"Vou lutar"

Rumpelstisltskin: O futuro é como um quebra-cabeça com peças faltantes. Difícil de interpretar e nunca, nunca o que você espera.
( Once Upon a Time )

Parte 2
Véspera de Natal

Pib pib pib

É assim que funciona uma máquina que está interligada com seus batimentos cardíacos. Sons irritantes que marcam sua vida, seu tempo, sua intensidade. Um som que determina a esperança de qualquer médico, de qualquer pessoa. Um simples "pib" é uma vitória.

A pior sensação das galáxias é você não poder ouvir nem ver algo que realmente é importante  pra você; é ficar assistindo sua família por fora do quarto recebendo informações essenciais para seu ânimo. Sabe qual é a pior de todas? É não saber se tais informações podem ou não mudar sua vida.

Hoje cedo recebi a péssima notícia que tive no meio da noite uma convulsão, agora, o médico está lá fora, contando os rumos e envoltórios dos meus exames. Tenho medo da reação da mamãe, ou do jeito preocupado do meu irmão.

"A esperança nunca morre, Eva. Ela é apenas algo que precisamos correr atrás pra encontrá-la, mas nunca morre." Paro pra pensar sempre nas palavras do Matheus. É algo confortante.

 Matheus... não o vejo há alguns dias, as vezes analiso algumas situações na qual falei algo que o incomodou, mas creio que nada demais.
Faz algum tempo que mando mensagens pra ele, talvez um "bom dia" ou um "como vai?", no final ele nem me responde. Sinto falta de arrecadar e entregar cartas, embora isso me dê muito trabalho. Confesso que o projeto mudou meu ponto de vista sobre as pessoas, até mesmo sobre mim. A antiga Eva olharia pra essa situação e falaria "Desisto! Minha vida é uma droga!", mas a verdade é que eu me importo, eu não quero deixar as pessoas que eu amo, eu quero lutar por elas. Vou lutar até meu único rim falar chega!, até meu único e vitorioso rim ceder. Por que, pelo menos, terei a certeza que tive a esperança nessa vida.

Eu quero dizer a Matheus que ele foi muito essencial pra mim, agradecer-lhe. Quero lhe dizer que hoje eu sou sortuda por encontrá-lo e por poder ter cedido o tempo a ser voluntária. Eu só quero isso, só isso.

Duda abandona Dona Lúcia em uma das poltronas e entra na minha ala. Ele parece exausto, sua postura tensa, seus cabelos bagunçados e seus bocejos não disfarçam essa teoria.

-- Você precisa descançar -- falo engolindo o seco. Minha vóz é tão áspera que tenho que fazer um esforço com a garganta por conta da pouca água que tenho bebido.

-- E você... -- observo a tristeza em meio as poucas sardas. Não desvio o olhar dele, possa parecer um pouco vergonhoso, eu vou olhar pra ele como se tivesse registando sua figura em minha memória.

Com um simples gesto, estendo minha mão até seus braço e, percebendo o que estou tentando fazer, ele entrelaça seus dedos nos meus apertando-os.

-- O que foi que o médico falou?

Ele solta um suspiro.

-- Você parece um cacto. -- Ele quer me descontrair, sempre faz isso nas horas tensas da minha vida.

Dou uma  risada e sinto meus lábios arderem conforme o esforço.

-- Fala Duda... Eu não tenho medo -- pelo contrário, eu estou com medo.

-- Sabe o que você recebeu hoje? -- solta minha mão colocando-as nos bolsos e faz um movimento balançando pra frente e pra trás seu corpo. Está fazendo o possível pra fugir do assunto -- alguém te ligou seis vezes hoje. Um tal de Matheus -- arqueiro as sobrancelhas e vejo pela máquina que meus batimentos aceleraram. Duda faz o mesmo olhando pra máquina -- esse  é o garoto do trabalho voluntário que você fez, não é?

-- Você atendeu? O que ele disse? -- A segunda frase soou com um esforço tão grande que posso dizer que minha garganta rachou. O espanto e a curiosidade é expressa.

-- Ele não disse nada porque eu não atendi -- quebra minhas expectativas. Meus membros ficam mais relaxados e uma pouca intensa raiva surge. Franzo as sobrancelhas. -- antes que comece a surtar comigo, eu não falaria com alguém que deixou minha irmãzinha no vácuo.

-- Como você sabe?!

-- Eu meio que dei uma espiada na sua lista de conversa -- Ele aperta seus lábios. Eu queria tanto que minhas cordas vocais colaboracem comigo, estou tão perto de explodir de raiva. -- Não briga comigo, sei que não pode fazer tanto esforço com sua vóz...

-- Idiota -- foi tudo o que consegui falar.

Ele pisca algumas vezes.  

-- Ok. Apesar de ser apenas uma palavra, isso atingiu meu coração. -- Ele é tão idiota, que está fazendo minha raiva sumir com sua estúpidez. -- Eu sei que foi errado. Por favor me desculpe.

Tento me manter numa expressão neutra. O Duda é um pé no saco, mas o cara que faz qualquer um se descontrair, mesmo nas horas tensas.

-- Eu estou rezando e a mamãe também. -- lanco-lhe um sorriso triste. -- Você sempre será a pequena birrenta, ninguém irá lhe substituir. -- pisco, sinto que toda aquela curiosida é acabada. De vez enquando, existem coisas que são mais confortáveis não saber -- Eu te amo, mana.

-- Eu também te amo, mano. -- falo com  esforço estendendo meu peito para frente para dar-lhe um abraço. 

As horas passam e o clima no hospital é de armonia. Alguns médicos e enfermeiros colocam gorros parecidos com os do papai Noel e tiaras com gáias de rena.

Mamãe e Duda prepararam uma pequena ceia dentro da minha ala. O clima triste pelo menos esta mais animado, alguns médicos se despediam de nós desejando um Feliz Natal. Um pequeno coral de enfermeiros passa por cada ala de doentes e cantam uma de suas músicas.

-- Abre -- olho pra Mamãe -- Abre, pequena flor. -- ela tenta colocar um sorriso em seu rosto que não transmita infelicidade.

Seguro o presente sob meu coloco e o abro devagar para não estragar a simples beleza que alí transmitia.

--  É maravilhoso mãe! -- olho para o ursinho cinza de pelúcia com gorro rosa. -- muito obrigada!! -- ela estende o braço e me aconchego em seu colo. Mais um agradecimento de Natal, uma família.

Toc, toc, toc.

Ouvimos um barulho vindo da porta que fez distrair todo meu aconchego.

-- Eu posso entrar?

Quem será que estar por vim?
Não acredito que já estamos na reta final. Até breve meus leitores 🤧❤

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