ξ𝟬𝟬𝟲. ⏣ Cᴏɴᴠᴇʀɢᴇ̂ɴᴄɪᴀ ᴅᴀs Sᴏᴍʙʀᴀs (🌹)

❝Talvez possamos, finalmente,
chegar a um acordo sobre
um mesmo ponto de vista❞

GOODBYE ━━ SLIPKNOT

O caminho, que antes era apenas uma trilha na floresta, agora se transformava em uma jornada profunda e reveladora, uma busca pela reconciliação e pela verdade que habitava o interior de Áster. Com cada passo, a tensão era palpável, como se as árvores ao redor respirassem essa urgência.

Finalmente, chegaram a uma clareira iluminada pela luz solar, onde uma majestosa cachoeira despencava, suas águas tão escuras quanto a obsidiana, criando um cenário de contraste poderoso, quase onírico.

Roseiras exuberantes emolduravam a cachoeira, suas rosas de vermelho profundo e roxo intenso, quase negras, parecendo florescer em um halo de mistério sob a luz intensa.

As pétalas, vibrantes e impecáveis, eram um testemunho da beleza que consegue prosperar mesmo nas profundezas da escuridão. Peixes negros, tão escuros que quase pareciam feitos de carvão, deslizavam nas águas turvas, suas escamas reluzentes como estrelas em uma noite sem lua, acrescentando um elemento de encantamento e mistério ao ambiente.

━━ Irmã, chegamos. ━━ A voz de Lúmina ressoou na clareira, carregada de uma expectativa tensa que ecoava como um tambor em seu peito.

A ausência de resposta densa e sufocante, quase opressiva, intensificava o nervosismo de Lopes. Como um fio prestes a se romper, a tensão estava em cada respiração.

━━ Nocturna, não é hora de jogos!
━━ Lúmina tornou a quebrar o silêncio, sua voz agora carregada de uma preocupação crescente.

Aquele silêncio amplificou a apreensão de Áster, um nó de ansiedade se formando em seu estômago. Com um suspiro profundo, em função da vulnerabilidade que a dominava, ela percebeu que deveria tomar a iniciativa.

━━ Nocturna, eu entendo que não queira me ver, mas precisamos conversar. ━━ Sua voz soou firme, embora o leve tremor em suas mãos revelasse a profundidade da sua determinação.

Bastou que Áster se pronunciasse, para que a escuridão começasse a materializar-se diante de seus olhos . A sombra se condensou, tomando forma aos poucos, como se uma entidade estivesse despertando, revelando Nocturna em toda a sua beleza inquietante e misteriosa.

Seus cabelos, negros como a noite mais densa, pareciam dançar em um vento invisível, sussurrando segredos ancestrais a cada movimento. Suas vestes, tão escuras quanto as próprias trevas, eram um mistério em si mesmas. Brilhavam com padrões prateados que se assemelhavam a constelações distantes, como se o universo inteiro estivesse gravado em seu ser.

Os olhos em tons de púrpura, profundos como abismos sem fim, refletiam não apenas uma sabedoria ancestral, mas também o peso de uma dor profunda e uma estranha compaixão que parecia envolver todo o espaço.

━━ Finalmente, você se pronunciou. ━━ A voz de Nocturna era suave, como o sussurro do vento noturno, repleta de uma melancolia que se arrastava através do tempo. ━━ Esperei tanto tempo por este momento. ━━ Cada sílaba ressoava como um lamento, um eco de uma solidão que parecia ter marcado seu ser com cicatrizes invisíveis.

Sua expressão era um estudo de contrastes: um anseio profundo se entrelaçavam com a seriedade, seus lábios curvados em um sorriso tênue, quase imperceptível, que não alcançava seus olhos, revelando um sofrimento contido por eras. 

Porém, era perceptível enxergar naquelas  íris uma fragilidade contraditória a sua imponente presença, como se cada traço carregasse o peso de um passado esquecido e doloroso, que agora se confrontava com o presente.

Áster sentiu o coração acelerar, enquanto ela se aproximava lentamente, a tensão no ar se tornando um toque físico, que amplificava os seus anseios. O ar vibrava com a promessa de uma reconciliação difícil, mas que traria uma cura necessária, embora ainda estivesse indisponível.

━━ Irmã, Áster precisa de sua ajuda. ━━ Lúmina interveio, sua voz firme, mas carregada de uma preocupação genuína, tomando a iniciativa.

━━ A conversa ainda não chegou ao lado iluminado do nosso jardim, querida irmã. ━━ Nocturna respondeu, desviando brevemente sua atenção para a gêmea, sua relutância em se envolver completamente notável. ━━ E você, Áster? O que tem a me dizer? ━━  Seu olhar avaliativo voltou-se para a jovem, sua indagação, trazendo um julgamento implícito.

Lopes sentiu o peso da responsabilidade pressionando seus ombros, o peso de um passado que precisava ser confrontado, uma verdade que precisava ser revelada.  A intensidade naquela íris parecia penetrar sua alma, desafiando-a a confrontar a verdade nua e crua.

━━ Eu... eu sinto muito por tudo o que te fiz. ━━ Áster começou, a voz trêmula, os olhos marejados, enquanto desviava o olhar, incapaz de sustentar contato visual.

━━ Sentir muito não é suficiente.
━━ Rebateu, sua voz ressoando em um tom que cortava como uma lâmina afiada.

A resposta dela foi como um golpe. Virando-se bruscamente, Nocturna se afastou, suas vestes escuras balançando como sombras ao vento. A imagem dela, imponente e distante, se afastando, deixava uma trilha de melancolia. Cada passo que ela dava, doía profundamente na moça, um lembrete do abismo ainda existente entre elas.

Enquanto caminhava pela floresta sagrada, o ser das trevas parecia desejar se perder entre as árvores, seu corpo se tornando uma extensão da essência que a cercava.

O ambiente, antes vibrante e iluminado, agora era uma prisão de dúvidas, e o sol que penetrava as folhas parecia mais tênue, como se a própria natureza lamentasse o que estava se desenrolando. O som da cachoeira tornava-se um sussurro distante, como se estivesse lamentando a conexão rompida.

Sentindo um impulso incontrolável, Aster começou a seguir Nocturna. Mesmo que o medo estivesse corroendo cada partícula de seu espírito, começou a caminhar, seus passos hesitantes, mas determinados.

━━ Nocturna! ━━ Ela a chamou, sua voz carregada de emoção. ━━ Por favor, não vá! Eu imploro! Essa distância só está nos machucando mais!

Cada palavra saía de seus lábios, era uma tentativa  desesperada de alcançar a escuridão, de superar a barreira que havia se estabelecido entre elas. As folhas sob seus pés estalavam, e o ar a sua volta parecia carregar consigo o peso das pendências.

━━ Eu sei que te machuquei, e mesmo que eu não possa mudar o que aconteceu, preciso que me dê uma chance. ━━ A voz de Áster tremia, mas estava repleta de sinceridade.

Enquanto seguia Nocturna, uma onda de determinação crescia dentro dela, um desejo ardente de desfazer os mal-entendidos que as separavam.

A floresta parecia sussurrar, suas árvores torcendo-se levemente ao vento, como se estivessem torcendo por uma reconciliação. A jovem cessou seus passos á medida que figura de Nocturna parou mais à frente, seus longos cabelos dançando suavemente. A esperança de uma abertura para o diálogo que tanto precisavam, crescendo em seu íntimo.

━━ Tentei te alertar de várias maneiras sobre o que estava errado, mas você me ignorou. ━━ A voz de Nocturna ressoou como um trovão na floresta.

Uma pausa significativa estendeu-se, como um manto opressivo que tornava a respiração difícil.

━━ Você preferiu colocar um sorriso falso no rosto e fingir que estava tudo bem, em vez de buscar uma solução. ━━ Outro intervalo mais longo se estendeu, conforme o olhar implacável permanecia fixo em Áster. ━━ Você calou minha voz através do consumo desenfreado de bebida alcoólica e calmantes…━━ As palavras ressoavam na clareira silenciosa, um eco de angústia que parecia fazer o solo tremer sob seus pés.

Áster sentiu como se uma mão invisível,  se introduzisse em sua caixa torácica e apertasse seu coração com uma pressão intensa. A sensação era tão forte que parecia estrangular sua respiração, deixando-a sem ar e sem palavras. Lágrimas quentes brotaram em seus olhos, escorrendo pelo seu rosto como uma torrente, enquanto lembranças dolorosas e momentos de fuga e negação emergiam de sua memória

Ela inspirou profundamente, buscando a coragem necessária para enfrentar a verdade, para encarar a escuridão que havia cuidadosamente escondido dentro de si, como uma sombra coberta por um manto de negação.

━━ Eu sei, e peço perdão. ━━ Áster disse, a voz embargada, mas carregada de sinceridade profunda e genuína.
━━ Tudo o que eu mais desejo é uma chance de me redimir. ━━ Seu coração pulsava rápido, a vulnerabilidade a deixando exposta, frágil, mas determinada, impulsionada por um desejo ardente de reconciliação.

Nocturna, lentamente, virou-se lentamente, e começou a se aproximar, cada passo firme e medido. A jovem sentiu uma mistura de ansiedade e uma familiaridade reconfortante, como se a distância entre elas fosse uma linha tênue prestes a ser cruzada.

Lúmina observava à distância, seu olhar atento e despreocupado, compreendendo a complexidade da situação. Ela sabia, pela expressão de Nocturna, que sua irmã, que a instantes atrás estava se comportando de forma relutante, parecia disposta a reconsiderar

A escuridão a estudava em silêncio, seus lumes insondáveis refletindo uma tempestade de emoções conflitantes. Havia uma dor acumulada, a desconfiança calada e algo mais sutil – um lampejo de desejo por reconciliação, embora oculto sob a camada densa.

Nocturna inclinou levemente a cabeça, como se cada palavra que saísse dos lábios de Áster fosse uma peça de quebra-cabeça que ela cuidadosamente avaliava, tentando decidir se se encaixava ou se era mais uma mentira entre tantas que haviam sido sustentadas.

━━ E como pretende fazer isso? ━━ A voz de Nocturna ressoou a precisão de lâmina afiada. ━━ Quem me garante que não vai me decepcionar novamente? ━━ Suas perguntas carregavam ceticismo, mas também um tremor perceptível.

A quietude instalada era de uma densidade esmagadora, como se a floresta ao redor tivesse prendido a respiração, temerosa do que viria a seguir. Áster hesitou. Sentiu as mãos trêmulas, os joelhos fracos e o coração pulsando como se estivesse carregando o peso de sua própria culpa.

Como Áster poderia responder poderia provar que havia mudado, quando até ela ainda estava aprendendo o que isso significava?

Seus olhos se voltaram para o chão coberto por folhas secas e musgo, como se buscassem respostas ali, entre as raízes da floresta. Ela respirou fundo, forçando-se a reunir coragem para falar.

━━ A verdade… é que ainda estou tentando descobrir. ━━ Sua voz saiu hesitante no início, mas à medida que encontrava força dentro de si, começou a crescer. Áster levantou os olhos, encontrando o olhar que parecia vasculhar sua alma. ━━ Mas eu quero. Quero encontrar uma forma de convivermos em equilíbrio, de viver em harmonia com você. ━━ Apesar da vulnerabilidade em suas palavras, havia uma firmeza crescente que queimava em seu peito.

As íris púrpuras não se desviaram. A intensidade em seu olhar continuava, mas algo mudou – uma rachadura nas muralhas que havia construído ao redor de si.

Sua expressão suavizou ligeiramente, as linhas de dureza se dissolvendo apenas o suficiente para revelar um fragmento de algo mais profundo: uma fragilidade que ela cuidadosamente escondia, uma mágoa de longa data que ainda pairava como uma nuvem cinzenta.

━━ Eu sou a sombra que você teme enfrentar. ━━ Sua voz  perdeu parte de sua frieza, adquirindo uma suavidade  quase meditativa. ━━ Mas também sou aquela que te protege, que grita aos seus ouvidos quando você se desvia de si mesma. E mesmo assim... você me ignorou, me calou, me envenenou com a sua negligência.

Nocturna desviou brevemente o olhar para a floresta ao redor, como se precisasse escapar do peso de cada sílaba. Quando voltou a encará-la, sua expressão era ao mesmo tempo acusadora e... acolhedora.

━━ Diga-me, Áster, como posso confiar em você novamente? ━━ O tom era duro, mas havia hesitação.

A pergunta teve o mesmo efeito que flechas certeiras disparadas diretamente no coração da jovem. Ela engoliu em seco, tentando manter o controle enquanto a pressão das lágrimas ameaçava transbordar novamente. Inspirou profundamente buscando formular uma resposta  carregada de transparência.

━━ Agora eu sei o quanto preciso de você, Nocturna. Sei o quanto errei, o quanto deixei o medo e a negação moldarem minha vida. Mas eu não quero mais fugir de você – da parte de mim que você representa. Eu quero aprender a te ouvir. ━━ Sua voz vacilou por um momento, mas então se fortaleceram. ━━ Não posso prometer que não errarei novamente, mas prometo não desistir. Prometo que irei tentar, sempre.

A floresta parecia vibrar, como se até as árvores e os ventos ao redor tivessem se comovido com sua determinação. A ausência de palavras não era mais tão opressiva, mas carregada de expectativa.

Lúmina, que assistia a tudo à distância com os braços cruzados, inclinou levemente a cabeça. Seus lábios formaram um sorriso discreto e sereno, como se já soubesse, pela mudança na expressão de sua irmã, que algo ali estava começando a se transformar.

A escuridão deu um passo à frente, e depois outro, lenta e deliberadamente, até que a distância entre ela e Áster fosse mínima. Seu olhar continuava fixo na jovem, mas agora não era apenas julgamento ━ havia análise, consideração, e uma centelha de suavidade.

━━ Palavras são frágeis, Áster. Elas são como um sopro de vento: podem acalmar, mas também podem desaparecer com facilidade. ━━ Seus olhos, em um jogo de luz e sombra, pareciam flutuar entre desconfiança e... esperança. ━━ Quero acreditar em você, que há um caminho para convivermos em equilíbrio. Mas a confiança não é dada ━ é construída aos poucos.

Ela estendeu a mão, lentamente, e tocou o colar da moça, os dedos frios como um suspiro da noite.

━━ Mostre-me que não fugirá de mim novamente. Mostre-me que meus apelos serão ouvidos, e não silenciados. Faça isso, e eu ficarei ao seu lado quando você mais precisar. ━━ A mudança em seu tom era perceptível. Não era mais ríspido, mas carregada de uma autoridade firme e envolta em uma promessa.

Áster, sem hesitar, inclinou levemente a cabeça, em um gesto de respeito e aceitação.

━━ Eu tentarei. Prometo que tentarei.
━━ Seus olhos encontraram os do ser das trevas novamente, e dessa vez não havia desvio, nem possibilidade de fuga.

O ser das trevas ponderou por um momento, um momento que parecia durar uma eternidade. O tempo congelou ao redor delas, como se o próprio universo estivesse segurando a respiração.

Então, em um gesto lento e reverente, Nocturna abriu os braços, criando um convite silencioso, uma proposta onde luz e escuridão pudessem se reconciliar. Era um convite para a renovação e a cura.

━━ Venha até mim.

Áster, movida por uma onda de alívio e esperança, deu um passo à frente e se lançou nos braços de Nocturna. A escuridão a envolveu, não como um aperto sufocante, mas como um manto acolhedor, reconfortante, que curava feridas antigas e tranquilizava medos arraigados.

Era um gesto que transcendia o físico, como se as próprias sombras da dolorosa jornada de Áster estivessem sendo absorvidas pela aceitação de Nocturna.

Nocturna, em um gesto inesperado, gesticulou para Lúmina, que até então havia sido uma observadora silenciosa, mas profundamente participativa do encontro.

━━ Junte-se a nós, irmã!

A voz de Nocturna, agora carregada de uma alegria contida que parecia. Seu tom era quase musical, como se estivesse celebrando a união que estava prestes a se restaurar.

Lúmina, com um sorriso radiante que refletia a alegria da reconciliação, aproximou-se e uniu-se ao abraço, criando um círculo de união, um laço de irmandade que transcendia a luz e a sombra. Era como se as próprias forças da natureza estivessem celebrando a volta de um equilíbrio esquecido, um equilíbrio que se perdia nas brumas do tempo.

Quando se separaram, as três deram as mãos em um gesto simples, mas profundo, que simbolizava a união harmoniosa. Seus braços entrelaçados representavam um pacto silencioso que se firmava na mais profunda lealdade e compreensão que poderiam compartilhar.

━━ Agora vamos restaurar sua essência!
Lúmina exclamou, sua voz vibrante de determinação e esperança. A alegria em seu rosto era como o sol nascente, banindo as sombras que ainda restavam.

━━ Sim! Através de um pequeno feitiço.
Nocturna completou, sua voz suave, mas firme, carregada de uma magia antiga e poderosa. Era como se a própria escuridão tivesse encontrado não apenas um caminho para a aceitação, mas também para a redenção.

Juntas, as irmãs começaram a entoar uma antiga canção, suas vozes se fundindo em uma melodia hipnótica que parecia vir das entranhas da terra. Era um canto das próprias almas, vibrando em harmonia completa:

━━ Lux et umbra in harmonia,
Renascere in unitate!

As palavras ecoaram pela clareira, como um feitiço poderoso, vibrando com uma energia antiga e transformadora. Áster sentiu uma onda calorosa de energia percorrer seu corpo, uma onda de calor e luz que se mesclava com a frescura reconfortante da sombra.

Era como se as virtudes de suas duas facetas se fundissem em uma perfeita sincronia, em uma união completa. A sensação de fragmentação que havia assolado sua alma desde o início da jornada começou a dissipar-se, como se as nuvens pesadas estivessem se desvanecendo, revelando a beleza de um céu estrelado. Ela se sentia finalmente completa, inteira, sem as fissuras que antes pareciam insuperáveis.

Ao abrir os olhos, a jovem descobriu um colar delicado em torno de seu pescoço, uma obra-prima de artesanato mágico que não era apenas uma peça de joia, mas um testemunho vivo da jornada que ela havia enfrentado.

Era uma rosa estilizada, suas pétalas exibindo um gradiente suave e hipnótico que ia do dourado intenso ao roxo profundo, simbolizando a fusão perfeita da luz e da sombra, da força e da vulnerabilidade.

Cada pétala parecia captar e refletir a luz do sol, criando um brilho encantador que era quase espectral. Enquanto pequenas estrelas prateadas dançavam ao redor da rosa, elas pareciam guardar os fragmentos de suas experiências, de suas emoções, de sua jornada ━ cada um um lembrete de que a transformação que passara era real e duradoura.

━━ É um pequeno presente nosso.
Lúmina exibia um sorriso caloroso e radiante que refletia o orgulho e a alegria ao verem a expressão de felicidade em Áster. Suas íris cintilavam como se contivessem a luz das estrelas, um reflexo da união que haviam estabelecido.

━━ Um símbolo físico para que nunca esqueça esta jornada.  ━━ Nocturna acrescentou, seu olhar suave contrastando com sua natureza sombria, um olhar que agora emanava não apenas compaixão, mas também aceitação e compreensão.

Áster, tomada pela emoção, abraçou as duas novamente, os sentimentos calorosos que mantinha as unia como uma chamada suave, um abraço que selava uma aliança sagrada. Quando finalmente se soltaram uma pergunta surgiu em sua mente.

━━ O que acontece agora? ━━ Sua dúvida carregava uma mistura de curiosidade e incerteza, refletindo a intensidade da jornada que ela acabara de percorrer.

Seu olhar buscava respostas nas irmãs, enquanto sua mente se debatia entre a alegria do recomeço e a ansiedade do desconhecido que se esgueirava ao seu redor como uma sombra não revelada.

As irmãs trocaram um olhar significativo, um entendimento profundo e uma cumplicidade antiga que pareciam datar de épocas imemoriais. Era como se cada gesto, cada palavra, estivesse revestido de uma compreensão tácita, um pacto silencioso que transcendia as palavras.

━━ Vamos voltar ao início de tudo, ao portal que a levará de volta para casa.
━━ Lúmina explicou, sua voz serena e confiante como o brilho do sol filtrando-se pelas folhas, uma voz que prometia não apenas um retorno, mas um novo começo.

As três se deram os braços, formando um laço simbólico que representava a união harmoniosa que haviam alcançado. Era um gesto simples, mas profundo, capaz de selar uma aliança sagrada entre elas, que transcendia o físico e falava diretamente às suas almas.

Juntas, deixaram a clareira, seguindo adiante pela trilha que as levaria a um novo horizonte, deixando para trás a opressão do passado e caminhando em direção à luz do futuro.

Cada passo ecoava como um testemunho da jornada que haviam compartilhado, ressoando na tranquilidade carregada de esperança e de uma nova compreensão. O silêncio era preenchido pelos sons sutis da natureza, como se a própria floresta estivesse celebrando sua vitória sobre os temores e as sombras que antes as assombravam.

A luz solar filtrava-se pelas folhas das árvores, criando uma iluminação suave que parecia abençoar sua passagem. Áster sentia-se leve e renovada, sabendo que, juntas, estavam prontas para enfrentar qualquer desafio que viesse em seu caminho. A trajetória percorrida não era apenas uma conclusão; era o início de uma nova história escrita não apenas com palavras, mas com a própria essência de suas almas.

DUALIDADE: O ESPELHO DA ALMA
•Capítulo com 3348 Palavras
•Escrita por Maíra Lima
• Sem Revisão Ortográfica
• Publicado 28 de Janeiro de 2025
• Republicado em 15 de Fevereiro 2025
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