Tulipas!

JUNGKOOK ON..

A viagem até os campos de cultivo de meu irmão desta vez está sendo mais dolorosa e longa. Todos quiseram estar com ela nesse momento. Decidiram que na sexta feira iriam nos encontrar. Diana acabou ficando com Shin hye para que Jin pudesse se juntar a nós.

Não sabíamos ao certo quanto tempo ainda tínhamos. Beca se recusa a sair de perto das flores e está cada dia mais fraca.
Hoje por um milagre Soyoon, minha cunhada a convenceu a sentar-se na mesa conosco.

Beca observa tudo, mais pouco fala durante todo o jantar. Quando estamos juntos somos barulhentos e brincalhões. Esporadicamente ela sorri de alguma palhaçada feita na mesa.

- Eu já disse que Devíamos seguir esse plano, mais seu irmão tem medo. - Minha cunhada diz se servindo de mais vinho.

- Não é bem assim Soyoon. Só acho que certas coisas tem o seu momento certo para acontecer.

- Não deviam adiar seus sonhos. - A voz de Beca sai mais forte. Estranhamente um silêncio mortal se faz presente.
- Sonhos estão presentes em nossas vidas pata nos proporcionar alegria. Não deixe que a insegurança ou o medo atrapalhe aquilo que vocês desejam fazer. Nossa passagem aqui é.... curta e está tudo bem se não tiverem um sonho, mais se ele existe, não deixem nada atrapalhar, afinal não sabemos o quão breve pode ser a nossa existência.

Tento de alguma forma segurar minhas emoções e vejo na face dos meus familiares que não sou o único com dificuldades para fazer isso.

- Ajude-me aqui Kookie. - Com dificuldade ela se põe de pé. Todos imitamos seu gesto. Um a um Beca fez questão de abraçar antes de se retirar.

Me recolhi junto com ela na tentativa de deixa-la tranquila. Medicada, ela adormece. Antes de ir para seu quarto, nossa enfermeira me avisa dos efeitos que os medicamentos podem causa.
Adormeço.

- Kookie. Acorde.... por...por favor. - Abro meus olhos e vejo Beca segurando firme a caixa aonde guarda todos os seus registros.

- Oque está acontecendo? Precisa descan...

Não termino o que pretendia dizer. Vejo o quão difícil está sendo para ela manter sua respiração.

- Meu Deus! SENHORA HWAN! ALGUÉM. - Grito por ajuda enquanto tento ampara-la em meus braços.

- Para. Me le....leve para o campo.

A essa altura nossa enfermeira já está de pé e nos observando junto com os demais.

- Você prometeu. - Diante dessas palavras, a carrego tal qual uma noiva até o lugar no qual ela deseja desesperadamente estar.
Meus irmãos nos observam a uma certa distância enquanto me acomodo no chão com ela a tira-colo.
Eu não queria que ela visse minhas lágrimas, tão pouco sentisse minha tristeza, mais já não conseguia conter aquilo tudo dentro de mim.

- Beca! - Sem resposta. - Você é a razão pela qual eu acredito que o amor é real.

Ali entre as flores que tanto amava, ela parte, serena, tranquila como disse que seria.
Aos gritos tento de alguma forma me agarrar a ela e assim sou amparado por meus irmãos. Vejo a dor nos olhos deles também. Ela entrou e mudou as nossas vidas de tal forma.
Ali, sob aquele céu estrelado, eu cumpri minha promessa.

Quebra de tempo 1 ano...

Levei quase um mês para ter coragem de abrir a caixa com os registros feitos por ela. Encontrei uma carta que li e reli diversas vezes.

" Quando isso chegar em suas mãos, não estarei ao seu lado.
Não tenho o direito de lhe pedir para não chorar, na verdade seria cruel de minha parte fazer isso. Mais saiba que graças a você eu tive uma vida boa e plena. Amei, fui amada, realizei meus sonhos e desejos mais íntimos. Vivi muito bem na verdade.
Agora talvez tudo parece cinza para você e está tudo bem.... faz parte do processo de cura. Saiba que nada disso seria possível se você não estivesse ao meu lado. Obrigada meu amor.
Tenho alguns pedidos.
O diário azul deve ser enviado a minha mãe. Você encontrará o endereço na primeira página do mesmo. Ela escolheu não estar presente e não posso culpa-la que fui eu quem a repetiu em primeiro lugar.
Dentro da caixa tem um pequena caixinha com um pequeno colar e esse deve ser entregue a Mi Young.
Os inúmeros vídeos que fizemos.... gostaria que fizessem algo especial com eles. Conte minha história e quem sabe eu possa trazer esperança a alguém que precise.
O diário cinza é seu, então guarde-o com carinho e o leia quando estiver pronto.
Não se preocupe meu amor, estou em um lindo lugar e não esqueci o que te prometi. Lembre-se do desenho que fiz. Você ainda não entende, mas no momento certo entenderá.
Viva plenamente sua vida sem arrependimentos.
Da sempre sua Rebeca."

Fiz exatamente como ela desejou. Enviei o diário a sua mãe, mais nunca recebi uma resposta. Não a culpo, apenas peço que o tempo amenize o peso de suas decisões.
Tudo que ela documentou em vídeo, entreguei aos meus irmãos e deixei que decidissem oque fazer. Logo teremos um documentário sobre a vida inspiradora dela.
Quanto ao diário que ela deixou para mim, tentei lê-lo várias vezes mais sempre que vejo as duas tulipas perco a coragem. Sigo tentando.

Acabei me aproximando ainda mais de meu irmão e passo bastante tempo nos campos. Me faz bem.

- Irmãozinho eu amo ver você por aqui mais não acha que já está na hora de abrir seus horizonte? - Ele me pergunta movendo algumas caixas de tulipas do caminho.

- Hum. - Me limito a isso como resposta.

- Pode até não gostar da ideia, mais que iria te fazer bem, ah isso iria.

- Querido, deixe seu irmão paz e venha me ajudar sim?!

- Estou vendo que a organização para a inauguração da loja está indo muito bem. - Digo analisando alguns currículos espalhados por cima da mesa.

- Não mexe. Já tinha organizado por ordem alfabética menino. - Minha cunhada me repreende. - Ah me de logo isso aqui. Parece que mais uma candidata chegou. - Ela toma os papéis de minha mão e sai porta a fora para recebe-la.

A moça a acompanha sumindo da minha vista.
Na primeira oportunidade que encontro, vou ao local onde depositamos as cinzas de Beca.
Observo o quanto as tulipas naquele lugar cresceram e como suas cores parecem mais vivas que nunca.

- São lindas não acha? - Me assusto com a voz vindo de trás de mim. Me viro rapidamente e acabo me deparando com a moça da entrevista. - Não quis assusta-lo, mais não podia ir embora sem vê-las de perto e essas aqui são as mais belas.

- Tudo bem. Elas são maravilhosas mesmo. - Digo fitando o horizonte. Engraçado, a presença dela não me incomoda. - Conseguiu o emprego?

- Sim. Estou feliz. Cheguei a pouco tempo no país e como sou estrangeira achei que seria muito difícil conseguir um emprego. Mais por sorte uma senhora me falou desse lugar e na verdade eu esperava trabalhar aqui mesmo no cultivo, mais me disseram que a loja requer de meu carinho. - Ela sorri. - Perdão. Estou aqui alugando seu tempo. Deve estar ocupado com os campos.

- Não trabalho aqui. Sou jungkook irmão do dono e não está me atrapalhando.

- Nina! Muito prazer.

- Nina?! Nome diferente.

- Pois é. - Responde sorrindo. - Significa graciosa. Minha mãe achou apropriado.

Dou um sorriso genuíno quando ela me responde encolhendo os ombros.

- Senhorita Linhares!

Minha cunhada nos interrompe.

- Perdão eu preciso ir. Foi um prazer.

- O prazer foi todo meu. - Respondo.

Volto a minha rotina me sentindo estranhamente mais leve e os dias foram passando apressadamente.

Com a aproximação da inauguração, passo a ir mais vezes a loja para ajudar no que fosse necessário.

- Olá?! Te alguém aqui? - Pergunto ao entrar no grande espaço que agora vai ganhando forma e vida com tantas cores espalhadas por ele.

- Sinto muito... aí... ainda não abrimos ao público. - Vejo uma pilha de caixas com pernas vindo na minha direção.

- Acho melhor você ir com calma se não vai derrubar... espera deixa eu te ajudar. - Digo tentando pegar a caixas que estavam no topo.

- Não se incomode com isso. - Assim que tiro as primeiras caixas, nossos olhos se cruzam. - Ah Jungkook é você. Quanto tempo. - Nina diz.

- Realmente faz algum tempo. - Nos encaramos por um tempo. - Aonde devo colocar isso?

- Ah sim! Aqui. Deixe-as aqui. São caixas com vasos pequenos e essas aqui são pequenas decorações caso o cliente queira um arranjo para presente. - Ela explica e sinto uma certa tristeza em sua voz.

- Não gosta de arranjos?

- É que para faze-los, precisamos cortar as tulipas e isso me deixa um pouquinho para baixo.- Fico ali a observando se explicar e gesticular no processo. - Desculpa eu falo demais quando fico empolgada.

-Tudo bem eu também sou assim quando estamos falando de música ou qualquer coisa que diz respeito a empresa. - Sorrimos juntos.

- Preciso ir nos fundos. Tem mais umas quatro pilhas destas para mover então...

- Eu te ajudo. Insisto. - Reforço quando percebo sua relutância.

Seguimos rindo e conversando.

- Posso perguntar de onde você é? - Nina tinha belos olhos castanhos e longos cabelos escuros e ondulados.

- Nasci no Uruguai, mais fui criada no Brasil desde dos meus 3 anos. Sangue latino de qualquer jeito. - Me surpreendo com sua resposta. Ela, já muito a vontade com minha presença, começa a ajeitar os cabelos e os prende em um coque. Entro em choque ao perceber o que ela carrega atrás da orelha direita.

- Você tem uma linda tatuagem. - Junto o pouco de voz que me resta para falar. Ali diante dos meus olhos, está o desenho que Beca fez tempos atrás. As duas tulipas roxas das quais ela vivia falando.

- Ah! Obrigada. - Sua resposta me chama de volta a realidade.

- Posso perguntar desde quando a tem?

- Fiz quando tinha 18 anos. Foi quando eu decidi que seria uma botânica.

- E aonde você viu esse desenho em particular? Ele me parece único. - Tento não parecer tão estranho.

- Sonhei com esse desenho. Achei único, então tinha que ser esse.

Devo estar com a cara mais boba do mundo por que ela larga as caixas e vem me amparar.

- Jungkook não parece bem. Venha aqui atrás no escritório tem uma cadeira e ...

- Está tudo bem Nina eu... eu preciso ir. Não se preocupe. Nos falamos depois eu prometo.

A deixo sozinha e corro para casa. Não podia ser. Eu provavelmente devo ter ficado impressionado com a moça e estou imaginando coisas. Abro a gaveta onde guardo o diário que Beca. Respiro profundamente assim que vejo o desenho das tulipas, exatamente o mesmo desenho. Nunca havia passado desse ponto. Começo a folha-lo. Página por página, passo os olhos por entre suas lembranças e começo a perceber que ali estavam todos os nossos momentos, bons, ruins, únicos. Ao chegar ao final, encontro um pequeno bilhete endereçado a mim.

"Estou feliz, você chegou até aqui. Conseguiu ler minhas memórias e se libertar de vez de qualquer peso que pudesse estar carregando.
Meu presente te encontrou, Finalmente, agora posso ficar tranquila e em paz. Eu disse que você iria entender. Não a deixe escapar.
Lembre-se, o mais importante de tudo... seja feliz e viva plenamente!"

Fico sem palavras e com um turbilhão de emoções dentro de mim. Percebo que o bilhete está levemente solto então o destaco com cuidado e ao vira-lo, lá está o desenho da tatuagem exatamente no mesmo lugar que Nina a possui.

Apenas deixo tudo de lado e me entrego a um longo banho tentando por meus pensamentos em seu devido lugar.
Quando finalmente adormeço, sonho com Beca. Diferente dos outros sonhos que já tive desde de sua partida, esse parece muito real.
Ela caminha em minha direção com aquele lindo sorriso, me abraça e ao pé do meu ouvido diz : " Quando você entrou na minha vida, trouxe toda a felicidade do mundo com você.
Agora é a sua vez. Deixe que ela traga a felicidade pra sua vida."
Beca me dá um leve selar e assim disperto.

Tomo um café breve, junto toda a coragem que esse sonho me deu e vou para a loja de meu irmão.

Nina está parada entre as tulipas cantando para elas. Fico a observando por um tempo.

- Você tem um voz incrível. Não é atoa que essas planilhas parecem mais vibrantes.

- Aí que susto.

- Desculpa. - Peço andando em sua direção.

- Por me deixar falando sozinha ontem ou por me assustar agora? - Ela é direta.

- Pelas duas coisas. - Ela mantém a pose desconfiada por alguns segundos. - Que tal tomarmos um chá?

- Chá? Aceito se for um café.

- Conheci alguém que iria responder a mesma coisa. - Digo caminhando ao seu lado.

- Deve ser uma pessoa incrível.

- Ela era. - Fico pensativo por alguns segundos e sou surpreendido por um leve selar que Nina deixa no canto de minha boca. Meu coração era uma batida. Confesso, fazia tempo que não sentia isso.

- Que tal isso, você paga o café como uma desculpa por me deixar no vácuo e durante o jantar você me conta tudo sobre essa pessoa? - Nina me pergunta sorrindo de maneira gentil.

- Eu aceito.

Eu não sei até que ponto Beca sabia que isso iria acontecer, mais decidi aceitar a oportunidade que a vida está me dando. Ela sempre vai ser uma parte única e especial de mim.
Beca veio em a mim  para ensinar o verdadeiro sentido da vida e eu não poderia ser mais grato por isso.

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É isso amores chegamos ao fim de mais uma fic. Espero que tenham gostado. Não esqueçam da estrelinha. Amo vocês.


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