CAPÍTULO TRÊS
— Acho que sim. — não sei como, mas ainda consegui pronunciar essas palavras.
Notei que sua mãe dirigia, ela era muito bonita e simpática. Não sei como tem um filho tão calado e retraído como ele.
Chegando na escola me direcionei apressadamente para minha primeira aula, a minha matéria favorita, Língua Portuguesa.
— Bom dia turma. Hoje teremos uma aula diferente, como todos sabem daqui a 3 dias teremos a nossa Festa Junina. Por isso irei distribuir esses corações, dentro preciso que coloquem algum recadinho para alguém, coloquem de qual sala a pessoa é, e seu nome. — notei o professor mais arrumado do que o habitual hoje, será que iria se encontrar com alguém em especial? — Alguém daria um palpite no que isso se chama?
— Correio de amor? — Ckik berrou do fundão.
— Isso mesmo Ckik, amanhã entregarei todos os bilhetes.
[...]
Último ensaio, isso mesmo hoje era dia 11 de junho. Faltava um dia para o maior mico da minha vida. E se eu estava pronta? Não! Essa era a resposta correta.
Mesmo tendo adorado a minha roupa modernizada de freira e ter que dançar com a pessoa que sou apaixonada a anos (O que piorava ainda mais a situação.).
Ainda não acreditava que o garoto mais tímido e anti- social iria dançar na quadrilha para toda a escola inclusive os pais.
Pais, os meus estavam animadíssimos, como sempre. Já me dava uma imensa vontade de fugir ao em pensar o jeito que aqueles dois estariam na hora em que eu me apresentaria.
Chegando no local do ensaio, que por sinal já tinha começado, ou seja, eu cheguei atrasada, convenhamos que pontualidade não é comigo, certo?
Realizamos a parte da encenação até a dança por completa. O que me deixou sem fôlego. Notei que Ckik se aproximava, tentei puxar o ar de onde não tinha, já que não parava de tentar normalizar a respiração.
— Amiga, por que se atrasou? O que não é novidade não é? — soltando risinhos sem graça e lançado um olhar de ironia. A bela loira de olhos cor de mel pronunciou;
— Sabe Ckik, às vezes eu acho que você não é minha amiga. — a olhei de soslaio.
— Você é muito dramática sabia? Tinha que ser uma Aquariana mesmo.
— O que você quer dizer com isso?
— falei um pouco alterada.
— Nada, nada relaxa vai. — senti suas gélidas mãos se pocisionaram em meu ombro, no intuito de fazer uma massagem, o que não deu muito certo.
— Oi! — ouvi uma voz grave e máscula se proferida por trás de nós duas. O que nos fez virar automaticamente para saber quem era o dono daquela voz.
Não, não era o Alexis. Eu sei que vocês pensaram que era ele né. Eu também queria, evitaria muita coisa acontecer...
— Oi Edu! — falamos em uníssono.
— Bru, será que eu posso falar com você? — eu particularmente queria dizer não, o que seria o mais apropriado, porém a minha curiosidade falou mais alto, sempre me metendo em furada hein.
Mesmo eu não sentindo nada por Edu, ele não era uma pessoa de se jogar fora não. Possuía um queixo quadrado, rosto bem cuidado, ou seja, sem espinhas, cabelos negros sedosos. Seu corpo, meu Deus, é de enlouquecer qualquer garota, ele era o capitão de futebol, possuía um corpo musculoso e bem definido, braços fortes, e um peitoral de tirar o fôlego.
— É-é que eu não sei muito bem se você recebeu o meu bilhete no Correio do Amor... — eu estou vendo isso mesmo? Edu, está com vergonha de falar comigo?
— Sim, recebi. — o interrompi, liberando um sorriso amarelo.
— Então, eu queria saber se você... — naquele momento ele passou por trás do Edu, seus olhos se encontraram com o meu, lançando uma expressão de desaprovação. Não escutei mais nada do quê o Edu falou, não consegui, perdi todos os meus sentidos para o mundo, meu corpo apenas focava nele, mesmo que por milésimos de segundos, mas foi um momento muito maravilhoso e único na minha vida. Eu vi, eu sentir que o decepcionei. Mesmo ele não sabendo que não era o que ele estava pensando. — Bru, Bru você topa?
Naquele momento fui despertada do meu transe, eu não queria ser tão mal educada com o Edu, mas eu não queria o enganar, até por que meu coração pulsava por outro. E vocês já sabem quem é não é?
— Eu posso lhe falar depois? — após perceber a eternidade que ele esperava a resposta acabei falando sem pensar.
Sem esperar a resposta sai correndo a procura de Ckik, que me deixou em apuros.
— Espera, como iremos nos comunicar? Bruna espera. — ouvi os berros de Edu atrás de mim.
Encontrei a Ckik conversando com o André, o seu par da quadrilha, pelo o que eu ouvi estavam combinando os últimos detalhes. A puxei dali mesmo sem a sua vontade, agora ela me pagaria por me deixar a sós com aquele Deus grego.
— Sua horrorosa, como é que você tem a capacidade de me deixar a sós com aquela obra de arte? - Disse em um tom repreensívo. — o Alexis passou, e pensou que eu iria ficar com o Edu, você acredita? Eu estou ferrada.
— Arrasando corações em amiguinha.
— lançava um sorriso safado.
— Você é muito sem noção, eu já lhe disse isso? — saí de perto dela, bufando de raiva.
— Todos os dias, todos os dias.— ela tentava me alcançar com um sorriso debochado.
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