Terceiro Capítulo
P. O. V. Dipper
E, novamente, aquele sonho se fez presente.
~~Billdip~~
- Como está ficando? - Indaguei-lhe com expectativa, animação e muitíssimo cansaço.
O loiro levantou-se de sua cadeira de descanso, saindo da varanda e passando a caminhar para minha direção. Chegando ao meu lado, seus olhos vagaram pela minha plantação de morangos; não havia pressa em sua análise. Em seguida, um pequeno sorriso satisfeito brotou em sua face bronzeada.
- Está parecendo contigo. - Sussurrou sua resposta, como se o que acabara de me contar fosse um precioso segredo.
Após sua fala ter sido lançada aos quatro ventos, encarei o jovem. Os dentes perolados do rapaz estavam combinando perfeitamente com o repuxar de lábios, trazendo consigo uma leveza incomum.
E seus olhos... eu não consigo descrever o sentimento transmitido pelos mesmos, e é possivelmente por este motivo que eles sempre me hipnotizam.
- Como assim? - Questionei o jovem.
Ele se distanciou um pouco, ajoelhou-se em um pedaço de terra e deitou sobre a mesma. Me aproximei do loiro calmamente, sentei-me ao seu lado e me pus à observar o céu.
Ficamos em silêncio por um longo período de tempo e, como sempre, eu não fazia ideia do que se passava pela cabeça deste garoto. Tão pouco pela minha.
- Mason.. - Voltei-me para ele, parando assim de observar o céu, e pude ver o seu semblante entristecido. - No que está pensando? - Falou com seriedade, tendo em seus olhos uma intensidade arrebatadora.
Minha mente gritou. Ela estava repetindo incessantemente "em você", tendo todo o meu corpo conspirando ao seu favor e, por puro costume, eu dei-lhe ouvidos.
- Em você. - Disse com simplicidade e, conforme o silêncio se estendia, senti o meu rosto arder após eu ter processado minhas próprias palavras. - Q-quero dizer... É que... Você está... - Tentei me explicar, explicar minha fala e explicar meu nervosismo, mas eu não sabia o porquê de coisa alguma.
- Eu também. - Ouvi o mesmo dizer, deixando-me mudo e sem entender bulhufas. Em minha testa devia estar escrito "Não estou entendendo nada." pois ele sorriu e continuou. - Eu também estou pensando em você. Sempre estou.
~~Billdip~~
Estava no meu quarto, pensando e repensando no que Will disse pouco antes de eu ter acordado. Não havia entendido o que ele dissera, não havia entendido os meus batimentos na ponta dos dedos de ambas as mãos, não havia entendido o porquê de ter acordado no momento mais inoportuno; resumindo, eu não entendi nada!
Tentei dormir - tentei mesmo - mas o sono não vinha, até porquê a minha confusão não deixava, então desisti de continuar tentando e olhei o relógio despertador pela primeira vez na noite, me deparando com a tela digital que marcava quatro horas da madrugada.
Levantei lentamente da cama, meu corpo ainda mole pelo sono, e fui de forma lesada até a cozinha. Peguei minha caneca favorita, pois havia a ganho em Gravity Falls, e me pus à fazer uns poucos mini litros de café preto. Enchi minha caneca até um pouco acima da metade com o líquido fumegante e voltei para o meu quarto, entrando em minha pequena, porém bem aberta, varanda, sentando no banco acolchoado verde musgo que estava lá.
E tentei esquecer o loiro.
Não pensar nele.
Por um único segundo..
Queria apenas admirar o céu ainda escuro e com pouquíssimas estrelas.
Nada mais que isso.
Mas...
É tão melhor fazer isso com ele..
Um pequeno sorriso melancólico surgiu em minha face, sendo acompanhado por filetes de água morna, que estava escorrendo sem cessar.
- Eu só queria entender.. - Disse para mim mesmo, buscando entender o porquê do rapaz mexer tanto comigo. - essa dor.
Chorei e solucei por minutos à fio e, depois do pequeno show de lamentações, pus minhas pernas sobre o móvel onde me encontrava sentado e abracei meus joelhos, enfiando meu rosto ainda úmido entre os meus joelhos. Após uma hora ou duas o céu começou a clarear, indicando que já estava de manhã e que a madrugada havia acabado. Esse dia será longo..
[...]
Fui a biblioteca do colégio onde estudo, almejado encontrar algo que me prendesse a atenção o suficiente para parar de pensar no Will mas, sendo sincero, não sou capaz de acreditar que esse "algo" vá aparecer ou ser achado - se é que realmente existe.
Mantive minha mente o mais distante possível do loiro. Busquei com afinco um entretenimento que pudesse apaziguar minha alma confusa.
- Com licença.. - Ouvi uma voz feminina de trás do meu corpo. Não me assustei com tal coisa, já estando meio que acostumado com esse tipo de situação.. E quem seria o culpado por isso?
Virei-me para a pessoa que pronunciou a frase e a fitei: era uma menina pequena, branquinha como papel, de cabelos negros e franjinha que cobria a sobrancelha, além dos óculos de grau que destacava seus olhos.
- Você é Mason Pines? - Ela perguntou e corou em seguida. Apenas concordei e esperei que a mesma se pronunciasse. - Bem.. E-eu..
Pude acompanhar o comportamento da pobre garota se tornar de certa forma cômico. Seu rosto estava completamente vermelho, suas mãos estavam tremendo e sua cabeça se encontrava levemente baixa.
- TOMA! - Ela gritou e me jogou um livro de capa grossa que bateu em meu peito e, por sorte, eu tive um vislumbre de reflexos involuntários e peguei-o, apertando o objeto contra mim com força.
E ela correu. Ela correu..? ELA CORREU?!
- É o quê? - Olhei para o livro em minhas mãos e depois olhei para o caminho que a morena havia cruzado, pois a mesma já não se encontrava mais em minha visão panorâmica.
Passei meu olhar novamente para o livro, podendo ver sua capa preta e envelhecida, com o título em vermelho sangue com uma escrita indecifrável. Virei o livro, procurando por uma sinopse e pelo nome do autor ou autora, e o susto foi grande quando li "Trust No One". Firmei meus dedos no objeto até que os mesmos ficassem esbranquiçados por conta do aperto.
Eu conheço essa frase.. - Pensei apavorado com tal constatação.
Sem dúvida alguma eu conversarei com o tivô Ford sobre este ocorrido e, principalmente, tirarei satisfações com aquela menina estranha.
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