Segundo Capítulo

P . O. V. Dipper

- Brobro! - A voz de Mabel se fez presente na cozinha, atraindo minha atenção.

Voltei-me para os presentes; meu pai me encarava pelo canto dos olhos, mastigando um grande pedaço de panqueca com sua infantilidade em evidência; minha mãe bebericou seu café preto, fitando a mim; Mabel, que anteriormente estava me balançando e chamando, voltou-se para sua refeição matinal, pegando uma colher e a levando até o leite com cereais em formato de estrelas.

- Oi..? - Abaixei minha vista e encarei os waffles em meu prato, esperando que alguém dissesse algo para quebrar o silêncio.

- Repetindo a pergunta: o que você sonhou nessa noite? - Minha gêmea falou animadamente, trazendo com suas palavras as lembranças dessa madrugada.

- E-eu não lembro! - Gaguejei, minha face queimava de vergonha, além de que meu coração parecia estar considerando a ideia de sair pela minha boca.

- Sério?! Bem, eu sonhei com o dia de hoje e de como seria a nossa volta às aulas. - Ela comentou com um sorriso no rosto e animação assustadora, logo voltando a comer o alimento designado a si.

Suspirei ao me lembrar do porquê de já estar de pé em plenas seis horas da manhã, e novamente encontrei-me pensando no... Sonho? Não sei dizer se realmente havia sido isto, ou talvez eu não queira aceitar que esta hipótese é a única verdade presente..

- Vamos logo, Dipper! - Pouco tempo tive para digerir ou interpretar a frase pois, sem me dar brecha alguma, Mabel segurou em meu braço e passou à me arrastar, levando-me consigo até a sala. Ela me soltou e eu recolhi minha mochila logo após, um tanto quanto frustado.

- Tchau, mamãe e papai! - Dissemos em uníssono, então Mabel me puxou novamente e fomos em direção a escola.

Passei a andar rapidamente, temendo que meus pensamentos se voltassem contra mim. Minha irmã tentando me acompanhar e conseguindo, soltou uma risadinha leve.. Ela está aprontando!

- O que foi? - Perguntei calmamente, esperando o som da voz da mesma se fazer presente.

- Você não costumava falar dormindo. - A morena sussurrou, fazendo-me parar abruptamente.

- O QUÊ?!

~~Billdip~~

E o sonho, que se passou na noite anterior, regressou à minha mente.

~~Billdip~~

Acordei no mesmo lugar da noite passada; A mesma floresta, os mesmos vagalumes, as mesmas pedras.. A trilha!

Fitei o começo do espaço e cruzei o caminho traçado pelas rochas de forma anciosa, almejando encontrar o jovem de tez bronzeada.

- Mason? - Estagnei ao ouvir a voz da pessoa por qual procurava e que, por sinal, desta vez se encontrava na ampla e fantasiosa floresta. - O que faz aqui?

Me virei para ele de forma lenta, parando apenas para contemplar o brilho dourado no olhar do belíssimo rapaz. Senti meu rosto esquentar quando o loiro sorriu travesso, me causando um arrepio dos pés à cabeça.

- Você veio me ver? - Perguntou-me com humor, quase que debochando de si mesmo, trazendo uma melancolia infinita para meu rosto e um aperto doloroso para o meu acelerado coração.

- Sim! E-eu estava com saudades de voc... - Minha voz foi à óbito assim que percebi o que estava pronunciando.

Desviei meus insignificantes olhos castanhos dos dourados cintilantes e torci para que o dono dos mesmos não achasse tão estranha a minha frase.

Conforme o silêncio me atingia com destreza, senti algo quente, macio e ligeiramente grande sobre minha cabeça, que trazia consigo o aroma inconfundível de frutas frescas e silvestres. A carícia foi automatica, quase como instintiva, porém era um ato incerto, novo, acanhado demais para ser deduzido como frequente. E era algo difícil de se notar, o que provava o empenho do mesmo para com este carinho, ou quem sabe.. O quê?

Com os meus pensamentos me afogando ao ponto de engasgar, não tive coragem para olhá-lo nos olhos, nem em seu rosto, nem mesmo seu tronco; então, no caso, fiquei lá, à observar o calçado do menino como se minha vida dependesse daquilo.

- Vamos para minha casa. - Ele disse com simplicidade, deixando-me estranho por dentro, como se meu estômago fosse queimado por um frio congelante que, por algum motivo desconhecido, traçava um caminho confuso até minhas mãos, fazendo-as suarem frio.

Concordei com a cabeça, percebendo que o louro tem o dom de tirar-me a fala, me deixando completamente mudo. Ele desceu sua mão direira até alcançar minha face, alisando minha bochecha corada com seus longos dedos bronzeados e dirigiu-os até a mandíbula, levantando meu rosto e cravando seus olhos nos meus, intensificando todos os meus sentidos cem mil vezes.

Senti a mão do rapaz descer um pouco mais, parando no meu ombro por alguns segundos e seguindo pelo meu braço esquerdo logo em seguida. Quando dei por mim, minha mão estava junto a sua, sendo entrelaçada e puxada pela do mesmo, me instruindo a seguir um caminho já conhecido, em direção ao lago de ontem. Me espantei ao ver uma pequena cabana de aparência antiga e charmosa, feita de madeira escura e com uma varanda parcialmente grande e aparentemente acolhedora, de frente para o laguinho encantador de ontem.

- Mas o quê..?! - Embasbacado. Essa foi a palavra que mais se assemelhava com a minha reação.

- Bem legal, não acha? - Ele sorriu um sorriso lindo, com direito à olhos entreabertos e maçãs do rosto rosadas. - Demorou um bocado de tempo para fazê-la, mas valeu a pena!

Não tinha como discordar; ficou incrivelmente bonito e parecia deveras confortável, como a casa de uma avó muito querida. Mas minha ansiedade, que não é pouca, me deixou nervoso o suficiente para que essa sensação de familiaridade fosse dissipada, aniquilada até, causando-me uma série de arrepios.

- Sim.. - Disse baixo e tímido. - Está perfeita.

E foi nessa noite tão deliciosa que eu enfim percebi o quão boa é a companhia deste loiro, o quão feliz eu fico ao seu lado. E a cada segundo que passava com ele era como uma eternidade, e a eternidade nunca fora tão maravilhosa, desesperadora, divertida, desconcertante e reconfortante como agora. Esse é um risco que eu estou tomando como meu, sem pensar nas consequências futuras, apenas aproveitando tudo o que está me acontecendo o máximo possível.

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