Cap.14 - Senhorinha da Biblioteca
POV Talia.
Sai do banheiro, e vesti uma das minhas roupas clássicas: blusa de manga, calça, as luvas de Invocação e botas. Drago não estava mais no quarto, o que me fez sair o procurando, estou com saudades e ele simplesmente some, às vezes tenho vontade de esganar ele. Segui pela casa, memorizando cada cômodo pelos quais passei para não me perder.
Depois de andar por toda a casa, eu não o encontrei, até que noto uma porta que eu não havia visto antes.
Eu: Drago. Você tá aonde? - pergunto olhando para a porta.
Drago: tô aqui Talia - sua resposta vem do outro lado da porta que eu olhava, bem como esperava.
Comecei a seguir para aquela porta.
Eu: você simplesmente me manda tomar banho, aí some da minha vista. E o que está fazendo? - abri a porta e me dei com o quintal, algumas piscinas com a água borbulhando, devem ser fontes termais - Waw. Essa casa não para de me surpreender.
Drago: de forma boa ou ruim? - escuto sua voz vinda de um dos cantos do quintal.
Eu: de forma boa - finalmente olho pra onde ele estava, e ele estava deitado em areia no canto do quintal - ah meu deus, voce está como quando uma criança vem ao mundo.
Drago: claro que sim. É o único jeito da areia quente funcionar.
Eu: areia quente? - pergunto, claramente confusa.
Drago: sim. Ajuda a relaxar e hidratar a pele ou as escamas. Mas, é claro, que a areia do seu mundo é diferente, então lá não fará efeito.
Eu: da pra se vestir, ou virar dragão?
Drago: desculpa - ele riu e o mesmo cresceu um pouco, se transformando num dragão negro de quatro metros de altura - melhor?
Eu: sim, obrigada. - sorrio de leve para ele, ele não retribui o sorriso, mas seus roxos olhos de lagarto demonstravam que ele se divertia.
Drago: sinto que quer me perguntar algo importante. O que é? - ele passou a me encarar sério, vamos Talia, é sua hora de pedir pra ele.
Eu: quero que me de volta para a Mystic Academy. - peço de forma firme, para o mesmo ver que não estou brincando.
Drago: não! Não vou te levar de volta! Não vou te deixar com aquele lobisomem de novo. - disse sério, pronto, vai começar.
Eu: já tivemos essa conversa, Drago. E aliás, eu tenho de voltar pra lá, do mesmo jeito que você tem de retornar para a caverna do Viserion para continuar seus estudos para se tornar o General! - mas aquele projeto de lagartixa gigante me ignorava - dá pra me escutar?!
Drago: só porque não respondi não significa que não estou escutando. E porque quer tanto voltar? - ele parecia confuso, não compreende o quanto aquele lugar me fez bem.
Eu: aquele lugar é gigante, com pessoas boas, uma ótima atmosfera, aventuras, amigos, ensinamentos melhores do que você e o mundo humano podem me dar. Por favor Drago, me leva de volta. - ele me olhou, seu olhar aparentava expressar tristeza.
Ele se levantou e virou humano, mas estava com suas roupas (ele pode alternar entre virar humano nu ou vestido e não me disse! Mas, deixe-mos para outra hora) e andava devagar para a porta pela qual entrei.
Eu: Drago. Me desculpa, mas...- o chamo de novo, na esperança dele resolver me escutar.
Drago: não, não se desculpe. Você está certa. Lá é mais divertido, maior, pode aprender mais do que comigo, e está mais segura do que está comigo. Então, não se preocupe. É pra lá que você quer ir? Tudo bem, é pra lá que vou te levar. - ele parecia triste e bravo mesmo tentando esconder por trás de seu rosto calmo, mas sua voz, revelava o que estava sentindo - está esperando o quê? Vamos.
Ele se afastou da porta que dava para o interior da casa caverna e veio até mim, me segurando pela cintura enquanto se transformava. Senti o vento forte em mim e já estava na garupa do meu dragão negro, que me levava de volta para a Mystic Academy. Durante todo o caminho, ele permaneceu calado, e eu não ousei puxar conversa para não o irritar mais ainda.
Quando chegamos, ele pousou um pouco distante dos portões para não ser visto e eu desci de sua garupa.
Eu: até a próxima, Drago. - disse o olhando e fiz um leve carinho em seu focinho.
Ele bufou, fazendo um ar quente junto com fumaça sair por suas narinas. Logo se afastou e saiu voando de volta para casa.
Me viro e passo pelos enormes portões do colégio, admirando o gramado, as árvores e arbustos do gigantesco jardim que estava a dispor do descanso dos alunos. Segui por toda a extensão até o nosso quarto, o 235, entrando eu já fui recebida por um grande lobo que não parava de abanar a cauda e soltar latidos agudos fofos, feliz em me ver.
Eu: calma James! Já estou de volta. - rio da atitude do meu amigo e ele volta a ser humano, me envolvendo num abraço em seguida.
O que eu estranhei, é Selkie e Darwin não estarem no quarto. Mas isso é assunto para outro momento.
James: está tudo bem? Ainda esta ferida? - ele pergunta, como ele consegue se preocupar muito comigo e tão consigo mesmo?
Eu: estou bem sim. Drago cuidou dos meus ferimentos. E como está o Eagle?
James: está bem. Já o mandei de volta pra casa pelo símbolo de Invocação. Ele apenas tinha quebrado a asa, mas os curandeiros foram bem eficazes e o curaram dentro de dez minutos.
Eu: isso é ótimo. - quando já iria me soltar dele, me lembrei de algo, que, considerando onde estou, é bem importante. - que dia é hoje?
James: dia cinco. Porque?
Eu: porcaria! O prazo termina hoje! - me solto do lobisomem e corro para minha cama, tirando o livro da biblioteca da bolsa.
James: prazo de que? - ele pergunta, claramente confuso.
Eu: devolver o livro da biblioteca. Depois eu volto.
Sai correndo para a biblioteca, de depois de uma boa corrida eu chego lá e empurro uma das duas portas grandes que formavam a porta dupla da biblioteca. Quando finalmente entrei (depois do esforço de abrir a porta) fui direto para a bibliotecária, a senhora que cuidava das coisas naquele enorme lugar.
Eu: cheguei para devolver o livro.
Bibliotecária: ah. A garota curiosa sobre dragões. Chegou bem a tempo. - ela diz, com sua voz gentil de senhora quase idosa.
Eu: eu sei. Mas o que importa, é que eu trouxe e cumpri o prazo ^^
Bibliotecária: tem razão fofa. - ela pegou o livro e o meu cartão de aluna para anotar que eu havia entregue o livro.
Como as coisas por aqui, são meio antiquadas (depende do lugar, alguns lugares são medievais ainda) e a bibliotecária está numa idade mais avançada, com certeza vai demorar. Então, eu resolvi olhar os livros que estavam empilhados na mesa dela, obviamente são os livros que foram entregues por alunos hoje e ela ainda não os pôs em suas devidas estantes.
Enquanto eu olhava os títulos e as sinopses, escutei o som estridente de algo caindo e risadas vindas de um dos corredores feitos pela grande quantidade de estantes, o que me assustou.
A quase idosa bibliotecária se levantou com a ajuda de uma antiga bengala de madeira e seguiu na direção das risadas. Como eu quero ver no que vai dar, eu vou junto. Quando chegamos, tinham vários livros espalhados pelo chão, e alguns alunos riam do mais novo do grupinho que estava de cabeça baixa e coçando a nuca meio corado de vergonha. Provavelmente ele caiu e ninguém o ajudou.
Bibliotecária: ajudem ele a arrumar essa bagunça. - ela diz, em seu tom gentil de senhorinha.
- fique na sua velhota. Ele que bagunçou, ele que arrume. - um dos que riam respondeu.
- não precisa se incomodar com isso, eu arrumo. - disse o garoto que provavelmente caiu, ele se abaixou e começou a catar os livros e a os por de volta na estante.
Bibliotecária: ajudem ele a arrumar, AGORA!!!!! - seu grito foi de raiva e pura falta de paciência, os garotos se assustaram e começaram a ajudar o colega a pegar os livros e guardar. - obrigada, vocês são uns doces ^^
Caramba! Até eu me assustei com a senhora bibliotecária agora.
Eu: a senhora é bem durona. - digo sorrindo me virando para a bibliotecária que havia voltado para seu posto e voltado a terminar o trabalho.
Bibliotecária: com os anos que trabalho aqui, aprendi uma coisa ou outra. Principalmente como manter a ordem. A experiência de ser mãe, ajuda em muitas ocasiões
Eu: ser mãe? Como ajuda?
Bibliotecária: ajuda você a ser mais responsável, mais madura, porém, com um toque divertido e gentil. E principalmente, ajuda a por a ordem na casa. - ela termina de anotar as informações e me devolve meu cartão de estudante. - pode voltar para pegar outro livro a qualquer hora, Talia.
Eu: obrigada. Mas, depois de tudo que já li, vou dar um tempo. Logo logo estou de volta.
Bibliotecária: espero mesmo. - ela sorriu, eu sorri de volta, e finalmente, sai da biblioteca voltando para meu quarto, onde eu guardei meu cartão de estudante e deitei em minha cama.
Logo, vejo a face do James sobre a minha.
James: porque está tão sorridente? - ele pergunta, sorrindo também.
Eu: acho que fiz amizade com a tia da biblioteca.
Continua...
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