19

Estava sentindo o chão se desmanchar em meus pés, ao ouvir aquelas palavras saírem da boca de Hyunjin. Mas não era como normalmente ele me faz flutuar.

Essa era, se possível, uma das piores sensações que eu já senti na vida. Eu estava a um passo de entrar em completo desespero. Que sensação ruim.

— Você tem certeza? — Ainda sem acreditar que aquilo estava acontecendo, perguntei para ele. E, confuso, Hyunjin concordou com um menear fraco de cabeça. — Puta merda... — Praguejei baixinho, arregalando os olhos logo em seguida.

Comecei a sentir minha cabeça girar e uma angústia inexplicável me atingir. Se eu não estivesse sentado, possivelmente eu teria caído.

— O que está acontecendo, Lixie? — Parecendo preocupado, Hyunjin perguntou ao se afastar de mim, sentando-se na cama e parecendo analisar minhas expressões.

Minha cabeça estava a mil por segundo, tudo se passando em minhas memórias e o caos estava se apossando de minha mente. Não, não, não! Eu não posso acreditar que um homem como aquele esteve presente na vida de Hyunjin, na vida dele não!

Não...Não pode ser possível, existem mais Lee Ji-hoons por Busan, claro que existe! Tem que existir...

— Quantos...Q-quantos anos você tinha quando esse homem começou a te dar aulas, docinho? — Sem responder sua pergunta anterior, perguntei com certo receio de sua resposta.

Certo receio não, completamente apavorado.

— E-ele foi m-meu professor dos dez anos até o-os... Q-quatorze ou quinze anos, mas depois parou p-porque papai não quis mais ele e c-contratou outro. — Hyunjin explicou, segurando em minha mão. — Ele foi o pior p-professor que tive...

Certo, Hyunjin não teve apenas um professor particular. Teve outros junto de sua mãe. Outros. Dessa informação eu não sabia.

E Lee Ji-hoon foi seu professor por quase cinco anos. O pior professor que Hyunjin teve.

Eu lembro que meu pai tinha dois empregos. particular uma vez por semana na casa de algumas pessoas da vizinhança ou qualquer um que o contratasse, e também policial. Meu pai trabalhou como professor particular até meus dezesseis anos, o ano que saí de casa.

Quando eu tinha dezesseis anos, hyunjin tinha quatorze. Hyunjin teve seu pior professor particular até os quatorze anos. Meu pai trabalhou como professor até que eu saísse de casa...

— Felixie? — A voz preocupada de hyunjin voltou a ecoar por meus ouvidos, me trazendo de volta para a realidade. Balancei a cabeça para ver se dispensava um pouco da tontura que me acometeu, mas não adiantou. — Felixie, está tudo bem?

— Eu preciso de água. — Foi o que eu consegui dizer, soltando-me de suas mãos e levantando da cama, colocando minha mão na cabeça quando tudo começou girar e minhas pernas falharem. Eu estava fraco.

Hyunjin veio atrás de mim, perguntando com a voz mais alterada e assustada, coisa que revelava sua preocupação, se eu estava bem. Eu estava tão absorto em meus pensamentos e sentimentos amargurados que não pude pensar muito naquele momento, só queria tirar um pouco da tontura de minha cabeça e entender bem o que estava acontecendo. O que havia acontecido.

Eu sequer notei quando tinha chegado na cozinha, minhas mãos se moveram praticamente sozinhas ao pegar a garrafa d'água e um copo sobre o balcão, copo esse que foi direto ao chão por minha pouca força no momento. Eu consegui segurar uma garrafa, mas um copo que é mais frágil e extremamente perigoso, não?

Hyunjin pode se machucar. Algo em minha mente se alertou, e eu arregalei os olhos. O que estava acontecendo comigo?

— Não venha aqui, Hyunjinnie. — Eu disse, soando mais sério do que imaginaria num momento como esses.

— Lixie, o que aconteceu?! — Sua voz foi ouvida por mim novamente e senti meus olhos arderem. Eu não sei se consigo falar. Eu não sei se consigo lhe dar uma explicação coerente agora.

Tenho que sair daqui. Eu preciso respirar um pouco de ar puro e tentar tirar esse sentimento ruim de mim!

— Meninos, chegamos! — Ao ouvir a voz de Hwang-hee, que vinha da sala, meu desespero aumentou ainda mais, fazendo com que eu desse um passo para trás e consequentemente pisasse em um caco de vidro. Eu engoli um grito de dor, já que barulhos altos machucam os ouvidos sensíveis de Hyunjin. — Felix?

Não me olhe agora...

— Felix-ah? — Esse era Junghyun, que apareceu logo atrás de Hwang-hee e Hyunjin já estava entre os dois, abraçando o avô que pareceu tentar compreender o que estava acontecendo. — O que está acontecendo?

— E-estou bem, não se preocupem. — Tentei sorrir, mas tudo estava tão mais difícil de se fingir. Ele não deveria mais me afetar desse jeito, já fazem anos...— Podem subir, vou limpa-

— N-não! — Hyunjin disse, negando fielmente com a cabeça ao ouvir o que eu tinha dito. Por favor, não faça isso... — L-Lixie não está bem, não está.

Não estou. Mas preciso estar. Não quero preocupar vocês. Pelo amor de Deus, eu preciso me acalmar!

— Hyunjinnie... — Praticamente choraminguei, com medo de dar mais passos e acabar furando meus pés ainda mais. Queria que eles esquecessem essa cena. Não queria que me vissem assim.

— Felix, o que aconteceu? Por que está chorando, meu bem? — Hwang-hee perguntou com sua voz calma, deixando tudo ainda mais complicado de se controlar.

Eu estava chorando na frente deles, na frente de Hyunjin. Como um fracote.

Eu tentei fugir, tentei esconder a angústia que me atingiu depois das palavras inocentes de Hyunjin. Ele com certeza não tem ideia de como essa informação me deixou, não sabe o porquê da minha reação negativa e completamente confusa diante de tudo o que foi dito. Então, sem saber o que realmente dizer, eu apenas abaixei a cabeça e a balancei para os lados, negando qualquer que fosse a informação que queriam.

— Venha cá, tome cuidado para não se machucar mais. — Junghyun falou, caminhando com cuidado até mim e segurou em minha mão, me puxando de encontro ao seu peito e me abraçando. Ele me abraçou e se preocupou com meus pés, para que não me machucasse mais, ele não queria que eu me machucasse.

Eu chorei.

Eu realmente me derramei em lágrimas ao sentir os braços fortes, mas carinhosos, de Junghyun me envolver em um abraço caloroso e que denunciava afeto e preocupação. Tentei segurar, tentei sair de perto deles, mas não consegui.

Ele me levou até a sala, onde nós sentamos no sofá e continuou me abraçando, mesmo que eu molhasse sua roupa cara com minhas lágrimas teimosas. Me senti incapaz e envergonhado ao perceber que estava chorando na frente da família mais acolhedora que eu já conheci na minha vida, eles estavam ali me olhando com olhares que denunciavam preocupação, mas nunca pena. Eles estavam preocupados, mas não sentiam pena de minha situação confusa e desesperada.

Eu estava em pânico. Eu realmente estava tendo uma crise de pânico por descobrir uma das coisas uma coincidentes e angustiantes que já pude presenciar.

— Lixie, c-calma, por favor... — A voz chorosa e mansa de Hyunjin ecoou por meus ouvidos depois de um tempo que eu não notei ter passado, eu sentia meu corpo todo tremer e os braços de Junghyun ainda estavam me envolvendo em um abraço protetor. Eu senti proteção.

Eu escondia meu rosto vergonhosamente contra seu peito largo, sentindo meu coração desacelerar finalmente, acalmando minha mente e sentindo o ar invadir meus pulmões. Fique calmo.

— Felix-ah. — Junghyun chamou, tocando em meus ombros com cuidado para que eu me afastasse de seu abraço. Eu não queria, não queria de jeito nenhum que eles vissem meus olhos inchados após chorar por uns dez minutos seguidos. — Vamos limpar esse pé.

Eu tentei protestar, mas um soluço alto cortou minha fala. E quando dei por mim, Hwang-hee apareceu na sala com um kit de primeiros socorros e Junghyun cuidou do meu machucado, ele me deitou em seu sofá e limpou o sangue que escorria pelo pequeno corte, fazendo um pequeno curativo logo apos.

— Hyunjinnie, pegue um pouco de água para ele, por favor, meu amor. — Hwang-hee disse baixinho, e passos foram ouvidos assim que Hyunjin se afastou de nós.

Os cacos de vidro.

— E-ele vai se machucar. — Foi o que eu disse, mas fui covarde para não ter coragem o suficiente para me afastar de Junghyun e eu mesmo ir buscar a bendita água.

— Já limpei o chão, Felix-ssi. Está tudo bem!— Hwang-hee respondeu.

Ele limpou o que eu sujei. Não deveria ser assim...

— Deita um pouco para descansar, você teve um dia cansativo hoje. — Foi o que Junghyun disse, sem fazer qualquer questionamento ou outras palavras confusas. E muito menos se afastar de mim.

Eu sentia minhas pernas tremerem, estava tudo tremendo e minha cabeça ainda girava com uma intensidade torturadora. Eu odeio sentir isso, odeio me sentir vulnerável com coisas que já se passaram, mas me afetam demais. Eu odeio ter crises.

— O-obrigado. — Eu falei, me afastando de si, mas fui impedido.

— Eu te acompanho. — Senti mais um carinho em meus cabelos e mais vez, quis chorar ali mesmo. — Pai, peça para Hyunjinnie levar a água de Felix no quarto dele.

Foi tudo o que disse antes de me ajudar a levantar e segurar em meus ombros e cintura, me dando apoio para que eu conseguisse andar para subir as escadas, mesmo que aos tropeços, e finalmente chegar em meu quarto. Minha cabeça estava latejando de dor e eu sentia todo meu corpo pesado e a angústia que eu sentia crescer em meu peito era insuportável.

— Junghyun... — Eu chamei baixinho quando fui colocado na cama com cuidado, relaxando meu corpo quando senti o colchão macio contra minha pele. — Eu... Desculpa.

— Pelo que está se desculpando? — Parecendo confuso, ele se sentou ao lado do meu corpo deitado na cama, segurando em minha mão com grande sinal de apoio e compreensão.

— Por tudo que causei, eu não q-queria preocupar vocês. Acabei me descontrolando... — Disse, suspirando derrotado logo em seguida.

Essa situação é ruim, eu não queria que as coisas chegassem a esse patamar, só queria entender por que Hyunjin ficou tão mal quando fomos à sorveteria. Agora entendo seu pânico, entendo seu medo, por que eu sinto o mesmo.

— Felix, não se atreva a pedir desculpas por isso novamente. — Respondeu, apertando levemente minha mão. — Eu não sei o que aconteceu e não vou te pressionar a dizer algo que com certeza vai te deixar mal, mas não se desculpe por algo que não tem culpa. Eu vou falar com Hyun mais tarde e tentar entender o que aconteceu, está bem? Não se preocupe com isso, não foi culpa sua.

Incapaz de dizer qualquer coisa que fosse contatar sua decisão, eu apenas concordei com a cabeça e fechei os olhos quando sua mão veio de encontro com meu cabelo novamente, fazendo um carinho gostoso. Aproveitando a sensação de calmaria que aquele momento me trouxe, eu comecei a me sentir culpado por desejar que tivesse mais daquele toque, que pudesse contar com Junghyun para qualquer coisa ruim ou pensamento ruim que me atordoasse durante a noite, desejei ter um pai incrível como Hyunjin tem.

Mas estava longe de ser inveja, é admiração completa e uma felicidade incondicional ao perceber que Junghyun é o melhor pai que eu já tenha tido o prazer de conhecer, o pai perfeito para Hyunjin.

Mais calmo, percebo as atrocidades de pensamentos ruins que tive durante aquela fatídica crise de pânico que tive ao descobrir que o pior ser humano que já tive o desprazer de conhecer, foi capaz de se tornar professor de uma pessoa tão incrível e impressionante como Hyunjin. Eu sinto raiva, raiva de pessoas como aquele cara.

Mas, meus sentimentos ruins somem completamente quando a imagem de Hyunjin preocupado e com uma bandejinha de alumínio em mãos aparece em meu campo de visão. Sua expressão denunciava seu estado preocupado, assim como seus passos apressados e atrapalhados ao entrar em meu quarto

— Felixie está melhor? — Sua voz rouquinha e chorosa predominou o local, me fazendo soltar um suspiro longo.

— Ele está melhor sim, meu amor. — Antes que eu pudesse responder, Junghyun falou primeiro. — Vou deixar vocês a sós, mas caso sinta que ele está mal novamente, não hesite em me chamar, Hyunjinnie. — Ele soltou minha mão logo após fazer um carinho curto, caminhando até o filho e lhe deixando um beijinho na testa. — Não chore mais, está bem? Felix está melhor.

Sozinhos mais uma vez, Hyunjin veio apressado até minha cama e deixou a bandeja de alumínio na mesinha do lado, sentando-se apressado no lugar que seu pai estava e, sem exitar ou esperar qualquer reação minha, me abraçou com força, deitando sua cabeça em meu peito e abraçando minha cintura. Deixando a posição meio desconfortável já que minha coluna arqueou um pouquinho com o volume de seus braços abaixo de mim.

— Hyunjinnie... — Chamei baixinho, tocando em seus cabelos. Ele levantou a cabeça e seus olhinhos molhados me fizeram suspirar e querer socar meu próprio rosto por saber que eu era o motivo de seu choro preocupado.

— Você me deixou tão p-preocupado, lixie. — Ele começou dizendo, fazendo meu coração palpitar um pouquinho mais rápido. — Eu chamava e o lixie não ouvia... D-desculpa falar aqui, eu não sabia que ia te deixar t-tão mal e-

Sem esperar que ele dissesse qualquer coisa, segurei em sua bochechinhas e lhe dei um selinho curto, apenas para que ele me deixasse respirar antes de tentar dizer o que realmente aconteceu. Mesmo que eu imagine que ele já tenha ideia do que possa ter acontecido.

— Está tudo bem, docinho. — Dei um sorriso curto, acariciando seu rosto bonito. — Eu... Foi muito de repente, é difícil dizer...

— Somos c-confidentes um do outro, lixie. — Ele disse, tirando os braços de minha cintura e colocando sobre meu peito, melhorando a posição e deixando mais confortável. Seu peso estava completamente sobre o meu, e meu deus, eu com certeza vou surtar muito mais tarde com esse momento. — E-Eu conto tudo para você e v-você conta tudo para mim, mas só se for c-confortável. Lembra? — Ele perguntou baixinho, aquecendo meu coração com suas palavras aconchegantes.

— Sim, docinho. — Sorri, ainda lhe fazendo um carinho curto nas bochechinhas coradas. — Eu estou bem, foi só... Um susto. Aquilo que você disse me deixou meio assustado, Hyunjinnie. — Confessei, sentindo meu coração acelerar novamente de uma maneira ruim.

— Desculpa...

— Não foi culpa sua, você só estava me dizendo o que pedi para dizer. — Lhe dei um beijinho na bochecha, sorrindo para lhe tranquilizar e tentar tirar qualquer sentimento de culpa que ainda exista sem si. — Você já deve saber, mas aquele homem, aquele policial que foi seu professor ele é ... — Não fui capaz de terminar minha frase, minha boca simplesmente parou.

— Seu pai, lixie. — Ele completou, me surpreendendo. As vezes eu me esqueço que ele não é mais o Hyunjin de seis meses atrás, a evolução deles é notável e isso me deixa muito orgulhoso. — Eu sei, não tem outro m-motivo pra você ter ficado tão t-triste daquele jeito e... — Ele deixou no ar, sem que terminasse de falar. Hyunjin apenas abaixou a cabeça e encostou o queixo em minha clavícula, parecendo não ter coragem de terminar sua própria fala.

Eu sei que não é momento para falar algo assim, mas eu amo ficar assim com ele, amo essa aproximação e permissão de toques. Eu amo ficar abraçadinho com Hyunjin desse jeito, sem me preocupar se estou incomodando ou ultrapassando seus limites. E ele se sente muito bem em ficar assim comigo também, eu sinto.

Mas, ok. Voltando para o assunto em questão, tudo o que eu posso dizer no momento é:

— Docinho, eu prefiro que você deixe isso em segredo, está bem?— Perguntei baixinho, suspirando. — Pode contar para seu pai e avô, está tudo bem.

— Juro de dedinho!— Ele respondeu sorridente, me arrancando um suspiro aliviado. — Você ficou...

— Eu fiquei apavorado. — Eu digo com sinceridade, Hyunjin confiou em mim para contar sobre o que o incomodou na sorveteria, e eu confio em Hyunjin para ter certeza de que ele não me achará um fraco sem importância por sentir tanto medo e ódio de alguém como aquele alguém. — Quando você disse o nome dele, docinho, eu senti o chão se abrindo a baixo de mim. Imaginar você, justo você, ao lado dele... Sinto vontade de vomitar.

Essa possivelmente é a conversa mais séria que eu estou tendo com Hyunjin, mas sinto que é extremamente necessária.

— Eu me senti completamente incapaz, sabe? Foi como se...

— Um machucadinho teria sido tocado e doído, não é? — Ele perguntou, e eu encarei seu rostinho tão próximo do meu e, mesmo que tenso pela conversa, ainda emanava uma paz inexplicável e boa.

— Sim... — Suspirei, me virando na cama para que ele se deitasse de uma forma mais confortável. Ficamos um de frente para o outro e entrelaçamos nossas mãos, as deixando entre nós dois. — É como se um dodói esquecido fosse relembrado. — Disse, sorrindo pequeno porque Hyunjin também deu um sorrisinho curto.

— lixie, sua mamãe sabe das coisas ruins que seu pai fazia com você? — Ele pergunta de forma espontânea, mas eu consigo identificar um pouco do receio que sua voz carrega.

— Sabe. — Respondi, respirando fundo. — Mas eu não estou pronto para falar disso com você, docinho. — Respondi sincero, apertando sua mão com mais intensidade. Eu não queria falar naquele momento, minha cabeça ainda parecia pensada, como se uma tonelada de pensamentos estivesse indo e vindo constantemente, por que sim, estavam. — Estou cansado...

—Á-água! — Ele disse rápido, se levantando de um jeitinho meio desengonçado e que me fez rir levemente com a forma adorável que ele se preocupava comigo. — Vovô deu esse comprimido também lixie, é pra dor.

Ele se sentou ao meu lado novamente, me entregando o copo d'água e o comprimido assim que me sentei. Tomei um gole da água apenas para engolir o comprimido e me deitei novamente, quase deixando um gemidinho de dor escapar quando minha cabeça tocou o travesseiro macio e minha cabeça voltou a latejar.

—Toma tudinho e dorme, vai f-fazer sua dor de cabeça diminuir. — Ele tocou com calma meus cabelos, fazendo um carinho curto e que demonstra completamente sua preocupação. Ele estava demonstrando.

— Obrigado, docinho. — Sorri, segurando em seu pulso e trazendo sua mão até meus lábios, onde deixei um beijinho. — Agora posso descansar sem medo.

— Sim, hyung. — Ele sorriu meio abobado, segurando em uma de suas orelhas com a mão livre. Eu fico ainda mais apaixonado toda vez que ele faz essa expressão tímida. — H-Hyunjin está aqui. — Ainda teve a decência de me dizer, como se não fosse nada e que não me deixaria ainda mais bobinho que antes.

Tudo o que eu faço, é fechar os olhos enquanto Hyunjin continua a fazer um carinho gostoso em meu cabelo, minha respiração estava calma novamente e mesmo que o dia não tenha terminado como previ, foi imensa e completamente importante as poucas coisas que eu e Hyunjin conversamos.

Eu ainda me sinto meio culpado por ter preocupado a família que praticamente me adotou depois de tanto tempo sozinho, apenas com a companhia incrível do meu melhor amigo mas noites frias e quentes de Seul. Apesar de descobrir uma coisa que com certeza foi uma das piores surpresas que eu já tive nos últimos meses, nenhum pesadelo me incomoda durante minhas longas horas de sono.

E eu acordo meio atordoado, com a voz de Jeongin berrando pelo meu quarto enquanto Seungmin o olha com um sorriso pequeno nos lábios e, quando percebem minha movimentação ao acordar, sinto vontade de rir ao sentir os braços longos de Jeongin me enrolar em um abraço apertado.

— Que preocupação, Lixie! — Ele diz baixinho, mas exaltado. — Quando Junghyun ligou ontem dizendo que você teve uma crise de pânico, eu quase infartei!

— Ontem?! — É a única coisa que eu consigo verbalizar, sentindo minha cabeça girar quando o aperto de Jeongin em meu pescoço aumenta ainda mais. — Vocês... Vinheram ontem?

— Claro que sim! — Ele disse, permitindo que eu respirasse devidamente quando desfez o abraço apertado. — Idiota, eu praticamente gritei para Seungmin arrumar logo uma bolsa pequena porque iríamos apesar a noite aqui! — Me deu um tapinha na cabeça, voltando a me abraçar novamente. — Você está bem?

— Estou melhor. — Sorri, bocejando logo em seguida. — Que horas são?

— São quase onze da manhã. — Seungmin respondeu, suspirando. Arregalei os olhos. — O que aconteceu, Felix? Hyunjin explicou mais ou menos... Mas não disse o motivo da sua crise. Ele preferiu manter o segredo.

Ele não disse? Eu sinceramente vou enchê-los de mimos e beijinhos depois disso.

— Eu pedi para que ele não contasse para ninguém, além de Hwang-hee e Junghyun... — Confessei baixinho, suspirando. — Esqueci de incluir vocês nessa rodinha de segredos.

— Cabeçudo! — Jeongin exclamou, me dando um tapa no braço. — Diz agora, anda. Hyunjin saiu e nem deu tempo de insistir para que ele contasse tudo.

— Ele não contaria. — Seungmin suspirou, soltando um riso curto.

— Eu ofereceria um doce e tudo certo, ele contaria. — Jeongin dá de ombros.

Dei uma risada sincera, sei que Hyunjin não contaria. Bem... Ok, incluir doces nesse acordo com certeza faria ele se questionar sobre isso.

— Eu posso pelo menos escovar meus dentes e comer algo? To de estômago vazio desde às três da tarde de ontem. — Eu dou um riso curto, esticando meus braços e tentando expulsar toda a preguiça existente em meu corpo.

Jeongin concordou em um suspiro inconformado, me dando um último abraço antes de me dar espaço para levantar.

— Por que você está mancando? — Seungmin perguntou, segurando em minha mão para que eu ficasse de pé.

— Acabei derrubando um copo de vidro ontem e pisei em cima...— Respondi, observando a expressão preocupada se colocar no rosto dos dois.— Já está tudo bem, Junghyun fez um curativo.

Eles não disseram mais nada e eu segui caminho para fora do quarto. Fiz minhas higienes e logo depois fui até a cozinha, onde encontrei meu melhor amigo e seu namorado grudento sentados ao redor do balcão de mármore que dividia a cozinha da sala, suspirei, caminhando até a geladeira.

— O que Hyunjin falou para vocês? — Foi a primeira coisa que eu disse, pegando um pouco de suco de maracujá e um queijo fatiado, me sentando próximo a eles depois de pegar um pãozinho no armário ao lado do fogão.

— Que você tinha chorado muito e que tremia igual um gatinho depois de tomar banho. — Seungmin respondeu, pegando uma fatia de queijo e enfiando na boca. Eu tive que me segurar para não dar uma risadinha só de imaginar Hyunjin falando algo assim, mesmo que as circunstâncias não permitissem risadas.

— É... — Me permiti apenas suspirar, comendo um pedaço do meu pão com queijo. — Ele disse mais alguma coisa?

— Ele, não. Mas Junghyun, sim. — Seungmin respondeu mais uma vez. — Você tem certeza que o desgraçado do seu pai foi professor de Hyunjin, Felix? — Parecendo realmente preocupado, ele perguntou de maneira hesitante.

— Eu conheço apenas um Lee Ji-hoon nesse mundo, e pelas coisas que Hyunjin me disse, tudo se encaixa perfeitamente... — Suspirei mais uma vez, perdendo o apetite só de tocar no nome desse homem. — Eu fiquei tão desesperado por imaginar as coisas que ele fez...

— Você não está bem. — Ele constata, suspirando junto a Jeongin.

Eu dou uma risadinha curta, engolindo o bolo gigante de pão com queijo de se formou em minha boca de tanto mastigar sem engolir, é uma coisa meio nojenta de se falar, confesso.

— Eu quero acabar com esse cara, Felix. — Seungmin, pela primeira vez em muito tempo, segura em minha mão de maneira carinhosa e protetora, assim como Jeongin está fazendo. Mas me surpreende de uma maneira muito boa ver e sentir Seungmin fazendo isso. — Esse imbecil magoou você e Hyunjin, é imperdoável.

— Quero socar a cara daquele filho da puta. — É a vez de Jeongin se pronunciar, apertando minha mão com força moderada. — Nunca vou esquecer o meu bonequinho jardineiro que ele quebrou quando a gente tinha doze anos. — Tentando descontrair, ele diz com uma risadinha curta.

E, antes que eu possa falar qualquer coisa ou agradecer pelas palavras e insultos desferidos contra meu pai, a porta de entra na sala faz um barulho engraçado ao ser aberta. Acho que Junghyun precisa engraxar essa porta.

— Seungmin, Jeongin?! — Hwang-hee chama ao entrar em casa, preso um sorriso curto ao ver o senhorzinho se abaixar para tirar seus sapatos e desfazer os laços nos tênis de Hyunjin, que segura na mão de seu avô para ter uma apoio enquanto levanta a perna. Fofo, fofo, fofo.

— Estamos aqui, senhor! — Jeongin diz, acenando para meu chefe, que já estava de pé.

— Lixie! — Hyunjin, que até momentos atrás estava quieto, sorriu grande assim que me viu sentado ao lado de Seungmin e Jeongin, tropeçando nos pés ao correr até a cozinha e parando em minha frente. — Você acordou! — Ele anuncia animado, segurando em seu suéter vermelho e um sorrisinho envergonhado dançando em seus lábios.

Eu quis beijá-lo ali mesmo.

— Acordei, docinho! — Me levantei, analisando sua expressão quando seus olhos vagaram por meu rosto por alguns segundos, enrolando as mãos em frente ao corpo e levantando os calcanhares do chão, fazendo seu corpo dar pequenos pulinhos ansiosos. — Está tudo bem?

— Hyum- Eu fiquei muito p-preocupado com sua... Demora para acordar, Felixie. — Ele disse baixinho, enrolando os dedinhos uns nos outros, ato esse que indicava sua timidez presente. Eu acho que irei explodir.

— Eu acabei ficando muito cansado depois do que aconteceu, docinho. — Respondi, tocando levemente suas bochechas rosadas, querendo beijar cada cantinho de seu rosto. — Fiquei sabendo que guardou o segredo. — Sussurrei, rindo fraquinho quando ele levantou os olhos e encarou os meus novamente, desviando segundos depois e deu um sorriso pequeno.

— Jurei de mindinho, lixie. Não se quebra a promessa de mindinho. — Respondeu, levantando seu mindinho.

Que garoto fofo, santa divindade. Eu estou muito apaixonado.

— Hum-hum. — A voz de Seungmin soou pela cozinha em um pigarrear forte que ele fez na garganta, chamando a atenção minha e de Hyunjinnie. — Você não vai comer seu pão, Felix?

Idiota.

— Você n-não comeu nadinha, Lixie? — hyunjin perguntou com as sobrancelhas franzidas, me fazendo soltar um suspiro longo.

— Acordei praticamente agora mesmo. — Respondi, me afastando de si e voltando para onde estava, sentando entre os dois bocós. — Você já comeu?

— Saímos logo após o café, Felix. — Junghyun respondeu ao entrar na cozinha. Arrumei rapidamente minha postura ao ouvir sua voz, sentindo a tensão se instalar em meus ombros. — Como você está? — Sua fala denunciava a preocupação que sentia.

Preocupado comigo.

Pouco a pouco as lembranças de ontem a noite se voltam a minha cabeça com tudo, como um choque de realidade e me faz lembrar detalhadamente das coisas que aconteceram. Meu desespero ao descer as escadas apressados, o copo caindo no chão, as palavras preocupadas e chorosas que Hyunjin falava, enquanto ainda estávamos sozinhos. Os braços de Junghyun me acolhendo em um abraço tranquilizador e a forma que ele me deixou chorar em seu peito enquanto acariciava minha cabeça sem muita força, em um carinho gostoso. Eu senti vontade de chorar só com a sensação de um novo abraço seu.

— Estou melhor. — Respondi, bebendo um pouco do meu suco. — E... Obrigado por ontem, eu-

— Não precisa se preocupar com isso, Felix-ah! — Ele sorriu, andando até Hyunjin e se abaixando um pouco para deixar um beijinho no topo de sua cabeça.

Hyunjin não é tão alto, eu diria que ele tem a "altura padrão" do nosso país. Mas Junghyun... Seus um metro e oitenta e sete centímetros as vezes me intimidam, mesmo quando ele não tem pretexto de fazer isso. Se é que ele alguma vez já teve a intenção de me intimidar, mas eu sou facilmente intimidado por ele e... Ok, fugi do assunto.

— Vou preparar o almoço, poderiam ir para a sala ou até mesmo se sentarem lá fora? — Junghyun perguntou meio sem jeito, levando uma das mãos até sua orelha, coisa que Hyunjin sempre faz quando está envergonhado.

Nós fomos sem reclamar, indo para a área de lazer, que tinha uma piscina grande — Vai por mim, é realmente grande, apesar de não ser tão funda— cadeirinhas de tomar sol, sombrinhas e três mesinhas espalhadas pelo local. Aqui é realmente um lugar de paz.

Eu trouxe comigo o restinho do meu pão com queijo e a jarra de suco de maracujá.

— Quer um pouco? — Pergunto para Hyunjinnie, que se senta em uma das cadeiras de plástico abaixo das sombrinhas gigantes que nos protegem do sol, próximo a mim. — Não é de morango, mas maracujá também é uma delícia.

— Q-quero, lixie. — Ele sorriu, pegando meu copo e tomando um pouco de suquinho.

— Deixem de melosidade, quero falar algo sério. — seungmin disse de maneira séria, mas seu sorriso pequeno dizia que ele estava apenas tentando me irritar. Coisa que ele sabe fazer com maestria.

Eu até iria rebater suas palavras dizendo que ele é tão meloso quanto eu quando está a sós com jeongin, por que sim, eu já vi esses dois falando tanta coisa melosa um para o outro que sinto meu estômago doer só de lembrar.

— minnie chato. — Para minha surpresa, quem disse isso foi Hyunjin. Cruzando os braços e fazendo aquele biquinho emburradinho que sempre faz quando está chateado. Tive que segurar um riso curto.

— Só estou brincando, hyun! — seungmin se defendeu, me fazendo rir de verdade agora.

— Diga logo o que você quer fazer, minnie chato. — Eu disse, rindo fraco quando ele me mandou o dedo do meio.

— Que c-coisa feia, Minnie... — Hyunjin disse, me fazendo rir ainda mais alto e deitar minha cabeça em seu ombro.

— Mas-

— Diz logo, Seungmin! — Jeongin se pronunciou, rindo tão alto quanto eu.

— Ok! — Parecendo irritado, Seungmin suspirou e ajeitou sua postura na cadeira. — Você disse que iria visitar sua mãe hoje, não é, Felix?

A velocidade que meu sorriso morreu foi tão grande que senti minha boca doer.

— É, eu estava pensando sim... — Murmurei, sentindo a mão de Hyunjin apertar a minha com força moderada, me fazendo sentir um incrível sentimento de proteção.

— Espero muito que aquele desgraçado do Ji-hoon não esteja lá, por que se estiver, eu saio de lá preso. — Seungmin falou, me fazendo arregalar os olhos.

— Como assim?

— Acha mesmo que vai sozinho, Felix-ssi? — Jeongin respondeu, cruzando os braços. — Pois achou errado!

— Mas... Eu não sei se ele-

— Cala a boca. — seungmin mandou, negando com a cabeça. — Eu e Jeongin vamos com você, Felix. E não é nem um pedido, ok? Não vamos deixar você ir sozinho para aquela casa, correndo o risco daquele filho da p- Daquele idiota estar lá. — Ditou sério, me deixando completamente sem argumentos.

— S-sim! — hyunjin se pronunciou, me deixando de olhos arregalados mais uma vez.

— Docinho, você não. — Eu respondi, certo de que ele não iria de jeito nenhum para aquele lugar.

— O que? Por quê? — Parecendo entristecido, ele disse baixinho. — Você p-pode passar mal de novo, felixie...

— E você também. — Neguei com a cabeça, não querendo prolongar aquele assunto.

— lixie, eu v-vou sim. — Ele decidiu novamente, apertando minha mão levemente.

Olhei para Seungmin de maneira suplicante, desejando que ele fizesse alguma coisa que faria com que hyunjin mudasse de ideia, mas ele apenas deu de ombros, parecendo concordar com aquela ideia mirabolante.

— Hyunjinnie...

— Felix, H-Hyunjinnie não vai deixar você sozinho! — Ele disse, me surpreendendo com a sua entonação tão decidida. — E-Eu juro de mindinho que se começar a s-sentir minha cabeça girar, vou dizer pra você, lixie... — Disse mais calmo, tentando me convencer. — Por f-favor, Felixie...

Ah, que se dane! Eu não consigo negar nada para esse garoto mesmo. E nós vamos estar lá para o proteger caso aconteça daquele velho desgraçado esteja lá.

— Tudo bem. — Suspirei, rindo fraquinho quando sua expressão se iluminou completamente e Hyunjin praticamente pulou na cadeira, me abraçando de lado.

— Juro, juro que vou te p-proteger também, lixie!

Ele vai me fazer explodir de tanta fofura.

— Hyunjinnie, meu bem. — Jeongin chamou, segurando em ambos os lados da cadeira com força, como se estivesse se segurando para não levantar-se. — Eu me seguro todos os dias para não te apertar todinho, mas agindo assim, você não ajuda!

— Jeongin! — Eu ri alto, negando com a cabeça e acariciando a mão de Hyunjin.

— Então e-eu vou mesmo, lixie? — Esperançoso, ele perguntou baixinho.

— Vai, docinho. — Respondi, ainda apreensivo, mas confirmado e até mais tranquilo. — Vamos que horas? — Pergunto a Seungmin.

— No horário que você quiser. — Responde, sem qualquer tipo de dúvida.

Eu suspiro, pensando se realmente deveria fazer isso hoje. Quero dizer... Ainda é Segunda-feira.

— Vai dar tudo certo, Lixie! — Jeongin falou, me fazendo suspirar mais tranquilo. — E se ele aparecer lá, Seungmin é pequeno mas é faixa preta em jiu jitsu!

— Eu já disse que aquilo era só uma fantasia, innie! — seungmin protestou, me fazendo rir baixinho.

É, eu espero que dê tudo certo também

🧚🏻‍♂️🍰

— Felix, você acha que sua mamãe vai f-ficar feliz se eu for? — Hyunjin perguntou ao entramos em meu quarto, se sentando na cama que foi dada para mim.

— Claro que sim! — Disse sincero, querendo saber de onde ele tirou essa ideia absurda de que mamãe não gostaria que ele fosse. — Ela te adora, Hyunjinnie, ama falar com você por telefone e não se importará nadinha se você for visitá-la. Ela vai amar! — Me sentei ao seu lado, segurando em sua mão.

— Obrigado por me deixar ir. — Ele disse baixinho, entrelaçando nossos dedos. — Eu f-fiquei tão preocupado ontem... S-se ele estiver lá, eu protejo você!

Eu juro que tento não ser um cara emocionado ou boiola. Mas, sério! Olha as coisas que esse garoto diz, como não irei me apaixonar ainda mais assim? Hyunjin, por favor, tenha calma com meu coraçãozinho emocionado.

— Eu tenho certeza que irá. — Sorri, deitando lentamente na cama e relaxando meu corpo. Nós havíamos acabado de almoçar e agora sim eu estava com as energias quase cem por cento renovadas. — Ainda me sinto fraco, docinho. — Disse baixo e Hyunjin me olhou preocupado.

Ele se deitou ao meu lado, colocando nossas mãos juntas entre nossos corpos e parecendo querer dizer algo, mas eu disse antes.

— Sabe o que me deixaria completamente revigorado e pronto pra combater até um ataque de leões? — Perguntei de forma brincalhona.

— Nada? — Ele disse confuso, me deixando mais confuso ainda. — Leões são f-fortes. Para combater um ataque de vários leões, você teria que ter-

— Era só uma hipótese, Hyunjinnie! — Dei uma risada baixa, negando com a cabeça. Ele é impossível. — Quero dizer, sabe o que me deixaria ainda mais feliz? — Parecendo entender, ele sorriu e negou levemente com a cabeça. Trouxe nossas mãos juntas até a altura de meus lábios e deixei um selinho pequeno no dorso de sua mão, observando o sorrisinho tímido que nasceu em sua boquinha bonita. — Eu ficaria incrivelmente revigorado se recebesse bitoquinhas sua.

É oficial. Lee Felix é um grande bobão.

Como cheguei a essa conclusão? Simples: Foi só Hyunjin abrir o maior sorriso que já deu hoje, que senti todo meu coração derreter no peito e a sensação de estar anestesiado me invadir completamente.

— Quer b-bitoquinhas também, Felix?— Também? Ele também quer.

— Ainda não demos nenhum beijinho hoje, docinho. — Comentei tentando parecer entristecido, levando minha mão livre até seu rosto e fazendo um carinho pequeno em sua bochecha rosadinha. — Você quer? Posso dar uma bitoquinha?

Eu me sinto incrivelmente bobo em falar coisas assim, mas é de uma maneira tão boa que eu não me importo de forma alguma em agir como um idiota apaixonado. Por que, de verdade, eu sou.

— Quero, Felixie. — Ele respondeu baixinho, já de olhos fechados e um biquinho pequeno nascendo em sua boca bonita.

Então, dei fim a nossa distância mais uma vez, dando um selinho curto antes de sugar seu lábio inferior, soltando um suspiro satisfeito quando Hyunjin apertou minha mão e retribuiu meu toque, sugando meu lábio superior. É um toque simples, mas que mexe completamente comigo.

Segurando minha vontade de aprofundar esse beijo, eu me afasto lenta e cuidadosamente de sua boca. Dando mais dois selinhos curtos antes de abrir meus olhos e encarar seu rosto tão próximo do meu, Hyunjin aperta minha mão mais uma vez e suspirar baixinho, abrindo os olhinhos devagar.

— Tudo bem? — Pergunto meio apreensivo. Sentindo o suor descer pela minha nuca, tanto pelo calor, quanto pelas sensações que esse beijinho trouxe a mim.

A verdade é que ainda parece que estou em um sonho profundo.

— S-sim. — Ele sorriu, me tranquilizando.

— Vem, vamos ficar de um jeito mais confortável. — Disse baixinho, me levantando um pouco para chegar até os travesseiros da cama, deitando e trazendo Hyunjin para se deitar do jeitinho que gostamos.

— Felixie? — Ele chamou baixinho, movendo seu polegar em minha mão e fazendo um carinho curto. Eu murmurei um "hum" baixinho, indicando que ele continuasse a falar. — Eu f-falei pro papai.

Meu olhos se abriram tão rápido, que antes de ver a cabeleireira preta de Hyunjin a minha frente, uma luz branca e forte veio primeiro.

— O-o que você disse? — Perguntei, ficando nervoso de um segundo para o outro.

— Sobre nosso b-beijinho. — Ele riu fraquinho. Eu senti vontade de afundar nesse colchão e sumir de verdade.

— Você disse? — Tentando manter a calma, eu perguntei acariciando seus cabelos macios e com cheiro de shampoo para neném. Hyunjin apenas murmurou um "sim" gaguejado e fraquinho, fazendo meu coração palpitar ainda mais forte. — Como... Como ele reagiu?

— Ele ficou muito feliz. — Respondeu, me fazendo soltar um suspiro aliviado. — Ele disse que foi tão f-fofo, e que está muito feliz por v-você ter me res... Respeitado e me deixado feliz também.

— Essa é uma das minhas maiores prioridades, docinho. — Sorri, lhe dando um beijinho na cabeça.

Confesso que estava nervoso com a ideia de Junghyun saber que eu beijo seu filho, mas me tranquiliza muito também saber que ele sabe, assim não preciso esconder o quão apaixonado eu estou por ele.

Mesmo que eu não vá beijar Hyunjin em sua frente.

— Fiz mal em dizer para ele? — Sua voz rouquinha me tirou do mundo dos pensamentos, sorri ao negar, mesmo que ele não estivesse vendo meu sorriso.

— Você fez muito bem, docinho. — Dei-lhe outro beijo na cabeça, acariciando sua mão novamente.

Nós ficamos daquele jeito por um tempinho, apenas aproveitando a companhia um do outro e falando coisinhas bobas, trocando beijinhos curtos e carinhos sinceros. Até Seungmin bater na minha porta e dizer que já estava na hora de irmos.

É, ele é pontual. Eu disse que podíamos sair às três da tarde e ele está aqui, duas e cinquenta da tarde, batendo na minha porta devagar.

— Vamos, Hyunjinnie. — Sorri para ele, esperando que ele se levantasse para que eu fizesse o mesmo e então, seguimos Seungmin até o andar de baixo.

— Vamos, meninos! — A voz de Hwang-hee me chamou a atenção, então uma expressão de pura confusão tomou posse de meu rosto.

Como assim "Vamos" ?

— Vamos com vocês. — Junghyun respondeu minha pergunta interna, deixando meus olhos o dobro do tamanho que eles são.

— O que? — Perguntei confuso, intercalando o olhar de Seungmin para Jeongin, que apenas deram de ombros e soltaram um riso curto. — Como assim?

— Jimin, eu não vou deixar Hyunjin e você irem para a casa daquele... Daquele cara, sem qualquer proteção, além de Seungmin. — Ele olhou para o baixinho ao lado de Jeongin, que apenas negou com a cabeça e deu um peteleco na testa do namorado. — Jeongin disse que ele é faixa preta em jiu jitsu.

— Era uma fantasia! — Ele disse mais uma vez, arrancando uma risada de cada um aqui na sala.

— Era brincadeira, Seungmin! — Junghyun respondeu, negando com a cabeça e rindo fraquinho.

Mas sua expressão logo se tornou séria novamente ao me encarar, sabendo que eu poderia negar sua ajuda mais uma vez.

— Sei que seu pai não é um cara legal, Felix. E não pense em negar minha presença, você e Hyunjin não irão para a casa desse... Cara, sem nenhum tipo de proteção.

Eu nem tive tempo de negar, já que Hyunjin largou minha mão rapidamente e abraçou seu pai, fazendo Junghyun abrir um sorriso radiante.

E não pude fazer nada além de concordar. Ele estava sério demais e confesso que me senti muito mais tranquilo com a ideia de tê-los junto a mim, quando fosse encontrar minha mãe, já que estaria junto de minha família.

Minha família inusitada.

— Eu...Nem sei oque dizer. — Confessei, sentindo meus olhos arderem mais uma vez. Mas eu não queria chorar antes de hora. — Obrigado por não me deixarem sozinho em um momento tão importante, pessoal. — Foi a única coisa que consegui dizer, sentindo um alívio enorme percorrer meu corpo quando Hyunjin apertou minha mão levemente e, sem esperar nenhum segundo, o corpo de Jeongin se chocar contra o meu em um abraço forte.

E como se não pudesse melhorar mais, todos eles me surpreenderam ao se aproximarem de nós dois e dar início a um abraço coletivo. Até mesmo Seungmin veio!

— Vamos logo, Felix-ah. To com saudades da tia Taeyeon também! — Jeongin disse assim que se afastaram de mim e eu sorri, concordando.

Nós seguimos em direção a garagem de Junghyun, onde estava seu Toyota SWA SR. É um carro com capacidade para ter até sete pessoas dentro...Puta merda, é um carro incrível de tão lindo, me impressiona muito Junghyun deixá-lo aqui em Busan, mas não tiro sua razão.

— Tudo bem? — Perguntei a Hyunjin quando ficamos mais afastados dos outros,ele estava muito quietinho e o medo dele ter decidido ir Junto a mim e os outros até a casa da minha mãe no calor do momento aumentando a cada segundo que passa, sei que ele se preocupa comigo, mas também sei que meu pai foi alguem horrível com ele também.

— Sim. — Ele respondeu, dando um sorriso pequeno. — Só...Estou com dor de barriga de t-tanto nervosismo. — Confessou, me fazendo rir baixinho e concordar com ele.

— Sabe que não precisa fazer isso, não é? Não quero que você se encontre com ele, docinho...

— Seungmin disse que policiais t-trabalham... Muito a tarde e que nesse horário não tem p-perigo do seu pai ruim estar lá. Então está tudo bem. — Hyunjin disse tranquilamente, fazendo toda a apreensão de encontrar meu pai por lá, sumisse minimamente. Ele tem razão, sempre que mamãe liga, é justo nesse horário que estamos indo vê-la.

Ver minha mãe.

Eu estou finalmente indo ver minha mãe depois de tanto tempo com medo de pisar os pés aqui em Busan novamente. Com medo daquele desgraçado que jurou proteger toda essa cidade, mas é capaz de fazer coisas que traumatizaram seu filho e um garoto autista.

Não gosto de pensar muito sobre isso, mas saber que meu pai teve contato com Hyunjin na infância, me deixa muito puto e amargurado. Sinto vontade de socar toda aquela cara cínica e nojenta que ele tem.

— Sua mãe ainda mora no mesmo endereço, Felix? — Junghyun perguntou quando já estávamos todos juntos dentro de seu carrão bonito. Concordei com a cabeça. — Me fale para que eu coloque no GPS. — Concordei, lhe dando as informações que lembrava para então, seguirmos caminho até lá.

Hyunjin não deixou de segurar minha mão em nem um segundo, ele me passava um sentimento tão gratificante de paz e segurança, que eu poderia muito bem estar indo enfrentar o próprio diabo que não me importaria nadinha, já que estaria segurando sua mão e vendo seu sorrisinho pequeno e tímido.

Quanto mais o carro avançava em direção ao lugar que eu havia indicado para Junghyun, mais meu coração acelerava ao reconhecer vagamente as ruas por onde passamos. Senti minha outra mão ser segurada pela de Jeongin e soltei um suspiro curto, o clima dentro do carro estava muito tenso, mesmo que Hwang-hee falasse algumas coisas que fizessem os outros rirem, mas eu não prestava muito a atenção. Minha atenção estava completamente presa no que viria a acontecer nos próximos minutos.

— Para aqui, Junghyun. — Eu pedi, reconhecendo aquela esquina.

Era a que dava para a minha antiga casa. Meu Deus, que nervoso.

— Por que, Felix? — Seungmin perguntou confuso, olhando para fora.

— Caso meu pai chegue enquanto ainda estivermos lá, podemos sair pelas portas dos fundos e vir direto pra cá pela rua de cima. — Respondi, abrindo a porta quando a mesma foi destravada, Hyunjin desceu junto.

— Como sabe que a rua de cima dá nessa mesma esquina? — Ainda confuso, Seungmin perguntou novamente.

— Fiz muito isso quando vinha visitar minha mãe antes de ir para Seul. — Foi o que eu disse.

— Você está bem, Felix? — Hwang-hee perguntou visivelmente preocupado e eu concordei com um aceno curto de cabeça.

— Meio nervoso...Faz quatro anos que não vejo minha mãe. — Respondi, esfregando minha mão livre na lateral da minha calça. Ao se aproximar mais de onde eu sabia ficar na casa onde passei mais de quinze anos completos, senti meu coração acelerar mais uma vez. — Certo, estou muito nervoso.

— Vai ficar tudo bem Felix-ah!— Jeongin disse, me dando um tapinha no ombro.

— Sim!— Hyunjin quem disse dessa vez, apertando levemente minha mão.

Ao que nos aproximávamos da minha antiga casa. Reconhecia bem aquele lugar, a casa do outro lado da rua era a antiga casa de Jeongin, seus pais se mudaram dali a uns tres anos atras, assim que eu e meu melhor amigo fomos para Seul, e, logo a frente, consigo ver nitidamente a casa que jurei nunca mais pisar os pés com aquele homem dentro.

— É ali.— Apontei para a casa pequena ao lado de uma padaria, eles murmuraram algo que não pude compreender, já que meus sentidos praticamente pararam de funcionar ao notar que em poucos minutos eu estaria dentre os braços de mamãe novamente.

Paramos em frente ao portãozinho de madeira, aparentemente recém reformado e alguns vizinhos já colocaram suas cabeças para fora de suas janelas. Óbvio que esse amontoado de homens chegando em uma casa chamaria a atenção de algumas pessoas.

Só espero que não sejam tão fofoqueiras quanto quando eu morava aqui e saiam espalhando por toda a vizinhança que o filho do policial tinha ganhado uma surra por ser um viadinho.

Respirei fundo e olhei para trás, agradecendo mentalmente por eles estarem em silêncio e não me pressionar quando exitei em tocar a campainha, medroso demais para mover meu dedo e tocar aquele pequeno botão. E, para minha surpresa, meu celular vibrou no bolso traseiro da minha calça, me fazendo arregalar os olhos quando o tirei e olhei o contato de quem estava me ligando.

Era minha mãe. Mamãe estava me ligando.

Porra...Isso é muita coincidência.

— Quem é, Felix? — Seungmin perguntou,parecendo notar minha apreensão.

— Minha mãe. — Suspirei, apertando o botão verde e atendendo sua ligação. — O-oi, mamãe!

— Felixie! — Ela disse animada, fazendo um suspiro curto sair de meus lábios. — Desculpa não ter ligado ontem, seu pai pegou folga e ficou o dia todo em casa... Enfim, como você está, meu amor?

— Estou bem... Ele ainda está em casa? — A pergunta saiu existente, pois temia por sua resposta.

— Não, bebê. Saiu logo cedo e nem voltou para o almoço. — Um suspiro foi ouvido por mim, senti meu estômago se revirar.

E, quando eu iria falar algo, o barulho da campainha foi ouvido.

Hyunjin tinha apertado o botão.

— Hyunjinnie!— Junghyun repreendeu baixinho.

— Espera só um segundinho, meu bem! — Mamãe disse, me fazendo arregalar os olhos. — Acabaram de tocar a campainha, vou ver quem é.

— D-desculpa! Eu encostei no m-muro e meu braço pegou... — Ouvi Hyunjin dizer quase em um tom choroso, me fazendo arregalar os olhos rapidamente.

Meu Deus...

— Felixie... — A voz de mamãe soou novamente pelos meus ouvidos, fazendo meu coração acelerar ainda mais ao notar a entonação de voz— Por favor, m-me diz que eu não estou alucinando e vendo você, J-Jeongin e outras pessoas aqui na porta da minha casa...

— Mãe... — Foi o que eu respondi, olhando para a porta da casa escancarada e ela ali, paradinha com o celular ao lado do rosto e uma mão na boca.

Minha mãe estava a praticamente uns dez metros de distância de mim. Minha mãe estava ali!

— Felix, meu amor! — Minha mãe veio correndo até o portãozinho de madeira pequeno, eu nem sequer esperei ela chegar para abrir aquele treco e já saltei por cima dele, correndo até finalmente estar nos braços da mamãe mais uma vez, envolvido em um abraço apertado e caloroso.

Lágrimas já se acumulavam aos montes em seus olhos, eu apertando mamãe como se nunca mais pudesse a soltar, a saudade que senti sendo substituída por emoções fortes do reencontro. Eu estava com minha mãe em um abraço!

— Mãe... — Eu disse choroso, sentindo meu coração acelerar com mais força quando um soluço alto foi solto por ela. Minha mãe também estava chorando. — Mamãe, não chora... — Falei, mesmo que eu mesmo já estivesse chorando igual uma criança de colo e me afastei de seu abraço, segurando nas laterais de seu rosto e limpando um pouco das lágrimas abundantes que rolavam de seus olhinhos.

Eu não conseguia acreditar. Eu estava com minha mãe ali!

— Meu Deus! Meu Deus! — Ela disse enquanto um sorriso grande se misturava com as lágrimas que deixava cair livremente. — Felix, você...

— Oi, mãe... — Respondi, sorrindo entre lágrimas também, emocionado demais para tentar impedir que elas rolassem com calma de meus olhos emocionados. — Eu estou aqui!

— Tia, abre aqui! — Jeongin gritou, me fazendo arregalar os olhos. — Não sou doido igual o Felix pra pular esse treco com pontas.

— Jeongin! — Seungmin repreendeu, dando um tapa na própria testa.

— Meninos! — Mamãe se afastou de mim com um sorriso grande, correndo até o portão e limpando suas lágrimas teimosas, eu até tentei não chorar novamente, mas não deu em nada.

Eu estava completamente emocionado. Minha família estava completa aqui comigo... Bem, quase completa, ainda falta Myung, Jisung e Minho, mesmo que não conheça os últimos dois a tanto tempo e não tenha tanta intimidade — Se bem que a minha intimidade com Jisung chegou a um nível tão elevado que sou zoado por ser meio lerdo e até deixei meu gatinho com ele — Eu os considero como minha família.

— Meu Deus, me perdoem pelos chororô. — Mamãe disse assim que abriu o pequeno portão de entrada, dando espaço para que eles entrassem. — Venham! Vamos entrar, a vizinhança é meio fofoqueira. — Ela sussurrou a última parte, se aproximando de mim novamente e me abraçando pelos ombros.

Nós seguimos em silêncio até a entrada de casa, e eu tirei esse tempinho para analisar a minha antiga moradia. Ela estava reformada, cercas de madeira que a dividiam das outras casas, a grama estava verdinha e as flores no jardim completamente lindas. A tintura da casa também estava renovada, já que antes que eu fosse embora, as paredes eram azuis, agora são lilás e com cerâmicas quadriculadas.

Pelo visto ele conseguiu bastante dinheiro para reformar toda casa.

— Sentem-se! Vou pegar algumas coisas para comermos. — Minha mãe disse ao se afastar de mim, eu quis protestar e dizer que não precisava, mas ela saiu antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.

— D-desculpa ter apertado... — Ouvi Hyunjin dizer ao se aproximar de mim, parecendo estar chateado de verdade. Neguei várias vezes com a cabeça, tentando lhe tranquilizar.

— Acho que se você não tivesse feito isso, mesmo que por acidente, eu não teria coragem de apertar, docinho. — Confessei, sorrindo curto e segurando em sua mão. — Obrigado por apertar.

— Não está chateado? — Ainda apreensivo, ele perguntou, sorrindo pequeno ao entrelaçar seus dedos junto com os meus.

— Nunca. — Sorri também, respirando fundo e negando com a cabeça.

— A casa está mudada! — Jeongin chamou nossa atenção, caminhando até o sofá e já se sentando ali. — Nossa, até fiquei nervoso.

— Folgado. — Resmunguei, rindo e negando com a cabeça.

— Como você está, Felix? — Junghyun foi o primeiro a perguntar, se aproximando de mim e de Hyunjin com um olhar preocupado.

— Emocionado... E meio angustiado. — Disse num suspiro, negando com a cabeça quando seu olhar caiu sobre mim. — Eu pensei que nunca iria pisar aqui novamente...

— Vai falar com sua mãe a sós um pouco, Felix. — Seungmin se pronunciou, sentando ao lado de Jeongin. — Vocês precisam desse momento.

Eu nem pensei em negar, apertei de forma leve a mão de Hyunjin antes de soltá-la e seguir o mesmo caminho que minha mãe havia seguido a minutos atrás. A cada cômodo que eu passava, uma nova memória se formava, boas e ruins, momentos felizes que vivi com minha mãe e os momentos de humilhação e agonia que meu pai me fez passar, senti minha cabeça girar e a balancei para os lados, respirando fundo.

— Mamãe? — Chamei ao chegar na cozinha, a encontrando de costas para mim, na pia da cozinha enquanto lavava alguma coisa.

— Oh, meu amor! — Ela sorriu ao se virar, limpando as mãos no avental que usava e se aproximando de mim. — Desculpe pela demora, você disse que Hyunjinnie gostava de doces e estava cortando uma torta de morango que fiz ontem a noite. Também fiz uma de limão!

Hyunjin com certeza vai amar esse passeio até a casa da minha mãe.

— Não precisa se preocupar com isso... — Respondi, sentindo meu coração acelerar novamente e mais lágrimas brotarem em meus olhos. — Meu Deus, eu estou com tanta saudades de você, mãe!

— Eu também, meu bebê. — Ela respondeu, me envolvendo em mais um abraço caloroso. — Ainda acho que estou sonhando, você apareceu tão de repente! Por que não me disse que viria?

— Fiquei com medo de vir, mamãe. — Respondi, me afastando de seu abraço. — Eu não queria dar falsas esperanças e acabar amarelando quando realmente vinhesse. Se não fosse eles, — Apontei para onde sabia que eles estariam, suspirando logo em seguida. — Eu jamais teria cogitado a ideia de realmente vir para Busan depois de... Tanto tempo. Não agora, sem uma casa espaçosa para que você morasse comigo lá.

— Ah, Felixie... — Ela suspirou, me levando até o balcão da cozinha e me sentando em um dos banquinhos ali. — Eu fico tão aliviada de você ter encontrado pessoas como eles.

Eu também. Aliviado e muito feliz.

— Ele foi professor de Hyunjin, mamãe. — Falei sem pensar, sentindo raiva só de tocar nesse assunto. — Eu sei que não é o momento para falar dele... Mas mãe-

— Vamos deixar essa conversa para depois, Felixie. — Ela suspirou, me abraçando novamente e dando um beijo em minha cabeça. — Você cresceu tanto, meu bem! Anda se alimentando bem?

— Minha alimentação está bem melhor, mamãe! Agradeça aos Hwang por isso também. — Sorri, feliz por ela ter notado a minha melhora na saúde. — Senhor Junghyun cozinha muito bem, mas nada se compara a sua comida.

— Fico feliz em saber que ainda sou seu tempero favorito. — Ela sorriu, caminhando até a geladeira e tirando de lá a tortinha da fruta vermelho ( sim, Hyunjin me fez preferir chamar por esse nome do que o original) e também uma de limão.

— Parece que você sabia que receberia visitas, mamãe. — Sorri, lhe ajudando a carregar as comidas.

— Minha intuição dizia que algo aconteceria hoje e como você sabe, gosto de cozinhar como estou ansiosa. — Ela sorriu, me dando mais um beijinho na bochecha e nós caminhamos lado a lado de volta para a sala. — Me lembre de agradecer a esses Hwang por cuidar tão bem de você nesses últimos meses.

— Com certeza! — Respondi, sorrindo pequeno.

— E Hyunjinnie, uh?— Ela perguntou de maneira sugestiva. — Ele é realmente lindo, como você havia dito, meu amor! E os olhinhos arregalados quando me viu! Juro, Felixie, vocês realmente são tão fofos juntos!

— Mãe! — Eu disse meio envergonhado, desejando que chegássemos logo na sala. — Não diga coisas assim na frente dele, por favor... Nem na frente de Junghyun! — Pedi, sentindo aquele mesmo nervosismo de sempre quando o assunto Hyunjin era incluso em nossas conversas. — E Hyunjinnie... Eu realmente gosto dele, mamãe.

— É, eu percebi isso. É notável o sentimento forte de vocês, e olhe que não passei quinze minutos junto de vocês. . — Ela sorriu, abrindo a porta que dava passagem até a sala.

Ao entrar, eu pude ver Hyunjinnie sentado ao lado de seu pai e seu avô, Jeongin e Seungmin estavam no mesmo lugar em que se sentaram quando sai. Eles estavam de costas para nós e eu desejei tanto que aquilo se repetisse, eu estava tão feliz!

— Voltamos! — Eu disse, colocando a tortinha de morango na mesinha de centro e já tratando de pegar um prato para pôr uma fatia para Hyunjin.

Eu juro que vi seus olhinhos brilharem ao ver o que era o lanchinho que minha mãe havia preparado.

— Que saudade da sua comida, tia! — Jeongin disse, se aproximando e já pegando um pratinho para pegar sua tão saborosa torta de limão. — Venha pegar o seu, seungmin.

— Então esse é o tal seungmin que fica implicando com meu menino? — Mamãe perguntou risonha, me fazendo prender a risada com os olhos pequenos de seungmin se arregalaram brevemente.

— Você não tem ideia do quão chato felix é às vezes, senhora Taeyeon. — Foi o que ele respondeu, dando de ombros e se aproximando do namorado.

— C-chato não. — hyunjin se pronunciou depois de um tempinho em silêncio, me fazendo soltar um riso curto e completamente apaixonado.

— A torta está boa, Hyunjinnie? — Ela perguntou dando sua atenção completa para ele, notei quando os olhos dele se arregalaram novamente sobre as lentes de seus óculos redondos, encantador, já que suas bochechinhas estavam e o que o deixava ainda mais encantador, eram as bochechinha inchadas por estarem cheias de torta.

— Acho que ele adorou, senhora Lee. — Junghyun disse, me fazendo rir baixinho quando Hyunjin fez uma caretinha nada satisfeita por terem respondido sua pergunta. Ele não gosta muito quando fazem isso. — Essa de limão também é uma delícia! Me passa a receita depois?

— Claro! É o mínimo que eu possa fazer para as pessoas que cuidaram tão bem do meu menino enquanto eu não pude estar com ele. — Foi o que mamãe disse, me deixando emocionado novamente.

Nós engatamos em uma conversa sobre tortinhas e depois sobre o trabalho de Junghyun, e mamãe ficou muito emocionada quando ele estava contando sobre como salvou a vida de um garotinho que estava na cama de hospital para fazer uma cirurgia complicada e o outro médico anestesista errou a dosagem de anestesia, fazendo com que o menino tivesse complicações durante a operação e chamaram Junghyun para tentar resolver o caso, e ele fez isso com muito cuidado e preocupação, já que qualquer movimento em falso poderia deixar o menino aleijado.

É, quem pensa que ser médico anestesista é só chegar lá e enfiar uma agulha no paciente, está muito enganado.

— Uau! Que bom que você conseguiu chegar a tempo, senhor Hwang! — Foi o que mamãe respondeu, completamente feliz com o desfecho feliz que o acontecimento teve. — E você, Felixie? Como está a faculdade de Astronomia?

Não toca nesse assunto aqui, mamãe...

— Astronomia? — Hwang-hee perguntou visivelmente confuso, me olhando. — Pensei que você fizesse Psi-

— Está indo bem, Mamãe! — O interrompi, ficando meio desesperado. — Estamos de férias agora, e eu amei esse semestre! — Respondi, desejando com todas as minhas forças que eles entendessem que precisavam ficar calados sobre esse assunto.

Ela pareceu convencida, já que o sorriso que abriu foi incrivelmente satisfeito e orgulhoso. Fiquei muito chateado comigo mesmo por mentir assim para ela, mas ainda não estou pronto para contar que desisti de Astronomia por ser ruim com números e ter um raciocínio lento para cálculos. Me sentia burro fazendo aquilo.

Me encontrei em Psicologia. Me sinto completamente bem fazendo isso.

— Vou levar esses pratos sujos para a pia, não demoro! — Mamãe quebrou o silêncio constrangedor que se instalou na sala, levando os pratinhos sujos junto com os restos de torta que sobrou.

— Não acredito que ainda não contou para ela, Felix. — Seungmin quem disse, me fazendo soltar um suspiro chateado.

— Não tive coragem de dizer por celular...— Murmurei, sorrindo pequeno quando a mão de Hyunjin apertou a minha com força moderada, era assim que ele me dava apoio de maneira não verbal.

— Tenho certeza que dirá quando sentir que deve dizer, Felix-ah! — Hwang-hee disse sorridente, me deixando mais tranquilo e concordei com suas palavras. — Desculpa deixar escapar, eu não sabia.

— Ela vai te apoiar de qualquer maneira. — Me surpreendendo mais uma vez nesse dia, Seungmin disse.

— Nós podemos f-fazer tortinhas e convidar sua mamãe la pra casa, Hyung! — Hyunjin se pronunciou depois de alguns minutos em silêncio— Vai ser a festinha de r-revelação da fadad...F-faculdade do Felixie!

Eu vou explodir.

Eu sinto que vou explodir de felicidade sempre que ele abre a boca para falar!

Mas meu sorriso morreu aos poucos ao lembrar com o que estamos lidando. Seria incrivelmente bom se mamãe pudesse sair de casa para me visitar tranquilamente.

— Acho que não será possível, docinho. Não agora...— Lamentei, suspirando e negando com a cabeça. — Aquele cara jamais deixaria mamãe ir me visitar.

— Ah, é...— Ele suspirou chateado. — Sua mãe é t-tão legal e gentil. Mas seu... — Hyunjin parou de falar, apertando minha mão levemente e me deixando confuso. — M-mas aquele homem é chato e malvado. — Sorri com seu cuidado com as palavras. Ele deve ter percebido que chamar aquele homem de pai é como se fosse o pior castigo que eu poderia receber na vida.

— É, você tem razão, Hyunjinnie! — Jeongin disse, cruzando os braços.

— Vamos levar a senhora Lee com a gente, Felix!— E Seungmin acrescentou.

— Sinto muito, meninos. Mas eu não posso ir com vocês...— Mamãe chamou nossa atenção assim que apareceu novamente na sala. — Eu até gostaria de poder ir, mas...

— Senhora lee...— Junghyun chamou, querendo dizer alguma coisa.

— Meu marido é alguém muito importante aqui em Busan, ele saberia de qualquer maneira para onde eu fui. — Foi o que ela respondeu, e eu juro que me segurei muito para não me derramar em mais lágrimas só de lembrar que mamãe vivia praticamente presa dentro da própria casa.

— Vem com a gente para Seul, mamãe. — Eu pedi, apertando a mão de hyunjin em busca de algum sentimento bom para tirar aquela angústia que eu estava sentindo aqui dentro.

E ele me deu o sentimento de alívio ao retribuir o aperto, mesmo que sem muita força.

— Felixie...— Mamãe murmurou, parecendo incerta do que dizer.

Mas sua fala foi cortada com o baque forte que a porta de entrada fez, assustando tanto a mim, quanto a todos na sala. Hyunjin soltou minha mão para levar as suas até as orelhas, possivelmente sentindo um incômodo com o barulho alto.

— Por essa porta está trancada, mulher?! — A voz do outro lado me fez arregalar os olhos e desejar sumir da face terrestre.

Era ele. Lee Ji-hoon estava a menos de vinte metros de distância de mim.

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