6.Leah
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O córrego caiu suavemente, batendo sobre as pedras das elevações, percorrendo o terreno coberto por um véu fino de branco. Tentei não bater os dentes, mas se tornou impossível conforme os minutos passavam. Puxo mais o casaco de lã de ovelha, afundando minhas mãos enluvadas nos bolsos quentinhos.
Porque Jacob estava demorando tanto? Bato o pé contra a neve me virando em direção a casa dos Blacks. Estamos entrando no começo de janeiro, onde o inverno se tornou mais forte na reserva.
— Alice, mudança de planos. — Gritou Jacob correndo em minha direção com seu bronzeado eterno, não importava o quanto ficasse preso em casa, Jacob continuava em um verão florido, com camisas finas, às vezes nem isso. — Vamos para a casa do Sam!
— Porque? — Não deveríamos ir para Forks? Não que eu estivesse muito interessada em passar o dia inteiro atrás de peças de carro.
— Reunião, melhor nós apresarmos. — Sorri de lado, retirando a camisa, tento entender sua linha de pensamento, Sam mora do outro lado da Reserva se não me engano no meio de uma trilha.
Não entendo porque fica tão afastado dos outros, sendo o alfa deveria ficar perto. Contenho o grito quando Jacob se transforma em lobo, seus olhos são selvagens, mas ele nada faz senão se abaixar, para que eu monte nele.
— Isso é mesmo necessário? — Questiono dando um passo à frente, ele balança a cabeça ferozmente, sem escolhas subo devagar.
Agarro em seu pelo macio, aproveitando a temperatura quente de seu corpo, abraço firme o pescoço de Jacob, antes que consiga dizer para ir devagar, ele simplesmente corro, pulando por cima de umas pedras, em direção a densa floresta.
Suas patas são grandes igual as de cavalo, peludas e fofas pelo menos. Afundando na água gelada do rio que corre, subimos a inclinação com rapidez. Estava oficialmente considerando pular fora, não me importaria de seguir a trilha a pé como uma pessoa normal, em vez de em cima de um lobo.
Mas meu medo foi maior, abraço mais forte o lobo, sentindo o vento percorrer meu corpo, levando meu capuz para trás, jogando meu cabelo contra o rosto conforme Jacob acelera pulando um morrinho para o outro lado. Me sinto uma donzela nos tempos medievais.
O som do córrego aumenta, afundando as patas na neve fofa ele corre em direção a cachoeira, tento gritar para que pare, mas perco o fôlego quando saltamos para o outro lado, flocos de água congelada grudam no meu rosto, me fazendo arrepiar por completo.
— Jacob! — Esbravejo, cravando minhas unhas em sua pele, recebendo um olhar desafiador — Pode ir mais devagar?
Ele ignorou meu pedido, com um uivo seguimos entre os pinheiros, cristais de gelo caem abraçando a floresta densa.
Tento não pensar muito, mas a primeira neve que vi quando cheguei aqui marcou uma parte muito importante, fazendo seu encanto mais mágico ainda. Jasper havia me pedido em casamento enquanto flocos de neve dançavam, cobrindo o chão. Roubando meu sorriso, queria ficar presa naquele momento, só eu e ele e nada poderia atrapalhar.
Fecho os olhos segurando a vontade de chorar, tenho que seguir em frente, mas é tão difícil. Todas as noites meus sonhos me levam para Jasper. Quando acordo procuro por ele, até me dar conta que não estou na casa dos Cullen, que não sou mais uma deles.
Engulo em seco abraçando mais forte o lobo que corre com mais rapidez, percorrendo um trecho do campo aberto, pulando para a escuridão da floresta novamente. Beijando a neve, estamos mergulhando no frio.
Mantenho meu rosto próximo do corpo dele, agarrando o calor do lobo. Chegamos em uma clareira aberta, duas motos de corrida estão estacionadas perto de um galpão velho, ao lado das árvores. Procuro pela casa, conseguindo distinguir as janelas brancas em meio ao matagal que consome as paredes e se joga por cima do telhado.
— Estão atrasados! — Grita Quil um dos melhores amigos de Jacob, conheci vagamente ele na ceia de natal, não trocamos mais que duas palavras.
Jacob para próximo ao amigo, que me lança um olhar questionador, depois sorri divertido. Quil estende a mão, não recuso, a seguro com força para não cair. Piso o pé no chão quase tropeçando.
— Vai com calma. — Ri ele, segurando meu braço — Deveria entrar, Emily precisa de ajuda na cozinha.
— Não sei nem fazer miojo. — Conto roubando uma gargalhada, ele bate a mão na própria perna rindo alto me fazendo fazer uma carreta. Não sei o que é tão engraçado... muitas pessoas não sabem cozinhar.
— Não se preocupe, não esperamos que soubesse, afinal sua dieta a pouco tempo era só sangue. — Paul se intromete saindo do galpão, retirando as luvas sujas de óleo — Melhor entrar, vamos fazer uma ronda... sabe só o bando. — Explica olhando para Jacob ainda em forma de lobo.
— Ah sim... tudo bem, vou ficar com Emily. — Gaguejo irritada comigo mesma por ser tão lerda.
— Voltamos ao anoitecer. — Quil sorri olhando o sol alto no céu em meio às nuvens carregadas, parece que vou passar a tarde fofocando, algo que tenho certo prazer em fazer.
— Essa reunião, desculpa perguntar, não quero me intrometer nos assuntos do bando, mas. — Tropeço nas palavras.
— Vamos só fazer uma ronda de rotina, Alice. — Grita Sam descendo da sacada em um pulo — Não precisa se preocupar, aquele vampiro foi embora.
— Laurent foi mesmo embora? — Sussurro mais para mim, eles não respondem.
Logo os três se transformam em lobo, seguindo Jacob para a floresta. Ignoro a vontade de me lamentar, queria ficar mais um pouco com Jacob, ele me distrai de tudo que está acontecendo.
Apresso meu passo subindo os degraus, fazendo a madeira ranger. Billy foi pescar de manhã cedo com Charlie, suas vozes eram altas no café da manhã que compartilhamos. O pai da Bella contou sobre os pesadelos da filha, como ela gritava de noite.
Me ofereci para fazer uma festa do pijama, ele adorou a ideia claro. Tenho que ligar para Jéssica, com certeza ela vai querer organizar tudo, devo admitir que ela sabe animar uma festa. Gostaria que Bella e ela pudesse se dar bem, seria tão mais fácil se reunir na mesa do lanche sem aquela troca de olhares faiscantes.
Não bato na porta quando entro, ela já estava aberta. Sou recebida pelo calor da lareira, pelo cheiro forte de carne no forno sendo grelhada.
— Alice poderia tirar as botas, não quero limpar o chão novamente. — Emily pede, sua voz vindo da outra sala, ela aparece coberta de farinha e uma colher cheia de molho.
Retiro as botas, puxo os fechos, empurrando o couro. Apresso a colocar ela do lado dos outros pares de sapatos sujos de neve e barro, antes que ela pedisse tiro o casaco pesado, batendo o mesmo, fazendo gotículas de água mancharem as paredes cobertas com papel antigo.
— Sim, claro. — Concordo dando um passo à frente, Emily acena para me juntar a ela na cozinha. — Vai ter um banquete ou algo assim?
— Não. — Deixa um riso escapar, correndo em direção a uma panela borbulhante — Sabe como é, eles comem mais que um batalhão. — Ri mexendo a sopa rapidamente.
— Precisa de ajuda? — Questiono observando a bagunça, pratos na pia, salada e cenouras jogadas na bancada.
— Seria bom, pode cortar os legumes se quiser. — Sorri provocando a sopa, levando a colher à boca, fazendo uma carreta em seguida.
Pego a faca puxando uma cenoura da cesta de palha em cima da bancada, corto em fatias finas, balançando a cabeça levemente ao som suave da música tocando na rádio.
— Então, Alice. — Emily levanta a panela tirando do fogo, para escorrer na pia — Como está sendo morar com os Blacks?
— Bem divertido na verdade. — Repuxo meus lábios em um sorriso — Tirando claro a distância da escola, mas tudo bem.
— Nem me fale! — Ri colocando novamente a panela sobre o fogo, dessa vez derramando uma garrafa de molha de alho por cima — Sam insistiu para que vivêssemos aqui no meio do nada, tem medo por mim, é muito protetor. — Suspirou irritada — Sou humana, mas sei atirar como ninguém!
— Já atirei em um vampiro e posso dizer que não adiantou muito. — Sussurro fazendo ela sorri de lado convencida.
— Nada que uma granada não resolva. — Diz pegando uma cesta com batatas, amassando uma na mão, jogando na panela.
— Isso é sério? — Gaguejo sem acreditar — Você realmente tem uma granada?
— Meus pais eram do exército, meu avô participou da segunda guerra mundial. — Emily sorri nervosa mexendo a panela — Mas Sam insiste que sou uma boneca de porcelana que precisa ser protegida, quer dizer o imprinting deve fazer isso com a cabeça dele.
— Sim, mas como conseguiu uma granada? — Questiono cortando com mais rapidez as cebolas.
— Meu avô tem uma caixa cheia. — Ri divertida para o meu espanto — Relaxa não saiu por aí matando vampiros.
— Que bom...
— Na verdade nunca usei uma granada, Alice. — Emily ri jogando mais alho na panela — Vampiros não entram na reserva, e não tenho medo de vegetarianos. — Revira os olhos, rindo em seguida.
— Ah bom, mas me explica melhor sobre o imprinting. — Não consigo segurar minha curiosidade — Já pesquisei um pouco em livros antigos, quando estava procurando sobre a cura...
— imprinting nada mais é que almas gêmeas, obsessão e um lobo babando em você o dia inteiro. — Sorri distante — Quando conheci Sam eu não sabia que ele teve um imprinting por mim.
— Ele era noivo da Leah? — Questiono mesmo sabendo a resposta.
— Sim eles eram noivos, mas o imprinting foi mais forte do que qualquer memória do namoro deles. — Emliy parece meio triste, abaixando a cabeça para apagar o fogo.
— Deve ter sido difícil...
— Não foi na verdade, Leah claro não entendeu que imprinting era algo incontrolável, mas ela sempre foi orgulhosa demais para se meter no assunto. — Cuspe tensa, mexendo a sopa — Então quando eu menos esperava Sam não parava de me visitar com desculpas esfarrapadas, flores e declarações bregas.
— Daí vocês se apaixonaram?
— Mais ou menos isso, não acho que posso chamar de amor o que temos. — Emily sorri sem jeito, com as bochechas vermelhas — é um sentimento selvagem, quando ficamos separados dói.
— A sopa está pronta? — Questiono tentando mudar de assunto.
— Quase, vai levar duas horas para ficar no ponto certo. — Emily diz fechando a panela. — Quer dar uma volta, caçar alguns veados para o jantar?
— Alguém disse caçar? — Reconheço a voz de Leah no batente da porta, com um sorriso duro — Vou pegar os arcos e flechas. — Pisca para Emily nervosa.
— A quanto tempo está ouvindo a conversa, prima? — Emily sorri fria.
— O bastante para ferir meu orgulho. — Leah ri de escárnio fazendo a prima revirar os olhos.
— Não deveria ficar atrás das portas se não quiser ouvir o que não gosta. — Emily rebate sem humor.
— Olha aqui sua falsa! — Leah grita perdendo a compostura.
— Ah, vá achar o que fazer Leah! Alice e eu vamos caçar, sozinhas. — Rosna dando um passo a frente encarando a prima de frente, seus olhos faíscam com a proximidade.
— Alice vai vir comigo. — Grita Leah puxando meu braço fazendo Emily rir irritada.
— Não vai não! — Emily rosna pegando meu outro braço.
— Sua vagabunda invejosa! Vai roubar minha amiga agora também? — Leah dispara irritada, me empurrando pro lado.
— Cala a boca! — Emily estufa o peito enchendo a mão de farinho jogando contra a cara da prima.
As duas se encaram como dois lobos ferozes, Leah enfia a mão no saco de farinha virando o mesmo sobre a cabeça da prima, rindo em seguida. Recuo, batendo as costas contra a parede.
Antes que me de começar uma guerra de farinha, tento me escapar, mas meu rosto é tingido de po. Escorrego pelo piso liso, enquanto Leah corre atrás de Emily com um saco novinho de farinha jogando na mesma.
— Corre galinha! É só isso que você sabe fazer mesmo! — provoca Leah recebendo uma carranca de Emily que sem pensar pega o vidro de catchup, espremendo contra o rosto de Leah.
— Sua, sua! — Rosna.
—Vagabunda é você! — Emily grita pegando a panela cheia de legume arremessando contra Leah que se abaixa, fazendo a panela de ferro atravessar a janela, os legumes voando por toda cozinha, se perdendo em meu cabelo, abaixo mais ainda a cabeça me encolhendo debaixo da mesa.
— Vou te mostrar a vagabunda! — Rosna Leah agarrando o cabelo curto de Emily que puxa o dela devolvendo na mesma moeda.
As duas caem sobre a mesa em gritos, não sei quem está ganhando, acho que está empatado, rastejo para longe, levantando, esbarrando na panela fazendo a mesma bater contra o chão, jogando a comida por todo o chão, manchando os armários e minhas roupas no processo.
— Parem! — Grito nervosa — Parem!
— Sua cadela! — Grita Emily segurando um bolo cheio de creme branco, amassando o mesmo no rosto de Leah que a derruba por cima dela.
— Talarica imunda! — Leah berra agarrando o braço de Emily fazendo a mesma dar uma cabeça contra a outra, arregalo os olhos não acreditando no que estou presenciando.
— Não tenho culpa do Sam ter tido um imprinting em mim! — Rosna Emily enquanto Leah tomba de leve para o lado.
— Chega vocês duas! — Berro, me jogo na frente de Emily estendendo as mãos, mas Leah se choca contra mim, levando nós três para o chão sujo de farinha e molho.
Tento levantar escorregando, bato a bunda no chão no processo, gritando frustrada. As duas gritam uma com a outra, se encarando com fúria, se firmando nos armários para levantarem.
— Eu te odeio Leah! — Soluça Emily à beira das lágrimas.
— Eu te amo sua vadia egoísta. — Leah gagueja, abraçando ela em seguida, as duas caem no choro juntas.
Firmo minhas mãos no chão, levantando com esforço. Tento não pensar na janela quebrada, no molho vermelho espalhado pelos armários e no pequeno incêndio que começou no fogão.
— Vocês duas são loucas! — Resmungo não conseguindo conter o riso — Oh meu Deus, precisamos de banho.
Balanço as mãos sujas de molho, recebendo um olhar envergonhado das duas que caem na risada, ao menos agora elas não vão quebrar mais ainda a cozinha.
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Quebra de Tempo
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Depois de um banho demorado na banheira de Emily, me senti mais disposta a ajudar na limpeza da cozinha, mas quando desci, nenhuma das duas parecia muito preocupada com a bagunça. Conversando alegremente no sofá da sala, aproveitando o calor das chamas, desço o último degrau da escadaria recebendo um sorriso gentil de Leah.
— Essa camisola ficou linda em você. — Elogia Emily, enquanto tento puxar mais o tecido pra baixo, é muito curto na minha opinião, mesmo com o calção por baixo, me sinto desconfortável.
Mas não trouxe nenhuma muda extra, muito menos Leah que teve que aceitar vestir um calção bem curtinho, com uma camiseta de Sam por cima. As duas parece ter se resolvido enquanto eu tomava banho, balanço o cabelo deixando o calor da sala seca-los. Me sento na poltrona na frente delas, me envolvendo na conversa uma vez ou outra.
Conforme a tarde passa a neve se acumula, embaçando as janelas, aquilo era uma tempestade de neve com toda a certeza. Ventos assobiam quando a noite cai. Leah não parece perceber o olhar preocupado de Emily olhando uma vez ou outra para a porta, esperando Sam voltar com os outros.
— Está muito tarde, eles já deveriam ter voltado. — Resmungo jogando minhas pernas por cima da mesinha de centro.
— Devem ter se perdido, garotos. — Leah revira os olhos já conhecendo muito bem o bando.
— E se algo aconteceu com eles? — Questiona Emily preocupada, sua voz trêmula. — Podem ter encontrado forasteiros no território.
— Talvez... — Leah abaixa a voz — Vampiros, embora aquele tenha ido embora, pode ter outros.
— Deveríamos ir atrás deles. — Emily declara confiante, se levantando.
— Melhor não, com essa nevasca vai ser muito difícil acharmos qualquer um. — Leah a puxa de volta ao sofá, fazendo a mesma cair sentada, emburrada.
— Então o que vamos fazer? — Gagueja ela nervosa — Sam e os outros podem estar em perigo!
— Se sairmos podemos nos perder. — Leah abaixa mais ainda a voz, escutando a ventania lá fora — Virar comida de ursos ou o que quer que esteja lá fora. — Seu tom é sombrio.
Encolhi no sofá, agarrando a manta quentinha. Tento usar minhas visões, procurar pelo futuro, mas tudo que vejo são borrões de branco. Mordo o lábio me virando para elas que discutem mais baixo, parecem nervosas demais.
Me cubro com a manta vermelha ignorando meus pensamentos depressivos, tenho que me acalmar. Logo Jacob e o bando estarão de volta.
— Vocês duas são humanas, é muito perigoso. — Leah insiste tentando convencer Emily.
— Acha que sou fraca? — Rosna se levantando, seguindo para a lareira, pegando a escopeta de cima da mesma.
Ela marcha para a porta, mas Leah levanta impedindo Emily de seguir. As duas se encararam bravas uma com a outra.
— Não sabe nem atirar, por favor devolva isso aí antes que machuque alguém. — Pede Leah tentando pegar a arma da mão dela.
— Eu sei sim! Leah, você me subestima demais! — Emily rosna engatilhando, disparando a mesma com o empurrando de Leah que arregala os olhos ao som do tiro.
— Amor! — Reconheço a voz máscula de Sam na porta, com ferocidade o tiro acerta a parede ao lado dele — Cheguei...
— Tá louca mulher? — Grita Quil empurrando Sam paralisado, com olhos espantados ainda.
Emily abaixa a escopeta, jogando a mesma sem cuidado nenhum no sofá de couro, correndo, se jogando nos braços do alfa, dando um beijo longo nele. Quil revira os olhos, carregando um cervo morto em direção a cozinha, Paul se junta a ele com passos pesados. Jacob tropeça para dentro assustado pela recepção. Seu olhar relaxa ao encontrar o meu, puxo um sorriso para ele.
— Querido, estava tão preocupada! — Soluça ela recebendo um sorriso tenso de Sam, que encara o buraco na parede poucos milímetros da sua cabeça.
— Emily... querida por favor. — Gagueja sendo apertado mais ainda, ela simplesmente começa a chorar fazendo o mesmo a abraça com cuidado — Está tudo bem amor.
— O que aconteceu aqui? — Questiona Jacob, passando a mão pelo cabelo longo, tentando tirar os flocos de neve que o decoram.
— Nada demais. — Leah sorri entediada — Tomamos um banho relaxante e depois conversamos um pouco...
— Esqueceu de dizer que explodiram a cozinha! — Grita Paul marchando para fora da bagunça, elas não limparam, suspiro.
Espero que comece uma discussão para ver quem vai limpar, mas depois de Paul e Quil brigarem com Leah, eles levantaram a voz para a esposa do alfa. Sam rosnou para eles e resmungou bem alto que ele mesmo ia limpar tudo! Jacob se ajeitou no sofá ao meu lado, suas roupas simples para um frio de matar, puxo mais a manta cobrindo quase todo meu corpo. Mesmo com a lareira está friozinho aqui dentro.
— Algum vampiro pelas redondezas? — Questiono em um sussurro, Jacob levanta a cabeça sorrindo suavemente para mim.
— Nada, não precisa se preocupar. — Garante, voltando sua atenção as chamas que crepitam na lareira.
Eles devem ter encontrado alguma coisa, se não porque estariam tão cabisbaixos. Bom, não importa, melhor deixar pra lá. Conto os minutos ouvindo a discussão na cozinha enquanto Sam parece quebrar mais ainda aquele lugar.
— Se divertiram muito sem a gente? — Questiona Quil se jogando do meu lado da larga poltrona, me esmagando no quanto — Emily pode ser bem legal quando não está estressada.
— Sim, foi legal. — Sorri lembrando que minutos atrás ela quase assassinou o próprio marido.
— Leah e Emily são assim mesmo, não dá pra deixar elas sozinhas. — Paul conta se sentando ao lado de Jacob no outro sofá — Parece que vamos ficar sem jantar por causa delas, de novo. — Resmunga irritado.
— Parem de reclamar! — Leah rosna revirando os olhos para Paul, jogando uma almofada contra ele — Não comeram esquilos suficientes lá fora?
— Sua vadia! — Paul esmaga a almofada com a mão, batendo com a mesma no rosto de Leah que ri da situação pegando outra almofada, essa verde.
— Sério isso? — Jacob ergue a sobrancelha soltando um sorrisinho, recebendo um travesseiro na cara — Ah vocês vão ver! — Grita se levantando.
Agarro bem minha almofada quentinha, eles não vão pegar ela. Quil se levanta pulando em cima de Paul, os dois rolam pelo enorme tapete persa que cobre o chão da sala. Um tentando acertar o outro com o objeto macio. Meus lábios se repuxam e um sorriso, não resisto a animação contagiante, aperto bem a almofada batendo ela contra Leah que encurralou Jacob.
— Alice! — Grita Leah me fuzilando com o olhar — Não estamos na mesma equipe?
— Estamos? — Questiono confusa, recebendo um travesseiro, caindo sentada no sofá, Jacob ri da minha desorientação.
— Jacob eu vou te matar! — Berra Emily olhando furiosa para o vaso quebrado no chão, sem hesitar ela pega uma almofada pesada jogando contra o mesmo — Seu cachorro sarnento!
Jacob desvia fazendo a almofada entrar com tudo nas chamas da lareira, rapidamente o fogo devorou a almofada, percorrendo para o tapete. Levanto me afastando rapidamente, tropeço no caminho quase caindo sobre a cristaleira, mas Jacob passa sua mão pela minha cintura, seus olhos de avelã me encaram dilatados.
— Acho que você está morto. — Brinco fazendo ele rir suavemente.
— Melhor irmos embora então? — Questiona baixinho, recebendo uma careta de Emily do outro lado da sala.
— O que está acontecendo aqui? — Rosna o alfa, Sam cruza os braços com seu avental rosa e uma esponja em mãos.
— Ele que começou! — Acusa Leah com um travesseiro abafando a voz de Paul que luta para tirar ela de cima dele antes que o mesmo desmaie.
— Não importa quem começou... — Bufa Sam passando a mão pelo cabelo, percorrendo os olhos pela sala — A próxima reunião vai ser na sua casa Jacob.
— Não, não, nem pensar! — Se apressa em recusar, dando um passo pra trás, me levando com ele — Billy me mataria...
Um trovão fez as janelas tremerem, seguido de um apagão. Maravilha parece que estamos sem janta e sem luz. Consigo distinguir os rostos bravos com a ajuda do fogo, Emily tenta apagar as chamas que percorrem o tapete, pisando em cima com sua pantufa. Sam olha para todos na sala, des de Quil o mais novo do grupo, jogado em um sofá cansado a Paul que finalmente conseguiu fugir das garras de Leah.
Espero o silêncio acabar, espero que voltem a gritar uns com os outros, mas isso não acontece. Jacob segura firme minha cintura, sinto sua pele quente contra meu braço.
— Melhor irmos dormir no galpão. — Sussurra perto do meu ouvido, me fazendo arrepiar inteira.
— Limpem a bagunça! — Ordena Sam com sua voz de alfa fazendo os lobos se encolherem com seu olhar feroz — Depois vamos todos dormir. — Seu tom se torna perigoso.
— Que chatice. — Reclama Leah recebendo uma almofadada de Quil.
— Fica quieta ou daqui a pouco vamos todos dormir no galpão. — Resmunga irritado.
— Que boa ideia. — Poderá Sam raivoso — Arrumem logo essa bagunça ou vão mesmo dormir no galpão frio! — Rosna perdendo a paciência com o bando.
Todos ficam em silêncio novamente, Jacob se afasta indo juntar os cacos do vaso que quebrou no meio da guerra de travesseiros. Quil e Leah não demoram a arrumar a bagunça, embora um resmungando pro outro, logo a sala está um pouco mais apresentável. Emily desceu as escadas com um colchão, não havia muitos quartos na pequena casa de madeira. O do casal onde fica o banheiro principal e um pequeno cheio de tralhas no andar de baixo.
— Estou com fome. — Choraminga Paul olhando pidão para Sam que revirar os olhos, apontando com a cabeça a cozinha atrás dele, Paul não demora a entender o recado e vai fazer um lanche por conta própria.
— Trouxe cobertas. — Emily sorri deixando a pinha sobre o sofá, enquanto Quil afasta a mesinha de centro para derrubar o colchão sobre o tapete.
— Obrigada. — Agradeço com um sorriso, ela me dá um abraço de supetão.
— Tenha uma boa noite. — Sussurra no meu ouvido, retribuo o abraço.
— E meu abraço de boa noite, Emily? — Paul reclama recebendo um tapão nas costas de Sam.
— Se aquietem e vão dormir logo! — Rosna Sam repreendendo Leah e Quil que estavam discutindo com um olhar.
Me afasto, sentando na beirada do colchão, Quil roubou o sofá de dois lugares só para ele, se espalhando sobre o mesmo. Esticando bem as pernas, Leah revira os olhos com a atitude imatura do mesmo. Então eles estavam brigando por causa de um sofá? Suspiro, abraçando meu próprios braços, ignorando a ventania lá fora.
Deito em um canto perto do fogo, puxo a manta sobre o corpo, Jacob se junta a mim, mais afastado, ao seu lado Paul se esparrama, esticando bem os braços.
— Boa noite pessoal. — Sorri alisando a barriga cheia, provavelmente comeu a geladeira pela demora.
— Sai pra lá, abre espaço! — Resmunga Leah empurrando Paul fazendo Jacob ser obrigado a chegar mais perto.
Nunca pensei que dividiria um colchão com quatro pessoas, quer dizer lobisomens. Pelo menos vou ficar quentinha rápido. Com relutância Paul sede um pouco de espaço para a garota, permitindo que a mesma deite.
Fecho os olhos ignorando a discussão baixa dos dois, Jacob seguiu o meu exemplo ficando em silêncio para os três, até mesmo Quil estava sussurrando irritado para Paul que reclama do espaço.
Não sei quanto peguei no sono, mas as visões me despertaram arrancando dos meus sonhos, me jogando contra a vontade para o futuro.
Tenho medo de olhar, mas mesmo assim sinto o vento morno do verão batendo na minha pele, pisco tentando afastar a luz quente do sol. Dou um passo à frente não conseguindo controlar meu corpo, escuto risadas, sigo em passos alegres, balançando a saia do meu vestido florido, cantarolando alguma coisa.
— Alice! Alice vem se juntar a gente? — Reconheço a voz de Sam com um enorme sorriso, os caninos para fora.
Sua mão desliza pelo meu ombro me puxando em direção a floresta densa, rapidamente afastando o matagal consigo ver o mar se estendendo pelo horizonte, reluzente ao céu limpo. O penhasco mais alto de onde todos os Quileutes costumam pular por diversão... Paul está acenando para que olhe o salto dele, que é empurrado de qualquer forma por Leah, acabando com seu sorriso bobo.
— Idiota! — Grita ela rindo em seguida, Sam revira os olhos para a ex-noiva.
— Estou ansiosa. — Digo sem controle da minha voz.
— Não é nada demais, você vai adorar. — Sam incentiva, nos aproximando mais ainda do penhasco, da beira. — É uma de nós agora, uma loba. — Sorri de lado, me soltando.
Tento manter a visão embora ela tente escapar para outra, sigo o caminho de pedra, absorvendo o que ele acabou de dizer. Eu sou uma deles agora? Sou uma...
— Alice, você venho? — Jacob se anima andando em minha direção descamisado como sempre, como todos eles.
Sou puxada para seus braços, me girando com um riso bobo. Firmo minhas mãos em seus ombros tentando não cair, um riso escapa entre meus lábios. Meu coração bate nervoso, mas não consigo parar de sorrir. Então o vazio que sinto sumiria um dia, com as lembranças não passando de memórias fracas.
Luto contra me afastando da visão, sou jogada em um mar em furia, derrubada em outra visão, dessa vez o sol não me recebe, minhas mãos estão trêmulas, sangue mancha elas.
Levanto a cabeça deixando a tempestade lavar meu rosto, soluço voltando minha atenção ao chão, pisando no barro, afundando meus pés descalços na lama. Consigo ouvir os gritos de Bella ao longe, me viro varrendo a floresta densa com os olhos, tropeço caindo de joelhos, algo gelado escorrega para dentro da minha camisa. Puxo com força o colar reconhecendo o braço da família Cullen.
— Os volturi? — Gaguejo sentindo as lágrimas escorregarem pelas minhas bochechas, arrepios me percorrem com o pensamento.
Ergo minha cabeça reconhecendo o olhar selvagem que tanto amo, Jasper está de pé na minha frente, estendendo a mão. Seu rosto entrega o medo que está sentindo, a presa. Tento levantar, aceitar sua ajuda, mas antes que nossos dedos se toquem sua cabeça é arrancada, fazendo o corpo cair sem vida no chão.
— Jasper! — Grito sem fôlego, levantando para cair com força contra um poça — Porque, por quê? — Gaguejo, soluçando em seguida.
— São as leis, querida. — Aro proferiu com suavidade e elegância, sua mão agarrou meu braço, me levantando sem delicadeza nenhuma.
— Acho que não teria consequências, Alice? — Seu tom é aveludado, sua outra mão desliza pelo meu pescoço — Não pode fugir de mim. — Aro sussurra malicioso — Vidas humanas são tão frágeis.
Respiro devagar tentando não desabar, minhas pernas fraquejam, soluço percebendo o olhar predador de Aro sobre mim. Com força suas pressas perfuram meu pescoço, saboreando o sangue com demora.
— Não, Não! — Grito tentando lutar, fugindo da visão de volta ao presente. — Não...
Puxo o ar contendo um grito para a sala escura, todos estão dormindo, tento acalmar meu coração sentando, sinto a mão quente de Jacob estendida para mim, segurando minha mão.
— Teve um pesadelo? — Sussurra baixo, querendo voltar a dormir.
Esta tudo bem, foi só uma possibilidade, duas na verdade. Deito minhas costas cansadas contra o colchão macio, entrelaço meus dedos nos de Jacob, um sorriso se repuxa sereno para mim. Deito minha cabeça no travesseiro, seguro as lágrimas, tento.
— O que foi? — Questiona alarmado, mas ainda com a voz baixa, se aproximando, analisando meu rosto.
— Um pesadelo, foi só um pesadelo... não se preocupe. — gaguejo.
Jacob não parece muito convencido, mas não diz nada, simplesmente oferece um sorriso tranquilizador. Ouço a neve caindo lá fora junto com a ventania.
— Tem certeza? — Me puxa para um abraço, me aconchego no calor dele. — Pode me contar se quiser...
— Foi um pesadelo, um pesadelo. — Minto fechando os olhos, ignorando a realidade.
Não foi um pesadelo, aquilo vai acontecer, não sei como, mas vai acontecer. Aro vai matar Jasper! Não, isso não pode acontecer, não quero. Luto contra meus pensamentos, focando no presente, são só possibilidades. Se eu me tornar uma quileute não encontrarei Jasper, nunca vou reencontrar os Cullens, não importa o tanto que isso me doa, devo ficar longe. Não que seja difícil, eles me abandonaram sem deixar nada, nem mesmo um número para o qual ligar, a não ser que naquela carta que Carlisle... não...
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Notas:
Deixe uma estrelinha fantasminhas :)
Alice vai se tronar uma deles, entrar para o bando de Sam? Emily vai treta com Leah novamente? Os Cullens vão voltar? Bella vai tentar se suicidar sem Edward? Alice vai aprender a fazer miojo?
Descubram nos próximos capítulos:)
Para quem você esta torcendo? Vampiros ou lobisomens?
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