Capítulo 5
" Não seja o que o mundo lhe obriga ser, prove que há autonomia nos teus sonhos e desejos."
POV Melanie
Havia um tempo que eu não chorava ao lembrar de meu pai. Mas, acho que... O modo, não sei... O modo que o Arthur falou que viria conhecer minha família. Minha família era apenas minha mãe.
Depois da morte de meu pai, minha mãe me criou, sem ajuda de parente algum. Como se depois da morte de meu pai, nós tivéssemos perdido nosso lugar nosso lugar na família. Ninguém mais se importava com a gente. Não houve um dia se quer em que meus tios, tias, primos viessem nos fazer uma visita.
A última vez que vi todos reunidos foi no velório e sepultamento de meu pai! Acho que somente eu e minha mãe sentiamos a dor da morte de alguém que realmente amávamos. Alguns fingiam estar chorando, sempre falando aquela frase clichê: "Era um homem tão bom..." Como se realmente se importassem.
Nos momentos de dificuldade após e até mesmo antes da morte de meu pai, essas pessoas não estavam lá, pra dizer pelo menos: " Vai ficar tudo bem. Pode contar comigo em qualquer coisa que precisar..." Nunca fizeram isso. Só bastou meu pai morrer pra todos se reunirem e quererem bancar os solidários. Bando de Levianos.
Havia sussuros por todos os lados, que naquele momento eu nem me importava em querer entender o que tanto sussurravam. Só queria aproveitar meus últimos minutos ao lado do cara que eu idolotrava!
Realmente. Minha mãe era minha única família a partir dali. E naquele momento a dor era absurda. O Arthur não tinha culpa, ele não sabia disso. Eu até tentei explicar a ele que ele não tinha culpa de nada. Expliquei que eu sabia que ele não teve a intenção. Mas era realmente absurda a dor e saudade que sentia naquele momento!
Me despedi de forma rápida do Arthur para que ele não me visse chorar, e então, assim que o último ruído ecoando no ar era da porta que havia sido fechada a segundos atrás. Eu desabei! literalmente. Caí sentada, chorando muito. Eram pertubadoras todas as lembranças que eu tive junto de meu pai, seu Carlos, que naquele momento vinham a minha mente, mesmo que eu tentasse pensar em outra coisa.
Pus minha cabeça entre os joelhos enquanto repetia para mim mesma entre lágrimas e soluços: " Ele está em um lugar melhor. Ele está em um lugar melhor." Ao menos tentava. E, fiquei ali, quieta, chorando muito. Só queria que aquilo passasse logo. Sentir falta de alguém que a gente ama e saber que aquela pessoa não irá mais voltar é como viver com somente uma parte de nós. Como se a nossa outra parte fosse com aquela pessoa. E era assim que eu me sentia. Me sentia incompleta!
O relógio já marcava 14:25 da tarde e, sinceramente, eu já estava achando que minha mãe tinha ido fabricar cada coisa que estava em sua lista de compras. Nunca vi alguém pra demorar tanto quanto minha mãe quando vai comprar algo.
Eu devia estar com a cara toda inchada e vermelha de tanto que chorei. Sem contar que eu era muito branca. Tenho amigas que me chamam de "Alma", entre outros muitos apelidos, que, a cada dia surgiam cada vez mais.
Resolvi tomar um banho, mas só chorei mais. Acho que banheiro era o lugar mais inadequado para tentar cessar essa minha crise incessante de lágrimas e saudade. É no banheiro onde eu sempre choro quando não quero que minha mãe veja. Fiquei um tempo deixando a água descer sobre meu corpo, numa tentativa de limpar meus pensamentos. Em nada adiantou. E então, depois de secar meu corpo e me vestir com outra roupa, agora, um shorts jeans desfiado com outra blusinha folgada com uma guitarra vermelha estampada na altura de meus seios. Fazia muito calor aquele dia. Até que meu choro tinha cessado um pouco, e quando notei já estava pensando no Arthur, meu novo vizinho. Ele só me falou o nome e que seria meu novo vizinho, ah, e que mora com os tios. Fiquei bem surpresa e também muito assustada por ver um garoto em uma cadeira de rodas, até aquele momento um total desconhecido - tá. Ele ainda é um desconhecido, pois eu só sei seu nome e que será meu novo vizinho. Acho que faltou pouco para eu pular e ficar grudada no teto, igual aos desenhos animados que, eu ainda assisto, quando o vi ali, me observando... Sem que eu visse. Será que ele foi adotado por um casal gay e teve vergonha de dizer? - Às vezes me surpreendo com as besteiras que se passam em minha mente. Ele até que tinha um porte atlético. Certeza ele fazia algum tipo de esporte, pois não é possível manter um físico daquele somente sentado numa cadeira...
De repente ouvi um barulho vindo da sala. Devia ser minha mãe, que havia resolvido voltar para casa. Pus a cabeça pra fora do meu quarto, só pra garantir se era mesmo ela e me deparei com ela com um monte de sacolas do Supermercado que tinha a uns dois quilômetros dali de casa. Logo fui convocada a buscar o resto das sacolas que ficaram no táxi, enquanto ela colocava tudo no chão, próximo da porta.
Fui andando até lá fora em direção do táxi, mas óbvio, era impossível não olhar para aqueles dois caminhões gigantes, que obviamente deviam estar carregando todas as coisas da antiga casa do Arthur...
Já havia se passado quase duas horas e meia desde a minha despedida ligeiramente trágica do coitado do novo vizinho, que não deve ter entendido muito o que houve naquele momento. Então acho que seria provável, de repente, ele aparecer ali, em meio a mudança. Por isso, para evitar o constrangimento, resolvi adiantar meus passos e entrar logo com tudo que havia sobrado no táxi!
Havia sobrado somente duas bolsas cheias, daquelas resistentes, feitas para serem usadas várias vezes, com frutas e legumes dentro do porta-malas. Nossa. Aquilo estava realmente pesado. Peguei uma em cada mão e voltei pra casa, tentando andar rápido, já que aquilo parecia ter uma tonelada pros meus bracinhos finos e fracos. Achei ter conseguido concluir meu plano de buscar as duas bolsas e voltar ligeiramente pra casa, mas assim que eu estava entrando, minha mãe, tomou as duas bolsas de minhas mãos e me mandou voltar lá pra pagar o dinheiro que ficou faltando da corrida de táxi. E eu feito uma idiota andando rápido, parecendo que estava devendo algo à polícia. Eu achei uma bobagem minha. Qual seria o problema encontrar o Arthur? Ele era apenas meu novo vizinho. Não devia me importar tanto, caso visse ele.
Por isso, dessa vez, saí andando novamente em direção ao moço do táxi para poder pagá-lo o que faltava e voltar logo para casa. Só que dessa vez fui com calma, mas acho que o moço já estava impaciente. Tanto que nem contou o dinheiro pra conferir se estava tudo certo, arrancou com o carro e até deixou marcas de Pneus no asfalto, me fazendo também engolir poeira, literalmente!
Já que o moço do táxi nem quis esperar para contar o dinheiro, não fazia sentido eu continuar ali, parada, com a maior cara de boba. Me virei em direção a minha casa, mas acabei dando olhadinha para a casa ao lado... Acho que fiquei tão chocada com a falta de educação do tal motorista, que nem reparei o que aconteceu ao meu redor.
Os dois caminhões que estavam descarregando todos os móveis, que por acaso eram enormes, já haviam ido embora e eu não vi! Fiquei incredula. Como dois caminhões, daquele tamanho, não emitiram algum barulho capaz de chamar minha atenção? Meus olhos não acreditavam no que viam. Já inventaram caminhões elétricos e eu estava por fora? Não tinha como dois trambolhos daqueles não fazerem aqueles barulhos extremamente irritantes de motor ligando e acelerando... Mas no lugar dos caminhões, tinha um carro, de marca Volkswagen, de cor preta e vidros escuro fumê, me impedindo totalmente de ver quem estava lá dentro. Não fazia ideia de que modelo era. Achei estranho, pois nunca tinha visto aquele carro por aqui...
Eu estava em baixo de uma árvore, que devia ter uns três metros de altura que, de acordo com minha mãe, aquela árvore foi plantada lá assim que a casa foi comprada por nós. Minha mãe disse que meu pai gostava muito da natureza e era bem romântico. Então, ele plantou aquela árvore para embelezar a nossa humilde fachada e disse também que simbolizava o amor dos dois. Que estava crescendo e criando raízes cada vez mais, a cada dia que se passava. E mesmo que se passassem anos, o amor dos dois só estaria maior e mais forte, assim como aquela árvore.
Fiquei bem curiosa. Resolvi me esconder atrás da árvore e ver quem desceria do tal carro. Primeiro desceu um homem, que parecia ter em torno de trinta e quatro anos. Tinha uma aparência muito jovem. Na realidade se vestia como muitos jovens por aí. Ele estava com uma jaqueta preta de couro, uma calça jeans rasgada nos joelhos e uma bota de couro que parecia ser de cobra, devido sua coloração... Era bem bonito até. Ele deu a volta no carro e parou lá trás, no porta-malas, parecia estar procurando algo. Talvez ele só tenha parado ali para isso mesmo, pegar algo que estava precisando e ir embora logo em seguida. Mas não, ele voltou pelo lado do carona com uma cadeira de rodas em mãos ainda ' dobrada '. Ele abriu a cadeira de rodas e pôs no chão...
Finalmente ele iria abrir a porta do carona. Mas por quê a própria pessoa que estava lá dentro não abriu a porta? Ainda não conseguia entender.
Não demorou muito para que essa minha dúvida fosse esclarecida. Após abrir a porta, ele tirou um jovem de lá de dentro nos braços e pôs na cadeira. Logo pude ver que era o Arthur, pra desespero de minha pessoa. E se ele me visse? O que ele iria pensar? Aquele homem devia ser um dos tios dele e se fosse mesmo, só provaria que minha tese dos supostos tios dele serem gays estava completamente equivocada. O cara parecia um verdadeiro galã de cinema.
Eu não podia ficar ali escondida, então resolvi fingir ser invisível e saí andando em direção da minha casa com passos rápidos. Mal superei o susto do Arthur ter quase me pego de surpresa atrás daquela árvore, em seguida levei outro susto ao me deparar com minha mãe me olhando com aquela cara de quem sabe que aprontei algo, mas quer que eu admita. Gelei em frente a minha mente, de tão nervosa que fiquei.
- O que fazia atrás da árvore, Melanie? - ela falou levantando uma sobrancelha só. E eu me sentindo a espiã versão feminina teen. Achei que ninguém podia me ver, mas justamente minha mãe me viu ali.
- Eu... Eu... - definitivamente, eu não sei mentir! - eu tava tomando um ar. Porque a gente nunca fez um piquenique debaixo daquela árvore? É um ótimo lugar.
- É mesmo? E o por quê olhava tanto para a outra casa? Parecia estar usando a árvore para se esconder...
- Eu? Me esconder? Porque eu me esconderia? - fiz cara de inocente. Eu sabia que minha mãe me daria uns tapas se soubesse que eu estava observando a vida dos outros. Ai meu Deus. Imagina se ela soubesse que um garoto entrou aqui. Teriamos mais um velório.
- Não sei por que faria isso. Aliás, chega de enrolação. Já sei que estava tentando se esconder de mim para não me ajudar a guardar as compras. Se pensa que sou burra e que vou criar filha preguiçosa, você está muito enganada! - disse minha mãe, me fazendo dar um suspiro de alívio. Minha mãe não era burra nem nada, mas naquele momento agradeci aos deuses por ela ter achado que eu tava me escondendo pra não ajudar a guardar as compras, que por acaso eram muitas coisas.
- A senhora me pegou. - falei de cabeça baixa. Acho que deixei um sorriso escapar, pois quando levantei a cabeça, ela estava olhando sério pra mim. Cheguei a sentir um calafrio percorrer meu corpo.
- Anda. Vai logo guardar essas coisas no armário da cozinha antes que eu te dê uns tapas, garota. - ela sempre falava isso quando estava desconfiada de algo. Por isso resolvi ir logo antes que ela descobrisse o que eu tava pensando.
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Mais um capítulo \00000/
Nossa. Esse capítulo custou a ser escrito Kkk quase não consegui. Mas me esforcei bastante. Por vocês!
Espero que gostem verdade!
Me deixem feliz e deixem suas opiniões aqui embaixo nos comentários.
Obrigado a todos que estão lendo. Vocês são os melhores. De verdade <3
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