredor. Ele estava duro até agora! Não resisti e olhei aquele grande... aff. Para, Pierre! Foco! Ache o Nico! E mate-o depois. Se eu pegar IST, o Nico vai pagar os remédios. É melhor eu tomar PEP.

Ao descer a escada, vi que tinha gente ainda bebendo no bar, e mesmo sem música, ainda tinha gente dançando. Tirei meu celular do bolso da calça e vi que eram 10:58. Tinha algumas chamadas perdidas. Nem vi de quem era. Depois eu ligava de volta.

Procurei por algum sinal de Nico, e o achei largado num sofá no canto do salão de dança. Fui imediatamente até ele, e não hesitei em lhe acordar com um belo chute no traseiro.

- ßu$€ł@! - Ele fala alguma coisa em português. Não entendi muito bem, mas acho que ele pronunciou algo como "Buceta". O que será que é isso?

- Levanta aí, seu arrombado. - Eu o puxo pra ele se levantar. Aparentava  estar muito tonto. - Vamos pra casa, e lá vamos ter uma conversinha, eu e você.

- Tá, tá. Vamos logo. Preciso de uma doralgina. Minha cabeça tá rodando. - Ele se apoiou em mim e levantou.

Eu e ele vamos até lá fora. A luz quase nos cegou de início. Eu tirei o braço de apoio que dei a Nico, e o usei para tampar a claridade. Me esqueci do pobre brasileiro, que caiu em cheio no chão. Não o levantei, primeiro pedi um uber. Em um minuto, eu o ajudei a entrar, e em mais 15, estávamos na porta de casa.

Quandro entramos, eu o larguei no sofá, desliguei todas as luzes, e fechei as cortinas. Ele se deitou, mas continuou acordado.

- Nico, me diz. O que rolou ontem? Por que eu acordei na cama com uma mulher desconhecida? - A careta dele poderia ser de dor de cabeça, mas acho que foi de dúvida.

- Como assim? Que mulher? Eu te deixei dormindo no quarto depois que a gente fez aquilo.

- Aquilo o quê? - Perguntei, porém com muito medo da resposta.

- Nós batemos uma punheta juntos. Uma boa mão amiga... não tá lembrado? - Não sei se fico feliz por não ter pegado o namorado de um policial, ou se fico envergonhado por descobrir o que aconteceu de fato.

-Eu me lembro de ter entrado naquela boate com você. E só. Pode ir me contando tudo. - Vai ser constrangedor, mas é melhor saber tudo.

- Bem... a gente chegou lá. Começamos a beber e dançar. Já estávamos um pouco alterados. E muita gente dava em cima de nós. Eu dizia que namorava e só tava te acompanhando. Mas você recusava todo mundo. Dizia "não" na cara dura. Até que um rapaz e você começaram a dançar juntos. Você já tava muito bêbado. Vocês colaram o tronco um no outro e começaram a se esfregar. Principalmente, esfregavam as calças. - Eu tava bêbado roçando meu pau no de outro cara?! Ai, que vergonha. - O cara foi no banheiro e aí você veio até mim:

FLASHBACK
NICO NARRANDO

Eu tava no bar bebendo Catuaba, aí você chegou dizendo:

- Nico, o cara que eu tava dançando foi no banheiro e sumiu. - A sua voz tava toda choramingosa, parecia até cachorrinho pidão.

- Vai lá, e você vai achar ele lá dentro, pelado e com mais uns três caras. Sei que você não quer perder a virgindade numa suruba. Então sugiro não entrar naquele banheiro.

- Ai, que droga. Ele me deixou de pau duro. Olha. - Aí você pegou minha mão e colocou em cima da sua virilha. Eu senti o volume, e aquela barraca tava armada, e não ia baixar fácil.

- Eita, tô vendo. - Eu ainda tava com a mão segurando seu pau. Você tava mantendo ela lá. - Tem um beco ali atrás que é exclusivo pra boquete. Você acha alguém pra abaixar seu pau num minuto.

- Não vou botar meu pau na boca de um estranho, Nico.

- Então vem comigo. Já sei o que vamos fazer.

Eu te levei até o quarto lá em cima. Fechei a porta, te deitei na cama. Na hora você já entendeu e pôs o pau pra fora. Eu me deitei do seu lado e fiz o mesmo. Então eu peguei no seu e você no meu. A gente começou a bater um pro outro. Você falava:

- Oui, Nico. S'il vous plaît! Plus rapide!

Então, eu fui mais rápido. Acho que foi isso que você falou. Daí você levantou, eu também e começamos a bater nossos paus um no outro. Se tivesse camisonha neon, dava até pra brincar de Star Wars.

Mas aí, a gente deitou, e eu pus nossos paus lado a lado, e marturbei eles juntos. Nós gozamos juntos. Nossas porras até se misturaram. Seu pau principalmente ficou todo lambuzado. Você gozou demais. Eu acho que tem porra seca na minha pele até. Preciso de um banho. Parecia até que tinha meses que não botava seu leite pra fora. Você ficou todo mole na cama. Depois, eu te deixei lá pra dormir.

Os quartos tem um sinal na porta. Uma plaquinha. Virei ela pro lado vermelho, que é ocupado. E então voltei lá pra baixo.

FIM DO FLASHBACK
PIERRE NARRANDO

Eu não sabia onde enfiar minha cara depois de Nico ter contado aquilo tudo. O pior é que quando saí do quarto, lembro de ter visto a placa verde na porta. O animal deve ter colocado pro lado errado. Foi por isso que a menina entrou.

O pior é que imagens vem à minha mente. Nico falando tudo fez eu me lembrar. E me lembro da noite que tive com Ellen. E acho que foi boa. Mas estou frustrado. E por alguma razão, penso em Isak. Sinto que fiz algo errado. Não tenho ideia do porquê.

- Você ficou com uma menina, foi?

- Sim, acho que perdi minha virgindade.

- Uou. Não sei o que falar. Eu devo desculpas a você. Por mais que fosse bom ir lá e pegar alguém. Você tava bêbado. Se lembra de como foi?

- Acho que foi legal. Eu me lembro sim. Mas não usamos camisinha. Então, se eu adoecer, você paga meu tratamento.

- Acho justo. - Nico disse, e deu uma risadinha.

Eu me levantei e fui pro banheiro me limpar dos fluidos do Nico que estavam em mim. Perdi a aula da manhã mesmo, então vou ir comer algo na rua e depois vou pro serviço. Quando saí pra rua, Nico ainda estava no banho.

Agora que a claridade não me incomodava mais, vi como o dia estava bonito. Via os gramados todos bem cuidados. A rua estava bem limpa. E logo descobri porquê. Pietro estava lá na frente. Ele colocou uma sacola cheia de lixo numa lixeira. Ele tava bastante suado.

- Olá, Pierre. Veio sujar a rua de novo? - O deboche dele até me lembrou do Nico, mas pra chegar no nível dele ainda falta muito.

- Poxa, foi uma vez só. - Falei meio desconcertado. Nessa hora minha barriga roncou alto. Parece que separei o dia de hoje pra passar vergonha.

- Calma, Leão. Não precisa rugir. Vamos ali pegar um milk shake. Conheço uma loja fantástica aqui. - O italiano me leva até uma lojinha colorida de rosa e azul. Era bem um ambiente de crianças.

Nós pedimos um milk shake de morango cada. Na hora de sair, eu dei um leve esbarrão em Pietro e ele deixou um pouquinho de milk shake cair no chão. Mas o carinha do caixa xingou ele feito doido.

- Que merda você acha que dá fazendo? Sabe quem vai limpar isso depois, seu animal? - Ele foi super rude e por pouca coisa.

- Cara, fui eu que esbarrei nele e fiz ele derramar. Não precisa ficar bravo, foi pouca coisa.

- Olha essa imundice! Sai daqui! Para de sacanear a minha cara antes que eu chame a polícia. - O rapaz era branco feito leite e tava vermelho que nem pimenta. Eu e Pietro saímos juntos e a passos largos daquele lugar.

- Puxa, que cara doido. Nem venho mais aqui!

- Eu também não. Enfim, tenho que ir pro trabalho. Até mais, Pietro.

- Até, seu sujinho. - Ele riu e me mostrou a língua antes de sair. Achei engraçado e fofo da parte dele.

Tomei meu rumo para a padaria de volta e em pouco tempo cheguei na padaria.

Assim que entrei, vi Isak no balcão junto de Marcelle e Federico.

- Pierre, onde você tava? Te liguei e você não atendia. - Isak veio até mim preocupado, e me abraçou. Eu retribuí seu abraço. Contato físico demais me incomoda geralmente. Mas ali, com Isak. Contato físico era tudo o que eu queria.

- Desculpa, esqueci de te retornar. - Eu me desculpei de verdade. Me arrependo de ter telefonado para ele.

Eu expliquei toda a situação. Vi que ele ficou meio... sei lá.

É estranho. Sinto que perto dele, eu não sou eu mesmo. Eu sinto que Pierre Elliot Ledoux deu lugar a Pierre. Só Pierre. E um novo Pierre. Os braços de Isak estavam muito gostosos.

Eu queria chorar pelo que fiz de madrugada. Queria derramar minhas lágrimas. Queria que as lágrimas limpassem minha alma e meu cérebro a medida que escorressem. Mas não faria sentido. Para chorar, eu deveria ter feito algo errado. E não fiz. Eu queria que fosse errado. Queria que Isak pudesse ter raiva de mim. Eu queria Isak pra mim. E eu queria ser dele.

Nesse momento, me dei conta de algo.

Ele é a saída para eu nunca mais romper outra vez com a realidade.

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