42 - Thousand Miles
AMORA
A segunda-feira passou voando e, quando menos esperamos, o dia de colocar nosso plano em prática chegou. Vi Elioth da empresa, mas não tivemos muito contato além de nossos beijos de olá e adeus. Precisava focar em algo que não fosse a confusão que estava minha vida amorosa, e nada melhor do que foder a vida daquele MC medíocre.
Fui novamente acordada com Mahmoud pulando na minha cama.
- Caralho Mahmoud! Você tem que parar com essa mania!
- Larga de ser rabugenta, garota! Estou ansioso para acabar com a vida daquele imbecil!
Espreguiço meu corpo e dou um sorriso satisfeito. Pelo menos havia sido acordada por um bom motivo.
- Está bem, mas se me acordar desse jeito novamente eu juro que te sufoco de madrugada - o encaro, séria.
- Eu duvido - ele sorri, andando até a porta -. Preparei o café da manhã, sua reclamona! Se arruma logo que quero incorporar o agente 007 o quanto antes.
Foi então que reparei que meu amigo estava usando uma blusa de gola alta preta e uma calça de moletom da mesma cor. Não me aguentei e dei uma gargalhada.
- Você é a melhor pessoa que conheço! - sorrio enquanto me levantava e ia em direção ao banheiro. Mahmoud conseguiu estava tão empolgado, que conseguiu me deixar tão ansiosa quanto.
Depois de um longo banho e um desjejum reforçado, fomos em direção a boate, que, além de festas noturnas, também promovia festas de quinze anos, noivados, e coisas do tipo. Para nossa sorte, naquele dia, estava rolando a organização de um casamento que aconteceria durante a noite. Era o momento perfeito para distrairmos os benditos seguranças e recepcionistas para concluir o plano com louvor.
Assim que chegamos, Mahmoud incorpora a Fernanda Montenegro que tinha dentro de si e começa a agir como um parente muito próximo da noiva.
Fico próxima à entrada, apenas aguardando os homens estarem envolvidos o suficiente para que pudesse agir. Mahmoud chega na bancada da recepção transtornado, o que me faz precisar segurar o riso.
- Será que alguém aqui está disponível para atender o primo da noiva?
O segurança que estava próximo a cabine de funcionários foi correndo chamar o recepcionista, o que foi a deixa perfeita para adentrar a portinha que ficava ali próxima. Fui rapidamente, enquanto Mahmoud me olhava apreensivo. O nervosismo tomava conta de seu olhar. Ele me dá um chaveiro tomado por chaves pequenas, pensado ser útil caso eles ainda usassem DVD ao invés de arquivos no computador.
Foi o timing perfeito. Consigo entrar na sala no mesmo momento em que o recepcionista juntamente ao segurança volta para atender meu amigo. Não tínhamos ideia de como faria para sair, mas me dei conta de que tinha uma janela por ali. Por sorte, estávamos no primeiro andar do local, então poderia pulá-la. Assim que percebi a possibilidade, mandei uma mensagem para Mahmoud. Assim que concluísse sua atuação merecedora de um oscar, ele poderia visualizar.
Assim que consigo controlar a respiração e as batidas do coração, encaro um grande armário dividido em inúmeras gavetas datadas. Porra, a intuição de Mahmoud nunca falha.
Vou diretamente à gaveta do dia em que a festa rolou e encontro cinco dvd's, divididos em horários. Para que não pegasse o errado e tornasse nossa missão inválida, pego todos e coloco em minha pochete, - sim, eu uso pochete, qual o problema? - torcendo para que não dessem falta das filmagens. Assim que termino a missão, sinto a adrenalina tomar conta de meu corpo e em um forte impulso, pulo a janela que ficava próximo ao teto. Meu Deus, nunca me imaginei fazendo algo do tipo.
Assim que saio do local, mando uma mensagem para Mahmoud, que já me esperava no estacionamento. Fui correndo até ele, que estava com um grande sorriso no rosto, com uma expressão de orgulho pela missão concluída.
- Amiga, eu acho que vou largar o salão e me candidatar a protagonista à novela das nove. Sério, eu arrasei. Eles acreditaram até o final! Só que chegou um momento que, para não dar pinta de que estava mentindo, precisei dizer que estava no local errado.
- Eles acreditaram?
- Óbvio. Disse que o casamento da minha amada prima era na filial do segundo distrito. Pedi desculpas e vim embora.
- E se eles entrarem em contato com a outra filial?
- Ah, amiga, eles não vão. E se entrarem, o que vão fazer? Eu dei um nome falso, e nem moro mais aqui. Vão catar cabelo em ovo e, sem dúvidas, não vão achar! - dá um sorriso maléfico.
- Tenho medo disso dar uma merda do caralho - falo, entrando na Brasília de Mahmoud.
- Amiga, relaxa. Você faz B.O., nós entregamos as gravações aos policiais e salvamos o dia - sorri, colocando o sinto de segurança.
Fomos à delegacia da mulher ao som de "Thousand Miles", e dançamos estilo as branquelas para comemorar nosso feito. Conseguimos exatamente o resultado que queríamos e partimos para casa, orgulhosos. Agora era só aguardar a merda toda acontecer. Comemoramos nossa vitória ao som de Pitty, enquanto bebíamos um champanhe caro e riamos como hienas. Era tão bom quando tudo dava certo. O dia foi tão intenso que acabei fugindo dos pensamentos que tanto me torturavam, o que foi maravilhoso.
HENRIQUE
A semana passou voando, e quando percebi, já estava no fim do expediente de quinta-feira. Minha cabeça estava a mil, e mal conseguia me concentrar nas atividades. Por sorte, tinham alguns estagiários muito bem preparados que conseguiam nutrir essa minha falta de atenção.
Nunca fui fã dessa merda de baile, e nem precisava falar, meus amigos já tinham noção disso. Mas, dessa vez, era diferente. Eu iria me declarar para Amora, e pedir um veredito. Ela precisava escolher com quem ficaria..., era mais que seu dever libertar um dos dois dessa agonia. Por mais que Elioth não tivesse a mínima ideia do que realmente estava acontecendo por trás dos panos, sentia que devia isso a ele, principalmente por ter transado com sua namorada.
De qualquer forma, estava ansioso. Naquela noite, Igor fez questão de reunir todos em seu apartamento, incluindo Amora, com quem estava brigado, para dar uma notícia especial e importante, como ele mesmo definia.
Fui ansioso para o apartamento, e, assim que cheguei, me deparei com todos aguardando minha chegada para dar início ao jantar. Acontece que estava tão distraído naquele dia, que acabei me atrasando para terminar o projeto de um prédio. Tomei um banho rápido e me sentei à mesa.
Lázaro, Amora, Elioth, Mahmoud e Igor estavam ali, em silêncio. O clima era pesado, então me segurei para não fazer nenhum tipo de piada. Tinha essa tendência em momentos que estou ansioso.
Assim que me sentei, Igor se levantou e deu um sorriso largo.
- Meus amigos, tenho uma ótima notícia para compartilhar com vocês! Fiz questão de chamar todos que mais amo, mais Mahmoud e Elioth, para esse momento tão especial! - seus olhos brilhavam.
Amora revirou os olhos e apertou a mão do namorado. Senti um leve rubor de raiva alcançar minha bochecha, mas evitei encara-los. Não estava a fim de passar por um sofrimento gratuito.
- Eu estou... Noivo! - sorri, com os braços levantados, comemorando sua própria notícia.
- Está de sacanagem? - pergunta Lázaro, com os olhos arregalados.
Amora não segura a risada e eu a acompanho. Lázaro era muito espontâneo, e talvez essa fosse sua melhor qualidade.
- Estou falando sério, cara! O melhor de tudo é que todos aqui estão cansados de conhecer a pretendente.
- Você não pode estar falando sério? - pergunto, rindo de nervoso. Eu e Lázaro já tínhamos uma leve ideia de quem seria, mas Amora não. Para ser sincero, estava levemente preocupado com sua reação. Automaticamente reparei se haviam facas próximas de seu alcance e, para sorte de Igor, a resposta é não.
- Pai, de quem você está falando? - Amora cede ao impulso de levantar, mas Mahmoud segura o seu braço, puxando a garota novamente em direção à sua cadeira.
- Ele está falando de mim - Diz Larissa, saindo do quarto de Igor.
- Vocês dois são simplesmente inacreditáveis! - Amora se levanta novamente, mas dessa vez seu amigo não a segura, pois estava ocupado demais levando as mãos à boca, em uma clara demonstração de surpresa.
- Que o barraco comece! - diz Lázaro, dando uma golada em sua cervejinha. Ele já estava bêbado.
Forço-me a segurar a risada. Estava ansioso pela reação de Amora, mas não queria que no final sobrasse para mim.
- Amora, você deveria ficar feliz pelos seus pais! - diz Larissa, abraçada ao corpo do ex-marido. Entendo o esporro da garota... Tudo aquilo era extremamente surreal.
- Porra, depois de tudo que ele - aponta para o pai - te fez sofrer? Está de sacanagem, né? Essa semana mesmo o senhor Igor estava com uma loirona por aqui, e agora diz que está noivo? Gente, não é possível que só eu ache isso uma loucura - olha ao redor.
- Gente, que babado! - diz Mahmoud, e logo leva um tapa de Elioth, para que ficasse em silêncio.
- E eu estava em outro país com um carinha. Nós mudamos, Amora. Seu pai mudou. Nós vamos tentar novamente e, como nossa amiga... Porque não é apenas nossa filha. Temos um laço de amizade. Você precisa nos apoiar.
- Olha... - senta-se, nervosa - eu vou tentar - revira os olhos -. Mas ainda acho que isso é uma loucura e extremamente precipitado.
- Estávamos querendo ir devagar - diz Igor, sem conseguir esconder o sorriso -, mas não temos tempo a perder. Não vamos fazer cerimônia..., apenas assinaremos os documentos no cartório.
- Realmente - Larissa vira o rosto de Igor e dá um selinho em sua boca -, não temos mais tempo a perder. Dois anos separados é muita coisa - sorri maliciosamente -... Temos que colocar as coisas em dia, se é que me entendem.
- Então parabéns ao casal! - contando o assunto desagradável e levando a taça vazia que estava na mesa. Além disso, evito mais uma vez o clima de enterro que estava prestes a se instalar no ambiente - um brinde ao amor!
Amora me fuzila com o olhar, mas cede à comemoração e também levanta a taça. Todos repetem seu movimento e, animadamente, fazem um "tim, tim". Por mais que também achasse que os dois estivessem agindo precipitadamente, ficava feliz pelos meus amigos. Que o amor sempre prevaleça.
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