Capítulo 9
" Temos um longo caminho para trilhar..."
POV'S LÚCIO
A vida às vezes nos apronta cada coisa... Em uma hora estamos vivendo tranquilamente. Mas tem momentos em que a vida nos faz acreditar que ela é quem escolhe a dedo quem vai sanacanear. Todos aqueles momentos bons, como num pesadelo, se tornam uma série de coisas ruins.
Depois de batalhar tanto com a Dream School, conseguimos transformá-la na tão bem sucedida e respeitada gravadora, atualmente renomeada: Dream Records.
Havíamos marcado um piquenique na nossa nova casa para comemorar essa conquista e todas as outras que vínhamos conseguindo. Até por que não é todo dia que conseguimos comprar uma casa no valor de 600 mil dólares.
Convidamos todos os vizinhos. Eu, claro, cuidei de toda decoração, comida e bebida. Nada exagerado, algo mais intimista. Somente uma mesa de 3 metros de extensão com variedades de comida e bebidas para todos os convidados. A vizinhança toda para ser mais exato. Tive o trabalho de encher várias bóias. Tínhamos uma piscina gigante, não faria sentido não deixar todos entrarem, e como provavelmente teria alguém que não sabia nadar, enchi as bóias por precaução. Deixei meu irmãozinho querido, encarregado de receber os convidados. Eu ainda não tinha buscado minha mala com minhas roupas, por isso, tive que ir até a nossa outra casa me vestir adequadamente. Mas quando voltei já não tinha mais ninguém. Apenas copos descartáveis pela grama. Até coco na piscina tinha! Minha mente já estava dando um nó. Como uma festa poderia ser arruinada em tão pouco tempo? Eu sabia que não devia ter deixado o César tomando conta de tudo, acabou resultando nisso: sujeira para minha pessoa limpar sozinho. Porque o bonitão espanta os convidados e deixa a parte da sujeira pra mim.
Enquanto recolhia alguns copos do gramado, uma jovem e uma mulher enfurecida, que parecia ser mãe da garota, passaram por mim discutindo. Não conseguia entender nada. Gritavam algo sobre um garoto que havia escorregado e batido a cabeça e continuaram discutindo enquanto andavam em direção a casa ao lado. Vai entender... Continuei limpando, mas aquela bagunça não tinha fim. Até aquele momento nem sinal do meu irmão e do meu sobrinho. Para minha surpresa, a mesma garota que passou discutindo, voltou e parou em minha frente como se quisesse me contar algo, só aí descobri que o garoto machucado era o Arthur. Tudo se encaixava. Demos uma limpeza geral naquela bagunça e prometi manter a garota informada. Logo eu estava na recepção do hospital perguntando por Arthur Blanco.
[...]
Era de partir o coração ver o César daquele jeito, pra lá e pra cá, no corredor da sala de espera do hospital. O Arthur representava uma parte dele, e saber que ele estava lá dentro daquela sala, sendo examinado por algo relativamente grave o abalava indescritivelmente.
Desde que vim morar com meu irmão, todo seu tempo foi dedicado ao Arthur. Sua ex-mulher, com ciúmes, inventou de querer fazer o pobre rapaz escolher entre ela ou o sobrinho. Iludida. Óbvio que ele escolheu nosso sobrinho. E, como bônus, ganhou a minha ilustre presença. Por eu sempre viver tão solitário por aí, em festas, boates e caído bêbado pelos cantos, ele me convidou para morar com ele. Estávamos todos fragilizados com o acidente que matou os pais do Arthur e em troca de sua vida, conseqüentemente o deixou paraplégico. Então acho que, naquele momento todos precisávamos de um perto do outro o máximo possível.
- César! - tentei prender a atenção do homem inquieto pra mim. - Calma! Ficar assim não vai mudar nada. Precisamos de calma. - usei o meu tom mais calmo possível.
- Calma? Você me pede calma nesse momento? Tá bom. Eu vou ter calma, sim. Tsc. - disse ele em tom irônico, ainda caminhando pra lá e pra cá.
- Shhh... Fala baixo. Estamos num hospital. Acredita em mim, vai ficar tudo bem! - tentei passar o máximo de segurança, mesmo também estando desesperado com aquela situação.
Eu ainda não tinha muita certeza do que tinha acontecido. Única coisa que sabia era que o Arthur tinha possivelmente escorregado e batido a cabeça, pelo menos foi assim que me explicou a... A... Melanie. Isso. Mel, como ela prefere. Sou péssimo com nomes.
- Parentes de... Arthur Blanco? - disse um médico verificando nosso sobrenome em uma prancheta que estava em suas mãos.
- Aqui! - eu disse levantando da poltrona e o meu irmão logo estava ao lado do médico, desesperado por notícias. - Está tudo bem com nosso sobrinho, doutor?
- Fiz exames de tomografia, e não encontrei nenhuma anomalia. Mas ele levou cinco pontos no super-silho, foi um corte profundo. Ele agora está cedado, terá que permanecer em observação por no mínimo três dias, foi uma pancada muito forte. Não será surpresa se surgir um quadro de amnésia e ele esquecer quem são vocês. Todavia, vocês podem vê-lo amanhã.
- Nem fala uma coisa dessas, doutor. - disse César. Naquele momento eu podia ver a dor de seu peito vazando por seus olhos. Meu irmão estava chorando.
- Vamos orar para ficar tudo bem! - disse o médico comovido com a situação. - Bem... Agora preciso ir ver meus outros pacientes. Manterei vocês informados. - disse o doutor conferindo novamente em sua prancheta quem iria avaliar e partiu...
- Vem cá! - abracei meu irmão o mais forte que pude para demonstrar força. Que precisávamos ser fortes naquele momento. Felizmente ele retrubuiu e ficamos assim até ele se recompor.
[...]
Insisti durante toda a noite para César ir para casa descansar, mas foi em vão, nem me deu ouvidos. Eu também não poderia deixá-lo sozinho. Por isso, dormimos juntos nas cadeiras duras e desconfortáveis que estavam disponíveis. Foi uma noite longa e difícil...
Acordei em torno das 8:00AM do outro dia. Já era segunda feira, e por ser dia de visitas, não foi possível descansar com todas aquelas pessoas repletas de saudade e euforía para ver seus parentes. Por isso, andavam e falavam alto para lá e para cá, impossibiltando minha dormida. César continuava dormindo. Resolvi deixá-lo dormir, já que havíamos passado por uma noite difícil.
Me espreguicei, ainda atordoado fui em direção ao banheiro tirar água do joelho. Não demorei muito, lavei as mãos e saí do banheiro. Vi que havia uma máquina de café logo à frente do banheiro. Nada melhor que um café forte para dar fim ao sono. Tomei calmamente o café, pois estava tão quente, que dava pra cozinhar um ovo ali mesmo, dentro da copo descartável. Enquanto isso tentava obter informações sobre meu sobrinho, mas só diziam para esperar, esperar, esperar. Tá explicado o termo 'paciente'
Voltei para junto de César, que ainda permanecia dormindo. Só me restava esperar.
Pessoas sorrindo, pessoas impacientes, pessoas chorando... Aquele lugar era uma concentração de emoções. Muitos sorriam com a melhora de seu ente. Outros choravam com a piora, até mesmo com a partida de alguém importante. Hospitais não são uma confusão somente no sentido de organização, são uma confusão no sentido emocional também. Estar no hospital em si, já era desesperador. E no fundo, mesmo parecendo estar tão calmo, eu tinha medo. Somente torcia para ficar tudo bem.
O relógio já marcava quinze para às 09 da manhã, até que ouvi um murmuro.
- Alguma notícia do Arthur? - até então achei que era meu irmão falando enquanto sonhava, mas quando me virei para encará-lo, ele estava se posicionando melhor na cadeira, demonstrando dor no pescoço. - Por acaso está surdo ou o quê? Alguma notícia do Arthur? - repetiu.
- Não. Só me pediram para esperar. - falei levantando. - Eae... Dormiu bem? - falei para descontrair.
- Haha, feito um bebê. Um bebê com hérnia de disco. Pagamos um plano de saúde caro para dormirmos em cadeiras mais duras que madeira - ironizou e indignou-se ao mesmo tempo. - Agora cala a boca e vamos procurar o médico.
- Ui. Vamos! Nervosinho. - falei levantando as mãos como se estivesse me rendendo.
Enquanto ele perguntava pelo médico, vi o profissional saindo do elevador, vindo em nossa direção...
- Mano, olha o médico ali - o cutuquei para chamar sua atenção.
- Bom dia, senhores. - disse o doutor em um tom estritamente de sua profissão, e esticou sua mão para um cumprimento.
- Bom dia - disse meu irmão retribuindo o aperto de mão. - Podemos ver o Arthur agora? - Falou indo direto ao assunto.
Sinceramente eu já estava angustiado com toda essa espera. Nós só queríamos vê-lo por alguns instantes, ver que está tudo bem. Mas, continuavam insistindo a nos fazer esperar.
- Antes preciso examiná-lo. Se ele estiver disposto, eu líbero a visitinha.
E então médico saiu em direção ao quarto em que o Arthur estava. E lá continuava meu irmão e eu, esperando...
Nesse momento meu celular tocou. Número desconhecido. Geralmente não atendo números desconhecidos, mas quando notei já tinha atendido.
- Alô? - disse uma voz feminina do outro lado da linha. - É o celular do César?
- Do irmão dele. Quem fala? - disse curioso.
- Me chamo Neide. Estou ligando para saber como está o garoto... O... O... Arthur. - essa parecia ser de ruim de memória como eu. - Eu moro na casa ao lado, estive no piquenique com minha filha, a Melanie.
- Por que não falou logo que era da doce Mel? Só um segundo...
Passei meu celular pro César, que em instantes sumiu com meu celular, se bandeando lá pra perto do banheiro. Justamente nesse momento o médico voltava...
- Eae... Ele está apto para receber visita?
- Ele está bem lúcido, mas algo me intrigou... Ele disse não lembrar disse não se lembrar de absolutamente nada. Disse que só lembra-se de acordar nesse quarto de hospital. Custou para ele lembrar o próprio nome.
- O que isso quer dizer? - disse ainda sem reação, com medo da resposta.
- Quero dizer que, seu sobrinho está com Amnésia! Como eu disse, a pancada foi muito forte...
Eu já não conseguia ouvir mais nada, depois da palavra Amnésia. Saí correndo desesperado até o quarto que ele estava internado. Mas antes de entrar, parei, respirei fundo, e com calma fui abrindo a porta...
- Arthur? - falei enquanto adentrava devagar para não o assustar.
E o que eu mais temia aconteceu...
- Quem é você? - disse puxando o lençol para a altura do peito, assustado.
O moleque que vi nascer, que vi os primeiros dentes nascerem, os primeiros machucados nos joelhos. O moleque que vi crescer, chorar com saudade dos pais, sorrir com minhas palhaçadas. Um filho, disfarçado de sobrinho. E naquele momento, mesmo que todos os nossos momentos tivessem sido temporariamente apagados da memória dele, eu sabia que bem lá no fundo, todas as nossas lembranças estavam preservadas em seu coração.
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Oooooooooi! ^^
Como vão? Estão todos bem? Espero que sim.
Tadinho do Arthur e seus tios, né gente? :(
Desculpem pela demora. Sei que demorei, mas aqui estou eu, COM CAPÍTULO NOVO \O/
Primeiramente gostaria de agradecer pelo número de 1K DE VIEWS (UHUUUU) E por todos esses mais de 600 COMENTÁRIOS!!!!
Podemos melhorar na quantidade de votos, não acham, meus e minhas Dreamers de todo Brasil?
Ah, olha que chique, tem gente da França lendo esta minha obra. Um BEIJO bem grande pra você aí ^^
A frase que iniciou esse capítulo é da minha queridíssima amiga Victória Sena, que também possui obras aqui no Wattpad ( VS_Sena )
Para finalizar com chave de ouro, super recomendo a história "The cat is not just a cat" da CaralhoMalik69, principalmente para você que gosta de fanfics!
É isso...
Espero que gostem do capítulo e me deixem várias estrelas e vários comentários ^^
Bjooos ❤❤❤❤❤
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