CAPÍTULO DOIS

Com um movimento quase que involuntário, peguei minha bolsa e decidir sair dali às pressas, não conseguiria ficar muito próximo a ele. Não agora.

Senti os gritos de Ckik, ecoarem atrás de mim, mas não correspondia, não até sentir seu braço me direcionar até a sua direção.

— Não vai me responder sua louca? — proferiu, percebi que seus longos fios que antes eram loiros agora estavam com mechas roxas, a tornando mais fofa.

— Você viu o que acabou de acontecer? Eu não vou conseguir. — depois percebi o quão alto eu falei.

— Não precisa surtar okay? — era incrível a calma que ela apresentava. — E lembre que você precisa tirar notas boas para pode passar de ano.

— Eu sei, eu sei. — revirei os olhos. —  Você sabe que eu vou dançar nessa quadrilha. — pronunciei, fazendo um sinal de aspas na parte da quadrilha.

— Tudo bem, agora precisamos nos cadastrar numa barraca, vale ponto também. — me informou, exibindo um gigante e extrovertido sorriso amarelo. — Sim, e no dia devemos passar por pelo menos duas barracas.

— Tudo bem, já chega de falar em Festa Junina.

[...]

Primeiro dia de ensaio e minha mente não para de me lembrar a cada segundo. Já perdi a conta de quantas vezes isso passou pela minha mente.

Encontrei a Ckik na entrada do ginásio me esperando, a abracei e adentramos naquele enorme salão, que meses antes foi o palco de um enorme jogo de handebol.

Nos posicionamos junto com os outros integrantes para ouvir o pronunciamento do professor de dança.

— Bom pessoal como você sabe só teremos apenas 4 dias, pois é quatro dias até o grande dia. — o professor possuía uma estatura baixa e um corpo com um padrão médio, usava óculos redondos, e possuía uma pequena marca na testa.

— Professor no caso, a Festa Junina será no dia 12 de junho? Dia dos namorados?  — escutei uma menina do fundão gritar.

— Isso mesmo teremos comemoração dupla, o que acharam crianças?  —disse o professor, exibindo uma animação sem sentido. — Já separei os personagens que cada dupla irá interpretar. Ckik você e André serão os noivos, Júlia e Bartholomeu o rei e a rainha do milho, Bruna e Alexis o padre e a freira....

Pensava que não teria um papel muito chamativo, mas minha expectativa mais uma vez foi por água abaixo.

— Vamos, vamos pessoal, não temos muito tempo. Precisamos correr.

Fomos organizados em duplas, até aquele determinado momento ele ainda havia dado uma sequer palavra, eu sabia que o professor iria reclamar, até porque o padre precisava atuar muito bem.

— Agora faremos o passo chamado Anarriê. Meninas para um lado, meninos para o outro. Fiquem frente a frente. — o professor se aproximou para nós orientar, a Ckik como sempre fazendo os passos errados. — Meninos cumprimentam as meninas e depois o inverso, vamos pessoal. — escutava a música ecoar por todo o local... " O forró já começou, nota o disco de Luiz, chegue mais perto pro meu abraço..." — Agora formando os pares novamente. — berrou o professor.

Senti aquele príncipe do Egito se aproximar de mim, não desviando o olhar na minha direção, entrelaçou seus dedos ao meu, me fazendo então o encarar. Analisei aqueles exorbitantes glóbulos oculares, um olhar vazio e sem vida, era assim que eu o definia. Nenhuma parte do seu corpo exibia um sentimento, não até o momento.

Ainda com as mãos entrelaçadas, os casais após a gente nos seguiram, suspendemos as nossas mãos no formato de um círculo, o que foi sucessivamente copiado pelos outros, formando uma espécie de túnel, o último casal passava pelo túnel agora já se posicionado ao nosso lado, é assim até todos conseguirem passar.

O restante do ensaio foi recheado de novos passos e por último o professor nos orientou sobre a vestimenta adequada para a apresentação.

[...]

Cheguei em casa, meus pés doloridos e cansados imploraram por uma compressa de gelo, já o meu corpo por uma ducha relaxante, e assim o fiz.

Após o cansaço aliviar um pouco deitei-me na cama. O sono logo se apoderou, fazendo me adormecer quase que instantaneamente.

[...]

Abri as pestanas um pouco sonolenta e decidi pegar o celular para checar a hora, e era exatamente quatro e quarenta e cinco da madrugada, por um milagre dos céus conseguir despertar mais cedo que o habitual.

Tomada por uma preguiça matinal decidi mexer no celular, enquanto criava coragem para ir ao banheiro fazer a higiene matinal.

Acessei uma rede social qualquer e notei um novo pedido de amizade, o que me atiçou uma curiosidade repentina, pressionei o ícone de novas amizades e notei um pequeno quadrado revelando uma imagem de um garoto magricela e com seus temíveis olhos castanhos. Na parte direita prestei atenção ao nome Alexis Ronccoff, quase tive um treco, perdi os movimentos das minhas pernas, mãos suadas, coração quase saltando pela boca e mesmo assim aceitei, não abri espaço, nem tempo para minha mente advertir-me.

Fiquei por horas esperando alguma mensagem, mas nada. Após olhar todo o seu feed (O que não era grande coisa, só tinha duas fotos e vídeos de músicas de Link Park).

Sendo tomada por um pingo de coragem fui para o banheiro fazer minha higiene matinal. Resolvi colocar uma roupa qualquer, e como estava muito cedo me deitei na cama e adormeci.

— Bruna, acorde o ônibus passará daqui a cinco minutos. — ouvi os berros da minha mãe vindo da cozinha.

Saltei da cama e desci a escada, peguei o lanche e passei às pressas para o ponto de ônibus. Chegando lá percebi que o ônibus já tinha passado. Para não me atrasar decidir ir caminhando para a escola. Até notar um carro se aproximar e um rosto conhecido sendo colocado para fora do carro.

— Quer uma carona? — me perguntou, exibindo um sorriso sem graça. Meu dia mal tinha começado e eu já sabia que seria emocionante.

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