16.James
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Estou afundando em pesadelos e temo que não a nada que Edward possa fazer para me impedir de entrar em pânico. Seguro as lágrimas tentando me convencer que dessa vez não pareceu tão real. Consigo ouvir um sussurra baixo demais para ouvidos humanos, pisco levemente reconhecendo a sombra de Esme na porta cochichando com Edward.
Concentro me na voz deles tentando ouvir com clareza, seus sussurros estão carregados de nervosismo.
— Edward, filho. — Tropeçou nas palavras, dando dois passos pra frente fazendo o chão de madeira ranger — Seu pai andou falando com o conselho da tribo. — Contou fazendo Edward se mexer inquieto.
Finjo dormir, respirando devagar, não poderia negar que estava esperançosa por boas notícias. Esperei e esperei que suas palavras a seguir me acalma-se, no entanto Jacob estava desaparecido e tudo levava a crer que estava tão mal quanto eu... sem energia, tonto, fraco.
— Emmett está procurando pelas redondezas. — Resmungou ela — O conselho declarou que vão quebrar o acordo... eles acham que somos responsáveis. — Sua voz saiu carregada de tremor.
Lutei contra a vontade de abrir os olhos, revelar que estava ouvindo tudo, não conseguia dormir. Na verdade acho que não consigo olhar nos olhos deles sem me sentir culpada.
— Não podem fazer isso. — Rosno Edward baixinho — A culpa de tudo isso é deles mesmos! Billy é o responsável pela própria loucura.
— Eu sei querido. — havia compreensão em sua voz cansada.
— Rosalie e Jasper não voltaram ainda? — Questiona ele deixando a mão repousar em meu ombro, afastando-me um pouco para o lado, permitindo que se levante.
— Chegarão ao meio dia. — Revela andando calmamente em direção ao fogo crepitante na lareira fazendo sombras pelo quarto.
Pisco levemente observando eles conversarem, aperto a coberta como se pudesse me proteger de todo o mal que me perturbava.
— A tribo a leste não tem respostas... nem mesmos os anciões. — Contou Esme olhando diretamente para Edward parado imóvel pensativo.
Enquanto meus pensamentos vagam caiu no sono novamente, esquecendo todos os problemas. Tenho outro pesadelo, mas não é James que me atormenta e sim Jacob gritando em agonia meu nome, consigo sentir sua dor, parece estar ferido, tento chegar perto, mas o lobo foge sendo caçado por algo, James.
Pisco em sobressalto ignorando a luz fraca entrando pelas cortinas abertas, sinto a presença de alguém no outro lado da cama, seu respirar leve. Bocejo querendo voltar ao mundo dos sonhos, mas não quero ter outro pesadelo.
Espreguiço me afastando dos braços acolhedores de Edward que parece levar um susto olhando diretamente pra mim fazendo uma careta, logo seus lábios repuxam um sorriso.
— Bom dia dorminhoca. — Sua voz aveludada chega aos meus ouvidos como música.
Ele está segurando um livro em suas mãos distraído nas páginas amareladas, deve ter passado o tempo assim.
— Que horas são? — Questiono apoiando meus braços na cama, firmando minhas mãos.
Estico as pernas me impulsionando para fora das cobertas quentes, vento rodopia as folhas lá fora, trazendo consigo o frio. Resisto a vontade de voltar a proteção do tecido quente. Ainda não acredito que dividi a mesma cama com Edward, não deveria me sentir assim por ele, muito menos sentir as borboletas em minha barriga.
— São dez horas da manhã. — Revela largando o livro sobre a mesinha ao lado — Se sente melhor?
— Sim. — Minto não o convencendo muito — Só preciso de um banho. — Digo em direção ao banheiro.
Não espero uma resposta, simplesmente fecho a porta atrás de mim, ligo a torneira deixando a água encher a banheira. Ouço os passos leves de Edward saindo do quarto, antes que tudo se torne silencioso.
— Jasper e Rosalie chegarão ao meio dia. — Conta com um sutil toque de alegria na voz — Não se preocupe muito irmã.
Não respondo, tiro o pijama jogando o mesmo em um quanto qualquer, entro na banheira quente, meus pensamentos vagam por entre as densas árvores que consigo ver pela janela pequena. Não me importo com a demora, deixo meus músculos relaxarem fechando os olhos.
No entanto logo tudo ao meu redor muda, estou tendo outra visão... Uma tempestade cai assobiando, levando consigo folhas, galhos e uivos distantes. Meus pés afundam na terra correndo com desespero atrás de algo, de alguém.
Pisco voltando para o presente, esfrego meus braços tentando raciocinar. Brinco com o sabão sorrindo para a espuma cobrindo minha pele tão frágil. Não consigo entender essa visão, poderia ser outro pesadelo, um delírio.
Encaro o pequeno relógio na parede, deixo meu corpo afundar na água, mergulhando. Antes que o ar me falte me ergo respirando rápido.
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Quebra de Tempo
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Enquanto meus pensamentos vagam tentando encontrar a visão na floresta de novo, deixo os dedos de Edward fazer cafuné, brincando com meu cabelo. Sua voz é suave se misturando a ventania lá fora, estico levemente o pescoço, pego dois biscoitos deixados na mesinha ao lado do sofá.
— Já é tarde... — Resmungo mordendo um biscoito. — Talvez eles tenham mudado de ideia.
— Rosalie deve ter parado no salão de beleza. — Brinca Edward me fazendo rir.
Faz dias que a família Cullen anda ocupada tentando achar algo para meu problema, quero ajudar, levantar da cama, mas me tratam como se eu fosse inútil.
Engulo em seco ignorando a vontade de chorar, não há dor, no entanto tudo que sinto é sono tomando conta dos dias, fazendo passar rápido demais. Esme pela manhã deixa bandejas de biscoito com chá... as vezes pego ela puxando as cortinas, sei que está procurando alguma forma de ter sua família unida de volta como era antes.
Puxo as pernas abraçando-as voltando a contar as gotas de chuva deslizando pelo vidro da porta janela.
— Lembra da neve caindo sobre os pinheiros no norte? — Sussurra deslizando os dedos entre meu cabelo o bagunçando — Da sua voz como sinos ao vento.
Resmungo balançando a cabeça, apoiando em seguida em seu ombro, descansando. Sinto falta do sol tocando minha pele, do calor seguido do cansaço de uma corrida. Froks é uma cidade onde morcegos se escondem no clima tempestuoso, fugindo do sol. Não muito animador quando tudo que posso fazer é esperar... gostaria sentir a chuva fria, mas sei que não posso pegar uma gripe, não quero causar mais problemas.
— Houve uma guerra, minha pequena irmã acertou uma bola de neve surpresa. — Gargalha longe, perdido em memórias — Não consegui a pegar rápido o bastante, não antes que atingisse meu rosto.
— é por isso que sou aquela que arremessa no beisebol? — Questiono curiosa.
— Claro, gostamos de desafios. — Sorri de lado se espreguiçando, quanto tempo se passou dês que nos sentamos aqui...
— Como está Bela? Desconfia...
— Ela sabe. — Diz curto observando os ponteiros do relógio declarando o anoitecer lá fora com precisão.
— Não se preocupe. — Sorrio de leve tocando sua mão com a minha — Ela te ama.
Desvio o olhar para um trovão quase pulando do sofá, do nada Edward cai em uma gargalhada espontânea.
— O que foi?
Reviro os olhos com sua atitude, logo rindo junto. A chuva se tornou um temporal fazendo nossa risada mais baixa. Suspiro espiando o livro em suas mãos, Romeu e Julieta de novo? Ah lembro de um trabalho envolvendo isso.
— Crianças. — Chama Esme com um sorriso doce em nossa direção — Carlisle quer mostra uma coisa. — Informa esperando.
Levanto devagar ignorando a pressa de Edward seguindo sua mãe. Um passo de cada vez a cãibra foi sumindo. Subo as escadas em direção ao escritório, livros e mais livros estão espalhados abertos sobre mesas e estantes. Sei que Carlisle não parou de procurar um solução, sorri culpada por isso.
— Alice, filha vem ver. — Convidou meu novo pai indicando um livro antigo sobre a mesa.
Estiquei o pescoço lendo as palavras confusas, parece que havia mais registros de pessoas como eu. Boas notícias, no entanto tão antigas e apagadas, mas mesmo assim abri um sorriso enorme.
— Um Clã na Romênia fala sobre essa maldição. — Conta Esme — A cura das tribos e maldições dos vampiros.
— Vou pegar um voo para lá em trinta minutos. — Revela Carlisle animado — Vai ficar tudo bem. — Sua voz transborda alegria.
Antes que consiga reagir ele me abraça junto de Esme, como uma família feliz. Edward me encara com um sorriso contagiante. Ia finalmente ficar tudo como deveria ser, talvez até volte a ser vampira.
— Quer ajuda com as malas? — Se oferece lendo a mente de Carlisle, saindo em seguida em direção ao quarto.
— Você também vai? — Questiono em direção ao olhar carinhoso de Esme.
— Sim, será rápido, nem vai notar que saímos, quando ver estaremos de volta. — Diz me deixando escapar do abraço.
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Quebra de Tempo
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Faz poucas horas que meus pais saíram para o país do conde drácula. As despedidas foram rápidas, apressadas demais. Encaro a lua se escondendo entre as nuvens no céu.
— Preciso ir ver Bella. — Conta Edward parado ao meu lado também olhando a mesma lua cheia.
Não queria ficar sozinha, principalmente a noite, talvez ele não note o quanto o pesadelo me afetou, afinal pesadelos são só sonhos irreais. Observo a floresta que rodeia a casa, não tem problema ficar um pouco só. Infelizmente Rosalie e Jasper parecem ter mudado de caminho, estão atrasados demais. Sei que Edward está ansioso para ver sua amada, que seria egoísmo negar isso a ele.
— Ah. — Murmuro encontrando seus olhos dourados magnéticos.
Antes que consiga dizer para que fique, antes que implore para não me deixar sozinha uma visão nubla meus pensamentos. Não sei o que levou a ela, mas tudo depende do que falarei a seguir.
Pisco tentando fugir da visão, mas não consigo. Observo a neve caindo, contra a vontade, um cobertor está cobrindo as casas ao longe. Ouço uma música suave toca ao fundo, encontro os olhos animados de Edward em minha direção, acho que ele vai me beijar. Antes que nossos lábios se toquem tenho outra visão mudando outra vez o tempo, indo mais longe no futuro. Consigo ver que estou conversando com ele em uma sacada de frente ao mar, suas declarações fazem meu peito subir e descer instável.
Fogos de artifício explodem quando digo sim ao seu pedido de casamento, imagens se misturam de conversas e passeios seguidos de risadas.
Agora entendo a visão sobre o casamento, tudo isso é culpa minha, do que direi a seguir. Não entendo como um simples não pode mudar tudo.
Não posso me apaixonar por ele, não seria justo roubá-lo de Bella. Sorrio escapando da visão voltando ao presente.
Tudo que preciso fazer é ficar parada, mas para impedir esse futuro desvio o olhar rejeitando mesmo que me arrependa.
— Deveria ir. — Digo o quer tanto ouvir — Vou ficar bem sozinha.
— Mas...
— Vá encontrar ela Edward! — Resmungo virando a cara.
Ele insiste em ficar, seus passos são rápidos me abandonando em meu quarto escuro.
— Volto antes que do sol nascer. — Grita Edward fechando a porta.
Me recuso a deixar as lágrimas caírem, empurro a porta janela deixando o frio me consolar. Ouço os pneus do volvo saindo, estão destinados a ficar juntos. Com um suspiro me sento no chão esticando a mão, pegando as gotas de chuva.
Perco a noção de tempo conforme meus pensamentos se misturam confusos, minutos passaram, talvez uma hora. Deveria dormir, mas algo grita para que não faça isso. Olho para a floresta escura, uivos seguem longe.
Contra minha vontade levanto fechando a janela atrás de mim, outro uivo se seguiu, Jacob está me chamando.
Sinto o perigo eminente, seu lamento por socorro. Ignoro minha covardia e sem hesitar desço as escadas rapidamente, visto as botas jogadas na entrada. Está escuro demais para ver alguma coisa, corro em direção a cozinha revirando as gavetas, lembro de ter visto uma lanterna.
Outro uivo alto me faz jogar tudo que tem na gaveta para fora, espalhando pelo chão da cozinha. Pego a lanterna com minhas mãos trêmulas, não entendo o pânico crescente em mim.
Sigo atravessando a porta em direção a mata fechada, sendo hipnotizada pelo uivo desesperado. Trovões soam altos me fazendo andar mais rápido. Não sei como, mas posso ouvir Jacob gritando de dor. Bato na lanterna a ligando, clareando a trilha mal feita. Um passo e outro tropeço nas raízes, apoio minhas mãos nas árvores me impulsionando para frente.
— Jacob! — grito sentindo uma pontada de dor tomar meu braço fazendo derrubar a lanterna.
Agarro a mesma antes que se perca na lama, sigo em frente sem olhar pra trás, não sei como, mas estou sentindo seu pânico tomando conta de mim.
— Jacob! Jacob! — Gaguejo olhando em volta a floresta ser tomada por relâmpagos, permitindo ver ao longe uma sombra, grito alto — Jacob!
Corro em sua direção, gavetos se quebram conforme passo pelo caminho, agarro um tronco pulando por cima do mesmo, pulo outra raiz voltando a correr para mais longe da casa dos Cullen. Isso era pura instinto, gritando em meus ouvidos que tinha que ajuda-lo.
Acompanho os uivos pela floresta no meio da tempestade ouvindo um pedido de socorro... vago pelas árvores tentando encontrá-lo. Não consigo mais gritar, afundo meus pés no barro correndo mais rápido conforme a urgência dos uivos despertam algo em mim. Parece que estamos ligados, estou sendo puxada por uma corda em sua direção.
Não consigo resistir de pular sobre as poças de chuva, afundo as botas no lago raso correndo para baixo, grito rouca por Jacob. Ergo a lanterna me guiando pelos sons. Atravesso a água devagar enquanto a chuva cai tornando minha roupa pesada.
Olho ao redor perdida, consigo sentir a dor de Jacob uivando, pedindo ajuda. Trovões abafam minha voz. Não consigo controlar as lágrimas. Apoio minhas costas em uma árvore puxando o ar.
— Jacob... — Observo minhas pegadas sumirem nas poças de chuva.
Memórias que não me pertencem começam a nublar minha visão, grito de forma involuntária ao ser atingida por uma onda de dor. Pisco novamente vendo um lobo caído, esfrego os olhos reconhecendo Jacob no chão ensanguentado, seguro a vontade de gritar.
Me aproximo em passos leves, estou encharcada, tremo conforme a água limpa minha pele, agacho ao seu lado, seus olhos me encaram em pânico.
Tento puxar Jacob em meio a ventania... pesado demais para carregar. Parece ter sido machucado por um vampiro, reparo bem nas mordidas em sua pele coberta de pelos. Tento raciocinar, tenho que leva-lo para casa... para longe daqui. Entrei em choque ao começar a sentir os machucados como se fossem em mim, tem muito sangue.
— Jacob, você precisa reagir. — grito o balançando sem fôlego para gritar mais alto.
Ele mostra os dentes tentando me morder, afastei rápido caindo de bunda no chão molhado, seguro as lágrimas enquanto meu peito sobe e desce descompensado. Pelo seu olhar parece querer que eu fuja.
Não consigo me mexer, não quando sinto seu medo como se fosse meu.
Ouço galhos se quebrando atrás de mim, olho pro lado rápido vendo a cabeleira loira de James. Não... não posso estar alucinado de novo.
Ontem não foi um pesadelo, ele realmente esteve em meu quarto! Levanto resbalando na lama, respiro fundo não desviando seu olhar selvagem.
— Fique longe de mim! — Ameaço erguendo a luz fraca da lanterna em sua direção.
Como se fosse uma piada ele simplesmente a toma de minhas mãos me jogando contra uma árvore, minha cabeça dói com o impacto.
— Não se preocupe coelhinha. — Sussurrou malicioso perto do meu ouvido deslizando o dedo sujo de sangue entre meus lábios. — Vou te saborear lentamente.
Ouço um rosnado raivoso vindo de Jacob, com um riso frouxo James o ignora voltando toda sua atenção ao meu pescoço.
Antes que consiga gritar por socorro, embora não houvesse ninguém perto para me ouvir. Eu disse não a um futuro com Edward ao meu lado, pelo visto isso me condenou a morte.
Sinto os dentes afiados perfurando minha pele me fazendo contorcer de dor.
Conforme suas presas se afunda mais minha visão fica turva, me agarro ao tronco da árvore atrás de mim para não cair contra ele. Não havia como correr, nem mesmo um lobo conseguiu fugir... Mesmo assim tento chuta-lo me desequilibrando, sendo segurada com força bruta contra a árvore.
Encaro os olhos do lobo caído no chão tentando se levantar, mas não conseguindo. Sinto as lagrimas escorrendo, meu coração bate calmo. Pisco vendo tudo girar ao meu redor.
Suas presas se afastam do meu pescoço me segurando com força contra a arvore, com um sorriso frio. Não era divertido uma presa quase desmaiando, mas mesmo assim sabia que o gosto do meu sangue era saboroso demais para ele.
Não consegui distinguir a confusão em seus olhos, muito menos porque me beijou em seguida.
Tudo estava lento demais em minha cabeça, pisco tentando distinguir algo em meio a noite, mas então percebo que não estou mais sentindo meu corpo. Provavelmente estou na beira de um desmaio. Tudo ficou silencioso... estou com sono.
Antes de cair no abismo de mais pesadelos, sinto a dor invadir meu corpo ao cair no chão, tusso tentando diferenciar os borrões de sombras em minha frente.
Tudo ficou escuro.
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Notas:
Qualquer errou ou incoerência me avisem amores :) Gostaram do capitulo?
Deixem aquela estrelinha de voto! Pois isso me motiva muito S2 Não se esqueça de adicionar a Fanfic na sua biblioteca para ser notificado das atualizações.
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