17.Memórias do Passado

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— Mais café, querida? — Questiona a garçonete com um sorriso grande em minha direção.

Balanço os pés não conseguindo conter a animação, finalmente havia chegado o dia... Ah quanto tempo esperei.

— Não, obrigada. — Agradeço segurando a xícara quente entre meus dedos.

— Cliente fácil. Torta? — Oferece gentilmente.

— Estou bem. — Respondo pensativa, ansiosa demais — Estou esperando um amigo. — Tento procurar pelas possibilidades, mas tudo que vejo é o bebe da moça em minha frente em um futuro não muito distante.

— Você terá um lindo bebe. — Sorri com a imagem em minha mente, ela se assustou um pouco.

— é assim óbvio? — Parece desconfortável pelo meu comentário.

— Não, não. — Sorri me apressando a falar — é que você tem aquele brilho.

— Você é amável. — Ri ela indo em direção a jarra de café do outro lado para a cozinha.

Uma música começa tocar, minha música. Viro em direção a porta observando o jovem loiro entrando fugindo da tempestade lá fora. Seus olhos avermelhados se destacam contra sua pele pálida, Ele tirou a jaqueta de couro indo em direção a uma mesa perto da janela.

Era mais bonito pessoalmente do que em minhas visões, andei devagar contando os passos. Tenho medo de gaguejar, mas furtivamente me aproximo.

— Me deixou esperando por muito tempo. — Declaro fingindo estar zangada, me sentando no banco em sua frente, sem me importar em pedir permissão.

— Desculpe, senhorita. — Ele abaixou a cabeça, como um bom cavalheiro do sul — Não sabia que tinha que estar em algum lugar.

Sorriu intrigado estendendo a mão para mim, apertei reconhecendo seu toque frio como o meu. Sabia a linha de seus pensamentos, tudo que perguntaria.

— Você... é como eu? não é...

— Daqui? — Questiono balançando as pernas de baixo da mesa, sorri nervosa em sua direção.

— Humano...

— Isso também. — Concordo batendo os pés no chão novamente, agitada demais para ficar quieta.

— Desculpe — Pede me analisando com seus olhos vermelhos sangue — Eu conheço você de algum lugar?

Ah sim, bom, não agora... suspiro passando a mão pelo cabelo, observando o homem em minha frente confuso demais.

— Não, mas eu acho que conheço você. — Resmungo ansiosa — Ei, pegamos o melhor lugar da casa para ver os relâmpagos.

Me pego olhando para o céu chuvoso, voltando minha atenção a Jasper que me olha duvidando.

— Que relâmpago... — Sorri intrigado, confuso com o clarão pela janela — Você fez?

— Não é o meu tipo de poder. — Declarei com um sorriso animado — Mas se você pensa que eu sou assim tão poderosa, então diria que começamos bem.

— Sou Alice, a propósito. — Conto apresentando-me ao não tão desconhecido em minha frente.

— Jasper.

— Eu sei, sou muito boa com nomes. — Sorri — Como nossa garçonete aqui, é a betty. — Digo notando sua aproximação, seu cheiro doce no ar.

— Você não gosta muito de café, não é? você o deixou no balcão. — Diz colocando a xícara na mesa.

A pego para mim sorrindo levemente para ela que de forma rápida pega o bloquinho de notas indo atender um casal na mesa ao lado.

— Está escrito na blusa dela... — Rebate Jasper.

— Também sou muito boa com leitura.

— Você está fazendo joguinhos comigo? — Questiona com um leve toque de irritação e divertimento em sua voz aveludada.

— Eu estou? — Não havia percebido, me sinto tão a vontade aqui... com ele.

— O relâmpago, meu nome?

— Me desculpe. — Percebo como devo estar parecendo muito estranha, singular diria — Eu estou um pouco nervosa.— Suspiro confessando — Você me deixa nervosa.

— Não é de propósito. — Sorri de lado observando eu derramar açúcar no café — Isso é um montão de açúcar.

— Faz-me sentir humana. — Conto mexendo o mesmo no café — Então, conte-me a seu respeito Jasper. — Sorri curiosa — Qual a sua cor favorita? Com quem foi o seu primeiro beijo? Que tipo de música gosta?

Ele me encarou em silêncio, deixo meus olhos vagarem pelos seus ombros, parando em seus lábios, seguindo o vermelho de seus olhos contra os meus dourados.

— Você pode só escolher uma dessas, se você quiser. — Gaguejo sobre a tensão de seu silêncio.

— Ahh.. eu gosto de azul.

— Eu também! — Cantarolo animada — Gosto de todas as cores, mas azul é uma boa cor.

— Sua vez. Me pergunte alguma coisa. — Incentivo.

— O que a traz a Filadélfia? — Questiona se aproximando mais da mesa, quase se debruçando sobre ela.

— Eu estou começando a conhecer você. — Digo mordendo o lábio.

— Sim, eu sei disso, mas o que eu quis dizer foi...

— Eu sei o que quis dizer — Sorri hesitante — E eu quis dizer isso também, minha vez, mesma pergunta. Jasper, o que o traz a Filadélfia?

— Ah, eu não tenho certeza. — Resmunga meio confuso — Estou me sentindo um pouco perdido.

— Bem, eu estou contente que você tenha se encontrado aqui. — Admito sincera.

— Quem é você? — Questiona curioso, se debruçando na mesa sem se importam com os olhares que atraímos pela lanchonete.

— Eu sou um tanto intuitiva, provavelmente iria arrasar em leitura de mãos. — Digo o despistando.

— O que você vê? — Interroga estendendo uma moeda para mim, me permitindo ver as cicatrizes em seu braço.

Toco sua mão com delicadeza, traçando as linhas, são macias como mármore.

— Você tem ótimas mãos. — Elogio o fazendo sorrir

— Sentindo alguma coisa? — Questiona divertido, observando meu dedo deslizando pela sua palma.

— Certeza de que não posso trazer nenhuma comida para vocês? — A voz da garçonete afasta Jasper de mim em um pulo.

— Não, obrigada. — Sorri para ela que não demora a ir nós deixando sozinhos novamente.

— Tem comida em toda parte. — Resmunga Jasper.

— Sim, bem, eu sou vegetariana. — Tento explicar olhando em seus olhos. — Portanto, não há muita coisa para mim na lanchonete.

— Vegetariana? — Interroga confuso, erguendo uma sobrancelha.

— Nós só comemos animais. — Conto pensando longe.

— Nós?

— Minha família e eu, bem minha futura família. — Digo deixando um sorriso escapar.

— Você é mais do que só um pouco intuitiva... — Pelo tom de sua voz ele pareceu compreender.

— Sim, sim eu sei. — Sorri nervosa — Eu não vejo o futuro ou algo assim, só vislumbres de possibilidades.

— é isso que sou? Uma possibilidade? — Parece meio decepcionado com a possibilidade.

— Não. — Digo seria — Eu decidi sobre você há um bom tempo atrás. — Vinte e oito anos para ser exata.

— Então o que acontece em seguida, Alice? — Sorri desafiador em minha direção.

— Depende de você.

Então outra visão nubla meus pensamentos; A garçonete derruba uma pilha de pratos se cortando, cheiro de sangue impregna no ambiente, Jasper corre em sua direção enquanto tento segura-lo.

— Bem, nós dois nos tornamos vegetarianos, por exemplo? — Disse o beijando no mesmo instante que pratos se chocam contra o chão.

— Como você se sente? — Questiono tentando não gaguejar.

— Eu sinto algo que não experimento há um longo tempo. — Diz olhando em meus olhos

— Me conte.

— Esperança. — Admiti engolindo em seco — Acho que o seu café está ficando frio.

— Então está.

— Então, para onde vamos daqui? — Questiona curioso vestido sua jaqueta novamente, se levantando.

— Poderíamos caminhar. — Ando devagar ao seu lado, saindo rapidamente da lanchonete.

— Eu gostaria disso. — Sorri estendendo o braço para mim.

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Presente

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Meu coração bate confuso, pisco lentamente sendo irritada pela luz fraca do sol, esfrego os olhos percebendo o lobo encolhido ao meu lado. Aquilo foi um sonho muito real, pareceu uma memória da verdadeira Alice... Deixo meus pensamentos para trás ao notar os pinheiros ao redor, James não foi um...

— Jacob?— gaguejo percebendo que não foi um pesadelo, gostaria que fosse, no entanto é real, a dor da mordida é real.

Afundo minhas mãos no chão úmido me impulsionando para cima rapidamente, agarro um tronco de árvore tentando não cair. Observo os pinheiros ao redor, não consigo ver nada que possa nos ajudar... provavelmente correr sem direção não é uma boa ideia.

Levo a mão pescoço sentindo a mordida, sangue seco suja minha blusa. Não que isso importasse, estou toda suja de lama e provavelmente fedendo a cachorro.

— Jacob... precisa reagir. — Imploro recebendo um olhar ofegante, seguido de um rosnado que mais parecia um choro.

— Ok...

Suspiro olhando novamente em redor, precisava fazer alguma coisa, mas o que? Não havia nada que pudesse ajudar ele. Ando devagar ainda tonta, pela perda de sangue. Não entendo porque ele me deixou viva.

Marcho pelo caminho denso da floresta, deixando gravetos quebrados para trás, algumas árvores caíram, pulo por cima de um tronco caindo do outro lado, firmo minhas mãos no chão as machucando. Levanto respirando fundo, Jacob precisa de mim, tenho que ser forte por ele.

Avisto um riacho na descida, talvez um pouco de água para limpar seus ferimentos, se bem que pela tempestade estamos mais que limpos... meio sujos, mas... ah sinceramente nem sei como ainda consigo raciocinar.

Minha cabeça grita de irritação, está frio demais... venta levemente jogando meus cabelos pra trás me fazendo sentir o cheiro de sangue no ar. Era muito estranho como poderia ser tão familiar, me viro em direção a ele, seu cheiro... Jacob me deu seu sangue para me transformar.

Estamos conectados, penso me agachando na frente do rio, molhando as mãos a levando ao rosto, esfrego em seguida pegando uma concha de água tomando, tusso com o gosto, depois bebo mais um pouco tirando a secura da garganta.

— Porque consegui ouvir seus uivos? — resmungo para mim mesma, confusa demais.

Não poderia ser... devemos estar conectados, consigo sentir sua dor, ouvir sua voz em meus pesadelos, na banheira foi uma visão da floresta. Deveria ter insistido mais. Está claro que estamos ligados por um laço, então se ele morrer eu também vou. Levando a cabeça olhando pro céu limpo, parece que haverá sol.

Pego uma folha grande fazendo um copo improvisado, ando devagar subindo o barranco em direção ao lobo. Meus passos são lentos, instáveis, quase tropeço.

— Aqui, beba um pouco. — Peço me sentando na terra ao seu lado. — Precisa beber.

Derramo o líquido em sua boca, seus olhos selvagens encaram os meus agradecido, Jacob só tem 16 anos, deveria viver a vida de um adolescente normal.

Me encosto contra uma árvore ao seu lado, deixo minha mão acaricia seu pelo o fazendo rosnar fraco em minha direção, não sei se ele é muito nervoso ou está doendo.

— Fique calmo. — Resmungo a contra gosto — Nunca iria te machucar.

Ele parece acreditar, se esforçando para se aproximar mais de mim permitindo que toque suas orelhas, com um olhar desconfiado ele fecha os olhos cansado. Seguro as lágrimas, não quero que perceba o quanto está doendo ficar lado a lado.

Consigo sentir os cortes nele como se fossem em mim. Edward já deveria ter voltado da casa de Bella ao julgar pelo sol quente. Suspiro fechando meus olhos. Procuro um caminho pelas minhas visões, mas não vejo nada.

Quando abro os olhos estamos no anoitecer, não sei quando peguei no sono, mas Jacob voltou a ser humano... virar lobo é muito inconveniente... principalmente pela falta de roupa. Deixo a vergonha pra trás e tiro minha blusa muito grande pra mim e coloco por cima dele.

Não tinha problema ficar de sutiã no meio da floresta, mas teria se algum bichinho me morde-se. Deixei sua cabeça apoiada em minha perna, espero que acorde logo. Lobos cicatrizam rápido me lembro esperançosa.

Não tinha como andar para longe tão fraca, levantei afastando, indo em direção ao rio corrente em passos lentos, quase caindo sobre as raízes no caminho. Fico de pé em frente a água cristalina, tiro as botas úmidas deixando meus pés refrescarem. Mergulho minhas mãos no rio as limpando, depois bebo um pouco.

Ouço um arrastar atrás de mim, viro rápido quase caindo tonta, para meu alívio Jacob está de pé com um careta de dor.

Seus instintos parecem gritar para se transformar em lobo de novo, no entanto ele simplesmente se aproxima de mim devagar, se sentando ao meu lado na beira do rio.

— Quanto tempo eu fiquei desacordado? — Pergunta confuso.

— Acho que vinte horas... não sei dizer... — Admito que perdi a noção do tempo.

— Aquele vampiro maldito. — Rosna gemendo de dor ao levantar o braço. — Porque venho aqui? Como sabia?

— Ouvi seus uivos... não consegui ficar quieta. — Confesso desviando o olhar.

— Es louca?? — Rosna indelicado.

— Talvez. — Com certeza.

— Temos uma ligação, consegui achar relatos que dizem sobre laços que não podem ser quebrados. — Conta Jacob passando a mão pelo longo cabelo, folhas se prendem nele.

— Consigo sentir sua dor e você a minha. — Digo fria relembrando.

— Desculpe, Alice. — resmunga cansado — Precisa beber meu sangue.

— O que?— Questiono, deve ter batido a cabeça...

— Lembra que dei meu sangue para você beber? para virar humana, tem que beber meu sangue novamente. — Explica em um suspiro não muito confortável com a situação.

Ele resmunga depois mergulha a não no rio limpando o barro seco, por fim corta com a unha uma linha fina a esticando em minha direção, quer que eu beba seu sangue.

— Não posso... — Não quero.

— Vamos logo Alice! Não conseguiremos sair daqui em minha forma de lobo. — Rosna tentando me convencer — Então preciso que fique forte para caminhar...

Seguro sua mão observando o vermelho vivo, levo aos lábios, bebo sentindo o gosto do sangue amargo, minha energia volta e com ela muita raiva. Não entendo porque, mas simplesmente bebo mais afundando meus dentes em sua mão, com um lamento Jacob puxa meu cabelo tentando me afastar, não consigo me equilibrar com seu empurrão caindo no rio com tudo.

Encaro seus olhos divertidos, reviro os meus para sua atitude infantil. Levanto percebendo suas bochechas vermelhas... sinceramente sutiã e biquíni é quase a mesma coisa, mas mesmo assim ele desvia o olhar envergonhado.

— Temos que ir. — Ordena marchando manco na minha frente — Mesmo que a noite cai posso ver no escuro.

— Mas eu não Jacob. — Rosno observando as sombras pela mata densa. — Deveríamos esperar o sol nascer ao menos.

— Aquele vampiro pode voltar a qualquer momento Alice! — Grita rouco pegando minha mão, apertando para me forçar a andar mais rápido — Temos que sair daqui o quanto antes.

Se James quis-se nos matar já teria feito, muito provável é que estamos sendo como ratinhos muito fáceis de pegar, não tem desafio. Talvez seja por isso que nos abandonou aqui. Mas não digo nada, simplesmente visto as botas de novo e sigo Jacob, não consigo evitar de olhar para suas costas musculosas.

Conforme a noite cai a lua cheia nos guia, tropeço uma ou duas vezes me agarrando nele, não entendo como consegue caminhar calmo de pé no chão, deve ser uma habilidade do clã.

— Para onde estamos indo? — Questiono enquanto seguimos o rio acima.

— Para as terras dos Quileutes. — Declara como se fosse óbvio.

Sou empurrada para cima subindo uma rocha cheia de lima, firmo minhas mãos nas raízes, agarro um galho me colocando de pé, Jacob simplesmente pula se colocando ao meu lado. Ele estende a mão para mim como um cavalheiro, pego revoltada com meu cansaço.

— Tenho que voltar para casa. — resmungo tropeçando em uma raiz batendo com tudo contra ele nós fazendo cair no chão.

Encaro seus olhos de avelã, tão amistosos, mas ao mesmo tempo revelando seu lado selvagem. Firmo minhas mãos na terra ao lado dele, indo para o lado dando espaço para que se levante. Não falamos nada, parece que meu mal humor está afetando o dele também porque simplesmente rosnou irritado chutando um galho para longe.

— Segure firme. — Repreende Jacob apertando minha mão na sua — Não quero que nós derrube em um precipício.

— Humm. — Concordo cansada demais para reclamar de sua grosseria.

Minha mão soa contra a dele conforme andamos mais rápido, seus passos são largos perto dos meus. Consigo ver um estrada ao longe, sou puxada nessa direção por ele. Provavelmente cansado de andar pelo solo irregular de terra.

Ao pisar no asfalto respiro fundo, não conseguia ver muito, só o que a lua consegue clarear com sua luz lunar.

— Então Edward está namorando minha amiga. — Começou Jacob fingindo desinteresse, não conseguindo disfarçar a raiva em sua voz.

— Sim estão namorando. — Sou curta apertando sua mão mais forte ao entramos de nova nas sombras das árvores tendo minha visão embaçada.

— Ele é um monstro... não deveria nem cogitar ficar com uma humana.

— Seria muito melhor um lobisomem. — Provoco irritada

— Não sou um lobisomem... somos filhos da lua.

— Hummm tá bom Jacob. — Resmungo alto — Quanto tempo falta até a reserva?

— Umas horas. — Pela sua careta não são poucas horas...

Andamos no meio da estrada contando os passos, respiro fundo abraçando o ar frio da noite. Ao menos não está chovendo, tento me animar.

— Como parou na floresta Jacob? Carlisle disse que você estava mal de cama. — Interrogo não aguentando o silêncio.

— Deveria ter ficado na cama, mas achei que — Suspira — Achei que deveria ajudar, procurar sobre a lenda.

— Vou ter que beber seu sangue para sempre? — Questiono mordendo o lábio.

— Uma dose de vez enquanto bastará.

caminhamos ouvindo o respirar um do outro, sua pele quente contra a minha fria, consigo sentir o corte recém feito em sua mão. Então uma luz nos cega, pneus cantaram no asfalto, reconheço o carro do chefe de polícia, ele freia perdendo o controle por um momento, sinto os braços de Jacob me colocando atrás de si de forma protetora, como se pudesse parar um carro em movimento.

Ele olha alarmado, sem hesitar abre a porta descendo rápido, sua expressão entrega tudo. O que estariam fazendo dois jovens quase nus na floresta a noite? Jacob se cobria com minha blusa, enquanto meu calção mal cobria minhas coxas; o sutiã preto poderia se passar por biquíni, pena não estarmos na praia dessa vez.

— Alice, o que fazem aqui a noite? — Interrogou nervoso percebendo nosso estado decadente, principalmente o sangue — Entrem logo no carro, está muito frio.

— Chefe, obrigado. — Agradeceu Jacob entrando na viatura rapidamente, sigo ele.

Me sento atrás consigo, colocando em braço quente tentando me aquecer. Charlie dá a volta no carro rápido, pediria explicações logo logo.

— Então? — Questiona Charlie me fazendo olhar para Jacob ao meu lado envergonhado, ainda segurando minha mão por instinto.

— Nós estávamos... — Gagueja Jacob desviando o olhar para a pista enquanto Charlie dirige devagar, não queria atropelar um vampiro de novo.

— Fazendo trilha. — Digo curta abraçando meus braços.

— Tem umas mudas de roupas extra ai atrás se quiserem. — Diz nervoso — Sinceramente porque esta pelado Jacob?

Não era a primeira vez que o chefe de polícia pegava Jacob sem roupas comigo, na praia de La Push mesmo os boatos que estávamos fazendo saliências se espalharam pela cidade. Foram esquecidos rápidos com o namoro de Bella e Edward. Sinceramente todos são muito fofoqueiros nessa cidade.

Pego a jaqueta vestindo, desviando o olhar de Jacob para que o mesmo vestisse a calça atrapalhado pelo olhar de Charlie interrogando.

— Ah eu eu...

— Ele é um lobisomem! — entrego tudo fazendo Charlie me encarar nervoso.

— Estávamos namorando chefe... — gagueja Jacob rápido tentando esconder o segredo.

— Ah agora tudo faz sentido. — Diz pensativo — Quando te dei carona na casa de Billy estava visitando Jacob?

— é...

Não me importo mesmo, acredite no que quiser, volto minha atenção a estrada cansada demais para falar, deixou Charlie entediar Jacob com perguntas. Fecho os olhos por um segundo, acabei pegando no sono e despertei em frente ao hospital onde Carlisle trabalha, igual da ultima vez que Charlie me deu carona.

Imagino que ele já tenho voltado de sua viagem, não quero abusar da gentileza de Charlie e muito menos que desconfie de mim. Então abro a porta com um sorriso e finjo que está tudo bem. Jacob continua lá meio paradão, nervoso.

— Até outro dia. — Digo seguindo o corredor para o hospital, lentamente. Vago meus olhos pelo estacionamento, esperando.

Carlisle não estava ali, seu carro era muito chamativo para passar despercebido. Andei até a recepção sendo recebida com um sorriso interrogatório da enfermeira. Conto que havia ido acampar fingindo uma risada.

— Tadinha, deve ter sido assustador ficar perdida. — Consolou ela me guiando para o banheiro. — Vou ligar para sua casa agora mesmo, espere um momentinho. — Sorri me deixando sozinha.

Empurro a porta do banheiro sendo recebida pelo espelho, meus cabelos estão sujos demais, arrepiados em todas as direções. Ligo a torneira esfregando o barro do rosto e braços, puxo a jaqueta de Charlie colocando no banquinho. Com lenços e um pouco de sabão pareço mais humana e menos que sai de um apocalipse zumbi.

Passo os dedos pela mordida de James, arde ao toque. Limpo o local com água procurando pelas gavetas alguma coisa, em meio a sabonetes e toalhinhas encontro uma caixa de primeiros socorros, para meu desespero só tinha absorvente, serviria.

— Pronto. — Digo por fim vestindo novamente a jaqueta quente.

Voltei ao corredor sendo recebida por um pote de biscoitos e um sorriso curioso da chefe das enfermeiras, suas perguntas eram rasas. Não tinham muita curiosidade dos porquês e sim de como Carlisle me deixou ir acampar. Não sei como consegui falar, estava no automático, cansada demais para prestar real atenção a conversa.

Esperei mordendo um biscoito na recepção, logo um volvo parou na frente, porém não era Edward e sim Jasper saindo com seus olhos dourados em minha direção.

Andando rápido demais para o disfarce humano, não se importava. Levantei devagar indo em direção a saída, sorri me despedindo das duas enfermeiras do turno da noite. Os braços frios do loiro me receberam em um abraço, ele respira fundo sentindo meu cheiro, preocupado.

— Onde estava? — Interroga se afastando com relutância — Porque está cheirando a cachorro molhado?

— Melhor conversamos no carro. — Peço olhando em redor.

Ele aceita, me guiando pela cintura, confesso que foi um alívio jogar meu peso sobre seus braços. Espero que abra a porta, abaixo a cabeça entrando.

Antes que me de conta os pneus cantam, respiro fundo tentando pensar no que direi a seguir, pelos seus olhos nervosos sei que vai ser um longo interrogatório.

— Porque não chegou ao meio-dia como prometeu? — Resmungo cansada.

— Houve alguns imprevistos. — Rosna girando o volante rápido demais adentrando a estrada de viagem. — James está caçando nas redondezas.

— Eu sei... — Tento criar coragem — Jacob foi atacado por ele. — Gaguejo sobre seu olhar atento.

— Como sabe? — Seus lábios ficam trêmulas ao perceber — James a tocou?— Interroga apertando o volante.

— Ele, ele... — Gaguejo perdendo um pouco a voz, não consigo segurar as lágrimas com a lembrança.

Nunca vi Jasper assim, seu olhar se tornou assassino, mas tentou se conter, afundando o pé no acelerador pulando um quebra mola. Agarro o banco para não ir com tudo para frente, rapidamente puxo o cinto o fazendo se sentir culpado.

— Vou acabar com James. — Sua voz é de uma calma assustadora, carregada de malícia.

Não consigo imaginar algo pior do que aconteceu a aqueles homens que machucaram Bella e eu, tentaram nós... Mesmo assim não acho que mereceriam ser desmembrados. Meu estômago embrulha com a lembrança sangrenta.

Ele não podia simplesmente quebrar uns pescoços? Olho pro lado tentando esquecer, me concentro nas árvores passando lá fora. Neblina cobre o asfalto conforme subimos as montanhas em direção a casa afastada dos Cullens.

— Jacob descobriu algo sobre a lenda. — repuxo os lábios em um sorriso vacilante — Tenho que beber pequenas doses do seu sangue as vezes...

— Carlisle mencionou algo parecido — Sorriu aliviado — Esme chegou hoje de viagem, estávamos fazendo busca pelo local.

— O cheiro do Jacob? — Sussurro pra mim mesma.

— Não conseguimos rastrear com o fedor do lobo em você. — Começa Jasper virando o volante em uma curva em alta velocidade — Poderia me explicar como tudo aconteceu? — Interroga tentando controlar a raiva na voz.

— Eu consegui ouvir os uivos. — Sorri nervosa, sabia que tinha sido burra — Jacob estava pedindo socorro, não sei o que deu em mim.

— Porque não chamou seu irmão, Alice? — Rosna pisando mais fundo no acelerador — Porque não esperou? Poderia ter morrido! — Acusou irritado, seus olhos vão de mim a estrada.

Tento acalmar o susto repentino, respiro devagar tentando enganar meus batimentos. Não tinha como me desculpar por aquilo, foi puro instinto.

— Jasper. — Sussurro mordendo o lábio — Estou bem.

Tudo que recebo em resposta é o silêncio, seus olhos dourados estão concentrados na estrada, desviando de um buraco ou outro. Para meu desânimo as nuvens fechadas no céu começam a se mexer, logo logo uma tempestade vai começar. Esfrego minhas pernas com a palma da mão, está frio demais.

Antes que eu consiga ligar o ar condicionado, Jasper faz isso.

— Pensei que nunca mais a veria... pensei que tinha morrido. — Sua voz de choro é de partir o coração.

— Estou aqui agora. — Digo tocando sua mão fria, disfarço os calafrios com um sorriso.

— Prometa-me que nunca mais vai sair sozinha de novo. — Exige olhando profundamente em meus olhos, sei que está usando seu charme contra mim.

Entrelaço nossos dedos desviando o olhar para a garoa que começou a cair. Reconheço o caminho que leva a casa dos Cullen, no entanto passamos direto.

— Prometo. — Suspiro derrotada, arrancando um sorriso caloroso dele. — Para onde estamos indo? — Questiono ao passarmos por um placa diferente.

— é muito perigoso ficar naquela casa. — Revela pisando o pé mais fundo no acelerador — Vamos sair de Forks.

Não, isso não deveria acontecer.


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Notas:

Gostaram do capítulo?

Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2

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