3 - Temos o Mesmo Sangue, Certo?

Abigail acorda, completamente exausta sem se lembrar de como foi parar em sua cama. Ela vai até a janela de seu quarto, a abre e o sol tapeia seu rosto fazendo com que seus olhos semicerrem com a claridade.

Boceja esticando seus braços para cima e ficando nas pontas dos pés. Suspira indo até a sala e coçando a bunda assim que passa pela porta, porém sente algo estranho em sua cama, pois se lembra que Mila havia descoberto de sua irmã e não se lembra de ter brigado com ela antes de dormir, e principalmente por sua filha não está assistindo TV comendo um de seus cereais preferidos pela manhã.

Abigail em passos lentos vai até o quarto de sua filha, assim que abre a porta nota que o quarto está do mesmo jeito que foi deixado ontem e sua filha não se encontra. Ela olha para sua roupa e percebe que ainda está com o vestido dourado de ontem, sua mente ainda está uma bagunça e seu corpo completamente sonolento, nesse momento ela se desespera.

— Mila?! — Grita enquanto começa a procurar sua filha pela casa. — Camila, pelo amor de Deus... Pope?! — Continua desesperadamente a procurá-la até ver que não adianta, sua filha não estava ali.

A garganta da mulher começa a doer, o choro está engasgado, corre para fora da casa e sua cabeça dói, como se estivesse completamente de ressaca.

— Camila? — Sussurra por não ter mais fôlego para gritar. — O que aconteceu ontem?... — Repete várias vezes para si mesma até que sua pressão abaixa e tudo fica escuro.

— Ela está acordando. — Uma voz feminina diz.

Lentamente Abigail vai abrindo os olhos, seu braço dói pela queda repentina e avista o segurança de seu condomínio a olhando com seus olhos pretos e arregalados.

— A senhorita está bem? — Pergunta o segurança à mulher deitada em seu próprio sofá.

— Sim, estou e preciso que vocês vão embora. — Pede Abigail se levantando rapidamente e cabeleando.

— Você não está bem, onde está a Mila? — Abigail nota ser sua vizinha Daya.

— Ela está dormindo, bebemos muito ontem, foi isso. — Explica Abigail tentando transparecer calma.

A loira e o segurança acabam cedendo a afirmação de Abigail e não questionam já que ela realmente parece estar de ressaca, eles se despedem e pedem para que ela se cuide. Rapidamente Abigail tranca a porta e volta ao sofá com os olhos completamente inchados e as lágrimas descendo desesperadamente, ela se lembrou do que ocorreu, Mila corre perigo e ela espera que ela não esteja morta nesse momento.

Depois de chorar bastante e conseguir voltar a ter controle de seus atos, ela calça o primeiro sapato que encontra, uma sapatilha rosa choque, pega seu óculos escuro e um blazer bege, com certeza se vissem seu estado iria parar nas manchetes como o pior look do ano.

Pega seu telefone e liga para o homem que ela falou antes de tudo ocorrer.

— O que foi dessa vez? — O homem pergunta grosso ao telefone.

— Não me venha com esse sarcasmo estúpido, onde posso te encontrar?

— E por que eu iria querer te ver depois de tanto tempo?

— Porque Camila foi pega e a culpa é toda sua e de sua filha estúpida.

As palavras ecoam na cabeça do homem e por alguns segundos ele não consegue se mover de onde se encontra.

— Onde eu posso te encontrar caralho?! — Grita Abigail no telefone despertando o homem do transe.

— Não estou em Los Angeles, estou em Melvim... — Começa a dizer sem se equivocar.

— Só me diga onde devo achá-lo e eu irei. — Interrompe Abigail.

A viagem foi bem cansativa e atrativa do medo, mas tudo ocorreu bem e sem atrair qualquer atenção.

Abigail estaciona seu carro na rua que nunca imaginou que voltaria, seu coração está acelerado e suando um pouco. Usando um lenço na cabeça e um óculos escuro ela vai em direção a porta da casa, uma varanda bonita com algumas flores e pintada de azul. Ela olha para o lado e se lembra de sua infância, era na casa ao lado que ela morava.

Consegue visualizar saindo da porta e chamando pelo pai, ele abrindo os braços para recebê-la e os dois dando um abraço tão apertado que ela sente até hoje, foi a última vez que ela realmente viu um amor verdadeiro vindo de seu pai.

Toca a campainha e se lembra de quando entrou nesta casa pela primeira vez, ela era tão inocente, mal sabia o que a esperava.

A porta se abre e desvenda um homem alto, de pele retinta com cabelos e barba um pouco grisalha, ele está usando gravata, camiseta, calça jeans e um sobretudo preto, ele dá espaço para que Abigail adentre e ela rapidamente se vê dentro da casa.

— Quanto tempo. — Abigail diz ao homem.

— Sim, muito, faz quanto tempo mesmo...

— Vinte anos, te vi no enterro da Meggie. — Relembra Abigail com pesar. — Na verdade você não me viu lá, eu sinto muito Brown.

— Obrigado.

Meggie era a melhor amiga de Abigail, eram tão inseparáveis e formavam uma grande dupla de jovens assassinas, Abigail era a melhor das duas, mesmo não querendo seguir o rumo de sua família, foi obrigada a isso por não ter escolha. Meggie, diferente de sua amiga, teve a chance de escolher, já Abigail só teve uma única chance e agarrou, o passado da mãe de Milla Pope é mais sombrio do que sua filha imaginava.

— Rick deve estar chegando. — Fala Brown. — Pode se sentar. — Estende o braço para o sofá a frente a TV.

Abigail sorri e se senta no sofá retirando o lenço e o óculos escuro, Brown se senta na poltrona ao lado. Ela nota uma roupinha de bebê em cima da mesa de centro e ele não deixa de notar seu olhar confuso.

— É da minha neta. — Responde a pergunta interna de Abigail.

— Nossa, parabéns, seu filho mais velho se casou?

— Na verdade, a mais nova engravidou.

— Desculpa a pergunta, mas com quantos anos?

— Dezessete, mesma idade que você teve as suas.

— Sua. — Corrige Abigail.

— Sim, claro, sua. — Ele engole seco e se move desconfortável. — E como aconteceu? O sequestro...

— Eu me lembro de pouca coisa. — Começa Abigail. — Eu e Mila andamos em carros diferentes, a gente não estava se dando bem a um tempo...Enfim, o motorista que estava em meu carro parou com ele em um sinal, alguns caras entraram rapidamente e depois disso não me lembro.

— Foi bem traumatizante no dia seguinte, imagino.

— Sim...

A porta se abre e um homem alto adentra a sala, com uma fisionomia um tanto jovem, porém pelas rugas nota-se a idade, cabelo loiro e de olhos assim como o de Abigail, castanho escuro. Ele tentou não sorrir ao ver a mulher sentada, porém solta um sorriso mínimo em seus lábios, fazia anos que ele não a via, faz anos que ele tem sentimentos guardados por ela.

— Olá Rick. — Abigail diz ao homem.

Abigail se levanta quando outra pessoa aparece atrás dele, por alguns segundos ela se esqueceu que a mulher que adentrou não é sua filha Mila e sim a outra metade da qual ela deixou para trás, engole seco por ver como ela é idêntica a sua filha, obviamente ela deveria ser por se tratar de uma gêmea, mas Abigail não consegue digerir bem.

Sua filha abandonada emite um ar mais sombrio, usando roupas mais escuras, os cabelos ondulados, pois diferente de Mila, ela não fez progressiva ou qualquer outro procedimento para ter os cabelos lisos. Nos lábios carrega batom vermelho e lápis pretos nos olhos, jaqueta preta e talvez se assemelhe a sua mãe na adolescência.

— Bom, já que estamos todos aqui, eu quero saber onde encontrar minha filha.

— Talvez encontremos o corpo dela.

— Victória! — Repreende seu pai.

— Por acaso eu menti?

Rick sabe que não, por isso não emite nenhum som, já Abigail está prestes a ter um infarto.

— Quem sequestrou a minha filha?

— Leroy McDean. — Responde Rick.

— Então vamos atrás dele, estou enferrujada, mas quando eu ver a cara dele...

— Não é tão fácil quanto você imagina e você tá bem velha pra isso. — Victória rebate.

— Velha? Ela sabe quem eu sou? — Pergunta Abigail indignada a Rick.

— Ela sabe e tem razão, se pudéssemos já havíamos atacado a muito tempo, porém é mais do que já enfrentamos. — Brown afirma se levantando.

— Então me expliquem, quem é ele? Mas antes quero saber o por que sua filha foi em uma boate fingindo ser a minha Mila?

Todos olham para a Vic.

— Eu estava estressada, nunca havia falhado em uma missão antes, eu posso ter errado, mas quem errou de ter transado e ter tido gêmeas e as terem separado é de vocês, não é minha culpa. — Vic joga as palavras deixando Abigail e Rick completamente sem jeito. — Mas enfim, Oliver Norman, meu maravilhoso pseudônimo, foi contratado para matar Leroy McDean, presidente da agência de espiões dos Estados Unidos. — Abigail engole seco.

— O cara que contratou estava tão desesperado que pagou uma quantia enorme de dinheiro só de entrada. — Começa Rick. — Pelo o que ele explicou, Leroy é um viciado em jogos de azar, porém é um vencedor nato contendo vários inimigos e claro devedores.

— Não vamos esquecer de mencionar o estupro, os abusivos e os assassinatos de algumas de suas vitimas de estupro. — Vic menciona.

— Na delegacia a ficha dele é limpíssima, ele tem vários aliados. — Brown completa.

— Por ele ser tão importante e tão procurado, ele sempre se certifica de estar sempre muito bem acompanhado de capangas. — Continua Rick. — Nós estudamos por meses todos os seus passos e descobrimos que sempre que está em Los Angeles ele fica sozinho em sua casa de praia, não totalmente desprotegido, mas um número menor de caras. Enquanto ele estivesse indo nadar, Vic atiraria e depois fugiria, porém tudo saiu do controle, pois não imaginávamos que ele havia aumentado sua segurança.

— Ele descobriu que minha próxima mira era ele, então ele aumentou a segurança em todos os lugares e eu acabei sendo vista. Tentei matar quem me viu, consegui, mas começaram a aparecer mais onde eu estava, consegui me livrar de alguns, mas eram muitos e um deles conseguiu retirar o capuz, não tinha como eu vencer tanta gente sozinha então eu fugi.

— E obviamente te reconheceram por causa da Mila. — Completa Abigail e senta abismada.

— Eu fiquei frustrada, por isso eu bebi muito e acabei indo a uma festa e fingir ser a garota pra ganhar bebida de graça, achei que era uma boate comum como as outras e você iria dar um jeito de encobrir.

Abigail fica completamente nervosa, passa a mão na cabeça e seus olhos se enchem de lágrimas, tudo de ruim está passando por sua cabeça no momento. "Minha filha está morta", pensou.

— Não achamos nada sobre ela ainda, estamos tentando nosso máximo, mas até então... — Brown começa a falar, mas é interrompido.

— Ela pode estar morta e tudo por culpa dessa dissimulada! — Se levanta gritando com Victoria.

— Não foi nada ofensivo, afinal temos o mesmo sangue, certo? — Revida Vic cruzando os braços e sorrindo cinicamente para a mãe.

— Ela é igualzinha a você Rick, toda cheia de si e não se importa nenhum pouco com a situação.

— Tem certeza que se parece comigo? — Abigail arregala os olhos em como Rick revida sua fala, ele está certo, sua filha pode não ter crescido com ela, mas as atitudes não mentem o parentesco.

— Vamos pra central acabar logo com isso. — Vic diz indo em direção a porta e saindo.

E vamo de conhecer o outro lado da moeda das gêmeas? hihihi

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