Dominó
Felix conseguia escutar as vozes de seus pais na cozinha no andar inferior. Eles quase nunca brigavam e Felix sabia que naquele momento eles discutiam por causa do que havia acontecido com ele. Ele sai de seu quarto e caminha lentamente para o térreo.
Ao chegar na sala já era possível entender sobre o que os dois falavam.
- Eu só quero justiça pro nosso filho - ele escuta a voz de sua mãe.
- O Felix não merece passar por mais humilhação e trauma, ele já está sofrendo o suficiente - pelo tom de voz, seu pai parecia estar nervoso.
Os dois ficam em silêncio por um momento e Felix cogita entrar na cozinha, mas eles recomeçam a falar.
- Ele vai ter o que merece de qualquer forma, eu vou providenciar que ele fique naquele lugar pra sempre - seu pai rosna.
- Mas as pessoas não saberão a verdade, não vão saber do que aquele homem é realmente capaz - minha mãe parecia estar um pouco desesperada.
- Esse tipo de coisa poderia mexer com a nossa reputação e com a reputação da empresa, sem contar que assombraria o nosso filho por toda a vida...
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Sinto uma vontade incontrolável de vomitar, largo o notebook na cama e corro para o banheiro, quase não chego a tempo de soltar tudo no vaso sanitário.
Me sento no chão do banheiro, mortificado, estático, meu coração batia descompassadamente, o ar mal entravam em meus pulmões. Não fazia ideia de como aquilo tinha chegado até mim depois de todos esses anos e preferia não ter visto o conteúdo do pen drive.
Não sabia quanto tempo eu havia passado sentado ali no chão e só saio daquele devaneio que me angustiava quando escuto alguém bater na porta.
Me levanto rapidamente e volto para o quarto, o notebook ainda estava aberto no vídeo que rodava em looping. Retiro o pen drive, o guardo no bolso e fecho o aparelho.
- Felix - escuto a voz de Hyunjin e mais batidas na porta.
Respiro fundo e passo as mãos no rosto para limpar as lágrimas que ainda estavam ali.
Destranco a porta e a abro, ele parecia estar um pouco nervoso, mas logo se demonstra confuso ao olhar para o meu rosto.
- O que aconteceu? - ele se aproxima de mim.
- Nada - respondo fraco - O que você quer?
- Bom, eu ia perguntar... Não tem importância, por que você estava chorando? Seus olhos estão muito vermelhos - ele coloca uma mão na lateral do meu pescoço - Você está bem quente também, me fala o que aconteceu.
Ele olha para o quarto por um momento como se tivesse algo que o ajudaria a entender o que estava acontecendo. Eu apenas o encaro, meu rosto tremia e eu tentava segurar os sentimentos que estavam dentro de mim.
- Felix...
Tudo desaba ao ouvir seu tom de voz sereno. Coloco as mãos em meu rosto e as lágrimas vêm aos montes junto com gritos agoniados, minhas pernas pareciam fracas demais para suportar o peso do meu corpo. Eu já estava caindo quando sinto Hyunjin me segurar e ambos ficarmos de joelho, ele me abraçava forte.
- Felix, e-eu estou muito preocupado - sua voz tremia, mas seus braços seguiam forte me abraçando - Você está tremendo...
Minha cabeça doía muito e eu já não estava mais nos braços de Hyunjin, abro os olhos com um pouco de dificuldade. Hyunjin estava dirigindo e me olha quando eu o olho.
- Já estamos chegando no hospital - ele fala rapidamente, sua expressão estava séria, preocupada.
- Eu.. Eu estou bem - minha voz sai fraca.
- Não, não está - ele fala sério.
Ao chegarmos no estacionamento do hospital, ele sai rapidamente do carro e corre para abrir a porta para mim e me ajudar a sair. Caminhamos para dentro do local, Hyunjin segurava meu braço.
- Bom dia - paramos no balcão de recepção - meu.. amigo não está bem, ele vomitou e parecia estar em estado de choque e acabou desmaiando - ele fala rapidamente para a recepcionista.
- Tudo bem, vou encaminhá-los a um médico, aguardem um momento - ela responde gentilmente.
Depois de 15 minutos, nós já estávamos dentro da enfermaria conversando com o médico que estava de plantão.
- Só está com dor de cabeça agora? - o doutor pergunta para mim.
- Sim - respondo sem ênfase.
- Ele também está tremendo - Hyunjin acrescenta sério.
- Como vocês disseram, o senhor não chegou a bater a cabeça nem nada, mas só para garantir irei fazer o pedido de uma tomografia, tudo bem? - o médico me olha sério.
- Eu estou bem, doutor - respondo mal-humorado.
Ele apenas me dá um leve sorriso e se retira.
- Quer parar com isso? - Hyunjin coloca a mão em meu ombro e me encara.
Eu me limito a bufar e o olhar meio chateado.
- Se você estivesse realmente bem, não teria acontecido o que aconteceu e se não for físico, é algo emocional.
- Eu só tive uma crise de ansiedade - estava ficando nervoso, não queria toda aquela atenção naquele momento.
- Eu sei que aconteceu algo e tudo bem se não quiser me contar, mas não vou deixar você agoniando - ele encara meu rosto, mas mantenho meus olhos desviados dele - Está me escutando?
Ele levanta meu rosto em direção ao seu para conseguir encarar meus olhos. Uma enfermeira entra na sala carregando algumas roupas privativas para mim o que faz Hyunjin se afastar de mim.
- É... Se o senhor estiver com algum material de metal, tenho que pedir para que se troque - ela dá um sorriso meio sem graça e me entrega as roupas.
Estava sentado em um quarto particular esperando o médico trazer o resultado da tomografia e Hyunjin voltar com a água que ele se ofereceu para pegar e acaba que os dois chegam juntos.
- Pois bem - o médico me entrega o resultado - Não há nenhum dano físico. O senhor passou por alguma coisa que pôde gerar algum impacto sentimental?
- Não, eu só não me senti bem, doutor, eu costumava ter algumas crises de ansiedade - respondo.
- Vou lhe recomendar alguns exames de check-up e se o senhor não recebe ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, recomendo que comece, as doenças psicológicas são as piores - ele dá um leve sorriso e havia pena estampada em seu rosto - Não deixe de se alimentar bem e tentar dormir bem, não vai quer entrar nas fase dos remédios.
Odiava que as pessoas me olhassem com pena, bufo e desvio o olhar. O médico sai do quarto.
- Quando estiver pronto para falar, eu estou aqui - Hyunjin fala enquanto nos dirigimos para casa.
- Caralho, Hyunjin, eu não vou te contar nada, eu não posso te contar, você me pressionando dessa maneira não vai me ajudar, então faz o favor de parar - falo rapidamente e com raiva enquanto olho para ele.
Por um momento ele parece um pouco surpreso pela minha explosão, mas logo sua expressão muda para irritação e ele volta a olhar para frente.
No momento em que entramos em casa, meu celular começa a tocar, era um número desconhecido.
- Alô, quem fala? - atendo.
- Felix, oi - era uma voz masculina que eu não reconhecia - meu nome é Yang Jeongin, sou filho da Yang Soojin, a empregada que trabalhava pra sua família...
- Sim, eu me lembro dela - o interrompo - Algum problema?
- Eu encontrei uma carta com seu nome no meio das coisas da minha mãe, acho que você vai querer ver isso - ele continua.
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Agradeço muito por lerem, por favor, não se esqueçam de favoritar e compartilhar com os stays. Sintam-se a vontade para comentarem, amo interagir com vocês e me incentiva muito a continuar.
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