Campo de tulipas.

Beca on..

    Tiro um peso enorme dos meus ombros ao contar para Kookie minha verdadeira condição. Eu quero aproveitar com ele ao máximo.
As vezes ainda lamento por meu tempo ser tão curto. Aí lembro que não é a quantidade que importa e sim a qualidade.

      Diverto-me muito no jantar da empresa mesmo não comendo ou bebendo. Deixo meu amor sozinho para trocar algumas palavras com Namjoon.

— Posso? - Pergunto, ao me aproximar do sofá no qual estava.

— Claro! - Diz, se afastando para me dá espaço.

— Nam, posso te dizer uma coisa? - Ele concorda com a cabeça. — Não fique preso a um falso dever. - Ele me olha apreensivo. — Acredite, a vida é curta e delicada. Deus jamais colocaria alguém como Shin Hye no seu caminho apenas para que você fique olhando e sofrendo. O Amor de ambos transborda pelos olhos e isso é único, é raro. Vai mesmo se manter casado com alguém que não se importa nem um pouco com a sua felicidade?

— Não sei se devo... - Ele começa a falar porém percebo que não vai conseguir continuar, sua voz embargada denúncia o quão delicado esse assunto é.

— Olhe pra mim. Desperdicei anos da minha vida focada no material e agora todo o resto me faz falta. Sinto uma vontade enorme de viver, mas, não tenho muito tempo restante. Tive medo de arrasta o Kookie para minha tristeza e quando finalmente me abri para ele, eu encontrei a paz e a luz que me dão forças pra continuar. Não deixe a sua luz escapar por entre seus dedos.

   Levanto-me, lhe dou um abraço e me afasto.

— A senhorita causou uma grande mudança por aqui. - A voz dela preenche novamente meus ouvidos.

— Só estou tentando agradecendo a eles do jeito que sei. - Respondo sincera. Antes que a senhora Oh me deixe ali sozinha eu lhe dou um abraço.
— Obrigada por não ter contado a ele antes.

— Não era a minha a vida para que me metesse a falar assim e quando te vi no parque senti que era o certo. - Ela acaricia meu rosto e então sigo para junto do meu amor.

     Já estacionados em nosso predio as palavras de Kookie a respeito de minha mãe mexem com meu íntimo e arrumo coragem para fazer o certo. Demorou alguns segundos para que ela entendesse o que se passava.

Mãe! Perdão por te deixar preocupada. - Há dor em minhas palavras. Elas pesam muito.

Aonde você está? Está ferida? Me diz. Oh meu Deus achei que... não quero pensar nisso. - Minha mãe chora na linha e seus soluços se misturavam aos meus.

Mãe eu estou bem. Mas, antes de qualquer coisa preciso te contar algo. - Kookie agora está sentado atrás de mim e me abraçava me dando o apoio que eu precisava.

Seja o que for... apenas diga. - Ela tenta me dar segurança. Preciso fazer isso. Queria que fosse pessoalmente.

O motivo de eu ter sumido... não vai ser fácil... eu estou com um câncer terminal no estômago. - Silêncio! Essa foi sua reação momentânea.

Oh... não... isso... tem certeza? Podemos procurar algum trata.. - Sua voz agora está cheia de medo, tristeza e talvez um pouco de raiva.

Não existe nenhum!

     Engoli em seco, tentando encontrar as palavras certas para explicar.

— Mãe, este tipo de câncer é muito agressivo. Ele se espalhou rapidamente e está em uma fase avançada. Os médicos disseram que já não há tratamentos possíveis. E, quanto à comida, estou na fase de comida pastosa. A dor é constante, e o apetite se foi há muito tempo.

    Consigo ouvi-la lutand9 para conter as lágrimas.

— Querida, eu... eu não sei o que dizer. É difícil demais. Eu preciso de um tempo para processar tudo isso. Voltarei depois, está bem?

— Eu entendo, mãe. Eu só queria que você soubesse. Vou esperar por você.

    O silêncio reina mais uma vez. Não posso afirmar que ela entendeu ou, se aceitou.
Nossa conversa é dura e muito dolorosa. Ela esta magoada por minha fuga e eu não posso exigir sua aceitação.

    Quando damos a chamada por encerrado acabo encontrando consolo nos braços de Jungkook.

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     Semanas se passam sem que ela volte a falar comigo. Acho que ela nunca mais vai fazer isso na verdade.

     Kookie me deu um diário e eu tive a ideia de documentar tudo que eu posso por meu caminho doloroso.
Comecei a tirar fotos de tudo que eu podia, quero deixar lembranças boas para aqueles que ficarão.

— Amor arrume as malas. Quero te levar em um lugar especial. - Kookie está animado, dá para notar por conta do grande sorriso de Coelho que exibia na face.

— Posso saber os detalhes?

— Só que você vai conhecer alguém muito especial.

— Sabe que sou curiosa. Me de mais detalhes.

— Não. - Ele responde simples, me deixando ainda mais curiosa.

— Mais e as crianças? - Pergunto me referindo aos nossos gatos.

— Yoongi vai cuidar deles até voltarmos.

     Fico tranquila com sua resposta. Nosso Yoon ama gatos. Partimos na sexta feira para o interior do país. Viagem longa e um tanto quanto cansativa, mas, ao lado dele tudo vale.

— Lembra quando te falei sobre meu irmão? - Ele pergunta, me fazendo relembrar da angústia que sua história me causou.

— Sim.

     Depois de horas na estrada ele estaciona em frente a um grande portão de fazenda. Com um controle em mãos, Kooki o abre e pegamos uma pequena estrada de terra batida. Acredito que em volta só tenha mato e uns 10 minutos depois avistamos luzes de uma grande casa.

— Vem. - Ele me oferece a mão  auxiliando-me a sair do carro. Logo avisto um homem vindo em nossa direção. — Beca esse é meu irmão JungHyun. - Ele se assemelha muito ao meu Kookie. Me curvo envergonhada e surpresa.

—  É um prazer Beca, ouvi falar muito em você. - Para mimha surpresa, o mesmo me abraça. — Vamos entrar sim. - Ele nos conduz para dentro da grande casa. — Não reparem na bagunça, minha esposa está viajando a trabalho e essa casa sem ela vira uma confusão, confesso. - Acabo rindo.

— Vou fazer questão de contar isso para ela pessoalmente. - Kookie implica com o irmão.

— Maninho leve sua namorada para o seu quarto, tomem um banho e desçam para comermos algo. - JungHyun diz, me deixando apreensiva.

— Pode deixar. - Meu amor me abraça e começa a nos conduzir por um grande corredor. — Não se preocupe.

    O quarto é imenso e muito confortável. Me sento na beira da cama ainda confusa.

— Sei o que está pensando. A anos venho protegendo meu irmão e sua família. Desde aquela noite na qual ele quase tirou a própria vida, eu jurei que minha mãe jamais saberia onde ele está. Os demais me ajudaram muito no começo. Depois JungHyun e a esposa começaram um pequeno negócio que cresceu e vai ter surpreender pela manhã.

     O abraço por ser tão maravilhoso.
— Que tal um banho juntos? - Pergunto e ele sorri concordando.

— Só não podemos demorar... ele ainda é o meu irmão mais velho. - Rimos juntos.

     Algum tempo depois surgimos na cozinha de mãos dadas. O irmão dele nos olha sorrindo e pede que sentemos a mesa.

     Para minha surpresa tudo que o médico havia passado na minha dieta está presente na mesa.

— Eu disse para não se preocupar. - Kookie me cutuca.

— Sirvam-se por favor.

     Agradeço o carinho, como pouco, mas, feliz por dividir um momento tão bonito em família.
Quando caímos na cama adormeço quase que imediatamente. Estou exausta da viagem.

     Acordo com carinhos em meus cabelos.

— Bom dia bela adormecida. - Ele com certeza estava empolgado. — Amor estou ansioso para te mostrar.

— Bom dia pra você também. Cruel me acordar tão cedo. - Me sento encarando o rapaz que bate palmas todo feliz ao meu lado. — Jungkook você está me deixando louca. Fale logo.

— Coloque o roupão primeiro, pois, vamos lá fora.

    Faço como me pede e visto a peça por cima do meu pijama extra grande.
Meu namorado se posiciona atrás de mim e cobre meus olhos.

— Quanto mistério. - Digo, enquanto ele me guia posta a fora. — Não me deixe cair.

      Sinto a grama roçar em meus pés e sei que não nos afastamos muito da casa.

— Pronta? - Sua voz demonstra o quão empolgado está. Confirmo com a cabeça.

—  No um então... 3, 2, 1. - Meus olhos levam alguns segundos para se acostumarem com a luz natural e assim que focam ficam marejados.

     Eu estou diante de um imenso campo de tulipas. De todas as cores.  Sem palavras. A estrada! O que beirava a estrada pela qual passamos a noite passada não era mato, eram tulipas. Choro! É lindo.

— Gostou meu amor?

— Eu não acredito que fez isso por mim.

—  Estava esperando o momento certo para te mostrar o negócio próspero que meu irmão cultiva com amor. Sabe, tulipas são as flores favoritas dele também. - Vejo JungHyun nos observar da varanda.

— Posso me aproximar? - Pergunto me referindo às flores.

— Claro. Te esperamos aqui. - Vejo meu namorado se unir ao irmão.

     Ando com cuidado até elas e me sento no chão. Ver tantas assim me causa uma sensação única. Quero ficar aqui pra sempre. Pego meu diário e começo a escrever. Registro tudo, cada sentimento. Aproveito e desenho duas tulipas cruzadas, ambas roxas.
Perco-me em meus pensamentos, nem noto a aproximação de JungHyun.

— Eu te entendo. Elas são fascinantes para mim também.

— Perdão por fazer seu irmão sofrer.- Sinto-me culpada, porque no meu íntimo sei que logo não estarei mais aqui.

— Não diga bobagens. Eu agradeço por você ter entrado na vida dele. Graças a isso, ele se libertou de vez daquela mulher horrível. - Fala se referindo a própria mãe. — Você desenha bem.

— Elas que são perfeitas. - Ele sorri com minhas palavras. Logo entramos.

     Durante o fim de semana inteiro passeamos por entre as tulipas. Esse lugar me transmite um sentimento de paz que eu tanto busco.

      No final da tarde de domingo, antes de voltarmos, parei na colina mais alta que tinha ao lado do campo. Dali pude ver tudo com clareza. Deixei as lágrimas escaparem.

— Por que está chorando? - Kookie me abraça por trás. — Achei que te trazer aqui te faria feliz.

— E você tinha razão, estou plenamente feliz. Kookie tenho um pedido a te fazer.

— Pois faça.

— Quero fazer minha passagem aqui, no meio desse campo. - Meu namorado me olha sem saber o que dizer. — Está tudo bem. Precisamos falar dessas coisas. Depois que eu me for, quero ser cremada e se puder, desejo ter minhas cinzas enterradas em meio às tulipas.

      Kookie me aperta mais contra seu corpo e da um longo suspiro, porém, nada diz.

— Mais uma coisa, se eu não puder ver minha mãe antes de partir, entregue uma cópia de meus diários a ela. Assim talvez, eu corrija meu erro por ter fugido dela. - Acho que ele ainda não está pronto para essa conversa. Sua reação foi baixar o olhar e finalmente afrouxar seu abraço.

— Eu não desejo ouvir isso agora, mas, entendo seus motivos. Não posso prometer isso ainda. Por favor tenha paciência. - Entre lágrimas nos beijamos.

— Quando estiver pronto. - Digo calmamente.

     Voltamos a Seul em pleno silêncio.

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