20
A velocidade que meu coração acelerou foi tão intensa que senti minha cabeça girar novamente.
Quis sair correndo dali, fugir mais uma vez. A expressão neutra de Junghyun me deixou confuso. A confusão de Jeongin, Seungmin e Hwang-hee me fizeram suspirar.
Mas foi o olhar assustado de Hyunjin e mamãe carregavam que me deixou ainda mais angustiado e possesso de ódio. As batidas na porta não paravam e lembrar que ele estava ali, me deixou de pernas bambas.
Estava indo tudo tão bem, o clima aqui na sala junto de minha família, estava tão bom. Mas ele tinha que aparecer e estragar tudo, mais uma vez.
— Lixie... — Hyunjin chamou, apertando com um pouco de força o seu cabelo. As batidas que aquele imbecil dava na porta eram altas e se já estavam me incomodando, não consigo imaginar o que Hyunjin sentia.
Aquilo deveria parar.
"O medo é inevitável, Felix. Você pode fugir dele pelo resto da vida, mas essa angústia que sente possivelmente nunca irá sumir. Enfrentar seus medos é um passo enorme para a superação" Foi o que Minho me disse na nossa última sessão de terapia que tivemos, antes da viajem.
Superação. Passar por cima dos meus medos. Enfrentá-los.
— Felixie? — Mamãe chamou num sussurro ao me ver levantar, logo após deixar um beijo curto na testa de Hyunjin. — Filho?
— Vou te dar vinte segundo para abrir essa porra! — Ele disse mais uma vez, praticamente chutando a porta.
Eu senti ódio novamente. Odeio esse sentimento, mas ele despertou essa sensação ruim em mim, mais uma vez.
Não tenha medo, você consegue.
Eu consigo.
— Abre essa por- — Sua fala foi cortada quando a porta finalmente foi aberta por mim.
Eu estava nervoso, angustiado e com raiva. minhas mãos tremiam.
Ele me encarou. De cima a baixo e sua expressão denunciava espanto. Ele parecia querer dizer algo, mas não saia nada de sua boca.
Ji-hoon vestia sua farda de delegado da décima delegacia de polícia Sul Coreana e aquilo me deixou meio assustado, mesmo que eu não queria demonstrar esse sentimento ruim para ele. Ele estava a minha frente, depois de tanto tempo, é parecia completamente horrorizado.
Nós nos encaramos por uns vinte segundos completos. O silêncio que se formou na sala foi ensurdecedor, apenas os passos de Ji-hoon foram ouvidos, assim que seu corpo adentrou a casa.
— O que significa isso?! — Foi a primeira coisa que ele falou, encarando minha mãe com confusão e fúria explícita. — Bem que me avisaram sobre uma movimentação estranha aqui na minha casa. O que é isso, mulher?! — Voltou a perguntar, visivelmente alterado.
— V-vim... — Respirei fundo, xingando-me internamente por gaguejar. Não seja fraco. — Vim visitar minha mãe.
— Você... Depois de anos, seu moleque irresponsável! — Foi o que ele respondeu, notei quando suas mãos tremeram ao tirar o quepe de sua farda. O que ele queria dizer com isso? — O que diabos esse tanto de gente faz na minha casa?!
— A casa também é da senhora Taeyeon. — Seungmin se pronunciou, sentado agora próximo a Hyunjin, que estava deitado sobre as pernas de seu pai, que fazia um carinho em seu cabelo compridinho.
— E quem é você?! — Ele gritou.
Quando Hyunjin se encolheu mais ainda, eu senti toda a fúria e medo guardados aqui dentro de mim, durante todos esses anos, explodirem de uma só vez.
— Fala baixo. — Disse, soando mais sério do que imaginava.
— Seungmin é meu namorado. — Jeongin respondeu a pergunta anterior, fazendo com que Ji-hoon intercalasse seu olhar entre meu melhor amigo e eu.
— Como é? Eu já disse que não aceito essa nojeira na minha cas-
— A casa é da minha mãe. — O interrompi, sentindo meu estômago se revirar em puro ódio. — Eu vim visitar a minha mãe e você chegou atrapalhando tudo!
— Só por que você está crescido, acha que pode falar comigo assim, moleque?! — Ele gritou novamente, me fazendo fechar os punhos com força.
— Pare de gritar. — Junghyun se pronunciou pela primeira vez após um tempo em silêncio, seu olhar era completamente assustador, e eu entendia bem o porquê.
— Hwang? O que você faz na minha casa? — Ele se virou novamente para encarar mamãe, que segurou com força a mão de Jeongin. — Os hwangs, na verdade. Esse moleque não estava no hospital?
— Tome cuidado com o que diz sobre meu filho. Seu nojento. — Ele respondeu, deixando Hyunjin sentado ao lado de Seungmin.
— Vão embora. — Ele respondeu, sem realmente se importar.
— Vim visitar minha mãe. — Respondi, negando com a cabeça.
Eu realmente não sabia o que pensar sobre essa situação. Minha cabeça estava a mil, mas parecia completamente vazia.
— Vinhemos acompanhar Felix. — Hwang-hee falou, se aproximando de Hyunjin e segurando em sua mão.
— Como vocês se conhecem?! — Ele praticamente gritou, sua raiva era evidente e eu senti voltade de soca-lo ao ouvir um murmúrio baixo vindo de Hyunjinnie.
— Não interessa. — Junghyun respondeu, notei suas mãos fechando-se em punhos.
— O que... O que você está fazendo aqui? Achei que só nos veríamos novamente no Tribunal.
Eu senti minha cabeça girar completamente. Como assim tribunal?
— Você não tem direito de desrespeitar uma pessoa autista. Não tem direito de desrespeitar ninguém, então fale baixo. — Foi o que Junghyun respondeu, dando um passo a frente e olhei para Hyunjinnie sentado ao lado de Seungmin. Ele parecia mais calmo e já não apertava mais seus cabelos.
Suspirei. Saindo de perto daquele homem e me sentando novamente ao lado dele, segurando em sua mão e o puxando para que deitasse sua cabeça em meu peito. Seu cabelo tão arrumadinho, estava completamente bagunçado por conta dos puxões que deu segundos atrás.
Por que ele tinha que aparecer justo agora.
— Vocês se conhecem?! — A voz asquerosa dele se fez presente novamente. Ele parecia indignado. — Que caralho, eu já disse pra meter o pé daqui, seu imbecil!
Ele estava falando comigo.
Mas eu não movi um dedo sequer.
— Eu já disse que vim ver minha mãe. Você não manda em mim. — Respondi, respirando fundo e sentindo o cheirinho de shampoo gostoso e calmo nos cabelos de Hyunjin. Senti uma calma impressionante. — Você está atrapalhando a visita, por que não saí daqui, imbecil?
Senti minha respiração travar quando o rolar mortífero dele caiu sobre mim.
— Você só pode está louco para falar desse jeito comigo! — Ele respondeu, se aproximando. Mas foi impedido por Junghyun, que se colocou em sua frente — Esperei que você vinhesse aqui pedir desculpas por todo vexame que me fez passar, seu imprestável!
— N-não diz isso do Lixie! — Hyunjin disse alto o suficiente para que sua voz ecoasse pela sala e Ji-hoon parasse seu showzinho de horrores.
O abracei mais forte quando vi o corpo fardado avançar para cima de nós dois novamente, sendo impedido por Junghyun e Seungmin. Ele parecia possesso de ódio.
— Desde quando você fala, coisinha chorona? — Ji-hoon perguntou diretamente para Hyunjin, que se escolheu contra meu peito e fez uma expressão bravinha, que eu particularmente vou achar fofo e sorrir feito um bobo ao lembrar disso mais tarde.
— D-desde... Desde quando arranjei um p-professor melhor. — Para a surpresa de todos, Hyunjin respondeu, apertando ainda minhas minha cintura com seus braços e apertando um pouquinho mais seus olhos já fechados. Aquela sua atitude me encheu de orgulho.
Ele também estava tentando superar seu medo.
— Como é que é, seu pirralho doente?! — Ele exclamou completamente chocado, avançando novamente para cima de nós dois. Mas Seungmin o empurrou.
De onde vem tanta força? Seungmin tem praticamente minha altura, e Ji-hoon tem quase um e noventa. Estou impressionado.
— Felixie, vamos sair daqui com o Hyun. — Hwang-hee pediu baixinho, segurando na mão de Hyunjin para que ele se afastasse de mim, coisa que não aconteceu.
Eu concordei, imaginando que a conversa que teríamos com meu precioso papai — frase repleta de ironia e repudio— não seria muito curta. Pensei em chamar mamãe também, mas ela apenas negou com a cabeça quando fiz menção a tal coisa.
— Onde você pensa que vai, moleque desgraçado?! — Ji-hoon perguntou estarrecido de ódio e confusão, eu apenas neguei com a cabeça e segui caminho com Hyunjin e Hwang-hee.
Nós caminhamos entre os corredores e paramos em frente a porta que eu sabia ser meu antigo quarto. Ao adentrar, me assustei ao perceber que tudo, exatamente tudo, estava na mesma forma que eu deixei quando saí dele pela última vez.
Até meus posters vergonhosos de animes estavam nas paredes!
Exemplo: Eren de Shingeki no Kyojin¹
só de cuequinha e o abdômen maravilhoso a mostra, e a Mikasa só de lingerie ao seu lado — Eu me envergonho de ter sido um adolescente modinha influenciável , está bem? Poderiam ser posters normais? Poderia, mas meus amigos realmente foram ótimos, ou ruins, depende do ponto de vista, influenciadores para esses posters.
Me admira muito ele não ter acabado com esse quanto aqui, na mesma semana em que saí de casa.
— Fiquem aqui, está bem? — Falei ao sentar junto com Hyunjin na minha antiga cama, suspirando quando seus braços me apertaram ainda mais. — Hyunjinnie...
— Ele v-vai machucar você, Lixie! — Ele disse balançando a cabeça para os lados, se negando a me soltar a qualquer custo.
Um barulho alto de algo quebrando na sala me assustou, fazendo com que eu mesmo apertasse Hyunjin ainda mais contra meu corpo.
— Hyunjin, meu amor, Felixie precisa voltar lá. — Hwang-hee disse se sentando ao lado do garoto tão agarrado a mim, quanto eu nele.
Aos poucos, os braços ao redor de minha cintura foram perdendo a força e eu suspirei meio chateado quando isso aconteceu. A verdade é que eu realmente não queria deixar eles sozinhos aqui — ainda mais nesse quarto com pôsters vergonhosos— Mas meus amigos e minha mãe estavam sozinhos lá na sala junto de Ji-hoon, e eu precisava enterrar de vez esse medo insuportável.
— Olha, docinho. — Me levantei e agachei em sua frente, tirando meu fone e celular do bolso da minha calça. — Coloque isso nos ouvidos, está bem? Ele pode começar a gritar novamente e não quero que isso te machuque...
— lixie, m-mas e você?
— Eu já disse que esta tudo bem, hyunjin-ssi! — Sorri, levando minha mão até sua bochecha e fazendo um carinho curto. — Jura de dedinho que vai por os fones?
— Juro, juro. — Ele concordou e eu sorri aliviado.
Entreguei meu celular para hwang-hee já no aplicativo de música e o fone plugado no aparelho. Observei Hyunjin colocando os fones e sorri novamente.
— Não demoro a voltar. — Falei, me levantando e deixando um beijo na testa de Hyunjin, acenando para hwang-hee não deixar que ele realmente tirasse os fones. Ele concordou com a cabeça.
Respirei fundo e me virei de costas, retomando o caminho que fiz voltei para a sala.
A imagem que tive foi realmente surpreendente e meio assustadora.
Seungmin estava sentado sobre as pernas de Ji-hoon enquanto lhe socava o rosto. Exatamente. Seungmin estava batendo no meu pai.
— Se você chamar hyunjin de doente e insultar jeongin e felix novamente, eu juro que vai ficar sem capacidade de socar esse pau nojento em qualquer lugar que seja! — Foi o que ouvi antes de ver o corpo de Seungmin se levantar ao ser empurrado por Ji-hoon, que levantou cambaleando e com a mão no rosto.
O que tinha acabado de acontecer?
— Vocês estão fodidos! — Ele disse, caminhando até o espelho da sala e arregalando os olhos inchados ao ver o estado caótico de seu rosto.
— O que aconteceu?! — Perguntei meio horrorizado, vendo mamãe chorar e ser segurada por Jeongin.
Sabia que Seungmin era meio impulsivo, mas eu agradeço muito por ele ser impulsivo e aparentemente bom de briga. Eu estou surpreso, tipo... Meu Deus, o seungmin tava socando a cara do meu pai enquanto Jeongin e Junghyun tentavam tirar ele de lá? Meu Deus!
— Eu vou te arrebentar, moleque! — Ji-hoon, ao ouvir minha voz, veio com tudo para cima de mim. Eu, por reflexo, me afastei rapidamente de si. — Vocês invadem minha casa, me socam e acham que vão sair em pune?!
— Se agressão for motivo para prisão aqui em Busan, você, seu delegado de merda, seria o primeiro a ser preso e condenado à prisão perpétua! — Acusei, cansado daquele showzinho de vitimismo que ele estava fazendo. Começando a me enfurecer novamente. — Você não tem direito nenhum de acusar ninguém aqui de agressão, se fizer isso, está mais fodido que qualquer um de nós aqui!
— Eu sou o delegado de Busan! Ninguém vai acreditar em um bando de nojentos que invadem minha casa, ainda mais com um médico acusado de matar a própria esposa! — Sua última fala fez com quê toda a sala se mantivesse em completo silêncio. Silêncio esse que foi tão incômodo quanto os olhares que Junghyun recebeu.
Eu estava em choque.
Aquilo realmente não poderia ser verdade.
— O que... ? — A pergunta veio de mim. Olhei para Junghyun e o vi negar fielmente com a cabeça, caminhando de um lado para o outro de forma meio desesperada.
— Você sabe que não fiz nada com Seohyun! — Ele se defendeu. — Não sei porque está trazendo de volta esse assunto, foi deixado muito claro pelo meu advogado que Seohyun faleceu por causas naturais e eu nem estava na cidade com esse incidente aconteceu!
— O Júri ainda não decidiu sua inocência, seu desgraçado. — Ji-hoon falou novamente, olhando ao redor e fixando o olhar em mim. — O que diabos você veio fazer aqui em Busan depois de tanto tempo, moleque? Achei que nunca mais veria essa sua cara de menininha e agora você me aparece rodeado de gente assim?! Parece que o tempo que ficou passando necessidade não te fez criar juízo.
— O que você quer dizer com isso? — Sem entender suas insinuações e insultos, perguntei.
— Parece que Jungkook não fez o serviço do jeito que eu mandei fazer. — Ele respondeu, tirando um pouco do autocontrole que eu ainda tinha em meu corpo.
Jeon Jungkook foi o filho da puta que quase me mandou para a cadeia por algo que eu não havia feito.
Meu ex namorado foi mandado pelo meu pai... ?
Não, hahaha. Não é possível que ele seja pobre a esse nível.
— Surpresa, filho queri- — Ele não conseguiu terminar sua fala, já que o soco que lhe dei o fez cambalear para trás novamente, com a mão no nariz. — Seu desgraçado!
— Felixie! — A voz de mamãe ecoou pela sala, mas no momento tudo que eu queria era descontar os anos de frustração e medo que esse cara me fez passar.
— Você não tem o direito de ferrar a minha vida assim! — Disse, sem ter tempo para pensar e já lhe dando outro soco no rosto. É completamente errado dizer algo assim, mas socá-lo era revigorante. — Passei três dias preso por algo que não havia feito! Você é nojento! — Eu tentei lhe socar novamente, mas Junghyun me segurou pelas costas, abraçando meu corpo.
Não queria seu abraço agora, queria acabar com a cara cínica desse desgraçado!
— Do quê v-você esta falando, Felixie? — Era mamãe a perguntar, ainda sentada na poltrona de antes, visivelmente mal com aquela situação toda.
— Seu filho nojento se envolveu com um cara e como recompensa disso, foi mandado pra cadeia por quase explodir uma Universidade inteira, meu amor! — Ji-hoon respondeu, limpando o sangue que escorreu de seu nariz e boca. O cinismo era evidente em cada palavra dita por ele e eu senti meu estômago se revirar com tanta mentira sendo contada.
— Não acredito... — Mamãe respondeu, negando fielmente com a cabeça.
— É mentira! Jungkook quem fez tudo, ele colocou tudo lá e armou uma cilada para mim! Ele sumiu depois de tudo! Ele só sumiu! — Neguei todas as acusações, sentindo meus olhos arderem ao relembrar de todos os acontecimentos.
Era tudo culpa de Ji-hoon. Meu pai queria acabar com minha vida.
Não era possível.
— E quem se importa se ele sumiu?! Aquele imbecil não fez o serviço direito e ainda some sem explicação alguma, era para ter feito você ter se fodi- — Me soltei rapidamente dos braços de Junghyun, lhe dando mais um soco no rosto. — Seu desgraçado!
— Ji-hoon, o que você quer dizer com isso? — Mamãe, depois de longos minutos sentados naquela poltrona, se levantou realmente alterada. — Está querendo dizer que você armou junto de algum homem para que ele... C-conquistasse meu Felix e mandasse ele para a cadeia?! É isso mesmo?!
— O que você pensa que está fazendo, mulher?! — Ele perguntou se aproximando de minha mãe, mas eu me coloquei em sua frente.
— Se você encostar um dedo nela, eu faço você encontrar Seohyun antes mesmo do que imagina. — Falei então, sabendo exatamente que tipo de relação nojenta ele tinha com a mulher que fez Hyunjin ter tantas inseguranças. Eu odeio os dois, sinceramente.— Eu vou sair daqui com mamãe e você não vai fazer nada. Não vai vir atrás da gente e cuidar desse rosto todo fodido.
— E com que autoridade você acha que vai fazer isso? — Ele segurou nos dois lados do meu moletom, aquela expressão de ódio visível em seu rosto e eu senti vontade de vomitar só por ter suas mãos me segurando novamente.
— Felix, eu não sei. Mas eu tenho um áudio aqui de quase vinte minutos de você sendo um escroto do caralho. — Jeongin disse, surpreendendo a todos. — Eu não sou bom de briga, sabe? Então achei melhor gravar essa sua confissão toda.
— O que... ? Me dê esse celular! — Ji-hoon tentou avançar em direção a Jeongin, mas foi impedido por outro soco meu.
Confesso que nunca me senti tão bem sentindo dor nós punhos. Minha mão está doendo, mas ver suas expressões doloridas era gratificantes demais.
— Se você pegar, não vai conseguir apagar mesmo! — Ele disse, correndo ate Seungmin e se escondendo atrás de seu corpo pequeno, me fazendo sorrir com sua atitude.
Eu tenho o melhor, melhor amigo de todos!
— Vamos embora. — Junghyun falou, encarando com certo repudio o homem a sua frente. — Felix, vá pegar meu pai e Hyunjinie.
Nestas circunstâncias da vida eu não posso nem fazer uma piada dizendo que já pego o filho dele quase todos os dias.
A passos apressados, eu segui caminho para meu antigo quarto e sorri ao ver Hyunjin e Hwang-hee ainda sentados sobre minha antiga cama, Hyunjin estava deitado sobre as pernas do meu chefe e ainda tinha os fones conectados e seus ouvidos. Seus olhos estavam fechados com calma e sua respiração estava calma, indicando que ele não havia escutado absolutamente nada do que havia acontecido a segundos atrás.
— Já vamos embora? — Hwang-hee perguntou baixinho, concordei com a cabeça e esperei que eles se levantassem.
— Lixie bem? — Hyunjin perguntou quando percebeu que eu estava aqui, tirando os fones de ouvido e se aproximando de mim.
— Sim, sim, docinho. — Sorri, lhe abraçando com força. — Está tudo bem agora.
— O que aconteceu? — Ele perguntou ao retribuir meu abraço, rodeando minha cintura com cuidado.
— Não se preocupa com isso, está tudo bem. — Me afastei, deixando um beijo em sua testa.
— A t-tia vem com a gente? — Perguntou visivelmente preocupado, afastando-se de mim.
— Sim, ela não fica aqui nem mais um dia.
Não era muito bem isso que eu estava imaginando, mas não poderia terminar de forma melhor.
Eu soquei o rosto dele, dei socos neles. Um não, nem dois! Viram vários. Eu realmente não deveria estar feliz assim por bater em alguém. Mas por bater nele, eu não sinto ressentimento nenhum.
— Você não vai com eles! — Foi a primeira coisa que eu ouvi quando chegamos na sala, Ji-hoon era segurado contra a parede por Seungmin e Junghyun, que apertava com certa força o pescoço do homem.
Hyunjin, ao ver a cena, arregalou os olhos e levou a mão até a boca. Sua expressão denunciava surpresa e, se eu pudesse palpitar, um pouco de horror. Mas também parecia estar feliz.
Não o julgo, de forma alguma. Aquilo também me deixava com um sentimento enorme de gratidão por Junghyun está fazendo aquilo com um homem tão nojento quanto eles. Eles entraram na minha vida para ficar. Não imagino mais seguir uma vida sem que eles estejam comigo.
— Eu acreditei que você tinha mudado, Ji-hoon! V-você disse que estava tentando entrar em contato com Felix! — Mamãe disse chorosa, senti um aperto no peito ao vê-la daquela forma. Mas sabia que todas as suas mágoas estavam sendo colocadas para fora, então tudo que fiz, foi me afastar de onde estava e ir abraçá-la. — Você mentiu para mim, quase fez meu filho ir para cadeia! Você tem noção do quão doente é isso?!
— Recomendo tratamento psicológico. — Jeongin comentou, ainda com o celular em mãos e a função "Audio" ligada.
Já disse que amo meu melhor amigo?
— Me soltem, desgraçados!— Ele se debateu com força. Mas era dois contra um, então não adiantou de nada. — Vocês vão se arrepender de estarem fazendo isso, saiam logo da minha casa!
— A casa é da minha mãe! — Eu rebati, abraçando mamãe com mais força enquanto ela chorava em meu peito. — Vamos embora sim, mas saiba que você nunca mais vai vê-la novamente.
— E não tente usar sua influência como delegado para tentar abrir um mandato de prisão contra a gente, está bem, seu escroto? — Jeongin falou, guardando o celular no bolso depois de tanto tempo. — Temos provas aqui que podem muito bem te mandar para prisão mais segura desse mundo.
Sim, eu amo meu melhor amigo.
— Lixie... — Hyunjin chamou, me tirando do transe de ódio que eu estava. — Vamos embora?
— Esse moleque fala mesmo? — Sem cansar de ser um nojento, Ji-hoon ainda teve a idiotice de perguntar.
Se olhar matasse, acho que esse filho da puta já teria se velório marcado.
— Falo. — Hyunjin respondeu, suspirando e cruzando os braços. Ele não parecia apenas bravo, mas também estava cansado. — V-você é tão ruim...
Eu quero chorar de orgulho e surpresa. Ele estava enfrentando alguém que lhe fez mal.
— O que disse? — Ele perguntou, parecendo surpreso com a fala tão seria e decidida de Hyunjin. Mas se planejava dizer algo a mais, foi calado por mais um soco desferido por Junghyun.
Junghyun é muito bonito, me sinto meio errado em dizer isso. Mas socando alguém, juro...
Não sei se é o momento certo para dizer isso, mas meu sogrão é um homem da porra.
— Disse... — Hyunjin começou a dizer mas parou por possivelmente estar nervoso. Mas afastei-me de mamãe apenas para puxá-lo para perto de mim, o encorajando silenciosamente a continuar sua frase. Não deixe que esse cara te cale novamente. — Eu d-disse que você é ruim... Escolheu duas pro... Profissões que cuidam das pessoas, e c-conseguiu ser alguém tão... tão podre nas duas!
Eu confesso que ouvir Hyunjin falar assim me deixou muito surpreso, mas completamente feliz. E a surpresa não foi apenas de minha parte, era notável na expressão de qualquer um nesta sala o quão surpresos e felizes estavam com a evolução e controle de Hyunjin. Eu quis segurá-lo no colo e pular pela sala inteira com ele!
— O que você quiser dizer com isso, seu merdinha?! — Aproveitando a emoção de Junghyun ao ouvir seu filho dizer algo tão "novo", Ji-hoon acabou forçando seus braços a se afastar dos dois que o seguravam e veio rápido até mim, Hyunjinnie e mamãe.
Mas, com o barulho alto de algo quebrando em sua cabeça, ele veio ao chão antes mesmo que pudesse encostar em qualquer que fosse seu alvo.
Jeongin havia quebrado um vaso com flores na cabeça de Ji-hoon.
O baque foi tão forte que foi capaz de derrubar o quepe da cabeça do homem à nossa frente, assim como o próprio dono do chapéu.
— Ele morreu?! — Mamãe perguntou quase que desesperada, sem se soltar de mim.
Junghyun abaixou-se em frente do corpo caído à nossa frente, levando os dedos até o pescoço de Ji-hoon e suspirando.
— É meio errado o que vou dizer, mas infelizmente, não. — Ele se levantou, indo até Hyunjin e o abraçando com força. — Estou tão orgulhoso de você, meu menino, ouvir você falando aquilo foi tão bom! — Era notável a sua mudança de humor.
Eu senti vontade de chorar, e olhe que o orgulho que ele sentia nem era de mim.
— Vamos e-embora, por favor, papai. — Hyunjin pediu baixinho, escondendo o rosto no peitoral do seu pai.
— É melhor... Não quero que ele acorde comigo ainda aqui. — Mamãe me respondeu, deitando sua cabeça em meu ombro.
É como se fosse um sonho, puta merda, eu realmente estava com minha mãe novamente. Eu consegui ter ela de volta ao meu lado! Sem ele.
Nós saímos juntos daquela casa. E quando chegamos no carro, os suspiros aliviados foram logo soltos por todos. Hyunjin deitou sua cabeça em meu ombro assim que entrou no carro.
— Está t-tudo bem, Felix? — Sua voz preocupada me tirou do mundo dos pensamentos, sorri para si, dando um beijo em sua testa.
— Está sim, docinho. — Segurei em sua mão, a acariciando. — Muito melhor do que imaginei. E você?
— Bem... — Ele murmurou, fechando os olhos. — E-estou cansado e minha cabeça dói... M-mas bem, estou aliviado.
— Aliviado? — Sorri, encarando seu rostinho de perto. Ele parecia realmente cansado. — Também estou aliviado.
— Tá vendo, tia? — A voz de jeongin soou pelo carro assim que ele entrou, sentando ao meu lado. — Eles são mais melosos que aquele casal de drama coreano que a gente via a tarde!
— Jeongin! — Seungmin disse, entrando junto a Hwang-hee e Junghyun e se sentando na frente. — Vai matar o Felix de vergonha.
Eu realmente pensei em me afundar nessa poltrona.
Mas quando Hyunjin apertou seus braços em minha cintura, sorri aliviado. Não preciso mais esconder o que sinto por ele, todos aqui sabem o que sentimos um pelo outro e, mesmo que seja meio vergonhoso, é muito bom.
— Vamos ter que adiantar nossa volta para Seul. — Junghyun falou quando o carro começou a se mover, apertando com força o volante. — Vamos embora na quarta, amanhã eu vou resolver mais algumas coisas e então voltamos.
— Eu sinto muito por tudo que vocês ouviram lá dentro... — Mamãe se lamentou, soltando um suspiro que eu não pude decifrar naquele momento. Mas eu sabia que seus sentimentos se misturavam entre alívio e angústia.
— Tudo bem, senhora Lee! — Hwang-hee quem respondeu, virando seu rosto para trás para olhar o de mamãe. — Nós até tínhamos deixado o carro aqui para se acaso aquele cara aparecesse, nós fugiríamos pela porta dos fundos. Mas acho que Felix agiu bem em enfrentar Ji-hoon, ele precisava disso.
Eu precisava. Era o primeiro passo para a superação.
— Eu achei que fosse morrer quando vi ele parado lá na porta me olhando com aquele olhar de espanto. — Confessei, soltando um riso meio constrangido.
— E-eu senti meu peito apertar. — Hyunjin disse baixinho, me fazendo suspirar e deixar um beijo em sua testa. — Mas foi... Sinto um s-sentimento de alívio.
— Eu também sinto. — Mamãe disse, apertando minha mão.
Eu quis perguntar o que tinha a feito aguentar tanto tempo perto de alguém como Ji-hoon, quis saber porque alguém tão extraordinária como mamãe se deixou viver em um relacionamento tão tóxico ao ponto de chegar a ser prisioneira e sua própria casa.
— Tem perigo dele seguir a gente? — Seungmin perguntou para mamãe, que negou com a cabeça em um suspiro.
Como ele vai seguir a gente se estava desmaiado?
— Eu nunca vi Ji-hoon tão transtornado do jeito que ficou quando Jeongin mostrou o celular com as gravações para ele. Tenho... Tenho certeza que ele vai querer manter a pose de homem exemplar e não vai deixar tudo que conquistou escorrer entre seus dedos por conta de coisas assim... — Respondeu, e eu pude notar a mágoa em sua voz. — Eu tentei acreditar que ele tinha mudado, mesmo que tenha passado praticamente os últimos anos fora de casa, achei que fosse por conta de seu trabalho.
— Ele foi professor de Hyunjin durante quatro anos. E eu tentei ver desenvolvimento em meu filho, mas tudo que ele e minha ex esposa fizeram foi deixá-lo ainda mais... Quieto. — Junghyun falou, apertando ainda mais o volante de seu Toyota SWA SR.
— Eu sinto muito...
— Não se desculpe pelo que você não teve culpa, senhora lee. — Junghyun respondeu, olhando para mamãe pelo retrovisor interno do carro. — Só estou tentando lhe fazer entender com que tipo de gente você conviveu por tanto tempo.
Foi a última coisa sita dentro do carro em voz alta, mamãe apenas seu um aceno com a cabeça e a escoltou na janela, olhando o movimento que as ruas faziam a cada esquina que passávamos. Quando chegamos na Casa de Praia do Hwangs, mamãe arregalou os olhos assim que a viu, justamente como eu no primeiro dia que ficamos aqui.
Junghyun lhe mostrou o quarto onde ela ficaria até quarta-feira e depois saiu junto a Hwang-hee para resolver algumas coisas na cidade
Confesso que fiquei meio apreensivo em ficar sozinho com os meninos e a minha mãe. Vai saber se aquele doido não resolve esquecer a boa fama que tem e queria fazer alguma loucura?
Mas, ainda bem que não ocorreu nada de incomum durante o resto da tarde. Só Hyunjin que ainda está dormindo. Ele se deitou as quatro da tarde e já são sete da noite, ele possivelmente ficou muito cansado e dormiu mais que o comum, se bem que não é nem comum ele dormir a tarde, mas aquele dia estava tão incomum de manhã eu não tinha certeza nenhuma se conseguiria ver mamãe e, a noite, ela está aqui conosco, preparando o jantar.
Eu confesso que a comida de Junghyun seria completamente dispensável nesse exato momento.
— Será que a tia está bem? — Jeongin perguntou, acariciando o cabelo de Seungmin, que estava deitado em sua perna. Estávamos na sala.
— Ela disse que precisava pôr os pensamentos no lugar e que seria bom fazer isso enquanto cozinha. — Respondi, suspirando logo depois. — Estou preocupado, quero saber das coisas que aconteceram com ela enquanto estive fora, mas também com medo de perguntar...
— Ela está mais magra. — yang pontuou, suspirando. — Mais pálida e também com menos cabelo.
— Jeongin deveria ser um perito criminal também. — Seungmin respondeu, segurando na mãozona de Jeongin e deixando um beijo ali.
— Acho que vocês deveriam parar de melosidade. — Eu provoquei, sorrindo para eles. Mas meu sorriso se desfez completamente ao lembrar que, minha nossa, eu sou pior que eles.
— Disse o cara que comprava tortinhas de morango pro garoto que gosta, mesmo ele não podendo comer. — Seungmin disse sorrindo, levantando-se do colo de Jeongin. — Você é o cara mais meloso que eu já conheci, Felix.
— Só por comprar o doce favorito de Hyunjinnie? — Franzi o cenho, confuso com aquele seu argumento.
— Tortas, músicas, flores, fadas... — Ele respondeu, me deixando meio constrangido. — Desde quando você gosta de fadas mesmo?
— Não só fadas, Hyunjin gosta da mitologia em si, mas fadas são suas favoritas. — Dei de ombros, fingindo não me importar com aquela sua provocaçãozinha.
— Duvido que saiba qual é a fada favorita dele em Tinker Bell.
— Aquela azul, da água. — Respondi, confuso.
Como não saber? Ele tem mais de quinze desenhos daquela fadinha feitos por sim mesmo e umas cinco miniaturas dela espalhadas pelo seu quarto.
Seungmin deu de ombros, juntando a sobrancelha e parecendo pensar mais.
— Deus favorito no Olimpo?
— Isso é óbvio, Apolo. — Respondi, fingindo indiferença.
— Flor favorita?
— Aquela... Alguma coisa lá de Tigré.² — Juro que me esforcei para lugar da tal flor, mas eu sou realmente ruim com nomes.
— Livro favorito?
— Por que vocês estão fazendo um quis de quem conhece mais o Hyunjin? — Jeongin se pronunciou, caindo na risada. — E é óbvio que é O Pequeno Príncipe. Ele tem uns três pijamas desse.
— Quatro. — Respondi.
— E você também tem. — Meu melhor amigo respondeu. — Dois, no caso.
— Isso não é sobre mim. — Constatei, negando com a cabeça.
— Quantas miniaturas de gatos Felix tem mesmo? — Seungmin entrou na brincadeira de Jeongin, me fazendo arregalar os olhos.
— Cinco, contando com aquela que o Myung quebrou no final do ano passado.
— Por que vocês contam as minhas miniaturas de gatos guardadas no fundo do meu guarda-roupa?
— Você não guardava elas lá. Deu pra ver elas algumas vezes. — Seungmin deu de ombros. Fiz uma careta de nojo ao lembrar das vezes que eles chegavam bêbados de alguma balada que íamos antigamente e confundiam o quarto de Jeongin com o meu.
Não sinto nenhum pingo de falta desse tempo.
Eu até diria algo, mas meu celular tocou indicando uma ligação de Jisung. Fazia algum tempo que eu tinha mandado uma mensagem para ele surtando por ter beijado Hyunin pela primeira vez. Um dia, no caso.
— Meu grande amigo, Felix! — Ele disse, parecendo sorridente. — Diz aí, como é beijar a boquinha mais bonita que você já viu, como diz aqui na mensagem?
Eu quero sumir.
Ainda mais depois de ouvir a risada explosiva de Jeongin e Seungmin. Pra quê que eu fui deixar essa ligação de viva-voz, meu Deus.
— Você não podia ser mais discreto? — Respondi, tapando meu rosto com uma das mãos.
— Senhor Hwang está aí?
— Não, mas Jeongin e Seungmin sim. — Olhei para os dois bobocas, que ainda riam feito loucos.
— Então tudo certo. — Ele respondeu, rindo baixinho. — Ai, desculpa não ter respondido antes, eu sai com... Um antigo amigo meu, sabe? Aí as mensagens vão se acumulando e eu fico com preguiça de responder. — Suspirou, deixando algo cair e fazer um barulho alto. — Desculpa, estou arrumando alguns livros que uns clientes deixaram fora de ordem.
— Tudo bem. — Dei de ombros. — Como está Myung?
— Nenhum " Minha nossa, Hannie, tome cuidado para não se esforçar demais carregando esses livros que pesam mais que dois Pinschers!" ? — Ele perguntou, tive que conter uma risada alta. — E seu gato preguiçoso está bem, comendo igual um elefante deitado naquele seu tapete que fede a pelo de gato. — Fiz uma careta. Meu tapete nem fede!
— Mas ele tem sua própria caminha! — Protestei, ficando confuso.
Myung nunca deitou no tapete da sala, e sua do deita, logo vai pro seu colchãozinho, mesmo que o bixinho esteja mais desgastado que qualquer coisa naquele apartamento velho.
— Ah, aquela coisa fina era a caminha dele? — Jisung perguntou, rindo alto.
Odeio ele. Sério.
— Mas, ei. — Ele mudou de assunto, parecendo se sentar. — Um amigo seu veio aqui perguntando sobre você, eu disse que você não tava então ele pegou seu número.
Amigo?
— Que amigo? — Perguntei, ficando confuso. — Ele disse o nome?
— Eu nem perguntei. — Ele suspirou.
— Como você dá meu número para qualquer um que peça, Jisung?!
— Ele disse que te conhecia a uns, sei lá, dois anos! — Se defendeu, me deixando ainda mais confuso. — Ele era bonitinho ó. Caí dentro — Brincou, me fazendo rir.
— Eu estou quase namorando, Jisung. — Falei, corando ao ver os olhos curiosos de Jeongin e Seungmin me encararem e eles darem risadinhas. — Enfim, o que mais ele disse?
— Eu nem lembro, faz um tempo já.
— Que dia foi? — Juntei as sobrancelhas, mais confuso ainda.
— Umas cinco horas, por aí. — Deu de ombros, ouvi um suspiro vindo do outro lado da linha. — Mas, ei... Aquele professor do Hyunjin é bonito né?
— O que?
— O particular. O tal fonoaudiólogo. — Dei risada, sabendo que ele falava de Changbin. — Esqueci o nome dele, é Cha...
— Changbin. — Respondi, confuso com sua mudança de assunto. A verdade é que falar com Jisung me faz rir a cada segundo, assim como é uma confusão sem limites. — Mas ele não é de casinhos.
— E quem disse que eu quero um casinho?! Não se pode elogiar pessoas bonitas? Eu sou lindo e nem por isso digo que quero me namorar. — Ele respondeu, me arrancando uma risada alta. — Talvez se eu encontrar algum clone meu por aí, mas seria meio que estar transando com um irmão gêmeo e isso é... Argh, nojento.
— Por que não temos uma conversa normal? — Dei mais uma risada, ouvindo outro resmungando seu.
— Porque você faz Psicologia, no mínimo você é variado das ideias. — Brincou, me fazendo rir baixinho.
— E você faz Advocacia.
— O que o cu tem haver com as calças? — Ele perguntou, me fazendo rir mais uma vez.
— Achei que estivéssemos falando de profissões agora. Você vive mudando de assunto. — Expliquei, respirando fundo e olhando para as escadas.
Queria que Hyunjin acordasse logo, eu realmente sinto falta de ouvir sua voz.
— Tudo bem então, aquele seu amiguinho pai da natureza está aí com você?
Porque Jisuny é assim, meu Deus.
— Estou sim, ok! — Jeongin respondeu, contendo um riso curto. — Pai da natureza foi de foder...
— Sua profissão é demais! — Jisung disse mais alto, talvez imaginando que Jeongin estivesse a milhões de quilômetros de distância de mim. — Seu namorado rabugento está aí?
Por que do nada ele quer saber de todos os meus amigos mesmo?
— Rabugento? — Seungmin ergueu uma sobrancelha, negando com a cabeça. — Rabugento...
— Rabugento. — Eu respondo, recebendo um tapa de Jeongin logo em seguida. — Está todo mundo aqui, Jisung. Menos Hwang-hee e Junghyun, já que eles saíram para fazer alguma coisa. Hyunjin-ah está dormindo e a mamãe cozinhando.
— Sabia que tinha alguma coisa para me dizer! — Ele disse de repente, me deixando mais confuso. — Sua voz está embargada como se tivesse chorado muito e você está fungando a cada dois minutos. O que aconteceu?
O que diabos acabou de acontecer?
— Como... O que você é? Um alienígena?
— Estudante de Advocacia, às vezes é necessário saber as reações do indivíduo para saber se ele diz a verdade ou não. — Respondeu, suspirando logo em seguida. — Repetindo: O que aconteceu?
— É complicado demais para explicar por celular...
— Legal. Mas ainda faltam mais de quatro dias para vocês voltarem e eu não aguento esperar até lá. O que aconteceu? — Insistiu.
— Nós vamos voltar na quarta-feira, Hannie. — Respondi, ouvindo um som surpreso seu.
— O que aconteceu?! — Disse novamente, me fazendo rir baixinho.
— É complicado...
— Se você repetir isso mais uma vez, eu juro que... Juro que... A foda-se, diz aí o que aconteceu. — Ri novamente, negando com a cabeça e não achando desculpas plausíveis para não lhe dizer agora.
— Resumindo, beijei Hyunjin no sábado à tarde, domingo a gente saiu pra sorveteria e ele viu meu pai, que também foi seu professor, e começou a... Passar mal. Nós voltamos pra casa, perguntei o que tinha acontecido e ele me explicou daquele jeitinho fofo que-
— Sem boiolisse. — Ele me interrompeu, sua voz estava séria, mas por algum motivo, eu sabia que ele tinha um sorriso pequeno no rosto.
— Sem graça. — Resmunguei, me ajeitando no sofá. — Eu meio que surtei quando Hyunjin falou que meu... Que aquele cara tinha sido seu professor, dormi quase doze horas seguidas e hoje nós fomos visitar mamãe, o filho da puta apareceu lá, fez uma confusão enorme e Jeongin gravou praticamente tudo. Agora estamos com a mamãe aqui na casa de Praia dos Hwangs e Hyunjin está dormindo desde que chegamos, mamãe cozinhando e a gente fofocando. — Respirei fundo ao terminar de falar, relaxando meu corpo no sofá.
— Porra, isso tudo aconteceu em três dias? — Ele deu um suspiro alto, parecendo surpreso. — Sua mãe está bem? E você? Hyunjin?
— Estou... Hum... Não sei dizer como estou. É um misto de surpresa e alívio, mas também ódio por todas as coisas babacas que aquele imbecil falou de nós, e de tristeza por ficar lembrando de tudo que ele já fez. Mamãe está meio... Instável, não consigo decifrar como ela está... — Suspirei, olhando de relance mamãe na cozinha, de costas para nós, concentrada em sua comida. — E Hyunjin não me pareceu muito bem, mas ele foi muito forte, até enfrentou o desgraçado!
— Hyunjin?! — Ele perguntou, parecendo surpreso.
— Hyunjin! — Respondi sorrindo, com orgulho.
Nós conversamos por mais alguns minutos e encerramos a ligação após Jisung avisar que já estava fechando a livraria para voltar para seu apartamento. Mesmo que antes, passaria no meu para deixar comida e água para meu bebê.
Suspirei cansado, relaxando meu corpo no sofá e encarei meu casal de estimação aos amassos no sofá ao lado. Completamente absortos em seu próprio mundinho. Sem ter o que fazer, apenas me levantei e fui até a cozinha, ajudar mamãe com o que é que fosse.
— Mamãe? — Chamei, sorrindo quando ela virou-se para mim. — Precisa de ajuda?
— Não, não, meu amor. — Ela sorriu, voltando a dar atenção ao que fazia. — Mas acho que vou precisar de ajuda para fazer a tortinha de Hyunjinnie, é bom você aprender a fazer a torta favorita do garoto que gosta. — Ela riu fraquinho, mandando uma piscadela.
Eu realmente não havia pensado nisso.
— A senhora pode me ensinar? — Perguntei, me aproximando mais. — Vamos fazer uma para ele comer quando acordar?— Mais animado, perguntei.
— Temos tempo de sobra para que eu te ensine a fazer a torta, Felixie. — Um sorriso pequeno nasceu novamente em seus lábios, eu senti sua felicidade ao dizer aquilo, mas também sabia que existia angústia em sua entonação.
— Mamãe...
— Esta tudo bem... Eu só acho que ainda não processei muito bem o que realmente aconteceu. — Confessou, largando a faca que cortava alguns legumes na pia. — É tudo tão...
— Novo?
— Bom. — Completou sua frase, suspirando. — Muito bom. Não sei se ele vai tentar fazer alguma coisa, mas acredito que a polícia de Seul seja mais rígida que a de Busan... Não é?
— Bem, comparando os delegados... — Respondi, arrancando uma risada curta dela. — Mas ele não pode fazer nada, mamãe. Temos provas contra ele, é também se ele acusar senhor Hwang de sequestro ou seja lá a merda que esteja pensando, você não é um objeto que ele comprou para sair mandando onde acha que deve mandar.
— Sim, sim. Você tem razão. — Ela sorriu curto, se aproximando de mim e me abraçando. — Você cresceu tanto, meu bem. Estou tão orgulhosa do homem que está se tornando.
Eu quis chorar mais uma vez.
Nós ficamos ali, abraçados um no outro até a porta de entrada ser aberta e Junghyun, junto de seu pai, entrarem sorridentes. Chamando todos para a sala.
— O que aconteceu? —Seungmin foi o primeiro a perguntar, ainda sentado no colo de Jeongin.
— Eu falei com meu advogado. — Junghyun começou dizendo, sentado-se. — Vocês já devem saber, não da forma que eu queria que soubessem, mas fui acusado de assassinar minha ex esposa. — Ele suspirou, apertando o estofado do sofá com força. — Mas, resumindo, eu falei com meu advogado e ele conseguiu marcar o... Bem, podemos dizer que é um audiência, e ele conseguiu remarca-la para o final do mês de Agosto. — Ele sorriu, assim como Hwang-hee. — O júri disse que não tem chances de que eu seja o culpado da morte de Seohyun, já que o IML respondeu hoje a um tempo atrás, que a causa da morte realmente foi algo natural e que só estão fazendo esse julgamento idiota porque foi o delegado de Busan, um homem de respeito, que fez todo o processo de acusação.
Eu estava de queixo caído.
Nunca iria se passar pela minha cabeça que Junghyun estava sendo acusado de matar a própria esposa e muito menos que ainda existem pessoas burras que acreditam nas mentiras que aquele filho da puta anda contando!
— Você falou com o seu advogado para remarcar a audiência para o mês de Agosto?— Eu perguntei, ainda surpreso.
— Sim. A audiência iria ser na sexta-feira agora. Mas como tudo... Tudo isso aconteceu muito rápido, achei melhor deixar para Agosto. Falei com o Pai de Seungmin e ele concordou em me dar uma semana de folga no próximo mês.
Eu fico imaginando que tipo de influência Junghyun tem para ter esse poder (?) até sobre o júri mais rígido de Busan. É que... Bem, ele foi acusado de um crime grave, mesmo sendo realmente inocente, não é comum os juízes adiarem audiências! Estou impressionado e muito curioso, confesso.
— Meu advogado é muito bom também. Acho que se não fosse pelos argumentos bem elaborados e as provas que temos contra tudo que foi dito, não tem porque o júri se importar com um crime que realmente não aconteceu e deixar de lados pessoas que realmente fizeram algo ruim. — Junghyun continuou dizendo, dando de ombros.
— Eu espero que você não tenha complicações por ter feito o que fez hoje.— Mamãe se pronunciou, balançando a perna, meio nervosa.
— Não vou. Não se preocupe. — Junghyun sorriu, a tranquilizando. Hum... — Como vocês estão?
— Estou bem. — Respondi, juntando as sobrancelhas.
— Eu fiz o jantar. — Mamãe disse, apontando para a cozinha.
— Eu e Seungmin ficamos o resto da tarde fazendo vários nada. — Jeongin respondeu, arrancando uma risada pequena de nós.
— Hyun ainda não acordou? — Hwang-hee perguntou, olhando para as escadas.
— Não... — Suspirei. — Vou lá, pode ser?
— Acho que pode acordar ele, Hyunjinnie tem o sono pesado e não quero que ele pule as refeições. — Junghyun respondeu, se levantando. — Vou tomar um banho, até mais tarde!
Eu segui com ele até o andar de cima, em silêncio. Mas quando paramos em frente ao quarto de Hyunjin, ele segurou em meu ombro, parecendo querer dizer algo.
— Felix, não conte para Hyunjinnie sobre a acusação que Ji-hoon fez sobre mim, está bem? — Ele disse, suspirando logo em seguida. — Já era para eu ter dito, mas me faltou coragem de dizer isso para ele...
— Tudo bem, Junghyun. — Sorri, segurando em sua mão que ainda estava em meu ombro. — Não tenho o direito de dizer isso para ele, e nós nem tocamos no assunto "mãe dele" quando estamos sozinhos. — Fiz aspas com os dedos, arrancando uma risada baixinha sua.
— Obrigado, Felix-ssi. — Ele sorriu, se afastando de mim e seguindo caminho até seu quarto.
Suspirei, sorrindo mais abertamente ao dar batidinhas pequenas na porta do quarto de Hyunjin, e como esperado, nada foi ouvido. Respirei fundo e abri a porta, entrando.
O quarto estava um pouco escuro, sendo iluminado apenas pela luz do abajur. Me aproximei da cama e sorri ao ver o rostinho de Hyunjin sendo iluminado pela luz azulada do pequeno abajur e me sentei ali, próximo a sua cintura e deitei ao seu lado, sem me incomodar com o pouco espaço que tinha.
— Hyunjin? — Chamei baixinho, sem lhe tocar. — Hyunjin-ah... ? — Tentei novamente, soltando um riso curto quando ele resmungou baixinho, sem se mover. — Doce Hyunjinnie? — Ele abriu os olhos lentamente, batendo as pálpebras pesadinhas uma na outra e resmungando algo mais uma vez.
— Felix? — Ele murmurou, se remexendo na cama e coçando os olhos.
— Sou eu. — Respondi, tentando não tocar em seu cabelo bagunçado sobre os travesseiros macios. — Como você está?
— Com sono... — Respondeu baixinho, voltando a posição de antes e virando o rosto em minha direção.
— Você dormiu praticamente a tarde todinha... — Sorri, arregalando minimamente os olhos quando sua mão segurou a minha e ele apertou um pouco, bocejando em seguida. — Está com fome?
— Sim, sim... — Ele suspirou baixinho, me fazendo rir.
— Então se levanta, docinho. — Me afastei de si, rindo fraquinho quando notei seu cenho franzido e um biquinho insatisfeito nascer em seus lábios. — Mamãe fez um jantar maravilhoso.
E foi só dizer isso, que o rosto de Hyunjin se iluminou completamente diante da luz azulada de seu abajur.
— A c-comida da tia parece ser muito boa. — Ele disse, se levantando preguiçosamente.
É uma delícia.
— Você vai amar. — Respondi, rindo fraquinho. — Você quer tomar banho agora ou depois do jantar?
— Depois, Lixie. — Bocejou, esticando os braços.
Nós descemos juntos até a cozinha, onde Junghyun e minha mãe estavam, aparentemente, conversando. Hwang-hee apareceu um tempinho depois, já de banho tomado e uma expressão suave em seu rosto enrugado.
— Boa noite, Hyunjin! — O mais velho disse sorridente, dando um beijinho na cabeça de Hyunjin. — Dormiu bem?
— Sim, vovô. — Ele sorriu, olhando ansiosamente para as comidas cobertas sobre a mesa.
— Espero que gostem! — Mamãe disse, tirando os planos de pratos que cobriam as comidas e, minha nossa, como eu estava com saudade desse cheiro maravilhoso.
O jantar foi regado de conversas tranquilas e um pouco animadas. O que socorreu no começo da tarde não foi ditado em nenhum segundo durante nossa refeição e eu agradeço imensamente por isso.
Eu não imaginaria que meu dia terminaria assim, ainda mais depois do que aconteceu ontem e hoje a tarde. Me parecia um sonho longo e muito diferente daqueles que eu realmente costumava ter. Comecei a me questionar que boa ação eu fiz em minha vida passada, para ter pessoas tão incríveis ao meu redor.
Depois do jantar, eu subi junto de mamãe para lhe mostrar o quarto que lhe foi dado, ajudando ela a organizar algumas coisas.
— Não imaginei que dormiria fora de casa hoje.— Ela começou dizendo, sentindo-se em sua cama provisória. — Nem cogitei a ideia de sair.
— Mãe...
— Até hoje a tarde, a única certeza que eu tinha era que falaria com você no dia seguinte por celular. — Começou a dizer e um sorriso entristecido nasceu em seus lábios. — Achei que ele realmente tinha mudado.
— Ele é manipulador, mamãe. — Me sentei ao seu lado, acariciando sua mão. — Queria ter vindo antes, mas tive tanto medo... Não tinha nenhum emprego fixo e arranjar empregos em Seul é tão difícil. Além de que, tudo o que aconteceu no passado ainda é muito forte para mim.
— Faria qualquer coisa para mudar tudo o que você passou. — Ela segurou minha mão, a levando até seus lábios e dando um beijo pequeno. — Não acredito que ele realmente armou algo para te incriminar...
— Aquele cara é doente, mamãe. — Suspirei, negando com a cabeça. — Não vamos falar mais dele, está bem? A partir de hoje é só nós dois e nossos amigos.
— E seu namoradinho, hum? — Ela riu fraquinho, me cutucando na costela.
— Ele não é meu namorado... — Suspirei, mordendo o lábio inferior para conter uma risada envergonhada. — Ainda, claro. Não quero que ele fique confuso quando perguntarem o que nós somos.
— E o que vocês são? — Ela ergueu uma sobrancelha, curiosa.
— Acho que... Meninos que dão bitoquinhas. — Respondi constrangido, me encolhendo no abraço gostoso de mamãe.
Sim, meninos que dão bitoquinhas apaixonadas.
🧚🏻♂️👊🏼
Depois que saí do quarto de mamãe, fui direto para o banheiro tomar um bom banho e tentar tirar um pouco daquela tensão que ainda percorria meu corpo. Eu estava meio cansado, mas como havia dito que passaria no quarto de Hyunjin para lermos algo, não deixaria de ir jamais.
E confesso que ficar ao lado dele era realmente um tranquilizante.
— Hyunjinnie? — Bati em sua porta, rindo fraquinho quando ele resmungou algo que não compreendi e entrei devagar, observando seu quarto com a iluminação menos intensa.
— Achei que n-não viria mais, Felixie. — Ele murmurou, sentando-se em sua cama.
— Qual livro você escolheu para a gente ler? — Perguntei ao me aproximar mais, me sentando junto de si. O observei e notei quando o sorrisinho pequeno nasceu em seu lábios novamente, ele virou o livro em minha direção e sorri ao ver o título. — Você realmente ama O Pequeno Príncipe, não é?
— Aham! — Sorriu, esperando que eu fizesse o que sempre faço.
Me encostei na cabeceira de sua cama e esperei que ele se deitasse em meu peito, a luz azulada do abajur iluminando as páginas gastas de seu livrinho favorito e começamos a ler.
" É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas." Sorri, lembrando do início da minha relação com Hyunjin.
Não foi fácil, mas também não foi difícil. Foi como uma larvinha, macia e até mesmo meio perigosa. Mas agora, eu sinto borboletas.
Enquanto líamos o livro, as frases marcadas nas páginas começavam a fazer sentido para mim, Hyunjin prestava bastante atenção em cada palavra dita, como se não fosse a décima vez que lia o livro.
"Foi o tempo que você passou com sua rosa que a fez tão importante"
— Acho que vou chorar. — Falei rapidamente, balançando a cabeça para os lados.
— P-por que, Lixie? — Ele se levantou de meu peitoral, de cenho franzido.
— Não lembrava que esse livro era tão emocionante. — Confessei, rindo fraquinho. Ele deu uma pequena risada seguida de um suspiro, se deitando ao meu lado e pegando o livro de minhas mãos, o colocando na estante ao lado da cama. Fechou os olhos lentamente.— Está com sono?
— Um pouco. — Respondeu, abrindo novamente os olhos e olhando para algo além de mim. — V-você está bem, lixie?
— Estou. — Respondi, sem realmente saber. — E você?
— Diz direito, Felixie. — Foi o que respondeu, me deixando confuso. — S-sei... Sei que foi difícil ver ele de novo, lixie.
Ele queria falar disso justo agora?
— E você? — Repeti a pergunta, respirando fundo.
— lixie... — Seu tom de voz não era mais o mesmo, ele parecia estar me repreendendo. — Você se c-cobra demais, Felixie... Não gosto.
— Mas não estou me cobrando... — Respondi, tentando entender o que ele queria dizer.
Poxa, a gente tava lendo um livrinho tão bom a cinco minutos atrás.
— Não estou f-falando só de agora, lixie. — Respondeu, acariciando meu cabelo. Suspirei com seu toque. — V-você não colocar os... Os p-problemas das pessoas a... Acima dos seus.
Hyunjin estava me dizendo isso?
Hyunjin? Meu Hyunjinnie?
— Ei... — Chamei, respirando fundo. — Não coloco os problemas das pessoas acima dos meus, eu só... Acho que é mais fácil resolver os delas primeiro.
— Lixie, você é um bobão. — Ele respondeu, negando com a cabeça. — Ontem... V-você tentou limpar o copinho que q-quebrou, mesmo estando mal.
— Eu me preocupei com você. — Respondi, negando novamente com a cabeça. — Você se machucaria se pisasse neles.
— Mas você se machucou primeiro, Felixie... — Ainda era novo para mim ouvir Hyunjin falar algo assim e, meu Deus, é tão bom ouvi-lo me repreender.
Ele se importa comigo e quer cuidar de mim. Eu estou realmente muito feliz e emocionado ao ser repreendido por Hyunjin.
— Ei, não se preocupa com isso. — Sorri, tentando lhe tranquilizar. Puxando seu corpo para um abraço. — É uma coisa que eu preciso melhorar, confesso.
— Você m-me ajudou a melhorar, Lixie. — Ele confessou baixinho, escondendo o rosto em meu pescoço e fazendo cócegas. Senti meu coração acelerar com sua confissão repentina.
— Eu só fiz coisas simples... — Suspirei, fazendo um carinho curto em seus cabelos. Amava ficar assim com ele. — Você é o realmente motivo da sua evolução. Eu ao fui... Um telespectador que ajudou um pouquinho.
— Mas que fizeram g-grandes mudanças, Lixie. — Ele insistiu, fazendo cócegas em meu pescoço com sua respiração calma. — Obrigado.
— Hyunjinnie... — Foi a única coisa que consegui dizer, me segurando novamente para não chorar. Porque eu sou tão chorão, meu Deus.
Nós ficamos silêncio mais uma vez e eu achei que Hyunjin já estivesse dormindo, iria me preparar para me afastar de si e ir para meu quarto. Mas ele fez mais força com seus braços ao redor de minha cintura.
Minha nossa senhora...
— Hyunjinnie, já está tarde... — Sorri, voltando a fazer um carinho curto em seus cabelos compridos.
Se algum dia eu disse que ele precisava cortar os cabelos, não lembro. Hyunjin fica incrivelmente lindo de cabelo comprido.
— D-dorme comigo, Lixie. — Ele pediu baixinho, me fazendo arregalar os olhos. — Não deixa só...
— Tem... T-tem certeza? — Engoli em seco, respirando fundo e acalmando meu nervosismo com o cheirinho de shampoo para bebês que atingiu minhas narinas.
— Não gosto de d-dormir sozinho quando algo ruim acontece, Felixie. — Confessou, levantando o rosto. — S-seu... Seu cheiro me acalma.
Eu achei que fosse desmaiar ali mesmo. Ele... Meu Deus, Hyunjin estava me fazendo sentir coisas que nunca achei que iria sentir por alguém.
"Se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo" mais uma frase de O Pequeno Príncipe rodeou minha mente e eu suspirei.
Ele é único. E eu quero ser o único para ele também.
Hyunjin é o único que me faz sentir coisas tão intensas e tão boas. O único que me fez ter certeza que sentia paixão. Mas paixão é um sentimento... Um sentimento fraco demais para descrever tudo que eu sinto por ele.
— Durmo com você sim. — Sorri, acariciando seus cabelos. — Já ouviu fazer em conchinha?
Meu Deus.
— I-igual nos livros? — Ele perguntou, um brilho diferente passando meu seus olhos pesados de sono.
Puta merda.
— Sim. É mais confortável. — Respondi, lhe dando um beijo na testa. — Você quer dormir de conchinha comigo?
— Um-hum. — Em um murmúrio, ele concordou. — M-me da um beijinho antes, Lixie.
Santa divindade. Caralho.
— Onde? — Provoquei, rindo baixinho quando uma expressão bravinha nasceu em seu rostinho sonolento. — Brincadeira, docinho. — Segurei em suas bochechinhas, dando um selinho pequeno em seus lábios.
Parecendo satisfeito, ele se virou de costas para mim rapidamente. Soltei um riso fraco.
— Você quer ser a conchinha de dentro? — Brinquei, me aproximando de seu corpo e segurando em sua cintura sem muita força, esperando sua confirmação.
— S-sim, Lixie. — Suas mãos se encolheram em sua frente, agarrando com certa força a camisa de seu pijama.
Com cuidado, passei meu braço por sua cintura, sem realmente aproximar meu corpo do seu. Respirei fundo e mordi o lábio inferior. Ele tem uma cinturinha que, meu Deus.
— Está tudo bem? — Perguntei, cheirando sua nuca com cabelinhos compridos.
Puta merda. Não surta, Felix.
— Sim, Felix. — Senti quando ele riu fraquinho, relaxando o corpo na cama. — B-boa noite, dorme bem.
Essa possivelmente será uma das melhores noites da minha vida.
— Boa noite, docinho. — Sorri abobado, respirei fundo e fechei os olhos, me entregando ao cansaço.
Então, dormimos juntos pela primeira vez depois de um dia conturbado.
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