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A LINHA FINA ENTRE O DESEJO E A RAZÃO

Os dias após a lesão de Maria Clara foram longos e difíceis. Ela sabia que, mesmo fora de campo, a pressão sobre ela não cessava. A cada dia, o time sentia sua falta mais intensamente, e, em algum momento, ela começou a perceber que o vazio não era apenas pelo futebol. Algo no fundo de seu peito estava mudando, algo que ela não conseguia entender. E esse "algo" tinha um nome: João.

João, sempre apegado ao foco, estava mais próximo do que o habitual. Durante as sessões de fisioterapia, ele não a deixava sozinha. Os dois, antes tão distantes, agora compartilhavam momentos em que o tempo parecia se arrastar lentamente, como se o mundo à sua volta não existisse. Cada olhada, cada palavra entre eles carregava um peso inesperado, como se ambos estivessem à beira de algo que não podiam mais negar.

O Encontro à Noite

Foi em uma noite tranquila, após um dia de recuperação, que João se apresentou novamente no hotel onde Maria Clara estava hospedada. Ela estava sentada à beira da cama, com uma expressão cansada, os olhos um pouco perdidos. A lesão ainda a incomodava, mas não era apenas o corpo que doía. A mente e o coração estavam inquietos.

Quando ouviu a batida na porta, Maria Clara se levantou e, ao abrir, encontrou João ali, como se já soubesse que ela precisaria dele.

— Eu... pensei que poderia te trazer algo para te ajudar a relaxar — disse João, com um sorriso suave. Ele estava segurando duas xícaras de chá.

Ela olhou para ele por um momento, a tensão crescente entre eles evidente, mas o que poderia ser uma simples conversa se transformou em algo mais.

— Eu não sabia que você sabia fazer chá — Maria Clara disse, com uma leve ironia em sua voz, tentando quebrar o silêncio carregado. Ela o convidou a entrar.

João entrou, fechando a porta atrás de si. Colocou as xícaras na mesa de cabeceira e sentou-se na cadeira ao lado da cama. Eles se olharam por um longo instante, como se ambos estivessem tentando decifrar o que acontecia entre eles, sem palavras, mas com gestos que diziam mais do que qualquer conversa.

— Eu sei que você está se esforçando, Maria Clara... Eu só queria... — ele começou, mas não conseguiu terminar. Algo em sua voz, carregada de emoção, o fez hesitar. Ele não estava acostumado a mostrar vulnerabilidade.

Maria Clara respirou fundo, olhando para ele, sentindo seu peito apertar. Havia algo naquele homem que a fazia sentir-se segura e perdida ao mesmo tempo. Algo que ela não entendia. E quando seus olhos se encontraram, algo mudou.

Sem dizer mais nada, ela se inclinou para frente, mais perto de João. O silêncio entre eles parecia amplificar cada suspiro, cada movimento. Ela sentia o coração disparado, os lábios secos, mas os olhos ainda fixos nos dele, como se procurasse uma resposta, um sinal.

João, por sua vez, não conseguiu mais se conter. A proximidade entre eles tornou-se insuportável. Ele queria algo mais, mas, ao mesmo tempo, sabia que aquilo era tão arriscado. Mas, naquele instante, ele não conseguia mais se controlar. Ele levou a mão até o rosto dela, tocando sua pele com suavidade, sentindo a respiração dela ficar mais rápida à medida que ele se aproximava.

Quando finalmente seus lábios se encontraram, foi como se o tempo tivesse parado. Não foi uma explosão imediata, mas uma tensão crescente, algo devagar, calculado, mas intenso. A boca de João se encaixava na dela com uma delicadeza que Maria Clara nunca imaginara que ele tivesse. O toque foi suave, como se ambos estivessem descobrindo um território desconhecido.

Ela fechou os olhos, permitindo-se ser envolvida por aquele momento. Era algo inesperado, mas que, ao mesmo tempo, parecia tão certo. Ele a puxou para mais perto, sem pressa, como se quisesse saborear cada segundo. Maria Clara se entregou ao beijo, seus dedos tocando a nuca dele, sentindo o calor de seu corpo contra o dela.

Por um instante, todo o medo de suas consequências ficou para trás. Não havia mais o São Paulo, nem o Corinthians, nem a rivalidade. Apenas eles. Apenas a necessidade de estar ali, naquele momento, juntos.

Quando o beijo terminou, ambos ficaram ali, sem palavras. O olhar deles se cruzou novamente, e, dessa vez, sem o peso da dúvida, foi Maria Clara quem falou.

— Isso... isso foi real? Ou nós dois estamos apenas fugindo da pressão? — ela perguntou, tentando encontrar algum sentido naquilo tudo.

João a olhou por um instante, pensativo. Ele sabia o que sentia, mas as palavras não conseguiam capturar a profundidade daquele momento.

— Não sei, Maria Clara. Mas, agora, eu quero que seja real. — ele respondeu, com a voz baixa, mas cheia de sinceridade.

A tensão ainda estava no ar, mas, ao menos, eles sabiam que algo havia mudado. Eles estavam prestes a descobrir juntos o que esse novo caminho significaria para ambos.

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