3 - Morning Hymn

Boa noite, borboletas!
Como estão no carnaval? Espero que bem. Trago aqui a primeira atualização dessa fic do ano. Espero que gostem do capítulo e nos vemos lá embaixo.
Boa leitura!

Era quarta-feira, Louise estava levando Athena para casa, depois da aula de ballet. Os outros já estavam em casa, visto que Apollo não tinha reunião do clube de teatro e Artemis estava afastada do vôlei. Ao seu lado, no banco do carona, a alfa estava mexendo no celular, um sorriso pequeno em seus lábios. A ômega ligou o aparelho de som do veículo, deixando uma música pop tocando baixo, já que estava ligado a seu celular. Os olhos castanhos da mais nova apenas desviaram quando uma música de Harry começou a tocar. Louise estava um pouco alheia à situação, não percebendo quando começou a cantar junto.

"I want more berries. And that summer feelin'. It's so wonderful and warm." Ela sussurrava, balançando a cabeça no ritmo da música.

"Essa é a voz do papai!" Athena disse de forma empolgada. Louise sorriu, sentindo suas bochechas ficando um pouco vermelhas.

"É sim. Eu gosto muito do trabalho dele."

"Papai costumava cantar pra gente, antes da mamãe morrer. Depois disso, ele sempre tá no trabalho."

"Sinto muito, querida. Eu também cantava com meus pais, antes deles morrerem." Louise sorriu triste. "Também sinto falta de fazer isso."

"Como eles eram?"

"Muito amorosos. Papai disse que, quando eu fosse uma cantora famosa, ele estaria em todos os meus shows."

"Mamãe dizia que estaria em todos os meus espetáculos, quando eu me tornasse primeira bailarina. Ela nunca me viu apresentando na ponta."

"Tenho certeza que sua mãe consegue te ver, Sugar Plum." Louise tentou ser reconfortante.

"Sugar Plum?"

"Não é a fada de O Quebra-Nozes? Esses ballets me deixam confusa com tantos personagens."

"Sim, é ela." Athena soltou uma risadinha.

As duas voltaram a ficar em silêncio, apenas as músicas soando. Não demorou muito para chegarem em casa, Louis deixou o carro devidamente guardado na garagem, enquanto a mais nova descia do veículo, com sua mochila em mãos. A ômega desceu logo depois, travando o carro, antes de seguir com Athena para dentro da mansão. O som das risadas dos demais filhotes chegou aos seus ouvidos e Louise sorriu, adorando aquele som.

Elas foram até a sala, encontrando Apollo, Artemis e Ares com Anne ali. A ômega mais velha tinha Ares no colo, e sorriu largo ao ver Louise e Athena na entrada. A alfa ao seu lado rapidamente correu até a avó, deixando um abraço apertado na mulher. Louise pegou a mochila que fora largada no chão, vendo o mais novo dos filhotes descer do colo da avó e vir até si, abraçando suas pernas.

"Olá, Louise." Anne disse com um sorriso gentil.

"Olá, senhora Styles. Como vai?"

"Estou bem, obrigada. E você pode me chamar de Anne. Como estão as coisas com esses quatro pestinhas?"

"Muito bem. O mais velho é o mais difícil de todos."

"Eu não sou difícil, Lou." Apollo reclamou, inflando as bochechas e Anne caiu na gargalhada, chamando a atenção dos filhotes.

"Ela está falando do seu pai, querido. Não de você."

"Ah." Apollo se encolheu um pouco, as bochechas um pouco rosadas. "Entendi."

"Athena, por que não vai tomar um banho? Eu vou fazer um chá."

"Tudo bem."

A alfa respondeu, então pegou a mochila com Louise e deixou a sala. Louise se retirou rapidamente, indo para a cozinha, para fazer o chá. Selena estava sentada à mesa da cozinha, comendo alguns biscoitos, enquanto olhava algo em um tablet. Os olhos da beta se voltaram em sua direção, observando enquanto ela pegava a chaleira e deixava a água ferver, procurando as xícaras. Selena suspirou, e Louise olhou para ela, franzindo o cenho em preocupação.

"Selena, o que foi?"

"Ele está aqui de novo." A mulher murmurou a contragosto.

"Quem?"

"Dylan. Está aqui de novo."

"Ele não sabe que o senhor Styles só chega à noite?" Ela perguntou confusa.

"Deve ter vindo porque Anne está aqui. Queria saber como ele descobre quando ela vem." A mais velha explicou. "Vou permitir a entrada."

Louise observou a beta apertar algo no tablet e voltou ao que estava fazendo, não era de sua conta, de qualquer forma. Quando o chá ficou pronto, Louise montou uma bandeja com um bule, as xícaras e alguns biscoitos, lembrando-se de colocar uma xícara a mais, para Dylan. Em seguida, a garota voltou para a sala, vendo o outro ômega sentado perto de Anne, Ares tentando se afastar o quanto podia. Louise colocou a bandeja sobre a mesa de centro, servindo o chá, antes de se sentar. Apollo veio para seu lado, pegando um biscoito, junto de sua xícara. O perfume doce do chá de hibisco preenchia o lugar, fazendo com que o cheiro de Dylan ficasse mais fraco, Louise realmente não gostava do perfume alheio.

"Olá, senhor Hale." Louise disse, sendo o mais educada que podia.

"Oh, você ainda está por aqui?"

"As crianças gostaram de Louise, e eu também." Anne interveio, tomando seu chá. "Acredito que Harry também."

Athena apareceu logo depois, sentando-se do outro lado de Louise no sofá, fechando o rosto quando viu Dylan ali. A garota estava encolhida contra si, parecendo completamente insatisfeita pela presença do visitante. Dylan avaliou Athena por inteira, seu rosto tomando uma expressão de desgosto tão rapidamente, que Louise quase não via; os olhos azuis dele voltaram para Anne, um sorriso largo surgindo em seus lábios.

"Senhora Styles, estará disponível amanhã? Já que o aniversário de Athena está chegando, gostaria de ter ajuda para comprar um presente." Dylan começou, sua voz saiu doce, de uma forma completamente diferente de quando ele falou com Louise e Selene. Então, ele olhou para Athena. "O que você acha, querida?"

"Hm, não precisa, mas obrigada." A alfa respondeu. "Não se incomode com isso."

"Não é incômodo, meu bem. Por que não me diz do que você gosta?"

"Ah, eu..."

"Infelizmente, já tenho um compromisso para amanhã." Anne interrompeu. "E vou viajar com Gemma, no dia seguinte."

Dylan se calou e, internamente, Louise agradeceu por aquilo. Eles tomaram o chá e comeram os biscoitos, a ômega e os filhotes se divertiam com Anne se esvaindo de todas as tentativas de aproximação de Dylan. Em um momento, quando terminaram o lanche, Athena foi se sentar junto da avó e Ares veio para o colo de Louise; sentado sobre suas pernas e exigindo que a garota o abraçasse.

O sol começou a se pôr e Louise subiu com Athena e Ares, para ajudar na lição de casa, deixando os gêmeos com a avó. Os três estavam no quarto do mais novo, Tomlinson tinha Ares sobre suas pernas e Athena estava sentada ao seu lado, respondendo a atividade sobre gramática de sua atividade, o mais novo pintando o desenho que estava em seu caderno. A porta do quarto de Ares foi aberta e Artemis estava ali, rosnando de forma impaciente.

"Artemis, o que aconteceu, querida?"

"Aquele... Lou, como a gente pode se livrar dele?" Artemis gemeu inconformada. "Não gosto dele. Não quero ele com o papai."

"Infelizmente, não posso fazer nada quanto a isso, meu bem." Louise explicou com um sorriso doce. "Mas talvez... vocês possam conversar sobre isso com seu pai."

"Ele não vai nos ouvir." A loira reclamou. "E se ele gostar do Dylan?"

"Bom, seu pai é um homem livre, mas ainda é seu pai. Tenho certeza de que se conversarem de forma séria, ele vai entender."

"Você acha mesmo?"

"É claro."

"Certo." Artemis entrou no quarto e sentou na cama de Ares. "Vocês já terminaram?"

"Athena já está acabando, mas não podemos apressar a arte e Ares está pintando."

"Já acabei, Lou. E o papai chegou."

Louise ficou impressionada, porque os sentidos dos alfas eram mais aguçados que os dos ômegas, mas ela não esperava que os de Ares já fossem tão bons, com tão pouca idade. Quando Athena terminou, eles se levantaram. Artemis pediu ajuda para amarrar o cabelo, então a ômega fez um rabo de cavalo nos fios loiros e, em seguida, os quatro deixaram o quarto e desceram as escadas, chegando à sala. Harry estava sentado na sala, Dylan tinha saído do lado de Anne e agora estava sentado do lado do alfa, seu perfume mais forte e Louis franziu o nariz.

Harry os viu chegando, encolhendo-se um pouco quando seus olhos pousaram na ômega, como se estivesse constrangido. Louise não entendeu aquela atitude. Dylan, ao vê-la, agarrou-se ao braço do alfa, deitando a cabeça em seu ombro. Os filhotes não pareciam nada felizes, não se aproximando do pai.

"Senhor Styles, bem-vindo de volta." Louise sorriu. "Crianças, porque não vão dar um abraço no papai?"

"Agora não, Lou." Ares disse, segurando com força em sua saia marrom.

O clima ficou estranho, porque Louise não sabia o que fazer, as crianças estavam amuadas, querendo ficar longe de Dylan, Harry parecia constrangido e Dylan parecia não se importar, agarrando-se cada vez mais ao alfa. Apollo bufou, levantando-se de seu lugar no tapete para olhar para a ômega, seu rosto mostrava que estava desesperado para sair dali.

"Lou, você ainda não leu pra gente hoje. Podemos ir pra sala da lareira?" Apollo perguntou, segurando sua mão.

"Claro, querido. Eu vou pegar o livro, podem ir na frente. Anne, quer participar da nossa leitura?"

"Seria ótimo, meu bem." A mais velha respondeu com um sorriso, levantando-se também.

"Eu chego já, não comecem sem mim. Dylan?" Harry perguntou, mas assim que Dylan abriu a boca para falar, Athena foi mais rápida.

"Não!" Ela disse de forma firme, deixando todos ali impressionados. "É só pra família, papai."

A alfa morena segurou sua mão, então a arrastou para fora da sala de estar. Tomlinson estava um pouco zonza, sua mente presa no fato de que a garotinha a tinha incluído quando disse família; ela mal notou quando chegaram à sala da lareira, despertando apenas ao sentir o filhote mais novo sentar entre suas pernas e repousar a cabeça entre seus seios. Artemis trouxe o livro e, quase de forma automática, Louise o abriu e começou a ler, usando seu perfume para deixar os demais mais calmos.

Depois que os filhotes, Louise e Anne os deixaram a sós na sala de estar, Harry suspirou, voltando seu olhar para Dylan. O ômega loiro parecia cheio de expectativas, e Styles se achava um monstro por ter de quebrá-las, mais uma vez. O mais gentilmente que pôde, ele se desvencilhou do agarre do outro, sentando-se de frente para o mais novo. O perfume de Dylan ficou mais fraco e o alfa bufou, sem saber como começar.

Harry estava um pouco magoado, porque seus filhotes o tinham excluído de um momento em família; ele também estava impressionado, porque Athena costumava ser bem introspectiva, mas tinha rapidamente se apegado à Louise e já a tinha incluído como família. O alfa sabia que sua mãe não era a maior fã de Dylan, mas não imaginava que seus filhos também não gostassem do ômega, ao ponto de excluí-lo por estar com o mais novo.

"Dylan, preste atenção." Harry falou de forma suave. "Eu não sei se dei a entender que estava interessado, mas você precisa entender que não estou aberto a um relacionamento agora."

"Mas eu... Eu achei que estávamos avançando."

"Avançando em quê?" O alfa retrucou. "Dylan, você é um bom amigo, eu não te vejo de outra forma."

"Harry, se você me der uma chance, eu posso mostrar que eu sou bom. Posso ser um bom ômega pra você." Dylan pareceu desesperado, segurando suas mãos, enquanto deixava seu perfume mais forte, como se quisesse seduzi-lo.

"Você não está querendo me ouvir." Harry bufou. "Eu não penso em você como meu ômega, Dylan. É melhor você ir."

"O que?" O ômega o soltou, ficando de pé e inflou as bochechas. Styles parecia que o outro costumava ser mimado por todos, que o tratavam como um boneco de porcelana; normalmente, aquilo não o incomodava, mas estava sendo uma dor de cabeça, naquele momento. "É por causa daquela garota?"

"Que garota?"

"Louise." Dylan respondeu com um tom debochado. "Sabia que tinha algum motivo pra ela estar sempre perto dos filhotes. Ela te seduziu, não foi? Te convenceu que é melhor do que eu?"

"Não está falando nada com nada. Louise não fez nada, ela não precisa fazer nada. Acabei de dizer a você que não sinto nada além de amizade e a babá dos meus filhos não tem nada a ver com isso." Harry suspirou, massageando as têmporas com as pontas dos dedos. "Por favor, saia da minha casa. Cheguei cedo para poder jantar com meus filhos e não estou na leitura por sua causa. Então vá, agora."

O ômega deixou o local com raiva, batendo os pés enquanto andava. Harry pensou em como nunca tinha notado aqueles comportamentos mesquinhos de Dylan, agora podia entender porque sua mãe não gostava dele. O alfa suspirou mais uma vez, finalmente deixando a sala de estar e subiu as escadas, indo diretamente para seu quarto. Harry tomou um banho quente, atentando-se para não demorar demais, ele ainda queria participar da leitura.

Fazia muito tempo desde que ele chegou em casa cedo pela última vez. Era até um pouco estranho. Styles vestiu uma simples calça moletom e uma camisa azul de algodão, seus instintos animados, porque a camisa tinha o mesmo tom de azul dos olhos de Louise. Por que aquilo parecia ser tão importante? Ele resolveu deixar aquilo de lado, seguindo para fora do quarto, a caminho da sala da lareira.

Harry entrou, a voz suave de Louise parando, assim que os olhos de todos estavam em si. Louise sorriu para ele, e seu peito enchendo de um sentimento bom, ao vê-la com seu filho mais novo entre as pernas, Athena com a cabeça deitada em seu ombro.

"Posso me juntar a vocês, agora?"

"Ele já foi embora?" Apollo perguntou com uma careta.

"Já, eu o mandei embora." Ele encolheu os ombros, um pouco de vergonha tomando seu ser. "E então?"

"Você pode, papai." Athena foi quem respondeu, com um sorriso pequeno. "Senta logo, quero ver o fim do capítulo."

"Tudo bem."

O alfa soltou uma risada soprada, antes de se sentar no ninho grande da sala. Sua mãe estava em um dos cantos, olhando para Louise com carinho e, de alguma forma, parecia que a mais velha a estava aprovando. A ômega voltou a se recostar na parede acolchoada, seus olhos ciano se voltando para as páginas amareladas do livro, antes de voltar a ler.

"Mo estava lá fora com Dedo Empoeirado. Meggie saiu do ônibus e andou até eles. Do lado direito da estrada, uma ribanceira coberta por uma mata fechada descia até a margem de um grande lago, lá embaixo. As colinas que despontavam da água do outro lado pareciam montanhas que haviam se afogado. A água era quase negra, a noite já começava a se espalhar pelo céu e se refletia nas ondas escuras. Nas casas da margem, as luzes que começavam a se acender pareciam vaga-lumes ou estrelas cadentes."

Louise lia de uma maneira suave, sua voz de sugestão deixando-o relaxado. Todos os filhotes e Anne estavam completamente calmos, ela lia o livro vagarosamente, certificando-se de que todos ali estavam entendendo. Harry gostava de ouvir o tom relaxante da mais nova, deixava seus instintos - que normalmente eram inquietos - quase adormecidos, como se seu alfa interior confiasse completamente na outra.

"Eu gosto dela."

Harry ergueu os olhos de seu computador, olhando para sua mãe, que acabava de entrar em seu escritório. Era noite, eles tinham jantado e Ares já estava dormindo - Harry ficou muito emocionado em poder colocar seu filhote para dormir, depois de algum tempo - , Louise estava com Athena e os gêmeos deveriam estar em seus quartos. O alfa recebeu uma ligação de um dos agentes e precisou ir ao escritório.

Ele certamente não esperava ficar tanto tempo dentro do cômodo, então se surpreendeu quando sua mãe apareceu por ali. A mulher tinha as mãos postas à frente do corpo, unidas, enquanto sorria para si como alguém que sabia de todas as verdades do universo. Harry desligou o computador, tentando se fazer de desentendido, antes de pigarrear e responder à ômega.

"O que?"

"Louise, eu gosto dela." Anne repetiu. "Ela é educada e se dá bem com as crianças."

"Ah, sim. Sim, ela é ótima."

"E muito bonita."

"Mãe, não comece. Por favor." Ele geme em inconformismo.

"Estou apenas falando." Anne deu de ombros. "Não é nada demais."

"Certo."

O alfa riu, sendo acompanhado pela mais velha. Styles se levantou da cadeira onde estava sentado, indo até a mãe; ele abraçou a ômega e deixou um beijo em sua testa. O perfume de cereja dela o envolveu, sendo tão amoroso quanto era maternal; Harry não sabia o quanto sentia saudades de ficar daquela forma com a mãe, até aquele momento. Anne não demorou muito mais por ali, ela se despediu de Harry e dos filhotes, antes de ir para a própria casa.

Depois que Anne partiu, Harry foi ao quarto de Ares. Ele deixou um beijo na testa do filhote e perfumou-o um pouco mais, sentindo o perfume de chocolate quente de Louis um pouco fraco por ali. Em seguida, ele foi para o quarto de Athena; o cheiro da ômega o atingiu no mesmo momento, porque ela estava ali, sentada sobre o ninho da pequena alfa, murmurando uma canção de ninar. Ele não podia ouvir muito, mas a voz de Louise era bonita. As duas sorriram para si e Harry se aproximou, sentando-se do outro lado do ninho. O alfa se abaixou, deixando um beijo na testa da filha, que fechou os olhos lentamente, com dificuldade em mantê-los abertos.

Quando a garota estava dormindo, Harry e Louise saíram do quarto. Harry observou enquanto a ômega passava rapidamente nos quartos dos mais velhos e desejava 'boa-noite' aos filhotes, antes de fazer o mesmo consigo e ir para seu quarto. O perfume alheio ficou pelo corredor, e o alfa ficou apenas ali, parado, por algum tempo, inspirando fundo o cheiro de chocolate quente que ficou por ali. Achando que estava passando dos limites, o alfa seguiu para o quarto de Artemis, batendo na porta, esperando que a filha o deixasse entrar.

Artemis estava em seu ninho, com seu pijama de flanela, o cabelo dourado preso em um rabo de cavalo, que certamente fora feito por Louise. Ele se sentou ao lado da filha, deixando um beijo em sua testa, perfumando-a um pouco. A alfa mais nova tirou os fones de ouvido, deitando-se no colchão. Harry se lembrou de quando seus gêmeos eram pequenos, da idade de Ares, e ele e Donna colocavam os filhos para dormir. Foi há tanto tempo, o alfa sentia falta daquilo.

Harry foi para o quarto de Apollo depois, fazendo o mesmo com seu único filho ômega. Ele sempre foi do tipo que desejou uma família grande, assim como sua falecida esposa tinha, e gostaria de ter tido a possibilidade de ter mais um filhote ômega. Teria sido muito bom. Não era tão tarde, mas ele estava cansado. Ultimamente, muitos artistas preferiam gravar suas músicas em estúdios próprios, em suas casas, o que era preocupante para um dono de gravadora. Apesar disso, ainda havia muitos cantores que gostavam de estar vinculados a uma gravadora.

Styles chegou ao seu quarto, mais uma vez achando seu ninho grande demais apenas para si. Deitado, o alfa segurou o travesseiro sobressalente, procurando ali um perfume que há muito tempo não estava ali. Demorou muito tempo, e o alfa quase chorou, antes de finalmente conseguir dormir.

Na quinta-feira, Apollo foi para o ensaio com o clube de teatro assim que as aulas acabaram. A professora Regis estava animada, porque o espetáculo daquela primavera seria Sonho de Uma Noite de Verão. O ômega estava animado, porque faria o papel de Oberon. Orion e Sharon já estavam ali, com suas falas em mãos; o loiro deixou sua mochila com as demais, pegando suas falas e subiu no palco. A equipe de apoio estava pintando algumas peças do cenário; Artemis, que estava afastada do time de vôlei, ofereceu ajuda e estava ali, também, ajudando a pintar uma árvore.

Regis os chamou, então o ensaio deu início. Como sempre, estava tudo calmo, o ensaio corria bem e Apollo estava orgulhoso de si mesmo, porque já estava com quase todas as suas falas decoradas. Ele estava em uma cena com Maggie, uma ômega que fazia o papel de Titânia, a rainha das fadas; na peça, o ômega fazia seu esposo.

"Longe de Perigênia, a quem violou, e não o fez trair a amável Egle com Ariadne e ainda com a bela Antíopa?" Apollo perguntou, reproduzindo a fala de seu personagem.

"Essas são as inverdades do ciúme: nunca estivemos juntos desde o estio. No monte, no vale, floresta ou prado, na fonte pedregosa ou no regato, ou mesmo na praia à margem do oceano." Maggie respondeu. A professora Regis se levantou, parecendo satisfeita.

"Estão ótimos, meninos. Mas pronunciem as palavras mais devagar, ou o público não vai entendê-los."

"Certo." Os dois responderam.

O ensaio continuou e eles passaram do horário, porque Louise apareceu no teatro, com Ares e Athena. Seus olhos azuis estavam brilhando, olhando para tudo; a mais velha acenou para ele, Apollo sentiu as bochechas queimando quando a atenção de todos variava entre ele e Louise. A professora se virou para a outra, vendo-a segurando a mãozinha de seu irmão mais novo, sua outra irmã parcialmente escondida atrás da babá.

"Oh, olá." A professora disse. "Posso ajudá-los?"

"Hm, oi." Louise disse, parecendo constrangida. "Me desculpe interromper, eu fiquei preocupada quando Artemis e Apollo não apareceram."

"Ora, veja..." A beta disse, olhando para o pulso, onde estava seu relógio, ficando assustada. "Está bem tarde. Muito bem, pessoal, nós nos vemos terça-feira, ou na aula de artes."

Apollo se despediu dos amigos e dos colegas de clube, antes de sair do palco para pegar a mochila, esperando Artemis, para irem com Louise e os irmãos para o carro. Dentro do veículo, estava silencioso, a ômega parecia querer falar alguma coisa, sem saber como começar.

"Desculpa envergonhar você, Apollo." Louise disse baixinho. "Eu só fiquei preocupada, nós esperamos por quase uma hora."

"Um tempão, Apollo." Ares concordou.

"Tudo bem, não me envergonhou. Foi só..."

"O que?"

"Normalmente, apenas a Selena nota quando a gente demora. Foi só diferente."

"Entendi." A ômega assentiu. No sinal vermelho, ela olhou para si, olhos tão amorosos que quase o fizeram chorar. "Bom, eu tô aqui pra vocês, certo?"

"Certo."

O resto do caminho foi feito em um clima bem mais ameno. Quando chegaram em casa, Apollo foi diretamente para o quarto, ainda pensando nas palavras da mais velha; ele tomou banho e fez a lição de casa, antes de descer para a sala da lareira, todos já estavam por ali. Naquela tarde, o ômega fez questão de se sentar perto de Louise para a leitura, deitando a cabeça sobre uma de suas coxas, fechando os olhos apenas para se concentrar na voz alheia.

Ele não percebeu quando adormeceu, mas acordou com um leve balançar em seu ombro direito. Quando abriu os olhos, deu de cara com Louise, que tinha ruguinhas ao redor de seus olhos, por causa de seu sorriso largo. Apollo coçou um pouco os olhos, erguendo o tronco, para ficar sentado.

"Tudo bem, querido?" Louise perguntou.

"Sim. Quanto tempo eu dormi?"

"Duas horas. Vamos jantar?" Nesse instante, a barriga de Styles roncou, respondendo antes mesmo dele.

"Claro."

No sábado à noite, Louise foi visitar seus tios e seu primo. Karinne, sua tia, abriu a porta com um sorriso enorme, abraçando-a apertado; Louise sentiu falta do abraço da tia, mesmo que fizesse apenas uma semana que não se viam. Elas entraram na casa, Liam, seu primo, e Raphael, seu tio, estavam à mesa de jantar, esperando. A ômega deixou a mochila com roupas em seu antigo quarto e voltou à sala de jantar, sentando-se à mesa, com os demais.

"E então, como está indo?" Raphael perguntou.

"Tudo bem, as crianças são ótimas."

"E seu chefe?" Karinne perguntou, de maneira sugestiva, balançando as sobrancelhas.

"É mesmo, mama disse que você tá trabalhando para Harry Styles." Liam interveio, também parecendo sugestivo. "Ele sabe que você era obcecada por ele?"

"Lee." Louise protestou, ouvindo as risadas de seus parentes. "Eu não era obcecada, sou uma fã, como qualquer outra."

"Então."

"Certo. Ele mal passa tempo em casa." Ela deu de ombros. "Quase nunca está por lá, então não é tão difícil conter meu lado fã. Ele é um bom pai, quando aparece, mas os filhotes sentem falta dele."

"Ele te acha bonita?" Karinne perguntou.

"Eu não sei, mama. E isso não importa, de qualquer forma."

"Como não? Selena disse que você é adorável e tem um cheiro bom. Aposto que Harry te acha bonita."

"Mama, pare com isso! Papa!"

"Querida, não precisa ter vergonha." Raphael disse, deixando-a mais constrangida. "Você sempre disse que Harry é bonito, qual o problema, então?"

"Papa, não estou trabalhando lá achando que vou ter alguma coisa com Harry. Eu gosto do trabalho, o salário é bom e, em breve, vou poder fazer meu curso de música. Fim da história."

O resto do jantar foi feito em silêncio, mas seus parentes pareciam não acreditar em uma única palavra dita por si. Louise não era boba, ela sabia que sua paixonite por Harry não chegaria a lugar nenhum, porque o alfa era mais velho, tinha filhotes e não parecia estar disposto a um relacionamento. Ela também tinha um objetivo: guardar dinheiro e fazer seu curso de música.

Quando todos terminaram, ela foi para o quintal com Liam, sentando-se no sofá com o primo, que puxou suas pernas e colocou os tornozelos por cima de suas coxas. Louise amava Liam, eles eram melhores amigos desde sempre, o alfa sempre esteve ao seu lado, sendo o mais amoroso quando perdeu seus pais. Os dois sempre tinham aqueles momentos, porque podiam contar tudo um para o outro.

Liam tinha uma cerveja em sua mão direita, olhando para o céu noturno da primavera. As estrelas estavam mais brilhantes que o normal; fazia um pouco de frio, Louise tinha um casaco fino para aquecê-la, pensando em como iniciar a conversa, porque ela sabia que seu primo queria dizer alguma coisa, ela o conhecia bem.

"Certo, diga tudo." Louise começou.

"Eu conheci alguém." Liam respondeu de uma vez. "Um ômega... muito bonito."

"E...?"

"Nós começamos a conversar, ele é legal. Treina na academia que eu trabalho. Tem um cheiro incrível."

"Não acredito que eu fico uma semana fora e você conhece um ômega."

"Ainda não é nada, nós só conversamos."

"Ele é seu aluno?"

"Não, eu não faria isso. E, de qualquer forma, é só conversa, não tô dizendo que vamos sair."

"Sei..." Louise debochou.

"Mas e você?" Liam perguntou com um sorriso malicioso. "Harry Styles, hein?"

"Lee, não comece."

"Por favor, Lou." O alfa insistiu. "Você pode enganar a mama e o papa, mas não eu."

"Eu tô falando sério, Lee. Não tem nada. Eu sei que sou muito fã dele, mas realmente não fui trabalhar lá esperando algo a mais."

"Nem um contrato?"

"Bom, talvez isso." Eles riram. "Quem sabe, se eu falar com o senhor Styles."

"Vou torcer por você."

"E eu por você."

Os dois ficaram ali por muito tempo, às vezes em silêncio, às vezes falando sobre qualquer coisa. Louise começou a ficar com sono, então ela se levantou, deixou um beijo na bochecha do primo e foi para o quarto. Poderia fazer apenas uma semana que estava na casa dos Styles, mas Louis sentiu falta de poder dar boa noite aos filhotes e cantar para Ares e Athena, depois de colocá-los na cama. Sonhando com olhos castanhos e verdes, a ômega adormeceu.

No dia seguinte, Louise acordou com o cheiro de torta de amora e sorriu imediatamente, mesmo antes de abrir os olhos. A ômega foi para a cozinha ainda de pijama, vendo seu tio tirando a torta do forno, e parecia deliciosa. O café já estava pronto, ovos e bacon sobre a mesa. Ela se sentou na mesa, junto de sua tia, pegando algumas torradas, passando geleia de morango. Liam demorou um pouco para aparecer, seu rosto amassado por causa do travesseiro, assim como seu próprio rosto deveria estar.

Foi um ótimo fim de semana com sua família, Louise saiu com sua tia para fazer compras e era como se nada tivesse mudado. Certo, ela sabia que estava sendo dramática, só fazia uma semana que estava longe, mas, para quem estava acostumada a ver a família todos os dias, era difícil para ela. Foi estranho voltar para a mansão Styles, na noite de domingo, Karinne a abraçou como se nunca mais fosse vê-la e Raphael disse para que ela se cuidasse; Liam disse que se Harry tocasse nela, ele o mataria.

Apesar de amar seu primo, que era um irmão para si, Louise alegou que nada aconteceria.

O senhor Styles não teve problema com ela levando o carro que lhe tinha disponibilizado, então ela o usou para ir e para voltar. Depois de guardar o veículo na garagem, a ômega entrou em casa, ouvindo as risadas de Ares, que deixaram seu coração quentinho. Seguindo o som das vozes, Tomlinson chegou à sala de brinquedos e sentiu-se um pouco emocionada ao ver Harry rodando com o filhote mais novo erguido sobre sua cabeça, que fingia ser um super-herói.

Athena foi a primeira a notá-la por ali, indo diretamente para abraçá-la apertado, que ela rapidamente retribuiu. Ela foi rapidamente ao seu quarto, deixando sua mochila e tirando os tênis, antes de voltar para a sala de brinquedos. Louise já tinha jantado e imaginava que os demais ali também, ela se sentou em um canto, junto dos mais velhos e Athena, que distribuíram cartas do jogo em que estavam entretidos para si.

"Louise, achei que só fosse chegar amanhã de manhã." Harry disse, quando finalmente a notou por ali.

"Eu pretendia fazer isso, mas era capaz da minha tia não me deixar mais sair." A ômega riu. "Ela pode ser bem protetora, apesar de ter sido ela que me indicou o emprego."

"Entendo. Como ela soube que eu precisava de uma babá?"

"Selena é amiga dela." Louise deu de ombros. "As duas estudaram juntas, mas eu não a conhecia."

"Mundo pequeno, hm?"

"Lou, Lou! Brinca comigo?" Ares perguntou, correndo até onde ela estava e abraçou-a pelo pescoço, inspirando um pouco de seu perfume.

"Eu estou jogando com seus irmãos, agora. Quer me ajudar?"

"Sim!" O filhote respondeu empolgado.

"Vou me juntar a vocês, também." Harry disse, sentando-se entre Louise e Apollo.

"Então vamos começar uma rodada nova."

O filhote ômega disse, juntando todas as cartas que já tinham sido usadas. Apollo embaralhou todas e distribuiu-as; Ares sentou no colo, empolgado em ajudá-la com o jogo, mesmo que não soubesse as regras.

Foram duas partidas divertidas. Harry, afirmando que ainda era sua folga, saiu para pegar bebidas e petiscos para eles; se Athena olhou as cartas do pai, quando este saiu, ninguém viu ou disse. Quando o alfa voltou, a partida continuou, Louise eventualmente pegava um biscoito para dar a Ares, que fazia um ótimo trabalho em esconder as cartas deles dos olhos astutos de Harry. Eles perderam a noção do tempo, Louise se assustou quando viu que já passava da meia-noite.

Mesmo a contragosto dos filhotes, os adultos encerraram a partida e colocaram os mais novos para dormir. Louise conseguia sentir os olhos esmeralda de seu patrão nela, enquanto cantava baixinho para Ares dormir. Não demorou muito para que as luzes de todos os quartos estivessem apagadas, a ômega se certificou de perfumar, mesmo que um pouco, todos os filhotes.

Quando estava para se retirar, Tomlinson sentiu Harry segurar seu pulso. Ela olhou surpresa para o mais velho, seu rosto parecia um pouco incerto, como se tivesse agido por impulso e agora não soubesse o que fazer.

"Podemos conversar?" O alfa perguntou.

"É claro."

Harry assentiu e foi na frente, guiando-a até seu escritório. Era exatamente como Louise tinha imaginado: os móveis eram de madeira escura, pareciam muito caros; havia uma lareira no canto direito, que comportava um aparador com fotos das crianças e de Donna. Os troféus de todas as premiações da juventude do alfa estavam em uma estante, seus Grammys e os AMAs. Louise se lembrava vagamente que, antes do mais velho se aposentar dos palcos, diziam que havia muito mais prêmios para o homem ganhar.

O alfa a mostrou uma cadeira que ficava perto da mesa, sentando-se em outra. A ômega se sentiu um pouco nervosa, imaginando que talvez tivesse feito algo de errado. Será que ela tinha mostrado alguma segunda intenção que não deveria? Mas ela tinha se policiado em não ficar igual a uma fã maluca e ser o mais profissional possível.

"Eu fiz algo de errado, senhor Styles?" Louise perguntou de uma vez, apertando as mãos sobre o colo.

"O que? Não." O alfa bufou. "Eu dei essa impressão?"

"Eu pensei... pediu pra falar comigo agora, quando as crianças não podem ouvir."

"Não se preocupe, está fazendo um ótimo trabalho."

"Tudo bem."

"Na verdade, eu queria sua ajuda."

"Oh." Louise arregalou um pouco os olhos, realmente surpresa.

"Eu me afastei muito das crianças depois da Donna... Bom, você parece ter conseguido a confiança deles bem rápido, então queria que me ajudasse a voltar a me aproximar." Harry explicou com as bochechas um pouco rosadas.

"Entendi. Os meninos falam como sentem sua falta. Sei que o trabalho é uma ótima maneira de fugir do mundo, eu me afundava em estudos quando não queria pensar nos meus pais." A ômega suspirou. "Mas precisa se lembrar que ainda tem uma família, seus filhos e que eles também perderam a mãe. Não podem perder o pai."

"Certo. O que eu posso fazer?"

"Que tal diminuir um pouco o horário de trabalho? Talvez sair com eles, um passeio em família."

"Parece bom. Eu posso fazer isso."

Foi uma semana diferente em muito tempo. Era praticamente óbvio o que Harry precisava fazer, mas ele precisava de um empurrãozinho para criar coragem. Louise deu a ele o empurrão necessário. Harry tomou café da manhã e jantou com seus filhotes todos os dias, levando-os para a escola, alguns dias.

Não era quase nada, mas ele podia ver como seus filhos estavam felizes por ter sua presença. Seu coração se apertou com aquilo, porque ele tinha perdido tanto tempo.

Harry tinha planejado algo para fazer com os filhotes e ainda não tinha contado a ninguém, pensando em pedir a ajuda de Louise com aquilo, antes de prosseguir com o plano. O alfa se sentia como um personagem de Scooby-Doo e estava muito animado com isso. Naquela manhã de sexta-feira, ele esperou que a ômega voltasse para poder organizar o que faltava. Foi engraçado como Louise - assim como todos os empregados - pareceu perplexa ao vê-lo em casa.

Styles a chamou para a sala, observando-a sentar de frente para si. Ele percebeu como passou algum tempo observando como a jardineira jeans longa que a ômega usava naquele dia, com uma camisa branca de mangas ¾ que destacavam sua pele levemente bronzeada. Harry balançou a cabeça, espantando aqueles pensamentos, tentando se concentrar no que queria dizer, o que era um pouco difícil, quando aquele par de safiras brilhantes estava fixo em seu rosto. O alfa grunhiu, ajustando-se na poltrona, antes de começar a falar.

"Vou te pedir um favor." Harry começou.

"Tudo bem."

"Vou levar as crianças em uma viagem rápida esse fim de semana. Gostaria que fosse conosco." Ele observou enquanto a outra arregalava os olhos. "Se quiser, é claro."

"Hm, não era uma viagem em família?"

"Não acho que eu esteja preparado para viajar com as crianças sozinho. Ainda estamos muito distantes, por isso queria que você fosse." Louise pensou um pouco, ela abriu a boca para falar, mas Harry a interrompeu antes disso. "Eu sei que é sua folga, antes que fale. Mas você vai poder folgar na segunda e na terça."

"Certo, eu vou. Vai ser divertido." Louise sorriu. "Para onde vamos?"

"Segredo."

"O que? Senhor Styles, por favor." Harry ignorou a garota, levantando-se e deixando a sala, ouvindo a garota ainda chamar por si, fazendo seus lábios se esticarem em um sorriso. "Senhor Styles, vamos."

A menina veio atrás de si, seguindo-o até o quarto de Ares. O alfa pegou a mala pequena que ficava no closet, deixando-a aberta sobre o colchão. Ele e a ômega fizeram a mala do filhote mais novo juntos, foi uma cena quase doméstica que Harry apreciou, porque o perfume de chocolate quente de Louise flutuava suavemente ao seu lado. Seu alfa interno infernizava sua mente, pedindo para que se embrenhassem no cheiro alheio, que era extremamente convidativo. Por causa disso, ele acabou dispensando a mais nova, depois que terminaram a tarefa, para que ela arrumasse a própria mala, pensando em como passaria quase seis horas com ela dentro de um carro.

Athena olhava a estrada, enquanto seguiam na viagem surpresa que seu pai tinha planejado. Eles estavam na minivan de Harry, com Louise no banco da frente, ao lado do alfa, Artemis e Apollo nos bancos do meio e ela e Ares nos bancos do fundo. O jantar naquele dia fora servido mais cedo e agora estavam na estrada, Ares estava cochilando em sua cadeirinha e seus irmãos mais velhos perdidos em seus celulares.

Com as janelas do veículo fechadas, o perfume doce de Louise e o de pimenta de seu pai a deixavam relaxada. Era como estar com a família reunida depois de muito tempo, a alfa gostou muito daquilo.

Em algum momento, Louise olhou para trás, sorrindo ao ver Ares ressonar em sua cadeirinha. Seus olhos estavam vagando entre Athena, Apollo e Artemis, como se quisesse apenas se certificar de que todos estavam bem. Ela gostava de ter alguém além de Selena e que não fosse da sua família que se preocupava verdadeiramente com eles.

"Tudo bem, Sugar Plum?" Louise perguntou de maneira doce e Athena viu seu pai olhar para si pelo retrovisor.

"Sim, Lou. Só tô com um pouco de sono."

"Você pode dormir, ainda falta algum tempo. Eu acho."

"Sim, ainda falta algum tempo." Harry confirmou, com uma risada. "Pode dormir, filhote."

Apollo e Artemis tomaram aquilo como um incentivo, guardando seus celulares e recostando-se um contra o outro. Athena fechou os olhos, descansando a cabeça contra a janela, um sorriso pequeno nos lábios. Ela conseguiu ouvir seu pai falando com Louise, em um tom baixo e delicado, que há muito tempo a alfa não ouvia.

"Você também deveria dormir um pouco, Louise."

"Mas e você? Vai dirigir a noite inteira?"

"Posso dirigir por três horas, então paro para abastecer, e trocamos. O que acha?"

"Por mim está tudo bem."

Depois disso, Athena adormeceu. Sua alfa interna com o sentimento de que as coisas estavam se encaixando.

Quando acordou, Louise estava estacionando o carro. A ômega tinha ficado muito surpresa quando ele contou para onde estavam indo, o que lhe tinha arrancado um sorriso sincero. De qualquer forma, eles agora finalmente tinham chegado em Paris e estavam no local certo para passar o fim de semana. Os filhotes ainda dormiam, Louise tinha colocado cobertas sobre cada filhote, mantendo-os aquecidos pela noite. Tão atenciosa.

O alfa desceu do carro e esticou o corpo inteiro, ouvindo o estalar de alguns ossos. Styles se sentiu muito velho naquele momento. Os dois adultos abriram as portas da minivan e, um por um, acordaram os filhotes. Ares foi um pouco mais difícil de manter acordado, então Louise o pegou no colo, praticamente o ninando, enquanto o alfinha escondia o rosto na curva do pescoço alheio e voltava a dormir.

Artemis e Apollo o ajudaram com as malas, que não eram muitas, porque só ficariam dois dias por ali, então foram todos para dentro. Talvez pelo sono, nenhuma das crianças notou que estavam no Dream Castle, nem os empregados do parque com os uniformes temáticos. Todos foram juntos até a recepção, onde a atendente sorriu ao vê-los.

"Bienvenue ao Dream Castle, esperamos que tenham uma experiência mágica conosco. Têm reserva?" A recepcionista disse com um enorme sorriso.

"Sim, dois quartos no nome de Harry Styles." O alfa respondeu.

"Um para o casal e um para as crianças?"

Harry e Louise travaram, as bochechas da ômega se pintaram de rubro, seu perfume ficando levemente mais forte, com um toque de vergonha. O alfa coçou a garganta, antes de responder a outra.

"Hm, nós não somos um casal."

"Oh, sim. Me desculpe pela confusão, senhor Styles."

"Sem problema."

"Dois quartos com três camas no nome do senhor Harry Styles. Pode me mostrar sua identificação?"

Harry assentiu, soltando uma das malas apenas para pegar a carteira no bolso e tirar sua habilitação. A recepcionista conferiu a identidade e fez o check in deles, entregando as chaves dos quartos a Styles (Artemis e Apollo tinham cópias). Com tudo certo, os seis seguiram pelo local indicado, entrando no elevador do fim do corredor; não demoraram muito para chegar ao quarto andar, onde ficavam seus quartos.

Styles deu uma das chaves para Louise, alertando que tinha reservado um quarto para as meninas e um para os meninos. Ares ficou animado em poder dormir com o papai e Apollo, mesmo que não tenha externado, também parecia feliz, seus olhos verdes brilharam. Quando Donna estava viva, eles às vezes faziam festas do pijama na sala da lareira, Ares não deveria se lembrar, mas os outros certamente o faziam; Harry não fazia mais aquilo há anos. Ele deveria fazer mais aquilo com seus filhotes.

Os meninos deixaram as garotas no quarto delas e seguiram para o deles, que era logo ao lado. A suíte era espaçosa, com três camas disponíveis e um grande banheiro; um closet estava livre para eles, e Harry rapidamente colocou as malas ali, separando os itens de higiene para levar ao banheiro e tirar alguns bonecos de Ares, que ele tinha trazido apenas por precaução. O alfa estava cansado, ele não tinha dormido muito e, o pouco que dormiu, foi no carro, que não era o melhor lugar para descansar.

Sendo assim, depois de ver que seus meninos também queriam dormir mais um pouco, Styles deixou o quarto, batendo a porta do quarto das meninas. Louise foi quem abriu a porta, coçando um pouco os olhos, obviamente cansada, Harry se atentou em ser rápido.

"Louise, eu e os meninos vamos dormir mais um pouco, se você e as meninas quiserem descer para tomar café, podem ir. Aqui." O alfa tirou a carteira do bolso e entregou um dos cartões à ômega. "Para o que vocês precisarem."

"Nós vamos dormir um pouco também, não se preocupe." A garota sorriu, pegando o cartão de sua mão, embora parecesse um pouco relutante. "Ainda está muito cedo."

"Está sim. Nos vemos daqui a pouco."

"Até já."

Louise fechou a porta, e Harry voltou para seu quarto. Ares já estava dormindo em uma das camas, completamente desleixado, um urso de pelúcia entre seus braços. Dava para sentir um pouco do perfume de Louise, mesmo que um pouco distante, era gostoso e calmante. Styles tirou a mesinha de cabeceira que ficava entre sua cama e a de Ares, então arrastou sua cama e deixou-a colada à cama do filhote.

Ele perguntou a Apollo se o ômega queria que fizesse o mesmo com sua cama, fazendo-o quando o loiro assentiu. Então, os dois apenas tiraram os sapatos e deitaram na 'cama'. Ares, que estava entre eles, aconchegou-se contra Harry, o alfa mais velho sentiu o perfume de Louise de forma mais intensa, seu alfa interno gostou muito daquilo. Às vezes, quando estava perto da ômega, Harry se sentia como um adolescente, querendo agradar a mais nova; ele tinha se sentido meio alegre quando a recepcionista os confundiu com um casal.

Depois de tomarem café da manhã, os seis estavam andando pelas ruas mágicas da Disneyland de Paris. Harry só notou quando acordou que, como viajaram à noite, o tempo em que passaram no carro foi menor do que o esperado, então tiveram um bom tempo para dormir. Agora, estavam todos alimentados e descansados, então poderiam se divertir.

Antes de irem, o alfa teve um pouco de medo de que o clima ficasse estranho, porque ele estava afastado de seus filhotes e porque Louise era uma pessoa que tinha acabado de acontecer. Felizmente, isso não aconteceu. A pedido de Ares e Athena, todos estavam usando as tiaras com as orelhas do Mickey ou da Minnie, o que fez com que Apollo e Artemis brincassem que Louise estava realmente parecendo com a Minnie, já que estava usando um vestido vermelho com bolinhas brancas.

Os filhotes só tinham se dado conta de onde estavam quando desceram para tomar café, enfim notando as roupas dos funcionários. Ares, como sempre, foi o mais animado de todos. Agora, eles estavam a caminho de um brinquedo de xícaras, que Athena tinha pedido para irem. A fila não demorou tanto, então logo os filhotes estavam sentados e, por isso, Harry acabou do lado de Louise, seus corpos se tocando levemente, um pouco de eletricidade passando entre eles, que deixou o alfa um pouco em alerta.

Depois disso, os olhos verdes dele estavam sempre desviando para a ômega. Quando Donna morreu, Harry apenas se enterrou no trabalho e tentou não pensar em nada. Sua mãe, sua irmã e seus amigos sempre disseram que, um dia, a saudade iria diminuir um pouco e ele conseguiria seguir em frente. Ele sempre achou que isso fosse impossível, mas agora, vendo como seus filhotes estavam felizes em estar consigo ali, e Louise junto de seus filhos, como estivesse com eles há muito tempo, mostrou que as coisas estavam melhorando; aquilo mostrou que as coisas ainda poderiam melhorar mais.

No domingo, Louise estava com Ares e Athena no carrossel, enquanto Harry tinha ido à montanha-russa com os mais velhos. A ômega estava no mesmo cavalo que o filhote mais novo, ajudando-o a manter o equilíbrio, enquanto o brinquedo os fazia subir e descer. Ao final, os três desceram e Louise comprou sorvetes para eles, andando com as mãos dadas a Ares, Athena com um braço entrelaçado ao seu.

Os filhotes mais velhos apareceram não muito depois, Louise comprou sorvetes para eles também, enquanto esperavam por Harry, que tinha ido ao banheiro. Tomlinson pegou o celular de seu macacão jeans e desbloqueou o aparelho, abrindo o aplicativo de câmera e chamou pelos mais novos. Eles se juntaram ao redor da ômega e ela tirou algumas fotos deles, uma delas, sua favorita, foi a que Harry apareceu de repente atrás dela, colocando uma mão em sua cintura. Todos adoraram a foto e o alfa até mesmo pediu para que a mandasse para ele. Depois da autorização do alfa, Louise postou a foto e voltou a colocar o celular no bolso.

Já era hora do almoço e os seis estavam no restaurante de Ratatouille, Ares tinha tirado uma foto com um funcionário vestido de Linguini e agora estavam apenas esperando que seus pedidos chegassem. Foi nesse momento Louise sentiu seu celular começar a vibrar sem parar. Ela achou estranho e pegou o aparelho, seus olhos se arregalaram quando viu a quantidade de notificações que havia por ali.

Sua postagem com a família Styles tinha se tornado um viral, tinham muitas pessoas comentando a foto, perguntando se Louise tinha um caso com Harry e se aqueles eram os filhos do alfa. Até aquele segundo, a garota não tinha se dado conta de que aquela deveria ser a primeira foto dos filhotes publicada em anos. Seu coração acelerou e Tomlinson começou a suar frio, ela temeu pela reação de Harry, não queria ser demitida por causa daquilo. Ao seu lado, o alfa percebeu sua inquietação, tocando seu ombro gentilmente e Louise não sabia se sentia alívio ou desespero ao ver a preocupação nos olhos jade.

"O que aconteceu, Louise?" Harry perguntou, os demais à mesa pareciam alheios à situação. "Algum problema?"

"Acho que isso é algo que o senhor vai decidir." Ela sussurrou em resposta.

"Como assim?"

"A foto que eu postei... da gente. Se tornou bem popular, tem muita gente vindo comentar. Eu esqueci que o senhor não gosta de expor as crianças. Me desculpe."

"Louise, está tudo bem." O alfa suspirou.

"Mesmo?" Ela retrucou com surpresa.

"Sim, eu sabia que não conseguiria esconder meus filhos para sempre. Não se preocupe, eu sei que não postou a foto com intenções ruins."

"Tudo bem." Ela voltou a olhar para a tela do celular, vendo alguns comentários ruins que estavam na publicação. "Entendo porque não queria expor os filhotes, algumas pessoas podem ser bem maldosas."

"Não ligue para isso."

Harry pôs a mão sobre a dela, fazendo-a bloquear o celular. A mão de Styles era bem maior que a dela e era bem quente. Os olhos de Louise não saíam dos dele, os presos naquela troca de olhares, como se um ímã os estivesse puxando, parecia que o alfa podia ver o fundo de sua alma. Eles só saíram daquele transe quando o garçom chegou com seus pedidos, então os dois se afastaram e a ômega sentiu suas bochechas queimando.

Pelo resto do dia, Tomlinson sentiu os olhares do alfa nela e tentava discretamente fazer o mesmo, achando que falhava miseravelmente. Louise desconfiava que seu perfume denunciava como estava se sentindo, principalmente porque ela conseguia sentir o perfume apimentado de Harry vir em resposta ao seu, em alguns momentos.

Quando ela estava distraída, acabou se assustando ao sentir Artemis ao seu lado, entrelaçando seus braços, tomando cuidado com o gesso que estava ali. Louise não entendeu de imediato o que estava acontecendo, percebendo apenas quando viu Harry pedir - em um francês impecável, a propósito - a outra pessoa que tirasse uma foto deles. Então, o alfa se posicionou entre ela e Athena, com Ares nos braços e Apollo ao lado da irmã gêmea. Louise apenas sorriu para a câmera.

Styles voltou a pegar seu celular com o desconhecido, mostrando em seguida a foto para todos. Tinha ficado maravilhosa, com o castelo ao fundo. Sua ômega ronronar satisfeita quando se deu conta do fato de que eles pareciam uma família na foto; como se ela não fosse apenas a babá. Louise não deveria, mas tinha gostado muito daquilo.

"Família bonita, não é?" A voz de Harry soou perto de seu ouvido, assustando-a. "Desculpe, não queria te assustar."

"Tudo bem. Sim, é uma família bonita. Mas acho que eu deveria ter ficado de fora dessa."

"Por que ficaria?" Harry piscou. "A foto saiu exatamente como eu queria."

Louise ficou atônita, sem saber o que fazer quando o alfa pegou o celular de sua mão e afastou-se dela, andando na direção de seus filhos, que estavam olhando para o desfile que acontecia, à frente. Ela segurou a vontade de ronronar com aquelas palavras, forçando seu coração a ficar calmo; em sua mente, sua ômega gritava em felicidade, porque aquele alfa, bonito e interessante, tinha a colocado como família. Tomlinson tentou fazer sua parte interna entender que Harry não tinha falado aquilo com qualquer intenção por trás, que o estranho e repentino interesse que vira em seus olhos não tinha sido nada demais.

Bom, ela precisava se convencer disso antes.


E foi isso até agora, galera!
Eu vou mostrando os filhotes separadamente aos poucos, okay? Assim como as partes do Liam. Aguardem. Como estou boazinha por meu aniversário estar chegando, se vocês quiserem, eu posso dar um pequeno spoiler de algo que vai acontecer no próximo capítulo, mas só se pedirem com jeitinho.
Lembrem-se de me seguir nas redes sociais (sempre me acham como Sanmonnio) e de seguir a equipeBS, minhas gatinhas que estão sempre me ajudando.
É isso, nos vemos na próxima atualização e, até lá, vocês podem ler minhas outras fanfics.
Amo vocês!

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