09
Eu estava paralisado. Imóvel.
Possivelmente com uma cara de assustado, porque sim, eu estava muito assustado, mas eu também estava feliz! Era minha mãe ali, fazia mais de três meses que eu não falava com ela. Eu estava explodindo de felicidade. Mas também de preocupação. Meu pai não a deixava entrar em contato comigo, eu tenho medo de caso descobrir que nos falamos, ele tentar fazer algo que machuque minha mãe. Era o que me assustava.
- Felix, meu amor? - Mamãe me chamou mais uma vez, me deixando ainda mais emocionado por finalmente ouvir sua voz. - Está escutando, filho?
- Estou! -Respondi tentando disfarçar minha voz falha. Eu já estava lacrimejando.
O casal ali comigo me encarava com expressões preocupadas. Jeongin e Seungmin sabiam muito bem dos problemas que eu e aquele cara temos. E também sabem como eu desejo tirar minha mãe das mãos dele.
- É a tia Yeon? -Jeongin perguntou baixinho, respondi acenando com a cabeça. - Wow...
- Mamãe... - Chamei soltando um suspiro. - Que saudades de você.
- Oh, meu filho... - A ouvi suspirar, não sei se sorria ou chorava pela sua entonação vocal. -Também sinto muito sua falta.
- 'Tá tudo bem? Você está bem, mamãe?
- Estou, meu bem! - Suspirei novamente, ela me chamando assim só me deixa com mais saudades. Carinho fraternal me fazia muita falta. - Morrendo de saudades, mas não vamos falar disso agora! Me conte as novidades! Está precisando de algum dinheiro?
Sorri, minha mãe era uma pessoa tão incrível e animada que até mesmo a pessoa mais chata do mundo, consegue sorrir perto dela. Menos meu pai.
- Não, mamãe! - Respondi, orgulhoso de mim mesmo. - E pode ficar tranquila, já consegui dinheiro suficiente para que você não precise me mandar dinheiro nunca mais.
- Sério que ele chama a senhora Lee de "mamãe"? - Ouvi o chatão do Seungmin perguntar para Hyunjin. Amenizando um pouco da tensão que estava sentindo. Mas eu nunca irei assumir isso em voz alta.
- Mamãe, Seungmin 'tá implicando comigo de novo. - O denunciei, ouvindo uma risadinha baixa de minha mãe. Coloquei a chamada em viva-voz, esperando que minha mãe falasse algo.
- Seungmin é aquele namoradinho de Jeongin, não é?
- Sim, tia Yeon! -Jeongin respondeu quase colando seu rosto no meu. Sorri.
- Seungmin, meu anjo, pare de implicância com meu filho. - Sorri convencido.
Não era grande coisa, eu sei. Mas ser tratado assim, pela minha mãe, depois de tanto tempo sem ouvir sua voz, me deixava muito feliz. A forma que eu a chamava não importava, mesmo que o sem graça do Seungmin continuasse a me chamar de " bebezinho da mamãe " sempre que eu encerrava uma ligação.
Eu sou o bebezinho da mamãe mesmo.
- Você 'tá bem mesmo, mamãe? -Perguntei novamente, mudando de assunto.
-Estou sim, morrendo de saudades de vocês e com novidades para contar! - Ela respondeu animada, Jeongin se aproximou mais de mim, quase subindo em meu ombro para poder escutar o que minha mãe dizia.
- Felix também tem muitas novidades para contar! - Meu melhor amigo se intrometeu.
- Innie! - Sussurrei meio desesperado. Eu sei que ele estava falando de Hyunjin e meu novo emprego, digo, Hwang-hee e meu novo... Esquece, eu sei que ele estava falando dos dois.
- Novidades? - Mamãe perguntou interessada. - Namorada ou namorado? -Mordi o lábio inferior, olhando para Jeongin, já imaginando a merda que estava passando em sua cabeça agora.
- Quase isso, tia! - Foi o que disse.
O que?!
- O que?! - Me virei para olhar Jeongin, que se jogou no colo do namorado rindo como uma criança que acabou de aprontar algo.- Não é verdade! Eu apenas arranjei um emprego mamãe! Não to namorando ninguém, Jeongin ta mentindo!
-Oh, meu Deus! - Sorri ao ouvir sua animação, sentindo meu coração pular animado novamente. - Meu bebê é um homem responsável agora! Que orgulho, Felix! É fixo, certo? - Sorri envergonhado, meus olhos começando a arder novamente pelo possível choro. - É em algum lugar legal? O dinheiro dá para pagar sua faculdade, filho?
Se fosse outra pessoa, eu possivelmente reclamaria por haver tantas perguntas. Mas como é minha mãe ali, eu estava transbordando de felicidade.
- É fixo, mamãe! Não é nada passageiro. - Suspirei. - E mesmo sendo monótono, é a coisa mais legal que eu já fiz.
- Hum... -Murmurou desconfiada - E o que é?
- Ele cuida de um garoto, tia! É um meio-babá! - Jeongin gritou.
Intrometido mentiroso!
- Sério?! -Minha mãe parecia surpresa- Meu amor, isso é incrível!
- O melhor vem agora, tia! - Jeongin voltou a gritar, me deixando ainda mais nervoso. - Eles estão apaixona-
Mas eu o impedi.
Jeongin, seu safado mentiroso!
-Não tem nada de melhor! - Me levantei do sofá, tirando a chamada do viva-voz e olhando feio para Jeongin. - Eu não sou babá, mamãe. Sou atendente em uma livraria aqui perto de casa, e ajudo o neto do meu chefe com algumas tarefas escolares, só isso!
- E anda de mãos dadas com ele, tia Yeon! - Jeongin se intrometeu novamente. Acho que vou surtar.
O que esse panaca ta querendo do dizer? Hyunjin é meu amigo!
- Silêncio, Innie! Não diga bobagens. - Revirei os olhos.
Ele deu de ombros e voltou a puxar seungmin para sentar em seu colo, iniciando um show de baba compartilhada enquanto eu andava até meu quarto, trancando a porta.
- Felix? -Minha mãe me chamou.
- Oi, mamãe! - Sorri novamente. - Como estão as coisas aí? - Mudei de assunto, não querendo falar mais sobre meu emprego.
- Está tudo bem, não se preocupe. - Respondeu, como se não me preocupar fosse uma coisa muito fácil. - Estou tão orgulhosa de você! Trabalhando e fazendo a faculdade que tanto ama, queria tanto te abraçar agora...
- Eu também... -Suspirei - Mas está tudo bem, quando eu juntar um dinheirinho eu vou para Busan te ver e te tirar daí.
- Lixie... - Ouvi ela suspirar. - Eu estou bem, não se preocupe com isso. Junte seu dinheiro para pagar sua faculdade, meu amor. - Murmurou baixo, neguei com a cabeça, não era uma coisa muito fácil não me preocupar quando o assunto era aquele.
- Mamãe... - Concordei ainda contrariado. - Ele sabe que você 'tá falando comigo? -Hesitante, perguntei.
- Seu pai é cabeça dura, meu amor. Se souber que comprei um celular só para falar com você, teria quebrado no mesmo momento.
Isto não estava certo, não era nada certo!
- Mãe...
- O que Jeongin iria me contar mesmo? - Me interrompeu. - Você e o menino que cuida estão... ?
Que tipo de sugestão é essa?
- Não, mamãe! Não, não! - Respondi. - Eu só ajudo ele nas atividades escolares e o acompanho da escola para casa. Que coincidentemente é no mesmo lugar que eu trabalho. E eu não cuido dele!
- Ah, filho! - Ela choramingou, me fazendo rir baixinho. - Não se exalte! Só estou curiosa para saber as novidades da vida amorosa do meu bebê.
Não tenho vida amorosa mamãe.
- Não fique bravo comigo, ok?
- Não, estou bravo mamãe... é que Jeongin surgiu com essa teoria estúpida de que eu e Hyunjin temos algo íntimo, assim, do nada! - Neguei com a cabeça. - Como eu disse, eu trabalho na livraria de um senhorzinho e ajudo o neto dele em coisas pequenas, sabe?
- Oh... - Agora sim ela parecia surpresa. - Meu amor, eu nem sei o que dizer! Como ele é? Qual sua idade? Ele tem pai? E-
- Mãe! - A interrompi, dando risada. - O Nome dele é Hwang Hyunjin, ele só tem o pai e o avô e também era de Busan!
- Sério? Busan não é pequena, mas se eu fosse alguém sociável com certeza conheceria algum Hwang... -Deu uma pequena pausa - Eu acho que já ouvi falar... Com o que o pai desse pequeno céu trabalha?
Pequeno céu? Quê?
- Hum... Junghyun é médico anestesista, mamãe. - Respondi sua pergunta, ainda meio curioso sobre o que ele pesava.
- Hwang... - Ela repetia o sobrenome. - Eu juro que já ouvi falar em uma família Hwang aqui... - Sussurrou, me impossibilitando de ouvir com clareza o que dizia.
- Mamãe? O que você disse?
-Nada, meu bem. Não se preocupe. Me diga, como o garotinho é? Você se dá bem com ele?
- No começo foi difícil, mas estamos nos aproximando cada dia mais. Estamos nos tornando ótimos amigos! - Sorri, lembrando de hoje mais cedo e nossas mãos juntas. - Ele tem dezoito anos, mamãe. Gosta de desenhar, gosta de qualquer coisa com açúcar e ama tudo que envolva fadas e unicórnios. Pode parecer infantil falando assim, mas é algo mais... mágico.
- Que fofinho! - Ela riu alto, neguei com a cabeça, sorrindo também. - Quando puder, quero conhecer esse garoto e encher ele de doces!
-Isso seria uma coisa que ele nunca recusaria. - Não conseguia entender a mim mesmo, eu não conseguia parar de sorrir por nada!
E assim, nosso assunto passou a ser Hyunjin. Por uns dez minutos seguidos. Era só sobre Hyunjin que minha mãe queria saber, e eu ficava ainda mais empolgado de contar sobre como nossa amizade estava evoluindo.
Eu e mamãe ficamos conversando por mais um tempo, ela me contou que conseguiu uma vaga como faxineira na escola em que eu estudei, lá em Busan. Eu estava com tantas saudades de contar sobre as coisas que aconteciam comigo, contar sobre meu dia, meus sentimentos e minhas vontades. Eu sentia saudades só de ouvir sua voz.
- Seu pai está me procurando... -Suspirei, fechando minhas mãos. - Acabou de sair do banho.
- Onde você 'tá? Mamãe, está mesmo tudo bem?
- Está sim! - Afirmou. Mas eu não acreditei. - Estou na dispensa, aproveitei que ele estava no banho e liguei rapidamente para você mas, preciso desligar, ele acabou. Te amo filho, se cuida e cuide muito bem do rapaz especial, ouviu?!
- Sim, mamãe! - Sorri sem perceber, sentindo a ardência conhecida pelo choro que estava por vir. - Não demore para ligar. Eu te amo muito, sinto saudades e-
Ela desligou.
- Vou cuidar dele sim...
Suspirei e deixei meu braço cair ao lado do meu corpo. Estava cansado, sonolento e, agora, curioso. Com saudades da minha mãe e seus abraços. Eu não queria sair da cama, mas precisava tomar um banho e um remédio para dor de cabeça. Amanhã o dia seria... Diferente, um tantinho diferente.
Eu sentia.
- Agrh, credo. - Falei assim que saí do quarto e vi Jeongin e Seungmin deitados no chão da sala, um enfiando a língua na garganta do outro.
- Invejoso. - Seungmin provocou, revirei os olhos.
- Deixa ele, Seungmin. - Jeongin manhou, faltei choramingar ali. -Felix 'tá com teias de aranha na boca faz tempo.
Eu iria retrucar, mas o que falaria? Estou há meses sem beijar ninguém, não é para menos essa provocaçãozinha tosca dele.
A não ser os beijos curtos que Sohui tentava me roubar.
- Não só na boca. - E Seungmin ainda teve a gentileza de dizer.
- Parem de falar da minha vida sexual como se eu não estivesse aqui, tá? - Revirei os olhos novamente, caminhando até o banheiro.
- Não. -Seungmin respondeu.
Certo, o melhor que eu tenho que fazer é tomar meu banho, um remédio e ir dormir tranquilamente por uma noite inteira. Finalmente.
Enquanto estava no banho, eu pensava, pensava e pensava sobre tudo que estava acontecendo na minha vida ultimamente e, também tirei um tempinho para pensar no futuro.
Um futuro cheio de incertezas.
[...]
-Está tão animado assim porquê? - Jeongin perguntou quando entrei na cozinha, talvez eu estivesse sorridente demais.
- Não é nada demais. - Dei de ombros, me sentando ao seu lado. Omitindo a parte de passear com Hyunjin.
Hoje eu até passei corretivo a baixo dos meus olhos, tentando disfarçar as olheiras que ficaram na minha pele pela noite mal dormida. É, apesar de desejar tanto dormir, pesadelos acontecem.
Mas eu estava feliz, justamente porque tomei coragem para conversar com Sohui e, de quebra, ainda vou passear de bicicleta com Hyunjin.
- O que a tia falou ontem? - Perguntou me deixando confuso. - Não faz essa cara de tapado, eu sei que eu e Seungmin estávamos sendo intrometidos ontem, mas eu só queria saber das novidades, poxa...
- Ela não disse nada de tão diferente. - Suspirei - Só que tinha conseguido um emprego na nossa antiga escola, lá em Busan e, que comprou o celular com o salário. Você foi muito inconveniente falando aquelas coisas ontem. Eu só tenho um emprego, Innie!
- E ainda um namoradinho, não é? - Piscou o olho. Revirei os meus.
Sem noção.
- Não sei o que você quer dizer com isso.- Juntei as sobrancelhas e o olhei desconfiado. -Você 'ta insinuando que eu e... Jeongin! Nunca vai acontecer!
- Não cospe p'ra cima porque cai no rosto! - Falou, olhei para ele, tentando entender o que ele quis dizer - É um ditado brasileiro, quer dizer que você não pode falar algo com tanta certeza, já que não sabe do futuro. -Deu de ombros.
- Você só pode 'tá de brincadeira! - Falei alto, tentando manter a calma.
- O que foi? A ideia de namorar o bonitinho que eu nunca vi te assusta? - Provocou.
Seu... Seu idiota!
-Eu e ele não... N-não rola!- Fiz movimentos circulares com meus dedos, indicando o que eu queria dizer. - Somos... S-somos incompatíveis! Ele odeia doce de milho, Jeongin! Não come banana, banana! E eu sou um chato comparado a ele, entende? Eu nunca o vi triste, irritado ou aborrecido. E eu sou... assim! - Apontei para a minha aparecia, meus cabelos estavam desarrumados e minhas roupas não... faziam o estilo de Hyunjin?
O que eu estou dizendo? Eu nem sei o estilo de Hyunjin!
- O que eu quero dizer, é que nós só somos bons amigos, entende? - Suspirei, mordendo o lábio inferior. - E ele é tão... Fofo. Sabe, eu tenho que me aguentar muito para não apertar aquelas bochechas rosadas enquanto ele fala e gagueja! Ou quando ele come sua tortinha favorita e se meleca todo com torta de morango, ou quando ele faz desen-
- Você está se contradizendo! - Jeongin riu alto, me fazendo parar de falar. - Eu só estava te zoando, Hyung! Mas você falando assim, parece que está apaixonado pelo menino.
- Não estou! - Falei de volta, negando com a cabeça. - Eu quero cuidar de Hyunjin, ser um bom amigo para ele, Jeongin. Ele nunca teve um amigo e eu quero ser um bom primeiro amigo. Não quero aparecer que estou... Estou me aproveitando da situação para tentar algo com alguém como ele, sabe?
- Como assim, alguém como ele? Autista? - Me encarou confuso, o olhei indignado.
- Claro que não, bocó! - Soltei um risada meio desesperada, com medo de Jeongin entender errado minhas palavras. - Quero dizer ingênuo, Jeongin. Hyunjin é a pessoa mais ingênua que eu já conheci nesse mundo...
- Por isso ele precisa de pessoas confiáveis para estar com ele durante esses momentos de aprendizado sobre como a vida adulta é um saco!
- Essa parte chata eu deixo com Seungmin.
- Verdade.
- O que você-
- Nadinha. - Me interrompeu. - Só não esquece de não babar sempre que ver ele.
Jeongin insiste em dizer coisas que não fazem nenhum sentido.
- Jeongin o que você-
- Ei, não precisa se estressar, Lixie, eu estava brincando. -Falou me interrompendo novamente, não muito convencido com meus argumentos. - Jeongin vive dizendo que Hyunjin não para de falar de você nas consultas...
- Isso não quer dizer nada. - Revirei os olhos, me cansando daquele assunto. - Junghyun diz que quando Hyunjin conhece alguém e gosta dela, não para de falar.
- Mas vocês se conhecem há quase quatro meses, não é nada novo. - Continuou a insistir, suspirei. Eu não vou discutir essa ideia doida que Jeongin enfiou na cabeça.
- Eu vou estudar. - Me levantei. - Tenho assuntos importantes para tratar hoje. - Saí da cozinha, pegando minha mochila na sala e me sentando no sofá para calçar meu tênis.
- Que assunto? - Jeongin me seguiu. Curioso.
-Vou falar com Sohui, cansei de tudo isso. Já está insuportável toda aquela aproximação sem graça que ela força entre nós dois. - Mordi meu lábio inferior, pensando nas coisas que eu precisaria falar. - Ela precisa entender que eu não vou namorar com ela.
- Finalmente! - Disse meio aliviado e se sentou ao meu lado. - Se você não fizesse nada, eu faria. Assédio é coisa séria, e isso que ela faz com você, é assédio sim.
Eu não queria acreditar nisso, mas todas coisas que Sohui bem fazendo nos últimos dias, não negam o que Innie diz.
Fomos juntos para Universidade - Como sempre. - e tive que montar um discurso completo na minha cabeça para poder explicar tudo para Sohui e não machucar ela, eu sei que dói ter seus sentimentos negados. Mas eu precisava. Eu nunca a dei esperanças, mesmo quando ela era uma das únicas a me visitar enquanto eu estava num... momento difícil, logo após a minha "saída" da Universidade.
Como eu disse, eu tentei retribuir, mas eu não consegui me apaixonar por ela.
- Oppa! - Ela me chamou, correndo até mim e me abraçando. - Finalmente chegou.
Eu gosto dela, não de uma forma romântica. Só não gosto de todo esse contato que ela quer ter comigo, ela... Força tudo isso, e eu preciso entender ela, ajudar, não posso deixar isso se transformar em uma coisar maior.
- Oi, Sohui. - Sorri pequeno, segurando em seus braços para que ela soltasse meu pescoço.
- Estava esperando você chegar. - Disse olhando para trás, fazendo uma caretinha. Possivelmente Jeongin estava nos olhando com uma cara nada boa.
- Vem, precisamos conversar antes que a palestra comece. - Segurei em seu pulso e puxei com cuidado, andando para uma das salas desocupadas perto da minha.
Por incrível que pareça, eu estava tranquilo, não precisava dizer muito, era só falar a verdade. Certo. Respira fundo.
- Aqui, oppa? -Ela perguntou sorrindo, um sorriso diferente.
Oh, não...
- Sohui, olha-
- Eu sei que você é tímido. - Me interrompeu, enlaçando meu pescoço com seus braços- Não gosta de mostrar seus sentimentos na frente das pessoas. Mas, oppa.... Eu sei o que você quer.
Porcaria.
- Não sabe. - Mordi o lábios inferior,, segurando eu seus braços mais uma vez e me afastando quando vi seu rosto próximo do meu.
- Por que você é assim? - Perguntou com as sobrancelhas franzidas - Fazem meses que nós beijamos, Oppa... E-eu não fui bem?
- Sohui, me escuta. - Passei as mãos pelo cabelo, nervoso. Ela não ficava quieta, distribuindo beijinhos pelo meu pescoço e isso só piorava minha situação, me deixando desconfortável.- Sohui...
Segurei em seu ombro, afastando seu corpo do meu, encarando seu rosto confuso.
- Só um beijinho, Oppa. - Ela choramingou, tocando meu rosto. - Faz tempo que você não me beija.
Suspirei e a soltei, me afastando.
- O que você acha que nós temos? - Perguntei direto, não querendo mais enrolar isso.
- Somos... Ficantes que não ficam? - Respondeu, me fazendo rir. Foi engraçado, mesmo não sendo um momento muito adequado para rir.
- Por que está rindo? - Tentou segurar em mim mais uma vez. Segurei em seus ombros novamente, deixando-a quieta.
- Ah, me desculpe! Eu não quis rir. - A soltei, dando passos para trás e me sentando em uma das cadeiras que tinha ali. - Eu fui um covarde por não te dizer antes, mas... Sohui, não dá...
- O que não dá? - Sentou em minha frente, com uma expressão que eu não consegui compreender.
Como estudante de psicologia, eu sei que as expressões iriam dizer mais do que as próprias palavras.
- Me escuta. - Segurei em suas mãos, tentando manter a mim mesmo calmo. - Eu fiquei uma vez com você e, foi maravilhoso. Você foi incrível! -Sorri, vendo ela sorrir meio envergonhada. - Mas eu não... Não te amo, nunca vamos poder ter mais que amizade e isso que você está fazendo, me tocando sempre que bem entende, está me deixando desconfortável!
Seu sorriso desmanchou, ela puxou suas mãos para seu colo e olhou para o lado, mordendo o lábio inferior.
Eu me sentia horrível. Eu tentei, muitas vezes, me apaixonar por Sohui, aceitava sair com ela e fazia coisas que ela quisesse fazer. Isso aconteceu pouco tempo depois do incidente do refeitório acontecer. Eu não tinha mais ânimo para sair ou qualquer coisa do tipo.
- jungkook quebrou seu coração tanto assim? - Voltei a olhar para ela, sentindo uma sensação ruim ao ouvir aquele nome. - Oppa, eu sei que ele fez uma coisa terrível com você. Sei que não foi você que explodiu o depósito, mas-
- Eu não vim falar disso. - A interrompi, negando com a cabeça. - Não toca nesse assunto, por favor!
Esse assunto já não deveria existir. Não entre nós dois.
- Desculpe. -Pediu baixinho, suspirando logo em seguida.- Vamos focar só em nós, esquecer o passado, Oppa... - E voltou a se aproximar, me abraçando pelo pescoço, deixando seu rosto bem pertinho do meu. - E falar sobre nosso futuro. Esquece essa conversa, foca em mim e-
- Sohui. -Segurei em seus braços sem força, apenas para para-lá. - Eu não queria ter sido um covarde e não ter te dito isso antes... -Abaixei a cabeça, suspirando mais uma vez. -Mas não existe um futuro em que estamos juntos, não da forma que você quer.
- Você... - Ela se afastou. Engoli a saliva com dificuldade e a encarei. - É por causa daquele garoto? - Perguntou, mudando a expressão rapidamente. Brava.
Juntei as sobrancelhas, nervoso porque não queria ver ela chorando e confuso por não saber o que era "aquele garoto".
Na verdade, eu sabia. Mas não queria aceitar que ela estava tocando naquele assunto.
- Eu sei suas preferências, Oppa. - Voltou a falar. - Sei que gosta de mulheres e de homens. - Deu uma pequena pausa, levantando o rosto e me encarando - Por que ele e não eu? Eu sou mais bonita, Oppa! Eu-
- Espera um pouco aí. - Ri nervoso, ela já estava alterando sua voz e eu não queria mais um escândalo. - Você 'tá confundindo as coisas. - Neguei, me afastando dela novamente. - Eu tô esclarecendo as coisas entre nós dois, não assumindo um relacionamento com alguém que eu nem sei quem é. - Menti, negando com a cabeça.
- Vai me dizer que você e aquele garoto que anda todo estranho, não tem nada? - Perguntou, apontando o dedo.
Com é que é?
- Não acredito. - Sorri mais uma vez, desacreditado. Negando com a cabeça.
- Até Hyeon sabe que vocês têm alguma coisa! Ele me contou o que aconteceu no mercado e eu só não quis acreditar! - Disse, voltei a olhar para ela quando o nome daquele desgraçado foi colocado no meio da conversa.
A forma que ele tratou Hyunjin nunca saiu da minha cabeça, os xingamos e o olhar assustado de Hyunjin quando aquele cara apontou o dedo em seu rosto, também não se apagaram e, só de ouvir o nome dele, me vem uma vontade de gritar e socar aquele merdinha. Eu sei, eu sei que isso não resolveria nada e que violência nunca é a forma certa de se "conversar" mas ele me tira do sério sem esforço.
- Não sei o que seu irmão te contou, -Me aproximei dela novamente, mantendo a calma. - Mas eu deixo claro que não é verdade. E avise a ele que ainda preciso resolver umas coisinhas com ele.
- Oppa... - Me chamou, segurando em meu ombros mais uma vez - Você e aquele garoto estão juntos, não é? Por que não me disse? Nós não estamos juntos oficialmente, mas-
- Mas não era isso que eu queria falar! - A interrompi, voltando a me afastar. Respirei fundo e voltei a olha-la. - Eu não vim falar de Jungkook, seu irmão e muito menos "aquele garoto" - Fiz aspas com os dedos, imitando a forma que ela chamava Hyunjin. - Eu vim pedir que pare, p-pare de dizer que somos namorados e que vamos ter mais um encontro! - Disse de uma vez, cansado de toda aquela enrolação- E... E-e que pare de me chamar de Oppa, não sou mais velho que você!
Sohui ofegou, eu não sabia mais o que fazer, só queria terminar logo isso e ir embora. Digo, esperar as aulas acabarem e eu ir pegar Hyunjin em sua escola.
- Eu sei que deveria ter dito isso antes, me desculpa. Talvez eu não tenha usado as palavras certas para dizer isso mas, Sohui... Eu não me sinto mais confortável com essa sua aproximação, você me abraça e me beija quando bem entende. Faz isso como... Como se fôssemos namorados. -Voltei a abaixar a cabeça, não tendo coragem para encarar seu rosto - Me perdoa se te fiz acreditar que um dia seríamos algo a mais que amigos ou que faríamos coisas como fizemos naquela noite.
Eu esperei que ela dissesse alguma coisa, entendia que ouvir aquilo de alguém que gosta poderia ser ruim mas eu não me arrependo de finalmente dizer isso para ela.
- E-Eu não entendo... - Foi a primeira coisa que disse depois de um tempo em silêncio - Não entendo... - Ela mordeu o lábio inferior, os olhos brilhando pelas possíveis lágrimas que iriam descer. Suspirei. - Eu... Eu não sabia que você não gostava, Opp- Felix.
Sohui estava com a cabeça baixa, então eu a levantei, segurei em seu queixo e a deixei de cabeça erguida. Uma mulher nunca deve abaixar a cabeça para um homem.
Eu estava tentando a entender, ela se apegou muito rápido a mim, nos tocamos intimamente uma vez e eu ainda estava bêbado. Espero que não tenha soado rude e partido seu coração ao meio.
- Não se preocupe com isso. - Sorri, colocando uma mecha de seu cabelo comprido atrás da orelha. - Você vai achar alguém que te ame da forma que merece, ok? Você vai ser uma ótima veterinária um dia.
-Eu faço engenharia, Felix, não medicina veterinária. - Deu uma risada baixa, limpando uma lágrima que correu pela sua bochecha. Eu apenas abri mais os olhos e a encarei surpresa, porra, eu jurava que ela queria ser veterinária.
- Mas está tudo bem. - Sohui disse, se distanciando de mim.
-Você 'tá bem? Sério? Não quer me matar e me jogar de um prédio? -Perguntei, porque era isso que eu imaginava que aconteceria.
-Estou envergonhada por forçar algo que não existia, isso sim. - Sorriu, mesmo que estivesse com uma expressão triste. Quis acreditar nisso. -Eu vou demorar um tempo para me acostumar, não te chamar de Oppa e não poder tocar em você... Vai ser difícil. - Confessou. - Mas eu supero.
- Obrigado por entender! -Agradeci, sorrindo para ela, dessa vez, um sorriso verdadeiro.
-Mas... Felix, posso te pedir só mais uma coisinha? - Se aproximou, me deixando apreensivo. Eu disse que sim, concordando com a cabeça. - Me dê só mais um beijo, só mais um?
- Sohui... - Suspirei, eu imaginava que ela falaria isso. - Desculpa, mas não. Não posso fazer isso com você e nem comigo mesmo.
- Ah- ok! Ok!
Aquilo tinha sido mais fácil do que eu tinha pensado, Sohui não surtou e muito menos me estrangulou dentro daquela sala. Se manteve calma, incrivelmente calma.
- Felix, eu ainda-
Sua fala foi cortada pelo som do meu celular tocando, sorri pequeno e me afastei um pouco mais dela, pegando meu celular e atendendo a ligação de um número desconhecido. Pensei que seria minha mãe me ligando novamente, só que eu já tinha salvado seu contato.
- Alô? - Atendi, esperando ser respondido. A pessoa demorou para falar, mas falou.
-F-Felix? - Sua voz soou baixinha, quase num sussurro - É o Lixie?
Sorri ao ouvir sua voz.
- Sou eu sim! - Respondi, me sentando em uma das cadeiras da sala. - E você? É o Hyunjin? - Brinquei, perguntando baixo. - É o Hyunjin que está me ligando?
- S-sim! É ele! - Respondeu, parecendo animado.
Suspirei, sua voz era um pouquinho mais diferente por ligação, mas era boa de ouvir de qualquer maneira.
- Você 'tá na escola?
- Aham! - Respondeu, me deixando surpreso.
- Você leva o celular para a escola? O que mais você esconde de mim? - Fiz drama, soltando uma risada baixa quando ele fez alguns barulhos que mal deu para escutar, como se estivesse resmungando - É brincadeira, seu bobo.
- Lixie bobo! - Repetiu - Bobinho, b-bobinho.- Mesmo sem vê-lo, eu sabia que ele sorria. Então eu sorri também.
- Desculpa a pergunta, mas porque ligou? - Perguntei calmo. - Você 'tá na sala de aula?
- Não, não.- Negou, me fazendo rir. - P-professor deixou vir no banheiro, Hyunjinnie disse que iria fa... Fazer xixi. - Ele falou ainda mais baixinho, como se fosse um segredo. Prendi mais uma risada, colocando a mão na boca.
Ele é impossível.
- E-esqueci de ouvir a voz do lixie ontem. - Voltou a falar. - Papai deixou t-trazer o.. O celular e-e quis ouvir a voz do hyung agora, perdão... At-trapalho? - Explicou, me deixando confuso e todo coisado por dentro.
Ele lembrou de ligar para mim depois de já estar na escola, mentiu para o professor e ligou só para ouvir minha voz? Estou tão triste de felicidade - isso faz sentido?
- Não precisa se desculpar. -Sorri de novo. - Foi uma surpresa você me ligar, tô muito feliz! - Confessei, suspirando. - Mas o Lixie precisa estudar e você também. - Dessa vez foi ele que suspirou, mesmo que baixinho. - Em menos de cinco horas vamos nos ver, deixa de manha! - Brinquei, ouvindo mais um murmúrio seu.
-Está bom. - Concordou com a voz baixa.
- Boa aula, Hyunjin. - Me despedi.
- B-boa aula também!
- Até já! - Sorri mais uma vez, dando fim na ligação.
Suspirei novamente e me virei para Sohui, a vendo com um olhar de tédio e os braços cruzados.
- Desculpa era só...
- Aquele garoto. - Me interrompeu. - Então o nome dele é Hyunjin? - Perguntou parecendo interessada.
Hum.
- Ah... -Lambi os lábios, os umedecendo. - É o nome dele sim, mas como sabia que era ele?
- Pela forma que você sorriu. -Respondeu direto - Você sorri assim para ele.
- Não sei o que você quer dizer com isso. - Me levantei, ajeitando a mochila em minhas costas.
-Você pegou na mão dele, Opp- Felix - Arregalei os olhos, finalmente olhando para ela.
Por que ela está falando disso?
- Eu vi, meu irmão viu, minhas amigas viram. - Contou, sorrindo de um jeito estranho. - Nem quando a gente transou você pegou na minha mão. Na dele você pegou e ficou sorrindo.
Ela enlouqueceu?
- É porque quando a gente fodeu, tinha outros lugares que eu queria pegar... - Falei baixinho. Mas ela ouviu e ficou vermelha, negando com a cabeça.
- Não é disso que estou falando. - Negou, balançando a cabeça. - Eu não sei o que você viu nele, mas o jeito que você olha para ele é diferente. - Cruzou os braços, andando até mim.
- Sohui...
-Não estou julgando, até porque não sou ninguém p'ra isso -Sorriu sincera, tocando em meu ombro - Ele é meio estranho, mas é bonitinho. Você tem bom gosto.
Fechei os olhos, me senti estranho ouvindo ela falar isso de Hyunjin. Tirando o fato dela estar insinuando algo que não existe. Hyunjin não é estranho, eles que não entendem seu jeito de agir. E eu não posso simplesmente ser amigo de alguém?! Que povinho irritante.
- Já que 'ta tudo resolvido. - Forcei um sorriso, me afastando dela e me aproximando da porta - Amigos? - Entendi minha mão. Ela suspirou, segurando minha mão e balançando. Sorrindo.
- Amigos. -Respondeu num sussurro, mas me puxou e deixou um beijo no canto da boca.
- Sohui!
- Beijinho de despedida, Felix! - E saiu pela porta. Me despedi dela e fui em direção a minha sala, me assustando quando senti mãos em meus olhos. Pelo perfume e o tamanho das mãos, eu sabia quem era.
- Não deveria 'ta na aula, Innie? - Perguntei, tirando suas mãos de meus olhos.
- Não tava aguentando de curiosidade! - Respondeu ficando ao meu lado. - Deixa eu ver aqui. - Segurou meu rosto, me analisando de um jeito estranho. - Sem arranhões, nenhum sinal de tapa... - Disse, me analisando. - Só uma mancha de batom no canto da boca -Semicerrou os olhos - Se beijaram!
- Para com isso, Innie! - Me afastei. - Ela não é agressiva, seu doido. - Revirei os olhos, passando as mãos no cabelo - E o beijo... Ela me deu quando estávamos saindo, foi de surpresa. - Passei a mão no local, limpando a Mancha que Jeongin tinha visto.
- Safado. - Ficou do meu lado de novo, me acompanhando. Eu ri, negando com a cabeça mesmo que eu tenha dito que foi ela a me beijar de repente.
- Mas, me conta, - Começou a dizer. - O que aconteceu? O que ela disse?
- Você é muito fofoqueiro, não quero que isso vire motivo de conversas aqui. - Falei, rindo baixinho de sua expressão decepcionada.
- Chato.
- Prevenido. É diferente. - Pisquei, cutucando sua costela. Jeongin não se mexeu, só ficou com aquele olhar baixo e um bico na boca, triste. - Tá bom, me convenceu a dizer.
Eu sou idiota, não gosto de ver ninguém pra baixo que já tento animar, mas eu sabia que ele só estava sendo manipulador. Além de um bom botânico, jornalista não confirmado da faculdade, fofoqueiro, Jeongin também é um ótimo ator. Expliquei tudo pra ele, disse que tinha sido fácil e que Sohui foi bem calma e compreensiva. Jeongin prestava atenção e sempre fazia uma cara confusa.
- Tem certeza que ela está sendo verdadeira? - Perguntou quando já estamos próximos a minha sala.
Havia perdido a palestra. Porcaria.
- Ela me pareceu bem verdadeira. - Dei de ombros. - Porque?
- Meu sexto sentido diz que tem algo estranho - Respirou fundo, me deixando tão confuso quanto ele à alguns minutos atrás.
- Deixa de frescura! - Neguei com a cabeça.
- Meu sexto sentido nunca falha! Eu senti algo estranho quando você começou a se envolver com Jungkook e-
- Por que todo mundo quer falar desse cara e de hyunjin agora? - Interrompi sua explicação, cansado de tudo aquilo. - Eu acredito em Sohui. Agora vamos estudar porque o futuro não se constrói sozinho. - Me afastei, caminhando até a porta de minha sala.
- Depois não diz que eu não avisei! - Disse, se aproximando de mim e me abraçando - Se cuida maninho, até mais tarde. - Sorri, retribuindo o abraço e o soltando. Agradecendo por sua preocupação e me despedindo.
Minhas aulas passaram mais rápido do que imaginei, estava ansioso por algum motivo desconhecido, bem, nem tão desconhecido.
Era Hyunjin.
Eu estava ansioso para vê-lo e isso me deixava confuso, eu via ele todos os dias! Não tinha explicação para essa ansiedade sem sentido. E isso me deixava ansioso pelo simples fato de não saber o porquê de minha ansiedade para vê-lo, era uma sensação desconhecida.
Já no final das aulas, eu estava saindo da Universidade, sorrindo todo idiota olhando para meu celular e vendo mais de cinco ligações perdidas, todas de Hyunjin.
- Felix! - Uma voz masculina me chamou quando estava prestes a sair da faculdade, com Jeongin ao meu lado.
Conheci aquele tom de voz e também a pessoa que estava me chamando.
Seong-Hyeon.
- Ah, cara, o que você quer? - Me virei para Seong-Hyeon, encontrando ele e mais dois amigos ao seu lado.
Tão chato.
- Por que fez minha irmã chorar? - Revirei os olhos, mesmo que estivesse surpreso com aquilo.
- Meu envolvimento com Sohui não diz respeito a você. - Dei de ombros, virando de costas, assim como Jeongin. Voltando a caminhar.
Mas ele segurou em minha mochila, me parando. Ele estava testando minha paciência. Aquilo tinha que parar.
- Me. Solta. - Pedi pausadamente.
- Você vai pedir desculpas para minha irmã e parar de ser esse babaca sem noção, acha que é o quê? - Se aproximou, colando seu peitoral em minha mochila, que ainda era segurada por ele. - Que vai ter mais mulheres como minha irmã atrás de um merdinha como você? Um marginal? Que usa esses trapos como roupa? Você é patético Felix, você e aquele outro doido do mercado.
Ah... Ele não fez isso.
Naquele momento, meu coração acelerou e senti meu sangue ferver. Jeongin me olhou preocupado, sabendo que aquilo era o suficiente para me tirar do sério.
Eu estava tentando me controlar. Eu juro que estava. Mas ele xingou Hyunjin, por que todos querem tocar no nome dele sem ao menos o conhecer?!
Algumas pessoas já pararam tudo o que faziam para observar aquela pequena discussão, causada por ele. Suspirei, não aguentando mais aquela ceninha toda. Cansado de ver ele se sentindo o maioral, o fodão. Me humilhando.
- Eu acho que você tá muito ferrado, cara. - Foi Jeongin quem respondeu, abrindo o sorriso mais ainda quando puxou a bolsa de meu notebook para que ele não fosse danificado.
Rápido, eu segurei na mão de Seong-Hyeon que estava em minha mochila, rodando seu corpo e torcendo seu braço para trás, o prendendo.
- Você pensa que é muito legal fazendo essas coisas, não é? -Falei próximo ao seu ouvido, num sussurro ameaçador, aquilo era ridículo, mas não tive outra escolha. - Eu não sou de briga, na verdade sou um cara calmo. Mas quando um idiota como você pensa que pode passar por cima das pessoas de forma nojenta, não consigo ficar quieto. - Apertei ainda mais seu braço, ouvindo ele gemer baixinho por conta da possível dor - Não devo satisfação a você, quer saber o que aconteceu? Pergunte diretamente para Sohui e fale para ela falar a verdade. E nunca, nunca mais fale dele da forma que falou, não ouse tocar no nome dele quando eu estiver por perto. Nunca mais. - Disse me referindo a Hyunjin.
Olhei ao redor, percebendo alguns celulares direcionados em nossa direção. Até Jeongin tava ali, gravando!
- Não sei o que você tem contra mim, mas agora eu tenho muita coisa para não suportar sua presença. -Com uma joelhada na parte de trás de seu joelho, eu o coloquei no chão. Ajoelhado à minha frente, de costas para mim. - O incidente no mercado é uma delas. - Sussurrei, o soltando e sorrindo constrangido para as pessoas a nossa frente. - Pare de idiotice e seja o homem que você está estudando para ser. Acha que alguma escola te contrataria para trabalhar, sabendo que é um babaquinha preconceituoso e cheio más intenções? Muda, cara.
Puxei o ar com força, me virando de costas e saindo de perto daquela pequena multidão. Me sentindo sufocado. Tonto.
- Eu nunca vou me acostumar com o Felix patrão! - Jeongin gritou, me acompanhando- Você fica todo coisado, meu deus! Fico arrepiado só com aquele seu olhar de leão, serio, eu tô todo me tremendo!¹ -Sorri, negando com a cabeça, Jeongin era impossível, me deixava animado até em um momento de tensão como aquele.
- Ele me tirou do sério. - Suspirei. - Tenho problemas demais para lidar com o filhinho de papai mimado. - Neguei com a cabeça, pegando minha bolsa.
- Você deixou ele de joelho. Uau!
- Deixa de ser bobo, Innie. - Ri, tentando não ficar nervoso. - Não suporto aquele cara!
- Bobo... - Jeongin riu me deixando confuso - Seus xingamentos já foram melhores.
- É o hyunjin. - Falei mordendo o lábio logo depois. - Ele fica me chamando assim e agora fiquei com essa mania. - Revirei os olhos sem muita vontade.
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