25
Eu estava nervoso. Muito.
Após findar a ligação com Hyeon, meu coração estava mais acelerado que o normal. Não aceito que meus batimentos cardíacos aumentem assim por uma conversa que não vá me levar a lugar nenhum, prefiro quando Hyunjin me deixa ao ponto de ter um ataque cardíaco com muito menos tensão.
— Felix?
Puta merda. Qual é a dessa família de querer me matar do coração, Santa divindade?
— Junghyun, sério, se eu fosse um covarde medroso, teria gritado de susto. — Fingi tranquilidade, andando até a geladeira e fazendo o que iria fazer: tomar água e levar um pouco para meu namorado.
Sim, eu literalmente encho a boca com as palavras meu namorado, por que sim, ele é real e oficialmente, meu namorado.
— Desculpe, vou fingir que não vi suas pernas tremerem. — Ele riu, se aproximando do balcão e se sentando nos banquinhos redondos ali. — Aconteceu algo? Você parecia tenso quando desligou o celular.
Eu espero, de verdade, que ele não tenha ouvido nada.
— Ah, não foi nada. — Sorri, enchendo o copo de água e bebendo um pouco. — Coisas da faculdade, um colega me ligou.
— Entendo... — Ainda meio desconfiado, ele respondeu.
— Vou... Vou levar esse copo com água para Hyunjin. — Joguei o resto da água que estava no copo na pia e coloquei mais um pouco depois, sentindo o olhar penetrante de Junghyun em minhas costas o tempo todo.
— Preciso falar algo com você, Lixie-ssi. — Suas palavras saíram tranquilas, me fazendo suspirar ao notar que havia esquecido do que ele tinha me dito quando saiu do banho, hoje mais cedo.
— Claro! — Sorri, me virando para ele.
— Bem, você sabe que semana que vem eu-
— Felixie? — Antes que ele terminasse de falar o que queria, a voz de Hyunjin o interrompeu. — Ah, papai! — Mais animado, ele veio até nós, tropeçando nos próprios pés no meio do processo e me fazendo rir baixinho.
— Cuidado, filho!— Junghyun também riu, segurando Hyunjin pela cintura quando ele lhe abraçou. — Por que saiu do quarto? Já está tarde e amanhã você tem aula.
— V-vim ver porque o Lixie demorou... — Explicou, me arrancando um riso curto.
Disse quando me deu sua atenção, tentando não sorrir quando seus dedos tocaram os meus e ele ficou ali, segurando o copo junto a mim.
— Conversamos amanhã, Felix-ah. Vão dormir porque os dois têm aula logo cedo. — Apesar da repreensão, Junghyun sorria enquanto fazia o mesmo que eu alguns segundos atrás, pegando um copo e encher de água.
— Boa noite, pai! — Hyunjin respondeu, pegando o copo de minha mão e bebendo o conteúdo dali rapidamente, se aproximando de Junghyun mais uma vez para lhe dar um beijinho na bochecha e um abraço apertado.
— Boa noite, Junghyun! — Eu disse, seguindo caminho até a porta da cozinha, sendo impedido quando meu sogrinho me segurou no braço e me puxou para um abraço apertado também.
Gente, eu juro que senti vontade de chorar.
— Boa noite, meninos. — Ele respondeu se afastando de mim e sorrindo para Hyunjin, dando espaço para que fizéssemos o que ele havia dito para fazer.
Em silêncio, eu e Hyunjinnie subimos as escadas e fomos em direção ao seu quarto. Quando chegamos, ele foi direto para a cama e se deitou de costas para mim, balançando os pés cobertos por meias lilás.
— Que dia longo. — Eu disse, caminhando até onde ele estava e sorrindo ao perceber a ansiedade que corria em seu corpo. — Essa ansiedade toda é para dormir agarradinho comigo? — Provoquei, tocando com suavidade seu braço.
— V-você está igual...— Ele disse, virando-se em minha direção.
Certo, não esperava por isso.
— E você tem razão. — Sorri, finalmente me deitando ao seu lado. — Sempre fico ansioso pra ficar perto de você.
— Q-queria dormir com você t-to... Toda noite. — Suas palavras fizeram com que meu coração acelerasse mais uma vez.
E, mais uma vez, eu não estava esperando por isso.
— Podemos fazer isso mais vezes, se seu pai deixar. — Respondi, fingindo que não estava praticamente surtando com sua confissão.
Com cuidado, me aproximei mais dele e meu sorriso se abriu instantaneamente quando Hyunjin se deitou em meu peito, rodeando minha cintura com seus braços e me dando acesso ao cheiro suave de seus cabelos compridos.
— P-papai gosta de você, felixie... — Disse baixinho, parecendo sonolento. — Confia.
— Confia em mim? — Sabendo exatamente a resposta, perguntei com um sorriso pequeno permanecendo em minha boca.
— Sim... — Bocejou. Levando a mão, que tocava em minha em minha cintura, ate a seus olhos cansados. — C-confiamos. — Completou.
— Espero fazer coisas dignas dessa confiança que vocês tem em mim... — Meio incerto e emocionado, disse tão baixo quanto ele, como se fosse um segredo nosso sendo contado apenas para que nos dois ouvissem.
— Você já fez e f-faz. — Continuando sua fala, ele disse enquanto um sorriso pequeno nascia em seus lábios e seus olhos se fechavam vagarosamente.
Não sei se ele sabe, mas falar sobre isso me deixa emocionado e muito feliz. Hyunjin ja mostrou varias vezes que confia muito em mim, tanto ele quanto sua família. Eu acho que ganhei na loteria dos sentimentos por ter pessoas tão especiais gostando de mim e me aceitando como parte de sua família.
Mesmo sem ter a intenção, tenho a sensação que os Hwang me adotaram assim que pisei o pé nessa livraria pela primeira vez. Hwang-hee e Junghyun são caras que, inevitavelmente, começaram a me dar um ar de figuras paternas.
E Hyunjin foi se tornando o amor da minha vida.
— Quer dormir assim? — Tentando não demonstrar minhas emoções com a sua confissão, perguntei ao deixar um beijo em sua cabeça.
— Não é c-confortável para você, Lixie . — Respondeu bocejando mais uma vez, se afastando de mim lentamente e deitando onde estava quando saí, de costas para mim.
Como alguém pode ser fofo até bocejando?
Entendendo perfeitamente seu pedido silencioso, me aproximei mais uma vez de si e, com o mesmo cuidado de sempre, rodeei sua cintura com meu braço e sorri ao mesmo tempo que suspirei. Posso finalmente ter uma boa noite de sono e amanhã irei acordar pensando que tudo possivelmente não passou de um sonho.
Aí vou ver Hyunjin do meu ladinho e perceber que ele realmente é meu namorado.
— Boa noite, docinho. — Sussurrei em seu ouvido e deixei um beijo em sua bochecha antes de finalmente deitar minha cabeça no travesseiro e ouvir sua risadinha preguiçosa.
— Boa n-noite, Lixie.
Em silêncio, fomos adormecendo no calor confortável que nos envolvia. Amanhã seria mais um dia longo, mas não me importa agora, estou dormindo abraçadinho com meu namorado e não tenho estruturas para pensar em nada desagradável.
Minha mente vaga apenas por Hyunjin e todos os acontecimentos de hoje mais cedo, principalmente, nele em minha frente abrindo a caixinha de alianças e sorrindo meio nervoso, ou envergonha, ou talvez emocionado...
Não sei, mas eu chorei de amor.
[...]
— Acorda ele com um balde de água gelada e está tudo certo. — Conforme meus olhos abriam e minha mente se voltava para a realidade novamente, a voz de Seungmin foi a primeira coisa que ouvi.
— Estamos q-quase no inverno, Seungmin! — Hyunjin protestou, se sentando na própria cama, à minha frente. — O Felixie p-pode... Pode ficar doente.
Sorri, me mexendo na cama e olhando para o teto.
O que estava acontecendo?
— Se bem que o cabeçudo realmente fica doente facil... — seungmin murmurou, parecendo pensativo. — Vamos, felix, acorda se não você vai se atrasar para a faculdade.
Prefiro quando Jeongin me acorda aos berros.
— Era só um dia de paz... — Foi a primeira coisa que eu disse, me espreguiçando e rindo fraquinho quando os dedos longos de Hyunjin entraram em contato com meu cabelo, fazendo um carinho gostosinho.
— Seus dias de paz acabaram no dia que você me achou dando sopa naquela boate lotada. — Ele respondeu nitidamente sem paciência, suspirei.
— Você d-dava sopa em festa? — Parecendo confuso, hyunjin perguntou.
Minha risada foi tão sincera que cheguei a assustar Hyunjin, que tirou a mão de meu cabelo rapidinho.
— É só um modo de dizer, hyun. — Seungmin deu uma risada nasal negando com a cabeça e se levantou , causando barulhos de passos. — Agora diz pro seu namorado levantar logo porque não temos o dia todo.
E eu levantei tão rápido após ouvir a frase "seu namorado" que minha visão escureceu.
— Lixie? — A voz de Hyunjin ecoou por meus ouvidos, me fazendo arregalar os olhos e notar que estava em seu quarto, em sua cama e com seu pijama.
Olhei para minha mão direita e meus olhos cresceram novamente ao ver a aliança de resina com florzinhas azuis e alguma coisa dourada e, aos poucos, as lembranças do dia de ontem foram invadindo minhas memórias. O piquenique, sua cartinha, os docinhos, seu pedido... Meu Deus, aconteceu.
— Felixie- — Antes que ele pudesse terminar de falar, lhe abracei rápido, envolvendo seus ombros em um abraço meio desengonçado quando ele, mesmo que confuso, retribuiu meu toque ao circular minha cintura com seus braços. — A-aconteceu alguma coisa?
— Bom dia, namorado. — Foi a primeira coisa que eu disse, me afastando de si e sorrindo quando suas bochechas e orelhas ficaram tão vermelhas quanto seu nariz nesse frio de uma manhã gelada em Seul.
— Bom dia, lixie namorado . — Ele sorriu, movendo as mãos de um jeitinho engraçado. — D-dormiu bem?
— Como um anjinho, acredita? — Ele balançou a cabeça, rindo fraquinho quando ajeitei os óculos que desciam devagarinho por seu nariz. — Ao lado de um anjinho, na verdade.
— Feli-
— Agarrado em um anjinho como um coala agarra um eucalipto, você quis dizer. — Jeongin apareceu no quarto de Hyunjin me fazendo arregalar os olhos.
— Cadê a privacidade dessa casa? — Resmunguei, me afastando de Hyunjin e me levantando da cama.
— Bom dia para você tambem. — Ele disse com um sorriso curto nascendo em seus lábios, olhando para mim e Hyunjin l como se fôssemos criaturas divinas.
—I-Innie veio logo cedinho. — Hyunjin murmurou, segurando as mãos juntas uma da outra e balançando sua perna.
— Junghyun disse pra você se arrumar rápido porque não tem o dia todo. — Meu melhor amigo deu de ombros, me deixando de olhos arregalados.
Só então eu me lembrei que estava realmente na casa de Hyunjin e tinha que ir à faculdade.
— Por que não me acordaram mais cedo? — Perguntei ao me levantar completamente da cama, caminhando apressado até a saída do quarto para escovar meus dentes e fazer minha higiene matinal.
Eu sequer tive muito tempo para pensar em muita coisa, só sai desesperado por imaginar que meu sogro estava lá embaixo me esperando e xingando até a quinta geração da minha família. Então cai na risada com a boca cheia de espuma da pasta de dente ao lembrar que estava falando de Hwang Junghyun, é possível que xingamentos nunca tiveram um espaço, nem que mesmo o menor de todos, em seu vocabulário politicamente correto.
Daí vem a carinha brava de Hyunjin sempre que eu ou algum dos meninos falamos palavrões que Junghyun deve ter ensinado serem ruins. Meu namoradinho educado e anti xingamentos.
Meu Deus, dei um sorriso largo com esse pensamento.
— Felix, deixei as roupas que trouxe para você na cama de Hyunjinnie. — Jeongin disse ao dar duas batidinhas.
— Está bem, obrigado. — Mesmo que ele não estivesse me vendo, sorri.
— Estamos te esperando lá na cozinha! — Foi a última coisa que ele disse e eu sorri mais uma vez ao concordar.
Tudo estava tranquilo, ate eu lembrar da pequena conversa que tive com Seong hyeon ontem antes de dormir com Hyunjin. Minha barriga gelou instantaneamente quando as palavras " Tem haver com Hyunjin também" se passaram por minha memoria.
Seja lá o que for que esse cara tem para me dizer, sinto que não vai ser legal. Ainda mais depois de ter certeza que ele tem algum envolvimento com... Aquele homem.
Ou vai saber se ele só ta me arrastando para algum lugar para me espancar, ja que Ji-hoon disse que ele me faria uma " visitinha". Mas esta fora de cogitação, vamos nos encontrar na cafeteria da Joo.
— Preciso parar de ter esses pensamentos ruins. — Murmurei para mim mesmo, suspirando e saindo do banheiro apos fazer o que deveria ser feito.
Caminhei tranquilamente ate as escadas no fim do corredor, mas parei ra
meio assustado quando lembrei que tipo de roupa eu estava vestindo. Eu particularmente amei esse pijaminha que Hyunjin me emprestou, mas não estou afim de ser zoado por Seungmin o resto da vida caso ele me veja com isso.
Ta certo que ele me viu vestido quando invadiu o quarto de Hyunjin, mas isso a gente pode tentar esquecer.
Com base nesse pensamento, corri de volta para o quarto e suspirei aliviado quando encontrei as roupas que Jeongin havia me falado, encima da cama.
— Um pitel. — Falei para minha própria imagem no espelho grande no closet de Hyunjin, imitando o jeito engraçado que Jisung refere-se a si mesmo.
Mas o que me deixava ainda mais bonito, era a aliança que enfeitava meu dedo anelas da mão direita.
— Será que Felix ainda vai demorar? — A voz de mamãe foi a primeira que eu ouvi quando me aproximei da cozinha, me fazendo sorrir.
— Deve estar se emperiquitando pro hyunjin. — Seungmin respondeu, me fazendo revirar os olhos e arrancando risadinhas de todos ao redor da mesa.
— l-lixie fica lindo a-ate... Ate de cabelo bagunçado e babinha na boca. — E foi a vez de Hyunjin falar.
Eu quis sumir naquele exato momento. Foi fofo confesso, mas meio constrangedor.
Ainda mais depois que todos riram baixinho e Hwang-hee disse que Hyunjin era o bobinho apaixonado mais bobo que ele já conheceu.
Ele estava me chamando de feio indiretamente?
— Vai ficar parado aí o tempo todo, felix-ssi? — Jeongin chamou minha atenção.
Repito novamente: Momento perfeito para sumir.
— A-ah... Hahaha, que coisa... — Foi a única coisa decente que saiu pela minha boca.
Está bem, nem tão descente assim.
— Bom dia, Felix-ah.— Junghyun foi o primeiro a dizer e sorri em sua direção, suspirando aliviado.
— Bom dia, Junghyun! — Respondi, caminhando até minha mãe e lhe dando um beijo na testa, sendo recebido com um sorriso curto. — Bom dia, mamãe.
— Bom dia, filho, dormiu bem?
A senhora não tem noção...
Me sentei ao lado de Hyunjin e, mesmo que eu tentasse disfaçar, me senti envergonhado quando o olhar de todos ali se concretizaram em nos, mesmo que eles tentassem disfarçar.
Comemos em um silencio confortável, sendo interrompido apenas por Jeongin e Hwang-hee que conversavam entre si sobre algumas plantas ou coisas do tipo. No decorrer do assunto, Hyunjin foi incluso e começou a dizer parcialmente sobre as flores que queria e ainda não tinha.
Me atentei no assunto, mesmo que discretamente, e descobri que ele queria uma rosa do deserto. Com certeza deve ter algum significado, ja que ele sempre se atenta a esse detalhe e anotei mentalmente que precisava descobrir o que elas significavam.
Ou talvez são apenas bonitas, vai saber.
— Vamos, deixo Hyunjin na escola, vocês na faculdade e a tia Taeyeon em casa. — seungmin anunciou quando acabou de comer, ja que ele era um dos únicos que ainda estava comendo.
— V-vou pegar minha mochila. — Hyunjin disse ao se levantar, soltando minha mão e seguindo caminho para seu quarto.
Nos — Eu, Innie, Seungmin e mamãe — esperamos ele na livraria enquanto enquanto os hwangs mais velhos terminavam seu café da manha.
— Amei seu look de hoje mais cedo. — Seungmin chamou minha atenção, me fazendo revirar os olhos.
— Que look? — Confusa, mamãe perguntou.
— O pijama de moranguinhos que o Hyun emprestou para ele. — Junghyun respondeu quando se aproximou de nos, me fazendo corar.
— Deve ter ficado lindo. — E minha mãe completou o combo de vergonha.
Nem são oito da manhã e ja estão nisso?!
Acho que o proposito de vidas deles as vezes é me deixar envergonhado.
— C-cheguei! — hyunjin disse assim que parou no fim das escadas, caminhado apressado ate onde nós estávamos enquanto tinha a mochila abraçada contra seu corpo.
— Vão com cuidado. — Junghyun disse se aproximando do meu namorado e lhe dando um beijo na testa, sussurrando algo que não pude ouvir.
— Boa aula, meninos! E boa sorte no possível novo emprego, Taeyeon! — Meu chefe disse sorridente assim que se aproximou de nos, nós abraçando pelos ombros rapidamente.
Eu amo a energia dessa famila. Amo o contraste de personalidade e a bondade explicita em cada gesto e palavra que os Hwangs fazem e falam.
Amo o jeitinho agitado de Hwang-hee e o jeito reservado, mas muito carinhoso e gentil de Junghyun e Hyunjin. Como meu chefe disse ontem, os dois são praticamente iguais nessa questão, mesmo que Hyunjin ainda seja um pouquinho mais reservado e timido para certas questões, que o pai.
É um belo jeito de começar um dia, ao lado de pessoas que gostam de mim e não esperam mais do que eu possa oferecer. Acordar com meu namorado acariciando meus cabelos enquanto eu abraço seu travesseiro pensando que é ele ali.
Mesmo que não vá ocorrer com tanta frequência, não nesses primeiros meses de namoro — Sim, digo isso porque realmente quero ter um futuro ao lado do meu docinho— Mas sei que com o decorrer do tempo, as coisas vão se ajustar e nossa rotina vai mudar para a melhor.
Sei também que mudanças de rotina deixam Hyunjin cansado e sobrecarregado, mas também sei que ele quer essas mudanças. Ele deseja essas mudanças tanto quanto eu.
🧚🏻♂️👨❤💋👨
— Vai direto para a livraria? — Jeongin perguntou enquanto andávamos pelos corredores da universidade, em direção as nossas salas. — Depois das aulas, quero dizer.
— Ah, sim. Não vai dar de passar em casa.— Respondi, suspirando. — Eu esqueci de te falar, mas vou conversar com o Hyeon hoje...
— Como é?! — Surpreso, ele gritou.
Preciso conversar com ele sobre ser um pouquinho mais discreto.
Ah, mas não vai adiantar. Tem doze anos que eu conheço Jeongin e ele sempre foi assim, e eu amo esse jeitinho escandaloso.
— Sim, decidi ouvir o que aquele babaquinha tem pra falar. — Sorri sem humor, suspirando em seguida. — Ele me ligou ontem a noite.
— Como ele conseguiu seu número?
— Com... Meu pai. Eu acho. — Disse rápido, mordendo o lábio inferior e aguardando o que veria logo após.
— O que?! — Como esperado, ele parou de andar, me puxando para que ficássemos parados entre um corredor e outro, me olhando meio incrédulo — Como seu pai tem seu número?! E... Calma, quando isso aconteceu?
— Ontem, você lembra de ter me visto conversando com ele na hora da saída, não é?
— E quem esquece daquela cara de preocupação que aquele cara tinha? — Perguntou retórico, me fazendo rir baixinho.
— Ontem eu estava conversando com jisung na livraria e Ji-hoon me mandou umas mensagens e... E nessas mensagens ele dizia que Seong Hyeon iria me fazer uma "visitinha" — Fiz aspas com os dedos, suspirando. — Não sei como aquele cara conseguiu meu número ou o que está pensando em fazer, só sei que fiquei irritado quando Hyeon tocou no nome de Hyunjin.
— Hyunjin? — Ele arregalou os olhos, mordendo o lábio inferior. — Isso está estranho...
— Pra cacete. — Concordei. — E outra, ainda tenho que falar com o hyung professor dele hoje. — Dei uma risada sem humor, negando com a cabeça.
— Ciumento. — Ele disse, cutucando minha bochecha. — Minha opinião sobre aquilo do professor bonito gostar de Hyunjin, acho que é tudo coisa da sua cabeça e daquele Jack doidão. — Deu de ombros, me fazendo rir.
Ele ainda não vai com a cara de Jackson, mesmo que nunca tenha sido apresentados e por achar que meu novo — Nem tão novo assim — amigo tentou roubar seu lugar como amigo de fofoca.
— Vou descobrir isso hoje. — Foi o que eu disse, vendo o olhar de surpresa de Jeongin cair sobre mim.
— Vai perguntar a ele sobre isso? — Verbalizando sua surpresa, ele perguntou.
— Com certeza. Hyunjin agora é meu namorado e quero que todos saibam disso e não tentem interferir. — Respondi, ficando meio envergonhado quando Jeongin riu e me deu um tapinha no braço, concordando.
— Isso ai, Lixie! Tenha atitude! — Incentivou, voltando a caminhar, junto a mim, em direção a sua sala. — Já que pro pedido não teve...
— Jeongin! — Meio ofendido com sua última frase, disse me virando para ele e lhe encontrando com um sorriso grande estampado em sua boca. — Palhaço.
— Estou só orgulhoso por vocês dois! — Se defendeu, me fazendo rir.
— Vai pra sua sala, bobo. — Respondi, ficando envergonhado por suas palavras. — Talvez a gente não se encontre na hora da saída porque vou direto para a cafeteria.
— Me atualize depois! — Falou se afastando, sem tirar os olhos de mim.
— Fofoqueiro!
— Preocupado com meu amigo, é diferente! — Foi a última coisa que ele disse quando virou em direção ao corredor que dava para sua sala.
Dei uma risada curta e segui caminho para minha sala, agradecendo mentalmente por não encontrar Sohui ou Hyeon em qualquer lugar.
Durante a aula, eu tentava a todo custo focar no assunto importante que meu professor estava passando para minha turma, mas volta e meia, minha cabeça viajava para o dia de ontem e sobre como tudo tinha se desenrolado.
Isso possivelmente vai ficar na minha cabeça por muito tempo e ira me fazer sorrir tão bobo quanto eu estou sorrindo agora. Confesso que nunca na minha vida eu imaginaria que o pedido de namoro e o grande passo dado, seria feito por Hyunjin!
E isso me deixa muito, muito feliz mesmo. "Quero você todos os dias na minha vida, quero acordar cedinho e ter certeza que vou ver seu sorriso de dentinho torto" Uma das frases que mais me fizeram chorar enquanto lia sua cartinha, ecoou por minha cabeça.
Ele gosta até do meu dente torto!
— felix oppa? — A voz de uma das garotas da minha turma me tirou do mundo dos pensamentos. Balancei a cabeça e levantei meu olhar.
— Hum, sim? — Confuso, perguntei.
Era Yoorin com um de seus seus amigos e colega de classe nosso, em volta de minha mesa. Eu nunca tinha trocado uma palavras sequer, além de cumprimentos, com as pessoas da minha turma.
Eles ainda têm certo receio de falar comigo por conta do escândalo no ano passado, imagino eu.
— Nós vamos a um clube hoje a noite para comemorar nosso semestre que passou, pensamos em te convidar... — Min-jun confessou baixo, ele era meio tímido também.
— Ah, agradeço pelo convite, mas eu trabalho até tarde... — Meio sem graça, cocei a nuca e ri sem humor, olhando para os três.
— Entendemos... Mas, se você mudar de ideia e quiser dar uma passadinha lá, esse aqui é o endereço. — Yoorin deu um sorriso simpático, me entregando um papel. — Vamos ficar lá até meia noite, Oppa.
— Tudo bem, Yoorin, agradeço. — Peguei o papel de sua mão e sorri em agradecimento.
Eu nunca tinha me aproximado dos meus colegas e isso me deixa meio tranquilo também, temos uma relação amigável legal, mesmo que não sejamos realmente amigos. Apenas estudamos juntos.
— S-saiba que eu não acredito em nada do que contam por ai, hyung. — Min-jun disse, me deixando confuso.
Eles possivelmente devem ter percebido meu distanciamento das pessoas depois que voltei para a faculdade. Quando saí, era uma turma completamente diferente, hoje em dia eles são dois períodos mais avançados que eu.
Mas eu estou melhor assim. Meus amigos de verdade não me deixaram na mão depois de tudo o que rolou — Jeongin, Seungmin e Changbin, no caso — E eu fico ate agradecido por isso.
— Tudo bem, Min-jun. — Sorri, negando com a cabeça e me levantando. — Já está tudo resolvido, mas agradeço pelas palavras.
Me afastei deles, acenando com a mão e seguindo caminho para fora da sala.
— Nós vemos depois! — Eu disse, sorrindo.
Foi legal da parte deles, confesso. Mas não vou a uma festa em um clube, tenho coisas mais legais e interessantes para fazer.
Tipo organizar a festinha de aniversário de Hyunjin e fazer desse dia um dos mais felizes de sua vida.
— Felix? — A voz de Hyeon me trouxe de volta ao mundo real assim que atravessei o corredor que dá para a saída da universidade.
— Ah, oi. — Respirei fundo, tentando entender o que eu estava fazendo da minha vida quando aceitei sua proposta.
— Oi. — Ele disse, passando as mãos de maneira nervosa nas laterais de sua calça. Fiquei confuso.
— O que você quer me dizer? — Fui direto, sem querer perder tempo com a sua companhia nada encantadora.
—Tem que ser privado... — Foi o que disse, me fazendo revirar os olhos.
Ele estava nitidamente nervoso e isso me deixava confuso. Ele parecia até outra pessoa depois das férias de verão e me intriga saber que ele estava em Busan também com o possível namorado.
Que, coincidentemente, era o garçom gentil que deu aquele picolé de bolo para hyunjin. — Ainda não sei o nome daquele treco.
E eu estou com um misto de ansiedade e desgosto por conta dessa tal conversa.
— Vem. — Foi tudo que eu disse, sentindo meu coração acelerar de repente.
Nós ficamos em silêncio por todo o caminho. Não encontramos Sohui ou Jeongin durante a saída da Universidade e nenhum empecilho para chegar na cafeteria.
— Vou falar com a Joo. — Falei assim que entramos e ele concordou com a cabeça, caminhando até uma mesa afastada.
Joohyun pareceu surpresa quando me viu ali, mas o sorriso amigável que nasceu em seu rosto me deixou menos tenso.
— Acho que você confundiu os dias mais uma vez. — Foi a primeira coisa que ela me disse, me fazendo rir.
— Boa tarde para você também, amiga! — Em um tom brincalhão, eu disse.
— Decidiu que docinhos vai pedir para seu docinho e veio dizer pessoalmente? — Sem perder tempo para me deixar meio constrangido, ela disse.
Se ela soubesse...
— Bem, na verdade... — Mordi o lábio inferior, levantando minha mão direita até a altura de seus olhos e contendo um riso baixo quando ela ficou surpresa.
— É o que eu estou pensando?! — Concordei com a cabeça, vendo ela pular animadinha — Porra, Felix! Que linda! Por que não disse que iria pedir ele assim, do nada? Se emocionou e-
— Joo, calma! — Ri alto, negando com a cabeça. — Foi... Foi meu namorado quem pediu...
Eu estava completamente envergonhado em dizer aquilo, mas muito feliz em dizer também.
— Hyunjin?! O garoto tímido de quem você tanto fala?! — E então, ela riu, me fazendo revirar os olhos.
— Que foi? Ele é tão capaz de fazer isso quanto qualquer outra pessoa! — Cruzei os braços, mordendo o lábio inferior mais uma vez.
Oras, Hyunjin é capaz de fazer qualquer coisa.
— Eu sei, bobinho. Só estou te zoando. — Ela disse com suavidade, ainda sorrindo. — Estou feliz por você e pelo meu degustador favorito de tortinhas de morango. Mas o que você está fazendo com aquele cara?
De repente, meu sorriso foi diminuindo conforme eu me lembrava o que eu estava fazendo ali.
— Esse cara andava implicando comigo na faculdade, mas de uns tempos para cá tem estado muito estranho. — Disse mais baixo para ela, quase que em um sussurro. — Ele disse que tem uma coisa séria para me dizer, mas se você perceber que ele vai levantar e querer quebrar minha cara, liga para a polícia.
Melhor prevenir do que remediar, não é?
— Calma, ele vai tentar te matar e você trás ele para a cafeteria da minha mãe?
— Você está preocupada com isso? — Segurei o riso, vendo ela negar rapidamente.
Com a confirmação de que ela faria o que eu pedi, caminhei de volta para a mesa que Hyeon havia escolhido e suspirei quando sentei, lhe olhando nos olhos e esperando que ele começasse a dizer o que queria.
— Está bem, olha... — Ele começou. Era nítido seu nervosismo. — De onde... Quero dizer, como sabe que também sou gay?
Ok, eu esperava tudo, menos isso.
— Você está preocupado com sua reputação de macho alfa comedor de meninas? — Franzi o cenho, vendo ele negar desesperadamente.
— Eu só quero saber como você chegou nessa conclusão.
— Vi você com seu namorado lá em Busan. — Foi o que eu disse, analisando cada reação sua.
Ele levantou a cabeça e me olhou, parecendo confuso e meio decepcionado.
— Você foi mesmo para Busan? — A pergunta saiu genuinamente confusa de sua boca.
As coisas aqui estavam mais confusas que o normal.
— Responde minha pergunta. — Exigiu, ri sem humor.
— Você não está na posição de exigir alguma coisa. Sei que está metido com as atrocidades que meu... Que Ji-hoon faz e pode se ferrar muito se ele for preso. — Cansado de toda a sua enrolação, eu disse rápido, vendo sua expressão se tornar assustada em questão de segundos. — Se for para dizer algo importante, diga algo importante.
— Era justamente disso que eu queria falar, Felix... — De repente, ele pareceu acanhado demais.
Estava completamente diferente do babaquinha que costumava me perseguir nos corredores da Universidade.
— Está bem, você tem... — Olhei as horas em meu celular, checando o horário. — Meia hora para tentar me fazer entender o porquê dessa conversa sem sentido.
— Aquele garoto não era meu namorado. — Disse rápido, ergui uma sobrancelha e esperei que continuasse com suas palavras. — Era meu irmão.
Ok, agora quem esta chocado sou eu.
— Irmão? — Foi a única coisa que consegui verbalizar.
— V-você... Você não se lembra mesmo de mim?
Ok, ok, ok... O que está rolando aqui?
— Me lembrar de... Você? — Verbalizando minha confusão, eu disse sem realmente entender o que diabos ele estava falando.
Minha memória é realmente muito fraca, não consigo me lembrar bem de coisas que aconteceram a, sei lá, dois anos.
— A gente já... Já ficou ou alguma coisa do tipo? Eu não lembro bem das coisas que fazia quando bebia...
Seria meio nojento se ele confirmasse isso. Já que, bem, eu não me imagino fazendo esse tipo de coisa com um cara como Hyeon. Deus me livre.
Está bem que ele é bonito. Mas, não.
— Não, Felix. — Respondeu, respirando fundo. — Eu estudei com você até o sétimo ano do fundamental.
Ok, novamente, eu estou chocado.
— A gente nunca mais se viu depois que me mudei de escola, mas eu lembro bem de você me ajudando com uns garotos que enchiam meu saco.
Pela terceira vez, estou chocado.
Eu nem consigo pensar direito.
— Garoto, calma... — Respondi, colocando a mão em meu peito e respirando fundo.
— Eu quis te dizer desde o momento que te vi, lá no supermercado... Mas não aconteceu, foi... É tudo meio complicado. — Explicou, me deixando ainda mais confuso.
— E você queria que eu me lembrasse se um garoto que conheci a, sei lá, oito anos?!
Foi a única coisa que consegui dizer, sem ter muito tempo para digerir o que ele estava me dizendo. — Você não está brincando com minha cara não, né? Não queria dizer isso, mas estou em uma situação difici-
— Felix, calma. — Ele pediu, respirando fundo. — Eu fui obrigado a fazer aquelas coisas, desde o dia no mercado até aquela festa idiota de Sohui.
Pode estar sendo repetitivo o que irei dizer, mas estou chocado.
— O... O que?
— Sei que é meio difícil de acreditar, e-eu mesmo não acreditaria, mas-
— Está sendo muito difícil de acreditar. — Interrompi, rindo sem humor.
Mas ele está sendo sincero. Sua expressão denuncia sinceridade e preocupação, pela primeira vez, ouso dizer que Hyeon não usa uma máscara para falar comigo.
— Me deixa explicar tudo do início, por favor. — Ele pediu, me olhando de maneira suplicante.
Tudo que eu fiz foi concordar, afinal, isso está tão interessante quanto é estranho.
— Eu me mudei de escola depois que meu pai faleceu, as coisas lá em casa ficaram... Complicadas. — Deu uma pausa, respirando fundo. Pensei em dizer algo, mas não saiu nada de minha boca. — Fui transferido para uma escola pública e essas coisas, não vou explicar nada do que eu passei porque seria um drama a mais, mas só queria deixar claro que não foi fácil.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos, não sei dizer se estava esperando uma fala minha, mas se estava, ela não veio. Eu estava tentando realmente acreditar em tudo que ele dizia, sua sinceridade era a principal chave para isso, mas às vezes as pessoas mentem tão bem que fica até difícil de acreditar e confiar nelas novamente.
— E como você veio parar em Seul e estudando em uma das melhores universidades daqui? — Foi o que eu perguntei. — Se bem que não lembro de nenhum Hyeon na minha sala...
— So Seong Hyeon foi o nome que seu pai me deu quando me mandou para cá. — Voltou a dizer, me deixando desconfortável com a forma que se refere a aquele homem. — Meu nome é Lee Taemin.
" Você estudou com meu irmão até o início do fundamental!", " Sou Lee Dino, Hyung!" Não é possivel...
— Isso... Porra, isso é bizarro. — Foi tudo que saiu pela minha boca, eu não sabia o que pensar naquele momento. Estava tudo se encaixando.
Hyeon — Taemin, na verdade — Me pareceu familiar quando o vi pela primeira vez lá naquele mercadinho, mesmo que não consiga me lembrar dele, ele é familiar.
E... Cacete, isso é tão estranho!
— Não precisa falar nada, apenas escuta. — Ele disse antes que eu pudesse falar alguma coisa, mordendo o lábio inferior e respirando fundo antes de continuar — Seu pai me conheceu através de Jungkook, sei que aquele desgraçado foi um filho da puta com você e acredite, comigo também foi.
Não estou apenas chocado, estou abismado.
— Depois que Jungkook sumiu, seu pai me contatou me oferecendo uma boa grana para me passar por outra pessoa. — Voltou a dizer, me fazendo arregalar os olhos pela milésima vez naquela tarde. — Eu neguei a princípio, era completamente criminoso o que ele estava me propondo...
— Mas você aceitou. — Conclui, suspirando.
— Meu irmão mais novo tem o sonho de ser médico, Felix, eu criei ele praticamente sozinho porque minha mãe passava quase dezoito horas trabalhando para conseguir sustentar a gente. — Deu uma pausa, negando com a cabeça. — Você não sabe o quanto eu me arrependo de tudo o que fiz, da maneira que tratei você... — Sua mão direita tocou a minha, que estava apoiada sobre a mesa de madeira abaixo de nós.
Certo, isso foi muito estranho.
— Que isso, cara? — Afastei minha mão, lhe olhando meio torto. — Se explica sem me tocar, está bem Hy... Taemin?
— Certo. — Encolheu as mãos contra o corpo, as deixando fora do alcance de meus olhos. — Seu pai-
— Pode, por favor, so chamar ele de Ji-hoon? — Interrompi, ficando incomodado mais uma vez.
— Desculpa. — Pigarreou, me fazendo suspirar. — Ji-hoon me ameaçou dizendo que se eu não ajudasse ele, ele faria de tudo para acabar com meus sonhos e o do meu irmão. Disse que eu apenas sairia ganhando, já que receberia um dinheiro alto para fazer quase nada, eu neguei novamente, já que ele não poderia realmente fazer isso sem ser prejudicado...
Ele deu outra pausa, parecendo tomar coragem para dizer a próxima informação.
— A-até... Até que ele disse que iria divulgar um vídeo meu transando com Jungkook.— Disse rapidamente, fazendo meus olhos arregalaram novamente.
E, pela décima vez nesse dia, eu fiquei em completo choque.
— Cara... Isso... Meu Deus... — Neguei com a cabeça, sem realmente saber o que dizer.
— Eu tinha dezessete anos. — Ainda disse, me deixando mais horrorizado. — No vídeo, quero dizer. Me envolvi com Jungkook a muito tempo...
— Quantos anos você tem mesmo...?
— Isso é importante? — Retórico, ele perguntou. Mordi o lábio inferior, sem saber o que dizer. — Fiz vinte anos em julho, passei meu aniversário com minha família...
— Espera, você mentiu até a idade?! — Meio horrorizado, perguntei. Ele abaixou a cabeça, ficando chateado e meio entristecido— Ele fez você mentir a idade...
Jeongin me disse que ele tem vinte e dois anos. Jeongin nunca erra em contar uma informação.
— Eu fui uma completa mentira, Felix. — Meio entristecido, ele disse, me fazendo suspirar. — Se não acreditar em mim, tenho prints aqui que comprovam tudo o que eu disse.
— Por que nunca denunciou ele? Olha as coisas que esse cara fez você fazer! Ainda mais essa chantagem horrivel... Pornografia de menores da prisão, Hye- Taemin.
— Eu sei! Mas seria a palavras de um delegado de respeito contra a de um pé rapado como eu. — Disse com certo deboche, suspirando e abaixando a cabeça. — Mas uma coisa me deu esperanças.
— O que?
— Na noite que vocês conseguiram tirar Taeyeon dele, ele me ligou completamente bêbado dizendo que eu deveria te... M-matar com uma surra grande, você e Jeongin, já que seu amigo conseguiu gravar um áudio muito comprometedor dele. — Confessou, sorrindo curto. — Eu menti dizendo que não estava mais em Busan e que já tinha voltado para minha casa em Seul, ele acreditou e acho que nem se lembra dessa conversa, já que nunca mais tocou no assunto.
— Você... Você esta dizendo que quer denunciar Ji-hoon? —Entendendo bem o que ele queria dizer, sussurrei, como se fosse um segredo.
— Eu cansei de ser esse Hyeon nojento, Felix — Confessou, mordendo o lábio inferior. — A vida que tenho e que consigo proporcionar para minha família foi boa após aceitar a proposta de Ji-hoon, mas não sou feliz fazendo essas atrocidades.
Ok, de todas as coisas que imaginei ouvir aqui, isso com certeza estava fora de cogitação.
— Eu posso ser preso por identidade falsa e outras coisas, mas sei que minha pena pode diminuir se confessar tudo que sei sobre aquele homem. — Concluiu, fazendo minha cabeça girar.
Mas uma coisa não se encaixava, Sohui sabia disso tudo?
— Sua... Sua irmã sabe disso? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar quando ele suspirou.
— Sohui sabe de tudo, ajudou em tudo, faz parte de tudo... — Sua confissão fez a minha vontade de vomitar aumentar mais ainda. — E ela não é minha irmã.
— Você... Ela sabe que está acontecendo isso?
— Não, e é capaz de ter outro surto se saber. — Ele riu sem humor, negando com a cabeça. — Ela toma remédios para controlar os surtos psicóticos que tem, Sohui vê em você um ponto de tranquilidade e prazer. — Completou, me deixando levemente assustado.
— Está dizendo que ela é louca?
— Quando ela disse que era doida por você, é porque ela realmente é doida por você. — Respondeu, abaixando a cabeça mais uma vez.
Eu possivelmente irei surtar com isso mais tarde. Mas, nesse momento, tudo que faço é concordar com a cabeça.
— Se quiser conversar mais sobre isso, pode falar comigo e... Por favor, eu juro que não estou mentindo, me ajuda a prender aquele cara. Eu não sou Seong Hyeon, um cara nojento. — Seus olhos marejaram quando disse as últimas palavras, quando as implorou.
— Por que disse que Hyunjin estava metido nisso? — Foi o que eu disse, franzindo as sobrancelhas e sem saber o que pensar.
— Era o único jeito de fazer você falar comigo. — Confessou, rindo sem humor.
É, ele tem um ponto.
— Quero acabar com a vida de Ji-hoon tanto quanto ele tentou acabar com a minha. — Respondi, me levantando. — Vou te dar esse voto de confiança mesmo depois de tudo o que você fez. — Estendi minha mão em sua frente, esperando que ele a acertasse, coisa que foi feita rapidamente.
— Eu... Nossa, Felix, Jackson realmente tinha razão em dizer que você se tornou um ser humano genial e inspirador. — Ele sorriu meio entristecido, se curvando em despedida.
— Me manda todos os prints que você tem aí, conversamos mais sobre isso depois. — Foi tudo o que eu disse, lhe dando o sorriso mais compreendedor que consegui, me curvando também e vendo ele seguir caminho para fora da cafeteria após dizer que sim, ele faria o que pedi.
Eu estava surpreso e muito chocado, todas as coisas que ele me contou são muito pesadas.
Pornografia, chantagem, falsificação de identidade... Isso com certeza vai ser um escândalo caso seja solto na midia e Ji-hoon preso por todas essas barbaridades.
Se Hyunjin conseguir contar tudo o que viveu quando ainda tinha aquele idiota como professor, ele pode ser incriminado por isso também. Afinal, Hyunjin era literalmente uma criança quando teve o desprazer de conviver com uma pessoa como aquela.
— Sem polícia? — Joo disse quando me aproximei do balcão, me fazendo rir baixinho e suspirar logo em seguida.
— Agora que a polícia entra em ação, Noona. — Respondi, vendo uma expressão confusa em seu rosto.
Isso estava apenas começando.
🧚🏻♂️👨❤💋👨
— Felixie, está t-tudo bem? — Hyunjin perguntou após terminarmos de comer.
Eu cheguei mais atrasado que o normal e ele e Junghyun também tinham se atrasado quando meu sogrinho foi buscá-lo na escola.
Eu já disse que fico feliz com essa aproximação essencial deles, mas também sinto saudades de vir com ele da escola e andar de mãos dadas enquanto ouvimos músicas.
— Esta sim, docinho. — Sorri, fazendo um carinho curto em sua mão. — Tive um longo período na universidade e isso me cansou um pouquinho, como foi na escola?
— F-foi bem! — Sorriu, balançando as perninhas todo animado. — Hyung professor fez um trabalho l-legal na escola, foi di...Divertido.
— Ele falou alguma coisa sobre a conversa que quer ter hoje comigo? — Eu juro que não pensei muito bem quando a pergunta saiu, mas tive vontade de socar meu rosto que ele parou de se mover animadinho e respirou fundo, mordendo o lábio inferior e ajeitando os óculos em seu nariz.
— S-sim. — Deu de ombros, quis rir mas me segurei muito.
Ele fica tão lindinho assim.
— Espero que ele não queira me dar lição de moral por eu namorar o garoto mais adorável desse mundo. — Disse baixinho, me aproximando dele e segurando o riso novamente quando suas bochechas ganharam um tom a mais de rosa.
— V-você é... Você é o garoto mais a-adoravel, Lixie... — Respondeu, me fazendo rir meio envergonhado e levar minha mão até seus cabelos, colocando uma mexinha atrás de sua orelha.— Perto de você, sou no máximo aceitável. — Dei de ombros, dando um beijinho em sua bochecha e não entendendo bem o que ele resmungou depois.
Ele ainda vai fazer meu coração explodir de tanto amor.
— Não diz i-isso, Felix. — Repreendeu, me arrancando mais um riso curto.
Me afastei levemente de si e encarei seu rostinho tão corado quanto o meu, segurando em sua mandíbula marcada e fazendo um carinho curto em seu queixo. Desviei meus olhos para sua boca quando percebi que seus olhos já estavam grudados na minha, piscando os olhos grandes lentamente enquanto segurava fortemente meus pulsos, já que minhas mãos estavam em seu rosto.
— Quer dar bitoquinhas agora? — Perguntei baixinho, levando minha mão até as suas bochechas e fazendo o mesmo movimento que fazia em seu queixo, segurando um suspiro afetado quando ele deitou o rosto contra minha palma, aproveitando os toques suaves.
— S-sim, Lixie. — Um sorriso envergonhado nasceu em seu rosto, sorri e me aproximei mais de si, juntando nossas bocas em um selar demorado.
De repente, a conversa que tive ontem com Jeongin e Seungin invadiram minha mente, fazendo com que eu me afastasse um pouco de Hyunjin.
Ele ainda manteve os olhos fechados e o biquinho fofo na boca, me fazendo sorrir como o bobo apaixonado que sou e suspirar.
— Felix? — Ele chamou depois de um tempinho, abrindo os olhos e com uma expressão confusa tomando conta de seu rosto. — Não m-mais bitoquinhas?
Eu vou explodir de amor.
— Não... Q-quero dizer, sim! — Sorri sem graça, engolindo a saliva com certa dificuldade. — Eu queria te dizer uma... Coisa.
Diálogo é a base de um relacionamento, se não saber se ele quer dar bitoquinha mais íntimas — Vamos chamar assim para não soar tão sem vergonha — Não posso dar as bitoquinhas que envolvam línguas.
Se ele quiser e se sentir bem com isso... Só vantagem.
— Que coisa? — Suas sobrancelhas se juntaram e ele me olhou por segundos contados, parecendo confuso.
— É algo que-
— Felix, já deu tempo de almoçar e tirar uma casquinha do Hyunjinnie! — Jisung apareceu na porta da cozinha, com a mão nos cabelos. — Me ajude com aqueles adolescentes ou eu irei sair daqui direto para um manicômio.
Preciso falar com ele sobre privacidade.
— C-casquinha? — Hyunjin perguntou, me fazendo rir baixinho e deixar mais um selinho curto em seus lábios antes de me levantar.
— Te explico depois, meu namoradinho. — Toquei em seu nariz grandinho, fazendo ele rir e franzi-lo.
— Vou sair daqui com diabetes. — Jisung disse baixinho, revirei os olhos e neguei com a cabeça.
— Hannie chato. — Hyunjin resmungou, cruzando os braços.
— Você é praticamente um adolescente, Hyunjin. Tão chato quanto. — Jisung disse, me fazendo morder o lábio inferior.
Acho que esqueci de comentar o quão implicantes eles ficaram. Hyunjin disse que Jisung era o mais bobão que ele já tinha conhecido, Jisung não se oferece deu com isso, já que sabe que é exatamente uma brincadeira de amigos. Mas não perdeu tempo de chamar Hyunjin de pirralho viciado em bitoquinhas.
Hyunjin não se ofende com isso, tão pouco fica chateado. Ele rir.
Acho que o vínculo que estão criando é de irmãos implicantes, por que não é possível.
— P-pelo menos o Felix me da bitoquinhas. — Hyunjin murmurou, me fazendo segurar a risada. Esse garoto só me dá orgulho. — Jisung nem dá mais.
— Você não sabe como eu dou, garoto. — Jisung respondeu e, sério, eu quase infartei.
— Jisung, silêncio!
Sai de perto de Hyunjin e puxei Jisung pelos braços, parando no balcão da livraria onde tinha um amontoado de jovens à procura de seus livros.
Nós ficamos, pelo menos, uma hora e meia tentando ajudar aquela quase uma dúzia de adolescentes indecisos e confusos sobre os próprios gostos. Mas o bom é que vendemos uns dois livros para cada um, o que rendeu um bom dinheiro.
— Hannie, tenho novidades sobre... Aquilo. — Falei baixo, terminando de guardar o dinheiro no caixa.
— Ji-hoon te importunou de novo? — Mais interessado, ele perguntou.
— Não. — Respirei fundo, mordendo o lábio inferior e pensando em como explicar para ele sobre todas as coisas que Hyeon me contou. — Eu falei com o Seong Hyeon...
— Vixe, já vi que o babado vai ser forte. — Me puxou para uma das mesinhas aqui na livraria, sentando em uma das cadeiras e esperando que eu fizesse o mesmo antes de continuar sua fala. — Diga, o que deu?
— Ele me disse coisas muito pesadas, Hannie. — Suspirei, ficando meio incomodado. — Ji-hoon é um verdadeiro monstro.
— Como assim?
— Hyeon não se chama assim, ele disse que foi chantageado por Ji-hoon para se passar por outra pessoa e seguir cada coisa que ele mandasse... O nome dele na verdade é Lee Taemin. — Expliquei, vendo a expressão chocada de Jisung crescer a cada palavra.
— Acha que ele está falando a verdade? Pelo o que você me disse, ele foi um escroto nojento com você e Hyunjin, não é?
— Ele foi sincero, estava inquieto e nervoso. Faltou chorar enquanto contava... — Confessei, vendo os olhos de Jisung aumentarem. — Ele disse que ajudaria a colocar Ji-hoon na cadeia, iria mandar prints que comprovam cada coisinha que disse.
— Quando ele mandar, me mande também. — Pediu, ficando sério de repente. — Meu tio aceitou a fazer uma investigação secreta contra esse cara.
Pela milésima vez nesse dia, eu estava chocado.
— Sério? Uau isso... Ficou sério. — Sorri sem humor, sem saber o que pensar naquele momento.
— É sério desde o momento que ele levantou a mão para te machucar. — Suspirou, ficando pensativo. — Se tudo der certo, esse cara vai passar o fim de ano atrás das grades.
Por um momento, eu me emocionei ao ouvir aquilo. Estava feliz, eu já podia sentir o gostinho de liberdade e tranquilidade em relação a isso.
— Obrigado, hannie. — Respondi, me levantando e lhe dando um abraço curto. — Vou te contratar para ser meu advogado.
— Ainda faltam alguns meses para terminar a faculdade e conseguir minha carta de licenciatura, felix-ssi. — Ele riu, retribuindo o abraço mesmo desajeitado já que ele estava sentado, e suspirou em seguida. — Mas posso conversar com meus pais, eles são ótimos advogados e conhecem uma pataquada de gente boa também.
— É, eu possivelmente vou precisar de bons advogados. Mamãe também, já que ela quer entrar com a papelada do divorcio e essas coisas. — Mordi o lábio inferior, me afastando dele e me sentando mais uma vez. — Temos um longo caminho ainda.
— Mas pelo menos você tem seu pote de açúcar ambulante como namorado e amigos legais. — Ele disse, e eu juro que tentei segurar a risada quando ouvi a forma que se referiu a Hyunjin. — Eu, por exemplo, sou um amigo muito legal.
— Vamos trabalhar, amigo legal. — Dei uma risada curta, negando com a cabeça. — Dia longo hoje.
— E a tal conversa com o professor gostoso de Hyunjin? — Suspendeu as sobrancelhas, me fazendo revirar os olhos.
— Quem te contou sobre isso?
— Meu fiel amigo de fofocas, Jeongin.
Não estou surpreso.
— Não rolou ontem, talvez eu converse com ele hoje. — Suspirei, sem ânimo para isso.
— Ainda com ciúmes do professor gostoso querer dar beijinhos no seu pão de mel? — Provocou, me fazendo negar com a cabeça.
— Como se Hyunjin fosse dar bitoquinhas em outras pessoas. — Ri fraquinho, sentindo meu coração acelerar só em tocar no nome dele.
— Convencido.
— Realista, é diferente. — Dei de ombros, me levantando quando o sininho da porta de entrada tocou, avisando que alguém havia entrado. — Vamos trabalhar por que esses livros não vão se vender sozinhos.
— Me assustaria se isso acontecesse. — Ele riu da própria piada, revirei os olhos mais uma vez.
O resto da tarde correu tranquila, quando era umas três da tarde, Hyunjin desceu de seu quarto e ficou sentado em uma das mesinhas afastadas da livraria, aquelas que ficavam mais no cantinho, sem iluminação muito forte ou as vozes dos cliente lhe incomodando enquanto ler seu livrinho favorito pela, sei lá, milésima vez.
Ele gosta de gravar cada frase na cabeça e ver seu sorriso radiante enquanto lê alguma cena que goste, me deixa muito bobo.
Amo quando ele fica ali, no seu mundinho particular, rindo das coisas que o fazem feliz e até mesmo amo as expressões bravinhas que faz quando algum personagem faz algo que não lhe agrada.
Puta merda, eu amo ele demais.
— Terra para Felix! — Jisung gritou em meu ouvido, resmunguei pela dor em meu ouvido e balancei a cabeça, tentando entender o que ele queria.
— O que foi?! — Cruzei os braços, chateado por ele me tirar de um dos momentos que mais gosto: Observar o quão lindo Hyunjin ficava fazendo absolutamente nada.
— Estou a umas meia hora aqui te chamando! — Ele se defendeu, suspirando. — Junghyun disse que é para você subir lá no escritório dele.
Eu gelei.
— M-mas... Mas por que ele não disse para mim?
— Ele ligou em seu celular, eu só atendi. — Deu de ombros, rindo fraquinho.
Suspirei e olhei uma última vez para Hyunjin, vendo seus olhos ainda atentos em seu livrinho e sorri, tomando coragem para subir as escadas e enfrentar o Hwang maior — E eu não digo se em status, ele é o maior de verdade.
Com cuidado, bati em sua porta, ouvindo uma confirmação sua para que eu pudesse entrar e respirei fundo, abrindo a porta lentamente. Ele estava sentado em sua poltrona de gente importante, analisando alguns papéis e uma expressão fodidamente concentrada no que fazia, o que o deixava levemente mais assustador.
—Felix-ssi! — Ele disse assim que me viu, abrindo um sorriso quase idêntico ao de Hyunjin. A diferença é que seus dentes são bem menores.
E eu com medo desse cara, pfft...
— Jisung disse que você queria falar comigo. — Sorri meio envergonhado, caminhando até a cadeira a sua frente e me sentando ali.
— Ah, sim! — Sorriu mais uma vez. — Ele disse que você não atendeu por que estava com cara de bobo olhando Hyunin enquanto ele lia.
Beleza, quis sumir.
— É... — Murmurei envergonhado, sentindo meu coração acelerar.
— Preciso te fazer um pedido. — Mais sério, ele disse. — Semana que vem eu e papai iremos para Busan resolver... Aquilo. — Suspirou entristecido, me fazendo concordar.
Mas então, parei para pensar e...E Hyunjin?
— E hyunjin? — Verbalizei minha dúvida, franzindo o cenho.
— hyunjin tem aula, Felix... — Suspirou, parecendo nervoso. — Quero que fique com ele durante esse tempo... Não sei quantas audiências ainda vão rolar, mas não quero que ele participe disso.
Eu fiquei pelo menos uns trinta segundos sem saber o que dizer.
— Vai deixa-lo? — Foi o que saiu de minha boca, e me arrependi assim que eu disse.
— Não é meu desejo ficar uma semana longe do meu filho, Felix. — Respondeu com sinceridade, suspirando. — Confio em você e nossos novos amigos que fizemos aqui, sei que vai ser uma semana um pouco complicada já que mudanças não é muito o forte de Hyun, mas...
— É necessário. — Conclui, entendendo seu ponto e ficando ainda mais preocupado. — Tudo vem, nunca recusaria um pedido desses.
Até porque, vai ser uma semana todinha de Felix e Hyunjin dormindo agarradinhos em uma cama de solteiro miúda.
— Vocês podem até ficar aqui em casa, vai ser melhor também. — Interrompeu minha linha de raciocínio, concordei.
Uma semana inteirinha de Felix e Hyunjin dormindo agarradinhos em uma cama de casal larga, mas que não vai servir dá quase nada, já que espaço entre nós dois enquanto dormimos, é quase inexistente.
— Tudo bem, eu só vou falar com mamãe e dizer que a partir da semana que vai vai ter que por mais acelga no kimchi. — Junghyun riu baixinho após minha fala, concordando com a cabeça.
— E Felix... — Ficou sério de repente, me deixando meio tenso. — Sobre seu relacionamento com Hyunjin, já deixei bem claro que apoio e fico muito feliz que estejam namorando-
— Sua felicidade ficou meio óbvia quando fez aquela festinha... — Disse sem pensar, rindo meio desesperado quando Junghyun me olhou nos olhos, faltou até ar.
— É que qualquer conquista de Hyunjin me deixa imensamente feliz... — Disse, sorrindo como o pai bobinho que ele é. — E fiquei imensamente feliz quando ele conquistou sua confiança, Felix. Hyunjin é inseguro demais e, para mim, saber que ele confia em si mesmo para poder pedir alguém em namoro, me deixou muito feliz.
Ih, ele quer me fazer chorar de novo...
— Eu nem sei o que dizer quando penso em tudo que ele fez ontem. — Sorri, balançando a perna meio nervoso e com a maior cara de bobo possível.
Não só ontem, mas desde sempre Hyunjin vem evoluindo e dando orgulho não só ao seu pai, mas a mim e nossos amigos também. Ele possivelmente não imagina o quão orgulhosos nós ficamos em cada mínima conquista sua.
A de ontem não foi apenas um passo a mais em nossa relação, foi a conquista de sua confiança e determinação. E isso me faz querer chorar de felicidade.
—Certo, mas esse não era o ponto crucial para a conversa. — Junghyun riu fraquinho, limpando as possíveis lágrimas que queriam descer. — Eu apoio o relacionamento de vocês porque tenho confiança em você, Felix, sei que vai respeitar meu filho em qualquer momento.
É impressão minha ou ele está querendo ter aquela conversa?
...É tarde para pedir para sumir mais uma vez?
— Por isso, se rolar...S-se aquilo... Meu deus, é mais difícil do que eu imaginava. — Ele disse, rindo meio desesperado, assim como eu.
Essa é, possivelmente, uma das conversas mais constrangedoras da minha vida.
— E-eu entendi. — Sorri meio sem graça, balançando a perna com mais intensidade. Eu acho que entendi.
— Que bom! — Comemorou, rindo. — E... E-e não o deixe desconfortável se tocar nesse assunto, ainda vou conversar com ele e... Acho que pode sair. — Disse rápido e riu em seguida, me fazendo rir também.
Eu estava entrando em desespero. Ele sequer deu tempo de que eu me explicasse e disse que nem cheguei a imaginar que aquilo poderia acontecer.
Mas, se bem que seria ainda mais constrangedor se eu abrisse a boca para dizer algo.
Eu fiquei umas duas horas pensando naquela meia conversa que tive com Junghyun, sua informação sobre as coisas que deu sobre deixar Hyunjin comigo enquanto vai para Busan e aquela conversa desastrosa sobre um dos assuntos mais vergonhosos para pais falarem: sexo.
Eu não tive o prazer de ter esse tipo de conversa quando era mais novo, minha mãe sempre foi muito atenta, mas nunca tocou muito no assunto. Já aquele cara... Ele só dizia que eu nunca seria homem o suficiente pra fazer uma mulher gritar.
Eu sei, é uma coisa extremamente nojenta para se dizer a um adolescente de quatorze anos para se dizer a uma pessoa com qualquer idade, na verdade.Mas ele sempre foi um nojento mal caráter, não me impressiono mais.
Passei o resto da tarde pensando nisso, e quando chegou no horário do jantar, quase não consegui dizer nada. Mesmo que eles me fizessem rir a todo momento.
— Hyunjin? — Chamei baixinho, batendo na porta de seu quarto.
— No closet, Felix! — Avisou, me arrancando um sorriso.
Caminhei até lá em passos rápidos, já se passavam das oito da noite e eu disse a Yugyeom que poderíamos sim ter aquela tal conversa hoje. Por isso, vim me despedir de meu namorado que deu uma sumidinha após o jantar.
— Oi...— Eu disse meio abobado, vendo ele em pé ao lado do lugar onde colocava seus tênis. — O que faz?
— A-arrumando minhas coisinhas. — Sorriu, apontando para algo ao seu lado.
— Eu vou sair mais cedo hoje. — Confessei, sentindo meu peito doer quando sua expressão mudou para uma entristecida. — O seu professor passa aqui daqui a pouco para a gente ter aquela tal conversa.
— Poxa... N-não pode ser amanhã? — Perguntou baixinho, fazendo meu coração acelerar.
Quase mandei tudo para os ares e realmente deixei essa bendita conversa para amanhã, mas eu mesmo estou curioso para saber do que se trata.
— Infelizmente não, docinho. — Suspirei, me aproximando de si e fazendo um carinho curto em sua bochecha.
Eu não sinto mais aquele receio de o tocar e ter medo de que ele me afaste a qualquer minuto. Sei que vai ocorrer momentos em que ele vai estar sobrecarregado demais para toques físicos e expressivos, mas até nesses momentos, estarei ao seu lado e dizendo que está tudo bem se sentir assim às vezes.
— Lixie, o-o que você queria me dizer mais cedo?
Ih, rapaz...
— Podemos deixar isso para amanhã? — Perguntei meio sem graça, sentindo meu coração acelerar.
— Hum-um. — Negou, fazendo biquinho chateado. — O Lixie não v-vai deixar essa conversa chata c-com o professor para amanhã, e-então... Então não pode deixar essa também. — Respondeu sincero, me fazendo sorri feliz com sua oposição.
Mas meu sorriso morreu completamente ao lembrar do conteúdo da conversa.
— Você está certo. — Concordei, mordendo o lábio inferior. Respirei fundo e tentei achar palavras certas que verbalizam minha pergunta — Hyun, você... Você gosta das nossas bitoquinhas?
Talvez não tenha sido a melhor escolha de palavras, já que Hyunjin franziu o cenho e endireitou os óculos na ponta de seu nariz, me olhando por breves segundo antes de assentir freneticamente.
— Gosto muito, Lixie!
— Você se sentiria bem se elas fossem... Diferentes? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar mais uma vez.
Eu nunca conversei sobre isso com ninguém, se gosta ou não gosta de lingua no meio dos beijos. Por isso estava nervoso, com medo de dizer qualquer besteira.
— O Lixie diz... As b-bitoquinhas mais íntimas? As que colocam l-língua?— As perguntas saíram genuinamente por seus lábios, me deixando de olhos arregalados.
Não esperava que ele já soubesse que tipo de bitoquinhas diferentes eu estava falando.
Socorro meu Deus, ate diálogo sobre beijo de língua esse garoto consegue deixar fofo.
— Você... Você quer dar bitoquinhas mais íntimas, docinho? — Perguntei, sentindo meu coração acelerar mais uma vez.
Eu não faria isso, jamais, se ele dissesse que não se interessa por esse tipo de contato.
— São m-mais de oitenta milhões de bats...B-bactérias, Lixie... — Confessou, me fazendo rir baixinho e concordar.
Beijos não são lá a coisa mais higiênica que se possa existir. Mas são muito bons.
— Então está bem, podemos não fazer isso. Também gosto do nosso jei-
— Poderia ser até cem milhões de b-bactérias, Lixie, e mesmo assim...Mesmo assim eu quero tentar. — Me interrompeu, fazendo meu coração acelerar mais uma vez.
Eu, de verdade, não estava esperando por isso.
— Você quer? — Para confirmar que eu não tinha ouvido coisas, perguntei meio estático.
Ele balançou a cabeça de maneira envergonhada, olhando para tudo no closet que não fosse eu. Respirei fundo, tentando controlar meus nervos, e me aproximei mais dele.
— Se eu fizer qualquer coisa que te deixe incomodado, não exite em me dizer. — Falei, tocando lentamente sua bochecha.
Ele concordou com a cabeça e fechou os olhos, esperando o próximo passo.
Posso está parecendo calmo, mas estou praticamente surtando.
Quero que essa seja a melhor primeira bitoquinha íntima que exista. Por isso, com cuidado, comecei a distribuir pequenos selares pelo seu rostinho corado, em suas bochechas, nariz, queixo e dando uma mais prolongada em sua boca.
— Segure em meus ombros, docinho. — Pedi, acariciando sua bochecha e descendo uma de minhas mãos até sua cintura. O toque ali pode deixar as coisas mais gostosinhas. — Posso continuar?
— Sim... — Disse baixinho, apertando levemente meus ombros quando deixei um selar curt em sua boca novamente.
Com a sua confirmação, comecei a dar sugadinhas curtas em sua boca, coisa que já era comum em nossas bitoquinhas. Levei minha mão que estava em sua bochecha até sua nuca, meus dedos se enroscaram nos cabelos compridos ali e Hyunjin arfou baixinho quando comecei a fazer um carinho curto, já que os cabelos em meus dedos impedia que os movimentos fossem maiores.
— Não sinta medo de me tocar, está bem? — Ele balançou a cabeça em concordância, apertando meus ombros mais uma vez. — E se eu te tocar onde não se sente confortável, pode parar com tudo no mesmo momento. E hyun meus movimentos, estou aqui para te fazer bem.
Recebendo sua confirmação mais uma vez, respirei fundo e suguei seu lábio inferior cheinho, arfando quando seus dedos longos apertaram meus ombros e uma de suas mãos subiu para minha nuca, repetindo volta e meia os carinhos que eu fazia em sua própria cabeça.
Foi quando seus lábios adocicados se abriram que tudo se intensificou. Não tive tempo de pensar ou dizer mais nada. Coloquei minha língua para fora e, lentamente, lambi seus lábios, sentindo sua mão apertar com mais força meu ombro e os cabelos curtos de minha nuca. Sem tempo para mais nada, adentrei sua boca tímida com calma e senti tudo se revirar aqui dentro de mim quando ele fez o mesmo.
Nosso ritmo começou desregulado, eu tentava a todo custo não jogar meu alto controle no quinto dos infernos e fazer daquele beijo algo tranquilo e nada que denunciasse o desespero que eu sentia para ter mais daqueles lábios para mim. Depois de algumas poucas enroladas de língua, capturei a de Hyunjin com meus lábios e dei uma chupadinha atrevida, quase gemi de satisfação quando ele apertou meus ombros novamente e arfou alto.
Mas toda minha satisfação foi por água abaixo quando ele me afastou, ficando ofegante o suficiente para levar as próprias mãos até seu peito que subia e descia rapidamente.
Então, o medo de ter passado dos limites me apossou.
— H-Hyunjin... — Chamei baixinho, respirando fundo para tentar regular minha própria respiração. — Ei... Fiz algo que te- — Antes que eu pudesse terminar de falar, ele se aproximou de mim novamente e me calou com seus próprios lábios, com um selar curto.
— Hyunjin gostou, Lixie... — Respondeu, se afastando e descansando a testa em meu ombro. — Me a-assustei quando fez aquilo....Mas foi bom, Felixie.
— Jura? — Perguntei em um suspiro curto, ainda não acreditando que aquilo estava acontecendo.
É como se eu ali fosse o inexperiente, era como se eu estivesse vivendo aquilo tudo pela primeira vez.
E, parando para pensar agora, eu realmente estava! Nunca vivi um amor intenso e avassalador assim...
— De mindinho...— Juntou seu mindinho junto com o meu, me fazendo rir abobado. — Faz de n-novo, Lixie...
Sorri, dando um beijinho em sua bochecha antes de selar sua boca mais uma vez.
— Felix! — A voz de Junghyun me tirou do momento de arco íris e unicórnios, me trazendo de volta para a realidade de vida e me afastei de Hyunjin.
Amo meu sogrinho, mas, sério... Era um momento importante.
— Felix, Yugyeom está te esperando lá fora!
Certo, isso é imperdoável.
— Lixie... — Hyunjin chamou baixinho, tão chateado quanto eu.
— Docinho... — Suspirei, lhe dando mais um selinho antes de me afastar minimamente. — Amanhã te dou quantas bitoquinhas quiser. — Por que eu mesmo quero muito, eu disse isso mentalmente.
Ele suspirou e concordou, nós despedimos com mais selares demorados e uma chupadinha aqui, outra ali...
Era como se não houvesse tempo para mais nada enquanto estivéssemos ali, só para nossas bitoquinhas e olhares quebrados enquanto ele não conseguia os sustentar.
A contragosto, me afastei dele e segui caminho para fora do quarto. Me despedi de Hwang-hee e Junghyun e, sentindo meu coração acelerar de uma forma nada boa, sai para fora, vendo o carro de Yugyeom ali fora.
— Boa noite... — Ele disse quando cheguei, abrindo a porta do passageiro para que eu entrasse.
Seja o que a santa divindade que anda me vigiando, quiser.
— Boa noite. — Entrei no carro, sentindo minhas mãos suarem.
Ele entrou no carro e deu partida. O silêncio que se predominou ali foi extremamente desconfortável Yugyeom apertava o volante do carro da maneira nervosa e, puta merda, eu estou quase infartando de tensão.
— Onde está me levando? — Perguntei, balançando a perna direita de maneira ansiosa.
— Ao restaurante que disse ontem. — Respondeu, me fazendo suspirar mais uma vez. — Anel bonito. — Acrescentou, lhe encarei confuso.
— Hyunjin quem me deu. — Dei de ombros como quem não quer nada, sabendo exatamente que tipo de expressão ele fazia.
O silêncio reinou no carro novamente, até uma risada curta sair de seus labios.
— Vocês estão namorando, não é? — Ele perguntou, lhe olhei confuso e respirei fundo.
Morrer espancado por um cara de quase dois metros que é interessado em meu namorado, que é seu aluno, não é lá minha maneira favorita de terminar a noite.
— Estamos. — Respondi, sentindo minha garganta coçar para dizer tudo que estava entalado aqui dentro.
Só se vive uma vez, certo?
Então, explodiu.
— Peço para que não invista mais nele. — Falei, quase o xingando quando o carro parou tão de repente que, se eu não estivesse usando cinto de segurança, teria voado para frente. — Qual foi?!
— O que você disse?! — Meio alterado e, aparentemente ofendido, ele perguntou.
— Quero que não invista mais no meu namorado! — Cruzei os braços, cansado daquilo. — É extremamente humilhante da sua parte querer o namorado alheio...
— Felix...
— E outra, como um professor se interessa por um aluno? É errado! — Ignorando seu chamado, eu continuei.
— Felix, calm-
— Se você fosse denunciado, seria preso e-
— Felix, Hyunjin é meu irmão! — Colocou a mão em minha boca, me calando completamente.
Pela milésima da milésima vez nesse dia, eu repito: Estou chocado.
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