Torre de Astronomia

Draco Malfoy odeia Harry Potter.

Odeia o senso ridículo que ele tem de querer salvar o mundo a todo momento. Odeia quando ele se enfia onde não foi chamado pra defender um dos seus amigos. Odeia aquele par de óculos tortos e as roupas de má qualidade.

Odeia o fato de que fora Potter que o salvara de ir pra Azkaban depois da Guerra, depondo a seu favor e a favor de sua mãe, Narcisa.

Odeia que ele tenha recusado seus agradecimentos.

"Todo mundo merece uma segunda chance, Malfoy."

Simples.

Draco Malfoy odeia Harry Potter.

Odeia o quanto ele se mete em encrencas, e o quanto ele tem que ouvir seu nome pelos corredores de Hogwarts toda vez que ele salva alguém. Odeia a fama idiota do maldito grifinório, que procura qualquer oportunidade pra se sacrificar em prol dos seus amigos ou de algum ideal ridiculamente bom.

Odeia.

Acima de tudo, Draco Malfoy odeia que Harry Potter seja tão puro que sequer o odeia de volta. Odeia que ele não o despreza, e abandonou há tempos o termo "Doninha" em tom sarcástico para insultá-lo. Odeia que ele ignore todas as provocações, céus. Seria tão mais fácil se Harry Potter respondesse a algum insulto, o atingisse com um Estupefaça, ou mesmo mais um Sectumsempra.

Draco Malfoy odeia Harry Potter, como tem que ser, com todas as suas forças.

Odeia seu tom de voz, odeia sua cicatriz em forma de raio, odeia sua estatura estupidamente mediana, odeia o modo como segura a varinha para conjurar mais um feitiço. Odeia saber que ele sobe até a torre de astronomia todas as noites, e chora em silêncio pelas perdas da Guerra. Odeia saber que ele se sente culpado por tudo isso.

E Draco também odeia a si mesmo, por, numa dessas noites, oferecer seu consolo. Não o leve a mal, Draco Malfoy odeia Harry Potter. Odeia que o menino tenha aceitado seu abraço, e odeia que ele tenha chorado no seu ombro por horas a fio. Odeia mais ainda que Harry Potter, pela primeira vez, tenha feito seu coração pulsar como louco dentro do peito, para, em seguida, enxugar o rosto e ir embora como se nada tivesse acontecido.

Draco Malfoy odeia Harry Potter mais que tudo no mundo, por tantos e outros motivos que a lista seria infinita. Ele odeia que tenha passado a se encontrar com o moreno na torre de astronomia todas as noites, porque ele odeia Harry Potter, mas odeia saber que Potter tem pesadelos e prefere uma detenção por vagar pelos corredores do que enfrentá-los mais uma vez. E Draco odeia preferir uma detenção a deixar Harry sozinho por outra madrugada.

Draco Malfoy odeia Harry Potter.

E passou a odiá-lo ainda mais depois que esses encontros tornaram-se frequentes, porque Draco odeia a respiração de Harry contra o seu pescoço. E odeia que isso o deixe arrepiado. Odeia que isso o deixe fora de controle.

Junte todos os poréns, e Draco ainda odeia Harry Potter.

Odeia cada milímetro de pele existente no garoto. Odeia seus cabelos negros, sua pele oliva, seus olhos verdes. Odeia seus lábios retorcidos numa careta desgostosa quando Draco, de súbito, se afasta do seu abraço, porque, apesar dos apesares, Draco Malfoy odeia Harry Potter.

Odeia apertar seu corpo contra o dele, e, por Merlin, odiou quando seus lábios se tocaram pela primeira vez, numa dessas noites por aí. Draco Malfoy odeia o sabor dos lábios de Harry Potter. Odeia ter cedido, e odeia não ter se afastado quando os braços de Potter rodearam seu pescoço e uma de suas mãos despenteou seus cabelos cuidadosamente arrumados quando os agarrou para continuar beijando-o. Odeia não ter se impedido quando Harry o puxou em direção a uma das mesas empoeiradas no canto da torre, e sentou-se lá sem importar com a sujeira em seus pijamas. Quando o puxou com as pernas para continuarem se beijando. Quando Harry desabotoou habilmente os botões de sua camisa de dormir. Odeia ter se dado conta do que estava fazendo só quando o tecido escorregou pelos seus braços e expôs, pela primeira vez desde o fim da Guerra, a Marca Negra em seu antebraço.

Odeia que tenha se afastado bruscamente, pego sua camisa e fugido, covardemente, de volta pras Masmorras, mas odeia ainda mais que tenha voltado na noite seguinte.

Draco Malfoy odiou Harry mais do que nunca quando eles começaram a discutir, e Harry berrou que não se importava nem um pouco com a Marca Negra quase brilhante na pele branca de Malfoy. Ele berrou porque, Draco sabia, a torre estava enfeitiçada pelo Abaffiato que Harry conjurou quando começaram a discutir — sabia também que Potter não fez isso para se salvar caso alguém ouvisse a discussão. Fez isso para proteger Draco. E Draco o odiava.

Achou que não poderia odiar mais, mas odiou, quando Harry calou seu argumento com um beijo, e odiou o suspiro satisfatório do Potter em sua boca. Céus, Draco odeia que o corpo de Harry se encaixe tão bem contra o seu, e odeia ouvir seu nome sendo sussurrado dentre os lábios do moreno, porque mais que tudo, Draco odeia saber provocá-lo, manipulá-lo e fazê-lo ceder. Draco Malfoy odeia ter Harry Potter completamente em seu poder, como se estivesse sendo controlado pela maldição Imperius.

Odeia suas mãos deslizando por baixo das vestes irritantementes vermelhas e douradas, e odeia tê-las arrancado com facilidade antes de voltar a beijar os lábios de Potter, já inchados devido ao beijo intenso que trocaram anteriormente.

Draco Malfoy odeia Harry Potter e odeia ter se entregado profundamente a ponto de transar a noite inteira com ele. E odeia que tenha voltado para repetir a dose em todas as madrugadas seguintes. Odeia ter ficado até o amanhecer com Potter em seus braços, conhecendo-o melhor.

Porque, veja bem, Draco Malfoy odeia Harry Potter. E odeia que seu corpo precise tanto do dele.

Oh, céus. Odiou que Potter tenha sussurrado, sem querer, que o amava, no ápice do seu prazer, enquanto o arranhava e se contorcia embaixo do seu corpo.

Draco Malfoy odeia Harry Potter.

Entretanto, Harry Potter ama Draco Malfoy.

Isso está certo? Não, deve ser algum engano. Harry Potter não pode amá-lo, porque em todos esses anos, tudo o que Draco fez foi se esforçar para que Potter o odiasse na mesma intensidade. Para que Potter odiasse seus olhos acinzentados, seu cabelo tão loiro quase branco, seu nariz empinado e, principalmente, sua boca, pois ela só se abria em sua presença para insultá-lo. Draco Malfoy precisa que Harry Potter o odeie.

Porque Draco Malfoy odeia Harry Potter.

— O que você disse, Potter? – Sussurrou ele, quando já estavam vestidos e limpos graças a um ou outro feitiço. Harry encostou a cabeça na parede e fechou os olhos, respirando fundo várias vezes. Draco podia ver as marcas vermelhas e roxas enfeitando o pescoço do Potter, e odiou cada uma delas.

Disse que eu amo você, Malfoy.

Draco odeia esse tom de voz, rouco, grosso, que Harry possui após o sexo. Odeia porque o dá vontade de beijá-lo e fazer tudo mais uma vez, e Draco odeia tudo isso. Ele odeia o fato de que Harry Potter consegue admitir seus sentimentos em voz alta.

E odeia que seu coração tenha pulsado como louco mais uma vez, embora soubesse, bem lá no fundo, que seu coração pulsava assim toda vez que seus olhos encontravam as orbes verde-esmeralda. As orbes que ele odeia.

Silêncio.

Harry suspirou, ainda bem que não podia ouvir os pensamentos de Draco, pois tudo que ouviria seria confusão. Barulho. Caos.

O que você sente por mim, Draco?

Lá estava ela: A Pergunta. Draco Malfoy odeia A Pergunta, odeia não ter se incomodado com o uso do seu primeiro nome, e odeia Harry Potter. Ele queria dizer isso, por Merlin, como queria, gritar pelos quatro cantos de Hogwarts como odeia Harry Potter, e o quanto ele é ridículo, e esquecer que Potter disse que o ama.

Draco Malfoy odeia Harry Potter. Odeia vê-lo todos os dias no café da manhã, almoço e jantar, e em metade de sua carga horária escolar. Odeia que Harry seja tão ruim em Poções, mas tão bom em Defesa Contra as Artes das Trevas. Odeia que ele consiga conjurar um Patrono perfeito, e odeia que ele jamais se gabe por isso. Odeia que ele seja um apanhador prodígio do time de Quadribol e odeia que ele não tenha feito o mínimo esforço para conseguir o título de capitão porque, droga, ele odeia que Potter tenha um dom natural para a coisa.

Draco Malfoy odeia Harry Potter.

Ele virou o rosto, e encarou-o. Embora esteja arrumado, o suor ainda escorria sutilmente pelas laterais do seu rosto, seus fios rebeldes estavam colados em sua pele e sua respiração ainda não estava completamente regulada. Seus óculos pateticamente tortos estavam seguros por uma de suas mãos, apoiada em um dos seus joelhos, e Potter não sentia a mínima vontade de colocá-los no rosto ainda. A mão de Draco deslizou discretamente pelo chão até encontrar os dedos de Potter. Os entrelaçou. Seus olhos se encontraram. Cinza no verde. Ele sentiu como se estivesse sob o efeito de Veritaserum. Trocaram um sorriso.

Draco Malfoy odeia não conseguir odiar Harry Potter.

Eu amo você, Harry Potter.

No final das contas,

Draco Malfoy nunca odiou Harry Potter.

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