40 - Amor
— Quer mesmo dormir? — Gar perguntou ao entrar no quarto.
— Não devia estar bravo comigo?
Beatrice se elevava nas pontas dos pés diante do espelho, contorcendo-se em prol de visualizar as costas, curiosa em saber se as novas asas deixavam marcas. Gar beijou o pescoço dela e correu vagarosamente os nós dos dedos em sua coluna, mirando-a através do espelho emoldurado de talha de madeira dourada.
— Por causa do bastão?
— Pelo que mais?
— Temos de partilhar nossas coisas e vida, não é?
— Podemos amar de verdade, Gar? O que sentimos é amor?
Não conseguia ver. Se tivesse cicatrizes estaria sobre as omoplatas.
— Você mesma mencionou Samyaza, lembra? O amor os derrubou. Quando se apaixonaram pelas humanas, ou ensinaram tudo o que sabiam aos homens; plantar; colher; confeccionar ferramentas e armas; a astronomia; a ciência. Não foi por isso que caíram? E educar aos homens não era sinônimo de amor? Está no Livro de Enoque. Não foi amor o que motivou seu pai oferecer o fruto para Eva e Adão? Para libertá-los? Ensiná-los? Mostrar a verdade?
Beijou as costas dela.
— Não amou Olin? Ou Bel? — Roçou o nariz, sedutor e beijou o ombro. — Não fica nenhuma marca. Tenho asas também.
— E por que vamos destruir o mundo?
Se desvencilhou dele. Dobrou-se sobre uma de suas malas empilhadas ao lado da cabeceira da cama de casal, e após encontrar, vestiu o corset preto com mangas bufantes e translucidas.
— Porque o velho precisa morrer para que o novo possa surgir. Não é o que acontece conosco? Nossos pais estão adormecendo, não estão?
— Tem consciência de todo o conhecimento do seu pai através de sua essência?
— Tenho.
— Por que eu ainda não?
— Porque acabou de despertar. Levará algum tempo até assimilar tudo, o conhecimento ser transmitido, o inconsciente tornar-se consciente. Enlouqueceria se ocorresse de uma vez, seu cérebro não suportaria. Quer passear comigo?
— Preciso voltar para Santa Fé. — Tombou a cabeça para o lado, permitindo-o beijar seu pescoço ao envolvê-la outra vez. — Gar, como conseguiu entrar na Mansão Nigba?
— Masda é meu cartão de acesso. Imagino que esteja confusa a respeito disso, apesar de não saber o que conversou com Samael. Eu e Andras não sabíamos que tinham interesse no seu colar e nem que sabiam de quem era filha quando te levamos à Mansão. A bebida que te entreguei foi previamente escolhida, para revelar seus segredos. Disso eu sabia, pois Pietro é um problema, até para nós.
— Pietro é só um lobisomem como qualquer outro.
— Não, Bia, não é. A mãe dele era lobisomem, o pai é Azazel. E quando comentou sobre Samyaza logo concluí que soubesse disso. Não precisamos mais mentir entre nós, somos a Trindade. É minha namorada. Ajudou Pietro, não foi? Fez parte da chacina.
— Isso não interessa, Gar.
— Pietro é um monstro, Bia.
— E nós não somos?
— Não somos aberrações. — Acariciou a bochecha dela com a ponta do nariz. — Venha. Vamos dar uma volta de carro, encontrar algum bar no centro da cidade, ver gente diferente. Não suporto mais o tédio e é bom que enxergue o mundo com seus novos olhos.
— Novos olhos?
— Sua essência despertou. Verá tudo como nunca viu antes. Vamos, será divertido. Prometo.
Animada pela novidade, acompanhou Gar.
Ayla estava silenciosa, sentada sobre a poltrona confortável ao lado da janela, sem dar qualquer atenção ao filme que passava na televisão. Não, a anja não tinha de estar ali e estava em grande desvantagem para atacá-los. E o contrário também era válido. Não devia temê-los? Como conseguia ficar passiva entre seus inimigos? Com a consciência angelical desperta devia saber o caos e desordem os quais pulsavam no âmago deles e motivavam aos três soberanos infernais. Pensava nisso enquanto fitava ao nada? Pois, embora Beatrice desconfiasse dos dois, mantinham um contrato, estava entre os seus, apesar de não ser sinônimo de segurança. Ayla estava deslocada e indubitavelmente em perigo.
— Pode me emprestar seu carro, Andras?
— Vão passear? — perguntou o supremo infernal.
— Sim, eu e Bia precisamos de um pouco de diversão.
— Claro. — Andras jogou a chave.
— Vão sair? Com Levi à espreita? — perguntou Ayla, desconfiada.
— Vamos ao centro da cidade, beber algo no bar e retornamos. Não vamos demorar.
Saul se prontificou a acompanhá-la.
— Fique, Saul — disse Gar. — Quero ter uma noite inesquecível com Bia.
Ousou pensar ser o momento um grande marco de sua vida durante o curto trecho escuro da rodovia. Gar dirigia, silencioso. E o clarão no retrovisor captou sua atenção. Constatou se tratar de faróis de um carro no topo de um morro, à distância, atrás deles. Ficaram visíveis por algum momento e em seguida desapareceram na escuridão, como se tivessem sido arrebatados. Depois de algum tempo reapareceram no topo de outro morro e tornaram a desaparecer. Beatrice acompanhou seus aparecimentos e desaparecimentos por um longo período, pois necessitava sentir ou intuir por onde começar.
Saber de sua hereditariedade e função dava certa felicidade, no entanto, ser uma Sobrenatural também a inquietava. Tratava-se do mais profundo do Submundo ou do Tártaro como gostava de chamar e não conhecia bem as regras. Cada fase assimilava-se como limiares e estava bem defronte de um. Novo, imprevisível e desafiador.
E estava animada com o novo, como o homem sorridente o qual viu tão logo adentraram a cidade, preso ao telefone, caminhando de um lado a outro e gesticulando na frente da estação de trem, indiferente aos automóveis os quais se enfileiravam na avenida por imposição do semáforo. Também considerava a alegria de se aperfeiçoar em seus novos poderes para se vingar da morte de Olin e enfrentar os Nigba. Por ela. Por Pietro.
Ao se distanciar de Gar e Andras poderia encontrar seus aliados, saber mais sobre si, continuar com os compromissos iniciados por seu pai. E Gar massageou a bochecha dela e encaixou a mão em sua nuca, puxando-a para perto de si a fim de beijá-la. E o beijo tão doce quanto o mel do qual os olhos lânguidos roubaram a cor, tirou da desordem do modernismo da cidade grande a atenção de Beatrice.
— Não precisamos nos distanciar um do outro, amor — Gar disse com voz manhosa.
— Não, não precisamos — Bia concordou. E voltou a observar os transeuntes sob os toldos dos comércios fechados. — Mas, eu quero. Necessito ficar sozinha para lidar com minha própria vida e solucionar as confusões nas quais me meti. E quero ver Nik e contar a ele a verdade sobre mim. Quero me encontrar com Bel e dar a ela a chance de se explicar. É estranho, entretanto tudo e nada mudou. Conhece bem essa cidade?
— Já me hospedei aqui algumas vezes. Você também a visitará com frequência. É uma cidade tão importante para nós quanto Santa Fé.
— Por quê?
— É governada por um dos nossos. Podemos ser quem somos nessa cidade. Receber informações sobre tudo e todos. Por isso viemos. Precisamos saber por que Levi está te perseguindo. Contudo, não podemos nos demorar, porque ele também conhece essa cidade.
— E qual é o nome dessa cidade?
— Pergamino.
Gar estacionou o carro atrás de uma caçamba de lixo num beco mal iluminado e sujo. Mendigos esquentavam as mãos no fogo dentro de latas de alumínio. Homens se aventuravam com prostitutas em estreitas vielas entre os prédios, em geral de três andares e antigos.
Ao empurrar a porta larga e vermelha com o puxador horizontal de alumínio no centro, dando a falsa impressão de dividi-la em duas, o bar se mostrou verdadeiro deleite. Não demorou a perceber que somente humanos tinham a tênue luminosidade azul no centro do pescoço. Demônios e mestiços mantinham o hieróglifo do nome no alto da cabeça.
A diferença para os mestiços, filhos de demônios com humanos, era que em lugar do hieróglifo mantinham um signo relacionado a assinatura espiritual do pai, ou o selo pelo qual o invocava. Agiam como uma legião, poucos conscientes dessas decisões. Dois anjos estavam sentados no balcão e como aos demônios, era capaz de saber seus nomes por meio do símbolo, apesar das letras diferentes e escritas com fogo.
Abraçou Gar e por cima do ombro dele o viu se aproximar. O cheiro amadeirado e viril combinava com a sensação transmitida por sua fisionomia tal qual contemplar cavalos correndo selvagens em pradarias. Sobrancelhas grossas e cílios fartos tornavam os olhos negros ainda mais intensos. Abandonou o namorado e meneou a cabeça numa vênia discreta.
— Samael — disse Orobas ao fazer uma vênia cortês.
— Beatrice Faure. — Esticou a mão. — É um prazer te conhecer, Orobas.
— Oliver Ortiz. — Orobas esboçou um sorriso discreto.
Após cumprimentar Oliver, Gar os deixou e trocou algumas palavras com o barman, um mestiço desconfiado. E com o cotovelo apoiado no balcão de madeira, a encarou por um instante enquanto esperava o preparo da bebida, aparentemente interessado no que Beatrice conversava com Oliver. E falavam banalidades, sobre eventos ocorridos na cidade. Oliver não se importava com Santa Fé, na verdade falava da amada cidade de Beatrice com um desprezo evidente. Nenhuma região no mundo era melhor do que Pegarmino na opinião dele e enumerou uma longa lista de locais aos quais devia conhecer.
— Por acaso viu Levi? — perguntou Gar e entregou o coquetel para Beatrice.
— Não o vejo há anos — respondeu Oliver.
— Ele nos afrontou. Declarou-se nosso inimigo. — Gar resumiu o que aconteceu, omitindo a maior parte.
— Enlouqueceu. Só pode ter enlouquecido. — Oliver estava chocado.
— Ou encontrou um aliado à nossa altura.
— E suspeita de alguém?
— Isso está delicioso, Gar. Quero mais. — Bia entregou o copo vazio.
Gar solicitou outro coquetel.
— Não. Mas, Samyaza e Behemoth são nomes interessantes.
— Samy está ocupado na Itália pelo que ouvi. E Behemoth esteve em Santa Fé ano passado, é tudo o que sei.
— Investigue. — Gar passou o braço na cintura de Beatrice. — Vou levar Bia para conhecer o porão.
— Qual seu interesse por Samyaza? — ela perguntou.
— Somente algumas questões pessoais, nada demais. — A beijou. — Venha, tenho certeza de que vai gostar do porão.
Gar pegou a bebida de Beatrice sobre o balcão e ao entregar, a guiou pelo salão apertado pelas mesas dispostas desorganizadamente. Ziguezaguearam para o fundo do bar e outra porta vermelha como a da entrada revelou uma escada estreita. O porão era mais fundo do que Beatrice esperou, a escada em cascata tinha vários lances, a deixando animada e ansiosa para saber o que havia num recinto tão profundo.
Entornou a bebida assim que Gar acendeu as luzes. As paredes vermelhas e a jaula anunciavam a intenção sexual do demônio romântico. A grade de ferro suspensa no teto guardava vários apetrechos, tais como: algemas, chibata, chicote, palmatória, coleira e separador de pernas. Ele a envolveu e beijando-a, disse, autoritário.
— Hoje a submissa é você.
— Achei que tivesse me trazido nesse bar para que eu me divertisse com minha nova visão.
Gar retirou a coleira da mesa de cabeceira ao lado da cama ampla, grande o suficiente para caber cinco pessoas. Ordenou a Bia para se despir. Nua, permitiu o amante colocar a coleira, prendendo-a numa corrente. Sádico, sentia grande prazer em humilhá-la, forçando-a engatinhar de um lado para o outro e a chicoteava quando a dor ou o entorpecimento a espalhar pelo corpo a fazia fraquejar.
Enquanto o demônio a torturava, ora surrando-a, ora enchendo-a de um prazer morno, Oliver surgiu no porão de posse de um baú. Ao ordenar ao invasor para se despir, Beatrice sorriu, satisfeita. Não brincariam sozinhos. E apanhou outra vez, pois o namorado dominador notara o ar de satisfação estampado em sua cara. Com as nádegas ardentes, obedeceu a ordem de ficar de quatro sobre a cama e Gar amarrou a venda sobre os olhos dela.
Os dedos a massagearem a vulva úmida e os tilintares de correntes e apetrechos metálicos criavam uma onda prazerosa de expectativa. Gar a fez deitar de barriga para cima e as algemas envolveram os pulsos e os calcanhares sincronicamente. Oliver ajudava ao namorado tentador, o que a deixava ainda mais excitada. O metal em contato com os pulsos e calcanhares produziam certa coceira e ardência, como se fosse alérgica.
— As algemas e correntes foram feitas pelo Rei Salomão quando decidiu me escravizar para construir seu templo. Machucam muito. Porém, o pior nem é a ardência e dor, e sim como nos enfraquecem, drenam nossa força vital e poder, nos escravizavam por meio desses acessórios. E poder você tem de sobra, não posso deixar que me trapaceie, Bia.
Gar sentou no colo dela e retirou a venda. Oliver estava em pé ao lado da cama, segurava um punhal e uma caixa de madeira. Deslizou a pontinha do nariz no rosto antes de beijá-la com devoção. O namorado tocou seu pescoço com delicadeza, o fecho da corrente se abriu e o colar de seu pai escorregou de seu colo para as mãos dele.
— Está brincando comigo, não é?
— Eu te amo, Bia. E te amarei por toda a eternidade. Ninguém será capaz de tomar seu lugar em meu coração demoníaco.
Oliver ofereceu o diminuto baú de madeira com a tampa aberta onde Gar depositou o colar de Beatrice e tomou o punhal da outra mão.
— Isso doerá um pouco, amor. Mas, é para o seu bem. Ao retirá-lo Andras não poderá te encontrar, até porque estará com esse símbolo nas mãos dele novamente.
Não sabia dizer se Oliver teve ou não instrução prévia, porém a amordaçou. Vários segundos tensos se passaram. Gar a observava, atento, como se fosse uma bactéria no microscópio. Os pensamentos eram confusos e tempestuosos. Sabia o que acontecia, mas não queria acreditar. O torpor se espalhava. Efeito da bebida ou dos grilhões que queimavam e cortavam a pele?
E o corpo saltou involuntário quando a lâmina afiada afundou sob o símbolo que Andras fizera em sua barriga. Contorceu-se, obrigando-o a pressioná-la com violência contra a cama. Meticuloso não parecia desejar arrancar mais pele do que o necessário para se livrar do símbolo. O cheiro de sangue e cabelo queimado misturavam-se ao suor, os gritos dolorosos sufocados pela mordaça, as lágrimas involuntárias. Malditos anjos e sua prata!
Colocou a pele sobre a mesa de cabeceira. Empapada em sangue as costas grudavam no lençol. E fechou os olhos enquanto Gar roçava a face na dela e beijou o rastro úmido deixado pelas lágrimas de dor, desespero e tristeza. Por que não pensou nisso? Por que confiou nos sentimentos, na similaridade física com Olin? No amor dele?
— Sabe por que Oliver está aqui?
Bia sacudiu a cabeça em negativa.
— Porque não consigo te matar, amor. E eu prometi a Andras que faria. Prometi que tomaria seu colar e te mataria. E sabe qual meu erro, Bia?
Chorava, incrédula, infeliz.
— Eu me apaixonei por você de verdade. — A voz de Gar soava terna. — Com toda a minha alma. E nada foi tão difícil em minha vida do que o que estamos fazendo agora, meu amor. E você deve se perguntar sobre o contrato, não é mesmo? Seu pai falou sobre isso. Andras acredita que não precisamos de você. Sua presença, de acordo com Andras, só é necessária se mantém a posse do colar. E nem sei se detesto ou parabenizo Samael por te dar objeto poderoso e valioso como esse, pois se não tivesse posse dele, não te mataria, entretanto também não conheceria a única mulher que fui capaz de amar.
O corpo estava imóvel. Os grilhões embora não a matassem, drenava a força vital, era assim que os anjos os aprisionavam. Ensinaram a Salomão ou aprenderam com ele? Raros, todavia nasciam homens geniais, genuínos, semelhantes ao divino. Todo o resto cópias descerebradas, acreditando ser ouro quando não passavam de pirita. Não conseguia lutar contra Gar e equiparou o momento com uma dor emocional tão ou mais intensa quanto a que sentiu no momento em que soube sobre a morte de Olin. Amor era morrer? Amar era matar? Estava viva, não estava?
— Eu projetei um futuro diferente para nós dois, amor. Mas, se precipitou roubando meu bastão para se encontrar com seu pai e não tive escolha. Assim que tudo explodiu e desapareceu, soube prontamente que tinha tomado meu bastão e Andras me ordenou a pegar seu colar. Nik sabia dos planos de Bel, estava consciente de que te entregaria a Kael e se rendeu as nossas insistentes ofertas de proteção.
Nik a traiu? As correntes balançavam dependuradas nas vigas metálicas do teto, o ruído do bar acima se misturava a algum córrego ou esgoto oculto. A essência de seu pai pulsava em combinação com as batidas do coração, vermelha e vibrante, contudo, como havia a pele como fronteira entre o interior e o exterior, uma força misteriosa vinda das correntes e dos grilhões agia como uma capsula invisível e o poder contido de nada servia para ajudá-la.
— Não, princesa. Nik jamais soube que queríamos seu colar. Entretanto, na última vez em que se encontrou com Bel, ele nos ligou pedindo para intervirmos e te salvei do bruxo. Fizemos com Nik o que fizemos com Ayla. Acreditaram no que dissemos, achavam que corriam perigo e não havia outra opção senão ficar conosco. Logo notará que não há nenhum problema para ele em Santa Fé, desconfiará de nosso sumiço. Procurará por você. Admito, sempre tive certo ciúme da amizade de vocês.
Beijou a testa dela e se levantou.
— Adeus, amor. Preciso entregar esse colar a Andras antes que tope com Levi. Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão e não seria capaz de perdoar Levi se tornasse em vão sua morte, princesa.
Gar assistiu o momento em que Oliver cravou o punhal de Prata dos Anjos no abdômen dela. A luz azul invadiu a mente através dos olhos. A dor era terrível, mas não maior do que aquela à qual carregava na alma. Pela tristeza, pela fraqueza. Queria odiá-lo, todavia não conseguia, porque o amava. Amava Gar. As narinas dilatavam e contraíam. O desespero e o sofrimento a sufocavam. Pensamentos ganharam vozes em sua cabeça, falavam ao mesmo tempo, confundindo-a. Pensava, falava ou ouvia vozes externas?
E Olin, lindo, com seu riso a reverberar nas paredes do obscurecimento, "Dei-te todo o meu sangue, cada gota de suor, a você me dei, extingui, pois somente vivi depois que te conheci." Eu te amo tanto. Te amo... tanto. A confusão, a terrível sensação de afogamento. A morte. E o semblante de Oliver a última coisa a qual viu.
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