Capítulo - 4
Luce caminha para dentro da loja como se estivesse aprendendo seus primeiros passos.
Ela não é uma pessoa muito boa para disfarces. Aliás, não sei nem como a deixei ir até lá. Na verdade, sei sim, ela foi porque eu não irei falar com ele. Ficarei aqui escondida olhando e escutando meu coração bater cada vez mais rápido com cada passo dela.
— Oi Da... Digo Dan, você tem cara de Dan. — Luce diz para David e eu juro que quero estrangulá-la! — O que você quer com a... Digo com a oficina?
Ele a olha um pouco desconfiado e com isso eu sinto como se meu coração fosse sair pela boca.
— Então, queria que fizesse uma revisão no meu carro. Meu amigo disse que aqui é um ótimo lugar.
— Vou chamar minha irmã. — Luce diz sem nem pensar.
Ela volta toda sorridente e saltitante. Eu juro que vou quebrar a cara dela!
— Você viu? Ele não é um stalker, só fazemos um ótimo trabalho!
Dou-lhe um tapa em seu braço que até a minha mão doeu.
— Eu não vou lá, quem vai enquanto fico aqui quietinha é você. — Digo a ela cruzando os braços em sinal de protesto.
— Primeiro AI. Segundo larga de ser trouxa e vai logo. — Ela diz apontando para a porta e eleva um pouco o som de sua voz, isso me deixa mais nervosa, mas não recuo em minha decisão.
— Não vou. — Falo e entrego a banana.
Luce coloca sua banana em cima da cômoda e começa a me empurrar. Tento segurar no móvel, mas é em vão. Minha irmã consegue me jogar para fora da garagem e eu tenho certeza que David me ouviu gritando "não", pois eu rapidamente viro o foco do olhar dele.
— Oi. — Falo e suspiro fortemente.
— Luna? — Pergunta ele incrédulo.
— Não, minha vó. Que clichê! Anda logo, Luna. — Sussurra Luce enquanto me empurra porta adentro.
Caminho até o balcão tentando manter a calma, mostrar que está tudo bem e que minha crise nervosa não está prestes a aumentar.
— Você pode colocar o carro ali, por favor. — Peço enquanto indico o local em que o carro deve ser colocado.
Ele me olha confuso e eu continuo fingindo que está tudo bem. Mas se ele tirar os meus sapatos vai ter a certeza de que estou bem nervosa, pois meus pés estão melados de suor.
— Só isso? Nós nos reencontramos e você diz isso? — Pergunta David indignado com minha postura. Afinal o que ele quer? Que me derreta em seus braços?
— Você veio aqui pelos meus serviços não foi? Se for traga o carro aqui, por favor.
Ficamos parados nos encarando durante alguns segundos até ele finalmente sair.
Espero que ele tenha saído para pegar o carro. Luce sai da garagem e consigo a escutar bufando.
— Até nessas horas você é assim Luna?
— Não fui eu quem disse "você tem cara de Dan". Até nessas horas você é tímida né, Luce? — Assim que termino de dizer ela mostra a língua para mim. Às vezes somos muito infantis.
Eu estou em pânico por dentro. Não sei ao certo se David foi buscar o carro ou não e isso está me deixando completamente irada. Minha irmã se sentou em uma cadeira e pela sua cara está na expectativa que ele volte e eu não irei mentir, também estou.
Depois de todo esse conflito, surge um carro branco e estaciona, dentro dele está David e isso me trás um grande alívio.
— Pronto aqui está o carro — Diz David após estacionar no local indicado.
Ele saí de seu carro e assim que fecha a porta vou até ele.
— Bom pode demorar um pouco a revisão. Então, tem como voltar três ou quatro horas da tarde?
— Tem como você sair para almoçar comigo enquanto fazem a revisão?
— Acho que quem vai fazer a revisão sou eu. — O respondo de imediato sem nem pensar se aceitaria ou não sua proposta. Mas preciso confessar que ela é um pouco convidativa.
Ele faz uma cara de desânimo e eu só queria rir, sei lá, sei que não é o momento para isso, mas só acho essa situação engraçada demais. Em momentos de extrema tensão eu só consigo rir, mas me seguro para não fazê-lo ficar envergonhado.
— Na verdade, eu irei fazer a revisão! — Diz Luce do balcão.
Olho para trás rapidamente e digo a ela sussurrando esperando que ela leia meus lábios:
— Luce, fica na sua.
Ela se levanta e vem até mim.
— Nós já voltamos — Diz Luce para David.
Ela pega meu braço e me leva novamente para a garagem.
— Pare de ser ignorante e vai. Eu faço a revisão e não tente dizer não. Sei que está louca para ir.
— Luce, eu não...
— Sei que alguns de seus relacionamentos não deram certo, também sei que teve um que te machucou muito, mas estamos no presente e sua hora de sair dessa é agora. Por favor, por mim. — Ela termina de dizer praticamente me implorando.
Respiro bem fundo, me viro e vou ao banheiro e a deixo sem resposta. Troco-me rapidamente. Acho que quero isso, essa adrenalina de conhecer alguém e depois se encontrar é absurdamente estranha e ao mesmo tempo fantástica.
Assim que termino de me arrumar, pego meu capacete e o coloco, em seguida retiro minha moto da garagem e a levo para frente da loja.
No momento em que David me vê com minha moto ele sorri um sorriso extremamente lindo. Ele vem em minha direção bem bobão e agora eu consigo reparar melhor nele. Está com uma calça jeans e blusa moletom cinza e está bem descontraído. Acho que ele não esperava encontrar alguém importante hoje – como se eu fosse importante. E eu estou como sempre, calça preta, blusa preta, jaqueta e bota.
— Percebo que aceitou o convite. — Ele diz sorrindo maliciosamente, gosto disso. — Pelo visto também vamos de moto, mas achei que iríamos a um lugar perto.
— Bom, não vou sair do meu serviço, deixar minha irmã trabalhar sozinha para ir a um lugar aqui perto. — Falo e o ofereço o capacete para que vista.
— Gosto do seu jeito. — Diz colocando o capacete.
Dou uma risada, mas saí um pouco abafada por causa do capacete.
— Vai ficar só me olhando ou vai subir? — Pergunto e rapidamente ele senta na garupa.
Sinto seus braços rodearem minha cintura e acabo deixando escapar um leve sorriso, mas logo ele desaparece assim que lembro que é apenas uma saída e que eu não posso me entregar assim.
Quando saímos do lugar, olho no retrovisor e vejo Luce sorrindo e pelo seu olhar implora para eu não estragar esse momento. De alguma forma o que vi me cativou e acabo sedento a outro sorriso.
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