🔹Capítulo 37🔹
Amanda Martins
🔹🔹🔹🔹
Logo de manhã bem cedinho, o sol já estava iluminando todo o quarto da Larissa e assim, esquentando o meu rosto, me fazendo lembrar que o dia já havia nascido e era hora de acordar, para ir ajudar o meu pai no bar.
Por Deus! A tenda do meu pai!
Ergo-me da cama em pulo, mas, logo volto a me sentar, para tentar focar a minha visão e equilibrar o meu corpo para fora dela. A ressaca havia vindo e com ela, juntamente, a minha dor de cabeça. Eu precisava de um banho. A Larissa resmunga do outro lado da cama e pergunta, com a cabeça ainda dentro do travesseiro.
— Você está sonambula ou só sonhou, achando que finalmente havia acordado sendo 10 anos mais nova? — Ela nem vira a cara, para poder me olhar.
Bonitinha! Ela estava assim, porque a mesma, havia dormido do lado certo da cama e não tinha acordado com uma claridade imensa no rosto.
— Há, há!! Muito engraçadinha, você! — Olho para toda a bagunça que havíamos feito ontem à noite e tento encontrar as minhas roupas molhadas, nas quais eu havia logo estendido, quando chegamos aqui no quarto. Porém, eu ainda não estava conseguindo as encontrar. — A minha cabeça está latejando, a sua não? — Pergunto, vendo que não tinha mais jeito em achar as minhas roupas.
— Não... Você não ver? Eu sou uma lady. Não sinto essas coisas. — Ela se aconchega ainda mais na sua cama.
— Ahrãm, sei! E eu sou a gata borralheira da Cinderela, que perdeu as próprias roupas do corpo, no meio toda essa bagunça do seu quarto. — Digo já me levantando e tentando enxergar alguma coisa no chão. Contudo, como ontem, havíamos revirado tudo para podermos nos arrumar, estava praticamente impossível.
Logo, eu joguei um travesseiro na Larissa, só para lhe perturbar um pouco mais e fui até o banheiro, para lavar o meu rosto. Passei as mãos molhas no meu cabelo, para poder dar um jeito nele, mas nada parecia adiantar; eu ainda tinha que me acostumar com ele estando curto. Sendo assim, peguei logo um boné da Larissa e o botei na minha cabeça. Depois eu o ajeitaria melhor; ele estava sujo, molhado da chuva e com cheiro horrível de bebida; ou seja, nada de bom, hein?
Assim, me despedir da minha melhor amiga e sair pela janela. Agora vocês me perguntam. "Mas porque pular a janela? Hellow! Vocês já não são adultas?". É, meus queridos, isso pode até funcionar em outros lugares por aí, mas não aqui, na nossa pequena vila no Ceará. Neste lugar, ainda estávamos no século 20 e nem deixamos de ser criança. Ainda mais, para a cabeça dos nossos pais. Podíamos fazer certas coisas, mas isso, sem deixar o decoro de antigamente.
"Lembrem-se, os vizinhos sempre comentam tudo." A senhora Filomena é quem diga; embora eu nem possa questioná-la muito, já que ela havia ficado bem caladinha, no outro dia que havia me pegado fazendo certas coisas no quarto. Ufa! Vamos esquecer esse fato, vamos?
Assim, eu me arrumei e pulei a janela da Larissa. Ainda estava cedo, para algumas pessoas que tem o costume de acordarem as 06:00 horas da manhã, no horário padrão do trabalho brasileiro; mas, aqui na vila Cearense, as pessoas já haviam saído para pescar e abrirem as suas barracas. Contudo, eu ainda tento esconder o meu rosto, para ver se consigo chegar em casa, sem ser reconhecida por algum local; mas acho que havia sido em vão. Pois, não demorando muito, a senhora Antonieta me chama.
— Olá, senhorita Mandinha! Acordou cedo. — Ela me olha de cima a baixo, como se estivesse avaliando bem as minhas vestimentas. — Está com frio a essa hora da manhã? Não dormiu bem essa noite? Também, com a chuva que fez, acho difícil alguém ter conseguido dormir.
— Sim, dormi bem. Só sentir um pouco de frio; mas já estou indo tirar esse casaco. — Tento esclarecer por menos, para ver se ela não me viria com mais perguntas a respeito. E, quando penso em lhe dá as costas, para seguir em frente, até chegar na minha casa, ela me vem com mais uma pergunta.
— Você já viu a visita que chegou na sua casa? — Ela me questiona, me fazendo parar, quase que na mesma hora que lhe ouvir. — É uma moça muito bonita. Parece ser uma mulher muito bem de vida, financeiramente. Educada que só, ela. — Ela cruza os dedos, se apoiando na sua vassoura e olhando para o nadar.
E naquele momento todo, eu até pensei que pudesse ter sido o David, quando ela falou que havia chegado uma visita lá em casa; mas uma mulher, eu não fazia ideia de quem pudesse ser. Chique, bem arrumada e educada? Eu não conhecia muitas assim, para descobrir rapidamente quem era. Logo, eu me despedir da senhora Antonieta e fui apressadamente, até a minha casa.
Chegando lá, eu avisto a senhora Katarina, sentada com a minha mãe na sala. Ela estava tomando um cafezinho e com as pernas cruzadas, como se fosse rotineira a sua visita. Porém, assim que ela me ver, ela imediatamente se levanta e vem correndo até mim.
— Amandinha!! Que bom lhe ver, minha querida. — Ela me abraça forte, como se pudesse ter acontecido algum coisa comigo. O que estava se passando por ali?
— Sim! Digo o mesmo, senhora Katarina. — Me sinto confusa com tudo aquilo.
— Só Kat, querida! Não precisamos disso. Você sabe, somos praticamente família. — Não entendi muito bem o que ela quis dizer com isso, mas acredito que seja por causa do meu irmão; então tudo bem, não iria questionar.
— Claro! Pode ser. — Digo meio sem jeito, mas relevo. Sempre a adorei. Tanto a sua história de vida, quanto a mulher forte que ela era. — Nossa! Que surpresa lhe ver você por aqui! Está tudo bem? Veio mais alguém com você? — Faço essa última pergunta, meio incerta de querer ouvir a sua resposta.
— Então... é exatamente sobre isso, o motivo de eu ter vindo até aqui. — Ela se aproxima de mim, mexendo nervosamente nas suas mãos e ficando frente a frente comigo. — É que o David já saiu há dois dias, lá do Rio de Janeiro, para vir até aqui falar com você. Só que ele veio de barco, sem ter nos informado de nada a respeito. Só descobrimos que ele havia vindo assim, quando recebemos uma ligação, nos informando do seu suposto desaparecimento. — Os seus olhos se enchem de lágrimas e logo, consigo ver que eles já estavam vermelhos, de tanto chorar anteriormente. — V-ocê, você não teria nenhuma notícia dele, não? Nenhuma ligação, lhe enformando que estava vindo pra cá ou; sei lá, que teve algum contratempo, eu não sei. E-u... Eu não sei mais o que fazer. — A senhora Katarina logo começar a chorar e a andar de um lado para o outro e, sem saber mais o que pensar.
E eu, estava praticamente em choque com tudo aquilo.
"O David?"
"Ele havia vindo pra cá? Pra me ver? E de barco?"
Meu Deus! O que era tudo aquilo? Porque ele faria isso? Ele não tinha reencontrado o grande amor da sua vida? Porque ele iria querer saber de mim? - Ele não poderia ter dado tanta importância assim para as minhas palavras -. O meu coração começa a acelerar e logo, me vem a segunda parte; o David havia desaparecido.
— C-omo, como assim ele desapareceu? E porque, ele veio atrás de mim? — Questiono, tendo agora total e plena consciência da gravidade do que tudo aquilo significava. E, ao me ouvir, a sua mãe parece ter percebido que eu não tinha nenhuma ideia do que estava realmente acontecendo.
— Ah, minha querida, só ele pode te dizer isso. Ele queria conversar com você, dizer as coisas que estava sentindo... — E naquele momento, o meu coração se despedaça. Será que agora era a hora de eu me sentir culpada, por ter feito o David vir até mim, para poder falar alguma coisa, em vez de eu o ter escutado naquela fatídica noite?
"O que será que ele queria tanto me falar?"
Meu Deus! Porquê o David fez isso, hein? Ele era louco! Só podia. Me sento reflexiva e com as mãos na boca, tentando raciocinar alguma coisa e não chorar. E com isso, logo me vem a grande questão.
— E o David sabe pilotar um barco? Digo, a uma longa distância? — Pergunto, porque provavelmente ele saberia comandar um barco, já que a sua família trabalhava e empreendia com isso; mas eu nunca o havia visto falar de alguma viagem que havia feito em alto-mar. Ele sempre foi mais da parte administrativa do que por realmente colocar as mãos na massa, se é que vocês me entendem.
Logo, a sua mãe me responde.
— Ele sabe pilotar, ele tem a carteirinha, mas ele nunca mais havia pilotado para tão longe assim. — A sua preocupação estava a mil, eu podia ver no seu semblante. — E para completar, a Marinha disse que de acordo com as suas últimas coordenadas, ele estava passando por uma grande tempestade. Depois disso, não tiveram mais respostas dele.
A senhora Katarina cai no choro novamente e eu não sei, como ela estava conseguindo ser tão forte naquele momento. O me coração se aperta ao ouvir aquilo tudo e lágrimas, também começam a rolar pelo meu rosto. Eu não me importava mais com o que os outros pudessem pensar, a respeito de todo aquele me sentimentalismo pelo David. Acredito que qualquer um, poderia se sentir comovido com toda essa situação. A minha mãe também se junta a nós e tenta consolar a Dona Katarina.
— Eu sinto muito, por tudo isso que está acontecendo..., mas Deus é bom. Ele vai cuidar do seu menino. Logo, logo, ele vai estar aparecendo por aí, mostrando que está bem. Ele é forte, não é? Igualmente a você. — A minha mãe alisa as suas costas e tenta acalmá-la. — A senhora veio sozinha para o Ceará? Tem onde ficar? Se quiser, pode ficar por aqui. A casa é humilde, mas ainda temos muito espaço, para conseguirmos acomodá-la.
A senhora Katarina agradece as palavras da minha mãe e respira fundo, tentando controlar o choro.
— Não, está tudo bem, dona Fátima. Eu e o meu esposo, o Dylan, já estamos hospedados na casa dos pais do Fabrício. Viemos o mais rápido que pudemos, quando tivemos a notícia. Eu ainda o convenci a vir sozinha, até a sua casa, para que não criássemos tumulto. Mas eu agradeço, pela sua hospitalidade e compaixão. Sei que nos receberia de braços aberto. — Ela funga o nariz e se recompõe de novo. — Nós vamos ficar por aqui, até termos alguma notícia. A Marinha já foi atrás do seu barco... Estamos esperando alguma resposta. Se soubermos de algo, nós comunicamos a vocês.
Ela se aproxima de mim e me abraça.
— Também seja forte, minha linda. Sei o quanto o meu filho gosta de você e que o seu sentimento por ele, é reciproco. Espere por lhe ouvir, para depois tirar as suas próprias conclusões. — Ela se despede de mim e da minha mãe, prometendo nos dar alguma notícia, se tiver.
Logo, ela se vai e todo o peso daquela visita, juntamente, com a gravidade de toda aquela situação, recai sobre mim e eu corro para o meu quarto, para finalmente poder chorar e botar pra fora, todo o meu medo e desespero pelo desaparecimento do David.
Isso não podia estar acontecendo.
Não com o David.
Não comigo.
E não com a gente.
Porque tudo tinha que ser tão difícil entre nós?
🔹🔹🔹🔹
Aí meu coraçãozinho 🥺💔❤️🩹
Que angústia é essa? Imagine como a nossa KitKat deve estar? 🙈😢 Com certeza todos os Collins devem estar em um desespero só.
Será que o nosso David conseguiu sobreviver? Será que ele está bem? Ou ele está nas últimas?
A amandinha está sem entender nada, por ele ter se submetido a isso. E a culpa... Com certeza ela deve estar sentindo. 😥😣
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