Capítulo Um
Levi Prescott:
Então, este será o meu momento de brilhar, não mais como um simples coadjuvante, como parecia ao observarem o ponto de vista do meu irmão e do meu cunhado. Nem serei alguém surpreso ao ver pela primeira vez alguém usando magia ou ao descobrir que um dos meus pais é um titã, enquanto o outro está grávido, e que meu irmão mais novo está envolvido em uma luta para proteger vários seres sobrenaturais. Eu, por minha vez, sou o predestinado de um lobo escolhido por dois deuses, algo que nem sabia que existia, oculto dos mundanos, como chamam as pessoas sem qualquer ligação com o sobrenatural.
Quer dizer, até consigo aceitar isso, mas quando o cara por quem me apaixonei revela ser um draco, uma mistura de dragão com humano, ou o que quer que eles tenham para se misturar e andar sob a luz do sol sem morrerem, a situação fica um pouco mais complicada.
Peço desculpas se tive um pequeno surto, mas duvido que a maioria seria capaz de aceitar de imediato toda essa situação. Aqueles que dizem aceitar estão, na verdade, experimentando inúmeros surtos internos.
Tudo bem, Spike e meus pais estão me pedindo para parar de enrolar e continuar com a história. Bom, acho que tudo começou em mais um dia na faculdade, na noite em que teria um encontro com o Spike.
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Deixe-me apresentar. Me chamo Levi Prescott, atualmente com vinte anos de idade, sou o filho mais velho de Gabriel e Jacob Prescott. Agora, vou compartilhar um pouco sobre minha vida antes de conhecer meu pai Jacob.
Anteriormente, eu era um órfão, criado sob os cuidados de um orfanato que, apesar de contar com pessoas incríveis, muitas delas se dedicaram a zelar por mim. Na época, minha compreensão era limitada ao básico. Meus pais biológicos me abandonaram à porta do orfanato, dentro de uma cesta. Passei muito tempo lá, testemunhando crianças sendo adotadas com enormes sorrisos, enquanto outras retornavam ao local, fechando-se ainda mais. Isso deixava uma marca em todos nós, gerando um certo medo de abandono.
Os responsáveis pela administração do orfanato eram os mais afetados, embora se esforçassem para disfarçar. Posso dizer que usavam máscaras para ocultar suas expressões. Naquela época, eu observava tudo atentamente, captando as nuances por trás das aparências.
Quando completei oito anos, conheci meu pai Jacob, que afirmou ter sentido que eu seria seu filho e rapidamente iniciou o processo de adoção, deixando-me surpreso pela sinceridade que transparecia nele, algo que nunca havia visto antes, sem as máscaras de mentiras que costumavam cobrir as pessoas ao meu redor.
Após vários meses, ele finalmente me levou embora do orfanato para o que se tornaria nossa casa. Nesse período, por desgosto de meu pai Jacob, tive a oportunidade de conhecer a família dele, que o expulsou de casa devido à sua orientação sexual. Logo após me adotar, eles manifestaram o desejo de me conhecer, mas pude perceber as máscaras de mentiras sobre seus rostos, o que me assustou. Meu pai prontamente entrou na frente para me proteger, mas eu não queria isso. Eu testemunhei como eles magoaram profundamente meu pai, virando as costas para ele quando deveriam ter aceitado quem ele era.
Mais tarde, mudamo-nos para uma pequena cidade devido ao trabalho de meu pai na área de arqueologia local. Ele eventualmente decidiu que seria trabalhar em um museu como historiador, pondo fim às suas constantes viagens pelo mundo. Foi nesse momento que conhecemos um homem chamado Gabriel e seu filho, Scott, que, ao longo do tempo, tornaram-se parte integrante da nossa pequena família.
Inicialmente, eu percebia as máscaras de mentira em Gabriel, mas com o tempo, ele se tornou uma presença constante em meu dia a dia, trazendo felicidade ao meu pai Jacob e dando-me um irmão mais novo. Essa convivência fez com que eu deixasse de enxergar as máscaras de mentira ao meu redor, e passei a não mais tentar descobrir o que as pessoas escondiam.
O ambiente ao meu redor estava repleto de amor de uma família incrível, cujo único desejo era a minha felicidade. Dessa forma, deixei de me preocupar em desvendar as verdades ocultas nos outros por um longo período.
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Fui o primeiro na escola primária, destacando-me pela minha inteligência, e mantenho essa trajetória de sucesso agora na faculdade. Contudo, tudo mudou de forma radical.
Ao retomar o convívio com as coisas que já sabia e mencionei anteriormente, fiquei ainda mais chocado ao perceber as máscaras da mentira nas pessoas, desta vez acompanhadas por nuvens negras ao seu redor. Essa descoberta tumultuou minha mente, mas optei por não compartilhar com ninguém.
Demorei a aceitar a ideia desse mundo secreto, e observar os esforços de Spike para me animar ou se aproximar de mim foi crucial. A felicidade evidente na minha família contribuiu para minha aceitação gradual. Ao contrário das máscaras de mentira e nuvens negras de engano que vi anteriormente, eles não tinham nada disso em seus rostos.
Conhecer Spike Ko-go, também conhecido como Spike Miller para os mundanos, certamente foi uma das melhores coisas que já aconteceram em minha vida, logo depois da minha família. Isso ocorreu quando eu estava no meu primeiro ano na faculdade de gastronomia. Desde a infância, tenho paixão pela culinária e almejo seguir esse caminho há bastante tempo.
Curiosamente, esperei até agora para ingressar na faculdade junto com meu irmão, cumprindo uma promessa que fizemos de entrar no mesmo ano, após sua formatura no ensino médio.
Atualmente, trabalho em uma cafeteria na cidade, o que me ajudou a comprar um carro e ter meu próprio meio de sustento.
Agora, falando sobre Spike, confesso que me assustei imediatamente quando o vi na forma de Draco, mas acabei me acostumando rapidamente após fugir dele por quase uma semana. Não me julguem; eram dias cheios de revelações impactantes. Posteriormente, achei sua forma Draco incrivelmente bela também.
Sinto-me pequeno perto dele quando está na forma de Draco; na forma humana, a diferença é de apenas quatro centímetros.
Neste momento, estou no meu expediente prestes a encerrar, ansioso pelo final de semana prolongado. De maneira surpreendente, Spike quis me buscar, embora não precisasse. Finalizo meu expediente, troco de roupa e saio para encontrá-lo do lado de fora, onde o vejo usando uma camiseta cinza e calça preta.
— Amor! — Spike exclamou, abraçando-me com tanta força que quase se conteve, lembrando-se de sua força quatro vezes superior à minha.
— Oi — respondi, abraçando-o e beijando seu rosto.
— Como foi o seu dia? — indagou Spike, entrelaçando seus dedos nos meus enquanto caminhávamos em direção ao meu carro.
Surpreendi-me ao notar que a nuvem negra ao seu redor estava notavelmente diminuída, indicando que talvez fosse uma mentira de pequena magnitude.
— O que você quer? — perguntei, lembrando-me do conselho de meu pai Jacob: quando alguém fica excessivamente carinhoso, provavelmente quer algo que só você pode fazer.
O curioso é que não era desconfiança, pois Spike estava assim há uma semana, sendo doce e afetuoso.
— Nada, só quero saber do seu dia! — insistiu Spike, e revirei os olhos.
— Conta outra! — retruquei, soltando sua mão. — Tem cinco segundos para dizer a verdade!
— Está bem, acho que chegou o momento de você conhecer a minha família! — admitiu Spike, visivelmente sem jeito.
— Só isso? Claro que posso conhecê-los! — respondi. — Pode ser no final de semana
— Iria falar mesmo com você sobre isso — Spike disse. — Ficaríamos três dias na casa dos meus pais, já que teríamos uma folga na faculdade na segunda.
Assenti, sem perceber que acabara de assinar meu destino para três dias que, na verdade, começaram a piorar no dia seguinte. Mas falaremos sobre isso depois.
Ele sorriu e me abraçou, indo pegar o carro. Em seguida, parou na minha frente, abriu a porta para mim e entrei.
— Antes de irmos, posso te levar a um lugar? — ele disse, e olhei na sua direção, dando de ombros. — Ótimo então, vamos.
Dirigimos por vinte minutos e chegamos em frente a um prédio. Forçei a visão para ter certeza do que estava vendo. Em um passo de mágica, o edifício tremeu e revelou um local muito bem iluminado com uma enorme placa.
— Este é um restaurante do submundo. Quis te trazer aqui para que você veja como são as coisas, já que tem se questionado sobre essa informação. — Ele disse calmamente enquanto saíamos do carro.
Ao adentrarmos o restaurante, deparei-me com um interior decorado com madeira escura polida, móveis antigos desgastados e papel de parede de uma estampa indeterminada.
O ambiente exalava o aroma de comida, e algo mais que percebi fez Spike salivar. O carpete era meticulosamente arrumado, com detalhes perfeitos para complementar toda a decoração.
Era evidente que o restaurante, inicialmente aberto com boas intenções, ao longo do tempo cedeu à inevitabilidade de uma quantidade considerável de atendimentos muito elogiados, estabelecendo padrões de alta qualidade. Ainda assim, era um lugar agradável para passar o tempo, proporcionando uma vista encantadora de uma moça tocando um piano.
A pianista usava um vestido simples de algodão branco, com longos cabelos cacheados. Sua aparência não era extravagante, mas simples, capaz de resistir a qualquer escrutínio. A maquiagem, aplicada de maneira sutil, combinada com um par de saltos pretos lisos, a transformava em uma deusa de um oásis isolado e tranquilo. Seus traços faciais eram delicados e memoráveis.
— Aquela é uma feérica, tenha cuidado para não irritá-la. — Spike alertou, trazendo-me de volta à realidade. — Os feéricos são bastante cruéis quando se trata de música.
Sorri sem jeito e não respondi. Apenas permiti que ele me conduzisse até uma mesa, onde acabamos pedindo pratos que eu conseguia pronunciar.
Cada prato que escolhemos estava divino, levando-me ao céu a cada pedaço que colocava na boca.
Durante a refeição, desfrutamos não apenas da deliciosa comida, mas também do ambiente acolhedor do restaurante. A feérica continuava a tocar piano, sua música preenchendo o espaço de maneira encantadora, criando uma atmosfera única.
Conversamos sobre assuntos variados, mergulhando na tranquilidade do local. Spike compartilhou algumas histórias do submundo, explicando detalhes sobre as diferentes criaturas e seres mágicos que coexistiam com os mundanos. Gradualmente, percebi que essa nova realidade, embora inicialmente impactante, começava a se tornar mais familiar.
Ao final da refeição, a feérica concluiu sua apresentação e recebeu aplausos. Spike pagou a conta, agradeceu ao estabelecimento e, em seguida, me conduziu para fora.
— Espero que tenha gostado do restaurante do submundo. Foi a minha maneira de te mostrar um pouco mais do nosso mundo. — Ele disse, sorrindo.
— Foi incrível, Spike. Obrigado por compartilhar isso comigo. — Respondi, genuinamente agradecido.
Nos dirigimos de volta ao carro, e o restante da noite foi tranquilo. Ao chegar em casa, senti uma mistura de emoções, mas principalmente a curiosidade crescente sobre o que mais estava por vir nesse mundo mágico que agora fazia parte da minha realidade.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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