Capitulo 2
O dia amanheceu cinzento, com a chuva desenhando trilhas pelas janelas do apartamento. Do outro lado do vidro, densas nuvens carregadas circulavam lentamente pelo céu. Dentro da sala, Sophia estava ao meu lado no sofá, incrédula, enquanto assistíamos à jornalista no noticiário anunciar que a polícia havia encontrado um corpo durante a madrugada. O nome da vítima ainda não havia sido divulgado, mas eu sabia quem era: Gustavo Husky, filho do ex-prefeito da cidade. Nesse exato momento, a família dele devia estar recebendo a notícia mais devastadora de suas vidas. Até o meio-dia, toda a cidade saberia, e as pessoas estariam aglomeradas na porta da casa da família, algumas buscando detalhes, outras tentando oferecer consolo.
Mas como você consola alguém que perdeu quem ama? Se nunca sentiu essa dor, como pode saber o que dizer?
Essas perguntas sempre me assombraram. Três anos atrás, perdi meu pai para a covid. David estava comigo na época e foi ele quem ficou ao lado do meu pai no hospital enquanto eu fazia meus plantões na polícia. A culpa de não ter estado lá no momento final ainda me consome. Foi essa culpa, entre outras coisas, que me fez me afastar de David. Ele era bom demais para mim, mas eu não conseguia lidar com a dor.
Dois meses depois da morte do meu pai, minha mãe me procurou. Queria saber de Sophia, mas ela já havia partido há tanto tempo que essa súbita preocupação parecia fora de lugar, quase irrelevante. Mesmo assim, esse episódio ficou guardado, como um lembrete incômodo de como as pessoas lidam de forma estranha com o luto.
Meu devaneio foi interrompido pela voz de Sophia. Ela murmurou algo, tão baixo que quase não ouvi.
— Ele era tão bom...
Virei para ela, surpreso. Desde a morte do nosso pai, eu nunca a tinha visto tão abalada por alguém. Seus olhos brilhavam com lágrimas, enquanto ela afastava uma mecha de seus cabelos acobreados, prendendo-a atrás da orelha. Havia algo em sua expressão que me desarmava, algo que eu não conseguia compreender.
— O que você disse? — perguntei, buscando seus olhos. Queria que ela elaborasse, que explicasse algo que fosse grande o bastante para justificar sua reação.
Ela respirou fundo antes de me olhar. Era o mesmo olhar que ela tinha quando escolheu a roupa para o velório do nosso pai, carregado de tristeza e um peso que eu sabia que ela não compartilhava com facilidade.
Sophia respirou fundo e me olhou. Era o mesmo olhar de quando contei a ela que eu precisava que ela escolhesse a roupa para o velório de nosso pai.
— Ele não merecia isso, sabe? — disse ela, a voz trêmula, quase em um sussurro. — Gustavo... Ele era diferente de todos eles.
"Todos eles." Eu sabia a quem Sophia se referia. Os filhos dos poderosos, da elite política, que ocupavam as colunas sociais da cidade como se fossem intocáveis. Talvez Gustavo fosse uma exceção, mas, no fundo, eu não conseguia evitar o ceticismo. Crescer assistindo de perto o privilégio mascarar erros te torna assim: descrente de boas intenções.
— Diferente como? — perguntei, cruzando os braços e mantendo minha voz neutra.
Ela me lançou um olhar de reprovação, como se minha pergunta fosse um ataque direto à memória dele.
— Ele não era como o pai — respondeu ela, firme. — Ele ajudava na ONG, você sabia disso? Ia às comunidades, levava cestas básicas... não fazia isso só para aparecer. Ele se importava de verdade.
Isso me pegou de surpresa. Não porque eu duvidasse da bondade de alguém, mas porque Sophia raramente falava com tanta intensidade sobre alguém que não fosse da nossa família. Por um momento, pensei em como ela podia conhecer tão bem o filho de alguém como o ex-prefeito Husky. Era uma conexão que eu não conseguia encaixar.
— Desde quando você sabia disso? — pressionei, tentando entender por que ela parecia tão abalada.
Ela hesitou, mordeu o lábio e desviou o olhar. Por fim, sussurrou, como se confessasse um segredo:
— A gente se conhecia... há algum tempo.
Aquilo me atingiu como um soco.
— Como assim, Sophia? — Minha voz subiu involuntariamente, mas me controlei. Não era hora de perder a paciência. — Você conhecia ele? Por que nunca me contou?
Ela se levantou, os braços envolvendo o próprio corpo como um escudo.
— Porque eu sabia que você ia reagir exatamente assim! — respondeu, num tom entre a frustração e a tristeza. — Você não entende, não quer entender.
Fiquei em silêncio, deixando as palavras dela pairarem no ar entre nós. Era verdade; eu não entendia. Não entendia como Sophia podia ter se aproximado de alguém como Gustavo Husky sem que eu sequer desconfiasse. Não entendia como ela conseguia sentir tanto por alguém que eu mal conseguia lembrar.
Lá fora, a chuva engrossava, as gotas batendo contra a janela em um ritmo inquietante. No noticiário, a imagem do corpo sendo retirado da cena do crime foi substituída por uma foto antiga de Gustavo — sorrindo, jovem, cheio de vida. O texto na tela dizia: "Filho do ex-prefeito encontrado morto em circunstâncias misteriosas." Circunstâncias misteriosas. Essa frase me incomodava. Ninguém morre assim, misteriosamente. Sempre há uma explicação. Sempre há alguém que sabe o que aconteceu.
Sophia voltou a se sentar no sofá, o olhar fixo na televisão. Eu sabia que havia mais por trás da dor que ela sentia, algo que ela não estava pronta para me contar. Ainda assim, alguma coisa dentro de mim começava a se inquietar. Eu já havia perdido tantas pessoas importantes na minha vida. Não podia perder Sophia também — não para o silêncio, nem para algo que eu não compreendia.
— Sophia, você sabe alguma coisa? — perguntei, minha voz mais suave agora, quase implorando.
E alí estava ela de volta ao normal, curta e grossa com uma só resposta:
— Não.
As palavras dela me fizeram gelar. Nada daquilo parecia um acaso. Afinal, por que um menino tão jovem e influente com ONGs morreria de forma tão precoce?
— Fica em casa hoje, não precisa ir pra escola. Vou pra delegacia, e o dia promete ser corrido. Não me espere pro jantar. — Falei, levantando e pegando o revólver que estava na mesa. Com cuidado, coloquei-o no coldre preso à cintura.
Sophia apenas assentiu com a cabeça, ainda afundada no sofá, o cobertor puxado até o queixo. Havia algo na postura dela que me preocupava — talvez fosse o silêncio, ou o olhar vazio fixo na tela da TV.
Antes de sair, me aproximei e depositei um beijo leve em sua testa. Não era comum gestos assim entre nós, mas, naquele momento, parecia necessário. Queria que ela soubesse que, apesar de tudo, eu estava aqui. Sempre estaria.
— Me liga se precisar de alguma coisa, tá? — disse, tentando soar firme.
Ela não respondeu de imediato, mas seus olhos finalmente encontraram os meus.
— Eu vou ficar bem — murmurou, num tom que parecia mais uma tentativa de me tranquilizar do que uma verdade absoluta.
Eu queria acreditar, mas algo na expressão dela me dizia que Sophia estava carregando um peso que ainda não havia dividido comigo.
Saí do apartamento sentindo o ar frio da manhã tocar meu rosto. O cheiro de terra molhada misturado ao som da chuva nas calçadas quase me distraiu, mas meu foco voltou ao caso. Gustavo Husky. Um jovem com um futuro promissor, agora reduzido a um corpo sem vida encontrado em circunstâncias misteriosas.
No caminho para a delegacia, as perguntas na minha mente se acumulavam. Liguei para Collins enquanto dirigia, apertando o volante com força, como se isso ajudasse a organizar os pensamentos.
— Chefe, alguma notícia? — perguntei, direto ao ponto, antes mesmo de ele ter a chance de dizer "alô".
Do outro lado da linha, a voz tranquila de Collins soou como um contraste irritante ao turbilhão que eu sentia.
— O caso é seu, Marcus. Nenhum outro investigador quis pegar. Parece que estão com medo de mexer nesse vespeiro. Ah, e tem outra coisa: a central mandou um investigador do estado para ajudar. Rafael Bittencurt, conhece?
Sussurrei o nome para mim mesmo, quase automaticamente:
— Rafael Bittencurt...
O nome soava familiar, mas eu não conseguia lembrar exatamente de onde. Talvez de algum caso antigo, ou de conversas entre colegas, mas não vinha nada à mente que explicasse a sensação incômoda que me acompanhou depois de ouvi-lo.
— Não tenho certeza — respondi, tentando esconder a hesitação na voz. — Ele é bom?
— Dizem que é excelente, mas... direto demais. Você vai ver. Ele já está na delegacia esperando por você.
Collins desligou antes que eu pudesse perguntar mais alguma coisa. Soltei um suspiro pesado, ajustando o retrovisor. Quem quer que fosse Rafael Bittencurt, ele estava entrando no meu caso, no meu território. Isso podia ser bom... ou um problema.
A delegacia estava como sempre: um caos organizado. Telefones tocando, vozes se sobrepondo e o incessante som das teclas nos computadores. Enquanto atravessava o salão, avistei Collins conversando com um homem que só podia ser Rafael Bittencurt.
Ele era alto, de ombros largos, mas sua postura intimidadora. O terno preto e bem ajustado contrastava com o ambiente desgastado da delegacia, mas combinava perfeitamente com sua aura tranquila. O cabelo curto, ligeiramente desalinhado, e o sorriso fácil que ele exibia durante a conversa com Collins mostravam um lado descontraído que não era comum ali.
Quando Collins me viu, fez sinal para que eu me aproximasse.
— Marcus, esse é o investigador Rafael Bittencurt. Ele vai te ajudar no caso.
Rafael se virou e sorriu, um sorriso aberto e genuíno que imediatamente me deixou mais à vontade. Ele estendeu a mão, e eu apertei, notando que seu aperto era firme, mas não agressivo.
— Marcus, certo? É um prazer finalmente te conhecer. Ouvi dizer que você é um dos melhores por aqui.
A sinceridade na voz dele me pegou de surpresa. Não era algo que eu esperava, principalmente vindo de um desconhecido.
— Bem, espero não desapontar — respondi, tentando soar casual.
Ele deu uma risada curta, mas amigável.
— Tenho certeza de que não.
Collins, observando a troca, pigarreou.
— Vou deixar vocês trabalharem. Marcus, atualize Rafael sobre o caso. Ele vai ser essencial nessa investigação.
Assim que Collins se afastou, Rafael me lançou um olhar atento, mas sem a rigidez que eu tinha imaginado. Ele parecia genuinamente interessado, não apenas no caso, mas também em me entender como parceiro de trabalho.
— Então, me conta por onde começamos. Quero entender a história toda, mas sem pressa. Parece que vamos passar algum tempo juntos nesse caso.
A abordagem dele era descontraída, mas havia uma determinação subjacente que não deixava dúvidas sobre sua competência. Ele não estava ali para impor nada, mas para somar.
— Certo, vou te levar para minha mesa. Podemos começar pelos primeiros detalhes do Gustavo Husky.
Enquanto caminhávamos, Rafael manteve o tom leve.
— Você trabalha com essa equipe há muito tempo?
A pergunta, embora simples, parecia carregada de uma curiosidade genuína. Ele queria se conectar, entender o contexto antes de mergulhar no caso.
— Não, geralmente trabalho sozinho. — digo direto.
Quando chegamos à minha mesa, a visão da pilha de papéis me trouxe de volta à realidade. Eu estava acostumado a trabalhar em silêncio, focado nos detalhes, o ruído da delegacia sempre parecendo estar a quilômetros de distância. Era o meu jeito de lidar com as coisas.
Ele se acomodou na cadeira com a mesma calma de sempre, os olhos atentos, quase como se estivesse estudando o ambiente ao invés de apenas aguardando pela próxima informação. Eu puxei o caso de Gustavo Husky para a frente, as primeiras anotações e relatos estavam espalhados sobre a mesa. Olhei para ele, me concentrando no que tinha pela frente.
— Ok, vamos começar do começo. Husky tem uma ficha limpa, não usava drogas, não tinha nenhum ato ilícito e tirava boas notas na escola.
Rafael ficou em silêncio, apenas observando enquanto eu puxava outros documentos, mas seus olhos não saíam de mim. A forma como ele me avaliava era como se estivesse tentando entender mais do que apenas o meu trabalho — ele queria entender a minha maneira de pensar, meu método. E, talvez, mais ainda, ele queria entender por que eu me afastava das conexões humanas.
— Você sempre analisa as coisas dessa forma, Marcus? — perguntou ele, de maneira suave, mas com uma pitada de curiosidade genuína.
A pergunta me pegou desprevenido, e por um instante, o ar na sala pareceu pesar mais. Eu sabia o que ele queria dizer, mas não tinha certeza de como responder.
— Eu... foco no que é concreto. No que posso ver e comprovar. O resto... não faz sentido para mim. — Falei sem hesitar, mas, ao mesmo tempo, a resposta parecia vazia, quase defensiva.
Ele apenas sorriu, mas não de uma maneira desdenhosa. Era um sorriso compreensivo, como se ele já soubesse algo que eu ainda estava começando a entender.
Rafael queria ver o local onde Gustavo havia sido encontrado, era um bom lugar para começar a investigar. A estrada de terra se estendia à frente, coberta por uma leve neblina, e o silêncio pesado que nos acompanhava parecia carregar uma tensão que só aumentava à medida que nos aproximávamos do local onde Gustavo foi encontrado. O cenário era desolador, uma área isolada com árvores secas e uma casa abandonada ao fundo. Não havia sinal de vida por ali, apenas o eco do vento sussurrando através da vegetação.
A área estava isolada por fitas de segurança, e os policiais haviam feito um bom trabalho de contenção, mas o local ainda tinha uma aura de mistério que me fazia sentir que algo mais estava escondido ali.
Rafael caminhava à frente, observando cada detalhe. Ele parecia absorver a cena de uma maneira completamente diferente da minha. Ele não se limitava a olhar as evidências óbvias — ele estava percebendo o que o resto de nós não via.
— O que você acha? — perguntei, tentando captar o ritmo de seu raciocínio.
Ele parou diante de uma árvore retorcida, suas mãos no bolso, os olhos fixos em algo à distância.
— Cada coisa aqui me diz que Gustavo estava sendo observado — disse ele, com sua voz calma e analítica. — A maneira como o corpo foi posicionado... ele não estava só sendo perseguido, estava sendo estudado.
Eu franzi a testa, tentava entender o que ele estava querendo dizer, mas algo no seu tom me fez perceber que ele estava vendo muito mais do que eu. Eu era metódico, preciso, mas Rafael tinha esse olhar mais amplo. Ele via o quadro completo, não apenas as peças isoladas.
Eu caminhei até onde o corpo de Gustavo tinha sido encontrado, meus olhos se fixando no solo, procurando algum detalhe que pudesse me dar uma pista. Rafael se aproximou e se agachou ao meu lado.
— Você já foi atirador, não é? — perguntei, sem conseguir segurar a curiosidade.
Ele olhou para mim, o olhar mais suave que o habitual, mas com um leve sorriso no rosto, como se já soubesse que eu descobriria.
— Eu era — disse ele, com um tom de quem se recorda de um capítulo distante. — Fui sniper nas forças especiais, há alguns anos. A visão de um bom atirador não é apenas sobre precisão. É sobre observar, identificar o que está fora do lugar, como algo simples como essa árvore... alguém pode ter se escondido nela. Eu vejo o que a maioria não vê.
A revelação me pegou de surpresa. Eu nunca imaginei que Rafael tivesse esse tipo de formação, mas fazia sentido agora, dado seu instinto e sua atenção aos detalhes.
— Então você... já matou alguém? — A pergunta saiu antes de eu conseguir controlá-la, mas ao ver a expressão de Rafael, eu sabia que ele já havia sido questionado assim muitas vezes.
Ele ficou em silêncio por um momento, seus olhos passando rapidamente por toda a área antes de voltar para mim.
— Cada tiro tem um custo, Marcus. E nunca é tão simples como as pessoas pensam. Mas é isso que nos faz bons investigadores, não é? Saber ler as situações, entender o que está por trás do que vemos.
A resposta dele me fez refletir, o peso de suas palavras se instalando. Eu nunca imaginei que, por baixo da sua postura calma e equilibrada, havia tanto. Talvez ele estivesse mais próximo de mim do que eu imaginava. Talvez nossa diferença não fosse tão grande assim.
Com um suspiro, ele se levantou e continuou a observação.
— Aqui, veja isso — ele disse, apontando para uma pegada quase apagada no barro perto de um arbusto. Eu me abaixei para ver o que ele tinha encontrado. Era uma pegada de um tênis de corrida, a sola bem definida, mas o formato era diferente do que o nosso time usaria. Não estava ali por acidente, estava ali de propósito.
Enquanto eu analisava a pista, Rafael parecia já estar a milhas de distância em seus pensamentos. Ele estava claramente vendo algo que eu ainda não conseguia entender completamente. O jeito como ele se movimentava, sua calma, me fazia sentir como se estivesse em uma corrida de raciocínio onde ele sempre estivesse à frente.
— Isso é uma pista. O tipo de tênis, a maneira como foi deixado... — Ele se afastou para estudar o terreno, mais uma vez absorvendo tudo ao seu redor.
Enquanto Rafael se afastava, sua calma quase inabalável me deixava inquieto. O terreno estava quieto, mas eu não conseguia deixar de sentir que algo estava prestes a acontecer. As árvores ao redor da casa abandonada balançavam suavemente com o vento, e eu me vi distraído com os sons do ambiente, tentando ler o que as sombras e os movimentos da floresta nos diziam.
Rafael, como sempre, parecia imune a qualquer distração. Ele estava agachado, analisando o solo com precisão, como se cada detalhe fosse uma pista. Eu, por outro lado, estava mais atento àquela sensação estranha que pairava no ar, como se estivéssemos sendo observados.
Foi então que ouvi. Um som. Algo leve, mas claro. Passos. Vindo de algum lugar dentro da vegetação densa, um som suave de folhas sendo pisadas.
Eu congelei. Rafael também, levantando os olhos lentamente. Não era um animal. Estava claro agora, algo ou alguém estava se movendo por ali, tentando se manter o mais discreto possível.
— Cuidado — murmurei para Rafael, já com a mão na arma, sentindo a adrenalina subir.
Rafael não hesitou. Ele levantou-se com a mesma calma de sempre, mas havia algo nos seus olhos que me dizia que ele também sentia a pressão. Ele fez um gesto discreto, sinalizando para que nós nos aproximássemos com cautela.
Silenciosos, nos movemos para a borda da floresta, usando as árvores como cobertura. Eu podia ouvir a respiração pesada de Rafael, o ritmo controlado da sua respiração contrastando com o turbilhão de pensamentos que me consumiam. Ele estava completamente focado.
Os passos continuaram, mais próximos agora. De repente, o som de um galho quebrando sob um pé pesado. Rafael parou instantaneamente, seus olhos brilhando com a intensidade de um predador. Ele olhou para mim e fez um sinal com a mão: "Vamos."
Sem pensar duas vezes, começamos a correr silenciosamente entre as árvores, seguindo a trilha dos passos. A cada movimento, o som se tornava mais claro, mais urgente. Parecia que estávamos à beira de descobrir algo crucial.
De repente, avistamos uma figura à frente, movendo-se rapidamente entre as sombras. Era alguém encapuzado, de roupas escuras, quase invisível no ambiente noturno. A pessoa estava correndo, claramente tentando fugir, e o som de seus passos apressados era tudo o que podíamos ouvir.
Rafael não perdeu tempo. Ele se posicionou rapidamente, preparando-se para a ação. Eu ainda estava em movimento, mas minha voz foi firme, quase automática.
— Parado, polícia! — gritei, apontando a arma para o desconhecido, que instantaneamente parou, congelando na trilha.
O que quer que estivéssemos prestes a descobrir, não iria nos deixar em paz.
( NÃO ESQUEÇA DE DAR A ⭐️ E COMENTAR O QUE ESTÁ ACHANDO DA HISTÓRIA)
Bạn đang đọc truyện trên: AzTruyen.Top