🔹Capítulo 4🔹
Amanda Martins
🔹🔹🔹🔹
Eu só podia estar ficando louca. Ter fingido ser corcunda e flertado com aquele homem, era pura doideira. Eu nunca tinha agido tão impulsivamente e me deixado levar pelo calor do momento. Ele era cliente e eu, uma funcionária. Com certeza isso não estaria nas normas do estabelecimento. Logo, eu tinha que me controlar e agir mais profissionalmente.
Acho que foi o meu lado consciente, que me fez não dizer umas poucas e boas para ele naquele momento e controlado a minha boca suja. Nunca tinha escutado algo tão libertino e direto daquele jeito. Ao mesmo tempo que foi excitante, foi chocante. Ele estava me chamando para transar, sem nem conhecer. O que era loucura. Porque eu jamais aceitaria aquilo. Embora fosse bem tentador.
Ele era lindo. Braços forte e peito largo. Os olhos, posso nem comentar; eram de um azul quase piscina ou da cor do mar. Mergulharia mil vezes e ainda preferiria me afogar neles mais uma vez. Contudo, o meu lado racional me alertava, aquele ali era peixe grande; já estava acostumado a se alimentar dos menores e deixar as carcaças jogadas na beira da praia. E eu, não queria ser mais uma dessas e nem precisava disso. Assim, ele já teria a sua resposta, se viesse buscar.
Eu precisava ir no meu armário e ir buscas as minhas coisas. Logo, eu fui lá no vestiário feminino e peguei o meu crachá, com o meu blazer e o prendedor de cabelo, com a flor de lotus em cima; o mesmo que todas as mulheres da família Martins tinham. Tradição. E essa, era uma das que eu gostava de seguir.
Me arrumei e voltei em uma velocidade máxima, para o meu balcão. Ótimo, espero que não tenham vindo ninguém nesse meio tempo. Me organizo mais uma vez e me sento na cadeira rotativa de ferro, com um acolchoado preto. Estava acionando o temporizador da pista 10, quando uma turma de garotas universitárias, se aproxima e cochicham entre si, sobre alguns caras do boliche há algumas mesas mais à frente.
O meu olhar se ergue da tela, curiosa, já que não tinha muitas coisas para se fazer de interessante no meu trabalho e vejo, elas olhando diretamente, para onde o suposto cara que me chamou para transar, estava; o quê, no momento, ele também estava olhando diretamente para mim.
Merda!
Abaixo o meu olhar imediatamente e tento não olhar diretamente para onde ele estava. Logo, só escuto o que as meninas estavam falando.
— Você não viu? O David acabou de olhar para mim. Será que eu não serei a sua presa da vez? — A loira com os lábios cheios de gloss, se exibe e mexe no cabelo, tentando fazer algum charme.
— Minha nossa, esses tubas são uma verdadeira tentação. Já pensou transar com dois ao mesmo tempo? O Antônio com o David, daria uma dupla em tanto... o Benício também, não fica de fora. Mas prefiro os dois gigantões. Eu me esbaldaria! — A outra sorrir diabolicamente e eu fico em choque com tudo aquilo. Minha nossa! E eu me achando pervertida. Elas eram bem piores.
— O Benício não te chamou para sair? — A mais quietinha delas, que tinha um sorriso mais doce e menos libertina, se pronuncia.
— O quê? Ah! O Benício. — A loira parece ter se perdido na conversa, mas logo retornar. — Sim, chamou..., mas para onde mais ele me levaria? Para uma sorveteria ou uma barraca de cachorro-quente? Sinto muito, Melissa. Ele é um gato e anda com os tubas, mas não estou no alcance dele. Fica com ele pra você, florzinha!
A que parece se chamar, Melanie, fica sem graça e sorri meio tímida, quando a loira pisca para ela e solta um beijinho, mastigando o seu chiclete. Elas eram "enojantes", isso sim. Não sei como essa menina, vivia com elas.
Ainda bem que na minha universidade, eu não tinha um grupinho em específico. Era basicamente eu, os meus livros e a minha câmera. E se fosse considerar as pessoas, posso dizer que os professores eram bem mais próximos de mim, do que a minha própria turma; mas também sempre tinha uma ou outra pessoa que eu falava na sala, quando formávamos equipes e fazíamos trabalhos juntos. Era isso. A Larissa era a mais próxima que eu tinha de amiga, já que havíamos crescido juntas, quando morávamos no Brasil.
E fazer esportes, também não era o meu forte. Logo, ter um ciclo de amizade e saideiras a noite, não era algo comum no meu dia a dia; e não me incomodava com isso. Era bom, as vezes ser plateia. Como agora, estava sorrindo de toda essa situação. E quando olho novamente, para o motivo de todo esse alvoroço das meninas, vejo aqueles par de olhos profundos, me secarem.
"Pelo amor de Deus, eu vou me desidratar desse jeito." Pego a minha garrafinha de água e dou um belo de um gole nela. A água escorre um pouco da minha boca e molhar a minha blusa. Merda!
Tento enxugá-la, mas parece ser em vão. Que seja. Puxo o meu blazer, para tampar os meus seios arrepiados e uma sombra imensa se projeta na minha frente.
— Precisa de ajuda, Esmeralda? — Era a voz dele novamente, entrando pelos meus ouvidos. E que Deus me ajude, porque a rouquidão da sua voz, era excitante demais.
Logo, para me distrair dela, eu foco no nome que ele me chamou.
— Esmeralda? De onde você tirou isso? É tão ruim da cabeça, que já esqueceu o meu nome; senhor... Tuba? — Arrisco em chamá-lo daquele jeito, depois de ter ouvido o que as meninas falaram.
Ele enruga as sobrancelhas e acho até fofo, o jeito que ele olha para mim.
— Você sabe quem eu sou? — Ele parece surpreso e até decepcionado com isso. Por que será? Fico curiosa, mas também não deixo me dominar por isso.
— Você não me respondeu, o porque de Esmeralda. — Cruzo os braços e o vejo olhando para os meus seios. Desfaço o movimento imediatamente e respiro fundo, aguardando-o falar. Homens. Sempre olham para onde não deviam.
Ele parece pensar por um tempo e sorrir, achando graça da minha indagação. Não entendi.
— Do filme, "Corcunda de Notre Dame". Me lembrei de você. A Esmeralda é uma linda mulher. — Ele parece ficar envergonhado com a sua comparação e eu me vejo se desmontar, por saber que um homem daquele tamanho, lembrava de um filme infantil da Disney.
— Você com certeza tem irmãs, não é? — Sorrio, esperando a sua afirmação. Pois aquela era a única justificativa, para aquela pequena faceta dele, que acabei de descobrir.
Ele afirma com a cabeça, mas diz, que mesmo que tenha irmãs, elas são todas mais velhas que ele. O que deixa a minha teoria meio conturbada. Ok! Aquele homem era um mistério. Um babaca, mas fofo as vezes. Eu tinha que admitir.
— E você? Como sabe dos Tubas? Já ouviu falar de mim? Já sabia quem eu era, desde o começo...? — Ele parece intrigado e machucado, como se ele fosse algum famoso e eu, tivesse querendo tirar algum aproveito disso.
— É claro que não. E nem saberia, se não fosse aquelas três mulheres que passaram por aqui e começaram a falar de vocês. — Aponto com o queixo para onde as mesmas estavam e continuo. — Acho que elas têm algum fascínio por você e seus amigos; ou uma loucura, não sei ao certo. Aquilo não era normal. — Sorrio e solto mais uma, sem nem pensar direito. — Enfim, escolha umas delas e sei que elas irão com prazer, para sua cama.
Ele parece ter capturado só essa minha última frase e me olhado fixamente.
— E você, iria com prazer para a minha? — Sua voz sai quente e sussurrante.
Aquele homem sabia como mexer com uma mulher. Por Deus! Ele trocou todas as minhas palavras. Como eu iria sair daquilo?
— Eu... E-u..., eu não saio com um cara assim de primeira. — Gaguejo um pouco no começo e tento complementar, com algo mais incisivo ou definitivo. — E também não estou à procura de uma boa trepada. — Falo firme e até pasma com o meu palavreado. Nunca fui de falar algo tão carnal e direto com alguém, ainda mais com um estranho.
Me sinto desconcertada e até envergonhada com tudo isso. Logo, me afasto e volto para o computador, fingindo escrever alguma coisa ou passar por algo na tela. Ele vem me seguindo pelo balcão e inclina o seu corpo para cima de mim, ficando com o seu rosto quase encima da tela do computador.
— Então você sabe que eu seria uma boa trepada? — Ele olha para os meus lábios e por um segundo, eu também me perco nos seus.
— Por Deus, você só esculta as partes que não deve, não é? — Me exalto e passo as mãos pelo meu rosto, tentando me acalmar. — Você já pode voltar para sua mesa e se divertir com os seus amigos. — Aponto para onde todos estavam e ele, ao invés de olhar para onde indiquei, olha diretamente para o que estava escrito no meu pulso.
"Encuentrame".
Era a tatuagem que estava escrita na minha pele.
Ele se demorar por mais um tempo ali e eu não sei porque, ele estava a encarando. Logo, eu abaixo o meu braço e fico sem graça. Ele parece engolir em seco e cair em si. Tudo era muito confuso com ele. Porque será, hein?
— Sinto muito Amanda. E-u..., eu acho que passei um pouco do ponto. Você parece ser uma boa pessoa. — Ele respira fundo e estende a mão para mim. — David, esse é o meu nome.
Eu o olho agora, ainda abismada e sem entender nada.
Ok.
Eu aperto a sua mão desconfiada e ele sorri do meu gesto.
— Eu não mordo, ok? Embora eu quisesse fazer isso com você, eu agora só estou tentando ser educado.
— Você é confuso, David. — Digo logo aquilo que estava passando pela minha cabeça.
— Admiro a sua sinceridade. — Ele sorrir. — Nunca fui uma pessoa fácil... deu para perceber, não é? — Ele olha novamente para as pessoas que estavam lhe esperando e se volta para mim mais uma vez. — Eu gostei de você; você não é fácil de cair na lábia de alguém. — Ele brinca com uma pulseira no seu braço e eu me pronuncio.
— Isso foi algum tipo de teste? Porque eu não estou entendo mais nada.
Ele agora parece achar tudo engraçado.
— Não, não foi. Eu realmente estava dando encima de você e rezando para que você quisesse ir para a minha cama. Uma pena você ser tão resistente, mas gostei de saber disso também. — Ele esclarece um pouco, deixando-me menos no escuro.
— Então agora vai parar?
— Não, não vou. Você é muito gostosa e tem um sorriso lindo. Me fez rir mais vezes em duas horas, do que em quase 10 anos morando nos EUA. — Ele é direto e por pouco eu até que acreditei nele.
— Parece até que é verdade, ouvir isso. Alguém já caiu nessa também? — Sorrio, revirando os olhos para ele.
— Nunca falei isso para ninguém, até conhecer você. — O seu olhar se intensifica no meu e perco até a falar, com tudo isso que ele falou. Que Deus me ajudasse, porque essas coisas só aconteciam em livros.
Logo, uma turma de garotos se aproxima, pedindo uma pista do boliche e sapatos com as suas numerações; e, imediatamente, percebo que aquela era minha deixa para me afastar rapidamente do tal David e voltar a trabalhar. Assim, eu assinto com a cabeça para o mesmo e volto atender os outros clientes.
Ele ainda fica no balcão, me analisando e percebo que os seus outros amigos e as meninas que antes, estavam falando dele, me encaram, como se eu fosse uma extraterreste e tivesse atraindo a atenção de uma pessoa indevida. Não que eu fosse feia, mas que talvez eu fosse incapaz de ser notada por uma pessoa como o David.
Contudo, eu não estava nem aí, para quem ele era realmente. O papo foi legal, me divertir por trolá-lo e ainda por cima, me fazia se sentir atraente. Se ele estava querendo ainda conversar comigo ou me levar para cama, isso não era culpa minha; em nenhum momento me insinuei ou dei a entender que queria. Como não estava acostumada com toda essa atenção, me demorei ainda mais com os outros clientes, na esperança do David desistir e voltar para os seus amigos; mas ele não havia desgrudado em nenhum momento os seus olhos de mim.
— Olha, eu preciso ir levar esses sapatos lá para o DML. Poder voltar para sua turma. — Tento ser educada para dispensá-lo.
— Eu irie com você. — Ele é incisivo.
— O quê? Vo-cê...? Não, eu posso levar sozinha, pode deixar. — Tento cortar logo aquela ideia.
— Se eu te ajudar, será mais rápido, não é? Você não precisará dar várias voltas. — Ele me acompanha até a porta lateral do balcão.
Eu paro bem na sua frente e agora consigo ter noção do seu real tamanho perto de mim.
— E-u... É! Sim. Seria. Mas não precisa, esse é meu trabalho. Você não combina com isso, e..., não pegaria bem, você me ajudando. — Falo essas últimas palavras sussurrando e mordendo os lábios, pedindo para que os meus chefes não estejam por perto.
Logo, ele se aproxima mais um pouco de mim e consigo sentir a sua respiração perto do meu ouvido.
— Do que você tem medo, Amanda? De mim... — Ele acaricia um fio do meu cabelo e depois alisa a minha mão, que estava apoiada no trinco na porta do balcão.
O meu coração parece errar um pouco e todo o meu estomago, se embrulha. Por Deus! Aquele homem com certeza me intimidava.
— E-u... David, estou no meu ambiente de trabalho... — Tento respirar fundo e manter a minha voz correta.
Ele parece ponderar e olhar ao redor. Já estávamos tendo uma boa plateia. Logo, ele entende ao que eu estava querendo me referir.
— Claro! Me desculpe... Eu... — Ele sorrir, abaixando a cabeça e depois me olhando, mais uma vez. — Me excedi um pouco. Vou deixar você trabalhar. — Vejo o seu corpo se afastar do meu e me permitir respirar novamente.
Eu, rapidamente assinto e pegos os sapatos sujos do saco, que estavam no chão e levo para o DML. Iria dar mais voltas do que o normal, mas seria ótimo, para esfriar a cabeça; ou a calcinha, se eu for mais especificar. E pensando racionalmente, eu tinha que evitá-lo. Eu não conseguia ser eu mesma com ele. Sempre fui reservada e quieta na minha, nunca foi de chamar atenção; ainda mais de um cara tão bonito quando o David. Sempre fui de me esconder por trás das lentes e pronto. Aparecia só quando era necessário. E dessa vez, eu estava protagonizando. Não estava certo.
🔹🔹🔹🔹
Demorei, mas cheguei! haha
Capítulo maiorzinho 🤪😁✌🏼
E esses dois hein? Oq estão achando? Será que ainda sai alguma coisa daí?🤭👀🔥
Até a próxima amores! ♥️♥️ Amo vcs!
(Me dêem retorno, pra me empolgar mais e escrever mais cap para vcs... haha isso me motiva.😝💗)
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