10
— Hi... — digo levantando minha mão direita.
— O que você...? — ele se aproxima — Por que você mentiu para mim?
Eu me sento no chão molhado mesmo.
— É uma longa história. Mas resumindo, eu tenho que pagar minhas contas então estou trabalhando como diarista.
— E por que não disse logo? Não é vergonha trabalhar. — ele cruza os braços, exibindo o bíceps, e me encara sério. Talvez o mais sério semblante dele que já vi até agora.
Eu suspiro.
Foda-se. A mãe dele vai contar hora ou outra mesmo.
— Eu tive que sair de casa porque estou grávida. Meu pai queria que eu abortasse, mas eu não quis. E antes que me julgue como uma vadia, mesmo que eu seja eu não fiquei grávida por irresponsabilidade. Um cretino transou comigo enquanto eu estava bêbada.
Dylan me olha incrédulo por uns vinte segundos. Até que vem até mim e me dá um abraço apertado.
— Você é incrível, Patrícia! Preferiu ser diarista a tirar seu filho. Isso é admirável.
Estou tão surpresa que nem sei o que comentar.
Ah, talvez que o abraço dele é maravilhoso...
— Dylan... Tá me sufocando.
— Desculpa. — ele me solta e se afasta.
— Eu fiquei com medo de contar e você julgar, ter preconceito.
— Então quer dizer que você estava com medo de eu me afastar? — seu sorriso é malicioso.
— Não é isso! — minha voz sai um pouco estridente. Sinto em seguida um rubor.
— Ahhh, é isso sim! Você caiu nos encantos do Senhor Adams.
— Babaca.
Nós compartilhamos um riso.
— Agora eu posso usar o banheiro? Estou realmente apertado.
Eu rio dele.
👊👊👊
Saber que Dylan não se importou com o fato de eu estar grávida me deixou feliz. Que bom que existem pessoas sem preconceitos bobos.
A semana passou tranquila. Trabalhar na casa dos Adams se tornou divertido, com Dylan.
Meu trabalho de artes se tornou o assunto da escola depois que a professora Ramona começou a elogiar. O que chegou ao ouvido da diretora que decidiu mandá-lo para uma exibição fora do estado.
Yuri está ocupado com as provas então não pôde vir para cá essa semana.
Na semana que vem eu tenho prova de matemática. Dylan ficou de me ajudar depois que eu terminar minhas tarefas.
👊👊👊
— Tem certeza que você sabe ensinar? — pergunto quando Dylan tenta descobrir porque meus cálculos não estão levando ao resultado certo.
— Eu sei sim. Você que é muito ruim em matemática. — ele abaixa o meu caderno e coloca sob a mesa.
Estamos estudando em uma mesa quadrada, que fica na biblioteca, ele está sentado à minha frente.
— Obviamente, meus cálculos estão certos. A fórmula que está errada. — me inclino para trás, encostando-se à cadeira, e cruzo os braços.
— Não tá errado. Quer ver? — ele abre o caderno dele e após ler alguma coisa ele fecha a cara — Talvez eu tenha me esquecido de um 'x'...
Rimos.
— Admita você é um péssimo professor.
— Mas ao menos sou bonito. — ele cruza os braços e me olha feito um gatinho manhoso.
— Egocentrismo é doença.
— Ser rabugenta também.
— Eu não sou rabugenta. - fico emburrada.
— Viu?!
Nós gargalhamos.
"Dylan... Cheguei."
— Ah meu Deus! O que sua mãe vai achar se me vê aqui? — começo a arrumar minhas coisas e a guardar na bolsa.
— Ei...ei... Relaxa. Minha mãe é maneira. Ela só faz pose de durona, mas é um amor.
— Patrícia?! — Senhorita Molly me olha de cima a baixo, assim que entra — Você que é a nova diarista?
— Sim Senhora. — me levanto apressada — Eu terminei o serviço então o Dylan... Digo... Senhor Adams estava me ajudando com a matéria de matemática.
Senhorita Molly olha para Dylan e então começa a rir.
— Fica tranquila, minha filha. Eu não me importo com isso. Eu já contei sobre meu passado. Me tornei uma pessoa bem melhor depois de tudo. Acredite. Mas... — ela olha de mim para Dylan — acho que você escolheu um péssimo professor.
— Mãe!
— Que foi? Tô sendo sincera. — ela dá um beijo na testa dele — Vou pedir para servirem o jantar. Se junte a nós, Patrícia.
Eu olho para eles e Dylan me encara com expectativa.
— Se eu não for incomodar...
— Lógico que não vai incomodar. — Senhorita Molly sorri. — Vou tomar um banho, enquanto isso vocês terminem aí.
Ela sai da biblioteca em seguida.
— Uau, sua mãe é muito bonita!
— Ela é mesmo... — Dylan diz orgulhoso.
— Não sei se posso perguntar isso, mas... — eu olho para ele com cautela — Ela parece muito nova para ser sua mãe biológica...
— Ela realmente é... Eu sou adotado. — diz despreocupadamente — Ela e o marido dela me adotaram quando eu tinha dez anos.
— E onde está o marido dela?
— Ele faleceu dois anos depois que cheguei.
— Sinto muito. — fico um pouco desconcertada. Não queria tocar em um assunto delicado assim.
— Tudo bem. Ele era um bom homem. Tanto que me adotou para fazer companhia a Senhorita Molly. Quando descobriu que estava com câncer, sua maior preocupação era deixar a esposa sozinha e... — ele me encara — Por que tá chorando?
— Desculpe. São os hormônios. Ando muito sensível...
Ele ri de mim.
— Você é uma peça. — ele estica o braço e seca minhas lágrimas.
Foi um toque amigável, mas meu coração quase pulou pela boca.
Pronto. Tô me tornando uma idiota apaixonada.
👊👊👊
— Quando eu cheguei ao orfanato, Dylan faltou pouco se jogar em meus braços. — Senhorita Molly limpa a boca com o guardanapo — Ele era a coisa mais linda.
— Eu ainda sou o mais lindo.
Nós rimos.
— E você, Patrícia... Onde está morando? — Senhorita Molly me pergunta.
— Eu comprei um apartamento não muito longe daqui. — limpo minha boca com o guardanapo — Estou aprendendo como é viver sozinha...
— Oh, minha querida, não é fácil. Contas para pagar, responsabilidades... Quando seu filho nascer vai ser ainda mais difícil.
— Já estou me preparando psicologicamente para isso. Meu plano é trabalhar enquanto aguento, para conseguir juntar um dinheiro.
— Você já deu início ao pré-natal? É importante para que você possa saber o quanto pode se esforçar.
— Ainda não. — me remexo na cadeira — Com tudo que aconteceu eu não tive tempo de pesquisar a respeito.
— Deve começar o quanto antes! Você tem plano de saúde?
— Não. — digo sem jeito — Vou fazer pela rede pública mesmo. Não posso me dar o luxo disso agora.
— Bem, se precisar de alguma coisa me avisa. Estarei à disposição.
— Obrigada.
Após o jantar, Senhorita Molly pediu para Dylan me trazer em casa.
Bem, esse "me trazer em casa" é na verdade entrar no carro que o motorista dirige.
— Obrigada por tudo. O jantar estava maravilhoso. — digo abrindo a porta.
— Espero que se repitam mais vezes. — Dylan sorri e eu saio do carro.
Eu caminho até o prédio e chamo o elevador.
— Patrícia... — olho para trás assustada — Eu estava te esperando...
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