Capítulo 8

Rafael me olhou estranho ao estacionar o carro em frente do meu prédio. Ele havia permanecido em silêncio toda a viagem até aqui, o que para ele era definitivamente impossível.

— Tá tudo bem? — perguntei, arqueando uma sobrancelha.

Ele tamborilou os dedos no volante, desviando o olhar para a rua antes de soltar um suspiro curto.

— Você ficou estranho depois daquela porta — disse, finalmente me encarando. — O que tinha lá que te deixou tão intrigado?

Cruzei os braços, recostando-me no banco.

— Uma inscrição em latim, 'Ad veritatem per crucem'. Para a verdade através da cruz. E uma tranca robusta demais para um simples depósito de mantimentos.

Rafael soltou uma risada curta, mas sem humor.

— Se for algo importante, não vão deixar a gente voltar lá tão cedo.

— Eu sei — concordei. — Mas eu preciso entender o que está acontecendo ali dentro. Gustavo estava envolvido com algo que não devia, e isso o levou à morte. Tudo acaba sendo pista de algo.

Rafael passou a mão pelo cabelo e bufou.

— Então, qual é o plano? — perguntou, me analisando.

— Vou pesquisar sobre essa frase e sobre qualquer coisa relacionada à Casa de São Sebastião. Se tem algo que estão escondendo lá, vou descobrir.

Ele assentiu, mas parecia hesitante.

— Eu não gosto da ideia de você cavando sozinho isso, Marcus. Se homens grandes ou até mesmo Álvaro Montenegro está envolvido, isso não vai acabar bem.

Abri a porta do carro e olhei para ele por cima do ombro.

— Então é melhor a gente correr antes que fechem todas as portas na nossa cara.

Ele revirou os olhos, mas um meio sorriso surgiu em seus lábios.

— Você é teimoso pra caramba.

— E você adora isso — retruquei, saindo do carro.

E novamente o silêncio reinou durante os cinco lances de escada. O eco dos nossos passos era a única coisa que preenchia o ambiente. Quando chegamos ao meu andar, parei em frente à porta, tirando as chaves do bolso. Rafael encostou-se à parede ao lado, cruzando os braços.

— Você ficou estranho desde que saímos da Casa de São Sebastião. — Ele disse, direto como sempre.

Revirei os olhos e enfiei a chave na fechadura.

— Não estou estranho.

— Está sim. Você ficou olhando aquela porta como se fosse te engolir inteiro. O que você acha que tem lá dentro?

Soltei um suspiro pesado e empurrei a porta do apartamento, mas antes que pudesse entrar, Rafael segurou meu pulso, me obrigando a encará-lo.

— Você sente que tem algo errado ali, não sente? — Ele perguntou, a voz mais baixa, quase um sussurro.

Eu segurei seu olhar por um momento antes de soltar um suspiro e assentir.

— Sim. E tenho certeza de que precisamos voltar lá.

Ele sorriu de lado, como se já soubesse minha resposta.

— Então voltamos essa semana lá. Mas agora... — Ele olhou para dentro do meu apartamento, como se ponderasse se deveria entrar ou não. — Você precisa descansar.

Dei um riso curto e balancei a cabeça.

— E desde quando você se preocupa com o meu descanso?

Ele deu de ombros, recuando um passo.

— Desde que você começou a ignorar que está esgotado.

Era tão visível assim? Desde que houve o acidente com Gustavo eu não pregava um sono direito. Só haviam intervalos entre breves cochilos e muita cafeína no meu corpo. Me assustei ao entrar em casa e ver David, meu ex-marido ao lado de Sophia no sofá, eles jogavam um jogo de cartas que quando abri a porta por inteira me assustei ao ver os gritos e risadas dela ao aparentemente ter ganhado dele no jogo.

David ergueu os olhos ao me ver na porta, um sorriso divertido no rosto enquanto embaralhava as cartas novamente. Sophia, sentada ao lado dele, batia palmas animadamente, claramente satisfeita com a vitória.

— Você tá trapaceando, baixinha — David reclamou, apontando para ela com um olhar desconfiado.

— Só porque você perdeu? — Sophia retrucou, jogando o cabelo para trás com uma falsa arrogância, o que fez David rir.

Eu ainda estava absorvendo a cena. Não era como se eu tivesse problemas em ver David ali, mas depois de um dia como esse, encontrar meu ex-marido sentado no meu sofá, rindo e jogando cartas com minha irmã, era algo inesperado, mesmo que eu soubesse que ela gostava muito dele, não imaginava que ela iria me trapacear desse jeito.

— E então, posso saber o que você tá fazendo aqui? — perguntei, cruzando os braços e encostando a porta atrás de mim.

David lançou um olhar para Sophia, como se perguntasse se ela queria responder. Sophia sorriu e apontou para ele.

— Ele apareceu porque prometeu me ensinar truques novos de cartas.

David riu baixo e olhou para mim.

— Eu tava por perto e resolvi passar aqui. Conversamos um pouco, e ela me desafiou para um jogo. Como recusar?

Lancei um olhar para ela, que estava claramente se divertindo com aquilo. Ela e David sempre tiveram uma conexão fácil, o que era algo que, mesmo depois do nosso divórcio, eu jamais tentaria impedir.

— E você tá bem? — David perguntou, me analisando com mais atenção.

Soltei um suspiro, passando a mão pelo rosto.

— Só cansado.

— Sei. Bittencut, bom te ver. — Ele estreitou os olhos, mas não insistiu. Em vez disso, olhou para Sophie e estalou os dedos. — Que tal uma revanche?

— Claro! — ela riu, começando a embaralhar as cartas.

Eu me afastei, indo até a cozinha para pegar um copo d'água. Senti Rafael se aproximando pela lateral, encostando-se casualmente na bancada.

— Você parece surpreso de vê-lo aqui — ele comentou.

Bebi um gole d'água antes de responder.

— Não é exatamente surpresa. Só... não esperava.

Rafael deu um meio sorriso.

— Você fica tenso quando ele tá por perto.

Revirei os olhos e me afastei, mas ele me seguiu.

— Você deveria descansar de verdade, Marcus.

— Já ouvi isso antes.

— Então começa a levar a sério.

Eu ia rebater, mas Sophia gritou da sala.

— Marcus, vem ver eu ganhar de novo!

Suspirei, mas não consegui conter um pequeno sorriso.

— Isso não vai acontecer, baixinha — David retrucou, divertido.

— Vamos ver!

Olhei para Rafael, que apenas ergueu uma sobrancelha.

— Vai lá. Eu já tô indo.

Assenti, mas antes de sair da cozinha, ouvi Rafael acrescentar:

— E tenta dormir depois.

Eu não respondi. Porque, no fundo, sabia que ele tinha razão.

Duas partidas mais tarde, Sophia estava cansada e dormia no sofá, a televisão ligada na série que ela assistia, enquanto David me ajudava a organizar e limpar a cozinha. Aquela cena era quase um flash back da minha vida a mais de dois anos atrás, quando morávamos na casa do meu pai enquanto ele estava doente. David começou a cantarolar a música que ele colocava na vitrola todas as noites, era uma música antiga, e melodiosa, da década de 50, Elvis talvez, eu não me lembrava. David desliza sua mão delicadamente pela minha cintura, ele adorava dançar essa música enquanto bebia um vinho no fim da noite.

Continuei guardando os pratos, fingindo que não percebia o toque dele, mas era impossível ignorar. O calor familiar da palma de sua mão contra minha camisa me trouxe memórias de noites tranquilas, da época em que tudo parecia menos complicado.

— Ainda lembra da letra? — David perguntou, sua voz baixa, quase um sussurro.

— Não completamente — admiti, fechando o armário.

— Mas lembra da melodia — ele insistiu, girando levemente meu corpo de frente para ele.

Eu deveria ter recuado. Deveria ter cortado aquele momento antes que se tornasse algo mais. Mas estava cansado, exausto na verdade, e a nostalgia me atingiu com força.

David segurou minha mão com delicadeza e começou a se mover lentamente, guiando-me em um ritmo tranquilo. Sua expressão era serena, como se estivesse simplesmente aproveitando aquele instante sem pressa, sem expectativas.

— Você ainda dança bem — ele murmurou.

— Eu só tô deixando você me guiar.

— E isso já significa alguma coisa.

Revirei os olhos, mas não me afastei. A verdade é que, por alguns segundos, foi fácil me permitir aquele momento. O peso dos últimos dias parecia distante, e a música — mesmo que abafada e apenas em nossa memória — preenchia o silêncio entre nós. E foi quando ele me puxou para mais perto do seu corpo quente, eu pude sentir o seu hálito fresco.

— David — sussurei.

Então, David parou, sem soltar minha mão.

— Você não precisa carregar tudo sozinho, Marcus.

As palavras caíram sobre mim como uma verdade inconveniente. O olhar dele era sério, mas sem julgamento. Ele sempre soube ler através de mim, sempre soube perceber quando eu estava prestes a desmoronar.

Engoli em seco, puxei minha mão de volta e me virei para pegar um pano sobre a bancada, fingindo que precisava limpar algo.

— Eu tô bem.

— Você sempre diz isso.

— Porque é verdade.

David suspirou, mas não insistiu. Pegou o próprio copo de água e deu um gole antes de se afastar alguns passos.

— Sophia quer passar o fim de semana comigo. Achei melhor te avisar antes de perguntar pra ela.

Assenti, ainda sem olhar para ele.

— Tudo bem.

— Tudo bem — ele repetiu, mas parecia esperar que eu dissesse mais alguma coisa.

Quando percebeu que eu não diria, ele apenas pegou o casaco e olhou para Sophia dormindo no sofá. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios antes que ele se aproximasse para beijar a testa dela.

— Cuida de você, Marcus.

Ele saiu sem esperar resposta. E eu fiquei parado ali, sentindo o silêncio da casa pesar sobre mim mais do que deveria. Fiquei ali por um momento, apenas ouvindo a respiração tranquila de Sophia enquanto dormia no sofá. A televisão ainda exibia a série que ela assistia, mas eu sequer prestava atenção. A conversa com David mexera mais comigo do que eu queria admitir.

Suspirei e passei as mãos pelo rosto, sentindo o cansaço finalmente pesar. Rafael estava certo. Eu estava ignorando o óbvio: meu corpo estava pedindo descanso. Mas minha mente... ela não desligava.

Olhei para a porta, como se esperasse que David voltasse e dissesse mais alguma coisa. Algo que me desse alguma resposta para um milhão de perguntas que eu fingia não ter. Mas, claro, ele não voltou.

Com um último olhar para Sophia, peguei um cobertor e a cobri com cuidado, desligando a TV em seguida. Fui para o quarto, mas antes de me jogar na cama, tirei o celular do bolso e chequei as mensagens. Nenhuma novidade sobre o caso. Nenhuma nova pista. Apenas mensagens antigas de Rafael, confirmando os horários das reuniões e investigações. E então, uma notificação apareceu.

Número desconhecido: "Você quer respostas? Comece a perguntar para as pessoas certas."

Meu coração acelerou instantaneamente. Sentei na cama e li a mensagem novamente, tentando processar. Quem diabos era? Antes que eu pudesse responder, outra mensagem chegou.

Número desconhecido: "A Casa de São Sebastião não é o que parece. Mas você já sabe disso, não é?"

Meu sangue gelou. Levantei de um pulo, indo até a janela e puxando a cortina de leve para olhar lá fora. A rua estava deserta, os postes iluminando fracamente a calçada. Peguei o celular e liguei de volta para o número. Chamou três vezes antes de cair na caixa postal. Droga. Pensei em mandar uma mensagem para Rafael, mas parei. Precisava entender o que estava acontecendo antes de envolvê-lo. Olhei novamente para a tela do celular, para aquelas palavras.

Você quer respostas? Comece a perguntar para as pessoas certas.

Seja lá quem fosse essa pessoa, ela sabia algo que eu não sabia. E eu precisava descobrir antes que fosse tarde demais. Tranquei a porta duas vezes antes de soltar o ar preso nos pulmões. Senti uma breve euforia e ansiedade correr pelo meu corpo. Já era quase meia noite quando recebi a última mensagem.

Passei a mão pelo rosto e segui direto para o banheiro. O espelho refletia minha expressão cansada, olheiras fundas denunciando as noites mal dormidas. Liguei o chuveiro e deixei a água quente escorrer pelas costas, relaxando um pouco a tensão acumulada. Pelo menos ali, dentro daquele box apertado, o mundo ficava um pouco mais silencioso.

Depois do banho, vesti uma calça confortável e uma camiseta velha antes de cair na cama. O colchão afundou sob o peso do meu corpo, mas minha mente não desacelerava. Eu olhei para o teto, a escuridão do quarto parecia mais densa naquela noite. Me virei para o lado, tentando encontrar uma posição melhor, mas algo me incomodava. Uma sensação estranha, um arrepio que não fazia sentido. Fechei os olhos, exausto. Mas antes que o sono me puxasse por completo, um pensamento solto cruzou minha mente, vindo do nada.

A freira. O rosto dela, o crucifixo dourado, os olhos profundos e vazios. Por que eu estava pensando nisso agora? Senti o corpo pesar. O colchão parecia me puxar para dentro, como se estivesse afundando em areia movediça...

Eu estava em um corredor enorme, as paredes de pedra bruta e o teto alto demais para enxergar. O chão era gelado sob meus pés descalços. Tudo estava mergulhado em uma penumbra azulada, um silêncio opressor que fazia minha respiração parecer alta demais.

Havia portas. Incontáveis portas dos dois lados do corredor, todas idênticas, de madeira escura, com inscrições em latim entalhadas nelas. Passei os dedos por uma das palavras: "Veritas in tenebris." Verdade nas trevas.

Meu peito se apertou. Então, o som veio. Passos. Lentos, arrastados. O eco das solas contra a pedra. Virei a cabeça e vi a silhueta no final do corredor. Uma freira. Mas não como as que vi na Casa de São Sebastião. Esta usava um hábito todo branco, um contraste quase cegante contra a escuridão ao redor. Ela segurava um crucifixo dourado, cravejado de diamantes, que brilhava à luz fraca. Ela começou a andar em minha direção. Meu coração disparou. Tentei dar um passo para trás, mas o corredor parecia se estender ainda mais, como se me puxasse para dentro de um labirinto sem fim. A freira não corria. Ela apenas avançava, silenciosa e implacável, como se soubesse que mais cedo ou mais tarde me alcançaria.

Meu instinto gritou. Girei a maçaneta de uma das portas e entrei. E, de repente, estava dentro da minha própria casa. A sala, o sofá, a televisão ainda ligada. Tudo parecia normal. Mas algo estava errado. O ar estava pesado, carregado, e sombras se moviam nos cantos do cômodo. Senti um arrepio subir pela espinha. Uma silhueta passou pelo corredor. Me virei rápido. Nada. Dei um passo hesitante para frente, os músculos tensos. Outro vulto. Rápido demais para ser identificado, como um borrão branco e distorcido. A freira. Ela estava aqui. Engoli em seco e segui na direção do quarto de Sophia. Meu peito queimava com cada respiração curta. Algo dentro de mim gritava para que eu não abrisse a porta. Mas eu precisava. A maçaneta estava gelada na minha mão. Girei devagar e empurrei a porta.

Sophia dormia pacificamente em sua cama, respirando devagar. Mas ao lado dela, em pé, estava ela. A freira. Mas agora, seu rosto não era mais humano. A pele pálida estava rasgada, os olhos eram buracos negros profundos, e sua boca se estendia de uma forma impossível, os dentes afiados à mostra em um sorriso grotesco. Ela se virou para mim. E saltou.

Acordei com um grito preso na garganta. O som estridente do despertador inundou o quarto. Meus músculos estavam rígidos, o peito subindo e descendo rápido demais. Olhei para o relógio. Nove da manhã. Fechei os olhos, tentando acalmar os batimentos. Apenas um sonho. Apenas um maldito sonho.

Me levantei, abri a porta do meu quarto e segui até a sala, Sophia ainda dormia tranquila no sofá, soltei um leve sorriso. Me virei para voltar para o quarto então lá estava ela, toda de branco com os dentes amostra e voou em minha direção.

Acordei com um espasmo, meu coração estava acelerado e meu corpo imóvel na cama. Me dou leves beliscos para saber se aquilo era real. Ok, eu estava acordado de fato, olhei no relógio e já se passavam das oito da manhã, fazia tempo que eu não dormia tanto.

Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele úmida de suor. Meu corpo ainda estava em alerta, como se esperasse que a qualquer momento aquela figura grotesca emergisse da escuridão novamente. O quarto parecia diferente agora—ou talvez fosse só meu olhar, ainda carregado com os resquícios do pesadelo.

Respirei fundo e me forcei a levantar. Meus músculos protestaram, rígidos e doloridos, como se eu realmente tivesse corrido naquele corredor infinito. Me apoiei na cômoda por um instante antes de seguir para o banheiro. A água fria espantou parte do torpor, mas não apagou a sensação de que algo estava errado. Me encarei no espelho, analisando os olhos fundos, as olheiras marcadas. Parecia que anos tinham se passado em uma única noite.

Depois de me trocar, voltei para a sala. Sophia toma o café da manhã já arrumada para ir para escola. Desviei o olhar para a janela. O sol que ainda parecia frio, já se insinuava entre as frestas da cortina, tingindo o chão com faixas douradas. Hora de seguir com o dia. Mas enquanto preparava um café forte, senti um arrepio familiar correr pela nuca. Algo dentro de mim sussurrava que o sonho não havia terminado. Que aquela freira, com seu hábito branco e sorriso impossível, ainda estava à espreita. Esperando.

~*~

Eu estava de cabeça abaixada quando David colocou um copo de café na minha mesa na delegacia. Me sentia cansado, com sono e ainda perturbado com o pesadelo.

— Você parece um zumbi — comentou ele, puxando uma cadeira e se sentando ao meu lado. — Pesadelos de novo?

Assenti, passando a mão pelo rosto, tentando espantar o cansaço.

— Foi intenso — murmurei, pegando o café e sentindo o calor do copo contra as palmas das mãos.

David franziu o cenho. Ele já estava acostumado com meus pesadelos recorrentes, mas algo na minha expressão pareceu preocupá-lo mais do que o normal.

— Quer falar sobre isso?

Soltei um suspiro. Parte de mim queria esquecer, mas a outra sabia que ignorar só piorava as coisas.

— Não.

David se inclinou para frente, cruzando os braços sobre a mesa.

— Tem certeza? — perguntou ele.

— Não sei. Mas está piorando. — Passei a mão pela nuca, sentindo os músculos tensos.

Rafael se aproximou meio sorridente, mas ao ver David ao meu lado seu sorriso se desfez, segurando uma maçã e observando-nos com curiosidade.

— Vocês parecem estar discutindo algo sério. Devo me preocupar?

David deu de ombros, mas antes que eu pudesse responder, meu celular vibrou sobre a mesa. Peguei o aparelho e olhei para a tela. Número desconhecido.

Atendi hesitante.

— Alô?

O silêncio durou apenas um segundo antes de uma voz distorcida sussurrar do outro lado da linha:

— Marcus.

Um arrepio percorreu minha espinha. Meus olhos se encontraram com os de David e Rafael, que observavam minha reação com preocupação.

— Oi, pode falar, o que deseja? — perguntei, tentando manter a calma.

A linha caiu.

O silêncio na cozinha era pesado, carregado de tensão. Segurei o celular com força, meu coração acelerado. David foi o primeiro a falar.

— Marcus... o que foi isso?

Eu não tinha resposta. Mas algo me dizia que os pesadelos não eram mais apenas pesadelos.

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