ξ𝟬𝟬𝟮. ⏣ Jᴀʀᴅɪᴍ Dᴀ Dᴜᴀʟɪᴅᴀᴅᴇ(🌹)
❝Deixei pra trás
um pequeno fato
Você não pode matar
o que você não criou❞
SLIPKNOT ━━ DUALITY
Áster se encontrava em um mundo que desafiava sua compreensão, imersa em uma paisagem vasta e hipnótica onde luz e sombras se entrelaçavam em uma dança sinuosa. À sua frente, um campo de rosas se estendia, dividido em duas metades que contrastavam de maneira drástica. O ar estava impregnado de um silêncio expectante, como se o próprio universo estivesse congelado no limiar de um segredo.
De um lado, rosas vibrantes em tons de vermelho, amarelo e rosa formavam um tapete vivo que se estendia até onde a vista alcançava, embelezando o horizonte com tons radiantes. As pétalas delicadas balançavam suavemente ao sabor da brisa, criando um espetáculo deslumbrante que parecia pulsar com uma vida própria. O aroma doce dessas flores enchia o ar, envolvendo Áster em uma sensação de pureza e beleza primitiva. O som das pétalas farfalhando ao vento era quase musical, um ritmo sutil que parecia sincronizar-se com as batidas de seu coração.
Do outro, a metade sombria era composta por rosas em tons de roxo profundo, marrom terroso e preto, cujas cores intensas contrastavam fortemente com as áreas sombreadas que pareciam engolir a luz. Era um cenário ao mesmo tempo majestoso e perturbador, como se a própria escuridão tivesse sido moldada em forma de flor. A visão dessas rosas sombrias trouxe uma sensação de confusão e inquietação que parecia eclipsar o brilho das flores mais vibrantes.
━━ Onde estou? ━━ Murmurou hesitante, o som da sua voz se misturando ao sussurro do vento entre as flores, como se a natureza tentasse responder à sua pergunta angustiante.
A brisa parecia carregar um eco espectral, um suspiro quase imperceptível que fazia com que as palavras da Áster parecessem ser absorvidas pelo próprio ar.
Atraída pela beleza hipnotizante das flores, não pôde resistir e se aproximou para tocar as pétalas. As rosas sempre a faziam sentir-se viva, mas agora pareciam ser o único refúgio em meio àquele mundo surreal e ameaçador. Ao tocar as flores da metade colorida, notou que estavam envoltas por uma névoa escura e densa, como se uma sombra invisível as estivesse sufocando lentamente. Intrigada e alarmada, examinou as rosas escuras e descobriu que também estavam cobertas pela mesma poeira sombria.
Quando olhou mais de perto para suas mãos, ela se espantou ao notar que estavam se tornando transparentes, como se o próprio ar estivesse absorvendo sua matéria. A angústia tomou conta dela enquanto observava seu corpo desaparecer lentamente nesse mundo onírico, como se cada momento desvanecesse uma parte mais profunda de si mesma. Desesperada, recuou e começou a questionar o que estava acontecendo.
━━ É só um sonho muito ruim... É só um sonho muito ruim. ━━ Repetia entrecortadamente, a voz fraquejando à medida que a realidade parecia se dissolver como vapor nas suas mãos. ━━ Isso só pode ser loucura. ━━ Sussurrou, lutando para manter a sanidade em meio ao caos que a envolvia, enquanto o mundo ao seu redor parecia se desfazer em um abismo de incerteza.
Nesse momento de desespero, uma figura começou a se materializar diante dela como um farol de luz em meio à escuridão, rompendo o véu de confusão que a envolvia. A mulher, incrivelmente semelhante a Áster, vestia um manto que cintilava como estrelas no céu noturno, exalando uma aura de paz e esperança que parecia acalmar a tormenta dentro de Áster. Seus cabelos dourados flutuavam suavemente ao redor do rosto, como se fossem acariciados pela luz do sol, criando um halo de serenidade que iluminava o espaço ao seu redor.
━━ Não é loucura, Áster. ━━ Sua voz era um sussurro reconfortante no ar, um bálsamo para a alma ferida da jovem. O som era quase um abraço, que parecia envolver Áster em uma sensação de segurança e proteção.
Ao fixar suas íris cor de esmeraldas no ser iluminado, Áster sentiu um alívio instantâneo inundar seu ser, como se aquela presença pudesse suavizar a angústia que a esmagava. Sua respiração acalmou, e por um momento, o caos que a envolvia pareceu se dissipar.
━━ Onde estou? O que há com este campo de rosas? Por que estou sumindo? ━━ A voz de Áster estava repleta de desespero e confusão, refletindo o caos que se instalara dentro dela. Cada palavra era uma busca por respostas em um mundo que parecia ter perdido o sentido.
A mulher se aproximou com graça etérea e tomou o rosto de Áster entre suas mãos delicadas, como se fossem uma benção da própria divindade. Seus olhos brilhavam com compreensão e compaixão, um olhar que parecia ver além das palavras e entender os mais íntimos receios de Áster.
━━ Calma, minha doce criança. Você não está sozinha. Vamos por partes. Uma pergunta de cada vez. ━━ Ela se afastou um pouco, permitindo que a jovem respirasse e voltasse a si com a promessa de apoio e guia.
━━ Quem é você? ━━ Indagou Lopes, a confusão ainda estampada em seu rosto enquanto encarava a mulher que parecia um reflexo dela mesma, como se estivesse diante de um espelho que refletia sua própria alma.
━━ Eu sou Lúmina. Sou a luz que reside dentro de você. Este lugar, este campo de rosas, reflete suas emoções mais profundas; ele representa a dualidade de sua alma. ━━ Fez uma pausa, como se estivesse ponderando suas próximas palavras, escolhendo-as com cuidado para não assustar a jovem.
Áster sentiu um tremor implacável dentro de si ao ouvir essas palavras. Seu olhar se tornou um misto de confusão e fascínio, refletindo o turbilhão de sentimentos que a dominavam. Era como se estivesse diante de um segredo que sempre havia estado oculto, esperando para ser descoberto.
━━ Mas por que estou desaparecendo? E por que o campo de rosas está morrendo? Eu não quero sumir ou ver essas flores murcharem ━━ A voz de Áster tremia, cheia de desespero, enquanto a realidade ao seu redor começava a se desvanecer.
━━ Sua alma está fragmentada. ━━ A voz de Lúmina era a mistura perfeita de compaixão e firmeza que parecia tocar o coração da moça.
Aquelas palavras reverberaram dentro dela como uma onda violenta, como se suas próprias crenças estivessem sendo desafiadas pela força de um dilúvio. Seu rosto se contorceu em uma mistura angustiante de confusão e dor, enquanto lutava para compreender ender o que havia acabado de ouvir.
A confusão parecia emaranhar-se em um nó de tristeza e desorientação, dificultando-lhe o fôlego, enquanto as palavras ecoavam em sua mente como um eco persistente, desafiando-a a encarar verdades que até então estavam escondidas.
━━ Como assim, fragmentada? De que baboseira você está falando? ━━ A voz de Áster estava impregnada de dúvida, mas também de uma certa vulnerabilidade.
Lúmina a analisava com um olhar que parecia ver além das palavras, compreendendo a extensão do medo e da confusão que a jovem sentia.
━━ A sobrevivência do seu espírito está em jogo, Áster. Isso não é baboseira. ━━ Sua expressão se tornou ligeiramente triste.
━━ Sua fragmentação é resultado de uma batalha espiritual na qual você tem escolhido ficar de braços cruzados, enquanto definhava aos poucos.
━━ Embora seu tom fosse suave, exala a firmeza necessária naquele momento.
Embora não soubesse exatamente o que estava fazendo ali e como proceder, mas ao menos não estava sozinha. A presença daquele ser de luz parecia oferecer uma base sólida sobre a qual ela poderia se apoiar para enfrentar o abismo de incertezas que a desconcertava.
━━ O que posso fazer para reviver este jardim moribundo e, com ele, minha própria alma? ━━ Áster sussurrou, a pergunta carregada de uma angústia tão profunda que parecia rasgar o tecido da própria realidade.
Seu olhar era um misto de medo e esperança, como se estivesse diante de uma encruzilhada onde cada escolha poderia mudar o curso de sua existência.
━━ Primeiramente precisamos encontrar Nocturna, minha irmã. Ela também faz parte de você, e apenas juntas podemos restaurar o equilíbrio dentro deste mundo. ━━ A voz de Lúmina era como uma porta que se abria para um novo capítulo de sua jornada, uma escolha que poderia mudar o curso de sua vida.
A ideia de confrontar uma parte de si que sempre havia negado fez Áster tremer da cabeça aos pés. A resistência era uma muralha impenetrável, um temor que a impedia de avançar. Seu coração parecia estar disposto a aceitar o desafio, mas seu receio ainda predominava, pairando como uma sombra que não a deixava avançar.
━━ Eu não sei se estou pronta... ━━ A voz de Áster era um fio de seda prestes a se romper, refletindo a tensão entre o desejo de mudança e o medo do desconhecido.
━━ Nocturna não é sua inimiga, mas uma parte essencial de você. Para que este campo floresça novamente, e seu espírito seja restaurado, é necessário reestabelecer o equilíbrio entre luz e sombras nesta dimensão. ━━ Lúmina sorriu, e seu olhar era como um abraço que envolvia Áster em segurança e esperança, como se estivesse prometendo que juntas poderiam superar qualquer obstáculo.
Uma onda de compreensão a envolveu, e ela percebeu que não havia outra saída senão enfrentar suas inseguranças e medos se quisesse restaurar o que restava de seu espírito. Com um profundo suspiro, sentiu-se preenchida por uma nova determinação, como se as palavras de Lúmina tivessem despertado dentro dela uma chama que não queria mais se apagar.
━━ Onde posso encontrá-la? ━━ Indagou Áster, a coragem renovada iluminando seu olhar, como se a promessa de resgate e restauração a tivesse libertado do medo.
Lúmina apontou para o horizonte, para um bosque que se erguia como um monstro sombrio sob o céu azul profundo. A floresta parecia pulsar com uma energia sombria, emanando uma aura de mistério e perigo, como se fosse um portal para um mundo desconhecido.
━━ Além do bosque dos ecos, onde as vozes sussurram segredos esquecidos, e do lago da reflexão, onde a superfície espelha a verdade que você esconde. ━━ A voz de Lúmina ecoou no ar carregada de um significado profundo, como se estivesse mostrando um caminho para Áster enfrentar suas próprias sombras.
━━ Porque eu tenho a impressão de que ela está se escondendo? ━━ Indagou Lopes, a curiosidade misturada à apreensão, como se estivesse diante de um quebra-cabeça que precisava ser resolvido para entender a verdade sobre si mesma.
━━ Ela só está fazendo o que você fez por muito tempo. ━━ Silenciou-se por alguns instantes. ━━ O que me diz, Áster? Está pronta para ir em busca de uma parte de você da qual tem fugido a maior parte da sua vida? ━━ A pergunta era como uma porta que se abria para um novo capítulo de sua jornada, uma escolha que poderia mudar o curso de sua vida.
Uma mescla de ansiedade e temor percorreu o corpo da moça enquanto ela compreendia a profundidade de sua tarefa. O medo do desconhecido ainda persistia, mas agora era acompanhado por uma determinação inabalável, como se tivesse encontrado uma força interior que a impulsionava a enfrentar suas sombras.
━━ Tudo bem, eu vou fazer isso. Posso contar com sua companhia? ━━ A pergunta soou como um pedido de ajuda, mas também uma declaração de gratidão pelo apoio incondicional que lhe era ofertado
━━ Claro que sim. Serei sua guia nessa jornada. ━━ Lúmina sorriu, e sua voz era um abraço que envolvia Áster em segurança e esperança, uma promessa solene que juntas poderiam superar qualquer obstáculo.
E assim, elas começaram a caminhar em direção ao bosque dos ecos, a floresta sombria que se erguia como um prenúncio do que estava por vir. O medo ainda persistia, mas agora era acompanhado por uma determinação inabalável, uma esperança que brilhava como uma estrela no céu escuro. Áster estava finalmente pronta para enfrentar sua própria dualidade, e se for bem-sucedida, se unir às suas duas facetas, e finalmente se tornar uma mulher inteira.
DUALIDADE: O ESPELHO DA ALMA
• Capítulo com 2003 Palavras
• Escrita por Maíra Lima
• Sem Revisão Ortográfica
• Publicado 16 de Outubro de 2024
• Reescrito em 25 de Janeiro de 2025
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