Jour vide

Não acredito, irei perder o ônibus! Tudo por culpa daquele moço dos olhos azuis-esverdeados, se eu tivesse deixado ele ser atropelado pelo menos estaria agora na parada. Melhor correr antes que ele passe de fato, tenho mais ou menos quatro minutos e não acho que irei conseguir chegar. Por favor Deus, permita-me pegar esse ônibus e ir para a minha casa.

Apresso o passo alternando com uma corrida. Logo avisto a parada que está relativamente cheia, ele não passou ainda, vou conseguir. Mas como o universo está de mau humor hoje, o ônibus dobra a esquina. Corro como se minha vida dependesse disso, torcendo pra não tropeçar em algo. Imagina se eu cair novamente no chão, ainda mais com o tanto de pessoas que estão me olhando. Não, eu não irei cair e irei conseguir pegar aquele ônibus! 

- Attendre s'il vous plait! - Alguém vai ouvir, mesmo a pronúncia saindo errada por conta que estou correndo.

Acho que seria radical demais eu me colocar na frente do ônibus não é? Melhor me concentrar ao invés de ficar criando possibilidades na minha cabeça. Dobro a esquina e quase choro de alívio ao ver ele ali parado. Certamente não estava me esperando pois o sinal está fechado. Até que estou a gostar desse semáforo, se bem que não foi ele quem me fez quase perder o ônibus; ou foi? Agora fiquei confusa. 

Bom eu estava esperando ficar verde e nesse meio tempo o moço se atravessou e caímos no chão. Além do mais não foi o semáforo que me puxou, então a culpa é daquele desatento. Mas reclamar disso não vai me trazer nenhum benefício. O importante é que eu consegui, não quero nem imaginar do contrário. Pego o bilhete e insiro na máquina ao lado do motorista que me olha torto, nem vou dar bola porque devo estar descabelada por conta da correria. Me sento no último banco perto da porta e estou achando que não foi uma boa ideia, deveria estar sentada perto do motorista. Se bem duvido que se perguntasse algo ele iria responder; o jeito é me virar com o que eu tenho, e torcer para descer na parada certa.

Amanhã já começa o semestre na universidade e isso me lembra que preciso separar os papéis para apresentar quando chegar lá. Tudo isso parece um sonho de um futuro próximo; em pensar que isso é realmente real. Preciso me orgulhar de mim mesma por isso, cheguei até aqui por mérito próprio. Devem estar pensando que não é grande coisa isso, o fato de conseguir passar em uma das mais renomadas universidade Paris prova para todos que um dia duvidaram de mim; em especial a minha adorável mãe. Ela nunca se importou com minhas notas e sim com a aparência. Precisava estar impecável, sem nenhuma mancha ou algum amassado no uniforme. O mundo já é cheio de aparências, aprendi a ser diferente; mesmo que às vezes doesse.


-  Mon Dieu, da próxima vez não vou demorar tanto assim. - Solto ao vento.

A cada passo dado, minhas pernas latejavam de dor por conta da dormência. Ainda bem que estou perto de casa, só virar a esquina e voilá; lar doce lar. No último ônibus, da linha rosa, confesso que dormi e fiquei com muito medo de passar da parada. Imaginem a situação, a alemã perdida em uma cidade que mal conheço tarde da noite, não melhor ainda, da madrugada pois já é passado da meia noite. O bom é que tenho sono leve e fiquei atenta a cada curva do ônibus. Tudo o que eu quero agora e tomar um belo banho, por o meu pijama e deitar. Mas sei que provavelmente vai demorar para que essas coisinhas possam ser feitas. Tenho papéis para organizar, escolher a roupa de amanhã, por meus cadernos na bolsa e programar o despertador para às seis horas da manhã. Só tenho que fazer isso e estarei a um passo do paraíso que se chama cama.

Adentro no apartamento com um suspiro de alívio por finalmente chegar. Deixo as minhas sapatilhas ao lado da porta e vou em direção a cozinha, a fim de pegar um copo d'água. Só que a beldade aqui se esqueceu que só tem um único copo,  acabei de perceber que no mais não tenho nada.

- Parabéns Isabelle, se preocupou mais com livros e esquece do restante. - Digo a mim mesma.

E o que  irei fazer agora? Amanhã  vou fazer uma listinha do que precisa ser comprado, como artigos de higiene pessoal, coisas para a limpeza e obviamente utensílios domésticos/cozinha.

Vou para o quarto a procura dos papéis da transferência, se não me falhe a memória eles estão em uma pasta preta. Logo avisto debaixo do criado mudo, o apanho e reviso se está tudo ali mesmo. Em seguida pego a minha mochila preta com eles meus cadernos, os coloco cuidadosamente junto as demais coisas que consistente em uma régua e um estojo. Coisas básicas para um estudante.

Quer saber, vou direto para o banho. Posso muito bem ver a roupa que irei usar amanhã cedo e traçar a rota até a universidade também; preciso estar bem descansada se quero prestar atenção na aula.

Tomo um banho rápido, opto por não lavar os cabelos, nem iria secar mesmo. Visto o meu pijama azul, sim eu uso pijama sei que é um tanto infantil mas ninguém vai dormir comigo pra saber não é mesmo? Me ajeito na cama, procurando uma posição confortável e fico de barriga para cima, encarando o teto. O barulho de carros passando, embora poucos, mostra que Paris está acordada. Em algum lugar deve ter vários jovens se divertindo em uma casa noturna, casais apaixonados aproveitando a noite estrelada e eu, nesse exato momento fechando os olhos.

O despertador toca, o ouço e já tenho vontade de o desligar e ficar dormindo, pelo menos mais alguns minutinhos. Algo que eu não aconselho a fazer é isso, por o alarme no soneca. Me levanto indo em direção ao banheiro; minha cara de sono é evidente pelo espelho. Só jogo uma água no rosto, preciso dar um jeito em meu cabelo. Faço um coque e me vou na frente do guarda-roupa a fim de escolher algo para vestir. Ponho uma blusa preta ombro a ombro junto com uma saia bordô. Não se esquecendo de levar um casaco, vai que esfria de repente. Nos pés optei por uma bota de mesma cor da blusa, indo até os joelhos. Solto as minhas longas madeixas castanhas que vão na altura da cintura.

Escovo os dentes e passo uma base na cara para esconder as manchas debaixo dos olhos pela noite mal dormida. Dou uma olhada no relógio, seis e cinquenta, leva em média vinte minutos daqui até a universidade, caminhando obviamente. Se eu sair agora posso até ir bem devagar, sem precisar correr. Pego minha mochila junto com as chaves do apartamento; hora de recomeçar a vida.

Tradução:

° Attendre s'il vous plait: Por favor espere.

° Mon Dieu: Meu Deus

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