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A DESPEDIDA E UM NOVO CAMINHO

O dia amanheceu com um misto de alegria e saudade no coração de Maria Clara. O estádio estava lotado, as arquibancadas pintadas de preto e branco, com faixas e cartazes em sua homenagem. A torcida do Corinthians, apesar de tudo, não havia esquecido quem ela era: uma atacante lendária que marcou história com gols decisivos e um carisma que cativava.

Naquela tarde, Maria não vestiria o uniforme para jogar, mas para se despedir dos gramados. O clube organizara uma homenagem à altura de sua trajetória, um evento cheio de emoção que celebraria sua curta, mas brilhante, carreira.

O Discurso de Despedida

Com o coração acelerado, Maria entrou no campo pela última vez, segurando firme a mão de João. Ele estava ao seu lado, como sempre, um pilar de força e amor. O público aplaudia de pé enquanto ela caminhava até o centro do gramado.

João a ajudou a subir em uma pequena plataforma montada para seu discurso. Maria pegou o microfone e respirou fundo, tentando controlar a emoção que ameaçava transbordar.

— Hoje, eu me despeço dos gramados, de um sonho que começou quando eu era apenas uma menina com uma bola nos pés e o coração cheio de vontade. Nunca imaginei que minha carreira seria interrompida tão cedo, mas aprendi que, às vezes, a vida nos desafia a buscar novos caminhos.

A voz dela falhou por um momento, e as lágrimas começaram a cair. João, de longe, acenou para ela com um sorriso encorajador.

— Quero agradecer ao Corinthians, ao meu time, aos técnicos, colegas, e a cada torcedor que sempre acreditou em mim. Vocês foram minha motivação em cada jogo, em cada treino. E quero agradecer também à minha família e a João, que nunca me deixaram desistir, mesmo nos momentos mais difíceis.

Ela fez uma pausa, olhando ao redor, absorvendo cada detalhe.

— Esta é uma despedida, mas não um adeus ao futebol. Ele sempre fará parte da minha vida, de outras formas. E prometo honrar tudo o que vivi aqui, levando essa paixão para onde quer que eu vá.

O estádio explodiu em aplausos e gritos. Jogadores do Corinthians e amigos de outros clubes estavam lá, formando um corredor para Maria. Ela percorreu aquele caminho com lágrimas nos olhos, abraçando colegas e ouvindo palavras de carinho.

A Jornada Acadêmica e o Livro

Com o futebol agora no passado, Maria decidiu focar em algo que sempre a intrigou: o jornalismo esportivo. Ela havia se inscrito em uma universidade de renome e, semanas depois, começou as aulas.

João, orgulhoso, brincava que seria o primeiro a ser entrevistado por ela em uma coletiva de imprensa. Maria adorava a ideia e, pela primeira vez em meses, sentia que estava reencontrando sua paixão.

Entre as aulas e os momentos com João, Maria começou a escrever um livro. Nele, contava sua trajetória no futebol, os altos e baixos, e como o esporte havia moldado sua vida. O livro não era apenas uma autobiografia, mas também uma mensagem de esperança para jovens atletas, especialmente mulheres, que sonhavam em fazer história no esporte.

— "Entre o Amor e o Jogo" — disse ela, mostrando o título a João, que estava sentado ao seu lado no sofá.

— Perfeito — respondeu ele, sorrindo. — É exatamente o que sua história representa.

O Último Aplauso

Alguns meses depois, o lançamento do livro foi um sucesso. Maria se tornou uma referência fora dos gramados, inspirando mulheres no futebol e na vida. Mas, naquela noite de autógrafos, enquanto segurava a caneta e ouvia elogios de leitores, percebeu que o futebol nunca a deixaria. Ele estava em tudo o que ela fazia.

Ao lado de João, Maria encontrou um equilíbrio. A despedida dos gramados era dolorosa, mas também era o início de algo novo e cheio de possibilidades.

E assim, Maria Clara começou a trilhar um novo caminho, com a certeza de que, mesmo longe do campo, ela ainda era uma estrela brilhante no universo do futebol.

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