22 - hyunjin

Eu sinto borboletas.

Eu sinto borboletas nos estômago quando estou com Felix, como diz aqui no site de pesquisa mais usado pelo ser humano: O Google.

Borboletinhas no estômago não são literalmente as borboletas batendo asas aqui dentro de mim, é como chamam o revirar gostosinho que acontece quando se vê algo ou alguém que gosta.

Alguém que gosta.

Eu gosto do Felix. Gosto mesmo. Mais que qualquer amigo.

Gosto dele mais do que amigos se gostariam.

E eu estava confuso. Por que eu sentia isso quando estava com ele? Será que ele também sente isso por mim?

Li um livro uma vez em que o protagonista gostava sozinho de uma garota, o nome disso é gostar platonicamente! (Diz no Google também!) E era tão ruim o sentimento de se gostar sozinho de uma pessoa... Deve machucar o coraçãozinho.

Não quero sentir isso.

Não quero isso. Sei que Felix disse que nunca iria me deixar sozinho novamente, mas isso quer dizer que ele também queria ficar pertinho de mim o tempo todo? Mesmo que seja só respirar, sem dizer nada?

— Hyunjinnie, o que está acontecendo? — Changbin perguntou, tocando minimamente no meu ombro. — Esta a aula toda distraído... Aconteceu algo?

— Não, Binnie! — Sorri, sentindo meu coração acelerar por estar mentindo. Estava acontecendo algo que estava me deixando ansioso e nervoso também.

Felix.

— Tem certeza? — Changbin perguntou, me olhando. Senti meus ouvidos esquentarem.

— Sim...— Mordi o lábio inferior. Quer vergonha, que vergonha.

— Hum... Certo. — Ele sorriu, olhando para o caderno em minha mão. — Ei, você escreveu emoções com S.

— P-poxa, né... — Ri fraquinho, corrigindo meu erro. Eu não costumava errar a caligrafia.

Changbin riu baixinho, voltando a fazer minhas atividades de casa. Estava faltando só alguns dias para nossa viagem para Busan e eu estava muito mais animado com a ideia de não ficar o tempo todo parado em casa com vovô enquanto papai resolvia as coisas que precisava resolver, meus amigos iram com a gente e vai ser mais divertido!

Felix também. Pensei, segurando um sorriso curto.

— hyunjinnie... — Changbin chamou novamente, arregalei os olhos e comecei a fazer meu dever novamente. Ele riu mais uma vez.

Nós ficamos em silêncio mais uma vez, mas eu realmente não conseguia me concentrar em nadinha que o hyung passava para mim, e estava me sentindo mal por isso... Mas também com um pouco de receio de perguntar coisas para ele, mesmo sabendo que Changbin me responderia bem.

Não precisa ficar com medo, ele também é meu amigo

Changbin, além de ser meu professor — Que sente muito orgulho de mim, ele disse! — também é um dos meus amigos. Amigos. Um deles.

— Hyung... ? — Chamei, respirando fundo. — P-Posso... Posso fazer uma pergunta?

— Todas que quiser, Hyunjin. Estou aqui para tirar suas dúvidas. — Sorriu, me tranquilizando.

Será que ele também gosta ou já gostou de alguém? Ele nunca disse nada sobre isso... Se bem que o assunto de gostar de meninos nunca apareceu para nós.

— Mas... Mas não é sobre a aula. — Confessei, mordendo o lábio inferior.

— Tudo bem, Hyun. — Chamou pelo apelidinho que vovô sempre chama, me fazendo suspirar tranquilamente. — Pode dizer o que quiser.

— Ah... Está bem. — Sorri, respirando fundo mais uma vez. — O hyung já... Bem... Você já g-gostou de alguém?

— Oh, Clar-

— Gostar não de um j-jeito de amigo, hyung. — Interrompi.

— Sim, Hyunjin, eu-

— G-gostar de um jeito diferente, como se... Se... Eu não sei explicar. — Suspirei chateado, cruzando os braços. Eu queria saber dizer o que sinto. Mas eu nem sei o que eu sinto... Só sei que eu sinto algo muito forte.

— Sim, Hyun.— Ele riu, tirando o caderno de minha frente. — Já gostei romanticamente de algumas pessoas.

Romanticamente...

Será que eu realmente sinto algo romanticamente ? Meu Deus, pelo menos é assim que se fala?

"Era uma pessoa igual a cem mil outras pessoas. Mas, eu fiz dela um amigo, agora ela é única no mundo." Consigo lembrar dessa frase do meu livro favorito, O Pequeno Príncipe, enquanto changbin parece pensar em algo para me dizer.

"A única no mundo" Não me lembro de sentir nada do que sinto, quando estou com Felix com mais outras pessoas. Ele é o único que me faz sentir isso.

— Hyun? — A voz do hyung fez meus pensamentos pararem, balancei a cabeça e o olhei rapidamente. — Você entendeu o que eu disse?

— Na verdade...Eu não ouvi bem. — Suspirei, mordendo o lábio inferior quando ele riu devagar mais uma vez.

— Certo. Eu perguntei se você está confuso ou nervoso com esse sentimento que está nascendo. — Perguntou, parecendo analisar as reações do meu corpo.

Estou nervoso mais uma vez.

Mas também estou confuso... Poxa vida, nos livros parece ser mais fácil.

— Os dois, hyung. — Confessei, suspirando. — O que você s-sente quando está... Está com a pessoa que gosta?

— Ah... No momento eu não estou gostando de ninguém, Hyunjinnie. Mas...— Ele parou, parecendo pensar. Não complica, hyung, por favor. — Eu sentia meu coração acelerar só em pensar na pessoa, — Meu coração acelera. — Também sentia vontade de estar sempre com essa pessoa, — Eu sinto vontade de estar com o Lixie até quando ele está comendo doce de milho, e doce de milho é muito ruim. — Vontade de abraçar, segurar na mão... Essas coisas de bobo apaixonado, Hyunjin. — Sorriu. Eu sinto tudo.

Eu sinto tudo isso quando estou com Felix.

Então eu estou apaixonado?!

— Está tudo bem? — Ele perguntou, diante da minha falta de resposta.

— S-sim, hyung. — Sorri, sem realmente saber. — Quero dizer... Estou a-apaixonado? Isso é...O que eu sinto, é paixão?

Paixão de verdade? É isso que o Simon sente pelo Blue? Meu Deus...

— Na verdade, eu não sei te responder isso, Hyun. — Ele sorriu, tocando minha mão sobre a mesinha da sala. —O que você está sentindo, é algo íntimo seu, está bem? Não precisa se apressar ou se desesperar para saber o que anda fazendo as borboletas do seu estômago se agitarem. — Sorriu mais uma vez. Suspirei e concordei. — Tenho certeza que a pessoa que está fazendo seu coração acelerar tanto, também deve sentir o mesmo por você.

Felix também sente? Eu sinto... Não sei definir ainda o que sinto. Mas sei que sinto isso, e é muito forte.

— Como faz p-para saber o que eu sinto, Hyung? — Perguntei baixinho, balançando a perna, tentando acalmar meu coração acelerado.

Felix já deveria ter chegado da sua vez de ir para o médico de sentimentos. Será que Lino hyung demorou para chegar?

Certo, esse não é o assunto. Se concentra.

— O tempo resolve tudo, Hyun. — Foi o que ele respondeu, dando aquele sorriso reconfortante de sempre. — Não posso dizer o que você sente ou como descobrir o que está sentindo. Conforme o tempo passa e você se dedica a entender o que está acontecendo, vai entender.

"Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que a fez tão importante."

O tempo...

— Tem r-razão, Hyung. — Sorri, balançando a cabeça e concordando com o que ele tinha dito.

Gosto de Felix mais do que consigo descrever, preciso dedicar um tempo para entender de verdade o que está acontecendo, e isso faz dele a minha rosa.

[...]

"Como saber se estou realmente apaixonado" Era o que eu digitava em meu celular.

Descobri através de Jeongin que o Google é realmente mais eficaz que um dicionário. Não entenderia realmente o que são esses... Vou chamar de sintomas.

Eu não entenderia facilmente o que são esses sintomas aqui dentro de mim em uma simples pesquisa no dicionário. Como Jeongin diz, " O google se tornou o pai de todos depois que foi criado"

Não consegui entender de verdade o que ele quis dizer com " Pai de todos" quando ele disse, mas agora entendo que é algo que ajuda todo mundo. E eu a Larry Page e Sergey Brin por criarem algo assim.

Mas, voltando ao assunto inicial... Eu acho que peguei paixão.

Não sei se paixão é algo que se pegue, mas se for, eu acho que to meio infectado...Deveria me preocupar? Acho que não, aqui diz que não é perigoso de verdade.

Mas se virar uma coisa chamada dependência emocional, pode ser preocupante. Mas não me aprofundei nesse sintoma, o que me deixou de olhos arregalados foi os tipicos que apareceu ali.

1: Você quer estar sempre perto.

sim, sim. Quero muito... Mas o Lixie está na livraria trabalhando e eu aqui, tentando saber através de um site se meu coração escolheu ele para ter o sintoma da paixão.

Poxa, fiquei envergonhado agora...

2: Você quer que seus amigos e seus pais gostem dele.

Não tenho amigos diferentes que o hyung não conhece, mas quero tanto que papai saiba como ele é legal, fofo, gentil, fofo... Bonito demais também, e...Fofo.

— Fofo, fofo. — Sorri.

Meu Deus, meu coração acelerou mais uma vez.

3: Você sente falta dele.

Sim! agora mesmo...

4: As opiniões dele são importantes para você.

— Sim, sim, sim! — Balancei a cabeça várias vezes.

Se eu faço um desenho, quero saber se ele gostaria e se me elogiaria igual vovô quando eu mostro. Mas com o Lixie, é diferente. É mais... Acho que coloco mais expectativa.

5: Você pensa nele o tempo inteiro.

— Certo... Meu Deus, poxa vida... — Meu coração acelerou mais uma vez.

Eu estou apaixonado pelo Felixie!

— Eu... Ah, o que eu faço agora? — Murmurei para mim mesmo, arregalando os olhos?

Lixie gosta de meninos? Eu nem pensei nisso, meu Deus...

Sei que as pessoas são ruins às vezes e não aceitam outros tipos de amor, além de homem e mulher. Mas o Lixie não parece ser... Como chama esse tipo de gente?

Meu novo amigo inteligente — Google — fez seu trabalho de me ajudar nisso também. Então, quando li no google que as pessoas homofóbicas não aceitam o amor gay, senti um aperto no coração.

Achei mais um jeito um de chamar mamãe. Ela também era homofóbica.

— Hyunjinnie? — Vovô apareceu no meu quarto. Balancei a cabeça, parando de pensar um pouco. — Aconteceu algo, meu bem? Ficou a tarde toda aqui no quarto...

Que nervoso...

— Não, vovô! — Sorri constrangido, desligando meu celular.

— Ya! Não me diga que meu netinho se transformou em um adolecente moderno e vive no celular agora?— Ele disse, rindo se sentando do meu lado.

— N-não é isso, vovô...— Resmunguei, negando com a cabeça.

— Aconteceu algo? Sabe que sou todo ouvidos para responder tudo o que você quiser saber. — Perguntou baixo, parecendo mais preocupado.

— Hum... O que o senhor acha sobre...Sobre r-relacionamento de menino com menino? — Perguntei, mordendo o lábio inferior quando os olhos dele cresceram e me olharam rapidamente, fazendo minhas bochechas e orelhas esquentarem.

Eu já li alguns livros de romances assim em que a família dos personagens tratavam eles mal por gostarem de meninos também. Os personagens ficaram tão tristes que às vezes me faziam chorar sem realmente entender o que eles estavam sentindo.

Não é isso que quero sentir, quero que vovô e papai me apoiem sabendo que gosto de um menino.

Eu gosto de um menino...

Nunca imaginei que poderia falar isso para mim mesmo.

Na verdade, não achei que fosse me interessar e ter sintomas de paixão nunca... Mas nenhuma outra pessoa se aproximou, se preocupou e cuidou de mim, como Felixie fez e faz — Além de minha família — Então, é novo para mim isso de entender sentimentos tão intensos.

— Acho muito legal, meu amor. — Ele respondeu, me puxando para um abraço e acariciando meu cabelo. — Sabe, o amor é diversificado e não podemos resumi-lo a uma coisa só. — Você já deve saber, mas eu não me importo com as escolhas de ninguém, nesse sentido, quero dizer. Eu apoio qualquer tipo de carinho, Hyun.

Sorri, mordendo o lábio inferior.

Ele vai me apoiar...

— Vovô... — Chamei baixinho, respirando fundo.

— Hum? — Respondeu, fazendo mais um carinho calmo em meu cabelo.

Eu estou gostando de ter cabelo grande. Mamãe dizia que não era certo deixar que meu cabelo passasse dos olhos porque me deixava com cara de menininha, mas eu não achei... Confesso que fiquei ainda mais feliz com minha aparência depois que deixei o cabelo crescer!

Calma, fugi do assunto...

Respirei fundo e voltei minha atenção para o meu avô, mordendo o lábio inferior e movendo alguns dedos, tentando me acalmar.

— Eu... Eu acho que gosto de um menino, vovô. — Respondi, prendendo a respiração quando seus olhos se arregalaram mais uma vez.

— Você tem certeza, meu bem? — Parecendo calmo, só parecendo mesmo, ele perguntou. Ajeitando sua postura na cama.

— E-Eu pesquisei, perguntei pro Changbin hyung, com o Lino... E vovô, Hyunjinnie nunca sentiu isso, é como... C-como se meu mundinho parasse quando ele aparece. — Respondi sincero, sentindo uma vontade enorme de chorar.

Eu sou chorão, não me orgulho disso. Mas não consigo não contar para vovô, ele vai me entender!

— Meu bem...

— O s-senhor está bravo? — Perguntei preocupado, sentindo um aperto no peito.

— Claro que não, meu amor! — Respondeu, me tranquilizando. — Eu estou... Meu Deus, você se apaixonou pela primeira vez! Por um garoto! Meu pequeno Hyun está apaixonado! — Disse alto, me deixando mais constrangido.

Ele vai fazer todo mundo ouvir!

— Meu Deus... Hyunjinnie, me perdoe pela animação excessiva, mas eu esperei tanto para que você me confessar! — Ele me abraçou, fazendo meus olhos se arregalaram. — Você... Meu Deus, você e Felix já deram beijinhos?

O que?!

Não... Minha nossa, eu disse o nome do Felix? Que vergonha! Vovô sabe, agora ele sabe!

Beijinhos?

— Como s-sabe que é o Lixie? — Perguntei, torcendo que ele não notasse minha reação vergonhosa de apertar as orelhas quando estou constrangido.

— Hyunjinnie... Não sei se você percebeu, mas eu trabalho com pessoas a minha vida inteira, consigo perceber minimamente cada reação do corpo delas. E você olha para ele como se estivesse vendo um anjo divino. — Ele riu fraquinho, me deixando ainda mais constrangido. — E ele te olha igual.

Ele me olha igualmente.

Eu não consigo olhar tanto nos olhos do Lixie, mas enxergo pureza quando trocamos olhares poucas vezes. O Lixie me respeita e gosta de me ver bem.

Mas ele também quer ser o menino que gosta de mim? Namoradinho?

Namorar... Eu posso namorar?

— Vovô, namoro de menino com menino é aceito aqui na nossa cidade? — Fugi do assunto que estávamos falando, rindo fraquinho quando vovô pareceu confuso.

— Bem... Seul é uma cidade bem diversificada. Mas nossa sociedade ainda vê isso como algo ruim e, meu amor, isso me preocupa...

— Vovô, eu s-sei que não é bem visto, sei que as pessoas são ruins, mas... Eu acho que peguei paixão de verdade. — Confessei, movendo meus dedos juntos. — O Lixie é a primeira pessoa que me deixou assim ô, vovô.

— Oh, meu Deus! — Ele riu, me abraçando com força. — Meu netinho está apaixonadinho pela primeira vez!— Ele riu, dando beijinhos em minha cabeça e me fazendo rir baixinho.

Apaixonadinho.

Eu estou mesmo!

— Mas, você não respondeu minha pergunta, Hyun. — Vovô parou de rir rapidamente, me deixando confuso e ainda mais constrangido ao repetir a pergunta que havia feito. — Vocês já deram beijinhos?

— Felixie sempre me dá beijos na cabeça quando vai embora, vovô. — Respondi, rindo fraquinho.

Eu entendi o que ele quis dizer. Mas... Esse assunto é muito constrangedor. Eu nunca pensei nisso.

Quero dizer... Beijinhos de boca com boca nunca foi uma coisa que eu parei para pensar. Pessoas apaixonadas fazem isso, não é?

— Não é disso que estou falando, meu bem! — Ele riu, apertando minha bochecha sem muita força. — Hyunjinnie... Você está bem em me dizer isso?

— Sim! — Sorri, meio confuso com sua pergunta. Ele é meio lelé da cuca às vezes. — V-vovô, eu queria saber s-se o senhor e... E papai me apoiaram. — Confessei, me sentindo emocionado quando vovô riu e me abraçou com mais força.

— Pois saiba que te apoiamos nisso, Hyun. — Suspirou, me deixando ainda mais tranquilo. — Você e Felix tem todo o nosso apoio, mesmo que ele seja meio lerdinho e não tenha percebido suas intenções de um bobinho apaixonado.

Bobinho apaixonado.

Vovô gosta mesmo de me deixar constrangido!

— Nós te amamos acima de qualquer coisa, está bem?

Senti vontade de chorar.

Era uma sensação tão boa que... Pelas asas da Tinker Bell, consigo rir de felicidade por ser com...Compreendido pela minha família de dois.

E, de verdade verdadeira, está sendo um bobinho apaixonado pelo menino da livraria do vovô, é um sentimento tão bom.

[...]

— Como foi sua semana, Hyunjinjie? — Foi a primeira coisa que ouvi quando entrei na salinha do Lino hyung, sorri.

— Foi boa, hyung! — Respondi, sentindo minha barriga se revirar ao pensar nas coisas que vinha pensando em dizer para ele enquanto eu e Jiminie vinhamos para cá. — Na verdade, eu descobri uma coisa...

— É algo bom? — perguntou, me fazendo dar um riso envergnhado.

— H-hyung, você se lembra de... De quando contei s-sobre... Sobre meu coração acelerado? — Perguntei, mordendo o lábio inferior.

— Ah, sim ! — Riu, voltando sua atenção para mim.— Lembro de tudo que já me disse, Hyunjinnie. Mas, diga, aconteceu algo?

— Eu d-descobri... Que gostou r-romanticamente do Felix e... Peguei paixão. — Confessei, apertando minhas mãos.

— Pegou paixão? — Riu baixinho, me deixando mais constrangido ainda.

Ainda era meio constrangedor falar com o meu médico de pensamento às vezes. Sei que ele não se importa com minha gagueira e nem que eu erre o jeito de me chamar a mim mesmo. Não preciso ter medo de falar com ele.

— S-sim! sabe, coração acelerado... Mãos suando, boc-chechas quente...

— Como você está se sentindo?— Perguntou, me fazendo suspirar. — Quero dizer, se sente bem ou mal por ter descoberto seus sentimentos?

Minho hyung sabe como me deixar emocionado fácil, fácil.

— Bem, hyung! A-agora tenho como chamar tudo q-que eu sinto, mas... Mas tenho um pouco de m-medo do Jiminie não sentir... — Mordi o lábio inferior, ficando nervoso.

— Isso é normal, Hyunjinnie. O medo da rejeição é algo normal do ser humano, ainda mais quando o assunto em questão é paixões que são ou não são retribuídas. — Começou dizendo, me fazendo suspirar mais uma vez. — Mas não sinta medo de seus sentimentos, não se prive de senti-los e demonstrá-los, está bem? A homosexualidade ainda é algo que não é bem vista pela sociedade, mas se tivermos medo de mostrar nossos ideais e nos entregar ao preconceito e medo de não sermos correspondidos, nunca conseguiremos fazer aquilo que é bom para nós mesmo.

Lino hyung sempre está certo e eu fico tão feliz dele me entender tão bem. Sinto meu coraçãozinho mais leve sempre que venho aqui e ele me conforta e ajuda com seus conselhos.

— Seu pai e avô sabem? — Notei apreensão em sua voz e suspirei ao lembrar que tinha contado apenas para o vovô.

— Eu c-contei só para o vovô ainda, hyung... Mas quero contar pro papai. — Respondi, sentindo meu coração acelerar.

— Tenho certeza que ele não irá desgostar da ideia, Hyunjin. — Ele disse, me deixando mais tranquilo e dei um sorriso pequeno, concordando.— Sua família é uma das melhores e mais atenciosas que já conheci, isso me deixa feliz sabendo que cuidam de você com tanto cuidado. — Continuou, me deixando meio emocionado.

Quando eu e Felix voltamos para casa, nós paramos em uma cafeteria fofinha para que ele comprasse a minha tortinha de frutinha vermelha. E eu fico mais bobinho toda vez que ele faz isso, quarta-feira se transformou em um dos meus dias favoritos da semana!

E mesmo eu podendo comer docinhos normalmente agora, o Lixie ainda me dá as tortinhas toda quarta, como se ainda fosse igual quando começamos a ser amigos. E eu fico como um bobinho apaixonado por isso. Ele me deixa assim sem qualquer esforço.

Entrei no meu quarto e suspirei, pensando nas coisas que aconteceram em minha vida até agora. Acho que se não fosse pelo esforço que eu e minha família fizemos até hoje, seria meio complicado nossa vida aqui, e se o Lixie não tivesse aparecido para ajudar a gente nis... Não consigo imaginar como seria minha vida.

Eu falaria bem? Será... Será que eu perceberia que tudo que mamãe fazia e as pessoas que ela trazia para casa, é errado?

Mas bem, isso não é um problema mais. Está tudo bem, não preciso ter medo de ir para Busan e encontrar ela lá.

Duas semanas antes da viagem, eu estava descendo as escadas para tomar um pouco de água na cozinha. Quando estava voltando, Felixie e Jisung estavam conversando sobre alguma coisa e isso me deixou muito curioso.

Eu iria voltar para meu quarto, já que interromper a conversa das pessoas é falta de educação e ouvir escondido é ainda pior. Mas as próximas palavras que o Lixie disse, me fizeram parar.

— Hyunjin está me enlouquecendo.

Eu?

— Qualquer coisinhas que ele faça, me deixa como um idiota... — Continuou dizendo, deixando meus olhos arregalados. Ele... — Eu até tento parar de pensar nisso, mas hannie... Eu realmente gosto dele.

Meus olhos cresceram ainda mais. Eu achei que fosse ir pro céu com a velocidade que meu coração acelerou.

Ele... Meu Deus! O Lixie gosta de mim!

Ele disse com todas as palavras. Com todas as letras. Ele gosta de mim! Ele gosta mesmo de mim.

E eu não sabia o que fazer. A única coisa que fiz foi subir as escadas de volta para meu quarto correndo e fiquei uns dez minutos imovel na cama, sem saber o que fazer.

Que sentimento é esse aqui dentro de mim? Eu sinto que meu coração vai parar se continuar batendo tão forte, é como se eu tivesse andando em blim-blim sozinho pela primeira vez e a sensação liberdade batendo em meu rosto junto com o vento. é como se eu tivesse visto uma fada de verdade, igual vi quando era criança lá no jardim da nossa antiga casa!

É uma sensação nova. E sinto que não vou conseguir lidar com ela tão facilmente! Eu... Eu estou rindo tanto!

— Hyunjin? — Vovô apareceu, batendo na porta do meu quarto.

Ele vai me achar estranho se me ver assim?

— Hum, o que aconteceu pra você está tão sorridente assim, meu pequeno? — Foi a primeira coisa que ele perguntou quando entrou, andando rapidamente e se sentando ao meu lado.

Não entendo porque ele me chama de pequeno, sou maior que ele!

Mas não disse nada relacionado a isso, tudo que eu queria contar era sobre a descoberta que fiz!

— Vovô, acho que sou o b-bobinho apaixonado mais f-feliz desse mundo! — Foi a primeira coisa que eu disse, batendo palmas.

As vezes sinto coisas tão intensamente que não consigo apenas dizer, meus gestos denunciam minhas sensações também.

— O que aconteceu? — Ele perguntou, ficando tão eufórico quanto eu.

— Vovô, o L-Lixie disse que gosta de mim! — Falei, mordendo o lábio inferior quando os olhos dele se arregalaram e um sorriso enorme nasceu em sua boca meio enrugada.

— Sério?! — Animado, ele perguntou. Concordei com a cabeça e bati palmas mais uma vez. Eu estava tão feliz! — Minha Nossa Senhora, Hyun! O que ele disse? Como ele chegou em você para contar?

Ah... Tem isso também. Ele não falou para mim, mas falou de mim.

— É que... E-ele não disse para eu, vovô...— Suspirei, ele pareceu menos animado. — Eu estava indo na l-livraria e ouvi ele... Ele falando com o Hannie...

— Ah... Entendi. — Ele disse, rindo fraquinho. — Vocês são tímidos demais para confessar seus sentimentos um para o outro. — Concluiu, rindo mais uma vez.

— O-o que eu faço, vovô?

— Tem coragem de dizer para ele que quer ser o namoradinho dele? — Perguntou. Arregalei os olhos e as palavras simplesmente travaram em minha boca. Não consegui dizer nada. — Imaginei. — Sorriu, bagunçando meus cabelos.— Você pode se declarar indiretamente, meu bem.

— Como?

— Com as coisas que vocês mais gostam de fazer, Hyunjinnie.— Respondeu, dando um beijo em minha cabeça e se levantando.

Com as coisas que mais gostamos...

[...]

Acho que perceber que estou gostando do Lixie, no meio das férias, foi uma coisa muito boa. Não preciso me preocupar com atividades que o professor passava e nem em como seria a próxima aula. Tudo que eu faço agora, é descobrir quais são essas sensações que meu corpo está sentindo e como me declarar para o Lixie perceber que eu também gosto dele. Juro, juro!

Desenhos, filmes, músicas e livros são as coisas que nós gostamos em comum.

E nós quase demos bitoquinha no meu closet.

Eu me envergonho em entrar no closet e perceber que se o vovô não tivesse chegado naquele momento, o Lixie teria tocado sua boquinha fofa na minha. Mas eu não sei bem o que pensar, naquele momento eu só queria realmente saber se dar bitoquinhas era bom como dizia nos livros.

Acho que descobri um novo hiperfoco.

Não chamo necessariamente hiperfoco, é só... o dono da minha barra de pesquisas no google.

" Como dar beijo na boca. "

É vergonhoso falar disso, mas desde que vovô me perguntou se eu e o Lixie já tínhamos dado beijinhos... Mais íntimos, não saiu da minha cabeça e fui pesquisar. E muito menos o nosso momentinho que tivemos no meu closet.

Percebi que pode ser algo meio nojentinho, mas aqui diz que a sensação é indescritível. Eu quis sentir.

Já está nítido que eu nunca dei beijinhos em ninguém — Não na boca — E, bem... Aqui diz que a gente pode ficar muito feliz.

Mas ainda é nojentinho a ideia de encostar minha boca com a de alguém!

"Por que beijo é nojento?" Foi a próxima pergunta..

" Quando duas pessoas se beijam, trocam oitenta milhões de bactérias e seiscentos estirpes diferentes"

Oitenta milhões?! Meu deus, o que são estirpes?

Não achei que ser adolescente que quer dar beijinhos fosse tão difícil e...Nojentinho! Como assim tem mais de oitenta milhões de bactérias na boca e que podem ser transmitidas em um beijo? Não me disseram isso na escola!

Mas, está bem... Não posso ver tudo pelo lado ruim, não é? Papai ensinou que se tudo tem um lado ruim, também pode ter um lado bom.

E também tem o lado de dar beijinhos no Felix. Esse é um lado bom, juro, juro.

" Por que dar beijinhos pode ser bom?" Foi o que eu digitei, sentindo minhas mãos suarem e minhas bochechas esquentarem quando a imagem de duas pessoas dando beijinhos apareceu no meu celular.

Porque isso tem que ser tão constrangedor...

" O beijo relaxa e alegra: Durante o beijo, o nível de cortisol, o hormônio relacionado ao estresse, diminui consideravelmente, enquanto aumenta a quantidade de endorfina e oxitocina, que são relacionados ao prazer e bem-estar, tornando o beijo algo antidepressivo e relaxante."

Antidepressivo? Será que é por isso que fico triste às vezes?

Está bem... Chega de pesquisas por hoje.

— Docinho? — A voz do Lixie me chamou a atenção assim que entrou no meu quarto, fazendo que eu soltasse o celular longe e arregalasse os olhos.

Que vergonha, que vergonha, que vergonha!

— Eita, está tudo bem? Te assustei? — Rindo baixinho, ele perguntou e se sentou em minha cama.

Será que ele me acharia lelé da cuca por estar pesquisando sobre beijinhos e porque pode ser bom e ruim?

Ele já deu beijinho na boca?

Meu deus, minhas bochechas esquentaram mais uma vez.

— E-está tudo bem sim, Lixie... — Sorri, dando espaço para que ele se sentasse ao meu lado. — Aconteceu algo? — Tentei mudar de assunto, movendo balançando a perna.

— Ah, seu pai chegou e está chamando a gente para jantar. — Sorriu, segurando minha mão.

Rapidamente me veio à memória as mãos dele segurando minha cintura quando quase caímos lá no closet e... Poxa vida, não achei que era possível minhas bochechas esquentarem tanto só com uma memória.

Gosto tanto quando ele segura minha mão, dá um sentimento tão grande de conforto... E o formato da mãozinha dele é tão fofa! Os dedinhos são pequenininhos e gordinhos! É tão bom quando ele segura a minha e fica fazendo círculos na minha.

Gosto quando ele me toca. Não sinto medo ou desconforto algum.

Nós descemos e fomos comer, mas minha cabeça estava pensativa demais para prestar atenção no que papai falava, eu só conseguia pensar que nossa viagem estava próxima e em como a boquinha do Felixie ficava fofa quando estava manchada com molho de Kimchi.

Talvez dar beijinhos não seja tão ruim assim...

"Beijinhos" não é muito original. Eu prefiro chamar de bitoquinhas. Sim, bitoquinhas me lembra o Felixie.

E eu quero muito saber se o Felix também sente o coração acelerar sempre que ficamos juntos e ele segura minha mão. Não tem nada haver com a primeira frase, não é? Mas são duas verdades.

Mas eu ainda tenho vergonha de perguntar. Tenho vergonha de falar sobre isso...

E papai está quase me esmagando em um abraço apertado.

— Meu deus... Hyunjinnie, você tem certeza? — Ele me perguntou pela terceira vez, dando beijinhos em minha testa. — Você... Meu menininho já teve seu coração roubado!

O que?! Não! Meu coração ainda está aqui dentro de mim!

— Papai! — Chamei, levando a mão até meu peito e negando várias vezes com a cabeça! — Meu c-coração ainda está aqui! — Ri, suspirando quando ele me abraçou mais uma vez.

O que estava acontecendo? Bem... Eu finalmente tive coragem de contar pro papai que agora sou um garoto que é um bobinho apaixonado, como vovô disse, e que gosto do Felixie. Ele não pareceu acreditar quando disse, já que sua expressão continuou indecifrável e... Bem, eu gaguejei tanto para poder dizer, que ele deve ter demorado para entender justamente por isso.

— O s-senhor não está bravo com Hyunjinnie, está? — Não erra, seu bobo.

Estou nervoso.

— Não, meu amor! — Riu, segurando em minhas bochechas e beijando minha testa mais uma vez. — Isso é... Novo. Mas saiba que não vou discriminar seus sentimentos só por gostar de um garoto, Hyun. — Suspirou, me abrigando em seus braços novamente e acariciando meus cabelos. Estou emocionado. — Você tem meu apoio para qualquer coisa, contando que não vá te machucar ou ser perigoso. — Ele suspirou, sorri e engoli a saliva com certa dificuldade. Queria chorar. — Papai te ama muito, está bem?

Eu chorei.

— O-obrigado, papai. — Sorri em meio as lágrimas que desceram teimosamente de meus olhos. Eu sentia um sentimento tão bom. — Também t-te amo.

— Fico tranquilo sabendo que é Felix dono de seus pensamentos agora, Hyun. — Sorriu, acariciando meus cabelos.

— O s-senhor confia nele, papai?

— Sim, mas se ele tentar fazer qualquer coisa que te machuque, ele vai desejar não ter se envolvido com voce. — Respondeu sério, deixando meus olhos arregalados.

Confesso que dá medinho quando ele fala assim...

— Estou brincando, meu bem! — Riu, me abraçando mais uma vez.— Você cresceu tão rapido...

Nós choramos juntos, papai me abraçou com força e eu me senti incrivelmente bem depois de conseguir dizer para ele que eu gostava do Lixie. Era um sentimento de aceitação e de ser amado.

Papai e vovô me amam e me apoiam. E eu estou feliz por não ser rejeitado de novo.

Lembro que naquela noite, eu dormi tão tranquilamente depois que o Lixie foi embora e nenhuma sensação ruim ficou perto de mim, até porque não tinha mais motivo para que eu ficasse triste por lembrar das coisas ruins que mamãe fazia. Já passou, não vou sentir aquilo nunca mais.

Dois dias antes da viagem, eu estava nervoso. Fiquei tão nervoso que comecei a sentir minha cabeça girar e aquela sensação de passar mal voltando depois de alguns dias sem ter crises. Essa não foi muito forte, mas me deixou cansado e eu dormi a tarde quase toda. No dia da viagem, eu ainda estava nervoso, mas também ansioso.

Dormi a viagem quase toda, mas espero que o Lixie tenha entendido um pouco das coisas que eu queria dizer com a playlist que escolhi para a gente escutar.

Eu não sou bom com palavras, mas como vovô havia me dado a ideia de tentar me declarar indiretamente, consegui pesquisar a tradução de algumas músicas que fazia parte do estilo que eu e o Hyung gostávamos e... De verdade, espero não esta parecendo um bobo desesperado para fazer ele entender que também sinto o que ele sente.

E quando nós finalmente chegamos em Seul, sorri tanto que minha bota doeu! Eu realmente amo a praia e saber que vamos ficar aqui durante essa semana, faz meu nervosismo de vir para Busan diminuir ainda mais.

— Hyunjinnie, que tal ir ver o mar com Felix? — Vovô falou, me fazendo sorri. — Seu pai e eu vamos conversar algumas coisas enquanto preparamos o jantar, e vocês podem levar aquelas tortinhas que compramos!

Nós fomos, nós nos declaramos... Eu dei bitoquinhas pela primeira vez.

— Docinho?— Ele chamou, se afastando de mim. Não se afaste, por favor...— Tudo bem? Você está bem?

Melhor do que eu poderia imaginar.

— E-estou muito bem, Felixie. — Respondi em um sussurro, sem muita coragem de abrir os olhos. — Foi... Foi bom.

Foi muito bom. E não passou de seladinhas pequenas.

Eu troquei oitenta milhões de bactérias com alguém! E foi com o Lixie! Eu dei beijinhos, bitoquinhas... O Lixie disse que gosta de provar as tortinhas da fruta vermelha em minha boca! E não entendi quando disse, em uma das pesquisas que fiz, que a sensação de dar bitoquinhas seria estranha, eu gostei!

Não foi exatamente como imaginei, foi melhor.

— Posso fazer de novo? — Tocou seu nariz com o meu, me fazendo rir envergonhado. Por favor, faça isso mais vezes.

— P-por favor, Lixie. — Respondi, fechando os olhos e fazendo o biquinho de dar bitoquinhas mais uma vez, esperando que o Lixie viesse.

E ele estava tão fofinho com as bochechinhas vermelhas e se atrapalhando com as palavras às vezes... Como o Lixie pode ser tão lindo assim? É um problema para meu coraçãozinho bobo.

— Te assustei? — Ele perguntou quando me afastei minimamente quando meu lábio inferior foi chupado pela sua boca. Me dá um constrangimento enorme em falar coisas assim, mas foi tão bom...

—Não, Felix — Dei um sorriso pequeno, apertando minha calça quando minhas mãos tremeram no meu colo. Eu não sabia o que fazer com elas.

— Coloque suas mãos em meus ombros, Hyunjinnie. — Como se lesse meus pensamentos, o Lixie disse rindo fraquinho, com cuidado levantei minhas mãos e segurei em seus ombros. Minha barriga de revirou mais uma vez. — Se eu fizer algo que te incomode, por favor-

— B-beija de novo, Felixie. — Sussurro, sentindo uma sensação gostosinha quando os pelinhos da minha nuca se arrepiaram— Hyunjinnie gostou.

Felix foi tão legal e não me tocou de uma forma que me deixaria desconfortável. Foi como se eu tivesse beijando um algodão doce, macio e docinho e sendo tocado pelas mãos de uma fadinha! Juro de mindinho que foi uma das melhores sensações que já senti...

E nós nem tínhamos dados bitoquinhas que envolviam a língua, como dizia em alguns livros e pesquisas que eu tinha feito!

[...]

Eu estava com medo.

Ele estava ali, foi tão de repente que, quando meus olhos encontraram o homem grande e fardado como um policial, senti toda a tranquilidade de meu corpo sair.

O Lixie estava me chamando, mas tudo que eu conseguia fazer era chorar baixinho e senti minha cabeça girar com força. Não sabia que ver um homem tão malvado igual ele mais uma vez, fosse me deixar tão mal... Já faz tanto tempo, mas me lembro como se fosse hoje ele chegando em casa com seu uniforme preto e dizendo que se eu não aprendesse tudo o que deveria, iria crescer tão burrinho que nem papai me suportaria mais...

Ameaças de tapas, beliscões no braço, as risadas que ele e mamãe davam sempre que eu chorava com medo...

Eu odeio lembrar disso. Não gosto de lembrar de tudo o que aconteceu quando eu era adolescente, mas ver ele ali, do lado de fora da sorveteria me deixou mais abalado do que imaginava.

Mas o pior foi quando contei pro Felixie.

Foi tão rápido e tão doloroso.

Ver ele chorar foi como se tivesse batendo em mim, doeu tanto, tanto! Ele chorava e se negava a dizer o que estava acontecendo, porque estava chorando e porque tinha ficado desesperado de um minuto para o outro.

Ji-hoon também foi um homem muito ruim para o Lixie. E quando soube que ele era seu pai, senti que poderia chorar o resto da vida.

Ele é o culpado do Lixie se sentir assim? Ele é o culpado do Lixie se cobrar tanto e colocar a dor dos outros a frente da sua?

Tenho raiva dele.

— Hyunjin, o que aconteceu para ele chorar desse jeito? — Papai perguntou depois que saímos e deixamos o Lixie dormindo, suspirou, limpando as lágrimas de minhas bochechas e segurando na mão do vovô.

Eu expliquei tudinho, desde quando fomos na sorveteria e tinha visto meu antigo professor e como o Lixie reagiu quando contei para ele o nome dele. Papai estava completamente diferente do que eu costumo ver. Sua expressão ficou tão séria que eu senti vontade de dizer que era tudo mentira só para ele esquecer de tudo e voltar a sorrir.

— Vamos conversar sobre isso amanhã com Felix e entender o que vamos fazer. — Foi o que ele disse, me dando um beijo na testa antes de subir para seu quarto.

No dia seguinte, foi a primeira vez que senti medo, ansiedade, emoção, orgulho, felicidade e ódio em um dia só.

Medo quando acordei e o Lixie ainda estava dormindo, depois de tantas horas segundas. Mas quando cheguei do mercado, ele já estava acordado.

Ansiedade em saber que íamos ver a mamãe do Lixie e... Juro, foi a primeira vez que senti vontade de chorar de felicidade quando eles dois se encontraram e se abraçaram.

Emoção porque o Lixie chorou mais uma vez quando estava no abraço de sua mãe, rindo e chorando ao mesmo tempo, para se dizer a verdade...Ta bem, foi confuso, mas mexeu tanto com meu coraçãozinho que achei que choraria também.

Senti orgulho do Felixie por estar superando um medo seu, sabia que ir naquela casa não era muito fácil para ele...

Felicidade porque nós estávamos todos juntos, rindo, comendo tortinha de fruta vermelha e conversando sobre coisas que deixavam a gente feliz. Na verdade, eu mais observado do que conversava, mas isso não é novidade.

A mamãe do Lixie é tão fofa, igual ele!

E senti ódio porque Ji-hoon apareceu para estragar o momento lindinho que o Lixie e sua mamãe estavam tendo! Eu quis brigar com ele por ser tão ruim e tão chato por estragar tudo de novo.

Mas o papai bateu nele. E eu me sinto meio estranho em dizer isso, mas foi bom ver ele no chão enquanto nós saímos bem e com a mamãe do Lixie.

Estava tudo bem agora.

— Papai, vovô... — Chamei, sentindo minhas mãos suarem.

Eu estava pronto para dizer que não era mais um menino que nunca tinha dado bitoquinhas.

— Sim, Hyun? — Vovô respondeu, parando de ler o livro que tinha em mãos. Estava só os dois aqui na sala e era o momento certo para dizer!

Tia Taeyeon e o Felixie estavam no quarto dela, conversando sobre alguma coisa.

— Eu... E-eu... — Que nervoso, poxa...

— Aconteceu alguma coisa, filho? — Papai perguntou parecendo preocupado.

— Eu...Eu...— Mordi a ponta do polegar, tentando não gaguejar mais. Não tenha medo, eles não vão brigar. — E-eu beijei...

O meu nervosismo só aumentou quando os dois ficaram em silêncio.

Eu fiz algo errado? Não podia dar bitoquinhas no Lixie?

— Eu não estava preparado... — Papai falou, fazendo com que eu prendesse a respiração. — Meu Deus, Hyin! — E então, ele me abraçou com força.

— Como foi?! — Vovô perguntou, arregalei os olhos. — Onde foi? Você gostou? Felix beija bem?

Estou tonto.

— Papai, deixa ele respirar! — Papai disse, me apertando com mais força, rir baixinho. — Você beijou quando? Meu Deus...

— Vai matar o menino assim! — Vovô riu, segurando nos braços de papai e o afastando de mim. — Vai sufocar nosso pequeno beijoqueiro, que boquinha o Felix vai beijar depois?

Eu sinto que vou desmaiar de tanta vergonha. Minhas bochechas estavam tão quentinhas e eu juro de mindinho que senti meu coração acelerar bem rapidinho.

— O que eu faço? — Papai perguntou, me encarando e eu fiquei ainda mais confuso. — Uma festa?

— F-festa? — Juntei as sobrancelhas, ficando ainda mais confuso.

— Sim! Você beijou e agora não... Não é mais bv, então-

— Junghyun, pelo amor de Deus, não! — Vovô riu, me fazendo rir baixinho também.

Papai é tão bobinho...

— Papai... — Chamei, sorrindo quando sua mão apertou a minha e eu soube que ele me olhava. — E-esta tudo bem, Hwang- Eu só q-queria que vocês soubessem.

— Obrigado por confiar em nós, meu bem!— Vovô sorriu, me deixando mais tranquilo.

Eles me abraçaram e sorriram enquanto diziam estar orgulhosos de mim e felizes por eu ter confiado neles para contar isso.

E eu estava muito feliz também, eles não disseram nadinha de ruim e até fizeram gracinhas, me deixando envergonhado!

— Se Junghyun quase desconfigurou só com um selinho, imagina se-

— Papai, vamos dormir. — Ri baixinho quando papai interrompeu o que vovô iria falar.

[...]

— Está com sono? — O Lixie perguntou depois de fechar meu livrinho favorito, O pequeno Príncipe e se ajeitou no meu lado.

— Um pouco. — Respondi, abrindo os olhos e sem lhe encarar. Mas eu sabia que ele não estava bem com tudo que aconteceu com ele e sua mamãe, eu me preocupo com o jeito que ele tenta esconder seus dodóis...— V-você está bem, Lixie?

— Estou. — Respodeu, mas eu sabia que ele mentia. — E você?

— Diz direito, Felixie. — Foi o eu disse, não muito satisfeito com a ideia dele tentar esconder as coisas que deixa ele mal, de mim. — S-sei... Sei que foi difícil ver ele de novo, lixie.

Se doeu em mim, imagina nele que sofreu tão tendo um pai ruim...

— E você? — Repetiu a pergunta, me deixando chateado.

Não faz assim, Lixie!

— Felix... — Repreendi, negando com a cabeça. — Você se c-cobra demais, Felixie... Não gosto.

Não gosto nadinha, não gosto mesmo quando ele faz isso.

— Mas não estou me cobrando...

Estava, mas não agora. Deixa de ser bobão, lixie... Eu quero cuidar de você também.

— Não estou f-falando só de agora, lixie. — Falei, sem conter minha vontade de dizer o que queria— V-você não colocar os... Os p-problemas das pessoas a... Acima dos seus.

— Ei... — Chamou, respirando fundo. — Não coloco os problemas das pessoas acima dos meus, eu só... Acho que é mais fácil resolver os delas primeiro.

Coloca.

E é horrível quando você faz isso...

— Lixie, você é um bobão. — Respondi, sentindo um leve medinho dele ficar chateado comigo de verdade.

Mas não me calei.

— Ontem... V-você tentou limpar o copinho que q-quebrou, mesmo estando mal.

— Eu me preocupei com você. — Respondeu, negando com a cabeça— Você se machucaria se pisasse neles.

Deixa de dizer bobagem, Felix!

— Mas você se machucou primeiro, Felixie... — Repreendi mais uma vez, negando com a cabeça.

Eu quero cuidar dos seus dodóis internos, Lixie...

— Ei, não se preocupa com isso. — Como não me preocupar?. — É uma coisa que eu preciso melhorar, confesso.

— Você m-me ajudou a melhorar, Lixie. — Confessei, respirando fundo e mordendo o lábio inferior. Lixie deveria não ser tão teimoso...

— Eu só fiz coisas simples...

Não, não! Você fez coisas incríveis, Lixie...

— Você é o realmente motivo da sua evolução. Eu ao fui... Um telespectador que ajudou um pouquinho. — Concluiu, me fazendo suspirar mais uma vez.

— Mas que fizeram g-grandes mudanças, Lixie. — Respondi, querendo que ele parace de diminuir as coisas que tinha feito— Obrigado.

— Hyunjinnie... — Foi a única coisa que ele disse, e eu não consegui dizer nadinha também...

Depois de alguns minutos, eu já estava quase dormindo abraçadinho com o Lixie. Mas ele tentou se levantar.

Senti meu coração acelerar. Eu queria dormir com ele assim...

— Hyunjin, já está tarde... — Ele riu baixinho, resmunguei.

— D-dorme comigo, Lixie. — Pedi, sem querer soltá-lo — Não deixa só...

Não gosto de dormir sozinho quando algo ruim acontece. E estou com preguicinha de chamar papai para dormir comigo...

— Tem... T-tem certeza?

Acho tão fofo quando ele sempre pergunta as coisas antes de fazer. Isso me dá um sentimento tão grande de segurança e de que eu escolhi o garoto certo para ser um bobinho apaixonado.

— Não gosto de d-dormir sozinho quando algo ruim acontece, Felixie. — Respondi, suspirando— S-seu... Seu cheiro me acalma.

Acalma tanto... Não nega Lixie,

— Durmo com você sim. — Sorri com sua resposta, feliz por não dormir sozinho e ainda dormir no abraço do Lixie— Já ouviu fazer em conchinha?

Meu Deus. Meu coraçãozinho...

— I-igual nos livros? — Perguntei, mordendo o lábio inferior e sentindo um sentimento indescritível.

— Sim. É mais confortável. — Respondeu,me fazendo sorrir ainda mais — Você quer dormir de conchinha comigo?

Sim, sim, sim!

— Um-hum. — Murmurei, sentindo minhas bochechas esquentarem com a minha pergunta seguinte — M-me da um beijinho antes, Lixie...

— Onde? — Perguntou, quis da um tapinha em seu ombro. — Brincadeira, docinho. — Ele riu, segurando em minhas bochechas coradas e beijando minha boca. Eu gosto tanto disso.

Satisfeito por ter conseguido um beijinho seu antes de ir dormir, me virei de costas e esperei que ele fizesse o que os personagens dos livros fazem : Me abraçar por trás e dormir de conchinha.

Dormir de conchinha com o Lixie!

— Está tudo bem? — Ele perguntou, fazendo meus pelinhos se arrepiarem quando tocou seu nariz em minha nuca.

É tão bom assim...

— Sim, Felixie. — Respondi, fechando os olhos. — B-boa noite, dorme bem.

— Boa noite, docinho.

[...]

Eu sinto que posso chorar...

O Lixie realmente me deu um anelzinho de plástico, como disse que daria. E é azul com um coraçãozinho!

E ele disse que não somos mais apenas amigos, eu não sabia bem o que aquilo significava, mas vovô me explicou que ainda não somos namoradinhos.

Ninguém pediu.

Eu quero pedir.

Eu quero dar esse passo, como diz aqui no google.

"Namorar é dar um passo a mais em uma relação, seja de amigos para namorados ou apenas um namoro arranjado. Pode ou não pode envolver um sentimento maior que a atração sexual"

Não preciso comentar sobre como fiquei constrangido depois que li isso...

Mas não quero pensar muito nas responsabilidades e liberdades que namorar traz. Eu só quero ser o namoradinho do Lixie e dizer que tenho um namoradinho também! E Fazer aquelas meninas bobonas que ficam de gracinha pro Felix sempre veem na livraria... Poxa, é tão difícil isso de relacionamentos, as pessoas só deveriam respeitar o espaço pessoal dos outros e não deixá-los desconfortáveis...

Mas eu ainda não sei como fazer um pedido para o Lixie ser meu namorado.

Então, além de meus amigos, o google também iria me ajudar nisso.

"Como fazer um pedido de namoro?" Perguntei, mordendo o labio inferior enquanto carregava a minha pesquisa e suspirei.

" Conheça os gostos da pessoa: Procure fazer o pedido baseado nos gostos do parceiro ou parceira, pois além de ficar mais fácil de agradar, você vai deixar o momento bem mais especial."

— lixie, me diz... T-tem algo que o Felix g-goste de fazer fora de casa? — Perguntei para Jeongin, que riu baixinho.

— Além de sair com você?

— Antes de m-me conhecer, Innie! — Ri envergonhado, negando com a cabeça.

— Se eu contar, você se assusta. — Riu junto com Changbin, os olhei confuso.

— Como a-asim?

— Brincadeira, neném.— Jeongin sorriu, parecendo pensar. — Ah, sabe aquele parque vocês vão sempre?— Perguntou e eu arregalei os olhos.

Era isso! Lá foi a primeira vez que nos abraçamos e... Minha nossa, eu posso chorar só de imaginar todo o que vai acontecer.

— V-vocês me ajudam? - Perguntei meio constrangido, eles já tinham me ajudado tanto nesse mes de agosto que às vezes fico com vergonha de pedir mais ajuda.

— Meu amigo merece o pedido de namoro mais fofo desse mundo, Hyun. — Jeongin respondeu, me fazendo rir. — E só você pode proporcionar isso para ele, afinal, não tem ninguém mais fofo que você para fazer isso.

— Innie!— Respondi, ficando ainda mais constrangido.

Li a última frase da pesquisa que havia feito e suspirei. " Vá sem medo: não tenha medo de demonstrar seu amor, ouse, crie e transforme o pedido em algo inesquecível."

Eu vou ser o melhor primeiro pedido de namoro do Lixie!

[...]

Papai estava me apertando em mais um abraço apertado.

E eu estava com tanta vergonha, mais uma vez.

— Quanto você quer, filho? Precisa de buquês de flores? — Perguntou, tirando o cartão de crédito da carteira.

Eu tinha acabado de contar para ele que amanhã eu seria o namoradinho do Lixie. E ele não conseguia parar de sorrir... Como eu pude ter medo do papai não aceitar meu...Meu quase namoro com o Lixie, se ele sorrir assim só com a ideia de ter ele na nossa família?

Ter ele na família oficialmente, ele e nossos amigos já são da nossa família a muito tempo.

— P-papai... Abre a porta, tenho aula... — Ri baixinho, fazendo ele perceber que ainda estávamos em frente a escola. — E... E n-não precisa de dinheiro agora, papai, obrigado.

Juro de mindinho que tinha desacostumado à rotina na escola! Mas o professor e a senhorita Dahyun ajudaram-me a me readaptar ali, e foi muito divertido no primeiro dia de aula depois das férias. Vimos um filminhos educacional sobre a antiga Grécia e eu juro que fiquei muito feliz ao ver os deuses ali!

Durante o dia, eu só conseguia pensar em tudo que aconteceria amanhã, se eu conseguiria dizer pro lixie tudo que queria, se o moço do anelzinho de resina conseguiria entregar minhas alianças personalizadas até o final dessa noite e se os docinhos que pedi pro Seungmin pedir naquela cafeteria perto da universidade do lixie, estariam prontos.

Eu não quis comprar alianças de prata, pedi para fazerem uma igual uma referência que tinha visto na internet! Peguei florzinhas da plantinha azul que o lixie me deu quando fomos na floricultura que o Jeongin trabalha e umas folhas de ouro sintético, é simples? Sim, mas Felixie vai gostar, eu sei que sim!

— Realmente, a história deles é tão linda... — O Lixie murmurou, quando terminamos de ler aquele livro triste.— Você quase não comeu a sua tortinha.

Olhei para a fatia da tortinha em meu prato e sorri, negando com a cabeça.

— É difícil comer e ler ao mesmo tempo, Felix. — Dei uma risadinha, comendo um pouco do que já estava na colher. Lembrei do nosso código secreto para dar bitoquinhas e sorri mais uma vez. — Quer t-tortinha?

Eu gosto quando ele arregala os olhinhos e sorri logo depois, fazendo uma expressão engraçada, olhando para minha boca.

Não sabia que dar bitoquinhas era tão... Viciante.

— As vezes eu demoro para entender se você está realmente me oferecendo a torta ou beijinhos seu. — Respondeu, rindo e neguei com a cabeça devagar.

Às vezes ele é mais lerdinho que eu.

— B-bitoquinhas, Lixie. — Sorri, fechando os olhos e a boca, esperando que ele fizesse o que tanto gostamos de fazer.

Eu gosto tanto quando ele segura no meu lábio de baixo e puxa devagarinho, fazendo cócegas em minha boca e acariciando minha nuca com as mãozinhas fofas. Eu não sinto medo quando ele me toca assim, na verdade, só quero saber o que mais ele pode fazer e me fazer sentir ainda melhor do que eu me sinto. Sei que meu conhecimento para relacionamentos e bem pouquinho, mas eu gosto tanto da paciência que o Lixie tem em me ensinar tudo.

— Lixie... — Chamei, querendo fazer o pedido para irmos ao parque amanhã.

Mas nada saiu. Eu dei mais uma travadinha quando sua mão desceu e acariciou meu pescoço, fazendo mais cócegas gostosas.

— Sim, docinho?

— Gosto dos seus b-beijinhos.— Foi o que saiu da minha boca.

Fui bobo.

Eu deveria ter dito, mas depois que ele voltou a me dar mais bitoquinhas curtas e gostosas, não consegui pensar em mais nada. Quando dei por mim, já tinha cochilado no abraço do Lixie e só acordei quando ele tinha ido para casa.

Quando eu iria ligar para ele, meu celular brilhou e o nome do Jeongin na tela.

— Oi, Innie...— Bocejei, balançando a cabeça.

— Oi, neném! — Sua voz soou animada. — Eu e o Minnie acabamos de pegar as aliancinhas que você pediu para fazer! Estão tão fofas!

Meu coração acelerou.

— vocês podem t-trazer para hyunjinnie? — Perguntei, ficando meio nervoso.

— Claro, lindinho! — Riu baixinho, deixando minhas bochechas quentes novamente.

Depois que conheci os meninos, a coisa favorita de minhas bochechas e orelhas é ficar vermelhinhas.

— Chegamos em alguns minutos, Hyun.— A voz do Seungmin disse dessa vez, balancei a cabeça e concordei.

Eu preciso falar com o Felix antes de amanhã, ou sinto que não conseguirei dormir. Juro, Juro!

— Alô? —Sorri quando sua voz rouquinha de rosb.. Robô passou por meus ouvidos.

Será que acordei ele?

— Lixie? — Chamei, anunciando que era eu, seu menino das bitoquinhas.

— Quem é, filho? — A voz da tia Taeyeon me fez sorri novamente, ela parecia meio preocupadinhad.

— Hyunjinnie, mamãe. — O hyung respondeu, e, quando eu iria falar algo, fui interrompido,— Docinho, aconteceu algo? — Mais preocupado, ele perguntou.

Ele estava dormindo quando saí.

— É que... H-Hyunjinnie não conseguiria dormir se... Se não falasse com você. —Confessei, mordendo o lábio inferior e tentando me concentrar,

— O que aconteceu?

— Não é nada muito sério! — Adiantei, rindo fraquinho.

— Você ainda me mata do coração, sério. — Ele riu, me fazendo arregalar os olhos.

Isso nunca!

— É que... B-bem... — Comecei, sentindo manhas maos suarem amsi uma vez e meu coração acelerar.

Meu Deus.

— Pode dizer, Hyunjinnie. — Ele me incentivou, suspirei. Prefiro quando me chama de docinho...

— Lembra de quando o Lixie disse que i-ia me levar no... No parque toda quinta? — Finalmente perguntei, mordendo o lábio inferior e respirando fundo.

Você consegue, Hyunjinnie.

— Lembro sim, docinho. — Riu, me fazendo suspirar aliviado.. — Quer ir lá amanhã? — Sim, sim!

— Sim! —Verbalizei minha resposta, mais tranquilo . — Vamos amanhã, por favor.

— Claro! Quer andar em Blim-Blim? — Lixie, se você souber...

— Também, lixie. — Ri baixinho, sem negar sua supo...Suposição— Tchau, b-beijinhos, Felixie!

Muitas, muitas bitoquinhas em sua boca fofa!

— Ah... Beijinhos, docinho!

Então, antes de finalmente dormir, fiz uma cartinha dizendo tudo que eu possivelmente não conseguiria dizer sem gaguejar. Eu estava feliz, dormir tão tranquilamente que sequer notei quando o dia amanheceu.

Só sei dizer, que hoje a noite eu durmo tendo meu primeiro namoradinho e sendo o garoto mais bobo do mundo. Como vovô prefere chamar: Um bobinho apaixonado pelo menino da livraria.

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