3 | Utopia Lotus.
#CaosEmVocê🌌
oii amores! bem, depois de tanto tempo, voltei com capítulo novo! é para imagem na mídia como de praxe!
teaser do capítulo que eu editei para vocês <3
Avisos: TW; sangue e narrativa sensível sobre machucados.
Utopia Lótus
Livro dos empoderados;
Capítulo da aposta;
V
ersículos 1 ao 7.
"A escuridão: Não deixei-eis que o vento invada suas entranhas, não permitais que as amarras da luz te liberte. Recebas o voto de confiança do mais profundo tártaro, a ganância te abraçará como um velho amigo, o chinfrim será tua chave. Devote-se a bela devoção ao mal, dance enquanto o fogo te invade e a noite te alimenta."
❍
In your greed, in your soul's dirt, in your city maps
While the whispers can still be heard.
Ele corria como um rebelde à procura de justiça e libertação, mas ele ainda era um homem rico com sua Lamborghini Veneno. Cheio de estilhaços em seu coração, que fazia jus aos tremores que agora sentia em seu corpo, apresentava estar a beira da morte. Mas na realidade, uma coisa muito mais avassaladora ocorria por sua pele e passeava pelas suas veias.
Era sangue ruim, de má índole e composto por devassidão.
Jeon não permitia gostar, mas odiou muito mais o fato de ainda vestir um terno. Com suas mãos fortes, mas naquele momento tão fracas, desenrolou a gravata e tirou-a de seu pescoço, estava em estado de perturbação, sem noção do que sentir. Acelerava o carro, com o coração em mãos, deveria chegar em casa o mais rápido possível. Imaginava estar tendo uma convulsão, mas não entendia o motivo, pois nunca o teve. De fato, sabia que era um ser esquisito e inconsequente, sabia que havia algo diferente dentro de si, mas não imaginava o quê.
Começou a suar frio e a sentir-se enjoado. Sua pele gritava que algo estava errado, seu coração era tonto o bastante para acreditar que aquele corpo ainda teria salvação. Ninguém no mundo acreditaria que Jungkook poderia ser salvo do que estava por vir, mas ele provará que entre tudo de ruim que há no mundo, ele era o pior. Se de fato o diabo e coisas assim existirem, deveriam temer sobre o que é seu, porque naquele noite Jeon mostraria sua face.
Não sabe se é a verdadeira, mas era uma das que ele possuía.
O carro corria cada vez mais depressa, como se vivesse por aquilo ou como se estivesse em meio a um racha, que ganharia muito dinheiro depois. Mas naquele caso, ele realmente estava vivendo por aquilo, porque a dor que estava sentindo era tão inflamada ao ponto de sentir a morte fazendo-o uma serenata. E ah, Jungkook achava que ela cantava muito bem, já havia decorado todas as suas músicas. Quando avistou sua casa, seus olhos derramaram as lágrimas que havia segurado por todo o caminho, parecia que o fogo do inferno o queimava de dentro para fora e levava seus olhos a pecarem contra seu orgulho.
O grande portão se abriu, deixando-o entrar em sua residência. Estacionou o carro de forma mais desleixada possível e abriu a porta. Ao tentar sair, colocando um pé no chão, perdeu o equilíbrio de seu corpo pois não sabia que estava tão fraco. Caiu ao lado de seu carro e sentiu uma dor aguda, atingindo seu peito e dançando por ali. Ele não entendia como aquilo era possível, mas a dor estava caminhando em uma linha, que passava de seu peito até o seu pescoço. Tentou levantar-se para chegar em seu quarto, se era para morrer, que morresse em sua cama, pensou Jungkook.
Ao fazer muito esforço, conseguiu caminhar até a porta de sua casa e colocar a senha, mas estava tão tonto que ainda precisou repetir duas vezes. Foi para seu quarto o mais rápido possível e tirou suas roupas, ficando apenas com sua calça bonita e de valor expansivo, que não valia nada no corpo febril naquele momento. Quando deitou, foi automático pensar que aqueles seriam seus últimos minutos, mas a dor também foi instantânea, como se quisesse brincar de esconde-esconde com Jeon. Ela estava em caça, mas a sua presa era a mais difícil de todas.
Jeon Jungkook, o abrigador do caos.
O exilado pelo mundo, o monstro que suas crianças ouviam nas histórias antes de dormir. O ungido pelo mal, regado de balbúrdia e aclamado pelo fogo. O amante de todas as canções previstas como imorais, o lobo que morava na noite eterna, a espreita de sua presa. Mas ele também era o melhor jogador que alguém poderia conhecer, e ele estava jogando da forma que cabia para si. Contra seu próprio eu.
Jeon era tudo isso e mais um pouco, mas ao perguntar-se o que todos esses adjetivos têm em comum, és respondido com o maior pecado que as pessoas cometem.
A falta de amor.
Jungkook foi tomado como tudo de ruim que há no mundo, mas apenas por ele próprio. Ele sabia que não poderia controlar quem era, mas foi idiota o bastante para achar ser o único. Existia mal muito maior no mundo do que ele. E a prova disso estava na Vida, e no pecado que ela cometeu, ao presentear alguém com um destino fadado à dor. Jeon não tinha para onde correr, seu corpo não pertencia a si.
Enquanto suas veias inflavam em seu corpo sobre a cama, ele teve certeza daquilo. Pois naquele momento tudo que ele queria era partir de uma vez, afinal não tinha nada a perder, e sua dor seria cessada. Se dependesse dele, já teria morrido. Mas o que habitava seu corpo não iria permitir isso agora. Então Jeon precisou baixar a sua cabeça e aceitar que aquele acontecimento seria mais um em sua vida a qual não poderia mudar, só lhe era permitido chorar.
Jungkook ficou de bruços na cama, até que sentiu como se algo tivesse explodido em sua pele. Levou uma mão até o local, na junção do seu ombro e pescoço, mas assustou-se ao sentir algo molhado. Quando olhou para verificar o que era, viu o sangue escorrendo por suas mãos. O sangue desvirtuado e pecador. Aquele mal o devorou, até suas veias. Seu sangue estava ficando preso em seu corpo, mesmo sem pressão alguma, então ele saiu rasgando sua pele. Jeon fez um grande esforço para pegar seu celular na cabeceira e abrir a câmera para olhar seu pescoço.
Estava coberto da cor vermelha. Despojando o sofrimento e desenhando a mancha do mal. Jungkook assustou-se de imediato, estava apavorado, não entendeu absolutamente nada que ocorreu em seu corpo. Porém, o mais estranho não era o sangue. Acredite, havia algo pior. Por meio de todo aquele mar de sangue, havia um desenho, apenas uma ponta escura. E Jeon entendeu, pelo menos uma parte do que estava acontecendo.
Algo estava cortando sua pele e desenhando em seu corpo.
Jeon teve certeza que tudo que era de ruim
poderia acontecer consigo, mas a porra de uma tatuagem feita com seu próprio sangue era demais. Além da dor absurda que estava sentindo, sua mente começou a ser enganada, imagens distorcidas passam pela sua cabeça; vidros quebrados, sangue no chão, um carro a 100km por hora e taças de vinho pela metade.
Ele tinha certeza que havia visto sua mãe também, que agora não habitava mais a terra ao seu lado.
Eram essas distorções que o enlouqueciam, relembrar o que já passou e ponderar sobre o que ainda viria. Jeon adoecia por isso, porque seu futuro mais almejado era não sentir nada, absolutamente nada. A inércia e o mais profundo de lugar nenhum, Jungkook não queria pertencer a nada e nem a ninguém. Mas ele já pertencia ao destino, e esse era seu maior inimigo. A tatuagem apenas aumentava, a cada linha costurada em sua pele, Jeon gritava e clamava por misericórdia, de quem quer que fosse.
Na primeira linha, foi proclamado que o destino seria selado em vida, e finalizado na falta dela.
Na segunda, Jeon prometeu que se vingaria do maldito que o permitiu nascer.
Na terceira, seu corpo ferveu em febre e seu coração sofria de um ataque elétrico, estava prestes a perder seus sinais vitais. Mas a Vida sorriu de lado e deixou seu corpo tremendo ainda mais.
Na quarta, a escuridão em suas veias permitiu que sua alma fosse completamente inundada de maldade, pelo menos por alguns momentos.
Na quinta, Jeon desistiu de gritar, deixou as lágrimas rolarem pelo seu rosto e manteve-se em silêncio, em protesto contra sua dor.
E depois de longas horas, fadadas por sofrimento, coberta de solidão e iluminada pela glória do mal, Jungkook adormeceu em seu quase leito. Mas antes, ele sentiu como se algo tivesse beijado sua pele.
A Vida olhava-o com uma mancha vermelha em seus lábios.
❍
Se Jungkook pudesse descrever o quanto ele odiava chorar, ele diria que o mesmo quanto Lúcifer odiava o paraíso. A ardência de seus olhos o cegando e seu peito queimando, desacelerando em uma ganância dissimulada de achar-se fraco e ao mesmo tempo o deus do mundo, ele era o deus da sua própria destruição.
Ele chorou quando abriu a porta de casa e não encontrou ninguém em nenhum dos cômodos, mas como ele encontraria? Não havia ninguém.
Nunca, nem quando a chuva bate.
E ele odiou-se por isso, por sentir falta. Falta de um toque, de escutar uma risada e saber que a provocou, de sentir o cheiro da comida e comê-la com vontade, na companhia de alguém que o fizesse querer dar a próxima garfada. Costumava ser assim com um certo alguém, mas ele não gostava de falar sobre, ele odiava. Odiava a tudo, porém não mais que a si mesmo, era a magia dos sentimentos mudamos. Jungkook sentia a frieza dos móveis, o envelhecimento do álcool, a solidão da luz. O ar era áspero, parecia impossível respirar em sua própria casa.
Mas ele precisava se recompor e focar em seu trabalho, precisa checar o e-mail que Seokjin havia dito. Precisava manter sua cabeça sã para enfrentar a loucura de seu trabalho. Apesar de que ele nunca estaria acordado o suficiente para isso, gostava quando a loucura o embriagava. Jungkook pegou seu notebook e sentou-se em sua mesa, logo abrindo sua caixa de e-mails. Achou o que procurava rapidamente, já que Seokjin organizava tudo de maneira eficiente para que fosse mais fácil.
Tudo já havia começado de forma esquisita, o destinatário não informava sua identidade, apenas dizia que era anônimo, Jeon não se importou muito com isso no momento. Tomou um gole de café e se concentrou estritamente no conteúdo do caso.
"Uma menina de oito anos estava em seu quarto com sua mãe, a mulher saiu para o banheiro da suíte por um momento, mas não voltou. A criança estranhou a demora e quando abriu a porta do banheiro, sua mãe estava morta no chão, sem nenhum ferimento, nenhum mínimo arranhão. Mas sua pele estava diferente, seus cabelos caídos no chão e seus lábios secos e frios. O pai da criança chegou logo depois e quando encontrou a esposa morta, ligou para a ambulância e para a polícia, mas sem saber o que contar aos policiais."
Jungkook leu e releu esse texto como se sua vida dependesse disso, e a cada palavra ele ficava mais enjoado e confuso. Como poderia um caso assemelhar-se tanto com aquele maldito dia? Só poderia ser um engano ou uma brincadeira de muito mal gosto. Jeon leu o e-mail completo e sentiu vontade de jogar o notebook contra a parede, era exatamente a mesma coisa e o resultado também seria o mesmo, sem solução. Mas antes de apagar aquilo, ele precisava saber a identidade de quem o enviou. Então respondeu perguntando o nome de todas as pessoas da descrição e logo depois fechou o computador, passando a mão pelo rosto e esfregando suas têmporas. Estava irritado, cansado, angustiado e enjoado.
Não bastava a dor que ainda sofria por tudo que passou, precisava reviver o fato da pior forma possível, resolvendo isso. Mas decidiu esperar a resposta de seu e-mail e por enquanto ir preenchendo os relatórios de seu outro trabalho. Engoliu todo o café de uma vez e sentiu sua garganta queimando. Ah, o queimar sempre fatal das sextas-feiras.
Seria uma longa madrugada, longa o bastante para ele querer perder os sentidos.
O que ele estranhou foi a rápida notificação de resposta em seu computador, a qual dizia
"Vamos nos encontrar amanhã às 19h na exposição de arte na Avenida Central, lá te contarei tudo que precisa saber"
Jungkook sabia que não deveria aceitar, mas seu coração o guiou para o abismo, mais uma vez. E odiou-se quando respondeu que estaria lá, odiaria-se para sempre.
❍
Todos os amores a qual o dia nega-se em unir, à noite se encarrega de aceitar o convite e profetiza-los amantes, ganhando como prêmio a divindade da lua como sua testemunha.
Talvez Jeon Jungkook tenha muita sorte nessa noite, ou talvez muito azar.
Era difícil dizer os riscos, ele não se importava com nada neste momento, apenas em resolver logo seu probleminha e ir embora. Com certeza não aceitaria aquele caso, mas mataria a sua curiosidade. Chegando no endereço marcado, desceu do carro e pegou seu casaco, levando consigo seu celular e carteira, compraria vinho caso vendesse lá dentro.
Precisava de álcool, precisa ficar bêbado para encarar seu passado.
Quando entrou na galeria logo percebeu que o pintor deveria ser muito famoso, pois havia muitas pessoas, o lugar estava lotado. Claro, quem o convocou provavelmente marcaria em um lugar cheio, não deixaria que o encarasse, era uma armadilha para seu plano. Jeon não conhecia o artista, mas poderia dizer que os quadros tinham muito potencial, não era seu estilo favorito, porém enxergava pontos que o agradavam. A galeria não era tão grande, mas conseguia abrigar uma quantidade afortunada de gente, o local ideal para um encontro às cegas, com o segredo nas mãos ardentes de Jungkook e nas de quem o encontrará.
Bebericar um vinho e observar aquelas telas eram como uma espera paciente pela ansiedade em suas veias, pelos demônios do seu passado e também do seu presente, porque a vida de Jungkook nunca foi cercada por rosas, eram apenas os espinhos. Espinhos para todos os lados, para onde Jeon olha-se, havia um esperando para espetá-lo e fisgar seu subconsciente. Mas ele formou uma teoria para rodopiar pelo baile doloroso de sua vida.
Se os demônios e espinhos te cercam, torna-se seu rei, e dance valsa por cima deles.
Nas academias de dança a qual já havia visitado, notava como os bailarinos dançavam sem importar-se com o que tinham debaixo dos pés, poderia ser qualquer parte plana do mundo, ou talvez nem tão plana assim. Mas eles continuariam a dançar, até seus pés não suportarem mais abrigar o chão. Era uma luta, uma luta sobre a arte e a dor de ser artista, da guerra para mostrar do que se é capaz, e eles faziam isso espetacularmente bem. Suas expressões, seus olhos marejados, suas respirações cortantes. Era o palco da vida por meio de sapatilhas.
Percebendo vários quadros de bailarinos, Jungkook achou engraçado a coincidência, no mínimo. Nunca causaria de apreciar aquilo, mesmo com seu corpo prestes a cair, nunca cansaria. Poderia estar com seu corpo desabafando, mas a eletricidade do álcool que deliciava sua língua o levantava.
Contanto, o álcool parecia ter ultrapassado seu sangue demasiadamente forte no momento.
Enquanto as pessoas passavam por sua frente e olhavam os quadros, Jeon notou algo que ninguém parecia notar, um espelho.
Um espelho grande e charmoso como dos tempos medievais, o tempo em que o sol beijava nossos rostos e a noite limpava nossas lágrimas. As bordas grossas, e bem desenhadas como uma escultura, o vidro era tão límpido que parecia cristal. Jeon pensou que poderia se afogar lá dentro, cair até seus pulmões perderem o frenesi da respiração.
A passos pequenos, inseguros e inquietos, Jungkook se aproximava. Poderia jurar que escutava um chamado, algo sussurrando bem em seu ouvido direito e depois no esquerdo, fazendo uma gentil e agonizante dança. E ele escutava:
Um deus na terra, caminhando com o mal em seus olhos.
Ó carmesim, os lagos te esperam, na perpétua prisão dos empoderados.
Acredite, não queira imaginar quem dançava ao pé do seu ouvido. Mas eu sou querido o suficiente para contá-los apenas uma coisa: a consciência de Jungkook costumava se dividir, e isso não era bom.
O espelho o encarava e refletia como Jeon possuía a beleza do paraíso, junto a profanidade da terra. Porém, quanto mais ele olhava, mais a visão tornava-se distorcida, era um emaranhado de coisas e ao mesmo tempo, coisa nenhuma. O incandescente brilho do espelho estava a ponto de o cegar. Quando ele chegou perto o bastante para entender o que via, a imagem mudou, e agora ele se enxergava, com tinta em suas mãos e rosto. Com sua cabeça entrando em colapso, com sua boca gritando por socorro.
Mas os gritos tornaram-se sussurros, e as imagens fragmentos. E ao mesmo tempo que achava ter se afogado em sua loucura, sentiu uma mão em seu ombro. Uma mão de toque gentil, macia como uma pluma, mas que também queimava, e inflamou seu coração por milésimos de segundos. Quando olhou para o lado e avistou a figura loira ao seu lado, entendeu o porquê do sentimento flamejante, e porque sentia ser um toque conhecido.
Era Jimin, só poderia ser.
Lá estava ele, com uma expressão preocupada, e um sorriso gentil. Jeon se perguntava como alguém poderia fazer isso ao mesmo tempo, mas ele conseguia, o acalmava mesmo estando aos nervos, e mesmo o conhecendo tão pouco.
ㅡ Jeon? ㅡ Questionou com sua voz doce e de baixo tom ㅡ Você está bem?
ㅡ Jimin, meu bem. Estou ótimo ㅡ Tentou se recompor, arrumando sua gravata ㅡ Não imaginava te encontrar aqui, príncipe.
Jungkook com certeza gostava de jogar na cabeça de Jimin, e seu coração frágil segurava aquelas palavras com fervor. Era perceptível pelo queimar em suas bochechas.
ㅡ Não imaginava pois não te contei que eu pinto! ㅡ Exclamou, tentando disfarçar seu acanhamento ㅡ Não sou nenhum artista, claro. É apenas um hobby.
ㅡ Que você leva a sério, eu suponho ㅡ Pontuou Jeon ㅡ Você tem jeito de artista, Jimin.
ㅡ Por que diz isso, senhor Jeon? ㅡ Fez uma expressão curiosa, e traiçoeira, por causa do apelido.
ㅡ Ser gracioso não é o bastante? ㅡ Encarou seus olhos e sua face ㅡ Por favor, Jimin. Senhor, não. Poderia ter me chamado assim em outra ocasião.
Maldito, pensou Jimin.
ㅡ Então, Jungkook ㅡ Coçou a garganta ㅡ Você gosta de arte? Veio para avaliar ou está no meio de algum caso?
Jeon poderia responder ambos, mas não arriscaria falar sobre um caso em público.
ㅡ Apenas observando e avaliando, eu soube que iria ter a exposição e vim. Não conheço o artista, mas sempre aprecio descobrir novos ㅡ A mentira machuca sua garganta, quando é direcionada a Jimin.
ㅡ Isso é bem interessante, Jeon ㅡ Sua expressão era de totalmente satisfeito com o que ouvira ㅡ Não tenho nenhum amigo que goste de fazer isso. É ruim, porque sempre acabo vindo sozinho ㅡ Suspirou e baixou sua cabeça para olhar suas mãos.
A presença de Jungkook o intimidava, direcionar a palavra a ele o deixava tonto.
ㅡ Bem, então creio que possamos vir juntos na próxima. Seria de seu agrado, meu bem? ㅡ Perguntou, Jeon. Também abaixando a cabeça, para olhar diretamente nos olhos de Jimin.
ㅡ Hm... claro! Eu adoraria ㅡ Seu olhar transmitia como havia ficado feliz, mas ainda estava envergonhado.
Uma graça, eu poderia olhar para o rosado em suas bochechas a noite toda, pensou Jeon.
ㅡ Ótimo, agradeço por sua companhia. Com certeza entende de arte melhor do que eu ㅡ Expressou Jungkook enquanto passava seus olhos pelo salão ㅡ Gosta de explicar suas obras, Park?
ㅡ Sim, gosto. Mas... ㅡ Antes que Jimin possa completar a frase, Jeon o interrompe.
ㅡ Você pode me dar um minuto? Preciso resolver um assunto com uma pessoa ㅡ Ditou, saindo rapidamente do lado de Park, sem esperar sua resposta.
Jeon havia visto alguém suspeito, não perderia a chance de encontrá-lo. Ele andava em passos apressados, pois não poderia correr lá dentro. Mas ele não sabia que do outro lado, seu alvo já estava entrando em algum carro, fugindo como um rato.
Aquele homem já havia encontrado o que queria, e não era o mesmo que Jungkook. Era muito além disso, muito além do que aquele caso exigia. O homem o viu com Jimin, percebeu sua calma e seu sorriso perante o loiro.
Estava arruinado, a dúvida havia sido tirada. Jeon teve muito azar.
Quando chegou ao estacionamento, viu o carro saindo da entrada. Uma pequena onda de sorte passava por ali, pois conseguiu enxergar a placa e a memorizou, logo anotando em seu celular. Um detetive sempre deve ter alguma segunda opção para qualquer imprevisto.
Mas ele sentiu-se frustrado, nunca chegava perto de nada que tirasse suas dúvidas. Era uma corrida sem fim, onde ele era perseguido pelas amarras de seu passado e jogado nas lamúrias de seu presente. Nunca saia do lugar, era um futuro infundado, e tudo que ele poderia fazer era correr em círculos, até seu corpo perder a força.
Frustração, ódio, e lágrimas almejando o beijar de sua pele. Sentia-se assim, mais vazio que nunca. Como esperava passar por tudo aquilo? Por todas essas frustrações? Os fantasmas de seu passado, as dores de seu presente, a incerteza se desejava continuar respirando.
Vale a pena continuar respirando? Pensou mais uma vez.
Sabia que sessões de terapia não curariam aquilo, afinal, como poderiam? As conversas não faria sua mãe voltar, não traria seu antigo amor de volta, não o faria descobrir o que realmente aconteceu naquela noite.
Mas ele continuaria, porque o sorriso de Park Jimin era lindo, e fazia seu coração bater no ritmo certo.
Dizem que você sabe quando uma pessoa vai ser importante na sua vida apenas em como seu corpo reage a ela, por exemplo, as batidas de seu coração. Quando ele está a ponto de sair pela garganta, tenha certeza de que surgiria algo além, independente do que fosse, não apenas em um sentido romântico, mas surgiria. Com Jeon foi ao contrário, ele soube que Jimin era diferente, porque seu coração batia mais rápido a cada minuto, sempre a ponto de parar. E o Park o acalmou, suavizou sua respiração, ele foi o único.
O único de tantos outros que jogaram seu coração pela janela.
Quando virou-se para voltar à exposição, encontrou Jimin atrás de si, o observando preocupado e atencioso. Apenas com sua calma, e seu olhar de bondade, Jungkook sentiu suas mãos pararem de tremer, e sua respiração normalizar, surreal. Era surreal o efeito que Park tinha sobre as pessoas, e principalmente sobre Jeon.
ㅡ Pretendia ir embora sem se despedir? ㅡ Disse Jimin, apenas como um pretexto de conversa, pois percebeu que Jungkook não estava bem.
ㅡ Não... eu só precisei tomar um ar ㅡ Soltou um grande suspiro e coçou a garganta ㅡ Você vai voltar para dentro?
ㅡ Eu já olhei praticamente tudo, estava pensando em ir embora mesmo ㅡ Jimin achou que seria o melhor, Jeon parecia agitado, sentiu sua agitação.
ㅡ Você veio de carro? ㅡ Questionou, Jungkook. Não sabia se Jimin dirigia.
ㅡ Sim, por aplicativo. Eu não dirijo ㅡ Abaixou o olhar, envergonhado.
ㅡ Tudo bem, eu te levo para casa, meu bem ㅡ Andou em direção ao seu carro.
Quando Jimin o viu, arregalou os olhos, sua expressão era totalmente surpresa. Tudo bem, agora ele não sabia se Jungkook defendia as pessoas ou se roubava delas.
ㅡ Esse é o seu carro? ㅡ Perguntou, e Jeon balançou a cabeça, afirmando ㅡ Minha mãezinha, isso é o preço da minha casa.
Jeon riu sem graça e abriu a porta para ele, como o grande cavalheiro que era. Jimin acenou envergonhado e entrou no carro, morrendo de medo. Ele era tão sortudo que poderia sentar e o carro desabafar. Jeon entrou pelo outro lado, mas não ligou o motor, e habitou-se o completo silêncio.
Jimin não entendeu, mas imaginou que ele precisava de um tempo, depois do que havia acontecido, e ele não fazia ideia do que era. Então, encostou sua cabeça no banco, em um forma de relaxar, mas na presença de Jeon o que ele menos poderia ficar, era relaxado. Tentou ocupar sua mente e olhou-se no espelho do carro, percebendo que havia algo em seus lábios, então passou a mão para limpar.
E aquele movimento não passou despercebido pelos olhos de Jeon, ele capturou aquele momento como um tigre captura sua presa. Até agora, Jungkook não havia parado para reparar em Jimin por completo, pois o que ele tinha para fazer essa noite ocupou toda a sua mente. Mas agora que já tinha passado, a neblina em sua mente clareou, e ele voltou a olhar Jimin por completo. A roupa fina e macia que ele estava vestindo, o gloss em seus lábios, o cabelo loiro dançando enquanto ele limpava sua boca, a pele macia e suave. Ah, aquela pele.
Ele se lembrava claramente como era a sensação da pele de Jimin em seus lábios, de como era bom. Poderia passar sua vida inteira com os lábios colados à pele do loirinho, e era o que ele almejava agora. Sentir tudo aquilo de novo, mas dessa vez, podendo sussurrar o seu nome. A noite já havia sido um desastre, mas ele possuía a chance de melhorar.
ㅡ Você é muito lindo, Jimin ㅡ Exclamou, o encarando com firmeza ㅡ A cada segundo que passo do seu lado, tenho vontade de te tocar como naquela noite.
Jimin estremeceu, e não ousou olhá-lo nos olhos.
ㅡ Passar as minhas mãos bem aqui ㅡ Tocou seu pescoço lentamente, indo em direção a sua clavícula ㅡ Sentir a sua pele na minha língua, e escutar suas lamúrias bem no meu ouvido.
ㅡ Jungkook... nós não podemos ㅡ Tentou usar a última gota de sanidade que existia em seu corpo.
ㅡ Você quer? ㅡ Perguntou com firmeza.
ㅡ Querer... eu quero, mas- ㅡ O interrompeu, mais uma vez naquela noite.
ㅡ Então eu não dou a foda para o resto ㅡ Levou rapidamente suas mãos até as coxas de Jimin e o apertou com força ㅡ Você não tem ideia de como essas coxas chamam por mim cada vez que as vejo.
Jimin tinha ideia, ele mesmo clamava por suas mãos naquela parte de seu corpo, e em todo o resto.
Jungkook chegou ainda mais perto do Park, e passou a pontinha de sua língua por seu pescoço, movimentando lentamente. Até que ele finalmente chupou o local, enquanto levava suas mãos em direção a bunda de Jimin.
ㅡ Ah, como eu senti falta de apertar esse rabo lindo ㅡ E o apertou com tanta força que Park sentiu que havia subido aos céus.
Agora Jeon estava em guerra contra o pescoço de Jimin, o chupava com fervor, marcava, mordia, beijava. Fazia loucuras com a sua língua, só para ver a expressão deleitosa do outro, soltando gemidinhos tão bom de serem escutados. Aquilo arfava o ego de Jeon e trazia o calor para o meio de suas pernas.
ㅡ Hm... Jungkook ㅡ Gemeu ㅡ Puxa meu cabelo.
Jeon soltou um sorriso satisfeito, sua mente tramava travessuras a todo momento. Eles se fitavam com os olhos quase fechados, devido a neblina de prazer que os cobriam. Jeon levantou seu olhar para Jimin e deixou um beijo em sua bochecha, levando sua mão esquerda para o cabelo loiro, apertando devagar, a princípio. Desceu os beijos para o lado direito do pescoço, onde ainda não havia deixado nenhuma marca, e começou a chupar, à medida que aumentava a força que puxava o cabelo do Park. O loirinho começou a gemer alto, a soltar tantas lamúrias de prazer que Jungkook estava enlouquecendo. Em um lapso inconsciente, Jimin levou seus lábios para o pescoço de Jeon e começou a chupá-lo, e os dois ficaram assim, suas cabeças encostadas, chupando um ao outro. Provavam a maciez de suas peles, o gosto era tão bom que poderiam chorar, enlouquecer.
Enlouquecer de tesão.
ㅡ Caralho, eu poderia acabar com seu corpinho inteiro ㅡ Disse Jeon, se afastando e dessa vez apertando cintura de Jimin, enquanto buscava ar em seus pulmões.
Jeon voltou a aproximar-se e passou a língua por entre os lábios de Jimin, o mordendo em seguida, e voltando para o seu pescoço.
Enquanto Jimin ainda beijava o pescoço de Jungkook, ele olhou para o espelho bem acima deles, e neste momento achou estar louco. Mas jurou que havia visto um brilho muito forte em sua pele, um brilho que nunca havia visto na vida. E isso o assustou, como algo tão real poderia ser apenas coisa da sua imaginação?
Com o susto, se afastou de Jeon e começou a tocar seu rosto, tentando sentir algo estranho ali, mas não tinha nada, continuava igual, como sempre esteve. Olhou para Jungkook e viu seus lábios vermelhos e inchados, sua respiração rápida tentando regular-se, e seus olhos ainda nublados de prazer.
ㅡ Desculpa, eu... só acho que já está tarde e não deveríamos passar dos limites aqui ㅡ Disse, Jimin. Envergonhado por sua reação de repente.
ㅡ Não tem problema, meu bem. Está realmente tarde ㅡ Com seu corpo agora mais controlado, ligou o carro e deu partida.
O "meu bem" acabava com toda a sanidade de Jimin.
O caminho foi silencioso, mas era um silêncio confortável. Pensavam que podiam sentir uma estranheza depois do que haviam feito, mas se enganaram. Estavam bem um com o outro, parecia certo estarem ali naquele momento, sentindo as mesmas coisas. A noite estava nublada, e a chuva estava por vir, o frio já os cobria, mas chegaram a casa de Jimin antes da chuva cair.
ㅡ Obrigado pela carona, Jungkook ㅡ Já estava sem graça novamente ㅡ Foi muito bom ter encontrado você hoje.
E Jeon sorriu.
ㅡ Não precisa agradecer, meu bem. Mas é melhor você entrar antes que comece a chover ㅡ Dizia enquanto olhava diretamente nos olhos do loiro, estava hipnotizado.
ㅡ Eu vou. Boa noite, Jungkook. Vá com cuidado e tenha um bom dia amanhã ㅡ Sorriu para ele pela última vez e abriu a porta do carro.
Jeon, sem reação com sua gentileza, apenas o respondeu em um sussurro:
ㅡ Você também, Jimin.
Mas ele já havia saído do carro.
A mente de Jungkook só conseguia pensar em uma coisa: Como ele consegue tirar todos os meus pensamentos e tornar-se o foco de tudo?
Jimin com certezas possuía poderes inimagináveis, pensou ele.
E Jungkook não estava errado, senhores.
Tomou o caminho para sua casa com apenas isso em sua mente e coração, o silêncio. A calma que Park o transmitia, foi o que o ajudou a dormir essa noite. Nem a chuva, nem a frustração, nem o medo, o deixou acordado. Jimin o levou para a magia do sono.
Deitar em sua cama foi fácil, fechar os olhos foi mais fácil ainda, pensar em Jimin foi o triplo da facilidade. Ele sentia que estava em todo lugar, mas ao mesmo tempo em lugar nenhum, por isso seu coração permitiu que adormecesse, naquela utopia que queimava suas veias. Sentia-se no melhor lugar, no vazio, mas seus pensamentos estavam em Jimin.
A pureza de seu coração o embriagava, e isso era o que mais o atraía.
Então quando deixou-se levar no mundo dos seus sonhos, perdeu-se por ali, permitiu que seu corpo descansasse. E ele adorou conseguir dormir bem, depois de tanto tempo.
Enquanto dormia, ao bater das duas da manhã, o relógio avançou mais uma vez, e o ponteiro se mexeu. O relógio a qual falo não é um ordinário, e sim o maior relógio que existe no mundo, o maior trapaceiro, e também o mais sábio. Não se sabe o porque ele estava movendo seus ponteiros parados a tanto tempo, mas com certeza Jimin e Jungkook haviam refletido algo naquela noite e em suas palavras.
Um passo mais perto do abismo, mais uma loucura do tiktak do relógio. Já se foram dois.
Eu, grande sábio do mundo, posso lhes dizer que, o tempo não perdoa. E muito menos se atrasa.
Por todas as incertezas do mundo, e por todas as certezas de seu coração, pelos amores não amados, e pela paixão que a escuridão esconde da luz, se apresse.
Até que os últimos suspiros possam ser escutados.
oii pessoal!! como vocês estão? espero que bem! de verdade, me desculpem a demora. eu fiquei muito ocupado esses tempos, e ainda tem o bloqueio na escrita, enfim foram muitas coisas, mas voltei! espero que o cap tenha sido legal, me esforcei muito para não trazer algo chato. obrigado aos que leram!🥺
vocês já devem ter notado que o início dos caps de eetc sempre são diferentes, e vai se seguir assim. o de hoje é uma citação de um livro, mas não é um livro real, é criado por mim e faz parte da história, ele ainda vai aparecer muitas vezes.
como vocês puderam ver, existem muitos mistérios na vida do jeon, a sua tatuagem que não é verdadeiramente uma tatuagem é um exemplo. vou explicar aqui caso tinha ficado difícil de entender: a primeira parte do cap, em itálico, é um flashback, onde a primeira "tatuagem" do jungkook está surgindo, a "tinta" dela, é o sangue coagulado do jeon (isso acontece por várias razões, por ele ter o caos dentro dele e etc, vai ser explicado depois), que foi se formando em torno de sua pele, e como vocês podem ver, doeu para um santo caralho.
isso não acontece de verdade claro, é obviamente algo que criei, mas ainda vai ser explicado, estamos apenas no começo!
essa porrinha aqui que machucou o bebê:
(para quem não sabe esse é o símbolo da teoria do caos)
podem perceber que quando ele fala sobre cada linha da tatuagem, porque ela é assim, formadas por linhas, e elas foram desenhadas uma por uma em sua pele, por isso durou uma noite inteira.
se tiverem alguma dúvida, podem falar aqui.
twitter dos personagens:
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@KimFadinha
meu twitter: @lyberock
muito obrigado por tudo, até a próxima e se cuidem!
UM BESO💙
ㅡ Pluto ✦
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