Capítulo Vinte e Nove(Final)
Levi Prescott:
Na manhã seguinte, Spike e eu dirigimo-nos a um parque da cidade para passear e comemorar nossa descoberta de que estou esperando um bebê. Inicialmente, parecia um encontro romântico, mas a dinâmica mudou quando mencionei minha fome. Spike afastou-se para buscar algo para eu comer, e enquanto eu me sentava em um banco próximo, Ciel e Tamara apareceram inesperadamente.
Desde nosso retorno ao mundo humano, percebi que não precisamos constantemente de guardiões espirituais. Pedi a eles para manterem um olho no mundo espiritual ou visitarem Jai para verificar seu estado. Notei que Ciel cresceu, agora parecendo um pré-adolescente, mas ainda mantendo seu coração sentimental e doce.
— Parabéns, Levi — disse Tamara. — Sua avó nos contou hoje.
— Parabéns, Levi. Você será um ótimo pai. — Os olhos de Ciel brilhavam com lágrimas enquanto expressava seus votos.
Agradeci a ambos pelas felicitações, sorri e apreciei a presença deles nesse momento especial.
— Pode me dizer como está o estado do Jai? — perguntei.
— O corpo está bem, na medida do possível — explicou Tamara, sentando-se no meu ombro e cruzando os braços. — Mas a alma dele está devastada.
— Cada vez que alguém, ou um curandeiro designado por sua avó, entra em sua mente para verificar, é como se visse a imagem de um pesadelo — acrescentou Ciel, sentando-se no meu ombro e balançando as pernas. — Ele está se culpando pelo que aconteceu com a família dele.
— Sinto muito por isso, mas foi algo que nem ele mesmo poderia saber — disse calmamente. — Vai demorar para a alma se curar a menos que ele quieta não é?
Ambos balançaram a cabeça em positivo.
— Até agora, ele não deu sinal de que quer ser curado ou simplesmente acordar — explicou Tamara. — Está vivendo no mundo de pesadelos que ele criou para si como punição.
— É aterrorizante como ele consegue repelir toda a magia que os curandeiros ou nós colocamos em seu corpo — disse Ciel, estremecendo. — Continuamos tentando encontrar uma maneira de ajudá-lo.
— Mas parece que ele está profundamente enraizado nesse estado de autocondenação — comentei, compartilhando a preocupação.
Tamara suspirou.
— A barreira que ele criou em torno de si mesmo é resistente. Mesmo nossa intervenção espiritual tem limitações contra ele, mesmo que só tenha parte da energia espiritual da lady Kagome é muito poderoso.
Ciel assentiu, concordando com a dificuldade da situação.
— É muito forte que qualquer um que é meio-espirito ou descende de um não tem — Ciel disse. — Vamos continuar fazendo o possível para apoiá-lo e encontrar soluções.
— Talvez, com o tempo, ele encontre a força necessária para superar essa autoimposta escuridão — conclui, buscando uma nota de otimismo.
Ambos não pareciam acreditar muito nessas minhas palavras, mas uma risada surgiu atrás de mim. Ao olhar na direção, encontrei Natsuls observando-me, e ambos desapareceram quando ele se sentou ao meu lado.
— O que está fazendo aqui? — perguntei secamente.
Pela primeira vez em toda minha vida, ele levantou as mãos em um sinal de paz, deixando-me ainda mais chocado.
— Só vim prestigiar meu irmãozinho por estar grávido — ele disse com um sorriso, mas permaneci desconfiado.
— Você não faz essas coisas nem para os outros governantes do reino dos espíritos — falei. — Por que iria querer fazer algo desse tipo para a pessoa que você chama de traidor que dizia para todos os espíritos em sua voz máxima?
Natsuls manteve o sorriso, parecendo descontraído.
— As circunstâncias mudaram, Levi. Pode não parecer, mas você é importante para mim desde sempre, e talvez tenha subestimado alguns aspectos da situação. Além disso, um novo herdeiro é sempre motivo de celebração. — Ele disse com calma.
Ainda cauteloso, eu o encarei.
— Não consigo esquecer as palavras que proferiu contra mim tão facilmente e ainda o caos que fez contra muitas vidas.
Ele suspirou, parecendo refletir.
— Cometi erros, e agora vejo que talvez tenha agido precipitadamente em muitos eventos. Estou disposto a reconsiderar nossa relação.
A surpresa tomou conta de mim diante dessa revelação, enquanto tentava processar a mudança de postura de Natsuls.
— Se quiser até estou pensando em visitar a Lanore e ter um tempo de pai e filha com ela — Natsuls disse.
Posso dizer que isso é algo que o mesmo não sabe como fazer, só por causa de como Lanore diz como o pai parece brincar só por querer ser responsável pela filha.
— Ela vai gostar — Falei e um silêncio surgiu entre a gente. — Ela está com saudade da floresta e suas.
Seu cabelo prateado se moveu quando um vento passou e olhei para meu irmão que parecia pensativo nessa questão.
— Infelizmente não é seguro para que a mesma fique no reino dos espíritos não só por causa do que Narut e aquele rapaz Jai fizeram. Os territórios estão se afastando um do outro e parece que um confronto vai acontecer — Natsuls disse e olhei para ele com raiva, com certeza iria me pedir para ajudar. — Não quero sua ajuda dessa vez, disso posso me proteger assim como os membros do meu território. Estou aproveitando para vir vê-lo uma vez mais.
Ele me olhou com um sorriso e se transformou com sua forma meio-raposa, com as orelhas prateadas e os cabelos crescendo ainda mais, e as caudas ao seu redor.
— Pode não parecer, mas tenho orgulho de quem você se tornou — Natsuls disse com um sorriso sincero.
Isso me deixou ainda mais chocado, pois foi a primeira vez que a sua máscara de mentiras e as nuvens se foram por completo, e ali estava a primeira coisa que vi assim que nasci séculos atrás: um sorriso sincero do meu irmão mais velho, que não tinha nenhuma mentira para minha direção.
Natsuls permaneceu em sua forma meio-raposa, o olhar sincero e as palavras quebrando as barreiras antigas entre nós.
— Estou querendo uma reconciliação com meu irmão, Levi. Não posso mudar o passado, mas posso tentar construir um futuro diferente entre nós. — Ele disse, as caudas ao seu redor movendo-se de forma calma.
Ainda absorvendo a magnitude desse momento, concordei com um aceno leve.
— Estamos em tempos de mudanças, e aceito essa oportunidade de recomeço. Mas, por favor, prove suas intenções com ações concretas e sem agir sem pensar duas vezes ou até três vezes. — Falei com seriedade. — Isso fez você e Kagome lutarem um com o outro e entrarem em guerra.
Natsuls assentiu compreensivo.
— Minha relação e a de Kagome nunca será igual a antes, e isso faz de mim o inimigo mortal dela. Lilal já disse em alto e bom som que irá me ajudar, mas só como meu braço direito — Natsuls disse. — Mas com você, farei o possível para mostrar que estou comprometido com essa mudança. — Ele se levantou, voltando à forma humana. — Por enquanto, desejo apenas compartilhar um momento de alegria por essa nova vida que está a caminho.
Enquanto observávamos as pessoas passarem, uma sensação de esperança começou a se instalar em minha mente com base nas palavras e comportamento do meu irmão.
Ouvi passos, e Spike surgiu, olhando para Natsuls desconfiado.
— Só vim dar meus parabéns para o Levi — Natsuls disse com um sorriso sincero na minha direção. — E para você, que nunca vou ver com bons olhos.
Então desapareceu como alguns brilhos prateados. Spike se sentou ao meu lado com uma expressão confusa.
— Ele realmente foi sincero? — Spike perguntou.
— Pode não parecer, mas ele realmente foi sincero — Falei, soltando uma risada, e peguei o salgado que Spike trouxe.
Enquanto Spike tentava processar a reviravolta na atitude de Natsuls, compartilhamos o salgado e observamos a vida movimentada no parque. Aos poucos, a desconfiança de Spike cedeu a uma aceitação cautelosa.
— Mudanças são parte da vida, não é mesmo? — comentei, tentando suavizar o clima.
Spike concordou, ainda processando os eventos recentes. Percebi que as relações complexas entre os reinos espirituais e humanos estavam em constante evolução, e esse encontro com Natsuls marcava um possível capítulo de reconciliação.
A manhã avançou com conversas mais leves, celebrando não apenas a futura chegada do bebê, mas também a esperança de novos começos e entendimentos entre as figuras importantes em minha vida.
Os céus sendo consumidos por tons quentes dos raios de sol me fizeram refletir sobre como será minha vida no futuro com um bebê. Em meio a essa atmosfera tranquila, antecipava os desafios e as alegrias que aguardavam, esperando que o calor do sol simbolizasse não apenas o fim de uma tarde, mas também o início de uma nova jornada familiar cheia de amor e crescimento.
Já conseguia imaginar as risadas, as noites sem dormir, os primeiros passos e todas as experiências que teríamos juntos.
— O que foi? — Spike perguntou quando coloquei a cabeça no ombro dele.
— Só estou pensando no futuro. — Respondi. — E como ele será fantástico.
Aconchegado ao lado de Spike, vislumbrava um horizonte cheio de possibilidades, pronto para abraçar cada momento dessa jornada extraordinária que era a vida em família.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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