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— Quem é essa? — Joaquim logo pergunta.

Sutileza não é com ele.

— Essa é Layla, minha namorada. — Dylan põe o braço sobre o ombro da morena.

Joaquim me encara com os olhos arregalados.

— Entrem... Yuri está preparando o jantar. — digo a contragosto.

Joaquim, como sempre, conversa sobre assuntos aleatórios e não deixa o clima ficar estranho. Pergunta sobre os Estados Unidos e o intercâmbio e Layla responde por educação.

Percebo que ela não está aqui por livre e espontânea vontade.

Não sei se é porque estou com pré-conceitos em relação a ela, mas no fui com a cara dela.

A infeliz colocou defeito no estrogonofe que Yuri fez. Quase voei no pescoço dela. Mas Joaquim colocou a mão sobre a minha e me impediu.

Percebendo o clima hostil, Dylan foi embora logo após comermos a sobremesa.

— O que foi isso? — Yuri se joga no sofá.

— Eu esperava coisa melhor. — Joaquim pega o pote de sorvete na geladeira — Dylan é um cara tão legal...

Não digo nada, apenas me retiro da sala e vou tomar um banho.

Enquanto a água escorre pelo meu corpo eu penso no futuro. Tento imaginar como será meu filho. Se ele vai ter meus traços ou do Joaquim. Se vai ser um atleta ou um intelectual...

É incrível como tudo que penso é em relação a ele. Mesmo depois do ocorrido com Layla, onde percebi que não tenho chances com Dylan - no momento.

Pelo visto vou ser uma daquelas mães corujas...

👊👊👊

A obstetra me disse que o parto está previsto para o dia 12 de junho. Mas como minha pressão está desregulada, tenho que tomar o dobro de cuidados desde já.

Estamos em fevereiro e acabei de completar cinco meses de gestação. Minha barriga está cada vez maior.

Às vezes sinto que sou um balão de ar e alguém está me assoprando.

Joaquim veio com um papo de que quer muito contar para a mãe dele sobre tudo. Mas não tenho certeza se é uma boa ideia.

Yuri disse que é melhor contar. Como avó, ela tem direito de saber e decidir por si mesma se quer ou não participar da vida da criança.

Tanto insistiram que eu acabei cedendo.

Agora estou andando de um lado para o outro esperando ao menos uma mensagem de Joaquim para saber no que deu.

— Vaca, você vai fazer um buraco no chão desse jeito. — Yuri diz enquanto lixa as unhas.

— Eu disse que não era uma boa ideia. A mãe dele deve ter surtado. — eu paro e encaro Yuri — Você se lembra de quando bati na casa dela a procura de Joaquim?

Yuri ri.

— Jamais esquecerei aquele dia. Ela nos tratou como lixo e você deu o que ela mereceu.

— Se ela se lembrar de mim vai ter pré-conceitos sob meu filho!

Yuri se levanta do sofá e vem até onde estou.

— Relaxa Patrícia. — ele me segura pelos braços e me olha profundamente — Ela nem sequer vai se lembrar daquilo.

Eu sei que é mentira, mas acalentou meu coração.

— O pior é que eu não tenho certeza se quero que ela queira participar da vida do meu filho ou não. — digo abaixando meus ombros.

— Vem cá... — ele me envolve em seus braços — O que tiver de ser será.

👊👊👊

— Ela ficou muito brava no início, mas depois meu pai começou a dizer que ela deveria ficar feliz, pois vai ser uma avó novinha, aí ela foi cedendo. — Joaquim diz enquanto comemos o jantar — Meu pai me obrigou a arrumar um emprego. Disse que mesmo que não casemos, tenho que pagar uma pensão... — ele me olha, pois sabe que vou negar — Ao menos posso comprar as coisas para o moleque, certo?

Foi uma pergunta retórica. Ele sabe que não posso controlar tudo.

— Mas ela pediu para ver a Patrícia? — Yuri questiona.

— Ela disse que quer estar presente na hora do parto.

Joaquim não respondeu a pergunta, o que quer dizer que ela não tem interesse em mim.

Que bom que também não tenho interesse nela.

👊👊👊

Dylan voltou a frequentar meu apartamento assim que a patricinha azeda voltou para os Estados Unidos. Porém não com a mesma frequência.

Ele está um pouco diferente depois que passou um tempo com ela. Tá mais fechado.

Até Joaquim percebeu essa mudança.

Yuri acha que é porque ele quer terminar com a tal Layla, mas algo está impedindo. Joaquim acha que ele marcou casamento e está sem jeito de falar.

Nem penso sobre o assunto. Se ele não contou é porque não devemos saber.

Mesmo que a atração que sinto seja inegável, ele nunca demonstrou sentir o mesmo. Então tudo que posso fazer é seguir em frente.

👊👊👊

Maio chegou bem rápido.

Nada de muito relevante aconteceu até então.

Resumindo, Yuri começou a namorar e Joaquim tirou a carteira de motorista e começou a trabalhar no comércio de rações do pai dele. Eu só fiquei maior.

Ah! Meus quadros também estão 'saindo' com frequência. Pessoas me ligam diariamente para fazer encomendas.

Mas uma notícia bombástica no meio de maio nos deixou animados.

O quadro que a Senhorita Adams e a Professora Ramona mandaram para o ateliê em outro estado virou a sensação de lá. Todos querem conhecer a artista. Por esse motivo, pediram para que eu fosse até lá.

Como ainda não tirei carteira de motorista e, mesmo se tivesse uma, minha atual situação me impossibilita de dirigir, pedi a Joaquim para me levar.

— Vão com cuidado! — Yuri diz pela milésima vez — Fique famosa para dar uma vida boa para seu filho. — ele me abraça — Eu te amo, Pati.

Odeio esses momentos. Já estou chorando, borrando minha maquiagem.

— Eu também te amo! Cuida do apartamento até eu voltar. — sorrio assim que ele me solta.

— O senhor trate de cuidar dela. Qualquer coisa me liga. — Yuri bate a mão no ombro de Joaquim.

— Vocês são muito dramáticos. Estaremos de volta em dois dias. Não é o fim do mundo.

— Você não entende como é quando almas gêmeas se separam.

Nós rimos quando digo isso.

Entramos no carro e seguimos viagem. Pelo retrovisor vejo Yuri nos observando.

— Tudo bem se eu colocar uma música? — Joaquim diz já levando a mão ao rádio.

— Por mim tudo bem.

Ele dá play e começa a tocar as músicas de um pen drive.

A primeira é 'Os anjos Cantam' de Jorge e Mateus. Em seguida toca 'Que Sorte a Nossa' de Matheus e Kauan, entre outras.

Sei que a viagem foi fluindo tão bem que nem percebi o tempo passar.

Cerca de cinco horas depois, nós já estávamos cansados de ouvir músicas. Então começamos a conversar sobre coisas aleatórias.

Quando estávamos quase concluindo uma curva fechada, um caminhão invade nossa pista e Joaquim tenta desviar, mas também perde o controle.

Nosso carro começa a rodopiar. Vejo os cacos de vidro se chocando contra nossos corpos.

Por instinto tempo proteger a minha barriga...    

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