67 - Você é um gênio!

NARRADOR

Tudo se tornou mais fácil com a chegada de Rocha. Não que Ingrid precisasse de companhia para agir, mas sua presença lhe deixava segura.

Ela já sabia exatamente o que fazer, então, enquanto sua dupla dinâmica não chegava, foi atrás Lara, uma das motoristas do hotel. Precisaria de sua ajuda, mesmo que a garota não fizesse ideia disso.

Ficou sabendo por alto o que aconteceu, por conta de alguns funcionários. Ouviu umas conversas sobre "Lara ter se envolvido com a garota de olhos azuis casada". Não precisou de muito tempo para associar uma coisa a outra.

A garota estava sozinha no carro do traslado, pensando sabe-se lá o que. Ingrid precisava arrumar alguma forma de se aproximar e conseguir seu telefone. Até chegar ali, as coisas pareciam fáceis... mas agora que estava acontecendo, parecia que não sabia ao menos falar.

Rodeou o lugar algumas vezes, até que Lara notou sua indiscrição. Percebeu que estava sendo encarada, então vestiu seu melhor sorriso e aproximou-se da janela aberta, torcendo que tudo que falasse soasse de forma natural.

- Posso te ajudar? - pergunta Lara, suspeitando da postura da mulher.

A garota usava uma calça jeans clara e uma blusa polo branca.

- Na verdade, sim. Quer dizer, a ajuda não é para mim em si, mas sim, par minha amiga - dá um sorriso largo.

"Consegui não gaguejar, porra!" - comemorou mentalmente.

Lara se interessa no assunto, então abre a porta do outro lado, para que Ingrid pudesse entrar.

- Fala! Não tenho muito tempo! - diz, de forma rude.

"O que tem de linda, tem de marrenta", pensou Ingrid.

- Sabe Amora? - dá um sorriso largo - Ela estava querendo seu número de celular, sabe... para marcarem algo a mais, se é que me entende.

As bochechas da garota ficam ruborizadas no mesmo momento, e ali, Ingrid tinha certeza de que havia conseguido o que queria.

- Está falando sério? - pergunta, com um sorrisinho de lado.

- Claro! - fala um pouco mais alto do que deveria, mas tenta disfarçar com uma tosse baixa - Mas por que? Não terminou bem entre vocês?

- Ah... Até que sim, mas ela é casada, então pensei que não ia passar do beijo - dá de ombros.

- Pensou errado, porque mesmo com Henrique, ela não para de falar em você! - mente descaradamente.

- De qualquer forma, isso não é certo. Fala para ela deixar pra lá. Foi bom, mas não quero problemas - dá de ombros.

Ingrid revira os olhos, insatisfeita com a resposta.

- Para com isso, menina! - dá um sorriso forçado - Se rolou o beijo, é porque o casamento não está lá essas coisas, não acha? - ri - É só questão de tempo para esses dois se divorciarem.

Lara arqueia a sobrancelha e pensa um pouco antes de responder. Depois de um longo minuto, ela dá de ombros e sorri.

- Você está certa e... De certa forma, isso não é problema meu! - pega uma caneta que estava dentro do bolso de sua camisa polo, puxa o braço de Ingrid e anota o número.

Quando a garota termina, Ingrid dá um sorriso e puxa o braço para averiguar o telefone.

- Ela vai ficar feliz! - suspira - Sabe, Amora está precisando distrair a mente desse casamento de merda.

Lara sorri.

- Espero poder ajudá-la.

Ingrid dá uma risadinha, concorda e sai do carro em seguida, orgulhosa por ter conquistado o número com tanta facilidade. Agora precisaria esperar a chegada de Rocha para concluir tudo da melhor forma possível.

***

Seu fiel escudeiro chegou na manhã seguinte, o que lhe deixou estressada, pois queria realizar o plano o quanto antes. Apesar disso, não reclamou, pois Rocha estava sendo bem mais que apenas seu segurança.

Assim que pisou no hotel, foi direto ao quarto de Ingrid, pois ficaria ali até o fim da viagem. A parte ruim, é que a mulher tinha noção dos sentimentos do segurança por ela, mas fazia questão de ignora-los. Quer dizer, pior, os usava ao seu favor, como naquele momento.

Passaram o dia inteiro arquitetando uma forma de pegar o celular de Amora, mas como? E ainda tinha a questão do bloqueio! Ingrid achava que a garota não era do tipo que colocava senha no aparelho, mas ainda sim havia essa possibilidade.

De qualquer forma, preferiu confiar em seu instinto.

Cogitaram simular um roubo, mas aquilo atrairia muitos olhares, o que seria péssimo. Até que Rocha teve uma ideia espetacular.

- Convide ela à sauna, daí simulamos um incêndio! - dá um estalo com a língua - Você pega o celular e BINGO!

- E como vou fazer para pegar o celular, Rocha!? - pergunta, como se fosse algo extremamente impossível.

- Arrume uma forma de distrai-la, Ingrid! Dê seu jeito! Seja simpática... Sei lá!

A mulher suspira, revira os olhos e fala:

- Tá, até posso distrai-la, mas como faço para levá-la à sauna?!

- Por que tenho que pensar tudo por você, Ingrid? - esbraveja.

Ele estava sentado à poltrona e ela deitada na cama. Repara que o homem se estressou, então resolve fazer charme.

Levanta, aproxima-se do homem e senta em seu colo, como se fosse algo natural. Rocha fica desnorteado com a atitude. Ingrid encosta seu corpo no peitoral do homem, e aproxima o rosto de seu ouvido, para cochichar.

- Vai, Rocha, me ajuda... - pede em um miado.

Ele respira fundo e responde.

- Fale que quer fazer as pazes, Ingrid. Depois de dez minutos de conversa, toco o alarme e você dá um jeito de pegar o aparelho, está bem?

Ela sorri e dá um beijo estalado em sua bochecha.

- Você é um gênio! - levanta-se e comemora.

Agora que tudo estava planejado, bastava ajeitar os detalhes para agir no dia seguinte. Precisava fazer certo, pois o plano tinha que funcionar.

Ela precisava de Henrique de volta.

Ingrid não conseguia acreditar que o plano de Rocha havia dado certo. Amora ficou tão nervosa com o alarme de incêndio, que acabou deixando o celular para trás antes de sair da sauna. Ela vibrava em silêncio, afinal, não queria correr o risco de ser pega no ato.

Assim que todos saíram para comer, Ingrid puxou ansiosamente seu guarda-costas e o levou em direção ao quarto, pois precisava de fato ver se o aparelho possuía alguma senha de bloqueio.

No caminho, foi passando o plano parte a parte em mente, para saber se estava esquecendo de algo.

- Pegar o número de celular de Lara;

- Arrumar uma forma de pegar o celular de Amora;

- Mandar uma mensagem marcando um encontro sexual entre as duas, onde pede para Lara 'surpreende-la';

- Arma uma forma de Henrique flagrar tudo aquilo.

Henrique teria que ser muito idiota para perdoa-la depois disso, e, sinceramente, era exatamente nisso que Ingrid se apegava. Sabia que o ex-marido não era lá muito vingativo, mas torcia para que ele chorasse as magoas com ela, e caso não fosse, daria um jeito que fazê-lo mudar de ideia.

Para alguns, a situação aparentava ser humilhante, pois não faz sentido algum correr atrás de alguém que não se interessasse, e tampouco tivesse quaisquer sentimentos por você. Mas Ingrid não enxergava dessa forma. Havia definido um objetivo, e, sem duvidas iria até o fim para conquista-lo.

Tirando que acreditava piamente que Henrique ainda nutria algum tipo de sentimento por ela, afinal, o relacionamento não terminou da forma que deveria. Não foi por falta de amor de ambos os lados, e ela tinha ciência disso. Algo tão puro e verdadeiro não poderia ter sumido com o tempo.

Sabia que sua volta havia mexido com o ex, pois notava muito bem suas reações com sua presença, principalmente nos jantares que foram juntos. Não duvidava de seus sentimentos por Amora, até porque, seus olhos brilhavam com sua chegada..., mas achava errado, pois aquilo deveria lhe pertencer.

Respirou fundo e deixou os sentimentos auto destrutivos de lado. Precisava focar no agora, para depois se apegar ao resto.

Assim que entraram no quarto, Ingrid encara ansiosamente seu segurança e amigo, que tenta confortá-la com o olhar. Fecha a porta e tira o celular da bolsa do roupão, torcendo para que não houvesse senha de bloqueio.

O nervosismo toma conta de seu corpo, então ela prefere entregar o aparelho nas mãos de Rocha. Quando se livra do celular, da de costas e se joga na cama de casal que tinha no quarto. O homem senta na poltrona que tinha ali e olha fixamente para a tela, sem soltar um pio.

Depois de longos segundos, ela não se aguenta e pergunta.

- E aí, Rocha? Tem senha? - senta-se, encarando o amigo sentado.

Ele dá um sorriso largo e diz:

- Ou você é uma pessoa muito sortuda, ou ela é muito idiota.

- Zero senhas? - sorri.

- Zero - dá de ombros e estica o braço para entregar-lhe.

Ela pega o celular e se encarrega de salvar o número de Lara no mesmo instante. A ansiedade tomava conta de cada parte de seu corpo, e suas mãos chegavam a tremer. Manda a mensagem em seguida, e aguarda o retorno.

Amora Bragança - Oi, Lara!

Joga o celular para o lado, levanta e anda de um lado para o outro, nervosa. Rocha até pensa em pedir para a mulher se acalmar, mas sabia que seria em vão, afinal, conhecia Ingrid melhor que a todos.

A resposta demora a vir, o que deixou a mulher ainda mais nervosa.

- Vou colocar uma roupa enquanto essa garota não responde! - esbraveja, andando em direção ao seu armário, onde separa uma muda e tranca-se no banheiro.

Depois de alguns minutos, o celular toca, e Ingrid ouve. Como reação, a mulher sai enrolada na toalha, ainda com shampoo na cabeça. Rocha não consegue segurar a gargalhada, e como resposta, ela dá um sorrisinho e revira os olhos.

- Não enche, tá? - ri - Estou NERVOSA! - ela pega o aparelho e dá um largo sorriso com a resposta.

Lara - Oi, gata! Sua amiga falou do seu interesse... Fiquei até nervosa!

Amora Bragança - HÁ, HÁ, HÁ! É que gostei do seu beijo, mas quero mais... se é que me entende, rs.

Lara - Como, quando e onde? rs.

Ingrid coloca o celular de lado, dá uns pulinhos e batuca na escrivaninha. Ficou empolgada de verdade com o que estava acontecendo.

Amora Bragança - Hoje a noite, quarto 343. Me surpreenda. Chave embaixo do tapete.

Lara - Gostei da ideia. Te vejo dez da noite, fechado?

Amora Bragança - Fechado! :*

Ingrid bloqueou o celular, jogou para o lado e sorriu de forma estridente.

- Agora é só aguardar! - sorri, feliz.

- Você é demais, Ingrid! - diz Rocha, orgulhoso.

- Eu sei! - dá uma risada e volta ao banheiro. Antes de entrar, coloca a cabeça para fora - Vamos observar o caos de camarote! - conclui e fecha a porta.

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