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LUTAS, CONQUISTAS E RECOMEÇOS

O tempo não parava para ninguém. Enquanto João estava mergulhado na intensa disputa pela Copa do Brasil com o São Paulo, Maria Clara dedicava-se integralmente aos estudos. Após sua graduação em jornalismo esportivo, ela decidiu que não ficaria apenas nos comentários e análises. Sua paixão pelo futebol falou mais alto, e Maria se inscreveu para um curso de graduação em Educação Física com foco em formação de técnicos. O sonho de comandar um time, mesmo fora de campo, reacendeu algo em seu coração.

Entretanto, com as agendas lotadas e o cansaço tomando conta, os dois começaram a sentir o impacto na relação.

A Primeira Briga Feia

Numa noite em que João voltou exausto de um treino, encontrou Maria no sofá da sala, rodeada de livros e anotações. Ela estava tão concentrada que mal percebeu a presença dele.

— Você nem perguntou como foi o treino hoje — comentou João, largando a mochila no canto.

Maria suspirou, sem tirar os olhos do livro. — Desculpa, amor. Estou tentando terminar esse trabalho antes do prazo.

— Isso tem sido toda noite, Maria — ele respondeu, cruzando os braços. — É sempre faculdade, livros, projetos. Parece que você não tem tempo pra gente.

Ela ergueu o olhar, sentindo a irritação crescer. — Você acha que eu não sinto o mesmo? Você mal para em casa por causa do campeonato. Quando está aqui, só fala de futebol.

— E o que mais você esperava? É o meu trabalho! — João retrucou, a voz mais alta do que queria.

— E o meu também! — Maria levantou-se, enfrentando-o. — Não é porque eu não estou mais jogando que significa que minha paixão pelo futebol acabou.

A tensão explodiu, e ambos trocaram palavras que nunca haviam dito antes. Maria, com raiva, pegou as chaves do carro.

— Eu vou sair para esfriar a cabeça. Fique com sua taça imaginária — disse, antes de bater a porta.

João ficou parado, sentindo o peso do silêncio após a tempestade. Ele sabia que havia exagerado, mas estava tão frustrado quanto ela.

A Reconciliação no Carro

Maria não foi longe. Estacionou em uma rua tranquila, encostou a cabeça no volante e deixou as lágrimas caírem. A raiva logo deu lugar à saudade, e ela sabia que precisava resolver aquilo. Antes que pudesse pegar o celular, ouviu uma batida na janela.

João estava ali, o rosto tenso, mas com os olhos cheios de arrependimento.

— Entra no carro — ela disse, secando as lágrimas.

Ele obedeceu sem hesitar. Assim que fechou a porta, virou-se para ela. — Eu sinto muito, Maria. Eu nunca quis fazer você se sentir assim.

Ela suspirou, segurando a mão dele. — Eu também sinto muito. Estamos ambos dando tudo de nós, mas esquecemos de dar atenção ao que mais importa: nós dois.

João a puxou para um abraço, mas logo o contato se transformou em algo mais. Ele beijou-a com intensidade, deixando claro o quanto a desejava, e Maria retribuiu com a mesma paixão.

— Você sempre foi meu ponto de equilíbrio, Clara — ele murmurou, entre beijos, enquanto suas mãos deslizavam pela cintura dela.

Maria, tomada pelo desejo, se moveu para o colo dele, as pernas envolvendo-o no espaço apertado do carro. O ambiente ficou carregado de uma tensão irresistível, e eles se entregaram ali mesmo, esquecendo por completo a briga e qualquer outra preocupação.

O calor do momento foi uma lembrança de que, apesar dos desafios, o amor entre eles era mais forte do que qualquer adversidade.

A Final da Copa do Brasil e o Pedido de Casamento
Semanas depois, João estava no ápice de sua carreira. O São Paulo havia chegado à final da Copa do Brasil, e o estádio estava lotado. Maria assistia da arquibancada, nervosa e orgulhosa ao mesmo tempo.

O jogo foi tenso, mas o São Paulo venceu nos pênaltis, e João foi um dos destaques. Quando o apito final soou, o estádio explodiu em comemoração.

João, ainda no gramado, pegou o microfone durante a festa de premiação. O coração de Maria disparou quando ele olhou diretamente para ela, no meio da multidão.

— Essa vitória não é só minha ou do time. É de alguém que me apoia em tudo, mesmo nos momentos mais difíceis. Maria Clara, você é meu maior troféu.

Os olhos de Maria se encheram de lágrimas quando ele tirou do bolso uma pequena caixinha e, diante de todos, se ajoelhou no gramado.

— Quer casar comigo?

O estádio inteiro aplaudiu e gritou em coro: "Diz sim!"

Maria desceu às pressas para o campo e, sem hesitar, respondeu: — Sim, mil vezes sim!

Eles se beijaram em meio à euforia da torcida, e aquele foi um dos momentos mais felizes de suas vidas.

A Visita ao CT do Corinthians

Dias depois, Maria decidiu voltar ao CT do Corinthians para matar a saudade. Embora não jogasse mais, sentia falta da rotina e das pessoas que fizeram parte de sua história.

Ao chegar, foi recebida com abraços calorosos de ex-companheiras e membros da equipe. Alguns jovens atletas a cercaram, pedindo conselhos e autógrafos.

— Ainda tem cheiro de casa — ela comentou, rindo, enquanto olhava ao redor.

O técnico a chamou para dar uma pequena palestra aos jogadores da base, e Maria se sentiu em casa falando sobre superação, trabalho em equipe e paixão pelo esporte.

— Nunca desistam do que amam — disse ela, encerrando com um sorriso.

Enquanto saía, sentiu-se mais certa do que nunca de que estava no caminho certo para se tornar técnica. O futebol nunca a abandonaria, e ela nunca o abandonaria.

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