Epilogo

Levi Prescott:

Nove meses depois...

Respiro profundamente enquanto estou sentado na cama na casa dos pais do Spike. Observo meu barrigão de nove meses, que em breve será o ponto de origem para dar à luz aos meus filhos. A incredulidade ainda permeia meu ser ao perceber que há duas crianças aqui dentro. No entanto, consigo sentir a energia espiritual se entrelaçando com o poder de dragão de Spike.

Ao revelar que eram gêmeos, Spike quase desmaia de choque, e meu pai o segura. Posso afirmar que, durante este período, foi meu namorado quem mais teve enjoos do que eu. Tive muita pena dele nesse período, mas sou grato por não ter que passar por essas coisas.

Melhor explicar o que aconteceu nos últimos tempos, pois foram muitas coisas.

Meu irmão Scott teve um segundo filho chamado Samuel, o que Agatha adorou, pois agora ela é a irmã mais velha, mesmo que a diferença de idade seja pequena. Franklin está sendo muito fofo com seu novo amiguinho. Ainda é estranho pensar que meus sobrinhos têm idades próximas à do meu irmão mais novo.

André se animou especialmente com isso, sempre o vejo cuidando do berço quando íamos visitar Scott. Lanore e Diel se integraram bem ao mundo mundano, embora tenhamos que ter cuidado com a energia espiritual da minha sobrinha.

Quem diria que agora tenho três sobrinhos e três irmãos mais novos, já que meus pais oficialmente adotaram André e Diel. Acho que todas as crianças da minha família são bastante adoráveis, morro de amores pela fofura que elas demonstram quando estão reunidas.

Ainda mais quando eles sabem que podem conseguir tudo com uma expressão fofa, tornando fácil conquistar qualquer coisa.

Darwin começou a me respeitar, o que foi um alívio para todos da família do Spike. Foi encantador ver essa cena quando ele veio até o nosso aparentemente novo lar, que tínhamos comprado em uma residência para submundanos. Meu sogro trouxe um berço que ele mesmo havia criado.

Ele sempre trazia brinquedos para os bebês em diferentes tamanhos, o que me deixou admirado com seu trabalho. Sempre pede desculpas por tudo.

Tive que me afastar da faculdade por um tempo devido à gravidez, para evitar surpresas e não expor nossas identidades aos mundanos.

Assim, passei alguns dias em casa antes de vir para o lugar onde estou sendo muito bem tratada. Thackery e Cilas fazem de tudo para me ajudar; literalmente, não consigo fazer nada sem que eles saibam, graças à assistência de Yuki e Ciel, este último como meu guardião espiritual prometendo ajudar com tudo.

Enquanto isso, Tamara cuida de observar Lanore e Diel, conforme minha solicitação, deixando-me apenas com Yuki e Ciel ao lado, agindo como meus observadores e confidentes em relação a meu cunhado e sogro.

Devo dizer que, na parte do Darwin, ele se ofereceu para criar os melhores brinquedos que uma criança poderia desejar. No entanto, ele queria que eu pedisse algo em troca, algo que ele pudesse ajudar, e isso não consegui fazer. Afinal, ainda não confio muito nele, e há uma certa mágoa do passado.

Até minha avó designou alguém para ficar de olho em mim, o que me deixou mais inquieta. No entanto, encontrei conforto quando Lilal veio me visitar com uma cesta de frutas do reino espiritual. Suas palavras tranquilizadoras me acalmaram. Lilal afirmou que virá sempre ver os bebês e a mim, também trazendo notícias de Natsuls e Kagome.

Ainda não sei como, mas parece que Lilal se tornou uma ponte entre esses dois, tentando apaziguar os ânimos. Sabia que isso não seria fácil, mas ela respondeu com um sorriso.

— É meu dever colocar um pouco de juízo na cabeça daqueles dois — Lilal disse, colocando um morango na boca. — Para que não venham incomodar você.

Por último, fomos para o casamento de um amigo em comum, meu e de Scott. Devo dizer que foi incrivelmente lindo. Como presente, criei fogos com as minhas mãos, e eles surgiram quando o casal se beijou.

Posso revelar que esse amigo é um submundano, mas essa é uma história que ele mesmo deve contar para vocês.

Também descobri que a mão graciosa da vida vai acabar desenvolvendo os sentidos dos meus filhos com mais rapidez do que o normal, olhos astutos e várias outras características. Eles têm uma forte influência de parte raposa e um dragão, além de contar com energia espiritual.

**************

Voltei ao presente quando senti algo molhado escorrendo pela minha perna. Foi então que percebi que a bolsa havia rompido enquanto usava o banheiro. Rapidamente, fui levada às pressas para o lado de fora, onde uma capa estava preparada, com alguns curandeiros posicionados ao meu redor.

No entanto, ainda não era o momento certo para fazer o corte acima da minha virilha, de onde retirariam os bebês. Tive que me distrair observando Spike brincar com Yuki, que voava ao nosso redor, tentando se aproximar. Ciel o afastava enquanto chorava, explicando que iria doer.

As horas foram passando, e agradeci quando finalmente chegou o momento do parto.

Em determinado momento, Cilas veio junto de Spike, que estava com a mão em forma de garras, e me rodearam para trazer meus filhos ao mundo. Spike estava tremendo de nervosismo.

Cilas me ajeitou na cama e se posicionou para começar seu trabalho.

— Levi, vamos começar agora. É importante que você faça força em sincronia com as contrações, tudo bem? Pelo jeito, os bebês já estão prontos para nascer; só precisa que você dê um empurrãozinho. — Cilas disse  simpático, e assenti, soltando um suspiro em seguida.

Cilas se posicionou novamente e começou seu trabalho, coordenando comigo as contrações, incentivando o nascimento do bebê. Spike levou a garra até a parte de cima da virilha e fez um pequeno corte.

— Pode fazer, força! — Cilas disse , e assim fiz. — Só mais um pouco, Levi.

— Não tenho tanta força... — Falei baixinho, e lágrimas escorriam pelo meu rosto.

— Você consegue, só mais um pouco de força, e nossos filhos vão nascer! — Spike disse, apertando minha mão. — Sei que consegue, você é uma pessoa muito forte, pode fazer isso!

Respirei fundo, deixando que as palavras de Spike ecoassem em mim. Com cada inspiração e expiração, coloquei um pouco mais de força, sentindo a energia espiritual se acumular por segundos. No instante seguinte, um choro poderoso encheu o quarto.

— O primeiro bebê saiu, falta o outro — Cilas disse , passando delicadamente o primeiro bebê para uma curandeira. — Falta só mais um. Dessa vez, usei mais força.

Determinada, murmurei para mim mesma: — Eu consigo! — e empurrei com mais força.

Coloquei toda minha força, com Spike ao meu lado, apertando minha mão e transmitindo sua força para mim, que eu precisava naquele momento. Um segundo choro, suave e reconfortante, encheu a sala.

— O outro menino nasceu — Cilas anunciou, passando o segundo corpinho para uma curandeira, e o alívio invadiu o ambiente.

— Eles são lindos! — Spike disse, todo bobo, enquanto levantava a cabeça para olhar os gêmeos.

Meu corpo desabou contra a cama, exausto, já que minhas forças se foram de vez.

**********

Quando acordei, estava deitado novamente no nosso quarto. Olhei para o lado e vi Spike dormindo em uma cadeira ao lado da cama; ele parecia um pouco cansado, mas feliz.

Não sei por quê, já que fui eu quem teve a parte mais difícil entre todas as pessoas deste lugar.

Como se sentisse que estava sendo observado, Spike abriu os olhos e me encarou sorrindo.

— Dormi por quanto tempo? — Perguntei. — Onde estão os bebês?

— Parte da manhã — Spike respondeu. — Toda a sua família já viu os meninos nos berços e achou melhor deixar para vê-los depois que você acordasse. Seu pai, Jacob, achou melhor deixar você descansar. Já os meninos estão dormindo agora em seus berços; são as coisas mais fofinhas que já vi em toda a minha vida.

Spike apontou para um canto do quarto, onde estavam dois berços com meus filhos, que dormiam calmamente. Notei que Ciel estava olhando para os berços com olhos brilhantes.

— Deve ter sido uma festa quando viram os bebês. Scott e Thackery já perguntaram quem será o responsável pelas crianças? As crianças, nem se fale, devem estar ansiosas para ver os novos membros da família — falei divertido, e Spike riu, balançando a cabeça em afirmação. — Já pensou nos nomes deles?

— No que nasceu primeiro, chamei de Rafael; parece ser uma pessoa amorosa — Spike disse. — O segundo, deixei para você nomear. Todos concordamos que ele parece uma pessoa bastante séria e ética, tinha até uma expressão de alguém que desgosta da vida.

Quando ele disse isso, um nome veio à minha cabeça.

Esse nome era especial para mim; era o nome do primeiro mortal que fiz amizade quando ainda era apenas um espírito de uma raposa. Ele foi o primeiro a conquistar o coração da minha irmã e a ter um filho com ela. O pensamento desse nome trouxe à tona uma onda de emoção, relembrando os vínculos especiais e as histórias entrelaçadas ao longo dos séculos.

— Caelen! — Falei, e Spike olhou na minha direção. — Gosto do nome; estava lendo em um dicionário de nomes, significa poderoso guerreiro. Existiu um homem que conheci com esse nome; ele era um grande guerreiro e, além disso, uma boa pessoa. Ele foi o amante de Kagome e meu amigo.

— Você não me contou isso — Spike disse.

— Acho que foi uma das razões que me fez salvar o bebê que eles tiveram, ser uma criança inocente e ainda o primogênito do meu melhor amigo — Falei, e Spike pegou em minhas mãos com um aperto firme. Olhei para ele, que estava sorrindo.

— Gostei desse nome também; nosso filho vai trazer honra para esse nome — Spike disse e levantou da cadeira, indo até os berços. Pegou um bebê e depois outro e trouxe até mim.

Treinando com meu irmãozinho e ainda com dois sobrinhos, vendo livros de pai de primeira viagem, aprendi como segurar um bebê corretamente.

— Esse é o Rafael e o Caelen! — Spike disse, colocando os bebês no meu colo, e vi que Caelen estava abrindo os olhos, dourados e tempestuosos.

— Ele é tão fofinho — Falei animado, beijando o bebê, que pareceu ficar de mau humor por alguns segundos.

Spike pegou Rafael, que não acordou, mas balançou os braços no ar.

— Obrigada pelos meus filhos — Falei sorrindo, e ele veio me beijar.

O amor não se vê com os olhos, mas com o coração. Um coração feliz é o resultado inevitável de um coração ardente de amor. Lutar pelo amor é bom, mas alcançá-lo sem luta é melhor. Cada um sabe amar a seu modo; o modo pouco importa; o essencial é que saiba amar.

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O quarto estava cheio de amor e alegria enquanto segurava os pequenos Rafael e Caelen nos braços. A emoção pulsava forte, inundando o ambiente com a energia mágica da nova vida que agora fazia parte da nossa jornada.

— Esses são nossos filhos, Levi. Nossa família agora está completa — Spike disse com um brilho nos olhos, refletindo toda a felicidade que compartilhávamos naquele momento.

Olhei para os bebês, sentindo uma conexão profunda e imensurável. Eram pequenas promessas de amor, de um futuro que se desenrolava diante de nós. Cada riso, cada lágrima, cada desafio seria enfrentado juntos, como uma família unida.

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Fim!

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