44 - É, chegou o momento do bendito Baile de Gala

HENRIQUE

Passamos a noite de quinta-feira resolvendo como lidar com aquela situação em relação a empresa. Nossa sociedade é horrível, e tende a culpar a mulher por conta desse tipo de agressão. Não podíamos deixar Amora passar por aquilo, portanto, precisávamos juntar todas as nossas forças para que sua imagem não seja suja por conta de um mczinho de merda.

Precisei me segurar muito para não demonstrar o ódio que aquela situação me trouxe. Saber que alguém tentou tocar em Amora sem sua permissão revirava meu estômago de uma forma que pensei ser impossível.

A sexta-feira passou rápido, porque além de organizar uma coletiva de imprensa que aconteceu no mesmo dia, ainda estava ajudando nos últimos ajustes do Baile de Gala. Porra, minha ansiedade estava tão elevada que vez ou outra ficava com dor de barriga. Nunca quis tanto que Dani voltasse para que pudesse me acalmar.

Em fim sábado de manhã chegou e, com ele, Daniele. Acordei às cinco horas da manhã para aguarda-la na sala e, para minha infelicidade, a filha da puta só apareceu por volta das dez.

Assim que a porta se abriu, dei um pulo do sofá e fui correndo em direção ao barulho.

- Porra Daniele, finalmente! Tenho tanta coisa para te contar! Desgraçada, por que tinha que ficar tanto tempo fora? Porra, você vai morar no Brasil, caralho!

- Eita, Henri. Calma! - dá uma risada - Estava com saudades dos meus pais. Mas já estou aqui! O que houve? - Pergunta, dando-me um abraço carinhoso.

Dani usava uma calça jeans azul marinho, botas e blusa preta. Estava parecendo um cowboy, mas preferi não zoa-la naquele momento, pois precisaria do seu apoio. Não ganharia nada a deixando puta, por mais que fosse quase irresistível.

- Deixe suas coisas aí e vamos alugar a porra do meu terno. Vou te contando no caminho.

- Beleza! - ela deixa as coisas no sofá e vem em minha direção.

Não sabia por onde começar. Sei que ela me compreenderia, mas também tenho noção de que levaria um esporro de ter me envolvido com uma mulher comprometida.

Assim que entramos no carro e colocamos o cinto, não consigo dar a partida. Daniele me encara com a sobrancelha arqueada, tentando entender o motivo de minha falta de atitude.

- O que está acontecendo, Henri?

Respiro fundo e olho para cima.

- Eu e Amora transamos.

- Calma aí... Oi? Vocês foderam? E Elioth? - cruza os braços imediatamente,

- Não sabe - finalmente tomo coragem para olhá-la.

- E eles continuam juntos? - emburra ainda mais suas feições.

- Sim. Ela ia terminar com ele, mas os rapazes comentaram sobre minha bunda branca em cima de você na sala naquele dia, dai Amora se revoltou e decidiu fingir que nada aconteceu entre nós dois.

- Porra, está de sacanagem? Que garota infantil do caralho! - me dá um tapa forte no ombro - E você não explicou que foi um momento de carência dos dois?

- Ai, porra - passo a mão onde levei o tapa -! Claro que expliquei. Falei que não tínhamos nada, só que ela pensa que menti... Daí deu no que deu.

- Vocês são inacreditáveis! Ela é inacreditável! Porra, tem noção de que Eli está envolvido nessa punheta de vocês? E o pior é que ele nem sabe disso!

- Punheta? - Pergunto, confuso. Não conseguia entender o contexto daquele termo.

- Indo e voltando, Henrique! - faz o movimento com as mãos.

- Ah - dou uma risada - você é muito escrota.

- Cala a boca, Henrique! Eu estou muito PUTA com isso tudo.

- E você acha que eu não estou? Porra, ela está com ele para ocupar um espaço que me pertence. Esse relacionamento já está fadado ao fracasso, Amora só não quer enxergar.

- Isso é medo de ficar sozinha - revira os olhos -... E pior, medo da reação de Igor.

- Falei para ela, mas foi o mesmo que nada. Lázaro disse para que correr atrás dela. Esperando essa porra de Baile passar para tomar algum tipo de atitude.

- Olha, Henrique - ela vira meu rosto em sua direção. Seus olhos castanhos pareciam soltar faíscas -, eu te amo muito. E você sabe disso, certo?

- Hm... - encaro seu rosto, aguardando a bomba que viria em seguida.

- Mas se você não resolver essa porra hoje, eu vou contar para o Elioth. Ele não merece ser envolvido em um triangulo amoroso sem ao menos saber - ela diz, séria.

- Daniele, pelo amor de Deus, eu preciso de tempo para pensar em como fazer isso! Sério, não surta.

- Não surte você, caralho! Vocês dois são uma bagunça! E estão envolvendo o meu Eli nisso tudo.

- O pior é que você tem razão - finalmente dou partida no carro.

- Eu sempre tenho. Mas como você vai falar com ela?

- Já tenho uma ideia do que fazer - saio com o carro.

- Não vai me dizer? - dá um sorriso maldoso.

- Você vai descobrir com todos os outros.

- Henrique, não me diga que vai falar para todo mundo sobre o - faz sinal de aspas com os dedos - "relacionamento" de vocês?

- Eu estou cansado dessa merda, sabe? - paro em um sinal vermelho que tem próximo ao prédio - Foda-se Dani, eu amo essa garota. Você me conhece, sabe que se dependesse de mim, morreria solteiro e rodeado por mulheres desconhecidas. Odeio sentimentos. Mas por ela... Ah, minha amiga, por ela eu sou capaz de tudo.

- Meu Deus do céu, eu estou muito ansiosa por esse momento - ri animada -! Quero logo vocês juntos.

- Não seja mentirosa, sua pau no cu - dou um sorriso irônico -! Sei que sua ansiedade é por outra coisa.

- Ah, sem dúvidas! Óbvio que quero Elioth solteiro o quanto antes para que possamos voltar da onde paramos. Mas também fico feliz por você, maninho. - dá um leve soco em meu braço.

***

Passamos o dia inteiro atrás de roupas boas e arrumadas o suficiente para o baile. Deixei que Daniele escolhesse meu terno, já que aquilo não me interessava o suficiente para prender minha atenção. Ela optou por um Blazer Reserva, da Alfaiataria Panteon. Não queria admitir, mas era bem bonito e eu jamais o notaria, até porque pegaria o primeiro que visse pela frente, só para findar logo aquilo.

Para usar, Dani escolheu um vestido longo preto, tomara que caia, cheio de pedrinhas brilhosas. Aquela roupa realmente lhe caiu bem.

- Uau, ein! Se não estivesse apaixonado por outra, juro que te convidaria para sair! - falo, olhando seu corpo de cima a baixo.

- Você é idiota - ela tenta esconder o sorrisinho bobo -! Como se eu fosse aceitar o convite! - revira os olhos - Vai ser esse aqui mesmo que vou levar.

- Alugar, você quis dizer, né? Nosso combinado é alugar, certo? - cruzo os braços.

- Pelo amor de Deus, Henrique, para de ser mão de vaca. Se não tivesse dinheiro para gastar, tudo bem..., mas tem! Pois nós vamos comprar!

- Porra nenhuma! - reviro os olhos.

- Vai sim, está me devendo essa por estar transando com a namorada do meu ex.

- E isso não seria um favor para você? - dou um sorrisinho de lado.

- Não se eles continuarem juntos, né? - cruza os braços e me encara.

- Justo! - levando os braços, cedendo aos seus motivos - Eu compro.

- Muito bem, agora late! - ela fecha o provador e não contém a gargalhada.

- Garota, você tem muita sorte de eu gostar tanto de você, senão sem duvidas te odiaria.

Ela demora um pouco para tirar a roupa, e sem seguida levamos até o caixa, onde compramos e vamos embora. O Baile começava às oito horas na noite, e já eram seis e meia. Até chegarmos em casa, seriam sete. Ótimo, acabaríamos nos atrasando e provavelmente eu teria uma crise de ansiedade. Foda-se eu!

AMORA

- Amigo, você tem certeza que essa roupa não me deixa gorda? - dou um giro, exibindo o vestido vermelho com tecido estilo couro que apertava até a minha alma. Mal conseguia respirar.

- Porra, Amora - Mahmoud senta-se na cama -, pela milésima vez: está uma gostosa do caralho! E se continuar me perturbando, eu corto essa porra de vestido quando você estiver distraída.

- Quanto mau humor, ein? Puta que pariu! - ando até o armário para pegar minhas maquiagens.

- Ai, porra! Eu já estou pronto... Até o cabelo já fiz! - aponta para seus cachos perfeitamente arrumados - E você está aí nessa enrolação. Querida, acorda! Você está indo para um Baile de Gala da empresa do seu pai, não para a premiação do Oscar! - revira os olhos.

- Ai, Mah... Poxa vida! - falo, já me maquiando - É errado querer ficar linda?

- Errado é para quem você quer ficar linda, né fofa? Porra, trepa ou sai de cima, garota!

- Já te falei que estou esperando esse Baile Passar para ver se é isso que realmente quero.

- Amada? Você está se arrumando toda para o Henrique! Sem dúvidas tu já sabe muito bem o que quer.

- Não é tão fácil assim, beleza? - O encaro, enquanto passo rímel.

- Pois para mim parece bem fácil.

- Não seja babaca! - coloco o produto no armário e o encaro com as mãos na cintura.

- Não seja uma vadia, meu amor! - ele revira os olhos - Já te disse, Amora! Te apoio em suas escolhas, mas não vou mentir falando que são boas, sendo que são péssimas.

Reviro os olhos e continuo me maquiando, sem dar ouvidos às suas provocações. Fico satisfeita com o resultando, e, pelo que percebi, Mahmoud também, pois quando me virei, ele começou a bater palminhas e assobiar.

- Agora você poderia fazer o meu cabelo? - dou um sorriso sínico, como que não tivéssemos discutido há minutos.

- Garota, você é uma víbora, sabia? - levanta-se, vindo em minha direção - O que acha de uma trança embutida? Faço rápido e não nos atrasamos tanto.

- Não estamos atrasados! - bato o pé.

- Amiga, já são quase nove horas - dá uma gargalhada -, inclusive, seu celular está cheio de mensagens de Elioth, perguntando se vai demorar muito.

- E você olhou?

- Estava parecendo um vibrador do meu lado, Amora. Olhei e respondi.

- Você é muito intrometido!

- Garota, você é muito hipócrita! Hoje de manhã mesmo eu te peguei fuxicando meu instagram!

- São coisas diferentes. E se tivesse uma conversa intima entre nós dois?

- Eu torceria para que tivesse um nude de Elioth, obviamente.

Não me contenho e dou uma gargalhada. Mahmoud era uma das melhores pessoas que existiam na face da terra e essa era a maior prova.

***

Chegamos no prédio por volta das dez horas da noite, o que acabou deixando Elioth um pouco estressado - com razão. Mas ele fingiu não se importar quando viu o motivo de tanta demora.

- Puta que pariu, Amora, você está - me faz rodopiar ao redor de meu próprio corpo - uou, sem palavras!

- Gostosa para um caralho, pode dizer! - Mahmoud ri - E o cabelo, o que achou?

- Poderia estar melhor, né? - implica.

- Vou fazer um melhor com os cabelos do seu saco, lindinho. - diz Mahmoud, com um sorriso malicioso. O foda é que ele nem estava bêbado ainda... Pelo visto, só deus segura.

Elioth dá uma risada gostosa, cruza seu braço no meu e de Mahmoud e entramos no elevador como um trio. É, chegou o momento do bendito Baile de Gala.

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