Capítulo Quinze
Levi Prescott:
— Parece que você despertou finalmente. — Natsuls continuou, ignorando o tapa que eu lhe dei. — Parece que aquele garoto, está tramando algo muito além da sua compreensão. Ele quer me ver morto, mas ainda não descobriu o que realmente sou.
Spike se aproximou, sua expressão séria.
— O que você está escondendo, Natsuls? — questionou Spike, desconfiado.
Natsuls riu, um som frio e calculista.
— Isso, meu caro Draco, é um segredo que Drwes está prestes a descobrir. Uma revelação que mudará tudo. — Ele sorriu de maneira sinistra. — A guerra entre nós está prestes a atingir um novo patamar.
Natsuls circulou ao meu redor enquanto revelava parte dos eventos ocorridos séculos atrás e o vínculo entre mim e a criança que salvei, desencadeando um misto de angústia e preocupação em meu peito. As últimas lembranças dos descendentes daquela criança ecoaram em minha mente, criando uma teia complexa de sentimentos enquanto eu enfrentava as consequências de minhas ações passadas. O ambiente tenso estava impregnado com o peso do desconhecido e a iminência de uma revelação impactante.
— O que você fez quando me levou de volta para a floresta espiritual? — Minha boca se abriu olhando para meu irmão e seus olhos brilharam perigosamente. Foi esse lampejo de percepção que me fez criar uma faca e apontar contra ele. — Para isso acontecer, deve ter feito algo com sua família. Encontrar um diário que estava protegido por magia não mudaria nada para ele querer vingança.
Natsuls manteve seu olhar frio, mas um sorriso torto brincou em seus lábios.
— Drwes, você sempre foi ingênuo. A verdade é mais complexa do que você imagina. Não sou responsável por todas as desgraças que acontecem com as pessoas. — Ele ergueu uma sobrancelha, desafiador. — Você realmente acha que sou capaz de controlar todos os eventos em uma vida mundana?
A tensão no ar aumentou enquanto eu ponderava sobre as palavras de Natsuls, sentindo-me dividido entre a desconfiança e a necessidade de compreender a intricada teia de acontecimentos que se desenrolava diante de mim.
Spike se aproximou, sua expressão séria.
— Pare de intimidar, Natsuls — Spike disse e ficou ao lado olhando desafiador para Natsuls que simplesmente riu.
Notei a aura de raiva expandir do corpo de Natsuls que estava na cara que não iria fazer nada para disfarçar isso.
— Você não tem direito ao dizer meu nome, mas vou perdoar porque é o companheiro do meu irmãozinho — Ele sorriu de maneira sinistra. — eu sou um ser benevolente.
Colocou a mão em cima do meu ombro e olhei para sua direção irritado.
— Meu nome não é Drwes — Falei olhando para sua direção desafiador. — Sabe muito bem que esse nome não é mais o meu. Me chamo Levi.
Natsuls apenas deu de ombros e voltou para o monstro caído morto e o cutucou novamente.
— Pobre espírito, sendo enganado para fazer parte de um experimento e se tornar essa coisa horrorosa — Ciel disse e olhei para sua direção espantado. — Ele foi um experimento.
Ciel continuou explicando enquanto observávamos o corpo inerte da criatura.
— O espírito que estava aprisionado nesse corpo foi manipulado por magia negra para se transformar nessa aberração. Provavelmente foi usado como uma espécie de cobaia de forma cruel e desumana. — Ciel disse, balançando a cabeça com desaprovação. — Ele é um dos muitos espíritos que ficaram desse jeito e podem acabar com o Rei.
Spike olhou para Natsuls com olhos penetrantes.
— Você está envolvido nisso, não está? — perguntou Spike, com sua voz grave.
Natsuls apenas sorriu enigmaticamente, sem dar uma resposta direta.
— Uma coisa dessas nunca iria me causar mal, e o criador delas deveria saber muito bem disso, mas só quer fazer uma vingança sem sentido — Ele disse e fez um descaso com a mão quando seu corpo começou a se desfazer.
Novamente isso me irritou. Ele não poderia ao menos uma vez demonstrar benevolência com alguma coisa. Isso me deu uma risada amarga por dentro, afinal, o mesmo nunca demonstrou isso nem com seus irmãos, e olha o que isso fez com cada um.
— Bem, como era de se esperar do grande Natsuls, sempre sendo um sábio tirano — Murmurei com desgosto.
Enquanto isso, minha avó se aproximou do corpo da criatura e começou a analisar detalhadamente.
— Essa é uma magia muito sombria. Precisamos tomar cuidado. — Ela alertou, levantando o olhar para todos nós.
Fiquei ali, absorvendo as informações e tentando processar tudo o que Natsuls havia revelado. A conexão entre o experimento com o espírito aprisionado e o desejo de vingança do descendente da criança que salvei séculos atrás começou a se formar em minha mente. Sabia que teríamos muitos desafios pela frente.
Natsuls olhou para ela com calma.
— Eu sei dos riscos que ficam ao meu redor, titania — Ele disse, e seus olhos estavam indiferentes como sempre foram. — Por essa questão, estou aqui para levar meu irmão de volta.
— De volta para onde? — Spike perguntou.
— Para o reino dos espíritos, para a floresta dos espíritos — Natsuls disse.
Meus joelhos falharam. Não, ele queria me levar de volta depois de todo esse tempo que até havia me esquecido de quem eu era naquele lugar.
— O quê? — Spike disse em descrença.
Ele falou devagar, como se fosse, de fato, tão burro quanto qualquer criatura por fala para repetir mais uma vez:
— Levarei meu irmão de volta para o reino dos espíritos, para a floresta dos espíritos, onde o mesmo deverá abrir mão do reino humano.
O choque e a incredulidade se espalharam entre nós. A ideia de voltar para o reino dos espíritos era algo que eu nunca havia considerado. Minha vida e minhas experiências como humano tinham se tornado tão entrelaçadas que a perspectiva de deixar tudo isso para trás era esmagadora.
— Você está louco, Natsuls! — Spike exclamou, sua voz ressoando com indignação.
Minha avó levantou a mão para acalmá-lo, mas eu estava sem palavras. Olhei para Natsuls, tentando entender suas intenções. Ele permanecia imperturbável, como se a simples ideia de questionamento não tivesse valor para ele ou muito menos alguém iria fazer questão de questioná-lo.
— Por quê? — perguntei, finalmente recuperando minha voz. — Por que agora? Por que me levar de volta?
Natsuls deu de ombros, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
— O equilíbrio do reino espiritual está ameaçado. A ascensão do Deus do Caos trouxe instabilidade. Precisamos do poder da linhagem da nossa família para enfrentar essa ameaça e proteger nosso lar.
Spike resmungou, claramente insatisfeito com a explicação.
— E você acha que Levi vai simplesmente concordar em abandonar tudo? — ele retrucou.
Natsuls sorriu, mas era um sorriso frio e desprovido de qualquer calor humano.
— Não é uma questão de concordar. Ele não tem escolha. O destino dele está entrelaçado com o reino espiritual por toda sua vida — Apontou para mim. — Pode estar com essa aparência e com essa casca mundana, mas será por toda sua existência uma raposa espiritual e ainda será meu irmão, sempre sendo meu súdito.
Eu senti uma onda de raiva e resistência crescendo dentro de mim. Essa imposição de destino e a aparente falta de livre arbítrio eram inaceitáveis para mim, eu o seguia totalmente sem questionar só por ser seu irmão e no final o que ele me dava era indiferença.
— Eu não vou abrir mão da minha vida aqui. — Declarei, firme. — Não vou voltar para ser uma peça nos seus jogos e planos. Você escolheu trilhar inúmeras decisões e fez inimigos, o que acontece no reino dos espíritos não me diz respeito. — Seus olhos brilharam perigosamente. — Nada naquele lugar serve para mim.
Natsuls ergueu as sobrancelhas, como se esperasse essa reação.
— Você pode resistir o quanto quiser, Levi. Mas, no final, o reino espiritual sempre reclama seus filhos. E você é um deles.
A tensão no ar era palpável. Spike e minha avó trocaram olhares preocupados, enquanto eu encarava meu irmão com determinação.
— Não sou propriedade de nenhum reino, Natsuls. Nem do reino humano, nem do espiritual. Eu sou meu próprio ser, e não vou me curvar às suas vontades ou a qualquer destino predestinado que você queira impor. — Declarei com firmeza.
Natsuls suspirou, como se estivesse lidando com um capricho infantil.
— Levi, você não compreende. O equilíbrio está ameaçado, e precisamos de todos os recursos disponíveis para enfrentar o caos que se aproxima. Se recusar a cumprir seu papel só trará consequências desastrosas.
— E quem disse que eu me importo com o equilíbrio do reino espiritual? — Rebati, sentindo a irritação crescer dentro de mim. — Posso não ter escolhido virar mundano, mas estou escolhendo viver no mundo humano, com as pessoas que amo. Não vou abrir mão disso por causa de seus jogos de poder.
Natsuls cruzou os braços, analisando-me com olhos frios.
— Você se tornou teimoso. Mas não subestime o que está em jogo. O reino espiritual é mais do que sua compreensão limitada pode abarcar.
Spike interveio, expressando sua preocupação.
— Natsuls, você está pedindo demais. Não podemos simplesmente aceitar que Levi seja arrancado de sua vida aqui. Há outras maneiras de enfrentar as ameaças que se apresentam.
Natsuls manteve sua postura autoritária.
— Não estou pedindo, estou determinando. E não há alternativas que se comparem à necessidade de ter Levi de volta ao reino espiritual.
A tensão continuava a crescer, e a decisão que estava diante de nós parecia ser mais do que uma simples escolha. Era uma encruzilhada que determinaria o curso do meu destino. Eu sabia que a batalha estava apenas começando, e eu estava disposto a lutar por minha liberdade e pela vida que construí no mundo humano.
Natsuls sorriu, e uma luz intensa brilhou em seus olhos, causando-me um certo pavor.
— Posso contar um segredo: Esta casca tem um irmão que escondi todos esses anos na floresta, esperando pelo momento certo para ter um súdito perfeito para aqueles que ousarem desobedecer novamente sem nunca ousar me trair — Ele disse, e instantaneamente, eu congelei diante da revelação. — Ele está envelhecendo lentamente porque a alma do bebê mundano não desistiu de viver. Se a floresta morrer, talvez finalmente consiga matar tanto o corpo quanto a alma dele.
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Gostaram?
Até a próxima 😘
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